outubro 2006 Archives

As conspirações na midia

| 5 comentários


Alguma razão terá o Estadão para não citar meu nome (ou, pelo menos, o do jornal onde trabalho) quando repercute o que escrevo no Valor _ o que fazem de vez em quando nos prestigiados editoriais da casa. Pena, trabalhei lá, gostei bastante, na época, e meus pais ficariam orgulhosos de ver meu nome nas menções do vetusto às minhas cascatas. Mas, hoje, extrapolaram, ao tentar, chutando, dedurar minhas fontes de informação. Está , na agência Estado, hoje:

"Na semana anterior ao prazo final, o vice-presidente boliviano, Alvaro Garcia Linera, enviou a Brasília um membro do governo (Héctor Arce), com o objetivo de dar um ultimato ao Brasil e informar que as Forças Armadas Bolivianas seriam usadas para a tomada dos campos de petróleo e gás. O governo brasileiro negou o ultimato, mas tratou de subir o tom com a Bolívia quando a história vazou para a imprensa.

A reportagem do Estado apurou que o vazamento da informação sobre a visita e o ultimato foi feito pela Petrobras. A companhia estava descontente com o tom brando do próprio governo brasileiro em relação às negociações. Achava-se acuada nas tratativas com as autoridades bolivianas. Ainda segundo uma fonte ouvida pelo Estado, a Petrobras avaliou que, após a reação do governo brasileiro, a negociação melhorou."

O "vazamento à imprensa" a que a agência se refere tem local e assinatura: é minha coluna, que revelou a visita do boliviano enviado a Brasília para dizer ao Marco Aurélio Garcia que eles interviriam na Petrobrás, se não houvesse acordo para o contrato de nacionalização dos mega-campos de gás, por lá.

A nota de hoje não me cita, mas arrisca apontar uma fonte do vazamento sem ter nem de perto consultado o autor da notícia. Ah, as delícias do jornalismo interpretativo!

A reportagem deste blogue apurou que o jornalista autor da nota da agestado não falou com ninguém que pudesse ter alguma idéia de quais as fontes que usei para escrever a coluna. Mas que fez uma intriga com a Petrobras, lá isso fez. A reportagem deste blogue aposta que o pessoal da agência deve estar tendo alguma dificuldade de obter informações exclusivas com as fontes da estatal.

Tem muito repórter assim no jornalismo pátrio: chama de "furo" a informação exclusiva que conseguiu, e de "vazamento" a publicada por outro jornalista.

O Bolsonaro do Terceiro Setor

| 6 comentários


Mais preocupada em fazer piadinhas homofóbicas com o recém-eleito deputado Clodovil Hernandez, a patuléia começa agora a perceber o que tem de doentio o quarto deputado mais votado em São Paulo. Em entrevista a uma rádio, disse que o 11 de setembro foi uma conspiração na qual participaram os judeus, desdenhou do holocausto e reclamou que um "crioulo, no sentido pejorativo" teve a petulância de atrapalhar sua chegada a Nova York. Já chegou levando processo nas fuças.

Ou seja, o Hernandez, que ganhou a tribuna parlamentar por seu comportamento folclórico, pensa em fazer sucesso na capital falando as mesmas barbaridades com que deve estar acostumado a deslumbrar dasluzetes e socialaites da alienada elite nacional.

Como bem definiu o analista político Miguel Leo, quando eu o deixava no colégio, hoje de manhã cedo:

_ Quem diria, o Clodovil, em vez de fazer discurso, resolveu repetir conversas de cabeleireiro...

O veneno do escorpião



Continua grande o poder de Jeanne Mary Corner na capital federal. Como se pode comprovar por essa submanchete, hoje, no periódico em que trabalho:

Proibidos vôos de jatinhos na zona de Brasília

Parece que as moças não estavam conseguindo trabalhar com tanto barulho de avião. Estragava o clima.

Do que precisamos para viver.

| 6 comentários

A melhor maneira de atacar uma idéia é pregar uma etiqueta nela. Uma vez atada desse jeito, a pobre idéia passa a tropeçar na etiqueta que lhe colaram, é impedida de se mostrar claramente, coberta e camuflada pelo rótulo que lhe altera a feição, e passa a vagar, trôpega e violentada, sem ter quem lhe dê ouvidos ou lhe preste atenção direito.

Isso acontece com o debate político, e virou praga na discussão sobre política externa, que acompanho por gosto e obrigação de ofício. Não há dia ou debate em que eu não ouça resmungos contra a política "ideológica" do governo. Como se as políticas do(s) governo(s) anterior(es) não fossem, elas também, ideológicas.

O pobre Cazuza (pobre porque hoje em dia não tem um tostão) já dizia que precisava de uma ideologia para viver. Isso porque, rebelde mas imerso na ideologia dominante, não atinava com maneira de ajustar o mundo às suas idéias. O que é, por si só, uma ideologia. Morreu, quem sabe, sem saber disso.

Na impossibilidade de fazer todos os interlocutores lerem Marx, Althusser que seja, Foucault ou Habermas, ou algum dos outros autores que trataram brilahntemente do assunto, e que não li mas estou citando para impressionar a audiência; e como não posso sugerir que leiam o singelo e informativo livrinho que roubei da Entrelivros na tenra adolescência, da polêmica Marilena Chauí, "O que é Ideologia", tento fazer com que, pelo menos, vejam lá na Wikipedia esse modesto mas bem feito artigo AQUI sobre o assunto.

E da próxima vez que discordarem de alguma idéia, que a ataquem com bons argumentos, em vez de tentar uma rasteira aplicando-lhe algum sofisma ideológico.

Um sujeito crismado, digo, carismático

| 2 comentários


Acredito fervorosamente em um futuro de amizade entre brasileiros e argentinos porque tenho a convicção de que, até o fim do século, a América Latina será integrada, e nós seremos, com eles, como paulistas com cariocas: conseguem até ser excelentes amigos uns dos outros, desde que não estejam em grupo. Conheço e prezo a amizade de dezenas de argentinos que são pessoas excelentes, espetaculares. O problema é o coletivo. Como os paulistas, diria um carioca. Ou os cearenses, segundo um pernambucano.

Dizem os cariocas, por exemplo, que paulista é gente sem graça, sem humor. Certamente, não conheceram o Oswald de Andrade, o Flávio de Carvalho, o Adoniran, o Laerte, o Angeli... E, seguramente, andaram trocando idéias com o Alckmin.

Mas nem tudo está perdido; o texto do Estadão de hoje, feito para revelar o lado espirituoso do candidato tucano mostra que, se perder a eleição, ele pode conseguir emprego no A Praça é Nossa: segundo o jornal, Alckimin aproveitou uma pergunta para falar jocosamente sobre diferenças de tratamento entre ele e e Lula: "Se fosse no Planalto ia ter aquele café maravilhoso... e aqui, por enquanto nada. É possível um café?" A platéia se dobrou em risadas e aplausos.

Mas o candidato estava, como diria ele mesmo, com a macaca. Teve, segundo o Estado, "outra sacada divertida" quando lhe perguntaram por que tinha se comportado como um Mike Tyson, agressivo, no primeiro debate, ele reagiu tal qual um stand up comedian: "o máximo que já tive, como aluno de judô, foi a faixa amarela". Chistoso, ainda falou de um antigo profesor: "Isso foi na minha cidade natal, a República de Pindamonhagaba". Como garante a hilariante matéria do Estado, Alckimin sabe mesmo fazer graça consigo mesmo: ao falar de preguiça, disse que a Lu Alckmin reclamou do controle remoto. "Minha mulher diz que eu não gosto de televisão, gosto mesmo é de ficar mudando de canal". Isso não é um candidato, é um estereótipo.

É de chorar. Perto desse cara, o José Serra é o Arrelia.

Midia não conspira, mas pode distorcer

| 8 comentários



O sábio Nélson Torreão um dia me mostrou estupefato como a gente vai ficando de cabelos brancos quando envelhece enquanto as mulheres, essas vão ficando ruivas. Ele também me deu, certa vez, uma grande lição: o grande problema dos jornalistas no jornalismo econômico não é desconhecer economia, é não saber aritmética.

Não acredito que esse seja o caso de um jornalista que admiro muito, um dos melhores repórteres do país, e que, na Folha, hoje, produziu uma reportagem capaz de desmoralizar todos meus esforços _ aqui nesse Sítio e nas caixas de comentários blogosfera afora _ contra a tese estúpida da conspiração de midia contra o líder mal informado e companheiro distraído Lula da Silva.

Vão dizer por aí que a matéria mostra como certos jornais são capazes de violentar a notícia para atacar o Lula. E, embora eu não concorde com a tese do jornalismo conspiratório, posso entender por que o texto publicado hoje dá margem a esse tipo de acusação. A matéria recebe o título "Reduto de Alckimin banca triunfo de Lula", e guardei, para dar exemplo em salas de aula sobre como se pode usar a estatística e as percentagens para distorcer a realidade, ou defender uma tese mal-ajambrada.

Um dos truques, ou erros mais comuns quando se usa percentagens em um texto é desconhecer que todo percentual é um número relativo. Dizer, por exemplo, que sou responsável por 100% dos acidentes no meu bairro pode significar que sou um desastre ambulante, se houve 300 acidentes nele; ou só expressar o meu azar de ter me envolvido no único acidente que tive, na minha vida, por coincidência também o único que jamais aconteceu na minha vizinhança. Trezentos ou um são quantidades bem diferentes, mas podem ambos ser 100% de alguma coisa.

A matéria que vou comentar faz malabarismos assim. Se eu gasto com imposto apenas 1% de meu salário, e você gasta 30%, eu posso, ainda assim, dizer que pago proporcionalmente mais imposto. É só eu ganhar tanto dinheiro que, em valores absolutos eu pague R$ 100 milhões e você ser tão pobre que sua merreca de salário gera só R$ 1 mil em tributos. Proporcionalmente à arrecadação total, eu pago mais, embora proporcionalmente à renda quem pague mais seja você.

Por isso que o Delfim Netto costumava dizer que, torturados, os números são capazes de dizer qualquer coisa. Quando eu dava aulas, dizia sempre aos pobres alunos (pobres por me terem como professor): desconfiem sempre das percentagens, são o capanga favorito dos sofistas e embusteiros.

***************************

Bom, volto ao assunto deste post. A tese da matéria é : quem paga imposto é a região rica do país, que vota em Alckmin, e esses impostos vão servir para pagar a bolsa família, que banca as famílias pobres eleitoras de Lula por gratidão pela ajuda em dinheiro.

Mensagem subliminar: Lula usa dinheiro dos outros, os ricos, para fazer populismo e ganhar apoio dos pobres. Ou: São Paulo carrega esse país nas costas, e os nordestinos elegem um presidente contrário a seus interesses com o dinheiro dos sofridos contribuintes paulistas.

Não vou entrar na discussão sobre a tese, ou sobre a ideologia implícita nela. Me atenho aos números e raciocínio usados para sustentá-la.

(Antes que a petezada comece a preparar bonequinhos de vudu com o nome do repórter, afirmo que, na pressa e correria do fechamento dos jornais, nem sempre se escolhem as melhores palavras, as melhores frases, e muito do que passa por sacanagem, nas teorias conspiratórias em voga, às vezes nada mais é que atropelo na escrita; e que considero compreensível que alguns repórteres, apesar de todo o cuidado com a imparcialidade, com a técnica e a ética, deixem escapar preconceitos e concepções ideológicas. Jornalista é humano, é falível, o que diferencia os sérios dos picaretas é a capacidade de reconhecer e corrigir os erros _ não a de não cometê-los, tarefa impossível)

Vamos aos números:

Logo no lead, o primeiro parágrafo, diz a matéria: "O peso regional da carga tributária mostra que ... Alckimin venceu no primeiro turno nos lugares onde se paga propocionalmente mais imposto no país. O presidente .... Lula... ficou na frente onde se paga menos".

O que esconde essa afirmação aparentemente factual? Ora, o texto não diz "proporcionalmente" a quê. Deixa implícito.

Os paulistas pagam mais impostos que os nordestinos? Digo, proporcionalmente à renda de cada um? A matéria não traz números que permitam afirmar isso. E, suspeito, como a tributação é altamente regressiva no país, os nordestinos devem pagar mais imposto, proporcionalmente à sua renda, que é mais baixa em relação ao resto do país. Os números da matéria se referem a carga, em cada Estado, "proporcionalmentre" ao total do país. Claro, a maior parte das indústras e da atividade econômica do país está no Sul e Sudeste, portanto lá está a maior concentração da renda nacional, e, por extensão, dos impostos pagos.

É curioso, em outra reportagem do jornal, da qual essa é complemento, usam-se os números absolutos, e não os proporcionais, para dizer que os sulistas e a turma do sudeste pagam mais imposto per capita. Nesse raciocínio, o jornal deixou de lado os percentuais, que sustentam todo o raciocínio da outra matéria, e usa só números absolutos.

Eu também alertava os estudantes contra essa prestidigitação: quando os números absolutos são pequenos, e a fonte quer nos impressionar, ela usa percentuais, que podem ser altos (a empresa vendia R$ 1 por dia, agora vende R$ 2, teve um aumento de 100%!), e vice-versa (quando o PIB cresce só 0,1%, ainda assim é um aumento de milhares de bilhões de reais).

A continha da matéria citada acima, para dizer que os sofridos sulistas pagam mais imposto é simples: pega-se o total de tributos pagos divide-se pelo número de habitantes. Claro que, numa conta dessas, os paulistas, mineiros, cariocas e flumineneses, gaúchos, catarinenses e paranaenses que concentram a renda nacional, sempre pagarão mais que o resto da brazucada.

Mas, e proporcionalmente à renda individual? Como o Sul e Sudeste concentram a riqueza nacional e o milionários do país, gostaria muito de saber se, apesar de pagarem mais em termos absolutos (em reais) se os habitantes dessas regiões não acabam pagando menos, em termos relativos, como proporção da renda que recebem.

Mas isso o jornal não conta, nem se interesseou em checar.

Pausa para a trova

| 4 comentários


(Sei, sei, estou devendo o(s) texto(s) sobre a Bienal. Já vêm, já vêm, estou ocupado agora, perdão). Mas...

O que você faz se tem um blogue e o programa de edição faz uma confusão danada com os acentos, se recusa mesmo a grafar tils, circunflexos e agudos?
A Christiana Nóvoa fez um sarau. AQUI.

Bolivia atropela a Bienal

| 5 comentários

Sei que estou devendo as notas sobre a Bienal. Estão a meio caminho, mando já. Enquanto isso, cubro a ausência com a última da Bolívia. Bom, a penúltima, já que é o que escrevi na minha coluna de hoje, no Valor:

Em viagem secreta, um emissário do ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramon Quintana, esteve no Brasil, na quinta-feira, para entregar um ultimato ao gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: as operações da Petrobras no país sofrerão intervenção do governo Evo Morales na próxima semana se a empresa não aceitar o acordo proposto pelos bolivianos para o novo contrato nas atividades de exploração de gás no país. As negociações, que pareciam avançar até duas semanas atrás, azedaram, e muito, o que cria sérias incertezas sobre o futuro da Petrobras na Bolívia.
A missão do enviado de Quintana - que equivale ao ministro da Casa Civil, no Brasil - previa um encontro com o assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, em São Paulo. Consultado pelo Valor, Garcia negou o encontro. O boliviano voltou a La Paz na sexta-feira, porém, com a missão cumprida de dar o recado ao governo brasileiro.
O pedido de encontro secreto feito por Quintana chegou a alimentar esperanças de que, confidencialmente, longe da pressão do público interno, o governo Evo Morales se disporia a discutir um acordo mais favorável aos interesses brasileiros. Bem ao contrário, os bolivianos reafirmaram que estão decididos a fazer cumprir o prazo fatal para a assinatura dos novos acordos com as empresas de exploração de gás e petróleo. O prazo é de extrema inconveniência política: expira neste sábado, véspera da votação do segundo turno das eleições brasileiras.


O resto da história, AQUI.

O ministro de Minas e Energia já está comentando o assunto nesta segunda, com óculos cor-de-rosa, AQUI.
Mas quem sabe das coisas, já começou a falar grosso.

| 4 comentários


E o debate no SBT, hein? O Alckimin, mais objetivo, sereno, falando do futuro, claramente ganhou... segundo os eleitores do tucano.

Já, para os petistas, Lula, mais agressivo, se deu bem e foi o vitorioso, expondo as deficiências do adversário, que também ficou na defensiva, obrigado a defender o governo FHC.

Consultei o Oliveira, o canalha da redação, e ele acredita que não tem outra avaliação possível: com a firmeza demonstrada no controle do tempo dos candidatos, sem perder a simpatia, mas com muita segurança, que matou a pau foi a Ana Paula Padrão.

"No próximo debate, ela deveria ir de chicote e salto agulha", sugere o Oliveira, revirando os olhos.

O Evo viu a vaia

| 2 comentários


Quem só vê as coisas em preto e branco terá cada vez maior dificuldade em entender o que se passa na Bolívia, porque lá tem índio (aliás, no Brasil também, e eles não estão sendo levados em conta no programa de combate à discriminação racial preparado pelo governo, mas isso é tema para outro texto. Voltemos à Bolívia indígena).

O Evo Morales, por exemplo, chegou ao poder como líder cocalero, certo? Brigou com os EUA contra os planos de erradicação das plantações de coca, e coisa e tal. Pois agora está enfrentando com o pulso firme uma manifestação de cocaleros que não se conformam com os planos do governo boliviano, de controlar e reduzir as plantações da folha sagrada dos incas. Saiu até sangue na história. AQUI.

Alias, entre o palácio de governo em La paz e a Casa Branca, nada mais há que veneno e farpas, certo? POis leia isso AQUI.

Bonita camisa, Geraldinho

| 7 comentários


Vê-se que nasceu para usar esse boné, não é mesmo?

O Alon Fewairuwqbcbyquer, que é jornalista mais culto que o dono deste Sítio, logo lembrou do candidato democrata Michael Dukakis, que concorreu contra o Bush pai, no século passado. Acusado de ser um banana em matéria de defesa, Dukakis buscou inspiração em uma bem-sucedida foto da Margareth Tatcher, e se deixou fotografar fantasiado de soldado, em um tanque de guerra.

Ficou tão desajeitado, com um capacete o-defunto-era-maior e cara de quem nunca havia chegado perto de situação semelhante, que o adversário usou a foto na campanha dele, Bush, com grande êxito, para mostrar que um cara desses à frente das Forças Armadas dos EUA desmoralizaria a tropa. (Depois, Bush perderia para o Clinton, que também se deu mal por causa de um canhão, mas isso é outra história).

As fotos de hoje, até na primeira página do Estadão, mostrando um Lula abrindo-se em risadas ao lado do constrangedor instantâneo acima valem mais que mil Datafolhas.





Alckmin, pára por aí, antes que te façam cortar um dedo.

Que tipo de barbudo vem aí pela frente?

| 3 comentários


Lendo sobre o complô da midia burguesa todo dia, começo a acreditar que faço parte da conspiração, até porque noto que tenho plantado um número bem grande de críticas ao atual governo da Nação (com cacófato, por favor) neste pobre Sítio.

Fiquei convencido de minha irremediável filiação à Internacional Capitalista Neo-liberal ao me pegar lendo, com gosto, por sugestão do Hermenauta, essa excelente matéria AQUI do New York Times _ jornal de oposição ao Bush, mas certamente execrado pela esquerda anti-grande imprensa. Digam o que resmungarem, esses americanos _ digo, estadunidenses _ sabem fazer jornalismo, quando querem.

Para quem não lê inglês ou tem preguiça de mudar de página, resumo: o Jeff Stein aproveitou entrevistas várias para fazer uma perguntinha simples às autoridades dos EUA, responsáveis pela administração da relação do Império com o Iraque: qual a diferença entre sunitas e xiitas?

Diz o Stein: pode parecer uma pegadinha, mas é uma verdade insofismável de que, em qualquer guerra, é preciso conhecer o inimigo; e se o que está rasgando o Iraque ao meio é exatamente a disputa pelo poder entre xiitas, apoiados pelo irá e o Hizobolla, e os sunitas, ajudados pela Arábia Saudita, mais que justo é se preocupar em saber a diferença entre os barbudos que, de vez em quando, entram em conflito bombástico lá na antiga Mesopotâmia, com sobras explosivas para um ou outro marine desavisado.

O fato é o seguinte: pouca gente, seja no FBI, seja no Congresso, seja na Casa Branca, soube dizer ao Stein a diferença. E tome bomba.

Que eles nunca entrem em guerra com o Chávez; é capaz de acabar sobrando para a capital da Venezuela, que, como todos sabem em Washington, fica em algum lugar perto de Mato Grosso.

*******************

E o Alckmin, quando diz que quer largar a ideologia e estreitar as relações comerciais com os EUA, também parece desconhecer fatos básicos sobre o que está falando; a alternativa aparente ao que o governo brasileiro já está fazendo seria ressuscitar a Alca, nos termos em que o FHC já dizia inaceitáveis.

Isso sim é que é ser xiita. Ou sunita, sei lá.

As delicias do modelo chines

| 6 comentários


Aos que se queixam do atraso do Brasil em relação à China, pergunto se querem comprar o pacote inteiro. Falo de detalhes da gestão do milagre chinês, como essa aqui, que recebi do Conselho Empresarial Brasil-China:


China exercerá controle sobre venda de informação pela imprensa
estrangeira


A fim de conter a disseminação de notícias que “ameacem a estabilidade econômica e social da China”, o governo anunciou uma nova legislação que regula a atuação da imprensa internacional no país. A nova lei, que entrou em vigor imediatamente após seu anúncio, impede que serviços de informação, elaborados por agências de notícias estrangeiras instaladas no país, sejam vendidos diretamente a clientes locais que incluem instituições financeiras, corretoras e sites chineses.

A legislação afeta diretamente grandes agências internacionais de notícias, como Bloomberg e Reuters, que até então não sofriam controle relevante com relação à venda de informações sobre o mercado financeiro chinês para instituições locais. Desde 10 de setembro, data do pronunciamento, o governo pode revogar a licença de empresas que comercializem informações que possam “comprometer a ordem” no país.

Empresários estrangeiros do setor afirmam que a nova legislação busca incrementar receita da imprensa estatal chinesa por meio do aumento das vendas de informações sobre negócios, economia e finanças locais, um ramo em franca expansão no país. No primeiro semestre de 2006, a Reuters registrou crescimento de 17% em sua receita na China em relação a 2005, valor superior ao aumento observado em todo continente asiático, de 7%, no mesmo período.


A principal beneficiada com a medida deverá ser a agência estatal Xinhua, maior do país. Segundo analistas do setor, o governo chinês tem planos para transformar a Xinhua em uma agência com inserção internacional e responsável pela disseminação de estatísticas e informações sobre a China pelo mundo.


Empresários dos Estados Unidos e da União Européia condenaram a decisão de Pequim e, em diferentes notas, afirmaram que se trata de mais um desrespeito às liberdades civis no país. Organizações internacionais, como a Human Rights Watch e Repórteres Sem Fronteiras, também demonstraram insatisfação e declararam duvidar que a China cumpra promessa de garantir liberdade total da imprensa até as olimpíadas de 2008.

O governo chinês analisa agora uma outra proposta de lei que pode proibir a publicação de notícias sobre desastres naturais e situações de emergência sem prévia autorização estatal. Nos últimos dois anos, ao mesmo tempo em que se intensifica a entrada de companhias estrangeiras de comunicação no mercado chinês, são crescentes as tentativas do governo de garantir seu controle sobre a circulação dessas informações dentro da própria China.


O pior é que, quando leio as diatribes na blogosfera contra a "conspiração da midia", chego a pensar que é esse tipo de coisas que a turma defende...

Barulho no fundo do quintal

| 2 comentários


Podem chiar na América Latina, mas a região continua sendo o quintal dos Estados Unidos. É o que diz a Reuters, que termina o artiguinho citando o comentário do presidente-candidato cá da terra, em que ele diz que não teria havido Guerra no Iraque se George Bush tivesse o bom senso de um Luiz Inácio Lula da Silva.
Até líderes moderados na região revelam o ressentimento anti-americano de vez em quando, conclui, condescendente, a agência de notícias.
Será que nem lá em cima levam mais a sério o que diz o Lula?

Que, aliás, já começa a ser pego em contradição. Duas semanas após dizer que não conversou com Berzoini sobre o assunto, disse, na TV Cultura, que demitiu o petista porque pergunou a ele sobre o dossiê e não teve resposta satisfatória. Continuo rezando para que não se realize meu pior pesadelo.

A seguir, mais bienal

A interessante história dos dinamarqueses que brigaram com a Ambev e constrangeram a Bienal. Não perca.

O drama da esquerda com o sapo aloprado

| 6 comentários

Quem diria que, um dia, a esquerda iria pregar o voto útil... no Lula. O Quidnovi, site de meus amigos Tales Faria e Ricardo Miranda, traz um interssante artigo do Cid Benjamim, candidato derrotado a deputado estadual pelo PSOL, em que ele critica a direção do partido (é, o PSOL já está brigando por causa de decisões autoritárias dos dirigentes) e defende o voto dele no Lula. Um bom retrato dos dilemas de certa esquerda.

Diz o Cid:

"O segundo turno entre Lula e Alckmin deixou o PSOL, assim como os demais críticos do PT pela esquerda, numa situação difícil. Se o que se imputa a Lula e ao PT é o fato de eles terem se tornado muito parecidos com os tucanos – na política e nos métodos - o que fazer diante da situação criada?
Já dia seguinte à eleição, Heloísa Helena descartou o apoio a qualquer dos dois candidatos e "liberou" os eleitores do PSOL para que votassem como bem entendessem. Posteriormente, uma reunião da Executiva Nacional do PSOL confirmou a decisão e foi além, proibindo a filiados manifestações públicas de apoio no segundo turno.

Algo deve ser dito a respeito dessas posições.

Em primeiro lugar, soa como desnecessária e redundante a "liberação" do voto dos eleitores do PSOL no segundo turno. Afinal, desde quando o voto de um eleitor, mesmo que ele seja simpatizante de um partido, não está liberado?

Há, ainda, outra questão, mais importante: deve um partido político eximir-se de uma posição clara, numa situação como a que vivemos? Não é natural que seus eleitores e simpatizantes (mesmo livres para votar como bem entendam), esperem dele uma orientação?

Em terceiro lugar: a posição adotada por Heloísa e pela Executiva do PSOL não retira o partido da cena política, deixando-o numa postura passiva, sem qualquer interferência no processo eleitoral?"

O resto do artigo, inclusive a cacetada na Heloísa Helena, está AQUI.

Estivemos na Bienal!!!!!!!



Mergulhei de cabeça. A Marta chegou a levitar com algumas das obras e idéias lá. Dá uma preguiça, só em pensar o quanto gostaria de escrever sobre a exposição...

Enquanto tomo coragem, uns comentários:

1.Decididamente, esse modelo de Bienal é uma coisa dinossáurica. Uma grande feira, em que milhares de pessoas sem idéia do que seja a arte contemporânea tomam contato com centenas de obras e saem sem ter idéia do que seja a arte contemporânea.
Mas em que marchands e curadores tomam contatro com o que se está fazendo de novo, conhecem e apostam em artistas estreantes ou ressurgentes; e artistas podem enriquecer seu repertório de idéias e linhas de trabalho.
O mundo da Arte odeia o didatismo, mas ainda acho que ele faz uma falta danada. principalmente quando vejo na televisão as reportagens rasteiras em que algumas mocinhas levam para um público perplexo com a arte contemporânea depoimentos de pessoas.. perplexas com a arte contemporânea.

2. Acho que esta é a exposição com a maior manifestação de um fenômeno comum no exterior e raro no Brasil, a arte vinculada a propostas de ativismo social.
Não falo da execrada "arte engajada", ou da arte panfletária _ da qual há até exemplos berrantes, como o abominável vídeo da Minerva Cuevas, em que um sujeito fantasiado de Ronald Mc Donald banca o capitalista selvagem em uma loja do... McDonald´s. Ela diz que seu propósito é mais estético que político. Nessa eu boiei.
Há vários grupos artísticos em que é totalmente borrada a fronteira entre arte e militància política, como no Superflex, que, ao descobrir o monopólio da Ambev na compra de guaraná da Amazônia, passou a comprar a fruta dos agricultores e fabricar um guaraná alternativo; ou a Eloísa Cartonera, que compra papelão catado nas ruas e, com os catadores, fabrica livros de autores consagrados (gente como Ricardo Piglia e Jorge Mautner cederam direitos autorais) que são vendidos informalmente. Mas isso é tema para o próximo post.

3. León Ferrari é genial. Não conhecia o artista argentino, que também é tema de uma mostra espetacular na Pinacoteca de São Paulo. Esse é o artista-ativista à moda antiga. Polêmico, censurado, criativo, desbravador. Ele tem esculturas, pinturas e outras peças fenomenais, mais de acordo com o que o público leigo espera de um "artista", mas também obras conceituais de um humor corrosivo. Uma de suas obras, feita em grupo, consiste em cartas ao papa João Paulo II, para reivindicar a extinção do Inferno, já que a Convenção dos Direitos Humanos e os acordos internacionais contra a tortura proíbem tormentos físicos ou morais com o intuito de tirar confisões de alguém. Ora, a idéia de inferno nada mais é do que isso. E, argumenta o Ferrari, como poderão ser felizes as boas almas no Paraíso, se amigos, parentes, entes amados pecadores são submetidos a terríveis torturas nos eternos calabouços do Demo?

Nesta semana, teremos Bienal neste Sítio. É uma ameaça.

A última do japonês

| 4 comentários


Não foi só o artigo do tucano Rubem Barbosa sobre política externa, hoje, no Globo e no Estadão não. A cada dia me convenço que não há diferença substancial entre uma candidatura e outra, a não ser pela retórica e um ou outro detalhe. Agora o economista do Alckmin vem e parece até que incorporou uma Maria da Conceição Tavares: defendeu controle da cotação do dólar, dos fluxos de capital especulativo, deixou a turma da economia liberal toda empolada.

É claro, o comando de campanha vai desmentir, negar, quem sabe tirar o Yoshiaki da reta para um ministério, aonde ele se dirigia de olhos fechados _ com o perdão pelo pleonasmo.

Quem diria que a campanha do Alckimin ia entrar pelo Nakano...


*****
A turma da Economia da PUC, que já se via largada na beira da estrada pela tucanagem, está jubilosa com essa bomba atômica do mais cotado uspiano da banda alckimista.

Enredado nos nós da rede

| 2 comentários


Costumava receber um e-mail de um sujeito hispanohablante e pretendente a seminarista, que me confundia com um tal padre Sérgio. Isso parou há algum tempo; acho que o jovem encontrou sua vocação. Ou o padre, que lhe deu o e-mail certo.

Hoje recebo outro e-mail misterioso da bluegosfera, aparentemente da Argentina. É curioso, porque aparece em uma semana na qual meu filho Miguel se encontra em viagem de férias e hedonismo na Bahia:

From: Guillermo Candel
Subject: LLamado TEDate: Tue, 10 Oct 2006 10:12:02 -0300
Sergio cuando lego a casa tipo 16.00 hs hablamos con Miguel.
no me respondas a este correo.
Chauuuu
Yanni


Mostrei as conincidência para a Marta, e ela acha que temos aí mais que um engano, um belo começo de novela.

O que têm os dois a dizer para o tal Miguel? Por que o meu homônimo não deve responder à mensagem? Por que o Gullermo se assina Yanni? E em que seuis planos terão sido afetados pelo erro no envio do correio? A falta de um "l" em llego será pressa ou falta de conhecimento ortográfico de Gullermo?

E, afinal, de onde saiu o dinheiro que pagaria o dossiê contra o Serra?
O que há no tal dossiê?

Mundo confuso, esse. A Marta acha que devo avisar ao Gullermo do desvio da mensagem, para evitar problemas com o Miguel. Eu acho que deveria é avisar ao Miguel que Sérgio e Guillermo estão tramando algo. Mas, a essa altura, o Yanni já deve ter chegado em casa e ligado para ele, sem que Sérgio saiba, e isso poderá estragar tudo, seja o que for.

Pretendo me dedicar a esse problema, nos próximos dias. É mais fácil, e divertido, do que decidir em quem votar, no segundo turno.

Pausa para o cafezinho

| 6 comentários


JazzTimes - U.S. Bank St. Louis Jazz Festival -- linoleogravura - S Leo (sim, eu mesmo, por que?)


Eu já disse neste blogue que Lula ganharia no primeiro turno. Cheguei a apostar. Claro, era só um sintoma de que, como comentarista político, sou um excelente crítico de teatro. Mas, pelo menos, não cheguei à temeridade do excelente Ilimar Franco, que fez uma aposta cabulosa a cumprir em praça pública ( o decoro me impede de detalhá-la) caso houvesse segundo turno, dada a conjuntura da época. Ninguém previa a ação dos aloprados da churrasqueira palaciana.

É sem autoridade nenhuma, portanto, que me arrisco a comentar o debate entre os presidenciáveis. Lula foi péssimo, chegou a insistir canhestramente no tema do Aerolula, e, ao comentar a política externa, deu declarações capazes de arregimentar uma catadupa de votos... na Bolívia e no Paraguai. O Alckimin surpreendeu pela segurança, e pela agressividade, facilitada porque era Lula quem estava na berlinda. Mas me passou uma imagem de sujeito bem treinado para o debate (em contraste gigantesco com Lula, que nem parecia ter sido preparado para se defender de acusações mais que previsíveis). E continuo sem saber como seria um governo Geraldo.

De acordo pesquisa imparcial realizada pelo Dataleo entre conhecidos e circunstantes, Lula ganhou o debate. Isso, segundo os lulistas pesquisados. Para os geraldistas consultados, quem ganhou foi o Alckimin.

Como esse Sítio não é lugar para essas baixarias, comento apenas a maravilhosa definição de Lula, a respeito do adversário: "esse Alkimin é como um delegado de porta de cadeia". Conheço advogados de porta de cadeia, chicaneiros, de caspa e gomalina. Mas xingar alguém de delegado de porta de cadeia, isso nunca se fez nesse país. Ou seja, nunca na história desse país.

Vai ver é alguma metáfora nova.

As pedras no sobrevivente

| 14 comentários

O repórter americano Joe Sharkey, que escapou no acidente entre um Legacy e um Boeing da Gol, é coisa à pampa; já denunciou a comercialização da psiquiatria no sistema médico americano (só por isso ganha minha admiração), fez matérias desmascarando um assassinato que se transformou em caso clássico de racismo; e hoje escreve artigos espertos sobre viagens aéreas e hospedagens, uma espécie de bela aposentadoria da reportagem (repórter que é repórter se aposenta trabalhando).
Ele tem também um blogue, onde fez uns comentários meio bobos sobre ter aterrissado em uma base meio secreta na Amazônia, e disse que está muito precupado com o destino dos pilotos que o acompanhavam, agora retidos no Brasil.

Com o comentário, virou o vilão que alguns precisavam. Saiu na Folha o comentário, que li, hoje, no Correio Braziliense, e ele passou a receber visitas da brasileirada no blogue lá dele, com xingamentos e uma discussão curiosíssima, em que foi obrigado a apagar algumas intervenções, AQUI.


2º Clichê: A discussão sobre o tema corre na Internet, e aproveito para roubar um comentário do Bear, posto lá no Alex Castro, só pela provocação:

De um jeito ou de outro a maioria dos comentários de brasileiros tem sido contra os pilotos americanos e não contra o controle aéreo brasileiro, por exemplo. (antes que me apedrejem ou defenestrem, eu acho que ambos tem parte da merda toda. Estou só comparando as diferenças de postura entre nós e eles). Aliás, o controle aéreo brasileiro usa tecnologia Raytheon, americana, se não me engano. Essa porcaria custou tão caro e ainda tem pontos cegos?

É com você, Cindacta.

A dança das urnas

| 1 comentário


Desapontadora, a derrota do deputado Delfim Netto, que não conseguiu se reeleger em São Paulo.
A bancada governista perde, assim, um de seus parlamentares mais à esquerda, uma das figuras mais ativas, ultimanete, no campo progressista..

Na redação, a contabilidade da reeleição de envolvidos em escândalos; um dos motivos, aliás, pelos quais os filósofos gregos tinham pavor à democracia. Na ala dos consagrados pela Lei de Betti, nas urnas, voltam Collor, Maluf, Genoino, José Mentor, Palocci, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Netto, Vadão Gomes ...

_ Ih, a Ângela Guadagnin também dançou! _ comenta a Mônica.
_ Ué, qual a novidade, ela dançou mesmo, há tempos... _ responde, rápido, o Arnaldo Galvão.



sitio do sergio leo

últimos comentários

Add to Technorati Favorites