categoria ~ Música

I got some words of wisdom

Em três dias eu escutei o mesmo disco, em alto e bom som, umas quatro ou cinco vezes, de tal modo que já estou habilitado a cantarolar os versos das minhas faixas favoritas, para o desprazer dos vizinhos, em intensidade similar, esbanjando todo meu inglês paraguaio made in china. Aliás, felizes de vocês, meus não-roommates: morar sozinho é como estar sempre sob um chuveiro.

Pois bem, já comentei sobre disco por e, não satisfeito, estendo o comentário audiovisual para cá, para vossa devida degustação e posterior karaokerização, caso este rock de tiozões -- aka Nick Cave & Cia. ou Mustache Division -- satisfaça plenamente vosso par de ouvidos.

Grinderman - Honey Bee (Let's Fly to Mars)

A leitora sagaz (dorovante denominada Honey Bee, a nivel de deboche), possuidora de bom gosto musical, já tascou um clique no link acima e provavelmente já está com os pezinhos atolados no solo cinza-escuro da desolação (o supracitado ""), correndo os olhos por sobre o imperativo anglófono -- "grab it" -- que contém em si as coordenadas para a obtenção ilegal do disco único e homônimo do Grinderman.

Ufa. É ou não é, Honey Bee? E já que estás a clicar, aproveita para contemplar todo o sentimento de No Pussy Blues. Uma canção sempre muito pertinente para nós, os zangões.

Bzzz.

...

Mudo completamente de assunto para fazer um outro comentário, que não teria lugar em post algum senão precisamente este aqui, e os motivos ignoro.

O fato (e começo sempre com fatos, para termos um bom alicerce), o fato, como vos dizia, é que eu assistia agora há pouco à reprise compacta do CQC -- que não levou ao ar a matéria sobre a marcha da maconha -- e assim que veio o intervalo pus-me a zapear os canais da minha recém descoberta "TV a gato", apertando, para isso, no não-anatômico controle remoto, a setinha que aponta para o norte. E lá estava eu, instantaneamente, vislumbrando um edificante programa de relacionamentos da grotesca MTV, onde um sujeito bombadinho estava confinado numa redoma de vidro (eram as regras do joguinho, suponho, mas prefiro imaginar que o infeliz não possuía sistema imunológico), e a apresentadora, vejam só, apresentava ao rapaz uma meia dúzia de pretendentes ("guerreiras", segundo ela); porém o playboy, estando preso em sua jaula hermética, de cantos arredondados e tons pastéis, via apenas partes das guerreiras num monitor ao lado dele. Nos poucos segundos que me detive ali, apareceu o olho de uma gordinha e o cara, como se estivesse analisando uma obra da prefeitura, foi logo dizendo que ali tinha muito rímel (e ele gostava de garotas "ao natural", isto é, com uma quantidade de maquiagem ligeiramente inferior àquela), mas que a sobrancelha estava bem delineada e construída. Setinha pra cima.

E fui subindo, subindo e subindo, passando por canais educativos, TVE en español, programas de vendas de carros e eletrodomésticos, etc. Em pouco tempo estava de volta à Band, levemente embasbacado e bastante frustrado (embora não surpreso) com a inutilidade daquilo tudo. E é nesse preciso momento -- esta sensação me acomete uma vez por semana, às segundas-feiras, 22h15, aos intervalos -- que eu me sinto como um personagem de um daqueles filmes da sessão da tarde, onde um grupo de garotos e um professor de ciências maluco, depois de aprontarem altas confusões, conseguem trazer do passado alguma personalidade histórica ou mesmo um sujeito qualquer, que pode ser tando um burguês do século XVIII quanto um Neanderthal (há uma meia dúzia de filmes com este mesmo "argumento"). E eu me sinto, pois, justamente como o personagem trazido de algum século anterior ao corrente, fascinado pela tecnologia do televisor e que observa aquilo com muita atenção, sem entender nada.

E dessas zapeadas, vos digo, eu pude tirar uma importante conclusão: a única coisa boa do caso Isabella é a madrasta e a pior de todas as coberturas é a evangélica, que vê na defenestração da menina mais uma obra do ardiloso Satanás-aleluia-glória-a-deus-nos-dê-dinheiro.

Portanto, também não foi à toa, Honey Bee, que escutei o mesmo disco umas quatro ou cinco vezes, entremeadas por outras tantas audições: a salvação está na música.

Jesus em Dois Sabores

Quando Oswald de Andrade disse que só a antropofagia nos une "socialmente, economicamente, filosoficamente", deixou de lado a faceta religiosa -- ainda que o manifesto esteja cronologicamente referenciado à deglutição do Bispo Saldanha -- não só por se tratar mesmo de um tema indigesto, mas provavelmente porque lá nos idos de 1920 inexistiam sabores mais atrativos para o ícone cristão, pois já me disseram que HÓSTIA não tem gosto nada e, por isso, deve tornar o ato antropofágico deveras sem graça. Dizem também que o pão é a carne e o vinho é o sangue, talvez para tornar o gosto um pouco melhor (ou para pelo menos TER um gosto), mas acredito que se quisessem mesmo ter algum sucesso bastaria fazer um daqueles bolos quilométricos, que a televisão mostra o pessoal devorando em poucos segundos, só que em forma de cruz.

Pensando nisso, talvez, Tom Waits nos apresenta um novo sabor para o filho de deus, uma alternativa ao pão duro:

Chocolate Jesus

E como falei em pão e vinho, não poderia deixar o chocolate sem um par aquoso, ainda que de teor alcoólico nulo:

Guaraná Jesus

O sujeito acima é Carlos Careqa (que conheci ainda ontem, via twitter) e faz sua versão tupiniquim para a música do grande Waits. Careqa, fã de Tom, gravou 14 de suas músicas vertidas para o português no disco À Espera de Tom. Eu teceria alguns comentários sobre as canções aqui, mas enquanto escrevo ainda restam 25 minutos de download e minhas impressões ficarão para um próximo post. Contudo, vos deixo o link para apreciação.

O nascimento da música pop

Uma frase do Glauber Rocha que gosto bastante diz que "a função do artista é violentar". Concordo em partes. Não acho que deva ser a única função, mas sem dúvida é a principal. Acredito que o "violentar" tenha, na citação, uma intensidade variável, podendo ir desde uma impressão fortíssima causada no espectador até o choque de valores quando se está diante de algo verdadeiramente original ou novo.

Minha opinião é que qualquer tentativa de agradar o público é um erro, é fingimento, é plástico demais. Talvez eu tenha essa visão um pouco romântica de que a arte advém da espontaneidade e sinceridade do artista. É provavél que se eu tivesse de definir o que é arte, eu o faria com esses termos (mas esse é um debate enfadonho demais). Julgo seguro dizer, no entanto, que moldar a obra para satisfazer o gosto alheio, aparar suas arestas para que o público não se machuque, chega a ser revoltante.

Mas eu quero falar especificamente da música. De uma música e de uma artista -- tudo pelo mesmo preço.


Gloomy Sunday e a Pop Music

Aqueles que gostam de jazz já devem ter escutado Billie Holiday e é provavél que também tenham trombado com a famigerada canção Gloomy Sunday. Em poucas palavras, é uma das canções mais tristes que você vai encontrar. Escrita por um pianista húngaro em 1933, foi traduzida para o inglês por mais de uma pessoa. A versão que Billie Holiday emplacou em 1941 é um tantinho mais light do que uma outra tradução que corria na época, feita por Desmond Carter -- a mais melancólica das versões.

Nos EUA, a canção ganhou a alcunha de "hungarian suicide song" devido a lendas urbanas embaladas pelo suicídio (real) do autor em 1968.

Antes de prosseguir, prefiro que vocês vejam o vídeo abaixo. Diamanda Galás (de quem falarei logo adiante) canta a versão de Carter. O trecho inicial é justamente a essência deste texto.

Pois bem. Deixando de lado os elogios que eu poderia tecer e a qualidade baixa do vídeo, o que ela diz ali no início é muito interessante. Quando foi às rádios pela primeira vez, a canção foi vítima de reclamações por ser muito pessimista. Para resolver o problema, mudaram o final. A versão popularizada por Holiday traz uma estrofe a mais, inexistente no original, que serve para dar a idéia de que toda aquela depressão na qual o narrador se encontrava não passava de um pesadelo -- "Dreaming, I was only dreaming" -- minimizando, assim, o pessimismo e transformando toda aquela melancolia em... amor.

Como nos diz Diamanda: "foi aí que nasceu a primeira música pop."

E Pop, por definição, é aquilo que não machuca ninguém.


Se o demônio fosse mulher, seu nome seria Diamanda Galás

A frase acima resume tudo.* Resta-me apenas complementá-la com uma ou outra informação.

Como vocês sabem, uma coisa é ler, outra é ouvir. Quando descobri essa mulher, li uma dezena comentários sobre ela e todas as minha expectativas foram miseravelmente massacradas nos primeiros segundos do disco. Sério. Por isso não adianta muito que eu faça análises sobre as músicas. Vá e ouça. Escute bem alto e sozinho. No escuro.

Tenho essa mania de querer escutar o primeiro disco dos artistas que não conheço e, se possível, ir percorrendo toda a discografia em ordem cronológica. The Litanies of Satan, de 1982, é o primeiro trabalho de Diamanda e conta apenas com duas músicas: a primeira é um poema homônimo (aqui em português) de Charles Baudelaire e consiste no recital mais bizarro e demoníaco que você vai ouvir; e a segunda música tem, sem dúvida, o melhor título já criado: Wild Women With Steak Knives (The Homicidal Love Song for Solo Scream). É uma boa dica sobre o que esperar -- ainda que seja inútil ter espectativas. E esse disco não tem nem melodia. É experimentação vocal feita para Satã. Ponto.

Posso dizer essas duas músicas tiveram sobre mim o efeito literal da citação que fiz lá no início. E até hoje, quando escuto novamente, não deixo de me sentir incomodado ou de ser surpreendido. Não tenho dúvidas de que a esmagadora maioria das pessoas não irá gostar, mas é preciso que reconheçam que há algo visceral ali. Essa coisa que incomoda.

Tenho, além desse, outros nove discos dela. E são gritos e lamentos e porradas sucessivas. Não sou de recomendar essas coisas que realmente gosto, mas como eu sei que será em vão, o faço.

Mas entre catarses e demônios, devo dizer, há um disco bastante acessível e também muito bom, chamado The Sporting Life. E contar com a presença (um tanto improvável, diga-se) de John Paul Jones, baixista do Led Zeppelin. É um bom começo para quem ficou com medo da mulher -- afinal, após uma apresentação, ela já foi denunciada pelo governo italiano por "blasfêmia contra a Igreja Católica Romana". É pra ficar com medo mesmo.

Diamanda esteve no Brasil em 1998 e por conta disso é relativamente fácil encontrar umas entrevistas e matérias sobre ela (ainda que meio rasas). Pra quem tiver interesse, siga os links, escute algum disco, veja uns vídeos. Depois venha me contar.

* A frase em questão eu li aqui, um tempo atrás. Lá vocês encontram, além de um comentário meu, o The Litanies of Satan para download.

On the Run

Away

Sempre que estou distante de minha coleção de músicas (geralmente a uns 500km dela), tento encontrar caminhos alternativos para seqüências quaisquer de canções que podem -- e eu espero que o façam -- saciar um pouco minha dependência e fazer com que eu me sinta em casa quando algo que eu realmente gosto começa, inadvertidamente, a escorrer dos alto-falantes e apanhar minha atenção. O Last.fm (& yo), para isso, é uma dádiva. E já há algum tempo que recorro à rádio de um grupo (ou comunidade) de nome bem sugestivo, Taking Drugs To Make Music To Take Drugs To..., onde é impossível se decepcionar.

Meu dia, por exemplo, começou com Somebody to Love, do Jefferson Airplane, que, ao lado de White Rabbit, é uma das minhas músicas favoritas da banda -- e a Grace Slick é a alma do negócio. Depois um punhado de clássicos com Led, Doors, Joy Division, Dylan, Hendrix, Zappa e tudo mais que seja digno de pertencer a este balaio e ainda outras tantas coisas que se disvirtuam para fazer um contraponto e jus ao gosto diverso dos membros do grupo (há, claro, porcarias como Aphex Twin e Nirvana, devo dizer, mas é só pular pra próxima música como se nada tivesse acontecido). Trata-se, enfim, de um mix sempre bem interessante.

E por falar em mix,  parece que o hype mais recente é criar mixtapes virtuais e devo confessar que achei a idéia genial. Ainda não criei nenhuma (e, por enquanto, não pretendo), mas já trombei com algumas muito boas, como essa not-that-easy trip montada pelo Tiagón.

De resto, fico nessa de caçar streamings e coletar referências para a posterior e devida apreciação, escutando fitas virtuais, visitando brevemente os sempre grotescos myspaces e enveredando-me pela veia de registros musicais do iutube. O que tem me servido bem.

Rainy Sunday Boogie-Woogie

Batmanzorn

Em ambos, John Zorn e Naked City.

Definitivamente, uma das melhores descobertas que fiz nos últimos meses. De jazz ao death metal em poucos segundos. E várias, várias vezes. Não só isso, mas todo e qualquer tipo de mistura musical que se pode imaginar -- algumas pautadas pelo vocal peculiar de Mike Patton.

É caótico, mas extremamente técnico. Num bootleg de 2003 do Naked City (concerto de reunião), o Zorn, ao fim da insana Speedball, informa aos incautos: "in case you missed, that was 32 stalls of music in... 43 seconds. Yes, it can be done live. We did it live."

É interessante escutar uma música sem ter a menor idéia do que irá acontecer nos instantes seguintes.

E aos que se interessaram apenas pelo jazz e fizeram cara feia para o resto, Masada.

I'm coming down fast but I'm miles above you

Foi só quando, na semana passada, uma rádio do Last.fm enfiou em minha cabeça, no momento propício, que it's been a hard day's night -- e de fato era isso mesmo; ou quase --, e a pequena estrofe continua reverberando e me fazendo cantarolar vez ou outra, num misto de embaraço e tentativa de expelir os versos em questão; foi só aí, pois, que me vi na obrigação de ir atrás do quarteto britânico e finalmente ceder: não foi a primeira vez que tentei, geralmente sem sucesso, conhecer as canções e entender a fama dos quatro, pois em geral me entediavam terrivelmente, mas agora que pude finalmente escutar um álbum -- o branco -- sem interrupção e com a devida atenção, vejo que eu estava sendo completamente injusto e superficial na composição do estereótipo que me parecia bastante adequado aos ingleses de franjinha -- e que se esfacelou miseravelmente na 23º faixa, aka Helter Skelter. Eu já gostava de Revolution 9 por motivos óbvios (e é a trilha sonora do post) e também de While My Guitar Gently Weeps, mas isso era tudo. Correndo o risco de me repetir -- o que, por outro lado, pouco importa --, é tudo, definitivamente, uma questão de humor e timming. Ou mesmo sorte. Qualquer coisa assim.

Good Morphine

Um dia desses eu estava olhando a relação de categorias ali ao lado e percebi como vinha negligenciando a de música. Não que isso fosse alguma surpresa para mim, pois não me sinto à vontade de ficar recomendando músicas para quem eu não conheço -- no entanto, alguns poucos amigos meus são vítimas de indicações esporádicas. Ainda assim, acho que posso discorrer um pouco, de vez em quando, sobre o assunto: eu tenho bom gosto.

Eis que mês passado ou retrasado -- quando o ocorrido é anterior a duas semanas eu quase sempre perco as referências temporais -- baixei o ebook Dois Discos, fruto de um blog sobre música escrito pelo Biajoni e Renmero. Por alguns meses os dois resenharam discos que lhes interessavam e quando o espaço acabou definhando por inanição eles juntaram tudo num PDF de 4MB.

O que torna o ebook interessante são as resenhas exclusivamente pessoais, sem qualquer tentativa de análise técnica dos microssulcos, e o relativo bom gosto dos autores. Empreendi algumas horas na busca dos mais diversos álbuns que me pareceram bons e embora a frustração tenha sido bastante expressiva, tive boas surpresas. As indicações do Renmero, em números absolutos, acabaram me agradando mais que as do Biajoni.

Só escrevo sobre isso agora porque ontem um dos álbuns citados no livro foi escolhido randomicamente pelo meu player: você só percebe que o som é realmente bom quando se vê obrigado a deixar as coisas de lado para prestar mais atenção na música e exclamar um sonoro palavrão.

Minha relação com a música, aliás, tem conotações obsessivo-compulsivas e megalomaníacas. I just can't get enough. Não acho justo julgar uma banda ou um artista por uma única música, mas por um álbum a coisa me parece mais razoável. Também não me agrada muito ficar pinçando canções: vou ouvindo álbuns inteiros, do início ao fim. E quando se tem mais de 860 deles -- totalizando umas 7 dezenas de gigas -- redescobertas são freqüentes.

(O lado negativo é querer ser surpreendido e ficar zapeando durante vários minutos entre as capas dos discos num tédio crescente. A aleatoriedade, nessas horas, costuma ser uma benção.)

Morphine - GoodFoi numa dessas, então, que Good começou a tocar e fez jus tanto ao título quanto à indelicadeza que exclamei algum tempo depois. Aliás, o fato do álbum ter o mesmo nome dessa faixa é um indicativo confiável sobre o conjunto da obra. O baixo definitivamente rouba sua atenção das outras coisas. Depois vêm a bateria, o sax, "you're good, good, good" e quando você percebe já está acompanhando a música com a cabeça. E a banda se chama(va) Morphine, pô: 38 minutos de um amálgama interessante de blues, jazz, rock e tal. Good!

Embora eu já tivesse ouvido antes (e gostado), ouvir novamente tornou o álbum muito mais interessante. No fundo, é tudo uma questão de humor e sorte. Lugar certo, hora certa e essa ladainha toda.

E como a presença do filho de Bach é marcante por essas bandas, creio ter sido ligeiramente influenciado por sua filantropia e trago-vos de lambuja o link para a devida descarga. Achei por aí e aproveito o embalo para ir atrás dos outros discos dos caras.

Se quiserem uma dica, sigam todos os links.

Os porcos não sabem de nada

É um tanto desanimador ver o pessoal reclamando do show do Dylan. Principalmente porque a grana por aqui estava curta e eu não pude ir. Por outro lado, também acho ótimo que tenham se sentido frustrados, pois se realmente conhecem alguma coisa sobre cara ou talvez gostassem de outras músicas além dos greatest hits, saberiam mais ou menos o que esperar da apresentação. Quiçá apreciá-la melhor. Porcos.

Hot Hot Sex

Caí na besteira de ir ver o vídeo de Music is My Hot Hot Sex, da banda Cansei de Ser Sexy, por causa de toda a polêmica que está rolando e agora a frase final fica martelando na minha cabeça sem nenhuma perspectiva de se desvanecer no meu emaranhado de neurônios.

Tem algo que me agrada na voz na garota -- o que mais esperar de alguém cujo nome artístico é Lovefoxxx? -- e devo dizer que foi genial a idéia de fazer um videoclipe onde os músicos não tocam nem cantam a música em questão. Eles quase o fazem, como se tivessem juntado as cenas do aquecimento ou ensaio. É simples e ao mesmo tempo bem bolado.

Eu, que não gosto desse tipo de música, vi o vídeo mais de uma vez. Acho que a explicação para o número absurdo de visualizações tenha algo a ver com tudo isso.

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