2º Clichê: agora falando sério; para saber o que o espírito de porco nacional jamais falará sobre o Sobel, vale esse link AQUI.
março 2007 Archives
2º Clichê: agora falando sério; para saber o que o espírito de porco nacional jamais falará sobre o Sobel, vale esse link AQUI.
Disse que defende a televisão pública porque quer ver na tv cursos de matemática e outras disciplinas para os trabalhadores, na hor do almoço, tarde da noite, em todos os horários...
Ele não quer uma tv estatal, nem pública. Quer é lançar um telecurso de segundo grau.
O Franklin sempre foi bastante didático, mas acho que não acho que foi para isso que subiu a rampa.
Acaba de assumir no Congresso o suplente de Geddel Vieira LIma. É forrozeiro e se chama Mão Branca.
_ Mão leve?
_ Mão BRANCA.
_ Ah.
Parece uma discussão bizantina, e é, mas, afinal, foi a Igreja quem inventou esse gênero, com debates acalorados sobre quantos anjos caberiam em uma cabeça de alfinete, e, mais importante, se anjos teriam sexo (algo muito relevante para a paz celestial, aliás; o sexo faria enorme diferença, a depender do número de anjos encostadinhos uns aos outros em algo tão apertado quanto a cabeça de um alfinete).
Eu evito discutir religião, porque detesto dogmas e paixões irracionais; por isso fico longe de debates sobre crenças esotéricas, futebol ou a política monetária da atual diretoria do Banco Central. Mas esse debate sobre praga ou chaga é engraçado, (e, como contou o Hermenauta, até deixou o Reinaldo Azevedo de nádegas de fora, quando, em sua campanha para ser eleito como Arnaldo Jabor da intelectualidade paulista, tentou usar o latinório para meter o pau na imprensa).
Como toda discussão irrelevante, ela excitou o Oliveira, o canalha da redação, para quem o importante é que, chaga ou praga, quem crê no Papa deve evitar o segundo casamento, como o diabo foge da cruz.
"Nessa boto fé no Santo Padre; minha segunda mulher foi mesmo uma praga", comentou o Oliveira. "O alemão está certo: nesse negócio de casamento, o negócio é passar direto para o terceiro."
No intuito de resolver de uma vez por todas esse imbróglio é que eu lanço agora a campanha
"AJUDE REINALDO AZEVEDO A REFUTAR O PAPA"
Basta que cada um de nós envie R$1,00 para a conta de Reinaldo Azevedo no Banco Ambrosiano para que ele possa comprar uma passagem até Aparecida e encontrar-se pessoalmente com o Papa, ocasião em que ele poderá tirar a dúvida ao vivo e a cores com o Pontifex Maximus, e perguntar: "Arre, Bento: é praga ou chaga?".
Para mim, gripe cura-se com banho gelado e descanso, dor de cabeça com banho tépido e sono, dor de barriga com carvão ativado ou chá de ervas. Por isso nunca me espanto quando encontro notícias como essa aqui, mas essa é especial, está na cara que tem relevância política. É o verdadeiro bastidor da reforma ministerial:
FDA adverte contra efeitos colaterais estranhos de remédios para dormir
15/03 - 15:50 - The New York Times
Os remédios prescritos para dormir mais populares podem causar comportamentos estranhos como dirigir e comer durante o sono, declarou o FDA na quarta-feira, anunciando que novas advertências serão colocadas nos rótulos de 13 medicamentos.
O FDA também exigiu que os fabricantes dos conhecidos medicamentos Ambien (Stilnox no Brasil) e Lunesta, além dos fabricantes de 11 outros remédios populares para dormir criem folhetos para pacientes em pontos-de-venda explicando como utilizá-los corretamente.
Embora o FDA afirme que os problemas com os remédios sejam raros, relatórios sobre os raros efeitos colaterais subiram com o aumento do uso das pílulas para dormir.
As vendas americanas do Ambien e Lunesta excederam os US$3 bilhões. O uso destas medicações e outros remédios similares aumentou mais de 60% nos Estados Unidos desde 2000, estimulado pela televisão, anúncios e outros tipos de propaganda. No ano passado, os fabricantes de remédios para dormir gastaram mais de US$600 milhões em propaganda ao consumidor.
O relatório do FDA foi estimulado, em parte, por perguntas feitas pelo The New York Times no ano passado, após alguns usuários do Ambien reclamarem online e para seus médicos sobre reações estranhas, desde episódios de sonambulismo até alucinações, explosões de violência, compulsão alimentar noturna e - o mais perturbador - dirigir automóveis durante o sono.
Comedores noturnos relataram acordar e encontrar embalagens de alimentos em suas camas, falta de comida, armários de cozinha sujos com farinha, e até mesmo fogões ligados. As pessoas que dirigiam durante o sono reportaram episódios assustadores, nos quais se lembravam de deitar, porém acordavam e descobriam que haviam sido presos na estrada usando roupas íntimas e pijamas.
O FDA disse não ter conhecimento de mortes causadas pelos motoristas sonâmbulos.
A agência também recebeu relatos de pessoas fazendo ligações de celular, compras na internet ou sexo sob a influência dos medicamentos para dormir. Em todos os casos, os pacientes não possuíam memória dos eventos, os quais afirmam ter acontecido após a ingestão do medicamento na cama.
O dr. Russell Katz, diretor de produtos de neurologia do FDA, disse que a ingestão de álcool antes ou depois do consumo do medicamento aumenta as chances de tais reações.
- Stephanie Saul
D. Marisa, faz favor, joga fora esses comprimidos na cabeceira do presidente.
Quando me diziam que o jornalismo abandonou a reportagem, e que hoje em dia o pessoal está publicando a pauta e deixando para lá a apuração da matéria, eu achava um exagero. Isso até o Oliveira me aparecer com essa notícia do Folha on line AQUI. Que reproduzo em parte, para o caso de sair o link do ar:
15/03/2007 - 08h19
Bovespa sobe/cai XX% após PPI americano; dólar sobe X%, para R$ 2,xx
da Folha Online
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) opera em alta/baixa de X%, aos XX pontos, no pregão desta quinta-feira. Ontem, a Bolsa fechou em alta de 1,26%, puxada pela recuperação das Bolsas americanas próximo ao encerramento dos negócios.
O dólar comercial é negociado a R$ 2,Xx para venda, em queda/avanço de X%. Ontem, a moeda americana foi cotada a R$ 2,099, em queda de 0,23%, com um cenário externo em dia de relativa tranquilidade.
O mercado foi posto à prova nesta manhã com o primeiro dos dois principais indicadores econômicos da semana: o PPI (sigla em inglês para índice de preços no atacado) dos EUA. Em fevereiro, a inflação foi de XX%, com núcleo em XX%.O consenso de mercado apontava para uma taxa de 0,4% em fevereiro (para o índice cheio) e de 0,2% para o núcleo do indicador.
Só o desconhecimento, no Brasil, a respeito do que se passa na vizinhança explica certas imbecilidades de sucesso na Internet, como um texto atribuído ao Stephen Kanitz (não parece dele, carece de inteligência) com "explicações" sobre a visita de Bush à América Latina.
O tema é, mais uma vez, a ameaça de Hugo Chávez ao Brasil. Deixaram, pelo menos, de computar o Uruguai na lista dos países atrelados ao projeto bolivariano da Venezuela. Claro que os uruguaios sempre aceitarão qualquer benesse que lhe oferecer o Chávez, mas ficou difícil falar em aliança tabaré Vazquez-Chávez depois que ficou clara a americanofilia de parte do governo em Montevidéu. Mas como ninguém cojnhece direito Paraguai, Bolívia e outros pobres da região, fica fácil reproduzir besteiras como as seguintes:
A vinda do Bush não tem nada a ver com o Brasil, muito menos com o etanol. Os Estados Unidos não querem estreitar os laços comerciais com o Brasil. Tentaram a ALCA, mas nós recusamos.
É asim que começa o texto. A primeira frase não encontra âncora na realidade; claro que a visita teve a ver com o Brasil, e o etanol foi a agenda que encontraram para estreitar laços com um governante de esquerda num momento em que os círculos pensantes de Washington vinham criticando Bush por não dar a devida atenção ás alternativas de Chávez na América Latina. Hoje em dia, nem os EUA querem a Alca; mas isso é polêmico, vamos aos trechos mais evidentemente autistas, ou ignorantes:
Chávez quer unir a América Latina, para somente depois atacar os Estados Unidos. E, para unir a América Latina, ele está mostrando as injustiças e o imperialismo estatal brasileiro. Já convenceu Evo Morales a romper com a Petrobrás. Sua próxima cartada é fazer o Paraguai romper com a Eletrobrás.
Quer dizer que, até agora, Chávez vem fazendo carinhos nos EUA? Francamente. Quem ainda acredita que Morales só nacionalizou o gás por influência do Chávez desconhece a história da Bolívia, e dos quatro presidentes que precederam Morales em La Paz, além do movimento popular que aprovou a lei de nacionalização por lá, muito antes da eleição do próprio Morales. Chávez deu um empurrãozinho, claro, mas Evo Morales iria nacionalizar o gás de qualquer maneira. Apesar da fumaça, quem está na Bolívia é a Petrobras, não a PDVSA, de Chávez. Quanto ao Paraguai, a briga lá com Itaipu nada tem a ver com Chávez, e sim com grupos políuticos locais, entre os quais o que comanda o jornal ABC, há dois anos em campanha para renegociar os contratos de Itaipu. Um candidato ligado ao ex-presidente Lino oviedo fez disso tema de campanha, e não tem nenhuma ligação com Chávez.
Lentamente, ele vai encarecendo a matriz energética brasileira e enfraquece a economia brasileira. Chávez irá lentamente isolar o Brasil da América Latina.
Quem encareceu a matriz energética brasileira foi o apagão no governo Fernando henrique Cardoso, a pressão ecológica (legítima) contra grandes hidrelétricas e o aumento do preço internacional de petróleo. Só nesse último item Chávez tem alguma responsabilidade.
E dizer que ele vai isolar o Brasil na América Latina já é delírio febril. Quer dizer que o Chávez já se aliou à Colômbia (onde o acusam de fomentar a Farc), ao Uruguai e ao Chile, para deixar o Brasil no sereno? Isso para não falar da Argentina, que seria uma larga discussão, porque ainda há muita gente que não entende o jogo de Néstor Kirchner, mais voltado à política interna que a continental. Quem acha que Kirchner está na órbita de Chávez ainda vai ter de engolir a própria catilinária, em pouco tempo. Como fizeram com as besteiras que diziam do Uruguai.
Enquanto Lula gastou quatro anos querendo ser o líder do Terceiro Mundo, Chávez vai se consolidar como o LÍDER inconteste da América Latina.
Hãhã.
Bush vem comprar matérias-primas do Brasil, como faz a China, e não produtos industrializados.
Essa bullshit é prova de que o artigo não é do Kanitz. Ele sabe bem que nossa pauta de exportações para os EUA é, principalmente, de manufaturados. O que a gente exporta para os EUA são automóveis, aço, celulares, aviões. E matérias primas, também, mas o Bush, no Brasil, vetou reuniões com o pessoal do agronegócio, porque o que impede a venda de matérias-primas do Brasil aos EUA são as barreiras que ELES põem a nossos produtos.
Coisas desse tipo infestam a Internet, e tem gente usando essas patuscadas como agumento em discussão. Coitado do Kanitz, usaram o nome dele como se fosse um Olavo de Carvalho qualquer.
_ Presidente, já tem gente até no PT dizendo que seu governo não deslancha enquanto não resolver a questão do marco regulatório.
_ Tenha a santa paciência! Agora não dá. Primeiro deixa eu resolver a questão da Marta e do PMDB. Se esse Marco for bom em comércio exterior, de repente a gente arranja um lugar para ele no ministério do Desenvolvimento.

Shigeo Kodama nunca alcançaria a celebridade apenas por ter o mesmo sobrenome da secretária e viúva de Jorge Luis Borges, a misteriosa Maria. Japonês, da cidade de Hiroshma, o Kodama, no caso,tem mais parentesco com o velho platônico de Garcia Marques que com os fabulescos personagens do argentino. É um amante do virtual, um romântico inofensivo e imaginativo. Hoje, celebridade em toda a web, por despachos de agências como esse, da reuters:, que resumo para quem não gosta de mudar de página:
TÓQUIO - A polícia de Hiroshima encontrou mais de 4.000 peças de lingerie na casa do operário de construção japonês Shigeo Kodama, 54 anos. que aprendeu no trabalho a escalar prédios e usava essa habilidade para roubar roupas íntimas. Na casa dele, aonde foi a polícia depois de prendê-lo em flagrante, foram encontradas 3.977 calcinhas e 355 sutiãs e 10 pares de meias finas. "Ele não roubou outros tipos de roupa. Mas, contanto que fosse roupa íntima, aparentemente qualquer coisa servia", disse o porta-voz.
Infleizmente não achei na Internet a foto, publicada com a notícia, hoje, no Correio Brasiliense, de matar de inveja muito artista contemporâneo. Claro, seu guarda, que qualquer roupa servia, desde que fosse íntima. O primo afastado da viúva do Borges não era um ladrãozinho qualquer, nem um dilapidador do patrimônio alheio. O descasamento entre número de calcinhas e sutiãs indica ainda que Shigeo não roubava as peças para usá-las em festas de travestis de Hiroshima, mas para ter, perto, um sinal de intimidade com milhares de japonesinhas que ele jamais teria (ou quereria) pessoalmente.
Um amante virtual, que celebrava pelo tato ou olfato o mistério e deslumbramento da alma feminina (eu disse alma? vá lá). Fetichista, sim, mas roupa íntima não é coisa assim tão cara, deixassem o nipônico com suas fantasias inofensivas.
Espero que seja branda a punição por roubo de calcinhas no Japão.
Ficam falando por aí em etanol, e, no estadão, passa batida a notícia sobre uma outra área em que a cooperação bilateral entre Brasil e Estados Unidos poderia botar para, bom, para quebrar. Dou o link AQUI, mas reproduzo a matéria, para os mais preguiçosos:
Brasil é vice na produção pornô, segundo o TopTenReviews
País ficou com a segunda posição,atrás dos EUA, em ranking elaborado pelo site
SÃO PAULO - O Brasil ficou com a segunda posição, atrás dos Estados Unidos, no ranking dos países que mais produziram vídeos pornográficos em 2006, divulgado pelo site de tecnologia e entretenimento TopTenReviews.
De acordo com o site, a pornografia movimentou US$ 97 bilhões em 2006, e só o Brasil um total de US$ 10 bilhões. A China movimentou a maior quantia, US$ 27, 40 bilhões.
As principais empresas brasileiras responsáveis pela produção são Brazil Frenesi Films, Pau Brazil e MarcoStudio.
Os outros países presentes no ranking são, em ordem crescente, Holanda, Espanha, Japão, Rússia, Alemanha, Reino
De um Ansioso
- Bom, doutor, eu vim ao seu consultório por conta de meu transtorno de ansiedade. Já acabou minha hora? Posso ir embora?
- Sua hora acabou de começar.
- Pois é, doutor. Não vejo a hora de terminarmos a sessão. Aliás, não vejo a hora do tratamento acabar. Que tal pularmos para a última sessão, com o senhor me dando alta, e...
O resto dessa história, com outras, está lá, no Almirante, ou melhor nesse linque AQUI. É por ele e outros que sonho em montar uma editora, assim que receber o devido pela Mega-Sena, só para publicar os talentos que inexplicavelmente ainda não se derramaram da Internet para as livrarias. Mas já falei disso antes.
Pena mesmo que tenha morrido o Baudrillard, muito bem louvado pelo erudito mestre Idelber . Ele certamente se divertiria com a nossa capacidade (digo nós da imprensa) de criarmos uma realidade e depois fazermos o mundo girar em torno dela, como fez magistralmente, durante a visita do Bush, um dos jornais em que mais gostei de trabalhar, o vetusto Estadão. Vamos dar um passeio por instalações da maravilhosa fábrica de factóides, essa potência ubíqua e prolífica com sucursal em todos os jornais, rádios e tvs. Passamos, primeiro, por AQUI.
Repararam? Ora no quê, no texto, aí do link. Num um esforço legítimo de didatismo, a repórter usa como recurso estilístico a metáfora "Opep do etanol". Ah, não viu. Repito aqui, para você:
"A idéia, gestada dentro do Departamento de Estado, é expandir a produção de etanol em vários países da América Latina, principalmente no Caribe e na América Central, para garantir um fornecimento estável do biocombustível. Trata-se de uma Opep do etanol. Para isso, Brasil e Estados Unidos devem fechar parcerias".
Ora, metáfora tão bem bolada que os editores a transformaram em manchete, logo reproduzida por jornais América Latina afora. Como sacada, para facilitar a compreensão do leitor, nada a criticar. Mas era um pouco exagerada, já que não se pensa fazer, como no petróleo, um cartel capaz de ditar preços no mundo. Mas foi o próprio Estadão quem notou o exagero, só que esqueceu ter sido o jornal seu criador. Como se vê no editorial que critica a idéia, aqui .
Não clicou aí em cima? Conto para você: o editorial faz uma sensata avaliação do alcance real (pequeno) das promessas de Bush sobre cooperação em biocombustíveis, mas ironiza, criticando por duas vezes a "retórica da Opep do etanol". Só não diz ao leitor que a retórica foi invenção da casa. Mas que estou escrevendo, o pessoal do Observatório da Imprensa já tinha cantado a pedra. Como se pode ler AQUI. Ou AQUI.
O negócio é que o jornal voltou, neste sábado, a criticar a "retórica da Opep do etanol". Deve ser coisa do ombudsman lá deles.
Criticavam o Baudrillard, e até o chamaram de bufão, por causa da retórica retorcida dele. Mas Nós, por aqui, já tivemos o Proálcool, também podemos nos orgulhar de ter avançada tecnologia nacional em matéria de retórica, límpida como uma equação de Pitágoras. E tão falsa quanto um discurso dos sofistas.
Alta filosofia. E começando com o Bush, quem diria.
"negociem logo um acordo".
Ah, agora sim, com uma instrução tão precisa, sai, finalmente, o empacado acordo mundial de derrubada de tarifas e subsídios que distorcem o comércio mundial.
Estava faltando alguém para falar claro. Evidentemente, os diplomatas não decidiam nada até agora porque não sabiam que era para andar logo.
Opa! Opa! Oliveira, o canalha da redação caiu no chão contorcendo-se em espasmos, os dentes arreganhados, estranhos ruídos lhe saem da garganta. O que foi, Oliveira?
_Não vai acreditar no que o Lula acabou de dizer. Ele falou que estamos no ponto G para um acordo!!!
_ Ponto G? Você só pensa nisso, Oliveira!
_ Sério, não sei como a tradutora se arranjou com essa, mas o Bush arqueou uma sobrancelha.
_ Oliveira, só quem arqueia a sobrancelha é personagem de mau romance. Vai ver é um recado sutil do Lula sobre a razão da falta de êxito do Itamaraty na rodada da OMC, ninguém lá sabe onde fica esse tal ponto, preconceito dele contra os diplomatas...
_ Dona Marisa deve explicações à nação, o presidente está desarvorado, ele sim só pensa naquilo. Semana passada desancou a Igreja e reclamando que nem todo mundo gosta do babado. Agora chamou o Bush para botar o dedo logo onde.
Eu já não prestava atenção ao Oliveira. Boquiaberto, olhava para o mapa da América do Sul que colocaram atrás dos dois presidentes, onde um Brasil enorme açambarcava a parte norte do continente. Deus do céu, o Brasil absorveu a Venezuela e a Colômbia!!!!!!!
Sabia que esses americanos tinham algo escondido na bagagem. Ou o mapa é ato falho, ou vazamento do que discutiram os dois, à sós, já cheios de álcool, digo, cheios desse papo de etanol.
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Ih, agora o Lula disse que fazer um acordo na OMC só depende da inteligências deles, presidentes....
Já adivinho a manchete do Estadão: Lula diz ser impossível acordo na OMC.
Retruca o Oliveira: "melhor que isso vai ser o infográfico colorido da Folha, ao lado das fotos dos presidentes: saiba onde fica o Ponto G".
Esse Oliveira. Talento desperdiçado, um dia ainda será editor da Veja.
E o presidente não tem dó dos assessores. Diz que não vai divulgar a proposta brasileira porque negociação é que nem penalti, o jogador não diz antes para que canto vai chutar. Vai ser duro explicar essa para o Bush, presidente. Tremenda bola nas costas do tradutor.
Oliveira, o canalha da redação, está embevecido com a última declaração do presidente Lula, em discurso pelo Dia da Mulher. Disse o mandatário:
Não tem como um pai ou uma mãe dizer: “a minha filha só vai fazer sexo, ou o meu filho, quando eu quiser”. Primeiro porque sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta e é uma necessidade orgânica, é uma necessidade da espécie humana e da espécie animal.
O Oliveira, um sentimental, ficou bolado com essa história de "quase todo mundo". Depois lembrou que as mulheres de certos deputados provavelmente casaram sem experiência prévia, são chamadas a comparecer ao tálamo de vez em quando. Vão, claro, e pode ser confundam com sexo aquilo que fazem com os maridos, daí a ressalva do presidente, conhecedor das vicissitudes do mundo político.
Necessidade orgânica é muito bom. "Quem sabe o Lula convence o Papa, quando ele visitar o Brasil, e aí as moças carolas ficam liberadas para fazer besteira sem a obrigação de ter neném", sonha o Oliveira, que não sabe ainda a qual espécie pertence, se à humana ou à animal ou alguma coisa entre uma e outra.
Inda hei de descobrir que tipo de erva andam botando no chimarrão dos uruguaios, para acreditarem que é possível um acordo de comércio com os Estados Unidos. Depois que li a entrevista concedida por George Bush para o Estadão (e outros jornais latinio-americanos), então, fico me perguntando: por que a Miriam Leitão e outros jornalistas tão sérios e dedicados ainda insistem em dizer que o Lula faz concessões ao Uruguai por medo de um acordo dos gaúchos lá com os EUA, e que o Uruguai já está na boca de sair do mercosul por causa desse acordo?
Alguém ainda acredita nessa cascata de acordo Uruguai-EUA? Bom, se acredita, me explique essa declaração do Bush, reproduzida pela Patrícia Campos Melo, no vetusto de hoje:
"Em outros momentos, Bush mostrou franqueza incomum em presidentes. “As pessoas não deveriam dar como certo que os Estados Unidos querem fechar acordos de livre-comércio. Na realidade, há um forte protecionismo nos EUA”, admitiu, quando questionado sobre as chances de assinar acordo bilateral de comércio na passagem pelo Uruguai. Nessa área, as declarações do presidente americano foram uma ducha de água fria nos uruguaios - e, na mesma medida, uma boa notícia para o presidente Lula, que tem se esforçado para manter o vizinho no Mercosul." (grifo meu).
Já tinha escrito no Valor que a principal negociadora dos EUA, Susan Schwab, nem sequer acompanha Bush na viagem ao uruguai, para ficar no Brasil e falar com a Fiesp e com o Celso Amorim. Como ninguém me lê, continuaram papagueando nos jornais essa quimera do acordo do Uruguai e a fantasia maior ainda, de desligamento dos uruguaios do Mercosul. O que é discurso das autoridades uruguaias para o público interno e blefe do Uruguai para o Brasil é tomado ingenuamente como verdade; afinal, nada como mais um bom motivo para meter o pau na política externa.
Na bela matéria da Patrícia, só um reparo: ao contrário do que diz a sabedoria convencional, Lula não tem se esforçado para manter o vizinho no Mercosul (ele iria para onde?), mas para baixar a bola das reclamações, que desmoralizam o bloco, já suficientemente avacalhado.
É mais fácil Portugal descolar-se fisicamente do continente europeu, vagando no Atlântico como uma jangada de pedra (ei a idéia é boa, acho que vou escrever um romance com isso), que o Uruguai abandonar o acordo que lhe dá acesso ao mercado brasileiro, com direito a reclamar das barreiras que os gaúchos riograndenses lhes arranjam de vez em quando.
Explico por que acredito nisso: para os uruguaios até seria vantajoso se pudessem se livrar da obrigação do Mercosul, de negociar acordos só em conjunto, com os sócios do blocol. Eles não têm indústria, poderiam tentar abrir mercados para seu leite, suas carnes, seus tecidos, em troca de escancarar as fronteiras para industrializados de outros países. O problema é que carnes, leite e têxteis são produtos protegidos em todos os potenciais parceiros de acordos como os que querem os uruguaios; e ao liberar geral a importação de manufaturados, o Uruguai teria fechadas proporcionalmente as porteiras abertas no Brasil e na Argentina para os produtos do vizinho menor no Mercosul, correndo o risco de perder, e não ganhar, mercados.
Daí que, por favor: vão parar de encher o saco com essa história de namoro entre Uruguai e EUA. Se é para falar de coisa que não existe, vamos conversar sobre a Maria Fernanda Cândido. Troço muito mais divertido, e tão imaginário quanto.
Ouvi pela primeira vez o nome de Geddel Vieira Lima quando apurava, pela Isto É, o escândalo dos anões do orçamento, um grupo de deputados baixinhos (alguns nem tanto) que controlavam as emendas orçamentárias de maneira a fazer pingar alguns caraminguás dos cofres públicos no bolsinho deles. Certamente era algum intriguento, descontente com a estatura do parlamentar baiano. Seu maior feito foi ter ajudado a derrotar o hoje desmoralizado imperador da Bahia, inhô Antônio Carlos Magalhães, que Deus o tenha em bom lugar. (Ah, ainda está vivo? Desculpe, eu estava de férias, acontece tanta coisa quando a gente está viajando).
Agora Lula escolhe Geddel para ministro da Integração. Até o ano passado o novo ministro estava na oposição, mas isso é um detalhe de quem ainda acredita que o Brasil um dia fará uma reforma política.
Na entrevista que ele concedeu ao Andrei Meireles, na Época, poucos anos atrás, para a qual dei um link aí em cima, é uma boa pista sobre a escolha de Lula:
ÉPOCA – O senhor, afinal, é oposição ou independente?
GEDDEL– Sem essa de terceira via. Oposição é oposição. O processo eleitoral estabelece que aquele que ganha governa; quem perde fica na oposição. A sociedade optou pelo projeto do PT e nos colocou na oposição. Essa também é a postura ética.
Postura, para mim, é coisa que se faz no galinheiro. Já ética, pelo jeito, é, para o Geddel e o Lula (a quem o deputado já chamou de ladrão, no passado), coisa diferente do que aprendi em casa.
Mensagem: Calma
Número: 3
Comentário:
A carta calma tem uma mensagem muito bonita, que é:
Calma.
Você que acabou de ler essa palavra já sentiu a calma. Tenho certeza. Todos nós somos assim. Todos nós estamos nervosos e preocupados com as coisas do dia a dia e do nosso sofrimento contínuo de não conseguir ser mais do que somos e a calma é importante pra tudo. A calma, aliás, é fundamental.
Você tem que pagar o aluguel e tá sem grana? Calma. Vai driblar o goleiro aos 49 do segundo tempo, 5 a 5 o jogo? Calma. Acabou de saber que sua esposa está grávida do seu pai? Calma. Vai cair da escada cheio de facas e copos de vidro na mão? calma pô. Tá preso no elevador despencando barulhão morrendo? Calma. Entrou no banco ficou preso na porta giratória no meio de um assalto pipocando bala? Calma.
No blogue dele tem mais.

















