Saíram ontem as datas das apresentações da turnê "Never Ending Tour" do Bob Dylan: para os paulistas, será nos dias 5/3 e 6/3 no Via Funchal e para os cariocas, no Rio Arena, dia 8/3. Os preços ainda não foram divulgados.
Essa será a terceira apresentação no Brasil: a primeira foi em 1990, no festival Hollywood Rock, e a outra em 1998, quando abriu o show dos Rolling Stones e cantaram juntos Like a Rolling Stone.
Ainda não tive a oportunidade de escutar o Modern Times (2006), que anda muito elogiado e levou um Grammy em 2007. Esses dias, entretanto, escutei um bootleg de 2002, um show no Japão, e a apresentação foi sofrível. Espero que tenha sido uma excessão, pois a grande maioria dos albuns que tenho do Dylan são os mais antigos, todos desde o primeiro (Bob Dylan, de 1962) até o excelente Hard Rain (1976) que, esse sim, é um registro de um ótimo show.
E semana passada assisti ao I'm Not There. Pra quem nunca leu nada a respeito da trajetória do músico, o filme pode parecer muito confuso. O trailer dá uma boa idéia do que esperar: seis personagens representando Dylan ao longo de sua carreira, principalmente os primeiros anos e a conturbada turnê pela Inglaterra em 1966 -- esta, interpretada por Cate Blanchett, que rouba a cena e incorpora muito bem o incompreendido ícone do folk americano que, na visão de seus fãs da época, acabou se vendendo para o rock e traindo seus ideais anteriores.
Apesar de ser um pouco longo, é uma ótima produção e uma biografia curiosa pela forma como a história é contada.
E há quase um video-clip de Ballad of a Thin Man que sucede uma série de questionamentos do "Mr. Jones" para uma entrevista.
Por falar nisso, Bob Dylan também é bastante conhecido por dar respostas incompreensíveis e nonsense quando entrevistado. O vídeo abaixo, de 1965, durante a turnê inglesa, é uma entrevista realizada dentro de um taxi juntamente com ninguém menos que John Lennon. A falta de sentido, nesse caso, se deve ao suposto uso de heroína.
Nessa outra, entrevistado pela Playboy em 1966, Dylan respondeu o seguinte quando lhe perguntaram por que escolheu sua carreira:
Carelessness. I lost my one true love. I started drinking. The first thing I know, I'm in a card game. Then I'm in a crap game. I wake up in a pool hall. Then this big Mexican lady drags me off the table, takes me to Philadelphia. She leaves me alone in her house, and it burns down. I wind up in Phoenix. I get a job as a Chinaman. I start working in a dime store, and move in with a 13-year-old girl. Then this big Mexican lady from Philadelphia comes in and burns the house down. I go down to Dallas. I get a job as a "before" in a Charles Atlas "before and after" ad. I move in with a delivery boy who can cook fantastic chili and hot dogs. Then this 13-year-old girl from Phoenix comes and burns the house down. The delivery boy -- he ain't so mild: He gives her the knife, and the next thing I know I'm in Omaha. It's so cold there, by this time I'm robbing my own bicycles and frying my own fish. I stumble onto some luck and get a job as a carburetor out at the hot-rod races every Thursday night. I move in with a high school teacher who also does a little plumbing on the side, who ain't much to look at, but who's built a special kind of refrigerator that can turn newspaper into lettuce. Everything's going good until that delivery boy shows up and tries to knife me. Needless to say, he burned the house down, and I hit the road. The first guy that picked me up asked me if I wanted to be a star. What could I say?
Então, leitor, vá juntado os seus trocados e trate de conseguir um ingresso, nem que seja só para o filme.


