categoria ~ Cinemascope

isso é quase uma resenha

ôdishon poster

com um poster desses, não se pode errar. foi o que bastou para que eu baixasse o filme. mas isso deve fazer mais de ano. ficou num canto do hd e eu o esqueci completamente até ler este comentário, uns dias atrás. não concordo, mas entendo. porque, porra, é uma japonesinha de luvas com uma seringa gigantesca, olhando DAQUELE jeito. e tal.

videodrome

aos 10 minutos, interrompido, resumi o filme assim: cyberpunk televisivo-conspiratório sadomasoquista.

videodrome #1

mas não só.

tipo: 1983. isso explica muito. aí canal #83 a cabo com soft-core, S&M & HARDER STUFF querendo mais audiência; sinal roubado e decodificado com atraso (falso) da Malásia/Pittsburg - o grande achado; tortura & morte. videodrome. e, na seqüência, tumores alucinógenos e um cassete/coldre-UMBILICAL: a vagina da nova carne.

mendigos em tumulto na entrada dum galpão pra ver tv em cubículos e satisfazer sua dependência por raios catódicos.

"i am the video word made flesh."

pistola fundida na mão direita. BANG BANG.

a essa altura, outro adjetivo necessário: trash. total. e não poderia ser diferente.

Cronenberg in the skies with TOO MUCH CABLE-TV & Debbie Harry masoquista.

videodrome #2

VERY NICE.

Zeitgeist II

nem pretendia assistir ao Zeitgeist: Addendum agora, mas depois dos primeiros minutos não teve jeito. como o nome sugere, é um adendo ao Zeitgeist: The Movie, sobre o qual falei (mais ou menos) nesse post. Addendum complementa a terceira parte do primeiro documentário: explica - de novo - o sistema monetário e dá um panorama bem detalhado do atoleiro onde estamos. lá pela metade, após mostrar por que está TUDO errado, há um belo exercício de utopia e futurologia, ou modos de reestruturar nossa civilização e pôr tudo nos eixos - e vai ficando um pouco menos utópico depois que você começa a RUMINAR essas informações.

dito isso, escolha uma (ou várias) dessas coisas pra fazer AGORA e sem choro:

sério, vai lá.

o grande êxtase do entalhador Steiner

não sei bem qual é o número mínimo de repetições periódicas necessário para que algo possa se tornar tradicional, mas acredito que sejam umas três. isso posto, digo que - tradicionalmente - o primeiro filme a que assisto em janeiro é sempre o grande êxtase do entalhador Steiner (1974). já é o terceiro ano, este - e a quarta vez que o vejo.

trata-se, na verdade, de um documentário de Herzog sobre Walter Steiner, um dos melhores esquiadores do mundo. Steiner não precisa saltar do topo da rampa para voar mais longe que todos os seus adversários, para além das marcas de medição da pista. e aí Popol Vuh vai embalando as câmeras de alta-velocidade a nos mostrar saltos 10 ou 20 vezes mais longos e mais detalhados e aquele som sintético e a neve e os pinheiros do alto das encostas ficando pra trás te dão a perfeita sensação que os esquiadores simplesmente VOAM, deslizam no ar por toda extensão da pista branca para pousar só lá embaixo - alguns com leveza, outros de forma desastrosa. num dado momento, Herzog nos diz que um daqueles saltos de Steiner é provavelmente o mais belo já registrado em vídeo na história do esporte. mesmo sem ter visto muitos outros, sei que é.

o grande êxtase de Steiner é também seu grande medo: voar longe demais e acabar caindo na parte plana da pista - algo equivalente a uma queda de mais de cem metros de altura; assim que abandona a rampa de lançamento, deve saber dosar os poucos segundos de liberdade completa para evitar a morte e conseguir equilibrar-se sobre os esquis durante o pouso. e ignorar as vozes dos espectadores que pedem, salto após salto, por vôos cada vezes mais longos ou os milhares de pares de olhos que passam a ansiar por sangue na neve. multidões são difíceis de agradar.

do texto em alemão acima, lê-se: "eu devo ficar totalmente só no mundo, apenas eu, Steiner, e nenhuma outra coisa viva. sem sol, sem cultura; eu mesmo, nú em uma rocha nas alturas, sem tempestades, sem neve, sem barreiras, sem dinheiro, sem tempo, sem respiração. então, ao menos, eu não teria medo."

insensitive clod

esta resenha d'Os Amantes do Círculo Polar me fez lembrar do meu problema com este filme. com este tipo de filme, aliás.

porque tamanho melodrama até se justifica se você estiver acompanhado. quando eu o assisti, estava. providenciei, então, o filme (sugestão dela, que o veria pela segunda vez, acho), já intuindo a tônica do roteiro que o título SUSCITA. não digo que não tem os seus momentos - porque tem -, mas ali no final, quando se dá o clímax e etc., a garota ao meu lado se comove quase que sinceramente e eu não evito a risada. (seguida por aquela cara de "tá certo, entendi que te comoveu, mas agora pára com isso que não é pra tanto.")

nunca mais a vi.


I don't dig this shit. at all.

Ivan Cardoso & cinema brasileiro

Porque aqui não gostam de cultura, só de falsos artistas. No Brasil, até banqueiro quer ser cineasta. Com o juro a essa altura, como é que o cara pode querer dizer que é artista? Inclusive, no dia em que quiserem fazer um debate, estou à disposição. Podem reunir a tropa de elite toda: os irmãos Salles, o O2, o José Padilha. Todos adeptos da política Bush contra o cinema, contra as drogas e contra o homem. Acabaram com o mundo, acabaram até com o capitalismo. Como é que um banqueiro pode se fingir que é pobre? Isso não existe.

o trecho acima é da entrevista com Ivan Cardoso feita pelo Fausto do Boteco Sujo - um blog cuja leitura recomendo fortemente. Ivan não só fala dos seus filmes e do que anda fazendo, como fala mal de todo mundo. com eventuais risadinhas sinistras.

faz uns tantos meses que postei por aqui cinco curtas dele, incluindo um mini-documentário sobre o Zé do Caixão e dois filmes sobre Hélio Oiticica.

Sou uma pessoa predestinada, porque quando tinha 16 anos conheci o Hélio Oiticica e ele me ensinou: "Ivan, tudo o que não pode ser feito, pode". Agora, imagina você se o Hélio conhecesse um banqueiro cineasta? Ele mandava para a putaquepariu! Rerrerrê. Expulsava da casa dele. Não tinha papo. O Hélio não tinha nem conta em banco.

aliás, quando surgiu o assunto da recente polêmica sobre a nudez no cinema, Ivan disse algo que sou obrigado a citar e concordar, porque, afinal, gozamos do mesmo sobrenome:

Agora, para falar essas besteiras todas, ele [Pedro Cardoso] devia usar o sobrenome verdadeiro dele que é Martins Moreira, e não ficar manchando o meu, que é Cardoso. Porque Cardoso que é Cardoso é gostoso e gosta de ver mulher nua no cinema.

o grifo é meu, obviamente.

esta frase passará a ser a epígrafe do blog.

agora vão lá, leiam toda a entrevista e vejam uns curtas.

...

enquanto isso, aqui na vizinhança, Biajoni publicou uma lista dos 25 melhores filmes brasileiros. não entrou nenhum do Ivan, mas tem um Sganzerla e dois Glauber - e uns tantos que não vi.

"I don't wanna leave"

SJ #4


"So don't. Stay here with me. We'll start a jazz band."

prostituição à francesa 101

ou: FAQ - prostitutas francesas circa 1960; how to.

...

"O que é preciso fazer, exatamente?"

"A prostituta comercia seu charme de modo a ganhar a maior quantidade de dinheiro possível, para fazer uma boa clientela e estabelecer melhores condições de aproveitamento."

"É importante ser bonita?"

"Não é indispensável a uma prostituta. É seu físico que classifica a hierarquia da prostituição e sobretudo a atenção do cafetão já que deslumbramento físico pode ser uma imensa fonte de lucro."

"É necessário registrar-se?"

"Desde a lei de 13 de Abril de 1946, prostitutas são submetidas a uma inspeção médica, mas não policial. A lei de 1946 e o decreto 2,253 de 5 de Novembro de 1947 organizou o Registro Nacional Sanitário para todas as mulheres que haja evidência conclusiva de se dedicar a uma vida de prostituição."

"Mas o que eu devo fazer?"

"Todo lugar onde a mulher opera, o procedimento é o mesmo. Por seu vestuário, maquiagem e sua forma de andar, a prostituta mostra claramente o motivo de sua presença na calçada. Algumas vezes, desafiando a lei, ela se dirige diretamente
ao cliente."

"Quando eu cobro?"

"De 300 a 15,000 francos por um encontro que pode variar de alguns minutos a uma hora. A taca para uma noite toda vai de 5.000 a 50.000 francos."

"Posso ir a qualquer lugar?"

"Tentaram colocar controles, em Paris especialmente, uma regulamentação policial de
25 de Agosto de 1958 proíbe vaguear com intento de se prostituir a certas horas, no Bois de Boulogne e perto dos Campos Elíseos."

"Eu fico com uma porcentagem?"

"Uma taxa diária é fixada antes. Nas redondezas dos Campos Elíseos a taxa é de 20,000 a 30,000 francos por dia, pagos semanalmente."

"Eu tenho um quarto para mim?"

"Hotéis costumam trocar as toalhas, mas não os lençóis. Em alguns hotéis, a cama só tem a cobertura de baixo."

"E a polícia?"

"Elas fazem batidas, interrogatórios. A prostituta que não esteja regular é mandada aos hospitais onde ela é completamente examinada."

"Posso tomar algo num café?"

"Uma prostituta que exagera na bebida é um endividamento, ela é considerada indesejável por fazer escândalos."

"E se eu ficar grávida?"

"As pessoas pensam que prostitutas sempre fazem aborto. Isso não é exato. Elas tentam evitar a gravidez, por drogas ou qualquer outro meio possivel. Mas quando a gravidez é confirmada, abortos são raros.

"Eu devo aceitar qualquer um?"

"A prostituta deve sempre estar à disposição do cliente. Ela deve aceitar qualquer um que pague. Esse ali... Esse ali..."

"Há clientes todos os dias?"

"A jornada média das prostitutas de categorias inferiores é de cinco a oito clientes por dia. Elas ganham de 4 a 8 mil por dia, mas algumas ganham somas extraordinárias. Uma cifra de 60 clientes num feriado não é anormal."

"E os dias de folga?"

"Normalmente depois do exame médico, seu homem aproveita para levá-la a um passeio, muitas vezes para o campo, para ver seu filho. Depois, vão a um restaurante ou ao cinema."

...

melhor resposta, esta última.

ir ao campo apresentar a prostituta ao filho é algo digno de um cavalheiro. deve render um belo diálogo.

mas devemos ignorar as incoerências, pois este é um filme onde Anna (Nana) Karina é uma mulher fácil. o que não encaixa tão bem, mas sem dúvida tem seu charme.

copiei o trecho acima da legenda; tradução meio sofrível.

...

só quero ajudar.

charlotte, pink underwear, tokyo hotel

apesar de tudo, até esta madrugada eu ainda não tinha visto Lost in Translation. por outro lado, eu tinha apenas uma lembrança nebulosa de um comercial pouco convidativo num desses canais pagos, circa 2003/4, que era basicamente um trailer ruim. lembro que não me parecia nada interessante, suas exaustivas repetições iam me irritando aos poucos e Bill Murray a bebericar whisky me fazia crer que o filme era uma merda. e ainda que a bela & jovem (de dezoito anos, apenas) Scarlett J. bastasse pra invalidar qualquer pré-julgamento que eu pudesse fazer, a história de um sujeito com crise de meia idade no Japão não me atraía nem um pouco. aí um dia o comercial sumiu e ficou tudo por isso mesmo.

a fim de reparar este erro e motivado quase que exclusivamente pela imagem linkada acima, providenciei uma cópia do filme. e acho que fiz bem.

SJ #3

apesar de não ser lá um grande filme (tanto quanto isto não é uma resenha), minhas expectativas atendiam pela sigla SJ e, sendo assim, funcionou bem por aqui. claro que é preciso relevar algumas inverossimilhanças, como, por exemplo, uma Charlotte recém graduada em filosofia e casada com um fotógrafo retardado (ou uma coisa, ou outra, eu diria; mesmo porque há aquela loirinha idiota, atriz, que contrasta exageradamente com tal improbabilidade, e ambos, o retardado & a "evelyn waugh", se dão bem e logo desaparecem da história - mas não juntos).

os (des)encontros de Charlotte & Bob são interessantes, rendem uns bons diálogos, mas de minha parte acho que há mais nas cenas como as duas abaixo que na maioria das frases trocadas entre eles.

SJ #1

SJ #2

é esta sensação solidão e confinamento, que não desaparece em caminhadas e nem nos balcões - e mesmo quando estão conversando ela continua ali, em segundo plano, latente -, esta sensação é algo constante. Charlotte perde o controle logo no começo, quando liga para alguém e chora, mas eu esperava vê-la novamente neste estado quando volta a ficar sozinha: de certa forma, queria que entrasse num colapso, que jogasse tudo pro alto, que quebrasse algo, que fugisse sozinha e sem nada - por impulso. era algo que eu realmente esperava dessa personagem.

mas nada acontece.

e, isso sim, é verossímil.

ou errado.

a clockwork vinyl

via Rodrigo Sanches, o vídeo acima é um trecho DANÇANTE de VINYL (1965), uma versão de Andy Warhol para o livro Laranja Mecânica, que conta com a sua queridinha Edie Sedgwick - a única mulher do elenco.

ao que parece, este CANTO é a única locação do filme, que não encontrei completo por aí, ainda que neste vídeo (sem som) seja possível ter uma vaga ídeia - em FAST-FORWARD - do que ocorre nos 70 minutos de suposta ultraviolência & the old in-out, in-out.

vinyl

e é claro que tem S&M nesse filme: "Gerard being ASHED by Edie Sedgwick"

não tenho idéia do que Wahrol fez com o livro de Burgess, mas deve ser no mínimo interessante.

quero dizer, até que dá pra ter uma idéia: há um remake CASEIRO chamado VINIL, feito em 2007. o filme está em inglês e legendado em español. desisti logo nos primeiros minutos, mas são quatro partes e a caixa de comentários está aberta às resenhas daqueles que conseguirem encarar esse tributo.

...

PS: Rodrigo também cita um artigo da Pauline Kael sobre a Laranja do Kubrick, e aproveito a deixa pra EMPURRAR-VOS uma boa entrevista com ela que postei aqui um tempo atrás.

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