Através de um golpe, a UFPR adere ao REUNI.
Obrigado, REItor.
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Obrigado, REItor.
Tropa de Elite, além de ser um bom filme, serviu também para escancarar uma faceta do "inconsciente coletivo", da qual já tínhamos muitas amostras, embora não tão expressivas quanto agora: a porrada é a solução para todos os nossos problemas.
Não sei por quais razões este sadismo se explica -- um bom palpite seria essa contemplação extática do Poder e do Controle --, mas há algo preocupante nisso tudo. A repressão, ao melhor estilo BOPE, com tapa na cara e cuspe no rosto, impõe respeito não por sua eficácia, mas pela humilhação. O fruto que se colhe disso, do ponto de vista da criminalidade, é a manutenção da situação sob um controle aparente.
Ora, a violência, em si, não resolve nada. No máximo molda a outra violência, a que vem do morro, da forma mais cômoda e conveniente possível. É, em verdade, o melhor que se tem feito, mas é algo extremamente distante do ideal -- pois todos sabem que a verdadeira solução para a maioria dos problemas é, e sempre foi, a educação, mas não vou entrar nessa questão aqui.
A cultura que está agora se tornando ainda mais popular, a da repressão impiedosa, a da "tolerância zero", não deixa de ser uma vertente, um tanto mais brutal, é verdade, do conformismo: não importa quais são as causas dos nossos problemas, não importa por que as coisas estão como estão, atacaremos as conseqüências com coturnos e fuzis, com porrada e rédia curta. Faca na caveira.
Para as classes média e alta, tal postura, tal culto policial, lhes é conveniente, pois a violência, desse modo, custa a sair do morro, ou seja lá de qual núcleo ela venha, e ameaçar a integridade e aparente segurança social. Não importa se o restante da população continua sofrendo e morrendo da mesma forma, basta que pareça estar tudo bem.
E se quiseres uma imagem do futuro, como nos diz o torturador O'Brien no 1984, imagina uma bota esmagando um rosto humano... eternamente.
Nosso ideal de segurança é realmente estar sob os braços de um Grande Irmão, esteja ele caracterizado na imagem do policial ou na própria intolerância àquilo que repudiamos.
Mort aux vaches!, um slogan surrealista, refere-se, neste contexto, justamente à destruição da ilusão de segurança e poder que sustentamos como ideal. Representa o boicote à cultura policial pelo espírito livre, o abandono do coturno pela harmonia. Pois é desta forma que poderemos evitar que, num futuro próximo, hajam cartazes como os do livro de Orwell, nos dizendo que o Capitão Nascimento, ou um herói que o valha, zela por nós.
-- O Senhor quer ser diretor do Serviço Geológico da Bruzundanga? -- pergunta o ministro.
-- Quero, Excelência.
-- Onde estudou geologia?
-- Nunca estudei, mas sei o que é um vulcão.
-- Que é?
-- Chama-se vulcão a montanha que, de uma abertura, em geral no cimo, jorra turbilhões de fogo e substâncias em fusão.
-- Bem, o senhor será nomeado.
Mais uma da Bruzunganda.
Uma coisa que nunca entendi é a obsessão da polícia, dos bombeiros ou mesmo da maioria das pessoas em impedir suicídios.
Até compreendo que o pessoal do corpo de bombeiros esteja habituado a salvar vidas e que talvez não possam controlar o impulso de exercer sua profissão mesmo quando a pessoa quer dar um fim na própria existência. Mas, ora, qual o problema em deixar o sujeito se matar?
Encontrei, cá nas minhas coisas, uma notícia de 12 de março deste ano que eu devo ter guardado justamente para usar num artigo sobre suicídio. Reproduzo-a:
A polícia espanhola evitou pela internet um suicídio na Alemanha ao avisar colegas alemães de que um homem ameaçava, em uma sala de bate-papo, se matar.
Morador de Bremer Haven, o homem apontava uma pistola para a sua cabeça enquanto conversava no chat e disse que o motivo do descontrole emocional era ter sido abandonado pela mulher.
Segundo informações das autoridades, a ameaça foi feita na quinta-feira. Um policial entrou no chat para falar com o potencial suicida, ganhando tempo para que os policiais alemãs chegassem à casa do homem.
Internautas espanhóis que participavam da conversa alertaram serviços de emergência que, por sua vez, avisaram a polícia alemã, que chegou a tempo de evitar o suicídio.
Fonte: Folha Online
Ora, pra que ir "salvar" uma pessoa que quer morrer? Isso não faz sentido algum.
E o ditado do "cão que ladra, não morde" se aplica perfeitamente aqui: se um cara entra numa sala de bate-papo dizendo que vai se matar, esta, provavelmente, vai ser uma das últimas coisas que ele irá fazer. O sujeito quer atenção.
Quem se mata geralmente não faz muito alarde. Às vezes escreve uma carta ou deixa um recadinho e é só. Depois pula, se enforca, toma veneno, atira na própria cabeça. São esses os corajosos, pois não precisam de holofotes.
De qualquer forma, ainda me parece estranho o desejo alheio em impedir que alguém se mate. Mas vamos por partes.
Em (quase?) todos os lugares do mundo, matar uma pessoa é crime. Mas se a pessoa que irá ser morta é justamente a mesma que irá matar, o crime e o castigo já não estarão, ao mesmo tempo, presentes no ato suicida? Ou seja, a dívida pela morte já estaria paga (e bem paga!) Ou seria a preservação da vida um castigo para um acusado de tentativa de homicídio de si mesmo?
Não é conveniente pintar o suicídio como algo abominável para evitar que esta se torne uma escolha comum e até popular entre os desgostosos? Não vale a pena, do ponto de vista do sistema, manter vivos até mesmo os que não o desejam para que usufruam de sua infraestrutura? Não seria, por fim, o suicídio a mais eficaz das armas contra a própria sociedade -- tendendo ao absurdo de fazê-la sucumbir assim que o último homem se jogasse ao abismo?
Ou ainda -- agora serei maldoso --, as autoridades que se julgam na obrigação de manter as pessoas vivas não estariam impedindo o suicídio por serem coniventes com o pensamento possessivo e chantagístico das famílias dos infelizes que, pouco depois de perderem o ente "querido", simplesmente encontram-se solitárias e só fazem repetir para si o seguinte questionamento egoísta: "por que ele fez isso comigo?"
Ignoram que o desgraçado do morto fez o que fez, na maioria das vezes, por não suportar a própria família e supostos amigos que, ironicamente, são os que vão chorar (e por pouco tempo) não pela morte dele, mas por sentirem-se um tantinho vazios. Chega a ser cômico, vendo desta forma.
Então eu pergunto novamente: para que cercear o direito que temos de findar com nossa própria existência?
Não faz sentido.
Entretanto, eu concordo que, em certos casos, a intervenção é necessária. Por mais poético e cinematográfico que seja, jogar-se do alto de um prédio ou de um viaduto, por exemplo, não é um ato exclusivamente individual e solitário. A pessoa não terá, obviamente, consciência disso, uma vez que, se a construção de onde saltou tiver altura considerável, estará morta e não terá como se desculpar caso caia sobre um automóvel ou um transeunte. Deve-se levar em conta, também, que a preocupação com os outros quando se está a dezenas de metros do chão e prestes a saltar é algo que deve passar longe da cabeça de um suicida.
Sendo assim, é melhor que as autoridades já citadas agarrem o sujeito -- que provavelmente nem iria pular, pois só queria atenção -- e ensinem a ele formas alternativas e seguras de se matar: seja receitando venenos eficazes ou dando lições de como confeccionar uma forca ideal. O que importa aqui é que ninguém mais se machuque.
Voltemos, então, ao alemão da notícia. É plausível dizer que o sujeito estava sozinho em casa, já que estava se lamentando via internet, o que é bem patético. Desta forma, com a arma apontada na direção de sua própria e provavelmente escassa massa encefálica, as chances de outras pessoas se ferirem eram, podemos supor, ínfimas.
O policial que entrou no bate-papo para "ganhar tempo", como nos diz a notícia, deve ter se assegurado deste e de outros tantos detalhes. Bastaria, então, que dissesse para o sujeito puxar o gatilho de uma vez por todas, ora!
Estamos falando de um adulto que pode muito bem (ok, talvez mais ou menos bem) cuidar do próprio nariz. Ou atirar contra ele, se bem entender.
Enfim, já me demorei demais neste assunto. Sequer vou comentar sobre os incompetentes que já tentaram e não conseguiram se matar. Reservem, pois, alguns segundos de suas vidas para pensar na magnitude da frustração de um sujeito que, completamente infeliz, está fadado a vagar entre os vivos até que o destino diga o contrário. Imaginem o estado psicológico de alguém que levou a sério o odioso "se mata!" e que voltou para contar a história do fracasso...
Mas antes de encerrar, digo-vos que o título deste desalmado artigo refere-se ao belíssimo poema "Se te queres matar, porque não te queres matar?", de Álvaro de Campos, que foi escrito no dia em que se completavam dez anos do suicídio do poeta e grande amigo de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro.
Reproduzo-o aqui como um nobre complemento ao assunto exposto.
Eu não pretendia comentar sobre a Playboy da Mônica Veloso. Tanto faz. Mas vi no blog do Thássius essa imagem que reproduzo abaixo e me sinto na obrigação de dizer uma coisinha ou outra, bem rapidamente.

Vamos aos nomes: a mulher nua é a Mônica Veloso e a vestida é a senadora Ideli Salvatti (PT - SC). Quem captou o momento foi Alan Marques, fotógrafo da Folha Imagem.
Curiosidade é normal, mas o local escolhido para saciá-la não foi lá o mais adequado. Não podia ser em casa, Ideli? Precisava ser na bancada do senado, dando uma chance dessas? Só faltou a senadora fazer pose para a foto também. Vestida, claro.
Um exemplar da revista custa pouco mais de 10 reais, o que é uma fortuna para a grande maioria das pessoas. Eu, por exemplo, jamais pagaria tudo isso para ver uma meia dúzia de fotos de peitinhos photoshopados.
Enfim, quanto é que ganha um senador mesmo? Ah, 12.700 reais! Uma Playboy, então, é o equivalente a 0.078% do salário de um parlamentar. Ou seja, é praticamente de graça.
O que custa, Ideli, se levantar da sua cadeira de couro e ir caçar uma banca que tenha a bendita revista? Tudo bem, eu sei que ela anda em falta lá no Congresso, mas a senadora poderia aproveitar a conexão wireless (e gratuita, obviamente) não para ver as fotos em algum site, mas para comprar a revistinha pelo site da Abril. Pelo menos não ia ficar feio pra senhora.
E que não me venha com discurso demagógico sobre a pirataria depois.
Hipocrisia pouca é bobagem.
PS: Se você quiser saber o que ela achou das fotos, basta perguntar!
O governo israelense surgiu com uma campanha sensacional para alavancar o turismo na região e tentar desvincular a imagem do país das guerras e conflitos constantes na região.
Isso aí. Belíssimas garotas de biquíni estampando revistas e desfilando nas praias do mediterrâneo graças a tanques de guerra, bombas e mísseis, terra roubada e corpos de palestinos! Eia!
Eu estava aqui sem ter o que fazer e resolvi perambular pelas tags do WordPress. Aí, após alguns segundos, estou me perguntando, um tanto revoltado, que tipo de ser humano é capaz de classificar um post sobre o final de alguma novela (que deve ter acabado essa semana, pois vi muitos posts sobre isso por aí) como "cultura"?
Tenha dó. Até perdi o tesão...
Surpreende-me o fato de que 38% das pessoas que encontram a Catarse Elétrica via Google chegaram até ela por meio de palavras-chave relacionadas não à textos, contos ou qualquer outra coisa, mas à autópsia.
Verdade, eu fiz as contas. Todas elas caem no artigo O Véu da Autópsia, que eu havia escrito inspirado pelo filme "The Act of Seeing with One's Own Eyes" (1971) do Stan Brakhage.
Os termos de busca ilustram bem essa curiosidade que as pessoas têm sobre a morte e, em especial, cadáveres. Há coisas como "autópcia - conceito" (sic), "ver imagems real de uma autópsia no corpo humano" (sic!) e "cenas de autopsia" (campeã disparada em número de pesquisas) mostram que o que se busca mesmo é o registro, isto é, fotos e vídeos.
A internet é uma ferramenta sensacional, mas o uso que se faz dela é no mínimo curioso. Será que estas pessoas teriam tanto interesse por essas coisas a ponto de irem buscar informações/conteúdo na vida "real", ou seja, ir atrás desses filminhos bizarros ou (por que não?) visitar mesmo um necrotério?
Provavelmente seria uma experiência muito mais interessante e elucidativa do que ver tudo isso através de um monitor pequeno e estático...