
Nem as relações Brasil-Bolívia estão essa maravilha que o governo gostaria de mostrar, nem o governo brasileiro abriu as pernas como gritam os jornais brasileiros de hoje. Continua imprevisível a ação do presidente Evo Morales, que, em casa, é pressionado pela população para cumprir as inflamadas promessas de campanha e cobrado pela oposição caso não o faça. Morales precisa ganhar tempo, aproveitar a euforia causada com a nacionalização para garantir a maioria na Assembléia Nacional Constituinte, com que tenta conseguir consolidar seu poder na Bolívia, e garantir a moldura legal para seu plano de governo. Até julho, não tem muita margem de manobra.
Depois de julho, e no tempo que há até a eleição no Brasil... muito gás vai correr pelos dutos da Petrobras.
Não me pareceu que as declarações de Lula desautorizaram a declaração do presidente da Petrbras, de que poderia interromper investimentos na Bolívia. Lula não contestou a afirmação do Gabrielli, apenas deu um formato na melíflua linguagem diplomática, às condições que a Petrobras impõe para botar mais dinheiro em território boliviano. Investir, só se houver acordos satisfatórios para a empresa, o que inclui menos impostos do que os determinados provisoriamente pelo decreto de nacionalização (que, aliás, não estão sendo pagos porque não se regulammentou o tal decreto até agora).
Muita gente no Brasil e aqui na Bolívia (todos os empresários com que falei, acadêmicos apartidários, políticos da oposição) dizem que esses recados diplomáticos de Lula não são entendidos por aqui, pelo contrário: reforçam a impressão de que o Brasil está de joelhos, dependente do gás boliviano. Só há uma coisa capaz de mostrar à equipe de Evo que não tem liberdade total de ação: alguma patada uma ação dura, é a única linguagem que seu grupo entenderia, dizem. Parece ser o que querem diplomatas experientes no Brasil e os editoriais da maioria dos jornais.
Bom, de joelhos está só a campanha eleitoral de Lula, que depende de que não haja aumento do gás para evitar turbulências. E Lula também não quer dar força à oposição boliviana, por acreditar ainda que Evo é um companheiro do lado bom da Força, e achar que isso só convulsionaria ainda mais um país frágil, na vizinhança.
Eu apostaria que, na reunião a quatro paredes, em Puerto Iguazu, não houve os risinhos que os presidentes mostraram para as câmeras de tv, nem tapinhas nas costas. Quem sabe, Lula deu o recado duro que o país esperava dele.
Isso só vai se ver com as próximas ações do governo boliviano. Logo, logo.
(em breve, comento sobre o Hugo Chávez, esse craque que ajudou na campanha do EWvo e agora, na cara de pau, diz que a Bolívia vai participar no gasoduto planejado por ele, que...vai criar competição no Cone Sul para o gás da Bolívia. A verdade é que muito pouca gente acredita que ess gasoduto saia do papel).
Se v. não entendue nada do que estou comentando, dê uma olhadinha no que se passa no universo, nos jornais clipados AQUI.
