Adeus Anos Velhos

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Vejo o excelente documentário sobre a Elis Regina na TV Globo (e aqui, pausa para a ressalva: excelente em se tratando de coisa para tv; tem boas dramatizações, belas cenas de época, bons depoimentos, revelações do Gilberto Gil e do Milton Nascimento, ambos se dizendo apaixonados, no sentido de tesão mesmo, por ela; mas tem também omissões vergonhosas: não fala que a diva morreu de overdose, não conta como ela adquiriu aquela extraordinária técnica vocal, não explica por que não parecem depoimentos dos ex-maridos _ o Boscoli, tudo bem, já morreu; mas onde estava o César Camargo Mariano? E a apresentadora, aquela moça que era modelo e virou atriz de novela e que nunca me lembro o nome, ganha o Kikito de roupa mais inadequada para apresentadora. Que shortinho era aquele, meu Deus?).

Elis é daquelas cantoras que marcam, a história, cantam a trilha sonora da nossa vida.

Vim trabalhar, no último expediente do ano, ouvindo os CDs da memorável caixa editada pela Velas em 1994, com as gravações salvas pelo Zuza Homem de Melo, dos programas da TV Record, O Fino da Bossa, que ela apresentava, desde os 20 anos (!). O dado concreto é que nunca nesse país se fez coisa tão boa em matéria de música popular brasileira, como diria o Lula, se não preferisse os sertanejos que agora povoam a página da Velas (onde não se acha link para o CD memorável dO Fino da Bossa). O CD nº 1 tem um Dorival Caimmy acelerado, inacreditábvel; dizem que Vinícius terminou ainda no estúdio a letra de Canto de Ossanha...


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Quando falo de trilha sonora da nossa vida de quarentões, lembro O Bêbado e a Equilibrista, de que nem gosto muito, mas que é tão grudada às lembranças dessa época quanto os discursos do Brizola e o livro Que É Isso Companheiro, do Gabeira de tangas de crochê. No documentário sobre a Elis aparece lá o Betinho, quando ainda era o irmão do Henfil e não o inspirador do Fome Zero (que sumiu e virou Bolsa Família, é? Ah, é, fazer o quê).

O Betinho é, para mim, um daqueles personagens históricos que cruzam sem perceber pela nossa vida, e também sem notar viram personagens dela. Figuras de primeiro plano na História, sustentam uma figuração em nossa historinha pessoal.

(na família, conta-se a história da tia que, mineira, postou-se entre as macacas de auditório do programa de Ary barroso no rádio _ a história é antiga _ e, ao ver possar o ídolo, pôs-se a berrar: "Ary! Ary! Eu também sou de Ubá! Eu também sou de Ubá". Ary parou, olhou a dona com seu ar mal-humorado, e a brindou com sua atenção de estrela: "E eu com isso, minha senhora?")

Deu-se que a Marta conhecia muito o Betinho, lá pelo início da década de 80; já naquela época ela mostrava o excelente _ e raro _ trabalho jornalístico com políticas públicas que marca a reportagem dela até hoje, e, quando eu disse que até casaria na Igreja, mas só se o padre fosse comunista, foi ao irmão do Henfil que ela recorreu para pedir uma indicação. E o Betinho arrumou um padre comunista para que eu casasse na igreja do palácio da Guanabara, o templo mais baratinho para casamentos naqueles tempos bicudos (falava-se em tempos bicudos naquela época).

O que a gente não sabia era que a igreja já tinha um padre, que não admitia ceder as luzes da ribalta para outro religioso, e que as regras do Palácio Guanabara quase impediram o noivo de ir ao próprio casamento. Mas isso é outra história, e vocês não estão interessados mesmo, né?

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Antes eram Elis e Jair Rodrigues; hoje temos Sandy & Júnior...

quanta bobagem a gente fazia...eu sou cinquentona mas também andei caçando padre comunista pra cometer o casamento na igreja senão minha mãe tinha um troço (falava-se isso na época). O que foi legal é que um ano depois de mim ele (o padre) tomou coragem e casou também :)Feliz 2007!

Onde assino, meu amigo?Vi o programa e concordo com tudo o que escreveste. Sobre os CDs da Velas: minha ex-mulher demitiu uma empregada, enquanto vivíamos juntos. Como vingança, ela, a empregada, que era muito musical, levou TODOS os CDs do Fini da Bossa. Oh, Beatriz, onde está você com meus CDs, porra?Feliz 2007 com dinheiro, sexo, saúde, amor e risadas.(Fernanda Lima?)

Foi bom mesmo o programa, de dar saudade, de emocionar! mas podia ter sido ótimo, pois faltaram umas verdades ali, pessoas e historias. podiam ter posto outra apresentadora tbem, hein? essa Fernanda Lima é linda, mas força demais o sotaque. nós aqui no sul percebemos melhor, isso a deixa mto irritante... no mais, Feliz 2007 a todos!

Salve, mestre Sergio.Trabalho numa das ONGs fundadas pelo Betinho. Não cheguei a conhecê-lo pessoalmente, mas o tempo todo ouço histórias e anedotas dele. Embora suas aventuras com o padre comunista sejam novas até para mim!Abraços e bom ano novo!

O meu padre comunista fez um sermão de fazer cochilar até os mais carolas, maray. Uma empregada chamada Beatriz, que fugiu com o Fino da Bossa? Ela também não treve parte na sua separação, Milton? Parece personagem de letra de música do Chico... Paula, o prio da Fernanda Lima não é o sotaque (eu que sou carioca confesso que nem percebi), mas a pinta de apresentadora da MTV num programa que é o antípoda daquilo lá. Grande Santoro, nem o Betinho, se vivo, se lembraria dessa, acho...Feliz Ano Novo para todos vocês e todos os que me honraram com visitas a esse Sírio no ano que já é passado!!!!!

não vi, mas todo mundo comentou. parece ter sido bom mesmo.eu tava vendo NACHO LIBRE - que, aliás, deve ser visto por todos.:>)



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