Confesso, mesmo de férias, tenho lido os jornais diariamente. Aceitei convites para conversas com diplomatas de Portugal e do Japão, e falamos sobre Mercosul, Venezuela e política externa. Quase liguei para umas fontes para saber de coisas que não consigo encontrar nos jornais.
_ Compreendo, meu filho. Reze três Ave marias, dois Credos e um pai nosso. Eu te absolvo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
_ Obrigado padre.
Mais aliviado, volto às páginas. Vejo que o Gabeira diz só encotnrar putas, lobistas e deputados ao sair à noite em Brasília. E depois dizem que puxar um baseadinho regularmente não provoca nenhuma seqüela. Ora deputado, é só deixar de freqüentar o Piantella e as boates de má fama onde os amigos devem estar levando vossa excelência e o companheiro Jungmann. Ontem, parece, Gabeira foi pedir desculpas ao governador Arruda. Francamente deputado, devia pedir desclpas aos moradores da cidade, que o acolhem com simpatia, e não se dedicam nem ao nobre ofício da política, nem à trabalhosa tarefa das "relações governamentais", muito menos às suadas lides do meretrício.
Uma das babaquices nacionais é esse rancor contra Brasília, que até entendo no Rio de Janeiro (esepcialmente em alguns círculos, os dos cronistas políticos sem coragem de deixar a praia e o de muitos burocratas vagabundos que conseguiram manter suas prebendas no balneário, de onde maltratam os pobres necessitados de serviço público). O que há de podre em Brasília costuma voltar, às quintas-feiras, aos Estados de origem, em todo o Brasil, e regressar à capital na terça. Não estou falando apenas do legislativo.
Reconheço, temos nossa própria safra de bandidos na política local, como em qualquer grande capital. Mas a cidade, com pouco mais de 40 anos, tem uma vida própria, da qual o rock espalhado pelo país é só um indício ruidoso.
Há, em termos absolutos, menos funcionários públicos em Brasília que no Rio, e seguramente menos desvio de dinheiro público que em São Paulo. Falar mal da cidade quando se quer desmoralizar os políticos é fugir à conversa séria, não discutir por que tanta gente de péssima categoria é enviada para representar a sociedade no Distrito Federal, a cada legislatura.
E não venham me dizer que numa outra cidade haveria mais povo para cobrar dos políticos. Pelo que vejo nas assembléias legislativas nas capitais do país, o que haveria é uma fila maior de gente pedindo alguma sinecura aos deputados disponíveis.
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Mas prometi a meu padroeiro, São Sarapião, fechar os olhos à dura realidade nacional e internacional nesses frescos dias de férias (encargos trabalhistas que empatam o desenvolvimento, segundo os economistas com colunas de jornal). Queria apenas consultar meus 300 leitores deste Sítio (ou os cinco que ainda comentam por aqui) sobre uma dúvida que me assalta, enquanto eu e a Marta folheamos os diários do país. Vejo um título da Folha, que me chama atenção, na página C4:
Técnicas de motivação
acabam com xixi na cama
Pelo que entendi do título, os métodos de auto-ajuda podem se esgotar e ainda provocar incontinência urinária.
A Marta discorda.
Eu devo estar errado como sempre.
janeiro 2007 Archives

Estou aproveitando essas férias para fazer uma profunda autoanálise, como se pode ver no registro acima. Após um dedicado esforço de perscrutação de minha própria alma, recorri à teleradiografia que comprovou a sobrevivência de fumaças de esquerda em meu cérebro esvaziado pela prática contínua do jornalismo. Estão lá, recalcadas no fundo do crânio, mas ainda capazes de inspirar uma sombria consciência social.
Como se nota também, na imagem, uma parte dessa fumacinha percorre a caixa craniana e se deposita na fronte, onde certamente é a responsável pelo meu sexto sentido. O sentido anti-horário, acho, a julgar pela minha crônica impontualidade.
Podem dizer o que quiserem, lamentarem o repentido cabotinismo que acometeu este Sítio, mas nunca um blogueiro revelou tão claramente o que tem na cabeça como estou fazendo nesse post (pena que não seja em cores). Deveria receber algum reconhecimento, mas não o espero, já me acostumei. A modéstia, afinal, é uma de minhas inúmeras qualidades.
"Honestamente, eu não sei", disse o político quando lhe perguntaram se não sabia agir de outro modo.
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Quando se quebra o silêncio, é possível recolher os cacos?
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Posso cobrar pelo uso da imagem, quando ela aparece no espelho dos outros?
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Regrinhas de certos manuais de redação: suspeito é o sujeito que já podemos tratar como culpado; inocentado é o culpado contra quem não se produziram provas.
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Sincero é o sujeito que consegue ser mal-educado com educação.
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Era tão tecnocrata que não teve mãe, tinha fato gerador.
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Era tão sutil que há dúvidas de que tenha existido, de fato.
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É, estou de férias. Algum problema?
Minha resolução de ano novo: atender ao desafio do hermenauta, e colocar aqui algumas resoluções para este ano que deve começar depois do Carnaval (o fato de estar de férias ajuda nessa impressão de limbo, nesse início de ano; assisti de longe à reunião do Mercosul, vi de relance o lançamento do programa oficial de enrolação para o crescimento, leio os jornais e os deixo de lado, para não afundar no tédio).
Esse negócio de resolução é difícil pacas. Mas vamos lá:
1) Escrever um livro sobre as negociaç]ões internacionais. Assim, quando alguns de meus amigos iniciar um debate sobre o tema, poderei intervir sucintamente e poupá-los de minhas longas diatribes contra os estereótipos na discussão. "Já leu meu livro?", perguntarei, oferecendo um dos exemplares encalhados.
2)Aprender algum mínimo que seja dessa maldita informática, e de programinhas HTML e congêneres. Assim, quem sabe, conseguirei botar uma barra de links neste sítio, ali do lado, e melhorar um pouquonho a aparência desse blogue.
3)Ganhar o prêmio Esso. Ou, pelo menos, receber alguma carta de leitor elogiando matéria minha, o que vier primeiro.
4)Iniciar, com um grupo de artistas de Brasília, uma revolução estética e comportamental que marcará época no cenário nacional. Ou, quem sabe, participar de alguma exposição de gravuras num clube mambembe da capital.
5)Convencer meus filhos que, apesar de tudo, o pai deles não é má pessoa, e tem salvação.
6) Concluir uma peça de vanguarda, que consistirá em dois sujeitos aparentemente pendurados pelo pescoço em duas forcas, que travam entre si um diálogo existencialista, com elementos de crítica social e política, algumas pitadas de vulgata filosófica e um pouco de humor. Duro será reescrever o início quando um dos sujeitos pergunta: "e aí, muito trabalho?", e o outro responde:"rapaz, estou morto"; "sei como é isso, também ando enforcado", retruca o primeiro. A Bárbara Heliodora me garantiu que gostou, mas acho que ainda precisa de algum polimento.
7)Pagar as contas em dia. mas, para isso, também espero realizar a resolução 8, abaixo.
8) Ganhar na Mega-Sena. Meu método inflaível já expliquei aqui, mas ele falhou, mais uma vez.
9) Criar uma revista de variedades na Internet, que será um sucesso inquestionável, com os blogueiros que têm estrada, e que nenhum empreendedor até hoje percebeu serem cronistas de mão cheia.
Em uma das reuniões do Mercosul, em Buenos Aires, jantei na Recoleta, sozinho, lendo uns textos, no melhor estilo Clóvis Rossi, e resolvi, antes de ir dormir, dar uma passeada pelo Centro Cultural, ao lado do cemitério, onde tinha ido uns anos antes com mulher e filhos, e adorado.
Caminhando, ouvi um tango e, numa pracinha, ao som de um aparelhinho vagabundo, dezenas de argentinos de todos os tamanhos e idades, dançavam como numa festinha do interior.
Esqueça a imagem glamurosa, da dona de pernas largas e decote na saia enlaçada no sujeito com cara de malandro e terno riscadinho. Eram gente comum, comuníssinma, dava para ver que o tio dançava com sobrinha (sem nenhuma malícia nelsonrodrigueana), a vovó e o vovô matavam a saudade dos tempos em que deslizavam serelepes pelo salão, um menino pernalta claudicava um meio-tango com a namoradinha baixinha... se Felini fosse argentino, eu estaria no meio de um filme dele, pensei.
E continuava pensando que havia assistido à mais exótica e paradoxalmente familiar sessão de tango de minha vida, quando o Tiago me aparece com um vídeo (do You Tube, claro), sobre uma tradição do folclore finlandês. Como tango foi virar folclore na Finlândia, ele explica AQUI.
Quem aí conhece o Pasquim?
O Alex Ribeiro discorda de mim quando digo que o You Tube é a tv do século XXI. Acha que só adolescentes e tarados por internet navegam com freqüência ppor lá, e que vai continuar assim enquanto as páginas continuarem lentas, e os vídeos com pausas tantalizantes. Pode ser, mas não sabem o que estão perdendo. Esse mini-documentário sobre o Pasquim, por exemplo, poderia ter passado num dos programas traço de audiência que eu e Marta vemos com gosto depois do jantar. O Ziraldo contando por que não fez as malas e virou cartunista estadunidense, o Jaguar narrando a morte do Sig, o rato que ruge, símbolo do Pasquim, e como aqueles porra-loucos todos poderiam ter ficado ricos...
Clique no vídeo, e, enquanto ele baixa, clique em pause, vá tomar um café com leite ou um uisquinho e, na volta, clique em play, só para contrariar a tese do Alex.
(o vídeo acima, descobri no You Tube, é parte de um feito por ex-colaboradores do Pasquim, que pode ser visto praticamente sem pausas na tv Câmara . Vá no canto esquerdo da tela, em pesquisa, digite Pasquim, e, na lista que aprecer, clique em "O Pasquim - a subversão do humor". Se tiver o Windows Media Player, verá o documentário de 44 minutos. A tv do futuro que o Alex resiste a ver, e que estou assistindo nesse momento, em uma tela de 19 polegadas, confortavelmente em meu escritório).
Você está cansado de ler sobre o buraco da Odebrecht, passa as páginas do jornal e cai numa matéria sobre a reunião de cúpula do Mercosul, no Rio, com uma desproporcional cobertura sobre o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Claro, a maioria dos jornalistas não tem nem idéia do que significa chamar o Mercosul de união aduaneira, não conhece os burocratas que negociam os acordos mercosulinos, nem conhece a história de idas e vindas do Mercosul. Já cobrir o Chávez é fácil, penoso, mas simples: é esticar a mão com o gravador e depois reproduzir suas declarações bombásticas (que, entre quatro paredes, ele reformnulará ao conversar com os outros chefes de Estado). E tome Chávez, como se os discursos dele fossem a essência da reunião.
Dizem que Chávez roubou a cena. A cena é que não largava o Chávez; quantos comentaristas de tv e rádio conseguem falar por mais de quarenta segundos sobre o Mercosul sem recorrer aos chavões e a generalidades sem muito recheio? Um repórter de rádio chegou a dizer que não se sabia o que estavam discutindo lá dentro, na reunião (claro, não tinha apurado; outros jornais já noticiavam alguns bastidores). E tome Chávez. É como se, com dificuldades para entrar no estádio e entender o jogo, um repórter esportivo decidisse que grande notícia do domingo seria a farra da torcida organizada, barulhenta e disponível, lá fora. O torcedor, ou leitor, que se dane. No caso do Mercosul é pior, estão convencendo o público que o barulho da geral é a essência do jogo.
Pode começar a desconfiar se você ler ou ouvir que um exemplo da crescente influência do Chávez na América do Sul é o fato de que a Argentina está na mão dele porque a Venezuela comprou papéis da dívida argentina, depois do calote decretado por Néstor Kirchner. Esse é o tipo de comentário que revela um jornaliusta com idéia pré-fabricada, só buscando argumentos, quaisquer argumentos, para dar a elas aparência de verdade. Nem precisa ler o resto, é pura ideologia, ou enganação.
É não conhecer o Kirchner, nem o Chávez, nem as transações com a dívida argentina imaginar que o Kirchner virou seguidor de Chávez porque, sem ele, não teria quem lhe financiasse, depois de ter dado o maior calote da dívida da história. Chávez, de fato, foi fundamental ara garantir comprador para a nova dívida de Kirchner, e, quem sabe, por isso o argentino foi um dos maiores advogados da entrada da Venezuela no Mercosul. Mas o namoro acabou aí, nesse jogo de interesses.
Chávez já vendeu a maior parte dos papéis que comprou, com lucro; depois disso, numa visita em Caracas, Kirchner fez um discurso duro alertando (sem nomear Chávez, claro, alguma educação ele tem) contra atitudes anti-democráticas e belicistas na América do Sul; e, embora nenhum jornal tenha falado, o venezuelano e o argentino ficaram em cantos diametralmente opostos na reunião desta semana, quando Chávez pressionou para a entrada imediata da Bolívia como sócio pleno do Mercosul e Kirchner fechou a porteira para os bolivianos. Chávez quer política na América do Sul, Kirchner quer negócios. Como o pragmático Uruguai, aliás.
Imaginar que os uruguaios estão alinhados a Chávez porque Chávez lhes prometeu fundos e fundos é não reparar que o Uruguai, embora governado por um socialista, está entre os países mais liberais do continente, menos propensos a embarcar no socialismo do século XXI do venezuelano. O que metade do governo do Uruguai quer é um acordo de livre comércio com os Estados Unidos; o que Chávez quer é continuar vendendo a rodo para os EUA (não pode evitar, é lá que está seu comércio externo) enquanto expande seus negócios com os vizinhos e dinamita qualquer possibilidade de um grande acordo com os estadunidenses, por motivos políticos.
Os jornais conseguem dizer, ao mesmo tempo, que o Uruguai está na roda de influência de Chávez e quer livre comércio com os EUA. Coisa de repórter e editor que, mesmerizados pela manchete iminente e hipnotizados pelo cantochão ideológico contra o Mercosul, estão pouco atentos à coerência da notícia. Informar decentemente o leitor, então, é coisa para os religiosos, que ainda crêem em leitor interessado em informação. E tome Chávez.
*********
Volto em breve ao Sítio para falar mais de Mercosul. E comentar um excelente debate sobre Cuba, feito por um dos maiores detratores de Castro e um dos seus maiores defensores, no último número da Foreign Policy, AQUI.
Toda essa discurseira na Venezuela, Bolívia, Equador, esse resssentimento contra as elites que tanto fizeram pela vibrante prosperidade desses países... só falta agora que, em vez de eleições livres, com observadores internacionais e comparecimento em massa da população, a eleição de algum presidente nesses países se dê com recontagem de votos mal explicada, manobras eleitorais e baixo comparecimento.
Como aconteceu nos Estados Unidos, na eleição de George Bush. Aí, Deus nos livre, a democracia estará em perigo.
**************
O Paulo Moreira Leite, que hoje escreve um artigo imperdível no Estadão, tem relatado no blogue dele as peripécias na venezuela. Vale a pena ler as opiniões de Teodore Petkoff, jornalista respeitado e de oposição a Chávez. O blogue do Paulo é este AQUI.
Decidido a ignorar temas levianos como a crise política na Bolívia, o rolo compressor do PT na Câmara e a falência do sistema de ensino brasileiro, este blogue continua em busca de temas relevantes na Internet, e estava nisso quando esbarrou logo em quem; no seu, no nosso Caetano Veloso. Ele explica para O Globo que não dedicou música à Luana Piovani no novo disco porque ela não quis brincar com ele de Cicarelli e Tato Malzoni em alguma praia da Bahia. Não, desculpem, não perco esse vício da imprensa conspiratória, de distorcer os fatos para prejudicar as causas populares. A história é um pouco diferente.
Luana Piovani, que também tem boca grande mas não se expõe como a ex do Ronaldinho, botou no blog dela um agradecimento a Caetano, pela letra erótica da música "Um Sonho", que ele teria lhe dedicado. Caetano, ouvido pela Folha de S. Paulo, negou, e disse que jamais faria uma música a uma mulher com quem não teve "nada". Garantiu que as músicas feitas em homenagem a Regina Casé, Vera Zimmerman e Sônia Braga só existem porque houve "experiências reais". Como conta O Globo, nessa matéria AQUI, , a Luana não aceitou o desmentido, e insiste que a música foi para ela. Mas tirou o post anterior, com os agradecimentos a Caetano...
"Esse Caetano é um sacana. Citou a Regina, a Sônia e a Vera e deixou no esquecimento o pobre Dadi", queixou-se o Oliveira, o canalha da redação, garantindo que Dadi, o Leãozinho, deve estar chateado por Caetano ter menosprezado as experiências reais que inspiraram sua eternização, em música.
Já o Paulo de Tarso, o sexólogo da redação, defende Caetano e critica a Piovani.
"Essa Luana, quer faturar sem nem ao menos fazer uma sustentação oral da causa", resmungou, ao ler a notícia dO Globo.
Eu, daqui, modesto, nunca me gabei daquela passagem por Brasília, quando uma experiência real minha com Caetano o inspirou a escrever esas lindas estrofes:
Enquanto os homens exercem seus podres poderes Morrer e matar de fome, de raiva e de sede São tantas vezes gestos naturais Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo Daqueles que velam pela alegria do mundo Indo mais fundo Tins e bens e tais.
Foi bonito, Caê. Até me inspirou também, a criar esse blogue. Ele vai negar, claro. Só porque não deixei nem que ele pegasse na minha mão.
É, acho que vou ter de incluir o blog do Zé Dirceu em minhas leituras diárias...
Nessa história toda, do post abaixo, o que achei interessante foi a ausência quase absoluta do nome do parceiro da Daniela Cicarelli nas estripulias subaquáticas (atentado ao pudor, pela lei braisleira, mas eles estavam na Espanha) que levaram ao bloqueio do You Tube no Brasil. Ela até tentou botar o nome do sujeito na reta, lembrando que é ele, e não ela, quem paga os advogados que atacaram um dos sites mais populares _ e potencialmente revolucionários _ da Internet.
Defenderam o boicote à MTV, e deixaram de lado a Merril Lynch, onde o sujeito de fora trabalha, talvez porque faça mais sentido para os usuários do You Tube privar-se da MTV (que, aliás, já vinha perdendo audiência e até decidiu deixar de transmitir vídeos), do que ameaçar boicote a uma financeira onde dificilmente teriam condições de aplicar seus caraminguás.
Mas não ler uma reportagenzinha sequer sobre o que está acontecendo com o playboy na Merril Lynch é sinal de uma falha jornalística imperdoável. Estão dando tapinhas nas costas do sujeito, pelo sucesso de midia? A Merril Lynch pretende aproveitar o episódio para alguma campanha, do tipo "nossos especialistas não negam fogo nem debaixo d´água"?
Por que, afinal, só a moça saiu como vilã do episódio? Porque é famosa? Porque é gostosa? Porque é mulher? Porque os homens da Internet não querem passar recibo do despeito por não serem eles os protagonistas do soft-pornô em Cádiz? Porque são ambos milionários e irresponsáveis? Porque ela merece, após o que fez com o trouxa do Ronaldinho? Terá isso tudo alguma coisa a ver com a Copa do Mundo em 2006? Ou a omissão do nome do funcionário da Merril Lynch teria algo a ver com o corporativismo globalizante?
E quem escreverá o primeiro livro sobre o episódio? Quando surgirá a versão hardcore do vídeo, no You Tube, protagonizada pelo Alexandre Frota e a Rita Cadilac?
Tantas questões, tantas dúvidas viscerais... É muito para este Sítio; abandonaremos o caso aqui e passaremos a falar de temas de mais fácil resolução, como o desenvolvimento na América Latina, a distribuição de renda no Brasil e a garantia de educação e futuro para os jovens brasileiros. Coisas, assim, mais supérfluas, sabe como é.
**************
Mas que estão inventando coisa divertida com a moça estão. AQUI.

O episódio com a afamada Daniela Cicarelli levanta uma questão seria, que é a necessiade de evitar o uso de sítios como o You Tube para disseminar vídeos piratas ofensivos à honra das pessoas. O país precisa ter algum instrumento contra o mau uso das maravilhas da Internet.
O caso da moça, porém, evidentemente nada tem a ver com defesa da honra. A moça, depois de transformada em celebridade nacional pela via do matrimônio com um sujeito de chuteiras, decidiu usa a praia como se em casa ou num motel estivesse, praticou o coito subaquático no melhor estilo Animal Planet, e fica amuada porque o paparazzi Miguel Temprano filmou a performance (como se vê nessas imagens amorosas aqui no Sítio). Está no direito de ficar amuada, mas não no de provocar um apagão em uma das mais interessantes novidades da Internet mundial. Virou vilã da rede, com todo o direito
.
Eu não tenho nem dúvida, aderi ao boicote promovido por este site AQUI: me recuso a assistir à MTV, onde trabalha a moça, e rejeitarei qualquer produto anunciado por ela. Bom, eu já não assistia à MTV mesmo, e jamais me passou pela cabeça comprar algo que tivesse como garantia de qualidade o depoimento da sujeita. Cujas fotos, aliás, como eu disse em um post abaixo, circulam livremente, com as belas cenas de amor onde ela pega e se deixa pegar.
Dom Quixote e Madame Bovary ganharam seu lugar na eternidade pelo mesmo processo, a confusão entre realidade e os sonhos despertados pela literatura. Mas, enquanto Cervantes deu ao seu cavaleiro da triste figura uma sublime dignidade, e fez da sua loucura um modelo para os sonhadores, Flaubert foi cruel com sua personagem, e fez dos sonhos de excitação pequeno burguesa dela um patético exemplo de indignidade e de ridículo. Quixote morre como um mártir ou santo, pranteado pelos amigos; Bovary se mata por não suportar o cheiro da lama em que se meteu, por ingenuidade e estupidez. É no que dá ser mulher na mão de machos romancistas.
De gente encantada pela literatura o mundo está cheio, assim como de pessoas que se deixam embriagar pelo som das próprias palavras. De Quixote e Bovary todo mundo tem um pouco, e, apesar da confessada aversão à leitura, não é diferente o político, ex-sindicalista e brilhante intuitivo que nos governará nos próximos quatro anos.
Formado no calor das assembléias sindicais, temperado pelo discurso político, nosso presidente também parece, às vezes, encantar-se com a palavra escrita, delirar com os relatórios que recebe da burocracia, e ver gigantescas realizações do próprio governo onde, às vezes, só há projetos de moinho de vento. No primeiro mandto, deixou-se levar pelas cantadas da ortodoxia econômica como uma crédula Bovary que aceita um passeio libidinoso de carruagem fechada pelas ruas de Paris.
Lula não é Quixote, porém, nem Bovary, não tem vocação nem phisyque du rôle para o papel. É pragmático, cético, esperto e de pés no chão. Poderia estar mais próximo de Sancho Pança, pelo senso de realidade, não fosse ser um personagem de estatura muito superior a um mero escudeiro de fancaria. Temos de pedir a Deus, como diria Waldir Pires, para que se negue e negue ao PT o papel de Leon Dupuis, o cafajeste que primeiro avacalhou Emma Bovary, aproveitando os sonhos da tonta madame para objetivos muito pouco nobres.
A própósito, Feliz Ano Novo.
Peguei no Kibe Loco, que, por sua vez, chupou da secretaria de Saúde do RS (ah, o que se faz por aí com verba publicitária oficial!). Achei que pegaria bem começar o ano com uma campanha de utilidade pública. #### E, como se sabe, depois de protagonizar cenas de Discovery Channel numa praia sulista, a Cicarelli conseguiu tirar o You Tube do ar no Brasil. Sé já havia quem a chamasse de cachorra, injustamente, agora haverá quem diga que ela merece o apelido. Quero ver é como a moça vai tirar da rede as milhares de fotos extraídas do vídeo, onde ela, na praia, pega e se deixa pegar, numa comovente demonstração de que o amor é lindo. Como reproduz o Hermenauta, AQUI.
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Fiz para o Natal, mas saiu logo após o ano novo, a matéria com que meti o Peru na primeira edição do Valor em 2007. Conversando com empresários, no ano que passou, me lembrei que, em 2005, eu tinha feito uma coluna que se revelou premonitória, dizendo que o país ouviria falar muito da Bolívia em 2006. Quis tentar de novo meus dotes de vidente, e quase tasquei no jornal que, se a Bolívia tinha sido o país andino que mexeu com o Brasil em 2006, 2007 será um ano do Peru.
Mas a criatividade da edição superou meus mais imaginativos trocadilhos:
Peru cresce e atrai empresas brasileiras
Sergio Leo
02/01/2007
Embalados pela aproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o recém-eleito Alan Garcia e pelas excelentes condições macroeconômicas de um país que cresce há cinco anos a taxas acima de 5%, grandes empresas brasileiras se preparam para expandir atividades no Peru. Lula deve visitar o país este ano, mas antes disso, até abril, uma missão empresarial coordenada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) desembarcará em Lima.
Está lá, na página A16 (na primeira página, a chamada dizia que Empreas Brasileiras voltam-se para o Peru. Bom, também).
O Hermenauta ficou tocado com esse meu Peru. Mas pode dizer que tem um amigo que começou o ano botando o Peru nas bancas. Botar banca com o Peru não é para qualquer um, posso atestar.
Divertida foi a apuração. Como se pergunta a um grande empresário o que despertou o interesse dele pelo Peru? Ou há quanto tempo ele se instalou no dito-cujo? E indagar à assessora de imprensa: "onde entra o Peru, nos seus planos para 2007?".
Amante da precisão semântica e avesso às confusões das esc0lhas vocabulares infelizes, abusei dos sinônimos e metonímias. "Mercado peruano" foi o favorito.
Que o Peru traga a todos muitas felicidades nesse Ano que se abre.

Pude constatar que, à exceção de uns dez leitores, todos, mas TODOS os outros que conectaram este Sítio nos últimos quinze minutos deixaram comentários nos dois históricos textos noticiosos abaixo. Habitualmente tagarelas, os frequentadores deste Sítio quase deixaram sem fôlego os moderadores de comentários indianos contratados para lidar com o fluxo de intervenções neste Sítio, que ostenta a honra de conhecer a totalidade de seus leitores pelo nome e sobrenome.
Considerando a enorme freqüência em resposta aos feitos jornalísticos deste blogue durante todo este ano, me vejo obrigado a fazer alguns esclarecimentos,a propósito dos textos anteriores:
1) Não tenho nada contra empregadas domésticas de nome Epifânia.
2) Apoio a brava luta dos valorosos repórteres do Jornal de Itupeva, que passarei a acompanhar ávidamente neste 2007. Só suspeito que o Google descobriu uma forma marota de reproduzir sem pagar material da agência Estado.
3) Não adianta, eu estava brincando, não aceitarei os convites para transpor este Sítio às dezenas de portais que nos vêm assediando ultimamente com propostas escandalosamente milionárias. Somos gente simples, nosso propósito com este blogue é apenas servir à sociedade. Aliás, se alguém da sociedade passar lá por casa hoje à noite posso servir, de cara, umas sobras da ceia de Ano Novo.
*************
Falar em Ano Novo, às referências aos leitores deste blogue durante este longo ano de 2007 inspiram-se no comentário de meu filho, que, após alguma insistência e senso de oportunidade, conseguiu entrar na concorrida festa de Reveillon do Pontão do Lago Sul. Sem pagar.
_ E aí, Miguel, foi boa a festa?
_ Valeu cada centavo que gastei para entrar, pai.
Bom, furo não era, porque vi na TV. Mas agora que me antecipei (por pelo menos quatro minutos!) aos blogues de gente séria, com o post histórico aqui embaixo (também ignorado pelo Fernando Rodrigues, eu não tinha tido tempo de checar), vamos ao comentário percuciente e intimorato deste blogueiro que calhou de não receber credencial para cobrir, in loco, a segunda posse do líder metalúrgico transformado em referência internacional (do quê ainda é cedo para dizer).
Lula começou o novo mandato botando mão em cumbuca. Ao chamar, corretamente, de terrorismo a farra da criminalidade no Rio, automaticamente levou o imbroglio para a esfera federal. Terrorismo é crime federal, da alçada da Polícia idem, do ministério da Justiça, da Interpol. Adianto que não entendo nada disso. Imaginava até que tráfico de droga também deveria ter essa dimensão toda, mas, enfim: agora o presidente entrou em campo, foi para a grande área, e disse que o que tiver no montinho do artilheiro é pra deixar com ele. Vai ter que chutar.
Adianto que também nunca entendi patavina de futebol. Mas sei que nunca antes nesse país houve esse dado concreto, ou seja*, o presidente escalou-se para a briga contra o tráfico e a zona na segurança no Rio e São Paulo. Coisa nova, nitroglicerínica.
(*leia este trecho imitando voz rouca e língua presa)
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Mal posso esperar a edição do Jornal de Itupeva sobre o tema. Você não conhece o Jornal de Itupeva. Eu também tinha esse defeito, até que cliquei, mais cedo, no Google Notícias. E era esse abaixo o primeiro link que aparecia na primeira página do poderoso Google:
Lula inicia hoje seu segundo mandato
Jornal de Itupeva Online - 13 horas atrásQuinze quilos mais magro, cabelos e barba mais grisalhos e calejado pela sucessão de crises, o presidente que vai tomar posse hoje, pela segunda vez consecutiva, é um homem muito diferente daquele que subiu a rampa do Palácio do Planalto há exatos ...
Este Sítio saindo com notícia antes do Noblat, o Jornal de Itupeva se destacando no oceano de órgãos de imprensa do país... esse troço de Internet não é coisa séria. Sempre tive essa impressão, mas só nesse ano novo me chegou a epifania.
(Não, a empregada lá em casa não se chama Epifânia. Socorro. Não, não estou pedindo ajuda. Socorro é o nome da moça. Mas já que abri o parêntese para essa bobagem, aproveito para alertar aos leitores desavisados que, muito provavelmente, quando baixei meu post abaixo, o do Noblat, mais completo, já estava sendo escrito, pelo que vejo no relojinho do post. Não interessa. Cheguei primeiro. Também quero blogue no portal do Globo, ou pelo resto do ano deixarei o Noblat dar as notícias na frente desse Sítio).
2º Clichê (20h): Você poderá dizer que leu neste Sítio mais um furo de reportagem.
Lula já tomou a primeira decisão no combate ao terrorismo dos bandidos no Rio de Janeiro: aproveitando a experiência amealhada nos últimos meses, designou o Waldir Pires, do ministério da Defesa e o Zuanazzi, da Anac, para desarticular os aviões do tráfico.
Você estava aí, sem Globo News ou Rede Brasil, de olho no blogue do Noblat ou no do Josias, e perdeu uma das principais notícias do discurso do Lula. Ele disse com todas as letras que a confusão e atentados dos traficantes no Rio é mais que crime comum, é terrorismo.
Isso tem implicações gravíssimas, e acho que Lula sabe disso. Tem tudo para tomar o lugar da discussão sobre pacote econômico e troca de ministros que floresceeria nesse recesso. E você teri lido isso aqui antes, se não estivesse com mania de ler blogues de gente importante. Meus amigos, ainda bem.

