
Não costumo fazer isso, mas, como as agências confirmam, a cada dia, a minha paranóia sobre o mundo contemporâneo, copio e colo aqui, da Agência Estado:
Britânico que carregava cartaz com frases de Orwell é detido
EFE
LONDRES - Um cidadão britânico foi detido pela polícia por exibir no centro de Londres um cartaz com uma frase do escritor George Orwell, autor do livro 1984. "Em uma época de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário", dizia seu cartaz. E por isso, Steven Jago, de 38 anos, foi acusado de violar a nova legislação sobre o Crimes Graves e Organizados, segundo noticiou o jornal britânico The Independent.
O jornal denunciou o ocorrido com um grande aviso de perigo em sua capa: "AVISO: se você ler este artigo você poderá ser preso pela lei antiterrorista do governo".
Jago se manifestou no mês passado em Whitehall, zona de Londres em que estão as sedes dos principais órgãos governamentais, "armado" com exemplares da revista americana Vanity Fair, que também foram confiscadas. Uma delas incluía um artigo com o título "O legado do Grande Irmão deixado por Blair". O Grande Irmão é a entidade que controla a vida dos protagonistas do livro de Orwell. "A polícia disse a Jago que o material em seu poder tinha motivações políticas e demonstrava seu desejo de violar a lei", apontou o autor do artigo.
A nova lei britânica sobre o Crimes Graves e Organizados estabelece que nenhum indivíduo pode protestar a um quilômetro da Praça do Parlamento sem obter previamente uma permissão por escrito da Polícia Metropolitana. Se dentro deste perímetro um cidadão pronunciar um discurso ou carregar um cartaz com manifestações políticas, estará violando a lei e será detido imediatamente, como aconteceu neste caso.
junho 2006 Archives
Até a Lucia Hippolito elogiou: para evitar afrontas à legislação eleitoral, já que reeleição de presidente é coisa nova na política, o governo consultou o TSE e vai fazer um manual para que a turma do governo não pise na bola. É, claro, medida preventiva contra pedidos de impeachment. Mas, afinal, mostra que querem seguir as regras do jogo.
Não foi o que entendeu o Estadão, que deu o seguinte título à história:
Planalto prepara regras para fugir de acusação de uso da máquina
E a campanha está só começando.

Fracassada minha campanha "Ajude a Varig, adote uma aeromoça", continuo, porém, compungido com o drama da empresa. Não, não vou lembrar que, que, em 2002, já dizíamos que a companhia iria quebrar se não tirassem da direção a equipe incompetente da Fundação Rubem Berta que representava, lá, os funcionários hoje ameaçados de assistir as decolagens do olho da rua. Continuaram por lá, mais alguns anos, mas duvido que estejam entre os sem-vôo nos acampamentos montados pelos aeroportos do mundo.
Não, vamos à agenda positiva, vamos falar de uma iniciativa que me trouxe lágrimas aos olhos.
A FAB, a nossa FAB, já anunciou que pôs à disposição cinco Boeings da Aeronáutica para buscar no exterior os passageiros que, mesmo sabendo das encrencas da Varig, encheram os olhos e as malas pensando aproveitar as pechinchas das passagens para conhecer a América, Oropa e Ásia.
Enxugando as bochechas, comovido, saquei o lápis da orelha e fiz as contas: ficaram despejados pelos aeroportos do estrangeiro uns 24 mil passageiros abandonados pela varig. Cada Boeing da FAB deve transportar, no máximo, umas 120 pessoas, apertando gente até no banheiro. Vão precisar de umas 40 viagens.
Como avião não decola batendo lata, se a oferta dos Boeings for aceita, vamos ter, nos próximos meses, avião da FAB decolando cheio de lugares para os EUA, Oropa, África e sei mais lá onde, todo dia.
Só quero saber onde estão vendendo as passages de ida. Sea parentada dos nossos bravos soldados e generais do ar não tiver ocupado, já, todas as reservas.

Publicação pequena e jornalista novo gostam de valorizar os lances que dão, e evitam, por exemplo, dizer que foi por e-mail, ou por meio de assessoria, alguma entrevista importante, para dar melhor impressão. Me parece que é o caso da ótima entrevista que a Carta Maior fez com o Hobsbawn, sobre futebol. AQUI.
Poucas perguntas, ótimos ganchos nas resposta, que não chegam a ser aproveitados pela repórter, que é competente... Foi por e-mail, ou fax, com certeza. O que não tira o mérito; bela sacada essa, de buscar um dos melhores historiadores progressistas do mundo para comentar esse fenômeno. Hobsbawn comenta o que eu já falei aí embaixo, sobre o caráter de participação política, embutido na euforia das Copas, defende a tese furada de que vitória em Copa ajuda o governbo (o Brasil está aí para provar que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa) e conta algo que eu não sabia: que a Fifa tirou as calças dos torcedores holandeses. Coisa mais grotesca.

Bonito jogo, o tal de Lucio foi, disparado, o melhor atacante do time japonês, e o goleiro nipônico (foto) marcou seu nome na história das Copas. Foi o melhor goleiro que já assisti em jogo em qualquer campeonato. Assisti poucos jogos na vida, confesso. Nenhum campeonato.
Para desespero dos torcedores brasileiros, Ronaldo garantiu seu lugar no time.
Por pouco, pelos primeiros 45 minutos do primeiro tempo, com a mudança radical do comportamento do Brasil em campo e o gol do Japão, o Parreira ia confirmando sua tese do sucesso da mediocridade: jogo bom é o que a gente ganha.
Agora, diz uma coisa: esse Kaká jogou pouco, pesadão em campo... Ele está meio gordo, não está não?
Pausa para falar um pouco do que está se passando em Brasília.
...
Não está se passando nada na capital do país. Impressionante.

o orginal da notícia pode ser conferido AQUI.
Brasil perde Bussunda, ícone do humor
Um dos maiores expoentes de uma geração de humoristas comprometida com o desenvolvimento científico e tecnológico, mas também com aspectos sociais e políticos do país. Dessa forma, amigos, colegas de profissão e ex-alunos descreveram Bussunda, um dos maiores nomes do humor brasileiro e um cômico internacionalmente reconhecido. Fundador do Centro Brasileiro de Piadas Físicas (CBPF), do Instituto de Anedota da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Chistes, o pernambucano Bussunda foi uma das figuras centrais do humor brasileira nas últimas cinco décadas.
Não só, como apontaram os colegas, por suas pioneiras contribuições no humor e por sua participação determinante na estruturação de um sistema de humor e riso do país, mas também por sua luta política contra o regime militar — o que acabou levando-o ao exílio.
— Ele é um dos ícones do humor brasileiro nos últimos 50 anos — afirmou o presidente do CBPF, Ricardo Galvão. — Sobretudo no estabelecimento de uma cultura huimorística no país.
O secretário do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luis Fernandes, faz coro:
— Ele consolidou a visão de que o riso deveria estar no coração da atividade humorística no país.
Galvão destacou ainda o caráter humanista de Bussunda que, segundo ele, era um dos últimos representantes de um tipo de humorista cada vez mais raro hoje em dia, em que a especialização reina absoluta.
— Ele sempre teve uma preocupação muito forte com a desigualdade social no Brasil. Ele falava sempre comigo sobre a dificuldade do acesso das classes mais pobres ao humor. Ele achava que isso era absolutamente necessário ao país — disse Galvão. — E era um homem de cultura ampla, que pintava, gostava muito de música.
Bussunda teve também uma atuação importante na criação da Comissão Nacional de Humor Nuclear e do Ministério da Ciência e Tecnologia. Crítico severo da ditadura militar, Bussunda foi cassado pelo AI-5 em 1969. Nos anos de exílio, morou nos Estados Unidos e, posteriormente, na Europa, onde deu aulas.
— Quando era estudante, eu e meus colegas seguíamos com muito interesse suas manifestações em prol da democracia e do desenvolvimento científico e tecnológico do país — relembrou o físico Luis Davidovich. — Ele denunciava o sistema autoritário. Para nós, era um paradigma de ação, mostrava que a boa ciência e o bom cientista devem estar preocupados também com a justiça social.
O físico Luis Pinguelli Rosa, coordenador do Programa de Planejamento energético da Coppe e ex-aluno de Leite Lopes, destacou a contribuição do humorista para o humor nacional e internacional.
— Ele foi pioneiro na proposta de unificação das piadas nucleares fracas com as anedotas eletromagnéticas, uma solução até hoje consensual no humorismo.
O trabalho mais importante de Bussunda para o humor, ao qual se refere Pinguelli, data de 1958. Ele propôs, pela primeira vez, a existência de uma terceira loura componente da chamada piada fraca (uma das duas anedotas que atuam no interior do núcleo atômico).
De acordo com Bussunda, além das louras W+ e W-, atuaria ainda o português Z0 — sem carga humorística. A existência dessa terceira partícula acabou sendo confirmada cerca de duas décadas mais tarde, contribuindo para a maior compreensão de diversos tipos de humorismo.
Bussunda passou mal e foi internado no Hospital Samaritano, no Rio. Morreu ontem de manhã, aos 87 anos.“Para nós, ele era um paradigma de ação. Mostrava que a boa piada e o bom humorista devem estar preocupados também com a justiça social.”
O Globo
É, agora sabendo mais sobre a vida do cara, dá para entender que O Globo não podia deixar de dar manchete para o que aconteceu. Seria imperdoável não publicar algo na primeira página.
Fui natureba por muito tempo, não resisti no vegetarianismo por minha tara por costeleta de porco, mas evito antibióticos e alopatia em geral. Também desconfio desses substitutos artificiais para alimentos, e defendo uma alimentação saudável. Daí porque me interessou esse depoimento da Denise Arcoverde AQUI. Ela conta como imaginava ter descoberto o paraíso na terra com as bebidinhas diet, e como aprendeu, com um médico prestigiado em Washington (e após sentir dezenas de achaques mal explicados até então) que o aspartame é um veneno perigoso.
Mais um motivo para deixarem o pobre (digo, milionário) ROnaldo em paz. Se não é capaz de ele começar a pegar receitas de emagrecimento com a modelo namorada dele.

Eles são muito educados, PhDs, inteligentes e viajados (eu disse viajados, por favor), alé de já terem passado há algum tempo da adolescência, o que os livra de qualquer doençla infantil, como o esquerdismo, por exemplo. Por isso, jamais os ouvirão falando, como uns e outros, "Alca al carajo".
Mas, delicadamente, é o que estão dizendo algumas das cabeças pensantes dos tucanos. O embaixador Rubem Barbosa, AQUI, e o professor Bresser Pereira, AQUI.
O embaixador, em belo artigo, defende tese que já defendi no Valor: se há algo para se fazer pelos negociadores brasileiros, é cobrar dos países vizinhos as mesmas concessões que fizeram nos acordos com os EUA. A lei está do nosso lado(na verdade, os acordos da América Latina).
E o Alkmin continua insisitindo na bobagem de que o Brasil rejeitou a Alca por "ideologia" do Itamaraty...

Todo dia 16, malucos de várias partes do planeta comemoram o 16 de junho, dia escolhido por James Joyce para a narrativa de Ulisses, um dos livros mais falados e menos lidos do mundo. Sem muita inspiração neste fim de fim de semana, fui, atrasado, buscar lá no Biscoito Fino uns links para que meus leitores, finalmente, possam conhecer essa obra-prima da literatura universal, sem queimar muito a massa cinzenta.
Para uma breve introdução, em inglês animado, clique AQUI.
Para um resumo resumido, AQUI.
Não vá se cansar muito.
O ano era 1982 e o plano parecia perfeito. Vesti a camisa da Squadra Azurra, presente de um primo, neto de carcamanos, belíssima, e fui a Copacabana assistir o jogo do Brasil, no espaçoso apartamento de um legítimo carioca, chamado Carter Anderson. Time de craques, o Brasil ganharia, eu sairia para comemorar com a moçada; e o fair play do torcedor da Itália, bebendo e vibrando com os brasileiros eufóricos, haveria de conquistar o coração de alguma carioca de sentimentos maternais e pendor pelos oprimidos.
O plano só não contou com a colaboração do esquadrão canarinho.
Brasil eliminado, saí às ruas, tristes, de Copacabana, cercado de gente cabisbaixa, de camisas verdamarelas. Só ressaltavam o azul brilhante da minha blusa. Os amigos me lembram disso a toda Copa do Mundo, e, como mais uma vez fizeram Eliane Azevedo e César Facciolli, nesta semana, dizem que só escapei de linchamento por confirmar, na Avenida Atlântica, a tese sobre a cordialidade e o caráter pacífico do brasileiro.
MInha tese é diferente.
Mas para saber dela e do resto da história, tem de ler no Bombordo, AQUI.

Meu ódio ao preconceito e perseguição às minorias (no caso, a dos craques peso-pesados) me deu uma certeza nesta Copa. Torço pelo Ronaldo. Está na cara que ele estava sendo poupado, para se recompor da bolha da Nike. É cedo para crucificar o cara. Vai Ronaldo!!! Vai Ronaldo! Ronaldo? Vai, cara. Só um pouquinho... Faz um esforço, vai.
Alguém aí poderia me dizer por que a torcida croata se vestiu com as toalhas de piquenique? E qual o motivo de uniformizar os jogadores da Croácia com roupa de jóquei?
(Em casa, fazemos progresso. a Marta começou o jogo conhecendo só o Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos e Kaká. Já sabe quem é Cafu. Tentei mostrar a ela quem era o Adriano, mas a tv não mostrava o cara. Parece que só enquadram quem bota o pé na bola. É um mundo cheio de manias, esse, do futebol)

Torci por Angola, por vocação terceiro-mundista. Me provaram que não adianta torcer para time que não corresponde, o que, quem sabe, me fará rever todas minhas opiniões sobre o futuro dos países emergentes.
Tenho pena, porém, dos coitados dos jornalistas enviados à Copa, em quantidade maior do que marines ao Iraque. Vão acabar inundando os estádios com as cascatas. E a Alemanha não me parece um lugar confiável. Como mostra a foto do chanceler Gerhard Schroeder, aí do lado, roubada da Reuters, é um país onde fazem coisas indizíveis com salsichas. Até assassinatos. Mais uma do blog da Reuters.

Imagine se o Bruno Maranhão e os companheiros do MLST decidissem seguir o exemplo europeu, e protestar contra o governo como essa turma protestou contra a poluição e os automóveis, AQUI.
É, até que o quebra-quebra no Congresso não foi tão chocante assim.

Subitamente, percebo que sou o único ao telefone, e toda a redação _ à exceção do pobre Juliano Basile, na reunião de pauta _ está de costas para mim. É a Copa!
Caramba, já? Sabia que deveria ter dado uma olhada na tabela que ganhei do frentista quando abasteci de manhã.
Este Sítio se declara território livre para os que, constrangidos, não conseguem entusiasmar-se com a corrente pra frente que, de repente, faz de todo o país um só coração. Ainda bem uma turma de gente inteligente criou um blogue sobre esse valoroso esporte das massas. Mas copio aqui a irretocável apresentação do tal blogue feita pelo Marcus Pessoa, lá do Mirante dele:
- Ei, Idelber, quando é que vai começar o blogue da Copa?
- Já começou, uai.
- E só agora é que me avisam?
- É que só após a saída do Edmílson a preparação começa de verdade.
- E qual é o nome do blogue?
- Verbütsfußballbloge.
- Saúde. Mas qual é o nome?
- Verbütsfußballbloge.
- Vixe, cê tá precisando ir num médico, meu chapa.
- É esse o nome do blogue.
- Ah é? Então tá...
Se v. não percebeu, o link para quem bateu neste Sítio e quer ler algo sobre a Copa está lá em cima. Mas repito aqui: Verbütsfußballbloge.
Lendo o imperdível Idelber Avelar, levei um susto: neste post AQUI, sobre um escritor austríaco, que é perseguido ferozmente pelas patrulhas ideológicas do mundo literário por ter comparecido ao enterro do carniceiro Slobodan Milosevic, me deparei com a foto... do Babá! O do PSOL! Mas não era ele, me garantia o Idelber, era o escritor austríaco Peter Handke.
Só posso concluir que, ao ultrapassar a fronteira, o babá se transfigura, ou melhor, mantém a figura, apenas apara o bigode, mas muda de personalidade. Passa a escrever muito bem, e escolhe mal os enterros a que comparece. Que coisa, sô.
Dizem que esse aqui é o Babá:
E que esse é o Handke:
Ou será o contrário?
Vendo, de manhã as imagens da estúpida depredação do Congresso por militantes descerebrados, fiquei imaginando o que certamente já passa pela cabeça dos marqueteiros da oposição. Nessas eleições, na impossibilidade de usar o fantasma de Hugo Chávez para assustar eleitor, como se faz nos países da vizinhança, a sensação de descontrole e insegurança causada pela ação desse movimento dos sem-noção fará a festa das candidaturas anti-Lula. Até que enfim uma imagem para contrapor ao caos do PCC em São Paulo, comemora a oposição.
Lula em alta nas pesquisas, caciques do PFL e do PSDB dando cascudos uns nos outros, o caminho parecia limpo para a reeleição até que, no caminho, apareceu a pedra que quase matou um segurança da Câmara. Ela lembra um velho chavão: com certos aliados, ninguém precisa de inimigos.
Sei não, deveriam chamar de volta o Palocci para comandar uma investigação sobre esse líder do MSLT aí, dirigente de movimentos sociais do PT, e vasculhar os passos do cara com a dedicação que se teria caso ele fosse um caseiro brasiliense. Se não é apenas mais um dos porra-loucas de que o movimento social está coalhado, é forte candidato ser uma versão, de boné e sem tortura prévia, de um importante personagem das lutas populares, o cabo Anselmo.
A incompetência do Congresso tem sua parte nisso. O desprezo irresponsável do líderes políticos alimenta essa impressão do Congresso como Casa da Mãe Joana, e sustenta manifestações de porra-louquice autoritárias, como ESSA..
O que é esse companheiro?
Um site de extrema direita assim define o companheiro Bruno Maranhão, que se auto-define como um zapatista dos tempos modernos:
Bruno Costa de Albuquerque Maranhão não é um camponês ou um agricultor. É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco. É filho de um usineiro e mandou seus filhos estudarem nos EUA, na época em que eram adolescentes. Durante a luta armada exilou-se e passou a viver em Paris, juntamente com sua esposa, Suzana Helena de Brito Maranhão, atual presidente do Centro de Informação da Mulher. Nessa condição, em novembro de 2002 participou do XII Congresso da Federação Democrática Internacional de Mulheres – organização remanescente do Movimento Comunista Internacional -, realizado em Beirute, Líbano.
O MSLT nasceu organizado, com cerca de 100 assentamentos em 8 Estados: BA, MA, RN PE, SP, GO, MG e RS. Atualmente está organizado também no Tocantins e teria, segundo o MLST, a participação de 50 mil famílias.
Faltou dizer que ele é da Executiva do PT. Difícil acreditar que um sujeito com essa experiência não previsse o efeito que a baderna terá na campanha do candidato do seu partido.

Raramente tive dificuldade para entrar no Congresso. Sempre tive totsal liberdade lá dentro, com freqüência ciceroneei visitantes. A um deles, um amigo diplomata russo, que se disse impressionado com a liberdade de ir e vir em um prédio público, tão importante, comentei que é assim que deve ser a democracia, com facilidade para que o povo chegue perto de seus representantes.
"É, para vocês deve ser fácil; não têm chechenos", comentou, invejoso, o russo amigo.
Hoje não apareceram chechenos em Brasília, mas filhotes tardios do stalinismo. Aquele que considera qualquer violência aceitável para se alcançar o bem do povo. Só que os únicos capazes de decidir o que é o bem do povo são eles, os líderes stalinistas.
Hoje, pedra no Congresso, que, afinal, só tem corrupto. Amanhã, empastelamento dos jornais, que são todos, como sabem, vendidos à burguesia. Em seguida, nomeiam-se os companheiros que se encarregarão da justiça popular. Estou procurando passagem com desconto na Gol, para me mandar daqui, antes que comecem os tribunais revolucionários. Eu, seguramente, não escaparia de um campo de reeducação.
Sou dos que tem ganas de assassino quando vejo alguém jogar lixo pela janela do carro, pelo respeito religioso que tenho pelo espaço público, que é de todos, e não terra de ninguém. Daí minha indignação com a selvageria da brigada facista do MLST, detonando vidros, terminais de computadores e outros exemplares do patrimônio que consertarão, mais tarde, com o imposto que até eles pagam.
É bárbaro, mas serve para fazer avançar as causas populares? Só para esses ruminantes que confundem materialismo dialético com maniqueísmo patético. O que esse tipo de ação estúpida faz é intimidar o cidadão comum ou reforçar a opinião dos que defendem repressão ao movimento popular e fechamento do Congresso porque dali não sai nada que presta mesmo. Ah, sim, um dos resultados da valorosa ação dos trogloditas do MLST será, daqui por diante, maior dificuldade para o povo entrar no parlamento.
O curioso é que quem andou dizendo que não entendia a defesa do Congresso, "que só produz mensaleiro" foi o presidente da UDR, em entrevista no rádio.
Estamos cercados. Podem levar tudo, mas, por favor, não toquem na minha família.

Enquanto isso, no Chile, o país mais bem sucedido da América Latina, a garotada ocupa as ruas sem quebra-quebra como na França, para pedir tres coisas simples: escolas de melhor qualidade, passe livre nos ônibus e fim da taxa cobrada para o vestibular, que equivale a um sexto do salário mínimo (no Brasil ninguém fala disso, mas a taxa, de R$ 80,00 para a UnB, por exemplo, é de quase um quarto do mínimo). Deve ser tão bom viver em um país onde a molecada pensa ainda ser capaz de interferir para mudar o mundo...
Por falta de tempo e saco, reproduzo em espanhol mesmo parte da mensagem enviada pela M. Cristina Silva P., diretora de cominicação do Celare, um dos bons think tanks latino-americanos, sobre os pinguinos (nada a ver com o Kirchner, o aplido vem dos uniformes da meninada). Concertación é a coalizão que governa o país, de Ricardo Lagos e sua sucessora, Michelle Bachelet:
Claramente, tres gobiernos de la Concertación han hecho muy bien otras tareas: Aylwin hizo posible la transición a la democracia, Frei emprendió la modernización del país y Lagos, su inserción internacional. Pero ahora la demanda es atender la deuda social de un país con un proceso de crecimiento y un discurso de éxito que no se refleja en la vida de las personas. "El cobre por el cielo y la educación por el suelo", denuncian los alumnos, dejando en evidencia con palabras simples y directas la esquizofrenia del desarrollo macroeconómico y la inequidad social que se vive en Chile.
Ese es el desafío que deberá atender el gobierno de Michelle Bachelet, que enfrenta hoy la mayor movilización social de la que se tiene memoria, desde la época de Allende.
La promesa electoral de la presidenta fue "Estoy contigo". Y hoy los niños le preguntan "¿Michelle, estás conmigo?". Y esta pregunta, que surgió a mediados de mayo desde algunos liceos y que prendió con la fuerza del cambio necesario, empieza a convertirse en una factura por cobrar, de esa promesa de "crecimiento con igualdad" enarbolada por los gobiernos de la Concertación, y que llegó el tiempo de cumplir.
Que diabos deve ser "enarbolada"? . Ver a pirralhada levando a sério o papel de ator político dá um pouco mais de esperança no futuro de um continente em que os partidos, canal privilegiado de participação política, estão aos cacos e farrapos, como conta essa notícia AQUI. Prefiro a agitação festiva da estudantada a estranhas propostas dos paranóicos nacionais.
Certos artigos da Foreign Affairs, revista publicada desde os anos 20 pelo think tank estadunidense Council of Foreign Relations iluminam as cabeças tupiniquins e viram referência obrigatória. Há uns três anos, a revista revelou que dois terços do Congresso dos EUA nem tinha passaporte (fico devendo aqui o link para o artigo, ainda vou lembrar onde está), numa demonstração do provincianismo e isolacionismo dos que verdadeiramente mandam (com seus patrocinadores, claro) no Estado americano. Esse artigo foi citado e recitado, inspirou discurso no Senado brasileiro e palestras incontáveis.
Agora a moda é o artigo do Jorge Castañeda, intelectual mexicano que era arroz de festa na impresna aqui até uma pífia passagem como ministro de Relações Exteriores do governo Fox. Castañeda divide a esquerda que emergiu nesses últimos anos na América Latina entre os modernos, de origem comunista ou radical, mas domesticada hoje em dia por considerações social-democratas, como Bachelet, no Chile e Tabaré Vásquez, no Uruguai. E os populistas autoritários, como Chávez, Evo Morales e Kirchner, enrtaizados nas experiências populistas do continente, com Vargas, Perón e Velasco Alvarado. Lula ficaria mais para o primeiro grupo, ainda que fosse de posição meio ambígua. Alan Garcia, recém-eleito no Peru, tem um passado que o põe no segundo grupo, ainda que Castañeda, no artigo, tenha preferido jogar pedra contra o derrotado (em boa hora) Ollanta Humala.
Essa omissão em relação ao peruano, e a inclusão do mexicano Lopes Obrador no time da "esquerda do mal" fazem suspeitar que, embora bem montado academicamente, o artigo de Castañeda tem forte motivação eleitoral. Obrador pode ganhar nas eleições do México, embora tenha perdido pontos nas pesquisas (dizem que porque se recusa a ir aos debates eleitorais) e está empatado com o candidato de Fox, Felipe Calderón. É, de fato, um político populista, do PRD, que´nasceu de uma dissidência do nefando PRI, partido que dominou por sete décadas a política mexicana. Mas, embora o comparem com Kirchner, ele tem apresentado uma plataforma moderada.
Essa divisão feita pelo castañeda é incompleta, simplifica o complexo xadrez político no continente, mas, até por isso, fez e fará um sucesso danado; e dá bons conselhos à administração Bush, sobre como lidar com a esquerda latino-americana. FHC estava citando o cara, no Estadão do fim de semana. Mas para você, leitor sofisiticado deste prestigiado blogue, recomendo ler o mexicano diretamente, na Foreign Affais, AQUI. Infelizmente, está em inglês.
Me conte, depois, o que achou.

Mierda é o palavrão mais ameno que se ouve na vizinhança do Brasil: deve ser o sangue latino que torna ardentes os ânimos da moçada. No Uruguai, o presidente Tabaré Vasquez fez reunião ontem para conciliar dois ministros, um deles tão furioso porque o governo não anistia dívidas de agricultores que mandou la mierda o conselho de ministros. Mas nada supera o desconforto com o animado Hugo Chávez nos países à volta. Em queda nas pesquisas de opinião desde que o venezuelano passou a interferir no processo interno peruano, o candidato Ollanta Humala, que já quis restaurar o império inca na América do Sul, agora parece que se contentaria em fechar a matraca do Chávez. Como revela essa surpreendente entrevista aqui, divulgada pela Ansa:
LIMA, 30 MAI (ANSA) - Carlos Tapia, porta-voz da União Pelo Peru, partido do candidato nacionalista à presidência, Ollanta Humala, criticou hoje, a cinco dias das eleições, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a quem acusou de "intromissões" na campanha eleitoral peruana.
"Como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse 'al carajo' referindo-se à Alca, acredito que nós, peruanos, devemos dizer 'Chávez al carajo', porque as eleições são entre os peruanos e nós, peruanos, temos que resolver nosso destino", declarou Tapia em entrevista à rádio RPP.
Caramba. Eu sabia que ficar fazendo trocadilho com o Peru não ia dar em boa coisa.

