Há algumas semanas eu estava revirando minhas coisas e encontrei um conto que escrevi no início do ano passado e que eu havia publicado em um projeto do qual eu fazia parte na época. Li-o, mas fiquei um tanto decepcionado com a qualidade. Pensei em reescrevê-lo, mas não o fiz. Vários dias depois me veio a idéia de transformá-lo em um curta.
A idéia de escrever o roteiro de um curta já estava amadurecendo em minha cabeça por muito tempo. Aliás, eu e mais dois amigos, na mesma época em que escrevi o tal conto, filmamos um curta (não irei linká-lo aqui, pois há pessoas que ainda me respeitam). Ele não tinha roteiro algum, foi fruto de algumas conversas e consistia em 16 minutos de imagens, algumas narrações e músicas específicas. Era pra ser assim mesmo, um tanto dadaista. O resultado ficou bem legal, mas a qualidade é precária (tínhamos duas câmeras digitais e só). Em outra oportunidade falarei mais dele.
Enfim, desde então eu vinha rascunhando algumas idéias de modo bastante vago, mas nada além disso. Pus a mão na massa mesmo no começo dessa semana. O Cinema Net possui uma seção especial sobre roteiros que é um ótimo ponto de partida para os leigos no assunto, como eu. Lá você encontrará conceitos básicos sobre os elementos e a estrutura de um roteiro, assim como estudos sobre narrativa e caracterização das personagens.
No site Roteiro de Cinema há diversos roteiros de longas, curtas e documentários, filmados ou não. É um material vasto e valioso que serve de inspiração e exemplo para a criação dos seus roteiros.
Escrevi, até o momento, três cenas do meu curta. Creio que mais umas duas ou três bastarão para dar cabo da idéia toda. Trata-se de uma história satírica e repleta de diálogos, que está dando muito mais trabalho do que eu imaginei que pudesse dar, embora a forma de um roteiro seja bastante simples.
Um outro ponto importante é o que fazer com o roteiro quando este estiver finalizado.
Eu, por exemplo, não pretendo filmar o resultado do meu esforço (tenho pouquíssima experiência e recursos para isso), no máximo auxiliar alguém que possa vir a ter interesse em fazê-lo. Por isso, julgo importante a leitura dos links que citei acima, principalmente dos roteiros já filmados para fins de comparação e melhor entendimento, pois trata-se de uma maneira de facilitar a compreensão (e, principalmente, a execução) de sua idéia por outros (ou por você mesmo num futuro não tão distante).
Talvez o lugar mais interessante para divulgar seu roteiro seja o portal Overmundo, cuja proposta é possibilitar a divulgação de conteúdo artístico criado por usuários de todo o Brasil. Em poucas palavras, e sendo extremamente simplista, trata-se de um "Orkut Cultural". Obviamente livre de miguxos e afins.
Todos os trabalhos enviados para lá estão licenciados sob a Creative Commons 2.5 e somando isso ao grande tráfego e visibilidade do portal, o Overmundo se torna uma boa escolha para a divulgação desse tipo de material. Se você fizer uma busca, poderá encontrar alguns roteiros por lá.
Por fim, depois de ter tido aquela boa idéia, de ter escrito o roteiro de acordo com as recomendações aqui citadas e de tê-lo enviado para o Overmundo ou similar (caso saibam de outros sites, avisem-me), resta apenas divulgar o material de todas as formas possíveis ou mesmo pegar na câmera, chamar os colegas mais extrovertidos e filmar.
O genial Glauber Rocha é o autor da frase "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", mas acho que talvez seja oportuno perverte-la um bocado (por questões financeiras, principalmente) e dizer algo como "um teclado na mão e uma idéia na cabeça". Pois vale ressaltar que o importante aqui é, e sempre foi, a idéia. Realmente não importa se é com câmera, teclado, caneta ou um toco de carvão que você vai arrancá-la do interior do seu crânio, mas sim o fato de (tentar) trazê-la para mundo e dar-lhe forma. Se você não puder fazê-lo e se a idéia for boa, com certeza, alguém fará. E é isso que importa.