agosto 2006 Archives


Já tem mais casas recebendo bolsa-família do que famílias pobres no Brasil, diz a ONU. E o Alkimin, quando resolver finalmente partir para bater no Lula, resolve acusar o homem de não atender aos pobres. Ah, a falta que faz um bom conselheiro político. ..
Está lá, no site do PNUD:

O total de lares que recebem o Bolsa Família já supera o número de famílias pobres no Brasil. Em julho, foram atendidos 11,118 milhões de domicílios, 15 mil a mais que os 11,103 milhões de lares pobres estimados pelo Ministério de Desenvolvimento Social.
A pequena diferença, no entanto, oculta discrepâncias estaduais. No Rio de Janeiro, por exemplo, 116 mil famílias que se enquadram nos critérios do programa (ou seja, têm renda per capita inferior a R$ 120) não recebem o benefício, enquanto no Estado vizinho, Minas Gerais, o programa atende 133 mil lares a mais que a estimativa de pobres.


parte dessa discrepância é explicada por problemas estatíticos, migrações etc. Mas a história toda está nessa página AQUI.

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Aliás, Lula acaba de fazer um discurso em que diz que só não garantirá o crescimento e a distribuição de renda se houver "motivos extraterrestres". Esse negócio todo de Plutão lhe subiu à cabeça.

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Por falar em subir à cabeça, a imprensa latino-americana toda repercute o livro do eduardo escolese e do Leonêncio Nossa em que eles contam barbaridades dos bastidores das viagens presidenciais. Entre elas o coquetel na embaixada de Tóquio em que disse que o Chile "é uma merda" e tem vontade mandar o Kirchner para a PQP. Quem conta é o estadão, AQUI.
Só falta o New York Times publicar a história, que, diz o livro, aconteceu depois de três doses de uísque ingeridas pelo primeiro mandatário da Nação (com trocadilho, por favor). Será conhecido nos anais da imprensa como A Vingança do Larry Rother.

Plutão e a auto-estima nacional

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Foi só um brasileiro ir ao espaço, e já sumiu um planeta.

Maldade recebida pelo Cristiano, por e-mail. Fui checar, e está na coluna do Ancelmo Góes, no Globo de hoje. E informação de última hora: o que o Google não me informou, um anônimo aí embaixo nos comentários esclareceu: como imaginava, a piada veio de um site, o inefável Kibe Loco. Nem o nosso, o meu, o seu astronauta verde-amarelo escapa da vocação nacional para a auto-depreciação.

Mas, por causa disso, fui ver por onde anda flutuando o astronauta que voltou do espaço e passou em velocidade supersônica para a reserva remunerada. Não é que ele mantém uma página na Internet em que conta que quase lhe roubaram a mala em Guarulhos, nesta semana?

E nosso homem do espaço, como todo aquele que tem a cabeça na Lua, também faz poesias! Ou, pelo menos, tem uma pagineta dedicada a versos de sua lavra. O conteúdo de uma delas mostra que andou cabreiro com outro tipo de roubo, enquanto vagava pelo espaço sideral. Parece que teve medo de lhe roubarem a mulher. Como se vê AQUI.

Shocking News


Uma bonita apresentadora da CNN resolveu ir ao banheiro e esqueceu do microfone que levava, ligado, na roupa. Milhões de telespectadores, que assistiam a um discurso do presidente Bush, foram surpreendidos, com a voz dela, ao fundo, a confidenciar... palavras elogiosas sobre o marido. Para quem se interessa, a coisa está AQUI até com link para o You Tube.

Não se fazem mais escândalos sexuais como antigamente.

O Ali, aqui, e o Lula, lá.

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Mulheres de harém que manobram os poderosos para tramar romances, soberanos respeitosos e admiradores da cultura dos povos que dominam, sábios que aprendem que a tolerância é uma das maiores virtudes humanas, fatos históricos pouco conhecidos, como a origem muçulmana da Sicília... de tanto ouvir falar do Tariq Ali, decidi acabar com essa brecha (essa, pelo menos) em minha escassa cultura literária. Confesso que esperava um texto militante, como o autor. Longe disso. É um texto de forte substância política, mas com aroma de Mil e uma Noites, Leitura densa, saborosa, a distância sideral da literatura panfletária. "O Sultão de Palermo". Obrigatório.

Ainda escreverei com calma sobre o livro, aqui, tentando chegar à qualidade das críticas lítero-cinematográficas do Maurício Santoro . Mas já adianto minha recomendação, inspirado no blogue da Elenara, que traz uma entrevista com o autor, feita pela Carta Maior. O curioso é que, ao ouvir como uma das respostas do Ali uma crítica ao Lula, o entrevistador rapidamente muda de assunto. Será que isso tem alguma coisa a ver com o fato de que a Carta Maior tem, como principal financiador, o governo Lula?

Imprensa independente é aquela que não depende nem de governos. Se não for assim, que se diga engajada, ou militante. Haverá quem prefira chamar de áulica.

Cerco à imprensa

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O desejo de controle sobre a imprensa por certos governantes chega a um nível absurdo na vizinhança americana. Agora, processam uma jornalista porque ela publicou matéria sobre um sujeito que era investigado pelos serviços de inteligência. Vasculharam a casa da moça e a ameaçam de prisão. Isso porque a legislação tornou uma “ofensa criminal”, punível com até 14 anos de prisão, dar ou receber “qualquer palavra-código, senha, esboço, modelo, artigo, nota, documento ou informação secreta oficial” ou possuir “qualquer documento oficial ... destinado a uma terceira pessoa”, sem autorização do governo.

Isso, no Brasil, botaria 80% dos jornalistas em cana. Lá, ameaça com perseguição qualquer repórter que não se contentar com as informações oficiais. Isso é que é controle da informação.

Ah, a foto do Chávez aí acima é só para confundir, ele não tem nada a ver com o que isso. O país de que estou falando é o Canadá.

Gravem o Orkut

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A bandalha brasileira ameaça o fim do Orkut no Brasil, embora a emprese garanta que vai continuar com o serviço ; uma pena, se acontecer antes que se façam as centenas de teses de mestrado que aguardam os pesquisadores na seção brasileira do negócio (portal, ou o que seja esse troço).

Recusei alguns convites para essa tentação, caminho do demo para gente dispersiva como eu. Mas o Miguel, uma de minhas duas continuaçõess genéticas na Terra, se encarrega de me manter informado. Por ele, consolidei a ceteza de que esse tipo de coisa (portal ou sei lá o quê) é o filão inexplorado com que sonha o mestrando de antropologia, sociologia, quem sabe economia.

Descobri que o Orkut teria muito a dizer sobre as relações humanas quando meu filho, então com 16 anos, me contou que havia aderido à comunidade "Eu Adoro Mulher Cachorra". Semanas de Yoga e auto-análise me permitiram voltar ao assunto, e o Miguel me contou, por exemplo, da comunidade "Moça do tempo, sai de cima do Acre", que revela um trauma pouco considerado na sociedade brasileira: os acreanos sofrem para saber se terão sol ou nuvenzinhas, porque, invariavelmente, os moços e moças do tempo falam do clima do país, para os telespectadores, impavidamente postados na frente da cabecinha do mapa brasileiro _ aquela parte do país que os bolivianos fizem ter siudo comprada pelo Barão do Rio Branco com cavalos e propinas.

As indicações do Miguel me mostram que um manancial de teses de mestrado espera os especialistas no Orkut. Alguém se encarregue de gravar as páginas desse troço enquanto é tempo; são um retrato dos comportamentos, traumas, preconceitos, manias e preocupações nacionais.
Tem o famoso "Eu Tenho Medo do Mesmo", dedicado ao letreiro visível em todos elevadores, "Antes de Entrar, Verifique se o Mesmo se Encontra Parado Neste Andar". Há detalhes de très petit histoire, como na comunidade "Pensei Que Era Sorvete, e Era Feijão", dedicado a era do tupper ware, em que mães guardam a comida da véspera no pote do Chicabon. Todo um repertório de comportamentos e conhecimentos de uma época está sendo configurado em comunidades nesse tal orkut. Alguém tem de estudar isso antes que deletem.

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Falando em tupperware, fico devendo aqui também um texto sobre a assimilação da língua estrangeira pelo imaginário nacional. Dona Emir, minha santa mãe, até hoje chama tupper ware pelo nome em que foi traduzido por uma empregada, tapa égua. Em minha breve passagem pela TV Globo, me lembro de um produtor que confundiu Cordon Bleu com candomblé.
Voltarei ao assunto, se os céus me permitirem. Maleme Exu!


"Isto me causou o maior dos cansaços e continua a me causar o maior dos cansaços: perceber que indizivelmente mais importa como as coisas se chamam do que o que elas são", dizia o Frederico, em um livro onde desenvolvia uma complicada tese sobre retornos eternos, super-homens e a morte de Deus. Penso na frase sempre que vejo essa insuportavelmente aborrecida discussão sobre o diploma do jornalista, obrigatório ou não para se exercer a profissão.

Me causa o maior dos cansaços a repetida confusão entre jornalista e colaborador de jornal, feita propositadamente pelos que dizem defender a liberdade de expressão. Que liberdade? Nem o mais corporativo dos sindicalistas jamais pensou em cobrar diploma de jornalista ao Delfim Netto, ao Paulo Nogueira Batista, ao Ferreira Gullar ou às outros centenas de pessoas que escrevem livremente para jornal, no lugar devido, as páginas ou colunas de opinião.

Já o repórter, o jornalista... bom, volto à frase do Fred, aí em cima, para dizer que ser jornalista exige uma preparação especial, uma profissão que consiste em relatar as coisas, num mundo em que cada vez mais importa como as coisas se chamam, do que o que elas são.

Nesse mundo, minhas aulas de lingüística e semiologia na faculdade me vêm à cabeça, para qualquer lado que eu a vire. Nas artes, como diz meu Antimanual de Filosofia do Michel Onfray, desde Marcel Duchamp os artistas substituíram a procura do Belo pela criação de Sentido, da palavra. Na psicologia, Lacan (de certa forma só radicalizando o que Freud já havia feito), decidiu que nada há nas relações humanas e na mente da galera, a não ser discursos. Palavras, palavras, palavras. No caso dele, também gestos, roupas, tudo que possa carregar significados. Há que se estudar esse mundo de signos, para atravessá-lo e mapeá-lo sem se deixar enredar neles. Há jornalistas que não têm a mínima idéia de como fazer isso? Sim, muitos. Como há inumeráveis médicos a quem eu não confiaria meu cachorro. Que se chama Nietszche, por sinal.

Aí me cansa a maior das canseiras ver a discussão travada pelos que não vêem nenhuma utilidade nas aulas que tiveram nos cursos de Comunicação, ou por aqueles que nem sabem que diabo de aulas se ministram nos cursos de Comunicação _ ou pior, por aqueles que não tiveram nenhuma aula decente por terem frequentado escolas caça-níqueis com tabuletas de cursos de comunicação. É mais ou menos como ver bandos de curandeiros e de pacientes de curandeiros discutindo a inutilidade das aulas de medicina. Não se pode discutir decentemente algo que não se conhece. Não vale a pena discutir com quem não sabe do que está falando.

O iluminado Níslon Lage é que costumava dizer: o jornalista não é um especialista em generalidades, é um especialista em discursos, em linguagem, que usa esse conhecimento para produzir relatos sobre a realidade. Relatos precários, pela natureza limitada da investigação e redação jornalística, premida pelo tempo e por limites de espaço. Não é beletrismo de advogado vaidoso, ainda que advogados vaidosos possam tornar-se bons jornalistas.

O jornalismo exige formação específica, embora qualquer jovem talentoso com leituras possa se arranjar em um jornal. Interessa à sociedade que seus jornalistas passem por um espaço próprio, acadêmico, para aprender e refletir sobre o que se faz na midia. Se as Escolas de Jornalismo não são ainda esse espaço, a solução não é a demolição delas, simplesmente, ou torná-las irrelevantes.

Mas esse post está se tornando longo demais. Não devia ter deixado o Onfray na mesinha de cabeceira.

Encerramos aqui o intervalo político obrigatório. Voltamos às nossas transmissões normais.

Plutanagens

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Aconteceu. Cassaram o mandato de Plutão.
Já os filhos da Pluta têm presença até no palanque com o presidente da República.
Esse mundo político é uma galáxia de injustiças.

O Garcia do Evo


Nesse momento, o vice boliviano, Álvaro Garcia Linera está no Palácio do Planalto. Falei sobre a vinda do suposto guru do governo Evo Morales na coluna do Valor, no começo da semana, quando, aliás, tive a duvidosa glória de ser o primeiro a anunciar a ilustre visita. Reproduzo aqui o começo da coluna, a que dei o mimoso título de "Ei, você aí, me dá um dinheiro aí":

Paraguai e Bolívia, os dois países mais pobres do continente, querem dinheiro do Brasil, ambos reclamando melhor remuneração pelos recursos energéticos que vendem ao mercado brasileiro. A inescapável vinculação entre interesses brasileiros, bolivianos e paraguaios exige uma resposta mais transparente do Brasil a essas demandas.

Nos dois casos, porém, fatores de política interna dos dois vizinhos complicam as discussões e as obrigações da diplomacia têm constrangido o governo brasileiro e dificultado o esclarecimento desses temas, alvos de profunda incompreensão na opinião pública brasileira.

Nesta quinta-feira, um personagem importante na cena boliviana, o vice-presidente Álvaro Garcia Linera, chega ao Brasil. Linera, que já foi apontado como o ideólogo do governo de Evo Morales, hoje está em situação delicada no governo.

O resto pode ser lido AQUI .


Quando tiver tempo, invento um texto inteligente sobre esse artista, que virou sinônimo de arte abstrata. Mas seria só para sugerir que, durante o horário eleitoral, na falta do que fazer, o visitante deste Sítio experimente esse portal AQUI.

O problema curdo

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Ouço, orgulhoso, meu filho me contar sobre a União Européia e os problemas da Turquia para entrar na comunidade. Quando ele me fala que uma das encrencas é o separatismo curdo, me sinto obrigado a explicar:

"É um problema grave, filho, como você sabe, os curdos bêbados não têm dono", ensino a ele.



Na primeira oportunidade, passou o ditado aos amigos.

"E eles, gostaram?", pergunto.

"Detestaram. O Arthur me disse: ´que piada de nerd, Miguel'".

O Brasil não está preparado para entender o mundo.

Drogas no acordo

Matéria no Financial Times de hoje:

How Washington uses trade deals to protect drugs
By Amy Kazmin, Andrew Jack and Alan Beattie

Published: August 21 2006 19:42 Last updated: August 21 2006 19:42

William Aldis was agitated. As the World Health Organisation’s top man in Thailand, he knew Thai officials were hosting their US counterparts in the northern city of Chiang Mai to negotiate what to many outsiders might seem an entirely worthy objective: a bi­lateral free-trade deal. But he saw dangers – and decided to make his views public.

The “lives of hundreds of thousands of Thai citizens” would be put at risk if negotiators accepted Washington’s demands for greater protection of drug companies’ intellectual property rights, he wrote in an article for a Bangkok newspaper.


Traduzo, para quem não navega em língua de gringo (e de Shakespeare): o chefe do escritório da OMS na Tailândia resolveu botar a boca no trombone contra a negociação do tratado de livre comércio EUA-Tailândia, porque viu ameaças às políticas de saúde pública tailandesa no acordo. Drugs, no caso, é medicamentos. "Como os EUA usam acordos comerciais para proteger a indústria farmacêutica", seria uma boa tradução do título.

O resto é aberto à leitura só para assinantes do FT, mas nem precisa, é algo que comento frequentemente neste Sítio e em minha coluna do Valor, ongs e até alguns tucanos vem alertando há algum tempo: comércio de mercadorias é só um tempero a mais _ e nem de longe o mais importante _ nos acordos de "livre-comércio" propostos pelos Estados Unidos.

O governo norte-americano costuma usar esse tipo de acordo para aplicar nos parceiros regras favoráveis aos interesses de suas grandes corporações, como as farmacêuticas. E usam os acordos para sacramentar regras de patentes de prazo longuíssimo, matando a indústria de genéricos.

Por isso, da próxima vez em que ouvir algum político prometendo negociar rapidamente um acordo comercial com os EUA, ou algum papagaio com coluna na imprensa dizendo que um dos erros da política externa brasileira prejudiciais ao país foi brecar a Alca, tenha certeza: ou é ignorância, ou é má fé, mesmo.

Amigos que fazem

Tem blog novo de política na praça, o do intrépido Wilson Tosta. Vale a pena conferir AQUI.

E o Fernando Mollica leu o livro do Kotscho, ficou furioso com uma inverdade histórica e pediu correção. O Ricardo Kotscho, tremendo bom caráter, apressou-se a fazê-la. AQUI. A história é boa, sobre o dia em que o Lula chamou o Itamar Franco de FDP. O Itamar é sucesso de público aqui neste site: não tem dia em que não entre alguém nestas páginas em busca de alguma coisa sobre a Lílian Ramos. Em geral esses visitantes vêm da Itália, o que me leva a crer na existência de um fã-clube da moça, lá na velha bota.

Mas sobre o Mollica o que eu sugiro mesmo é a leitura do livro do sujeito., Saiu há algum tempo, mas é imperdível, nesses tempos de PCC. Saiba sobre o livro, indispensável, AQUI e AQUI. E para os muito curiosos, também AQUI.

Agora vai

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O senhor aí em cima é o Pinto, ministro da Agricultura nesse fim de mandato do Lula. Nem você nem eu o conhecemos mas temos no Sítio as melhores referências dele, parece um técnico de excelente qualidade. Na foto, cedida pelo inefável Ruy Baron, ele mostra que o ministério está de olhos bem abertos, com clareza absoluta sobre que direção seguir nessa questão dos transgênicos.

O professor Santoro trata, com inteligência, leveza e profundidade, de dois assuntos muito citados irresponsavelmente neste Sítio. Interessantes comentários sobre Cuba AQUI. E sobre a Bolívia, AQUI.

Por indicação do nunca suficientemente louvado Bicarato, descobri um site interessantíssmo, AQUI, hoje com a história da rendição da Microsoft às idéias da turma do creative Commons.

Mestre Idelber Avelar dá o imperdível mapa da mina para quem se interessa por literatura e blogues, nessa porta AQUI.

O Hermenauta, em dia de tablóide londrino, diverte com a moça airada que expôs os seios à manipulação da realeza, AQUI.

O Flávio Prada conta o que acontece com um paranóico em férias, quando acha que pode estar bebendo cadáveres e descobre que não é bem assim, mas tarde demais. AQUI

E o Ruy Baron me mostra como montar uma rádio particular, escolhendo um músico ou uma música, que o site desdobra em outros por afinidade. é o Pandora, que eu, analfabeto digital, não conhecia. Botei Hermeto Paschoal e o site me fez uma programação espetacular, com o próprio, o Azymuth, o Weather Report e um monte de gente cabeça. Se você lê inglês e quer experimentar, é AQUI


Primeiro, foi o Hermenauta, que jogou o texto em uma lista de discussão de que participamos. Hoje, descubro pelo Nélson de Sá, na Folha, que o Guardian andou citando minha coluna do Valor. Sem mencionar meu nome, damned british. Pior foi esse site AQUI, que não deu crédito nem para o Valor. Minha meta, agora, é ser citado pelo Financial Times. Ou no El Deber, da Bolívia.

É o tombo boliviano, aliás, o tema da coluna citada AQUI pelo Guardian. O site do Valor exige senha, mas, como sempre, os clippings estão para isso mesmo, implantar as licenças creative commons na marra e na raça.

Aliás, me enganei. O site do valor permite acesso à coluna, AQUI.

Aos meus queridos leitores, anuncio podem reproduzir qualquer coisa desse blogue, aliás, desde que citada a fonte.
Reproduzam, aliás, mesmo sem citar, vai.


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Aliás, por falar no Nélson de Sá, ele inaugurou hoje o blogue dele, versão internauta da coluna Toda Midia, na Folha de São Paulo. É AQUI.

Censura ou sucesso de público?

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A idéia era de extremo mau gosto: um concurso de charegs sobre o holocausto, em represália às chareges contra Maomé publicadas pela imprensa dinamraquesa e reproduzidas no mundo todo. Os brasileiros, com pouco mais de vinte colaboradores, foram o terceiro maior grupo participante, só atrás dos iranianos (que abigaram o concurso) e dos paquistaneses. Humoristas brasileiros explicaram a presença com o argumento de que brasileiro procura divulgação onde quer que for, já que aqui a coisa está preta.

Ontem à noite, consegui ver as charges, algumas boas, outras incompreensíveis, outras sem graça mesmo, a maioria de forte carga política, sem mencionar o holocausto dos judeus na segunda guerra, mas focados na disputa Israel-Árabes/Palestinos/Muçulmanos: e outros de péssimo gosto mesmo. A maioria, os que podem ser considerados humor, têm aquele travo das piadas contra a ditadura dos anos 60 e 80, despertam, no máximo, um esgar amargo na boca.

O estranho é que, hoje, em várias tentativas num curto espaço de tempo, esbarrei em mensagens de erro, ao tentar entrar no site irancartoon, com reproduções das peças submetidas ao jornal iraniano que promoveu o concurso de charges sobre o holocausto, o Hamshahri. Será um boicote deliberado? Diz um de
artigo na Wikipedia
(em inglês, sorry) que um editor israelense lançou um concurso de truques de Internet para impedir que o concurso ou o jornal aparecessem em destaque nas buscas do Google. de fato, o jornal e o concurso não parecem nas primeiras chamadas do Google. Mas não é difícil encontrr páginas sobre o tema, como essa, com reprodução dos cartuns, AQUI. Também abriu caminho para uma turma meio nazistóide, daquelas que chama de mito o que acontecu nos campos de concentração de Hitler, AQUI.

Tem outro site, de um grupo contra babaquices religiosas, que reproduz alguns cartoons, AQUI.

Triste mundo.

Golpe!!!! Golpe!!!!!!

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O TSE acaba de cassar o registro do candidato do Partido da Causa Operária à presidência, o companheiro Rui Pimenta. Para quem não o conhece, ele andava dizendo que a Heloísa Helena está comprometida com a burguesia. Boa parte dos textos da seção de artigos do PCO, aliás, se dedica a meter a lenha na HH e seu partido burguês de esquerda, numa demonstração de clareza cristalina sobre quem são os verdadeiros inimigos da classe trabalhadora (digo, operária. não sei como o companheiro Pimenta classifica os trabalhadores do campo).

Os outros inimigos figadais e alvo do PCO são, pela ordem, o PSTU e o PT. Os partidos de direita tradicionais evidentemente não preocupam a agremiação de Pimenta, porque certamente serão devorados pelo colapso do capitalismo imerso em suas próprias contradições, como previu magistralmente o velho Marx.
Ou foi o jovem Marx? Não importa, até o Fidel já é história, a essa altura.

Essa cassação é uma evidente manobra da elite que manipulou as pesquisas para não mostrar que o Pimenta já estava ardendo na cola de Lula, nas pesquisas de opinião. E o TSE, para cassar o verdadeiro líder das massas e feijoadas, alegou razão tipicamente burguesa: o companheiro Pimenta não prestou contas da campanha passada.

Ora, todo mundo sabe que quem presta conta é gerente, e gerente é pequeno burguês, preposto da burguesia que explora a mais valia dos eleitores do PCO. O partido jamais poderia compactuar com essa prática retrógrada. Cassaram um líder por causa de sua coerência programática.

E agora, em quem votarão as esquerdas verdadeiramente revolucionárias? E os que esperavam ansiosos a participação do líder nos debates? (aliás, esperavam ansiosos também a participação dele no programa eleitoral, que começou hoje sem que o partido entregasse às rádios a gravação do candidato).

Todos à rua!!! Partidários de Rui Pimenta, vamos cercar o Supremo e exigir a liberação da candidatura do único postulante verdadeiramente de esrquerda à presidência da República!!!

Bom, se não der para cercar o Supremo, reunimos os companheiros e cercamos uma das colunas do prédio. O que importa é o ardor revolcuionário, e isso nosso candidato tem até no nome!!!!

Aos interessados comunico que a Kombi que levará os manifestantes a Brasília estará disponivel em breve. Nosso comitê de finanças tem só de acertar uns detalhinhos com o dono do posto que contribui fiadamente para a causa.


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Enquanto isso, o candidato do PDC, Eymael, trocou o texto de sua propaganda em que falava em "empobresser" (devia ser alguma referência ao dinheiro da família Bresser Pereira).
Mas mantém um letreiro na tv falando em "obcessão". Isso é que é atacar o poder estabelecido. No caso, as bases lingüísticas do português corrente, que, como demonstraram Michel Foucault e outros franceses radicais, é a evidente base de sustentação das elites nacionais.
Ou, vai ver, ele acha que está na tortura sistemática da língua nacional a raiz da popularidade de nosso presidente.

Nem Fidel é sagrado


Aconteceu o que eu temia. Há décadas o cadáver plastificado de Lênin recebe os visitantes em Moscou sem que ninguém tivesse pensado em cedê-lo à sanha capitalista. Já com o Fidel, foi só retirarem a múmia do Palácio do Governo e algum membro do partido arranjou jeito de fazer merchandising com o velho. Ponto para a Adidas, mas ainda acho que os despojos do grande comandante mereciam mais respeito.
Qualquer dia penduram ele na fachada do Harry´s bar.

Aperte o cinto. Foi o que sobrou.

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Depois da repressão sem trégua aos corta-unhas e perigosas tesourinhas, a segurança nos aeroportos já estava relaxando. Imagine que deixaram de suspeitar da capacidade assassina dos passageiros da classe econômica (os da primeira classe sempre form considerados pacíficos, nunca lhes tiraram os talheres de aço) e voltaram a dar garfos e facas que não quebravam em contato com o frango seco do almoço de bordo!

A ameaça descoberta contra vôos do aeroporto de Heathrow, na Inglaterra, pôde comprovar a criatividade dos terroristas e a volta diligente dos agentes da lei. Nos vôos internacionais, decidiram proibir, agora, até o transporte de desodorante a bordo. Eu que sempre viajo sem despachar bagagem por pura paranóia, além da angústia de me ver sem bagagem de mão, prevejo uma piora de clima entre os passageiros. Acho que não vão permitir mais nem pasta de dente.

Como a aporrinhação sobre milhões de pessageiros em todo o mundo não impedirá os terroristas de inventarem alguma coisa nova, prevejo também, que, em alguns anos, descobrirão cabulosos métodos de esconder nitroglicerina diluída nas cuecas ("tive a idéia vendo o que os brasileiros faziam com dólares", confessará um sanguinário fanático capturado pelas forças de segurança). Todos nós seremos obrigados a embarcar pelados, enquanto submetem nossas roupas de baixo a análise organolépticas por cachorros treinados.

O consolo: vai ser mais divertido que ver as velhinhas chorando pelo coinfisco das tesourinhas de estimação.



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Enquanto isso, em São Paulo, decidiram botar um chip de rastreamento de todos os automóveis. Assim, a polícia que vem eficientemente combatendo a corrupção de seus próprios quadros pelo PCC poderá saber exatamente onde e quando vão os paulistas em seus trajetos diários.

Eu que me espantava com a facilidade com que as pessoas abriam mão de privacidade na Internet, ouvi de dois jornalistas que a idéia do rastreador de cidadão é o preço que temos a pagar pelo aumento da segurança. É realmente tranqüilizador saber que os governantes que temos terão poder de nos acompanhar a vida, metro a metro.

Os CDs com dados fiscais dos cidadãos, vendidos nas feiras brasileiras do Paraguai, agora poderão vir já com os roteiros da moçada, horários, locais preferidos, etc. Os paparazzi poderão comprar o código para rastrear celebridades. Sequestradores associados a empresas de vigilância poderão planejar mais profissionalmente seus ataques; políticos autoritários terão como vigiar mais de perto os inimigos, empresários pagarão o peso do concorrente em ouro para serem informados onde anda o carro do inimigo. É fascinante o universo de negócios que nos abre a tecnologia. Admirável, admirável, diria um velho escritor.

Lula, o Bonner e a Bernardes



Muito boa a mini-série do JN, com o simpático casal telejornal e os candidatos convidados à presidência (convidados ao jornal, digo, não à presidência).

O Alkimin apanhou como escravo fugido: levantava o rosto, vinha a Bernardes e lhe acertava um direto no queixo; olhava pro lado, vinha o Bonnner, e, ainda que gaguejando, lhe castigava um telefone nas orelhas. Um desastre. Já a Heloísa Helena bailou na bancada do JN, fez o que quis, dançaria o can-can se fosse dada ao gênero.

O Cristóvam eu não vi. E o LUla não foi poupado pelo casal. O Bonner até corrigiu o Homem, e disse que o escândalo do mensalão não foi resultado de investigação do governo, e sim fruto das denúncias do Roberto Jefferson. Interromperam o Lula, tocaram em coisa delicada, mas, realmente, nosso candidato-presidente é mais escorregadio que um polvo. E eu achava que o aplido era corruptela de Luiz Inácio.

Mas que estava nervoso estava. Chegou a dizer que a única coisa que continua caindo é o salário. Fiquei com medo de que começasse a vociferar contra esse governo neo-liberal, mas era só um lapso freudiano rápido, corrigiu-se e defendeu o governo.

Não faltou nem o "nunca nesse país", no caso, para dizer que nunca tanta gente foi presa no Brasil como em seu governo. Poderia também dizer que nunca nesse país se viu tanto petista envolvido em falcatrua, mas isso acho que não pegaria bem.

Coitado do Okamoto. Disse o presidente em rede nacional que lhe dará o calote.

Agora o que não entendi mesmo foi a menção feita pelo Lula, quando lhe perguntaram se não corremos o risco de ter, de novo, um presidente que não sabia de nada enquanto a corrupa vicejava em gabinetes próximos. Falou que não tem como saber o que ocorre na "secretaria de Estado da Agricultura do estado de São Paulo ligada ao ministério da Agricultura"...

A secretaria de Estado da Agricultura, que eu saiba, é ligada ao governo do estado. Se isso não foi alguma cabulosa mensagem cifrada para a paulistada da oposição, não deveriam ter servido ao presidente o aperitivo antes da entrevista.



Confirmada a previsão de que Fidel Castro deverá voltar ao poder em alguns meses.

Estão somente acertando os últimos detalhes técnicos com o embalsamador.


Na primeira posse do presidente colombiano, Álvro Uribe, as Farc infernizaram Bogotá e mataram 21 pessoas.
Na segunda posse, Lula mandou a mulher, D. Marisa, representá-lo.

E ficou em Brasília, onde assinou a lei para punir a Violência contra a Mulher. Não sei por que, mas não consigo deixar de buscar alguma ligação entre as duas coisas.





(crédito da foto AQUI)

Pobre Morandi

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Um amigo acredita que era uma exposição tapa-buraco, para cobrir a ausência covarde da exposição Erótica, cancelada pelo CCBB para Brasília, para atender a fundamentalistas excitados. A exposição de Morandi e naturezas-mortas italianas que passou pela capital e agora chega a São Paulo parece mesmo feita de carregação, para agradar o colecionador ou enganar a patuléia.

Vejo no estadão, de um crítico que admiro, uma derramada louvação da mostra, apresentada para os leitores incautos como o "melhor de Morandi". Uma meia dúzia de naturezas mortas, creio que três óleos e os outros, desenhos... Não, esse não é o melhor do Morandi. Nem mesmo os outros italianos que acompanham a mostra são momentos inesquecíveis daqueles artistas. Me senti um tupinambá recebendo espelhinho quando vi a mostra.

A quem estão enganando, pensei. E descobri, ao ler os jornais sobre a ida da exibição à Sampa. Fiquei com pena do Morandi, que merecia, sim, uma exposição mais ampla, de uma das mais sinceras e cativantes pesquisas plásticas da arte do século XX.

Quem viu a exposição que a Tate Modern exibiu, do mesmo artista, em 2001, com 63 obras espetaculares, sabe do que estou falando. Com os mesmos objetos, quase as mesmas composições, delicadas nuances de cor, fundo, formas, Morandi faz de um dos gêneros mais explorados, a natureza-morta, um manifesto conceitual, de delicada poesia e elaboração sofisticadíssima.

Seu candidato é peixe?

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Juro que não estava sem assunto, mas passei lá pelo Art & Letters Daily, socorro providencial de muito blogueiro sem inspiração, e mergulhei nessa matéria AQUI, sobre uma interessante questão científica: os peixes, bichos de sangue frio e outras esquisitices metabólicas, sentem dor? E, se sentem, têm consciência ou são, assim, meio autômatos?
A questão interessa especialmente a alguns ecologistas que querem defender de maus tratos as centenas de peixinhos cultivadas em criadouros. Claro que esses ecologistas estão no Canadá. Alguma coisa tinham de descobrir para passar o tempo.

Os cientistas, movidos por essa interessante campanha humanitária, digo, peixitária, descobriram que esses animais subaquáticos, como todos os seres vertebrados, têm dois tipos especiais de nervos, as fibras A-Delta e as fibras C. As delta-A nos permitem sentir impactos, como uma martelada no dedo (estou copiando o exemplo do Toronto Star, de onde saiu esse troço). As C dão a sensação de dano ao corpo, aquele doloroso latejar no dedão martelado, por exemplo.

O caso é que nós, mamíferos temos pelos metade dos nervos como fibras C, e, nos peixes, essas fibras enervantes chegam a uns 5% só. Daí por que os tubarões saem devorando o que encontram no caminho. Nunca terão dor de barriga com um vatapá mal calibrado, por exemplo. Os peixes certamente sentem dor. A questão é se a sentem como uma emoção; se, digamos, pode estragar um belo domingo deles lá submersos, não sei se me entende.

Não, esse Sítio não está vivendo um momento Jacques Cousteau. É que, lendo essa trivia interessante, cheguei à conclusão que há seguramente uma distribuição de fibras C na classe política mais para garoupa que para elefante.

Eles sentem os baques, claro, mas não é qualquer pancada que os faz paralisar as nadadeiras, ou mesmo prolongar o sofrimento refletindo sobre isso. Essa teoria também se aplica ao esquerdista no poder. Claro que nosso ex-trotsquista (é so um exemplo) sofre ao ver seus ideais na lata do lixo, adulterados seus compromissos com a melhoria da educação, dos gastos com dinheiro público, do atendimento de saúde à população. Sente a pancada. Mas dá uma rabanada, arregala os olhos e segue, coleante, o anzol do lobista mais próximo.

A gente achava que esse pessoal tinha sangue de barata. Nonada, sô. É nervo de peixe, mesmo.

O comandante me enganou

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Vejo chocado as notícias sobre a internação de Fidel Castro. Ainda estava sob o tranqüilizador efeito da entrevista que ele deu à televisão venezuelana, reproduzida pela reuters AQUI.

Numa livre tradução, intrpreto aqui a entrevista concedida pelo comandante, ao chegar em Córdoba para a inútil reunião do Mercosul:

_ Presidente, dicen que usted está enfermo, verdad?
_ Ho, ho, para nada, para nada. Una pequeña diverticulite, no más.

Há rumores de que convidaram o Antônio Brito para dar briefings sobre o estado de saúde do ilustre doente cubano. Mas se virem a Fafá de Belém embarcando para Havana, preparem-se para o pior.



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