junho 2007 Archives
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Olá você foi um dos milhares de emails sortiados pelo gorverno
do Rio, para escolher entre dois ingressos para os Jogos
Pan-americanos Rio 2007.
ou 
Espetacular essa tentativa de me fazer introduzir alguma espécie de vírus em meu computador. Vou tentar sortiar algum curso de ortografia para o gênio do crime que me mandou esse e-mail. Mas antes preciso de patrocínio do gorverno fluminense.
Taiwan, aquele pequeno ponto na Terra para onde está apontada certa quantidade de mísseis da China, costuma ganhar aliados no mundo, abrindo a copiosa carteira de dinheiro. Foi assim que firmou um acordo com o Paraguai, que provoca tremendo constrangimento no Mercosul nas relações com os chineses. De vez em quando alguma autoridade visita os paraguaios, e não sai de lá sem deixar alguns trocados, e promessas de mais, à frente.
Lembrei do país, não sei por quê, ao ler que, na reunião do Mercosul, em Assunção, os paraguaios vetaram a proposta do governo brasileiro, de aumentar para 35% o imposto de importação para têxteis e calçados. A proposta já estava complicada, para conseguir apoio da Argentina foi preciso concordar em aumentar também o imposto para confecções, porque os argentinos estão morrendo de medo da concorrência das roupas que vêm da China... e de Taiwan.
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O Mercosul cresceu rapidamente, na década de 90, porque os empresários viram na derrubada de barreira comerciais com os vizinhos uma bela oportunidade comercial e de investimentos. E aproveitaram. Os vizinhos continuam atrativos, o comércio com eles continua crescendo, e a atração de investimentos de fora, para montadoras de automóveis, por exemplo, fica muito facilitada quado se apresenta não só o grande mercado brasileiro, mas o mercado ampliado _ em em ampliação _ do Mercosul.
O problema é que os sócios começam a chutar as canelas dos empresários brasileiros; e algumas autoridades também.
Infelizmente, não vai ser com mostras culturais bolivarianas que vai se garantir a integração dos países na América do Sul. É verdade que, para cada empresários que fala mal da política externa há pelo menos dois que estão ganhando muito dinheiro com a aproximação a outros países que ela propicia. Mas não dá para desprezar a irritação cada vez maior do setor privado no Brasil com nossos vecinos. Já basta o Boca júniors ganhando campeonato americano.
A maneira mais fácil de diferenciar economistas ortodoxos e heterodoxos na equipe econômica de Lula é falar em meta de inflação. Quem fizer sinal da cruz, ajoelhar e rezar em voz alta é ortodoxo. Quem fizer sinal da cruz e empunhar um crucifixo dizendo "vade retro! vade retro!" é heterodoxo. Pode ser que ninguém faça uma coisa ou outra, afinal os economistas do governo não são lá muito católicos.
Para quem também não reza por esse catecismo, basta saber que quanto maior a meta de inflação, menor a necessidade de aumentar os juros para desestimular o consumo e impedir ou frear as altas de preços. O problema da redução do consumo é que, com ela, cai a atividade econômica, a geração de empregos e a moral do governo. Daí que os heterodoxos queriam deixar a meta como está, em 4,5% ao ano; e os ortodoxos pretendiam baixá-la para 4%.
Acabam de anunciar a decisão do Conselho Monetário Nacional sobre o momentoso assunto. Não foi salomônica, mas mantegonica: a meta vai ficar em 4,5%, mas o Banco Central vai continuar manobrando a política monetária para baixar a inflação para 4%.
Parece maluquice: o governo fixou uma meta de inflação, mas o Banco Central, encarregado de zelar por ela, vai ter uma meta diferente. As coisas do cerrado são assim, parecem tortas à primeira vista, mas, de perto dá para ver que são tortas mesmo.
Este Sítio está aqui para isso mesmo, tirar as ervas daninhas que grudam no entendimento das gentes e esclarecer aos visitantes as particularidades da fauna que encontramos por aqui, que podem provocar alguma confusão nos menos habituados. No caso da meta de inflação, a explicação é simples, e trago ela desembrulhada para nossos frequentadores:
1) O governo fixou uma meta, mas o Banco Central vai tentar fazer com que a inflação seja diferente, menor que essa meta;
2) se o Banco Central falhar, a inflação será maior, e poderá ficar na meta do governo;
3) Portanto, a meta do governo é fazer com que o BC fracasse. Simples, assim.
A construção de Angra 3 vai aumentar nossa capacidade energética em quase 3%! É uma energia limpa! (Sujo, muito sujo, é o resíduo nuclear para o qual ainda não há nenhum plano decente de manejo, mas isso fica para os próximos governos, e para a geração de nossos filhos).
Para os maníacos que ainda se preocupam com a falta de um programa para lidar com alguma emergência no pujante programa nuclear brasileiro, para os céticos que não acreditam na capacidade de planejamento e prevenção de crises do Estado nacional, este blogue traz uma revelação que permitirá a todos relaxar e gozar, como se deve.
O governo já contratou uma equipe especializada, importada da maior potência mundial, para orientar a construção da nova usina e os planos contra acidentes. Abaixo, o momento em que o chefe da equipe toma contato com os planos redigidos por Dilma Roussef para tocar a bomba, digo, a usina:
P.S.: Outro lado positivo é a distância entre Angra e os morros da cidade do Rio de Janeiro. Ainda não há, na literatura mundial, estudo sobre as conseqüencias da incapacidade do poder público de evitar a entrada de balas perdidas em alguma tubulação da usina.

Diz o site do Terra: "Em entrevista ao jornal The Jerusalem Post antes da realização das fotos, o responsável por mídia e relações públicas no consulado em Nova York, David Saranga, disse que o objetivo da publicação das fotos era atrair a atenção de homens jovens, com idades entre 18 e 35 anos. "
Como é? Atrair a atenção da macharada com a informação de que há gostosas lânguidas e novinhas nas Forças Armadas? O cartaz de convocação para o serviço militar deve ter por lá o lema do Ministério do Turismo aqui: "Você, que acaba de completar 18 anos: relaxa e goza!".
Essa liberalidade toda só vale se você não for palestino, claro.
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(continua valendo meu pedido aos leitores abaixo. façam-me o favor)
(Essa eu copiei, figura e texto, integralmente do Hermenauta:)
O ex-ministro José Dirceu, ex-clandestino e mestre dos disfarces, na verdade é Al Gore, quem sabe maquiado.
Pedir participação de meus 300 leitores é uma tarefa ingrata, a timidez mitológica dos freqüentadores deste Sítio me deixa magras as caixas de comentários, mas vá lá:
Vou participar, em breve, de um seminário sobre política externa, em que falarei sobre a imagem da política externa argentina na opinião pública brasileira. Quando terminava o textinho sobre o qual falarei (depois conto aqui no Sítio), me veio a curiosidade: e qual a opinião sobre a política externa argentina dos passantes aqui?
Não se acanhem, contem até se ficaram surpreendidos ao saber que a Argentina tem uma política externa.
O Geneton Moraes Neto, o repórter mais brilhante que a tv já acolheu (logo depois vem meu amigo Fernando Molica, mas ele é mais tímido) juntou-se com um bando de craques e fez um blogue, o Sopa de Tamanco (deve ter uma explicação para o nome; não pesquisei). E, como joalheiro que sabe o valor das pedras que lapida, republica um história ótima de seu sítio antigo, uma entrevista com o Jacinto de Thormes, o homem que teve de explicar à Rainha da Inglaterra o que era "bicha", saudação da torcida para o juiz Armando Marques (tolinho, não devia saber que homossexualismo é um velho esporte bretão). AQUI.
Em português não fica tão bom. Mas numa lojinha em Toronto, quase comprei (não tinha meu tamanho) uma camiseta que dizia:
"The voices in my head tell me they don't like you"
Combina primorosamente com cabelos estilo moicano.
O senador é brilhante., mas apenas quando as luzes do plenário iluminam aquela parte do crânio em que já não tem cabelos. É um parlamentar de destaque; ao passar por alguma porta, seu respeitável ventre surge sempre primeiro, como que destacado do restante do corpo, do qual o umbigo distancia-se alguns bons centímetros. Dizem, ele até namorou a irmã da Mônica Veloso, a "gestante" tão generosamente amparada pelo presidente do Senado.
Como este Sítio não é lugar de fazer insinuações contra ninguém, rejeito o boato acima, e conto a história sem nomes, até porque o jornalista que me contou não a confirmaria, não iria ele transpor para o mundo dos blogues um relatozinho feito à volta da fogueira em uma festa junina num condomínio de Brasília.
Já sabia eu que o senador tem muitas namoradas. Charme natural, que ele administra com avareza: fica com as moças por exatos dois meses e vinte e nove dias, após os quais as descarta com algum presente, antes que o namoro configure relação estável, para os ditames _ e pensões _ da lei. Agora, entre goles de quentão, fiquei sabendo que ele tem uma explicação para o sucesso com o sexo oposto, apesar de sua beleza pouco ortodoxa.
"Eu tenho aparelhos, muitos aparelhos; sempre que viajo trago um novo", explicou o senador, dizem que revirando os olhinhos (nisso não acredito, nunca vi ninguém revirar olhinhos, como jamais houve mulher que empalidecesse da maneira que desecrevem os romances). Após a revelação, excitado como uma Marta Suplicy em saguão de aeroporto lotado, o senador explicou que as namoradas enlouquecem com sua criatividade mecatrônica. "É meu segredinho", garantiu. E saiu, rebolativo, o movimento dos glúteos ressaltado pela grossa carteira e talão de cheques no bolso de trás da calça.
Dias depois, o jornalista amigo meu encontra, no Salão Azul do Congresso, o senador Magno Malta (ou teria sido outro?), que vinha se queixando de dores terríveis na perna. Conversam algum tempo, e o senador (esse outro), saca do bolso um aparelhinho, com o qual passa a massagear a parte de trás do joelho. "Foi presente do senador ***", explica. "Um santo remédio". Meu amigo, de olhos arregalados (ninguém revira os olhos, mas, nessas circunstâncias arregalá-los é coisa normal), conta que só lhe veio a idéia de dar um conselho ao sujeito alegre, que, com ar aliviado, massageava a perna, ali no salão do Senado:
"Senador, se o senhor soubesse por onde deve ter andado isso, não estaria falando em santidade".
Penetra habitual em reuniões de chefes de Estado, descobri que basta fazer uma cara de autoridade, evitar o olho dos seguranças, e qualquer um passa por diplomata (bom, não pode estar de mochila usando cabelo moicano); atravessa bailando a maioria dos assim chamados rígidos sistemas de segurança. Essa papagaiada toda nos aeroportos, com tabus nas bagagens, revistas humilhantes e esperas infindáveis na imigração, só serve para atazanar a vida dos mortais e para que os incompetentes encarregados da segurança dêem aos chefes a impressão de estarem trabalhando. Nazistas frustrados, todos.
No aeroporto de Heathrow, Londres, a babaquice já é conhecida. Se você estiver com duas maletas, não te deixam passar. Se enfiar uma na outra, como fiz, ao voltar da Índia, com a mochila onde eu carregava o lap top, entulhada na minha mala de terno, aí pode. Imbecilidade é o nome da coisa. Algumas companhias aéreas aqui, dependendo do panaca que estiver atendendo, fazem esse tipo de restrição.
Posso me gabar de ter ingressado na perigosa lista do terrorismo internacional: menti desbragadamente quando me perguntaram se tinha algo líquido ou pastoso na minha bagagem, e entrei em território aeroportuário britânico carregando clandestinamente uma letal bisnaga de desodorante Axe, um perigosíssimo tubo de pasta de dente Sensodyne e, ameaça das ameças, uma meio usada bisnaga de creme após barba da Occitane (sim, sou um metrosexual. mas perigosíssimo).
Isso tudo porque eu estava desembarcando de um avião da British Airways proveniente da Índia, para, sem sair do saguão das conexões, embarcar em outro avião da mesma companhia em direção a São Paulo. Por quê minhas duas bagagens não eram perigosas ao aterrissar e tornavam-se um sério risco à segurança da Grã-Bretanha ao decolar, ninguém me explica.
Usuários de aeroportos de todo o mundo, uni-vos!!! Querem consolidar no Brasil a palhaçada de nos obrigar a por artigos de higiene em saquinhos transparentes, e descartar garrafinhas de água e quetais. Se não reagirmos logo, daqui a pouco qualquer policial da esquina vai se sentir no direito de humilhar o cidadão da favela, só porque é pobre e suspeito.
Já estão fazendo isso? Eu não disse? Eu não disse?
Mas tem coisa pior. Eu podia, como minha amiga Eliane Cantanhede, estar de viagem em Israel. Tinha ouvido a história, escandalizado. Mas foi pelo Luiz, do Ceará, que eu vi que ela já estava na blogosfera.
Do jeito que vai a coisa, em breve substituirão os cintos de segurança por camisas de força.
Sabe como é, pelo bem de todos.

Um aspecto diferencia brutalmente a Índia do Brasil: o pragmatismo dos governantes, e da inteligentsia local. Tanto o primeiro-ministro, Manmohan Singh, quanto o vice-diretor da Comissão de Planejamento (lá, planejamento é levado a sério), Singh Ahluwalya, são gente transitada pelo FMI e Banco Mundial, falantes do tal Consenso de Washington . Perguntei a eles o que explicava o tremendo sucesso da Índia, país com uma colosal multidão de miseráveis, apagões diários, déficit público altíssimo, controle estatal, montes de pecados para a sapiência convencional. Embatucavam. Um segredo, me disseram, é que a Ìndia fez o que devia gradualmente, de acordo com as conveniências do país; mantém até hoje, por exemplo, controle sobre a entrada de dinheiro especulativo vindo do exterior. E investiu, lá atrás, em educação.
Não foi para agradar ás agências de classificação de risco, que, como comentou para mim um empresário brasileiro, tiveram de correr atrás e dar à Índia o que negam até hoje o Brasil: classificação de "grau de investimento", aval necessário para que os fundos de pensão americanos possam derramar seu dinheirinho em papéis do governo.
Não dá para acreditar que o Brasil não está em melhores condições que a Índia para aproveitar a onda de crescimento mundial, no dia em que os economistas do governo voltarem a acreditar em planejamento, e na criação de condições autônomas de crescimento econômico, sem aprofundar a dependência do capital externo.
Infelizmente, a onda já está passando, corremos o risco de ficar encalhados nas rochas.
Entre no carro, ligue o motor, vire o controle de temperatura do ar condicionado para o máximo do aquecimento, ponha o ventilador na máxima velocidade e você poderá sentir a relaxante brisa indiana, o ventinho de 45 graus que experimentei em Nova Déli.
No trânsito quase sem semáforos, os carros entram rapidamente nos entroncamentos, e é um milagre que não haja colisões freqüentes. Opa, falei rápido demais, o taxi a minha frente, com a Sônia Bridi, o Paulo Zero e a embaixatriz, a Isabel Raupp acaba de levar uma trombada. Os caras saem, falam algo naquela linguagem ininteligível (pode ser sânscrito, pode ser inglês, vai saber), um deles dá um sorriso resignado, e vão embora.
Reparando bem, quase todo carro em Nova Déli tem algum amassadinho.
Milagre é não morrer gente nesses triciclos motorizados que parecem mini-Kombis. Me antecipei de novo: no jornal, notícia sobre um dos motoristas nessas latas ambulantes, que morreu abalroado por um ônibus. Milagre mesmo, é o sucesso da Índia. Nos jornais, uma das explicações; estudantes de sucesso têm destaque na midia que só descerebrados do Big Brother ganham na imprensa brasileira. Deve ser triste viver num país que prestigia a inteligência.
A Índia das previsões triunfalistas, a gigante do outsorcing que apavora os empregados no setor de serviços do primeiro mundo, está escondida num país que me faz lembrar a Fortaleza dos anos 70. Sem praia com jagada e bem, bem mais quente. Tenho de voltar em março, me dizem. A idéia é boa, se me indicarem restaurantes onde sirvam pimenta na comida e não comida na pimenta como os que encontrei nessa viagem.
A pobreza é agressiva, os pedintes quase esmurram o vidro do táxi, enquanto eu, rico habitande da minúscula parte do globo que ganha mais de US$ 30 mil anuais, olho com cara de parvo.
São quase 800 milhões, dos 1,2 bilhão de indianos, os que vivem com menos de US$ 2 por dia. Com uma população dessas, a classe média consumidora indiana ainda é mais que um Brasil inteiro. Daí o entusiasmo dos investidores, que não se importam em ir para um país com altíssimo déficit público, controle de câmbio e de importações, falta crônica de energia elétrica e água potável, e, pecado dos pecados, planejamento central.
O brioche da ministra
Mas, na volta, já pensando na vida brasiliense que me aguarda, o que me irrita profundamente é a infra-estrutura do aeroporto de Guarulhos. Um dos maiores do país, e não tem um lugar onde se possa tomar cafezinho decente e pagar com cartão depois que o infeliz atravessa uma quilométrica fila e entra no saláo de embarque. Botecos vagabundos, sem ao menos o charme dos botecos vagabundos dignos do nome.
Lembrei dos botequins quando li nossa ex-prefeita, ministra do Turismo e fantasma nos sonhos da sucessão do Lula dizer aos turistas incomodados com o caos nos aeroportos nacionais que "relaxem e gozem".
Não dava para ela dizer que comam brioches. Não tem coisa decente para comer nessas espeluncas dos salões de embarque nos aeroportos de Sampa. Mas para relaxar e gozar, ministra, vai ter de mudar o padrão das massagistas que oferecemn serviços lá no saguão.
Me larga Piovani!
No hotel onde eu estava, na Índia, a notícia que arrepiou a comitiva prersidencial não foi sobre as lambarizadas do irmão de Lula , mas a revelação de que estava lá, também, hospedada com a namorada, uma tal de Angelina Jolie. Um dia, vi passar uma moça de longos cabelos vermelhos, cabeção, lábios grossos e poucas nádegas. Esse último detalhe me convecenu: não, não devia ser ela. Quem sabe a namorada, que eu nem sabia existir. Fica para a próxima, Angelina.
No Brasil, quem me persegue é a Luana Piovani. A caminho do jornal, ouço na CBN uma entrevista sobre a peça que ela vai trazer a Brasília. Voz esquisita, a dela. Tinha de ter algum defeito, além da cabeça oca, afinal. No jornal, uma nota sobre a moça ter encontrado um namorado na Bahia. E, no on line, Caetano, finalmente, confessa que fez, sim, uma música para a menina, apesar de não ter tido nada com ela.
Francamente, Caê, que papelão.
A poucos dias de voltar da Índia, estou em dívida com os passantes deste Sítio, perdão. É que descobri o motivo simples da carividência dos gurus indianos: eles vêem à frente porque, pelo fuso horário, Nova Deli está oito horas e meia adiante do Brasil. Estou no futuro, e, neste momento, enquanto boa parte de vocês no Brasil, almoça enforcando uma sexta-feira, eu me esgoelo, à noite, batendo umas mal traçadas sobre a economia indiana, para o Valor. Prevejo mais uns dois dias sem postar neste Sítio mal cuidado.
A sociedade indiana é uma sociedade de castas, e descobri, durante a visita do Lula, a razão pela qual os miseráveis aqui se contentam com a magra porção que esse sistema lhes destinou. Hábito. Por exemplo, depois que o Lula foi embora, descobri o luxo que é dormir seis horas, três a mais do que a média a que fomos submetidos, os repórteres, durante a visita de nosso presidente. Acordar no horário local, acompanhar tudo e escrever até o começo da tarde no horário do Brasil foi a prática; fazer três refeições por dia uma utopia; creio que há coisas mais tranquilas para se fazer por aqui. Treinar para faquir, por exemplo.
O hotel, em compensação, dispõe de massagem ayurvédica, para os hóspedes, de até duas horas. Custa cem dólares e é ministrada por dois indianos musculosos. Resolvi aderir ao gandhismo, e suportar estoicamente os sacrificios, sem esse luxo elitista.
Depois conto alguma coisa decente. Passei por aqui só para dar uma aparada na grama, e lembrar da Índia, agora que a turma aí só pensa em escândalos e no amor de Hugo Chávez com nosso presidente. Namasté.














