
Se, no Brasil, a patuléia entendesse tanto sobre a Argentina quanto conhece o futebol do país, quem sabe sentisse, por Néstor Kirchner, o alarme que se costuma manifestar com os gestos autoritários de Hugo Chavez, na Venezuela. É impressionante o silêncio, do lado de cá, em relação ao controle patagônico que o homem tem sobre a imprensa, e até sobre os empresários. Pelo nariz adunco, apelidaram Kirchner de pingüim, mas a censura que ele exerce sobre a Argentina tem a força de um abraço de urso polar.
E ninguém fala disso por aqui. Só noticiamos a crescente popularidade do cara.
Converso com um jornalista de um grande jornal argentino. Ele me conta que a turma da Casa Rosada telefona para editores com freqüência para reclamar de notícias desfavoráveis, ameaça jornais de asfixia financeira, persegue e faz escutas telefônicas. Para esse último ponto, aliás, o Pedro Dória foi o primeiro a chamar a atenção aqui, aliás, acho eu.
Falo com um acadêmico renomado, ex-integrante do governo, e ele me conta a mesma coisa: os argentinos em visita ao Brasil ficam impressionados com o clima de debate, denúncias e discussão no Brasil. Não que não tenham lá farto material para alarido semelhante. Mas a imprensa tem medo de Kirchner, e a UIA, a Fiesp de lá, nem morde nem late. Parece que os peronistas de Kirchner não tem muito escrúpulo em lembrar aos empresários das pendências da turma com o fisco, com a previdência, com o diablo a quatro.
Pense nisso da próxima vez em que lamentar o noticiário sobre corrupção e desmandos por aqui. Juro que foi involuntário: mas, com esse texto e o sobre o peru, abaixo, acho que inaugurei a campanha: "Acha que está ruim? Olhe para a vizinhança".

É Sérgio, mas tem governador na região Sudeste que segue direitinho o figurino de Néstor Kirchner.