
Da minha coluna, hoje, no Valor:
É mais que precipitado afirmar que os Estados Unidos saíram mais protecionistas das eleições da semana passada, em que os democratas ganharam maioria no Senado e na Câmara, carregados pela onda de impopularidade do governo George Bush e de denúncias contra os republicanos. A política comercial dos Estados Unidos, tal como vem sendo executada, é fruto de forças além dos partidos, ou, como disse a própria representante comercial da Casa Branca, Susan Schwab, em conversa telefônica, na sexta-feira, com o ministro Celso Amorim: é "bipartidária".
Schwab, na prática a ministra de Comércio Exterior dos EUA, não disse uma novidade. Ela própria, na última visita ao Brasil, já havia antecipado que, fosse qual fosse o resultado eleitoral, pouca coisa mudaria na política comercial americana. Por isso os radares em Brasília captaram sem muita emoção a manifestação das urnas nos EUA, concentrados que estão em identificar outro movimento muito mais relevante: a discussão para a nova Lei Agrícola americana, a Farm Bill, a ser apresentada e votada no Congresso no início de 2007. O lobby agrícola é que preocupa o governo brasileiro, e com razão.
Nesse campo, as notícias das últimas eleições não são nada promissoras. É do setor rural que sai a maior pressão contra maior abertura comercial americana e esse lobby não tem partido, como reconhece implicitamente o Executivo dos EUA.
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