abril 2007 Archives

O ministro de Comunicações da Venezuela diz que há uma conspiração da midia, para manchar a imagem de Chávez, vendê-lo como um ditador comunista e, sei lá, facilitar algum golpe, quem sabe.

Por um lado, a imprensa mundial ignora práticas autoritárias de alguns mandatários latino-americanos (para não falar do oriente Médio, por exemplo), presta muita atenção em Chávez e nem sempre noticia o clima de linchamento em cima dele criado pela midia local. Mas essa história de conspiração geralmente só serve para desqualificar reportagens que falam das mazelas de algum governo, ou grupo político. Quando as matérias são a favor não são conspiração, são consenso.

O ministro de Chávez diz que, no Brasil, a conspiração está a cargo de O Globo. Essa, tenho certeza, foi só para deixar os editorialistas do Estadão ainda mais irritados com o Chávez. Cara malvado, ele.

Parem as máquinas!!!!

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Os halterocopistas que não se conformam com decisão da Anvisa de proibir propaganda de cerveja na TV (com aquelas gostosas quase peladas _ e baixinhos gorduchos, ou quem quer que seja) em horário de criança assistindo, hoje é dia de debater com a autora da primeira reportagem sobre o assunto. É a tal da Marta Salomon, que entra no ar, agora, às 17h, AQUI.

Ela, aliás, só bebe Malzbier. Entrego logo.

A eternidade, essa quimera

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Apavorante, essa previsível coincidência na capa dos jornais de hoje... raras vezes vi um troço desses. Acho que nem nos mais loucos delírios de posteridade do infeliz coreano ele sonhou em protagonizar verdadeiras obras de arte conceitual como as que os jornais lhe deram hoje, involuntariamente.

Mas o Hermenauta, que lá no blogue dele AQUI, vem dstrinchando o assunto com o jeito minucioso quase científico que tem, me saiu com um sarro em cima do Reinaldo Azevedo que me sinto obrigado a reproduzir, só porque é daquelas sacadas que a academia chama de arquetípicas:

"Reinaldo Azevedo, o incoerente
Reinaldo Azevedo, meses atrás, sobre a distribuição de camisinhas nas escolas:
"Algumas pessoas ficaram escandalizadas com a minha afirmação de que máquinas de distribuição de camisinha nas escolas podem até aumentar o número de doenças entre os jovens ou a gravidez precoce. É uma ilação lógica. A primeira conseqüência será despertar para o sexo quem a tanto não se sentia compelido. Duvido que quem já se iniciou na prática ignore os benefícios da camisinha. O problema não está na ignorância, mas na falta de responsabilidade. É o que a escola deveria estimular, ensinar, fomentar. Em vez disso, vai distribuir preservativos. Não consegue ensinar matemática e língua portuguesa, como sabemos."

Reinaldo Azevedo, ontem, sobre o massacre na Virgínia:
"A verdade é a seguinte: nem um país como o Japão, onde as armas de fogo praticamente são privativas da polícia, está livre de um maluco como o assassino da Universidade da Virgínia. Não queria chocar os noviços, mas a liberdade individual que garante aos americanos o direito de ter uma arma é a mesma que contribui para fazer do país a maior potência econômica do planeta — mas isso ainda é pouco: é a mesma que fez a mais importante nação democrática do planeta."

Errado, Reinaldo. Se você fosse coerente, eu esperaria de você a seguinte frase:
"Algumas pessoas ficaram escandalizadas com a minha afirmação de que a liberação do uso de armas nas escolas pode até aumentar o número de mortos ou feridos nestes estabelecimentos. É uma ilação lógica. A primeira conseqüência será despertar para a violência quem a tanto não se sentia compelido. Duvido que quem já se iniciou na prática ignore os efeitos de uma arma de fogo. O problema não está na ignorância, mas na falta de responsabilidade. É o que a escola deveria estimular, ensinar, fomentar. Em vez disso, vai permitir o uso de armas. Não consegue ensinar matemática e língua portuguesa, como sabemos." "

O Reinaldo entra de boi de piranha, pura implicância do Hermê, esse provocador. Mas que tem muita gente com essa mesma esquizofrenia por aí, ah, isso tem.

Agora vai. Mas vai mesmo.

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"Brasileiro é tão bonzinho!"



"AFIRMO que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.

Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. "

O Paulo Henrique Amorim foi buscar numa edição de 2005 da Folha o artigo que começa desse jeito aí em cima. Quem assina é o Manganeira Unger, que, segundo ouço no Palácio do Planalto, será o novo ministro do Longo Prazo, mandando no Ipea e no Núcleo de Assuntos Estratégicos, no governo. O resto do esculacho no presidente está no link aqui.

Boquiabri-me, estupefato. Depois dizem que o Lula não é um grande democrata.
Deve ser a primeira vez que alguém defende com tanta veemencia a deposição de um presidente por crime de responsabilidade, acusa o chefe de Estado de corromper as instituições republicanas, e o acusado o nomeia ministro.

Vai ver que é só para ter o gosto de demití-lo depois, vai saber.

A nobreza do Quinalha

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O presidente da Cãmara, Arlindo Quinalha, quer tirar o comitê de imprensa da Cãmara do lugar que ocupa há 30 anos. O argumento é a necessidade de espaço para os partidos pequenos. Argumento dele, porque a rzão parece ser uma tentativa de afastar a incômoda presença dos repórteres, do caminho de Sua Excelência.

Há trinta anos, para entrar na Câmara, o presidente da Casa tem de pasar pelo salão verde, e, se quiser negar explicações para seus atos ou sobre questões polêmicas, é obrigado a passar constrangedoramente calado pelo batalhão de jornalistas e equipes de Tv que freqüentam o local. Expulsando os jornalistas do comitê, além de dificultar o acesso ao plenário, poderá entrar sem ser interceptado, ou mesmo visto,em seu gabinete (que instalará no local hoje ocupado pelos repórteres).

Vê-se por aí o gosto do Quinalha pela transparência. É interessante ver um integrante de um partido dos Trabalhadores, ao chegar ao poder e descobrir que não há nada melhor que o isolamento aristocrático dos verdadeiros nobres. Vai longe, esse Quinalha. Aliás, muito jornalista amigo meu gostaria de mandá-lo para vários e pitorescos lugares, onde seu talento para a democracia seria bem aproveitado.

Recomendo ao nobre deputado Quinalha uma estratégia mais eficaz: instalar o comit~e de imprensa no espelho d´água do Congresso. E, quando reclamarem, reagir com bom humor, alegando que lugar de cascateiro é no laguinho. Se os jornalistas não caírem em gargalhadas convulsivas, é porque são uma raça sem graça mesmo.

O céu cor-de-rosa do brigadeiro


O Hermenauta, blogueiro multifaectado, é também um chato. Ele ouviu e está implicando com a história do brigadeiro Saito, de que o país vai desmilitarizar o controle aéreo naturalmente, porque o controle será feito por satélites ( e não radares de terra como nos atuais Cindacta), a partir de 2012. O Hermê pesquisou um pouco o assunto, e acha que "talvez o brigadeiro Saito esteja contando histórias para o boi dormir". Ou, quem, sabe, quer a FAB mandando no controle aéreo da aviação civil, enquanto, lá no chão, a vaca vai pro brejo.


Explica aí, Hermê:


Em primeiro lugar, a empresa mais importante na pesquisa sobre o controle de tráfego aéreo por satélite, a Boeing, colocou o projeto em banho-maria: o projeto ATM, Air Traffic Management, foi realocado para o Phantom Works, divisão de pesquisa da Boeing, que trabalha com prazos mais extendidos. Em segundo lugar, não é de se esperar que as Forças Armadas brasileiras dependam de satélites estrangeiros para fazer o controle do tráfego aéreo, portanto, os radares do CINDACTA não irão para o ferro velho antes que o Brasil tenha colocado seus satélites de tráfego aéreo no espaço.
Por outro lado, a tecnologia que promete de fato mudar o panorama do controle de tráfego aéreo são os "
Taylored Arrivals", onde os aviões que se aproximam do aeroporto têm seus computadores automaticamente alimentados pelo sistema de controle sobre a trajetória que devem seguir, eliminando a necessidade de comunicação entre piloto e controlador de vôo.
Qualquer dessas tecnologias, entretanto, demandará esforço e tempo para a sua padronização mundial. A própria Air Traffic Alliance, empreendimento conjunto europeu para o tráfego aéreo,
não prevê sua ampla adoção antes de 2020.


Tem muito mais história, que ele conta AQUI.

No tempo do arroz integral

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A Cooperativa dos Vegetarianos da Guanabara, como o nome indica, é a mais antiga cooperativa de naturebas no Brasil, e até hoje deve manter um agradável restaurante perto da Praça Tiradentes, onde, no passado, velhinhos anarquistas, os fundadores, conspiravam contra não sei bem o quê. Foi meu primeiro estágio de jornalista, sob a supervisão de Fernando Fernandes, alternativo multimídia, que, para ganhar a vida trabalhava nos recursos Humanos da CVM (!). Com ele, editava o trepidante periódico O Vegetariano, que, como se diz hoje em dia, descontinuamos, para lançar uma revista alternativa com o sugestivo nome de A Outra.



O número inicial dA Outra, temerariamente dado a mim para diagramar (numa época sem softwares de edição; aliás, sem computadores de mesa), tinha um editorial pioneiro do Fernando Fernandes, em que ele defendia, se me lembro bem, a desapropriação dos corpos após a morte, para acabar com a indústria de transplantes. Como se vê, éramos visionários. Vanguarda mesmo.


Lançamos a revista na finada livraria Dazibao, em Ipanema, em um evento singular, que contou com a sábia orientação do monge Hélder, da Fraternidade Aurora Espiritual. Ele fez com que até o rabugento Wilson Tosta desse as mãos à roda formada pelos presentes ao lançamento, que emitiram ondas positivas para a nova publicação, pronunciando em uníssono o mantra "oouuuummmmmmm". Inesquecível. A revista durou uns quatro números. Acho que o Tosta não fez "oouummm" com a convicção que o momento pedia.


A paixão por costeleta de porco me impediu de ser um vegetariano muito convicto, mas da experiência com o FFernandes me ficou um gosto pela comida natural, que mantive e me garante essa aparência que se pode ver na foto aí, acima. Bom, ninguém nunca disse comida natural fazia milagre.


Sempre me pergunto onde andará o Fernando Fernandes. Grande sujeito. Se houvesse, naquela época, os recursos de hoje, conquistaríamos o mundo para a causa do café de cevada. Ou, quem sabe faríamos algo como esse vídeo hilário AQUI, que descobri lendo o imperdível Hermenauta, com suas divertidas caixas de comentários. R2Tofu e Chewbroccolis são dois dos trocadilhos mais infames que já me chegaram aos ouvidos. (se tiver dificuldade em tocar o vídeo, clique primeiro na imagem, depis em "play")


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Meu filho, este jovem sisudo que se vê na foto ao lado, me deu uma certa preocupação ao começar umas conversas sobre concurso público, seguir conselho de amigos que se deram bem em lugares como a Caixa, o Congresso, coisa e tal.

Nada contra o serviço público; não fosse o temperamento nômade de meu pai, hoje eu seria um feliz executivo do BNB, banco para o qual fiz concurso de auxiliar de escriturário na década de 70, e passei (para ser contratado, faltou fazer só um exame, o de fezes; meu pai mudou-se antes de Fortaleza, e eu com ele, deixando para trás a perspectiva de trabalhar no banco com os melhores salários do país. Mas também, vai que me reprovavam nessa última etapa, seria vexaminoso). Mas, em resumo, conheço meu rebento, e sei que não é para o funcionalismo que ele está talhado.

Além disso, não era pela louvável vocação, mas pela pressa em ter salário (e escapar da mesada murrinha que ganha) que meu filho mirava o exemplo de amigos e pensava ser uma boa fazer um dos inúmeros concursos anunciados na capital. Convenci-o a manter o rumo original, preparando-se para o vestibular, que nem fez; passou pelo Programa de Avaliação Seriada, o PAS da UnB, para um troço chamado Mecatrônica (o cabelo na foto, a propósito, foi cortesia dos amigos, ao colega calouro). Optou pelo caminho mais fácil, como vejo, na nota publicada pela Helena Chagas no Blog dos Blogs, mantido por ela, com os craques Tales Faria e Alon Feuewerker:

Mais de um milhão de inscritos no concurso da Câmara

Encerradas as inscrições do concurso para preencher vagas de nível médio e superior na Câmara dos Deputados, os organizadores contaram mais de UM MILHÃO de inscritos. E agora estão enlouquecidos. As provas começariam a ser realizadas mês que vem, mas agora ninguém sabe como organizar um concurso dessa dimensão, sem risco de fraudes e outras falhas. E mais: vai ter que ter reforço no orçamento para fazer e corrigir tanta prova.

Um milhão de inscritos, para trabalhar na Câmara!!! Mais um pouco e ganhar na Mega Sena passará a ser alternativa mais fácil de carreira.

Jamais entenderei de política

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Olhei no blog do Noblat, nada. No do Josias, chongas, nem no do Fernando Rodrigues, ou os do Alon, do Tales e o da Helena Chagas; nada no Ilimar Franco, patavina na Teresa Cruvinel. Nos dos blogueiros não jornalistas, também neca. Admito, esperava alguma repercussão, que não vi, a não ser no Ancelmo. Mas ele, além de grande jornalista, é um tremendo brincalhão. Como costumo ouvir que o jornalismo na Internet está substituindo o jornal impresso, só posso concluir que me equivoquei tremendamente em me entusiasmar com a história que foi manchete impressa do Valor de hoje:


Lula e Serra se unem para tocar megaprojeto em SP
Sergio Leo13/04/2007


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, decidiram unir esforços em um projeto que envolve quase R$ 1 bilhão: as obras de saneamento, despoluição e habitação na região das represas Guarapiranga e Billings. O governo federal estuda a liberação de R$ 630 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o projeto - a maior parte a fundo perdido. Com o acordo, Serra torna possível a execução de uma das principais obras previstas em seu mandato e Lula garante ao PAC credibilidade para se firmar como projeto desenvolvimentista.


O presidente quer anunciar com Serra, no prazo mais curto possível, a liberação das verbas para as obras, que já têm projeto básico concluído e - acreditam os auxiliares do governador - amparo legal garantido. Com o acordo, Lula quer também dar uma demonstração de que marcará seu segundo mandato com uma forte preocupação "institucional", acima de partidos e de estratégias eleitorais, segundo relatou um ministro ao Valor.


Nos últimos dias, tem havido grande movimentação entre as equipes de Lula e Serra, para garantir a cooperação entre os governos federal e estadual. Na próxima semana, as equipes vão se reunir novamente para tratar dos detalhes. A última reunião sobre o assunto foi na quarta-feira, em Brasília, comandada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com a secretária Estadual de Saneamento e Energia, Dilma Seli Pena, o chefe da Casa Civil paulista, Aloysio Nunes Ferreira, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e prefeitos da Região Metropolitana.


Esse encontro foi precedido por outro, na quarta-feira anterior, também no Planalto, de Dilma Pena e o secretário de Habitação paulista, Lair Alberto Krähenbühl, com uma força-tarefa de altos funcionários do governo federal, que incluía a coordenadora-adjunta do PAC, Miriam Belchior, o secretário-executivo do Ministério das Cidades, Marcio Galvão, a secretária Nacional de Habitação do ministério, Inês Magalhães, e o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Fontes Hereda.


Segundo um assessor de Serra, o forte interesse de Brasília podia ser notado pela "agilidade" com que foram marcadas as reuniões destinadas a detalhar projetos e financiamentos. Quando se refere ao tema, Serra diz que o "assunto é de governo para governo, de Dilma com Dilma". Miriam Belchior deixou claro, porém, que o governo federal faz questão de que nem todo o financiamento seja a fundo perdido e que haja alguma contrapartida dos governos beneficiados. Serra já reservou R$ 500 milhões para o projeto e quer garantir a inclusão de ações para impedir nova ocupação desordenada e degradação ambiental nas represas

FHC, esse pândego incorrigível


Estava no século passado, e no Chile, acho, quando ouvi de um dos carregadores de pasta do Fernando Henrique Cardoso, então presidente: "ele é feliz, sabe? Nunca sofreu..."

Achei um exagero, claro, mas o ar de inveja tranqüila com que o sujeito disse a frase me fez prestar mais atenção ao nosso príncipe dos sociólogos. É, sem dúvida, um homem feliz.

Em Joanesburgo, mal acabou de dar uma entrevista a um jornal argentino, à TV Globo, a nós do resto da imprensa verdamarela, quando uma equipe da RAI encostou-lhe um microfone à boca, acendeu as luzes e o fez comentar, para a câmera, alguma banalidade multilateral. O homem soltou a palavra, em um apropriado patuá ítalo-macarrônico, juntando as línguas de Dante, Cervantes e Vitor Hugo: "Bisogna prendere, lasciare ogni speranza...blablabla, gracias, e tal". E, ao ouvir o agradecimento dos repórteres, atônitos com o idioma criado ao vivo pelo então mandatário, FHC virou-se para a Ana Tavares, que assistia a tudo com um sorrisinho irônico, e comentou, feliz como pinto no lixo: "tá vendo? agora dou entrevista até em italiano".

Mas foi em português mesmo que hoje, captado pelos ouvidos céticos do Wilson Tosta, no Estadão, o FHC atacou com um argumento insofismável a idéia de botar militares para ajudar no combate ao tráfico , no Rio: "foi motivado pelo desespero", acusou acacianamente o ex-presidente.

É isso aí, mister Cardoso. O pessoal, no Rio, está desesperado. Mas suspeito que o senhor não tenha uma idéia muito precisa do que significa isso.

O magnífico mundo das aparências

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Há uns dois anos, troquei meu Gol por um carro grande e preto. O segurança do Palácio do Planalto nunca mais impediu que eu parasse no estacionamento de lá, e várias cancelas de outros estacionamentos na capital, antes intransponíveis, passaram a abrir-se automáticamente à minha chegada. E olha que o carro nem é tão grande assim, e seu negrume costuma andar embaçado por uma camadinha da poeira do cerrado.

Hoje, me dei conta de mais uma das Leis da Aparência no Trato com a Burocracia:

_ Alô, o fulano está?
_ O doutor Fulano está em reunião, quem quer falar com ele?
_ É o Sergio Leo. Por favor, diga para ele me retornar a ligação, se possível.
_ Sim, doutor Sergio. Assim que ele sair da reunião, darei o recado.

É só você deixar de tratar alguém de doutor, para a secretária dele passar a tratar você de doutor.

Fascinante.

Cutucando o mercado com juro curto


O pessoal do mercado financeiro está preocupado com a indicação do novo diretor do Banco Central. Não por que ele já foi alvo de processo na CVM . Mas porque estudou na UFRJ . Pode ser um desastre, um sujeito no BC que não foi catequizado só nos templos do pensamento liberal.


"Essa preocupação, o Meirelles tira de letra", sugere o Oliveira, o canalha da redação. "É só espalhar que ele estudou na UFRJ, sim, mas era péssimo aluno".


Faz muito sentido. Afinal, a alguém que sabe economia do jeito errado, os operadores de mercado preferem quem não sabe de jeito nenhum.


Em breve, muito breve, começam a sair notícias sobre os índices de emprego de março. Peço a atenção dos passantes neste Sítio para a beleza das magias estatísticas que logo virão. Empresas e economistas andam numa campanha louca para acabar com o que chamam de rigidez do mercado de trabalho (aquilo conhecido pela patuléia como FGTS, Férias remuneradas, licença-maternidade, benefícios trabalhistas). E, como dizia Delfim Netto, torturando bem os números, eles dizem qualquer coisa.


Para entender melhor o que digo, compare essas duas matérias sobre o índice de fevereiro:



Índice de emprego formal cai 16,2% em fevereiro

Jorge Franco
Em nota divulgada agora há pouco, o CAGED (Cadastro Geral de Empregados), órgão ligado ao Ministério do
Trabalho e Emprego , revelou que no mês de fevereiro foram registrados 148.019 empregos com carteira assinada.

O resultado foi 16,2% menor do que o verificado no mesmo mês de 2006, quando foram gerados 176.632 novos postos de trabalho. No primeiro bimestre deste ano, o CAGED acumula um saldo positivo de 253.487 novos empregos, contra 263.248 registrados em igual período do ano passado.

Caramba, o emprego está caindo, não é mesmo? Mas o que diz essa outra notícia abaixo, sobre os mesmos números?


Emprego formal tem segundo melhor fevereiro da história
O Brasil gerou 148.019 empregos com carteira assinada em fevereiro, segundo números divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho. Na comparação com janeiro, houve um aumento de 0,53%. De acordo com a pesquisa, é o segundo melhor resultado para fevereiro na série histórica, iniciada em 1992. Só perde para o mesmo mês do ano passado, quando foram geradas 176.632 vagas formais.


O destaque ficou com a indústria de transformação, que gerou 30.792 postos no mês passado, resultado que só fica atrás ao verificado em fevereiro de 2004 (38.086 novos postos). No acumulado do primeiro bimestre, foram gerados 253.487 empregos, alta de 0,92% em relação ao mesmo período em 2006.



Entendem o que digo? Basta selecionar os números, o parâmetro de comparação, e o que é o segundo melhor fevereiro da história vira uma queda no índice de emprego (na verdade, uma redução no índice de crescimento, e não uma queda no emprego. Mutretas da terminologia estatística a serviço da ideologia). Os empregos da indústria estão aumetando até mais que no ano passado, mas muito jornal nem publicou isso.

É engraçado como a patota da "rigidez" do mercado de trabalho escolheu logo uma época em que o emprego formal, com carteira assinada está crescendo, para martelar na campanha pela reforma trabalhista, contra esses benefícios absurdos ao trabalhador, como a licença maternidade (que, num país atrasado como o Canadá, aliás, é de um ano; eles são brancos, afinal, podem cuidar dos filhos, não é mesmo?). Essa campanha não é mera teimosia, ou coincidência.
Vejamos:

Qual o argumento para a reforma? É o de que os benefícios trabalhistas provocam desemprego, e empurram o trabalhador para o mercado informal, sem carteira assinada, porque empregar fica muito caro.

Qual a solução apontada na reforma? Tirar do empregado os benefícios, porque, assim, as empresas vão contratar.

Hummm, deixa eu ver se compreendi: como os benefícios trabalhistas fazem com que muita gente contrate sem carteira, sem direitos, seus empregados, o governo deveria fazer com que TODAS as empresas contratassem com carteira, mas sem esses direitos. Ou seja, para combater a informalização do mercado de trabalho, a reforma deve fazer com que o mercado formal tenha a mesma precariedade do mercado informal de hoje.

Difícil de entender? Então vamos resumir, em linguagem clara, como faria um capitão de indústria: como as empresas estão pressionadas pelos importados com dólar baixo, pelos impostos altos, pelos custos de logística, pelos juros escorchantes, um jeito de reduzir os custos dos empresários é cortar a conta da folha de pagamentos dos empregados; tirando vantagens que esses empregados têm. E, se chiarem, diz-se que ou é isso ou eles ficam sem emprego. Sem emprego registrado na carteira, bem entendido, porque não se pensa em trocar gente por robô, tão cedo.

Querem convencer as pessoas de que, se não aceitarem mudança no contrato de trabalho, para que ele fique parecido com as regras mais precárias do mercado informal, vão acabar demitidas e trabalhando no setor informal.
Hummmm. Bem repetido, e com as estatísticas certas, esse argumento vai acabar pegando.


A falta que faz um John Uáine

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Rafael Correa, o jovem presidente do Equador é mais uma cria de Hugo Chávez, certo? Pois ele esteve no Brasil, condenou as críticas de Chávez ao etanol (e alinhou-se com Lula na defesa do álcool combustível), e também botou água no projeto do venezuelano de criar um Banco do Sul, fazendo um pacto com Lula para esvaziar a discussão e jogá-la para um encontro de ministros da Fazenda, como bem conta neste sábado, o insuperável Clóvis Rossi . Ele (o Correa, não o Rossi) também botou a Petrobras no páreo para exploração de reservas em uma área polêmica (reserva natural), já cobiçada pelos chineses e pelos chilenos. E firmou um monte de acordos de cooperação, aproximando-se do Brasil.

Acostumados a ouvir que o Brasil não tem cacife para disputar com Chávez influência na região, achamos que o resultado da visita foi excelente para a política externa, certo? Claro que não, diz o Estadão. Às vezes me parece que os editorialistas do vetusto paulista só vão ficar contentes no dia em que os países andinos reconhecerem, por tratado, a inegável superioridade brasileira, e aceitarem, quem sabe, o Reinaldo Azevedo como vice-rei para os territórios além-cordilheira.


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Já a excelente Patricia Campos Melo, no mesmo periódico, mostra que a campanha do Chávez contra o etanol tem apoio na respeitada Foreign Affairs A insuspeita _ para qualquer conservador que se preze _ The Economist também mete o pau nessa alternativa alcoólica para o efeito estufa, como, aliás, reproduziu o Estadão. A questão é que o etanol dos EUA, produzido a partir do milho, é um desastre em todos os sentidos, pelo subsídio que consome, pelo arraso que faz em outras culturas de alimentos nos EUA, pelo efeito que traz aos preços dos grãos no mundo. Em bela companhia, Lula está se metendo.

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A imagem acima, encontrada nessa página AQUI, de um paulista e bom fotógrafo chamado Guto, de quem não consegui o perfil, exemplifica bem o que quero dizer lá embaixo.





Eram quase 20 os brasileiros que se achavam a salvo dos riscos do apagão aéreo, quando o navio de cruzeiro que os levava a caminho da ilha grega de Santorini naufragou. Se voar o bicho atrasa, se nadar o bicho afunda; é bem dura a vida da classe média. Não está claro no noticiário se algum desses brasileiros chegou a conhecer a ilha, um dos maiores pega-turista que já conheci.
É bonita, sem dúvida, como uma cidade cenográfica _ o que, aliás, não deixa de ser: são do continente quase 70% dos gregos que os turistas encontram nas dezenas de lojinhas espalhadas pelas cidadezinhas da ilha, e mudam para lá só no verão, para sustentar o comércio, também com produtos de fora.

Santorini tem um relevo acidentado, praias de pedregulhos desconfortáveis e águas translúcidas, de onde se vêem as lindas casinhas brancas com telhados azuis; e, de noite, é possível assistir a um involuntário espetáculo pirotécnico: a cada segundo espouca um flash em algum canto do cenário, disparado por algum dos milhares de turistas que se acotovelam na ilha.
Um gênio do marketing, preocupado com o ajuntamento de estrangeiros num canto só do lugar, inventou que, do lado oposto, ocorre todos os dias um dos maiores espetáculos da terra, o crepúsculo na vilazinha de Oía (ou Ía, sei lá). Às cinco da tarde começa a vila a inchar de turista. Às sete, não há mais um telhadozinho vago. Às oito, oito e meia, começa o pôr-do-sol, bonito como todo ocaso no mar (no caso, o Mediterrãneo, com seu lindo horizonte difuso), e banal como quase todo sol se pondo.
As pessoas aplaudem, e vão jantar e fazer comprinhas, garantindo o lucro dos lojistas daquele lado da ilha, e o emprego de gregos da Tessalônica emigrados temporariamente para atender à patuléia. É uma espécie de Disneylândia sem Mickey nem castelo da Cinderela, em que o Pateta geralmente carrega uma máquina fotográfica sobre a barriguinha proeminente e pede, nos restaurantes, para diversão dos garçons, uma taça de retsina, o vinho vagabundo que fazem por lá, curtido com pedaços de pinho. Recomendação do guia turístico, claro, porque quem bebe vinho de verdade não se envenena com aquilo.

Há outras ilhas à volta, tão simpáticas quanto e sem o burburinho dos filisteus em excursão (que voltarão ao lar cheios de fotos e enchendo a boca para falar: ah, Santorini!). Sempre que ouço falar em Santorini fico pensando nos cenários deslumbrantes de outros cantos do mundo, que não atraem nem sombra da turistada que atulha as simpáticas ruazinhas da ilha grega. Por falta de uma coisa que teríamos muito a aprender com os gregos: uma eficiente máquina de propaganda turística. Sabem tirar proveito do que têm, e convencer os trouxas até do que não têm.

Para dar um exemplo anedótico, me permitam o bairrismo. Não se é o horizonte de quase 360 graus, ou se é a altitude, ou mesmo se é a poeira, que na época da seca escangalha o pulmão dos infelizes, mas raramente vi em algum sítio um pôr-do-sol tão bonito quanto o de Brasília, nessa época do ano. Mas nem os brasilienses fazem propaganda disso _ coisa incompreensível já que todo morador da capital pena para encontrar aspectos positivos na cidade, tão avacalhada coitada, por causa dos políticos que a ela vêm, de todos os Estados do Brasil.

Quando leio sobre o caos aéreo, vejo não só os maus tratos à classe média, que fazem o gozo de alguns invejosos, mas também o dano irreversível às exportações de produtos de alto valor agregado, hoje embarcados por via aérea; e, especialmente, o sepultamento das mal aproveitadas possibilidades do país como destino turístico preferencial. É coisa que dá dinheiro, o turismo. Mas nós não pecisamos disso, não é mesmo? A gente se bosta. Digo, se basta.

Prólogo ao feriado

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Essa coisa de alardear amizade é complicada; bastou eu escrever aqui que sou amigo do Franklin Martins, e o novo ministro me excluiu de um jantar que promoveu para jornalistas, recusou-se a informar o celular alegando que chatos estão perturbando o fim de semana dele, e quase corta meu nome de uma lista de convidados para o almoço do Lula com o presidente do Equador, Rafael Correia, no Itamaraty. Pelo menos, atende a meus telefonemas, para reclamar de minha insistência em pedir notícia. Mas, se eu tivesse alguma proximidade com a nova autoridade do governo Lula, eu a usaria para recomendar que preserve a produção de algumas tvs Educativas, as únicas que levam coisa decente ao ar certas horas do dia.




Afinal, prazer, sou o traço de audiência. Janto com a tv ligada, única hora em que me contorço para encontrar algo de interesse na tv aberta, e sempre paro no canal da Radiobrás, que leva, por exemplo, um programa tosco da TV de Ribeirão Preto com um sujeito genial, o Álvaro Maia Peres. Ele parece o primo mais gordo do Luis Nassif, e, a cada edição fala de um livro, que lê em cena e recomenda. É quase um programa de rádio, e é fascinante.




Hoje, por exemplo, era o Balzac, A Mulher de Trinta Anos. Balzaca coitada, bem cantada pelo Maia Peres, que faz milagre, sem produção nenhuma (o Maia Peres, não a balzaca). Resgatei da prateleira o Memorial do Convento, do Saramago, por causa dele. Gente boa, o cara, vive me recomendando belas leituras. Dia desses leu até minha parte preferida do Banquete, do Platão, o trecho onde o comediante Aristófanes explica a idéia de cara metade, velho mito heládico. Termina defendendo que homem mesmo era o que, primordialmente, tinha as duas metades masculinas e, por isso, gosta é de macho.




É minha parte preferida não porque eu seja praticante do sexo entre iguais, mas porque sempre me faz imaginar como Santo Agostinho deve ter lidado lá com essa travessura ao enfiar o platonismo na doutrina católica.




Bom, logo após o Maia Peres costuma vir um programa da TV Minas, sobre literatura, que também é espetacular, gostaria de me lembrar do nome. Hoje, foi dedicado a um escritor colombiano, Efraim Medina Reyes. É o da simpática foto aí em cima, e foi quem me fez sair da cozinha e da frente da tv, para inaugurar o feriado aqui no Sítio. Esse Matta Reyes parece ser uma dessas espécies comuns na literatura contemporânea, o escritor-sul-americano-moderno-e-nihilista.




Em resumo, mais um babaca.




Desanca o Garcia Márquez, por falar de um universo que lhe cheira a naftalina. Bom ponto para ele, mostra a incapacidade do sistema educacional sul-americano _ nós incluídos _ de mostrar à garotada avoada o sabor profundo de escritos como os do Gabo. E revela (já que o tal Efraim já está nos 40) a incapacidade da minha geração de superar o massacre cultural dos anos 60 e 70, quando ditaduras e a indústria cultural abasteceram um rolo compressor que passou paquidermicamenter sobre a riqueza das culturais locais nos países do terceiro mundo. Crescemos todos cantando as musiquinhas dos Jackson Five e estupidamente surdos à riqueza dos ritmos latinos, do tango ao samba. Nós, no Brasil, pelo menos tivemos a MPB, os tropicalistas e os Novos Baianos. El Condor Pasa, cá pra nós, é de amargar, e a Mercedes Sosa, no conjunto da obra, é um pé no saco. Pobres andinos.




Ouço e vejo o colombiano, na boa sonoridade do espanhol da Colômbia; o sujeito tem cara de índio, uma empáfia danada, rosto de quem seria fuzilado por um texano que o pegasse andando a esmo do lado errado do Rio Grande. Pobre coitado, ex-boxeur, roqueiro frustrado, desdenha a cultura do país onde nasceu por engano e deve se sentir como um Kerouac jogado nos Andes pelo acaso. Me faz lembrar a geração de escritores nefelibatas no Brasil, que despontaram imitando o Rubem Fonseca e o Sérgio Sant'Anna, fazendo contos e romances urbanos para chocar a burguesia ou impressionar a academia. Onanistas da literatura, queridinhos da crítica de gueto.




Esse Efraim, como se nota, não li e não gostei. Mas quem sabe o Idelber me convence do contrário.



O Globo diz que o governo tem um plano de emergência, que envolve convocação de gente da Aeronáutica. mil sujeitos com treinamento em controle de vôo precário; a Folha diz que há um plano B que se baseia na tese de que os controladores que não se amotinaram acorreriam à convocação do governo. Afinal, é gente que não atuava no controle, gente que já está no controle ou ambos, os reservas para o caso de motim?


Suspeito que é blefe, ainda não se pode dizer que está afastada a ameaça de novo colapso; mas acredito que os controladores, já ameaçados de prisão, perda de emprego e de aposentadoria, não vão pagar para ver. Se bem que, no Estadão, diz o Expedito que os controladores preparam ações para uma paralisação, entre elas um pedido de baixa (demissão do serviço militar) coletivo, dos mais velhos, que reduziria o quadro em 40%.


Fico feliz com a retomada da hierarquia, e me impressiona a impossibilidade de ter uma idéia clara do que está acontecendo, para quem lê os jornais sobre essa crise. Mas uma frase ouvida de um controlador de vôo, por alguém aqui na redação ecoa em minha cabeça, como a voz aveludada da Íris Lettieri: "com a tensão, o clima nos Cindactas, eu, se pudesse, não pegava um avião nem a pau".

Crise militar? Chamem o Almirante!

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Essa crise é só pretexto para publicar aqui mais um texto que nada tem a ver com o assunto, mas que chupei (com todo o respeito, e algum atraso), do Ao Mirante Nélson.
Já disse aqui que precisam publicar o cara, em papel e capa dura (ou brochura, se isso não deixar chateado nosso oficial-general preferido):




Escritor gosta mesmo é de apanhar





Quem ficou surpreso ao saber do barraco entre o Garcia Márquez e o Vargas Llosa, acontecido em 76 (donde deduzimos que a Literatura Moderna não consiste apenas num soco no estômago do leitor: às vezes vale murro em olho de autor), é porque nunca soube de outros casos, tão mais apetitosos quanto abafados, também envolvendo literatos – e que as organizações Ao Mirante trazem para você, com exclusividade.

Por exemplo, o beliscão no mamilo que o Machado de Assis tomou do Gregório de Mattos, e que fez o Bruxo do Cosme Velho sair dando pulinhos em ziguezague pela calçada do Forte de Copacabana gritando "Bof quoi, dis donc, fait chier!". Segundo fofocas, o fato de nunca terem sido contemporâneos – com quase um século e meio dividindo os dois – deve ter sido a causa do desentendimento: se já nunca tinham se falado antes do incidente, aí é que não voltaram a conversar.

Outro caso que deu o que falar foi o demorado pisão no pé que Ernest Hemingway tomou de F. Scott Fitzgerald, num baile em Fresno. Segundo Hemingway, foi porque Fitzgerald não suportava os "therefore" que ele tinha enfiado indevidamente em "O Sol Também se Levanta". Segundo Zelda Fitzgerald, que presenciou tudo, foi porque Hemingway tirou Fitzgerald para dançar. E segundo Fitzgerald, o décimo-quinto Martini estava ótimo e ele não se lembra de mais nada.

Houve também o caso de Fernando Pessoa, que uma vez se trancou no banheiro de uma tabacaria no Ribadouro, em Lisboa, e quem encostou o ouvido na porta acompanhou o tenso diálogo que culminou em Alberto Caieiro enfiando o dedo no olho de Ricardo Reis. Como não se lembrar também de Lord Byron e Mme. de Stäel, que chegaram a trocar cusparadas, tufos de cabelo e pedaços de unha – e tudo isso por correspondência?

Aliás, no quesito briga de casais, houve o caso de Norman Mailer, que, depois de ter se pegado com uma namorada também escritora, foi a um bar com uma faca cravada nas costas. Quando os amigos, depois de vários rodeios, com muito jeitinho apontaram o fato, ele teria virado um gole de bourbon e dito: "Pois vocês precisavam ver como ela ficou".

Voltando lá no início, há quem diga que no caso do Vargas Llosa e do Garcia Márquez tinha uma mulher no meio. Ainda bem que ela se desviou bem na hora.
Postado por Nelson Moraes


A pressa com que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quer constituir o seu Banco do Sul, para financiar ações dos governos da região, cria atritos entre Brasil e Argentina, e deve levar o governo brasileiro a reagir mais duramente às pretensões do mandatário venezuelano. Há sérias desconfianças, em Brasília, de que a cúpula presidencial marcada por Chávez, na próxima semana em Isla Margarita, para discutir energia, pode se transformar em um ultimato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que aceite o Banco do Sul nos termos desejados por Chávez ou seja apontado como obstáculo ao projeto.

Há quem diga, no governo, que Chávez está passando dos limites.

"O Brasil não assina contrato de adesão, não assinou na Alca, não assinará agora", garante o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, lembrando a resistência do governo brasileiro em aceitar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), nos termos em que era defendida pelos Estados Unidos. Amorim não confirmou os atritos entre os governos por causa do Banco do Sul, e garante que o Brasil tem interesse no projeto. Até agora, o governo tem administrado o assunto com cuidado para não melindrar Chávez. A tropelia do venezuelano, porém, deve fazer o governo partir para a ofensiva.

Na semana passada, o assessor internacional da presidência, Marco Aurélio Garcia, reuniu-se com especialistas dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Relações Exteriores, para discutir a estratégia a seguir com Chávez, e com a Argentina, para canalizar a discussão sobre o Banco do Sul para um debate sério sobre financiamento ao desenvolvimento na região. Entre as preocupações do governo está evitar que a resistência em embarcar no projeto venezuelano possa ser apresentada, por Chávez ou Kirchner, como recusa de Lula em somar-se à busca de alternativas para os países carentes de recursos externos.

Continua AQUI.

Voar é para os pássaros

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Na imagem acima, passageiros e controladores de vôo aguardam o retorno dos brigadeiros da aeronáutica, que viajaram com passagens de cortesia, para que imponham sua disciplina moralizadora

Concordo com os comentaristas que criticam a quebra de hierarquia, nesse caos aéreo e aeroportuário. Até quando vamos aceitar que comandantes e oficiais de forças como a Aeronáutica, depois de mostrar total incompetência para evitar a insubordinação de seus comandados, questionem decisões de seu comandante em chefe, o Presidente da República?



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