Nas vezes em que estive em Caracas, no Hotel Hiton _ que acaba de ser comprado pelo governo e se tornará Alba hotel ou coisa parecida _ tinha vários livros sobre Hugo Chávez na vitrina de sua livraria. Todos contra Chávez. Os jornais falavam mal do presidente, e na TV havia até slogans tranbsmitidos de hora em hora com ataques ao governo. Não me pareceu uma ditadura sem liberdade de expressão, como se vendia por aqui.
A cassação da concessão de um canal de tv, como fez Chávez, na base da palavra do soberano, foi um mau passo, ainda que as versões que chegam até o Brasil sejam terrivelmente deturpadas. Fala-se sempre que as decisões do governo escudadas no Congresso ou na Justiça não são legítimas porque ele controla o Legislativo e o Judiciário. Ora, a esmagadora maioria governista no Congresso só existe porque a oposição, golpista, boicotou as eleições porque sabia que não teria votos. E no Judiciário, ninguém jamais sonharia dizer que há uma ditadura nos EUA porque os republicanos são maioria na Suprema Corte. Menas, pessoal, menas.
A forma de agir de Chávez é autoritária, e, pena que não achei na Internet, mas a entrevista concedida pela nomeada por ele para a nova tv estatal mostra que ela imagina a nova emissora como uma máquina de propaganda governista, não como uma tv pública, do Estado. Péssimo sinal.
Vale a pena acompanhar o que vai se dar na Venezuela, pena que não tenhamos fontes confiáveis. Até a semana passada, a RCTV, emissora que não teve a concessão renovada, era apresentada por muitas publicações como a "única" emissora de oposição a Chávez. Pouca gente disse corretamente, que era a única com alcance nacional (pelas províncias há várias emissoras que não cansam de desancar o Chávez.
Já acho estranho os jornalistas não se incomodarem com o fato de uma emissora fazer oposição (e não crítica, ou investigação) contra um governo; mais estranho ainda é ver que, agora que Chávz desastradamente aponta as armas contra outra emissora, terem esquecido rapidamente que, a julgar pelas notícias anteriores, o oposicionismo havia saído do ar com a RCTV.
Fica difícil para os que, como eu, criticam a ação de Chávez, deixar de sair apontando os exageros nas críticas ao venezuelano. Nesse mundo sem nuances da cobertura sobre a Venezuela, parece que só há os que amam ou os que odeiam o comandante. Há iniciativas importantes na Venezuela, há besteiras feitas com dinheiro do petróleo, há idéias legítimas de Chávez e há um periogoso projeto messiânico em curso por lá.
Quem conhecer uma fonte de informação confiável que me indique. Espero que o Maisonave, da Folha, que é excelente jornalista como bem reconhece a revista Imprensa, consiga traduzir o que acontece nas terras bolivarianas.
maio 2007 Archives
Borges tem essa singularidade: é um minimalista enciclopédico. Jamais escreveu, eu acredito, nada que tivesse mais de dezesseis páginas. E gerou essas bibliotecas imensas, escrevendo, concisamente, sobre o infinito.
Neste curso eu decidi enveredar por outro caminho e examinar algumas coisas insólitas que escreveu Borges ".
A obra foi concluída pela Gautama no programa Luz para Todos, do governo federal. Os moradores reclamam ainda de tomadas e bocais quebrados, aterramentos malfeitos e choques com eletrodomésticos.A obra foi orçada pela Gautama em R$ 111.678,40. Os moradores tiveram de pagar novas lâmpadas.
Algumas famílias se queixam de que levam choques ao tocar nos eletrodomésticos. "A TV, o som e o vídeo, desde que ligou a luz, dão choque", afirma Adelino Alves de Azevedo, 39.
Está lá, meio escondida, na página A20 do Estadão de hoje, a notícia que me serve de argumento para defender que saúde não é coisa que se possa tratar só pelos mecanismos de mercado. Pelo menos, é assim que pensam os governos do mundo. Menos o dos EUA e de alguns países fortemente influenciados pelos interesses das copororações farmacêuticas...
Com a oposição declarada do maior responsável por registros de patentes no mundo - os Estados Unidos -, o Brasil conseguiu aprovar na Organização Mundial da Saúde (OMS) uma resolução que serve como uma espécie de aval para as políticas seguidas pelo País no setor de medicamentos, principalmente depois da decisão de quebrar a patente de um remédio da Merck. A resolução estabelece a criação de uma estratégia internacional de acesso a remédios contra a aids e o apoio da agência da ONU para a Saúde aos países que queiram quebrar patentes de medicamentos.
O texto ainda pede que mecanismos, como um fundo, sejam estudados para permitir o financiamento de pesquisa de novos remédios em países emergentes. Os governos alegam que a única forma de financiar novos produtos colocados no mercado pelas empresas tem sido a venda dos remédios a preços altos.
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Para funcionários dentro da OMS, porém, a aprovação pode ser considerada como uma vitória dos países em desenvolvimento. "O Brasil conseguiu trazer de volta para o centro de discussões da OMS a questão das patentes", afirmou German Velasquez, diretor do departamento de medicamento da entidade.
(essa parte a seguir não está na versão publicada no estadão, mas na da ag~encia, para a qual dei o link acima:)
De fato, o tema da propriedade intelectual também foi tratado no combate à malária como forma de facilitar acesso aos remédios. Outro debate envolvendo patentes foi o da gripe aviária. A Indonésia havia se queixado de que entregou à OMS uma mostra de um vírus e que, meses depois, teve de comprar vacinas de uma empresa australiana produzidos com base no vírus cedido por Jacarta. Os indonésios sugeriram, então, que apenas compartilhariam o vírus do H5N1 se todos os resultados de pesquisas fossem também compartilhados, sem patentes.
O José Luiz Fiori escreveu hoje, no Valor, um interessantíssimo artigo sobre as diferenças entre Brasil, China, Índia e África do Sul, em que fala dos destinos dos quatro países. Nós e os africanos ficaremos como a turma do deixa disso, conta ele. Fiz uma maldade danada, e extraí dois dos melhroes pedaços do texto, aqui, para os frequentadores do Sítio:
" Brasil e África do Sul compartem com a China e a Índia o fato de serem os estados e as economias mais importantes de suas respectivas regiões, responsáveis por uma parte expressiva da população, do produto, e do comércio interno e externo da América do Sul e da África. Mas não têm disputas territoriais com seus vizinhos, não enfrentam ameaças internas ou externas à sua segurança, e não são potências militares relevantes.
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E daqui para frente, a China deve seguir os passos de todas as Grandes Potências que fazem, ou já fizeram parte do "círculo dirigente" do sistema mundial, e o mesmo deverá acontecer progressivamente com a Índia. Mas o Brasil e a África do Sul não contam com a unidade, as ferramentas de poder e com os desafios externos indispensáveis, e devem se manter na sua condição de "estados relevantes" mas não expansivos, porta-vozes pacíficos do "bom senso ético universal". Uma espécie de "turma do deixa disso". "
Vale a pena ler o troço todo. Como o Valor só se abre para assinante, sugiro o link AQUI, de um pessoal que chupou o texto; o problema é que as aspas viraram pontos de interrogação, mas nada que um pouco de abstração não conserte.

Sempre achei que esses leitores de auto-ajuda levam as coisas muito ao pé da letra. Mas o espírito empresarial anglo-saxão pode levar a exageros, como reproduz a Agência Estado, AQUI:
23 de maio de 2007 -
Roubadas 10 toneladas de queijo nos EUA
O trailer com mais de 10.000 kg de queijo desapareceu em uma rodovia
Associated Press
SNOW SHOE, EUA - Desaparecido: um trailer refrigerado contendo 10,4 toneladas de queijo. A carga foi roubada na madrugada de segunda para terça-feira, 22, de uma parada de descanso em uma estrada dos Estados Unidos.
O caminhoneiro havia desconectado o trailer, deixando-o no descanso, para levar o caminhão a uma oficina mecânica. O trailer - e o queijo - não estavam mais lá quando o home m voltou, diz a polícia.
O trailer é avaliado em US$ 14.000 (R$ 28.000), mas as autoridades não souberam informar o valor estimado do queijo.
"E agora, verdão, o que a gente faz com isso?"
"Pelo que entendi, agora temos de encontrar um labirinto..."
Quando um amigo seu fala besteira, ou algo do qual você discorde, sua única preocupação deve ser o grau de suscetibilidade do sujeito. Alguns você pode mandar às favas (ou a algum lugar mais pastoso); outros exigem alguma psicologia. Mas, e se seu amigo escreve em jornal, e espalha aquilo que você considera enormes bobagens pela midia afora? Que fazer, que fazer? Não adianta procurar o cara e tentar convencê-lo do contrário; à exceção de minha humilde pessoa, a maioria dos jornalistas que conheço acredita ter talhado em pedra com substância divina as palavras pespegadas nas colunas que trazem seu nome.
Por experiência própria, recomendo, em caso de amigo íntimo, deixar para lá. Afinal, as discussões que temos com amizades muito próximas estão no que se chama esfera privada, envolvem detalhes de nossas personalidades que só mostramos aos que confiamos, e jornal é terreno público, praça central, terra de ninguém e de todo mundo. Passar a mão na bunda de amigo, como brincadeira podeser até engraçado, mas não se deve fazer a brincadeira se o amigo acaba de ser empossado ministro, por exemplo, e ainda está ao lado do presidente no auditório do Planalto. Só para comparar.
Tem besteira que nem vale a pena. Quando o fernando Rodrigues fala de Brasília, por exemplo. Ele faz isso em todo aniversário da cidade, e esparsamente durante o ano. O cara é uma beleza de pessoa, gente boa mesmo, uma família linda, companheirão, bom papo, excelente humor, uma disciplina que um dia ainda há de me servir de exemplo... mas quando fala de Brasília é o paulista do lugar comum. É como falar mal de político; macheza é defender um. Mas ele faz isso só para provocar (e, pior, acredita no que escreve, acho que só por espírito de porco). Não, não vou mandar carta para a Folha defendendo Brasília. Quero mais é que odeiem a cidade, já está ficando com carro demais, e emprego de menos.
Mas o Sardenberg, esse me faz sofrer. me considero amigo dele, como de outros editorialistas do Estadão de quem acho que discordarei até a morte, mas que, diabos, são pessoas tão simpáticas, tão inteligentes, conversas tão agradáveis...gosto dos caras, fazer o quê. Ah, e são dos poucos que não errariam o acento nesse quê. Ainda por cima conhecem o português.
Bom, então ouço o Sardenberg na CBN, leio no estadão, não sou íntimo do homem, poderia criticar, fico fulo com alguns dogmas que ele repete como mantras, mas não, não vou contestar. Abaixo o volume quando ele conversa com a Míriam Leitão (outra por quem tenho amizade, caramba), e aumento quando ele conversa com o Renato Machado, ou nas hilariantes conversas dele com a Mara Luquet.
Mas aí, um leitor de meus artigos no Valor desancou educadamente os comentários dele no estadão, sobre patentes. Chama-se Paulo Lotufo, tem um blogue interessante sobre assuntos médicos, indústria farmacêutica e quetais. Daí que recomendo que o leiam, AQUI.
Quando se fala em medicamentos e China, duas notícias curiosas se repetem. Uma é o desrespeito aos direitos de propriedade intelectual no país, com uma pirataria recorde de remédios. Outra é a euforia das indústrias farmacêuticas com o mercado chinês, que fez do país um dos mais fervilhantes centros de pesquisa e produção do mundo. O paradoxo não indica que o Brasil deva seguir o exemplo chinês nessa matéria, mas recomenda menos ligeireza na análise de fatos como o recente licenciamento compulsório decretado pelo governo brasileiro para um remédio anti-aids.
Ouço no rádio o Papa Ratzinger dizer, num português milagroso, que a mídia não dá o devido respeito ao casamento. Palmas eufóricas ao fundo. Animado, ele, que já havia defendido a castidade fora e dentro (!) do tálamo conjugal, engrena a alavanca ortodoxa e diz que também temos de preservar a virgindade antes de casar. Entre os fiéis, pelo menos na CBN, silêncio tumular, de basílica abandonada.
Tolinho. Começo a acreditar que faz parte da minoria clerical que, de fato, se mantém afastados dos pecados da carne. Nada que um vinhozinho de boa qualidade não possa remediar.
. "Caramba, compañero, que pasa? "
"Pô, bicho, se me chamarem de pé de chumbo, atropelo os caras, morou?"
A Tailândia foi o primeiro país a conceder uma licença compulsória do Efavirenz, um medicamento da Merck. O Brasil rompeu negociações com a Merck porque esta não aceitou dar ao Brasil o mesmo desconto dado à Tailândia.
O laboratório Abbot, ao qual pertencem as patentes negociadas por José Serra quando era ministro da Saúde, já pediu uma licença compulsória em uma litigação nos EUA sobre uma patente, contra a empresa Innogenetics.
Nos EUA (e na Europa), o instituto da licença compulsória é fartamente utilizado.
E em 2001, após o ataque com antrax via cartas, houve uma grande agitação nos EUA quanto à necessidade de uma licença compulsória sobre o medicamento Cipro, fabricado pela Bayer alemã, por medo de que a empresa não tivesse capacidade produtiva suficiente para responder a um ataque em grande escala. E o Canadá chegou, efetivamente, a quebrar a patente alemã _ embora depois o governo canadense, pressionado, tenha voltado atrás e feito um acordo com a Bayer. Nos EUA, a quebra da patente foi evitada não só porque não surgiram novos casos de ataques como porque a Bayer fez um acordo com o Dept. of Health norte-americano.
Lula, no Chile, disse que, depois de lançar o PAC e o PAC da educação, vai lançar um PACzinho da Saúde, outro PACzinho social.
Está convencido: é o PAC-man.
Sem Bolívia, investidor aposta na Venezuela
Frustrado em seus planos de construir um complexo petroquímico na Bolívia de Evo Morales, o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich está muito satisfeito. Com a Venezuela de Hugo Chávez. Durante o Fórum Econômico Mundial, semana passada, no Chile, Grubisich contou que já em 2009 começa a colher resultados da associação com a estatal PDVSA em um projeto de produção de polipropileno, do qual espera sacar resultados de US$ 700 milhões anuais. Em outro projeto mais ambicioso, de polietileno, que iniciará a produção em 2011, planeja uma receita de até US$ 2 bilhões.
As contas externas da Venezuela agradecem. E mostram que Chávez ainda tem muito a ensinar a Morales, freqüentemente - e equivocadamente - considerado um discípulo do venezuelano em matéria de nacionalizações no setor de gás e petróleo. A nacionalização do setor de hidrocarbonetos na Bolívia completa um ano, e os resultados colhidos mostram que certas decisões de governo guiadas por um estilo sui generis de marketing político, podem se transformar em peças da mais pura antipropaganda.
Oposicionistas como o ex-vice-ministro de Relações Exteriores boliviano Manfredo Kempf, escrevem artigos ironizando o precário resultado de um ano de nacionalização, e lembram que Chávez, enquanto envia técnicos e médicos ao vizinho país andino, começa a fazer crer ao Brasil que é melhor sócio que a Bolívia. Enquanto em 1998 os investimentos em exploração e comercialização do gás boliviano chegaram a US$ 604 milhões, em 2006 estavam em medíocres US$ 197 milhões. Servem para manter as instalações existentes no país, mas não para aumentar a produção, já insuficiente para os compromissos assumidos pelo governo Morales com o Brasil, a Argentina e o mercado interno.
A falta de garantias para o fornecimento de gás tornaram inviáveis os planos da Braskem para o país (e, se isso não fosse suficiente, o clima, no governo boliviano, é de franca hostilidade contra as grandes empresas brasileiras). Grubisich, para justificar a decisão da Braskem de congelar planos para a Bolívia, lembra que a produção dos materiais plásticos como as 540 mil toneladas de polipropileno da frustrada fábrica boliviana exigem um grande fluxo de gás como matéria prima. Com menos de 34 milhões de metros cúbicos de gás como fornecimento, é economicamente inviável investir em instalações petroquímicas lá.
A garantia que Evo Morales não deu foi providenciada generosamente por Chávez, com produção venezuelana. A Pecven, estatal petroquímica da Venezuela, aceitou dividir, meio a meio, o controle da futura indústria, também financiada em comum, 50% para cada. É, como diz Grubisich, um paradigma do negócio considerado desejável na região. A empresa brasileira investiu US$ 1,5 bilhão, dos quais 30% em ações (equity) e 70% com empréstimo, numa "boa equação financeira" que teve apoio da Corporação Andina de Fomento (CAF), Banco Interamericano de Desenvolvimento, BNDES e até o IFC, braço financeiro do Banco Mundial.
















