categoria ~ Coffee & Cigarettes

única solução possível

interromper o antibiótico depois de cinco dias.

quinta-feira: porre homérico.

sexta-feira: festa numa floresta, fogueira, álcool, ácido & longas caminhadas. todos estirados numa esquina pra ver o sol nascer.

sábado pela manhã: acordados pela polícia num parque.


à merda, pois, os comprimidos. a garganta ainda falha, mas segue funcionando.

é necessário.

melhores conversas

blog serve mesmo é pra encontrar pessoas com quem você gostaria de dividir uma mesa de bar.

eu encontrei um monte. esses putos.

vocês são fodas.

seis

odeio essas coisas, mas tiagón empurrou e, bem, não tenho nada melhor pra postar - é, esse é o meu espírito participativo em grande parte das TAREFAS que me designam: oh well.

pois, como dizem, pró-atividade de cu é rola. bem literalmente.

e ainda antes de listar seis coisas sobre mim, saliento que não postei isso à toa. e o afirmo agora apenas para causar dúvida sobre a credibilidade dos itens - e também porque venho exercitando a auto-sabotagem ("autossabotagem"?) e o caralho; mas este, no contexto da frase, apenas como artifício de linguagem.

então é algo assim:

1. só comecei a beber na faculdade. no colegial, enquanto os colegas saiam por aí, eu preferia ficar sozinho com música e tentando escrever coisas. era tudo uma grande merda, mas não me arrependo. (por outro lado, num gráfico, a evolução dos meus hábitos etílicos resultariam numa preocupante curva em J - porque já ESTIMEI valores e os números não são bonitos, mas, com sorte, necessários.)

2. também sobre isso, aos 17 eu achava que poderia escrever o que eu quisesse. e aí acabei escrevendo um "livro" (entre muitas aspas) com CENTO E TANTAS páginas - sem artifícios de espaçamento duplo nem nada. passei os meses seguintes tentando revisar (e arrumar) o TOMO. desisti. hoje tenho vergonha infinita daquela merda, mas ainda o guardo com todo cuidado entre os backups das minhas coisas.

3. a primeira garota com quem dividi a cama me achou no orkut (!) - por causa da minha foto com a camiseta de uma banda (!!). aí, num combo fim de semana/feriado, ela veio de outra cidade e dormiu em casa. por dois dias. numa palavra: sufocante. (a informação adicional é que meus relacionamentos não duram mais que algumas horas e a coisa FLUI bem melhor assim.)

4. houve um período da infância em que desenvolvi a PIROMANIA. punha fogo em tudo só pra ver queimar. um dia encontrei um galão de querosene no porão de casa. virei metade num vaso de porcelana, risquei um fósforo e fui jogando papéis e coisas ali dentro. pouco depois minha mãe entra desesperada: havia tanta fumaça naquele porão que eu poderia ter morrido asfixiado, segundo ela (mas mães exageram). com o tempo, isso passou, mas às vezes tenho umas recaídas incendiárias.

5. por um tempo, eu e uns amigos mantivemos um site de literatura. escrevíamos e postávamos aquelas coisas. era pomposo, prepotente, elitista, raso e beirava o ridículo - mas fazia sentido na época. sou IMENSAMENTE grato por termos matado (ainda que a contragosto; história longa) o tal do site. gracias, ustedes.

6. já fiz um curta-metragem (tá, quem não fez?). acho que já mencionei isso, mas dou mais detalhes (nunca o link): 16 minutos de nonsense e pompa emprestada do item acima. recortamos a bíblia da minha irmã e fizemos um poema dadaísta com o apocalipse, que Jimmy recita no coreto de um parque. além do trabalho por trás das câmeras, apareço no final, num enquadramento que só me pega da cintura pra baixo, chutando para fora da cena a pequena bíblia em chamas, que fazia parte do final APOTEÓTICO. é um curta legal, mas muito mal realizado.

~

acontece que memes morrem quando chegam em mim. e também a maioria dos camaradas já foi INTIMADA. no entanto, bia & pablo: se quiserem chutar, essa é a deixa.

as melhores leituras do dia

1) no boteco sujo, a história de Sady Baby, o diretor pornô que escalou a própria filha (17 anos, virgem) para um filme.

2) primeiro, um prefácio: quando eu tinha uns 16/17 anos, meu negócio era black metal. depois passou. aí hoje resolvi voltar ao emblemático (e overrated) black metal ist krieg & ir atrás do que andavam falando do Nargaroth.

chorei de rir com este texto.

resumo para quem não tem a chama do metal no coração: trata-se da história de Kanwulf (nome "artístico"), o rapaz que queria ser TR00 e fazer parte da CENA - ainda que tenha lançado uns discos legais nesse processo.

inclui vídeo de participação num programa de auditório alemão estilo MÁRCIA GOLDSMITH em 1999, onde seu roommate, André, reclama do comportamento/estilo do rapaz.

absolutamente sensacional.

lml

535 x 5

não sei se foi o vinho, mas o jornal nacional faz parecer que o Hamas tem um exército equivalente ao de Israel.

aí, não à toa, lembrei disso:

especificamente os pontos 0:30 e 4:10.

mas saibam que o vídeo é de 1992. substituam palavras-chave quando for conveniente.

2009

carros parados em fila tripla no contorno do lago e muita gente rindo e conversando alto e havia música ruim e todas as ruas adjacentes estavam congestionadas de veículos trafegando numa marcha lenta demais. do outro lado, a procissão seguia pra lá e nós para cá, empunhando latas. dos fogos só vi a fumaça, que parecia ser toda do meu cigarro. talvez fosse. e andamos um tanto por aí, sempre contra, e até rápido, com alguma obstinação desmedida - quase tudo fechado; às vezes arremessando dinheiros em balcões de lojas de conveniência e filtros incandescentes em sarjetas ou urina em muros e tapumes de obras inacabadas; do tipo: que seja. deve significar alguma coisa a necessidade de vencer quilômetros (no mínimo uns seis), nas solas, numa noite dessas. ou de buscar uma mesa num canto de um posto de gasolina pra ficar em silêncio enquanto o maço se esgotava. ou de voltar pra casa com as mãos metidas nos bolsos sem levantar os olhos para os que também retornavam e passavam desejando um bom ano. ou ainda de sentar-se numa mureta curva no meio da grana lamacenta e observar os restos de festas assíncronas e dois ou três casais cambaleantes encostados em árvores sob a luz amarelada. daí você se livra do teu último cigarro do mesmo jeito que vinha fazendo, levanta e suspira um ano inteiro em dois ou três segundos: porque passam das quatro, o calendário mudou sobremaneira e você está exausto.

da materialização do cartão azul

(ou do cartão azul como metáfora para o fim do desconhecimento entre duas pessoas e o massacre de idealizações; ou o voyeur como iconoclasta semântico; etc.)

engraçado que eu estava ensaiando este conto - ou algo nessas proporções - onde logo no começo o sujeito conhece uma garota, conversam quase nada e depois ela se manda, mas deixa com ele o cartão de uma ótica. escrevi o PRELÚDIO com tudo isso aí nuns quatro parágrafos e no sábado de noite eu estava na rua com dois amigos e uma garrafa: porre homérico para todos e meus óculos arrebentaram-se no chão sem que eu notasse. consegui juntar os pedaços depois e fui à ótica, hoje. primeira coisa que fiz foi pôr os quatro parágrafos na esquerda do meu cérebro e a descrição daquela situação na direita, para poder compará-los. primeiro que no meu texto a garota era meio loira e ali atrás do balcão estava uma morena nos seus vinte e tantos, que sorria de vez em quando sempre que eu negava as armações que ela me trazia. tinha uns traços orientais, ela. acabou conseguindo juntar os pedaços dos meus óculos (que uso agora) e fez um outro pra mim, já que esta RECAUCHUTAGEM é meio frágil. daí me deu um cartão também, azul também e com o nome dela também. no meu texto, lê-se Flávia no verso. no que está ali na gaveta, Ketty. na ficção, uma espécie de convite. na vida real, só a garantia do objeto. em ambos: tudo acaba depois do cartão.

(aqui caberia um parágrafo sobre como os nomes definem e limitam e servem para matar aos pouquinhos as idealizações que fazemos, frustrando-nos a cada novo detalhe ou nova sílaba proferida do lado de lá: dá-se um nome e sepulta-se a imagem. às vezes para o bem, mas quase sempre para o mal. caberia também algum desenvolvimento dos subtítulos, mas achei tão genial definir o voyeur como um "iconoclasta semântico" que me furto de maiores explicações. concluam algo.)

porque tudo acaba depois do cartão.

adendo jarmusch

o que eu quis dizer na parte #5 do Meu Reino, Jim Jarmusch diz muito melhor:

Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic. Authenticity is invaluable; originality is nonexistent. And don't bother concealing your thievery -- celebrate it if you feel like it. In any case, always remember what Jean-Luc Godard said: "It's not where you take things from -- it's where you take them to."

e é isso.

um balanço de 2008

"When you look back on your life, it looks as though it were a plot, but when you are into it, it's a mess: just one surprise after another. Then, later, you see it was perfect." -- Schopenhauer.

~~

2008 foi uma merda.

retrospectiva rápida: insisti num erro até não aguentar mais e jogar tudo pra cima. quatro meses assinando presença num lugar que eu detestava estar. larguei. longo hiato de indefinição e certa angústia por não saber se minhas apostas vingariam. mas vingaram: volto e recomeço ano que vem.

porque tranquei minhas coisas em Curitiba - em julho - e vim pra cá por um tempo com a pior das sensações: medo de ter errado de novo. o tempo livre só faz maximizar este mal-estar. no entanto, não fosse isso, não teria feito uma porção de coisas, não teria me encontrado com os amigos e tampouco teria feito outras merdas. foi também o ano que mais bebi, que mais fumei, que descobri mais músicas, que conheci mais pessoas interessantes, que-- etc.; foi um ano de excessos.

só uns dias atrás que fui me lembrar de onde eu estava em meados de dezembro passado e o que eu pretendia fazer nos meses seguintes. e só agora percebi que no balanço entre um primeiro semestre completamente maçante e um segundo quase que hedonista, eu lucrei MUITO.

2008 foi do caralho.

bluebirds

acabou. parecia que eu estava há meses postando as partes do cavalo e que já fazia um tempão que eu havia escrito (quase) todas elas de uma vez. tenho uma noção de tempo toda errada. e não sei bem qual é a imagem que se tem dos doze pedaços pra quem não esteve lá, mas suponho que seja algo engraçado. nesse caso, está correto. outra: 2008 acaba bem, vai tarde, mas deixa, na falta de uma palavra melhor, "saudades" - explico depois.

e uma última: porque se eu soubesse remixar coisas, juntaria Bukowski com John Lee Hooker desse jeito:

Bukowski recita.

Lee Hooker canta.

tenho a sensação de que funcionam bem juntos sempre que os escuto separados.

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