Parto para a Índia no fim de semana, o que é um mau augúrio para este Sítio, que corre o risco de ficar com a grama meio crescida por uns dias. Em Nova Delhi, o fuso horário faz os relógios estarem oito horas e meia na frente. Essa e meia não nos ensinaram na escola, e é uma óbvia invenção de Shiva para me ferrar nos cálculos para o horário de entrega das matérias no jornal. Na última vez em que quis blogar e cobrir algum evento com fuso horário tão disparatado, fiquei desparafusado e quase briguei com um samurai chinês ou coisa parecida. Mas juro que tentarei.
Nos preparativos, conheci um diplomata indiano com excelente bom humor (numa churrascaria, ao ouvir de um brasileiro que não poderia toca na carne por ser hindu, respondeu: "a vaca é sagrada na Índia; aqui no Brasil, não"). Apaixonado pela América Latina, ele mantém um blogue sobre aspectos da cultura, com críticas de livros e filmes tão imperdíveis quanto as do Maurício Santoro (que, aliás, também escreveu sobre a greve da USP, a favor. fica como acréscimo ao post abaixo, sobre a greve). Para quem lê inglês, sugiro frequentar o Viswanathan, AQUI.


Sérgio, atendendo o mote do seu blog, isto é, por não ter melhor que fazer no momento, você está a par das "novas piadas étnicas"? Há uma aí que vem a calhar no caso do seu diplomata. Conta-se que viajavam á noite num mesmo carro por uma estrada perdida e solitária de lugar algum, três indivíduos, um argentino, um israelense judeu e um indiano hindu. O carro quebrou, parou. E eles vislumbram ao longe uma casinha. Foram até lá a pé. Não havia ninguém. Na casa minúscula, só existiam e cabiam duas camas. Ao lado da casa, porém, um estábulo, com alguns animais. Tirou-se a sorte para saber qual dos trés - o perdedor - dormiria no estábulo. Perdeu o israelense. Cinco minutos, depois, batem à porta ele, dizendo que lamenta mas não pode dormir no estábulo porque nele há um porco e ele não pode ficar ao lado do animal "imundo" segundo sua religião. O indiano se prontifica a substituí-lo e vai para o estábulo. Cinco minutos depois, batem à porta, é o indiano dizendo que também não pode lá dormir para não pertubar a vaca que lá se encontra, animal sagrado segundo sua religião. O argentino vai então, com relutância, mas vai. Cinco minutos depois batem à porta, são o porco e a vaca.....Quanto essa fuso horário de meia hota para cá meia hora para lá, é outras das excentricidades dos ingleses que os indianos deixaram ficar. Aliás, não há nada mais conservadoramente inglês que certos modos de ser indianos que mantém certas tipicidades inglesas de há muito desaparecidas no lugar de origem (os nossos caipiras fazem o mesmo com o português do Século XVII). Abraços, Joaquim.
Isso não é uma nova piada étnica, Joaquim, é uma velha piada de argentino!!! (-; E eu nem sabia que vaca e porco tinham religião... Deve ser algo em reaçãon ao churrasco gaúcho (-;
Meu caro,obrigado pela referência do blog indiano, porque estou como um louco atrás de material sobre o país, por causa dos meus alunos. Naturalmente, conto com seus textos sobre o assunto, mesmo que venham com jet lag de algumas horas ou dias. Quanto às resenhas, agradeço o cumprimento, mas te digo que tenho mesmo é saudade dos suplementos culturais dos jornais argentinos...Abraços
Já que você vai pra Índia, boa viagem. Outro dia li que eles estavam pensando em "flexibilizar" os direitos trabalhista por lá, pra atrair mais investimentos em outsourcing. Direito a férias só lá pra 12ª reencarnação.E, já que você vai ficar uns dias sem seu cortador de grama (cara, o Luiz Nassif contou outro dia no blog dele que libera e veta os comentários a partir do seu palm-celular) vou aproveitar para um ataque de cabotinismo off post, como se diz. Modestamente, vou reproduzir o trecho de um comentário que fiz num post seu de abril, sobre álcool, Lula, Bush, John Uáine e Reinaldo Azevedo. Abre aspas:"Se o Bush conseguir criar a demanda pelo etanol, o qual se tornaria uma commoditie (sei lá como, mas todo dia leio isso nos jornais), não ficaria mais fácil depois impor a superioridade do nosso velho álcool de cana? Não seria possível fazer isso cultivando o apoio de lobbies que tornem isso mais palatável para o Congresso deles a partir da defesa dos interesses dos produtores que dependem do milho e consumidores em geral (de carnes e de álcool combustível)?"Pois então: eu abro o Valor de hoje e leio a coluna do Cristiano Romero. Todinha (fora um rodapé de dez linhas sobre o Chávez) dizendo que EU ESTAVA CERTO.