junho 2007 Archives

Quem mandou não se chamar Pereira?

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Acontece. Nossa leitura dos jornais de sábado me fez lembrar aquela rua no Rio de Janeiro, que o carioca apelidou de quase-quase, a célebre Bulhões de Carvalho. Foi ao ler, na nossa coluna social favorita, a da Mônica Bérgamo, a notinha sobre a festa junina do ministro Gilberto Gil: o arraial, segundo a nota, será na casa da mulher do modelo Walter Rosa, a também famosa Lilibeth Monteiro de Carvalho. Para azar da coluna, um exu qualquer tirou, no texto impresso, o "v" do sobrenome da dondoca.


Caracas. Sou solidário com a Mônica, minha querida amiga; ninguém na imprensa é invulnerável a esses diabinhos come-letra que espreitam nas gráficas. Podia ser pior. Nos anos 80, nO Globo, vi o colunista de música clássica ter um princípio de infarto ao ver impresso o artigo em que descrevia, com elogios derramados, uma soprano capaz de fazer a voz chegar ao céu. O exu, no caso, comeu "é" da última palavra, dando um destino nada celeste à voz da moça.


Não gosto de ver coisa assim no trabalho de amigo meu. Mas confesso que mal posso esperar para ver como farão a correção, no Erramos, da Folha, amanhã.




(o espécime acima é um portentoso carvalho português, transplantado para cá deste sítio AQUI)

O hacker analfabeto ataca de novo

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Olá você foi um dos milhares de emails sortiados pelo gorverno
do Rio, para
escolher entre dois ingressos para os Jogos
Pan-americanos Rio 2007.


ou




Espetacular essa tentativa de me fazer introduzir alguma espécie de vírus em meu computador. Vou tentar sortiar algum curso de ortografia para o gênio do crime que me mandou esse e-mail. Mas antes preciso de patrocínio do gorverno fluminense.

Assim é provocação, ó pá.

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Brasil é o país onde as pessoas, nos estados, elegem representantes corruptos, e depois reclamam indignados de Brasília e a corrupção de seus políticos.

É o país onde os liberais vociferam contra o Estado e as tentativas de criar um sistema de classificação para programas na televisão, e se escandalizam com o sexo na adolescência e a descriminalização do aborto.

É a nação em que, para enfrentar a desmoralização do Senado, senadores nomeiam, como relator na comissão de ética da casa, um político alvo de uma catadupa de processos na Justiça.

Parece bem a terra em que o humorista português Raul Solnado desabafou: "ixcutaqui, ó pá: demos-lhes a língua, e caim fala cum s'taque som's nós??

Mas meu querido Francisco Seixas da Costa, o melhor embaixador que Portugal já teve nessas terras de além mar, desde Pero Vaz de Caminha, há de me perdoar; posso perder o amigo mas não perco a curiosidade. Deu-se-me a seguinte dúvida, no caso que paso a contar:

Recebo da embaixada de Portugal, sítio de excelentes jantares, um convite para o encerramento da mostra de cinema europeu, neste domingo. Às 20h30 haverá debate sobre o filme português "A Costa dos Murmúrios". E, em seguida, diz o convite, haverá a apresentação do filme "A Costa dos Murmúrios".


Como é, ó pá? Os gajos vão fazer um debate sobre o filme, e só depois passar o dito-cujo para as gentes?


Ora, pois.

A última do paraguaio

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Taiwan, aquele pequeno ponto na Terra para onde está apontada certa quantidade de mísseis da China, costuma ganhar aliados no mundo, abrindo a copiosa carteira de dinheiro. Foi assim que firmou um acordo com o Paraguai, que provoca tremendo constrangimento no Mercosul nas relações com os chineses. De vez em quando alguma autoridade visita os paraguaios, e não sai de lá sem deixar alguns trocados, e promessas de mais, à frente.

Lembrei do país, não sei por quê, ao ler que, na reunião do Mercosul, em Assunção, os paraguaios vetaram a proposta do governo brasileiro, de aumentar para 35% o imposto de importação para têxteis e calçados. A proposta já estava complicada, para conseguir apoio da Argentina foi preciso concordar em aumentar também o imposto para confecções, porque os argentinos estão morrendo de medo da concorrência das roupas que vêm da China... e de Taiwan.


****

O Mercosul cresceu rapidamente, na década de 90, porque os empresários viram na derrubada de barreira comerciais com os vizinhos uma bela oportunidade comercial e de investimentos. E aproveitaram. Os vizinhos continuam atrativos, o comércio com eles continua crescendo, e a atração de investimentos de fora, para montadoras de automóveis, por exemplo, fica muito facilitada quado se apresenta não só o grande mercado brasileiro, mas o mercado ampliado _ em em ampliação _ do Mercosul.

O problema é que os sócios começam a chutar as canelas dos empresários brasileiros; e algumas autoridades também.

Infelizmente, não vai ser com mostras culturais bolivarianas que vai se garantir a integração dos países na América do Sul. É verdade que, para cada empresários que fala mal da política externa há pelo menos dois que estão ganhando muito dinheiro com a aproximação a outros países que ela propicia. Mas não dá para desprezar a irritação cada vez maior do setor privado no Brasil com nossos vecinos. Já basta o Boca júniors ganhando campeonato americano.

Empreendedorismo em Brasília

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não há mais respeito nesse mundo.

caquÉtica

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Mas o que faz falta mesmo, no Senado, não é presidente, nem vice, nem relator, nem comissão.





(foto em nada relacionada com o caso, vista na casa do Atanazio, neste blogue AQUI.)

A maneira mais fácil de diferenciar economistas ortodoxos e heterodoxos na equipe econômica de Lula é falar em meta de inflação. Quem fizer sinal da cruz, ajoelhar e rezar em voz alta é ortodoxo. Quem fizer sinal da cruz e empunhar um crucifixo dizendo "vade retro! vade retro!" é heterodoxo. Pode ser que ninguém faça uma coisa ou outra, afinal os economistas do governo não são lá muito católicos.

Para quem também não reza por esse catecismo, basta saber que quanto maior a meta de inflação, menor a necessidade de aumentar os juros para desestimular o consumo e impedir ou frear as altas de preços. O problema da redução do consumo é que, com ela, cai a atividade econômica, a geração de empregos e a moral do governo. Daí que os heterodoxos queriam deixar a meta como está, em 4,5% ao ano; e os ortodoxos pretendiam baixá-la para 4%.

Acabam de anunciar a decisão do Conselho Monetário Nacional sobre o momentoso assunto. Não foi salomônica, mas mantegonica: a meta vai ficar em 4,5%, mas o Banco Central vai continuar manobrando a política monetária para baixar a inflação para 4%.

Parece maluquice: o governo fixou uma meta de inflação, mas o Banco Central, encarregado de zelar por ela, vai ter uma meta diferente. As coisas do cerrado são assim, parecem tortas à primeira vista, mas, de perto dá para ver que são tortas mesmo.

Este Sítio está aqui para isso mesmo, tirar as ervas daninhas que grudam no entendimento das gentes e esclarecer aos visitantes as particularidades da fauna que encontramos por aqui, que podem provocar alguma confusão nos menos habituados. No caso da meta de inflação, a explicação é simples, e trago ela desembrulhada para nossos frequentadores:

1) O governo fixou uma meta, mas o Banco Central vai tentar fazer com que a inflação seja diferente, menor que essa meta;

2) se o Banco Central falhar, a inflação será maior, e poderá ficar na meta do governo;

3) Portanto, a meta do governo é fazer com que o BC fracasse. Simples, assim.

Vão construir Angra 3!

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A construção de Angra 3 vai aumentar nossa capacidade energética em quase 3%! É uma energia limpa! (Sujo, muito sujo, é o resíduo nuclear para o qual ainda não há nenhum plano decente de manejo, mas isso fica para os próximos governos, e para a geração de nossos filhos).



Para os maníacos que ainda se preocupam com a falta de um programa para lidar com alguma emergência no pujante programa nuclear brasileiro, para os céticos que não acreditam na capacidade de planejamento e prevenção de crises do Estado nacional, este blogue traz uma revelação que permitirá a todos relaxar e gozar, como se deve.



O governo já contratou uma equipe especializada, importada da maior potência mundial, para orientar a construção da nova usina e os planos contra acidentes. Abaixo, o momento em que o chefe da equipe toma contato com os planos redigidos por Dilma Roussef para tocar a bomba, digo, a usina:


P.S.: Outro lado positivo é a distância entre Angra e os morros da cidade do Rio de Janeiro. Ainda não há, na literatura mundial, estudo sobre as conseqüencias da incapacidade do poder público de evitar a entrada de balas perdidas em alguma tubulação da usina.

Arma secreta israelense

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Os anti-israelenses vão dizer que é apelação. E é mesmo. Com apoio do cônsul israelense em Nova York uma revista dedicou capa e edição a fotos sensuais de integrantes do exército israelense, uma verdadeira esquadrilha, pena que, não raramente, usada em fins pouco nobres. Vai ter gente no mundo árabe resmungando entre dentes que é golpe baixo; afinal, é o tipo da ofensiva que não pode ter contra-ataque do mesmo nível no campo muçulmano.

Fiquei imaginando se não será uma dessas moças a que se comportou como integrante da SS com a Eliane Cantanhede, dia desses. Oliveira, o canalha da redação, jura que já viu essa sargenta aí em cima de roupa de couro e chicotinho em um hotel de Dubai. Em Israel, onde, contra o que afirmam alguns, ainda existe uma sociedade democrática, a coisa criou polêmica, claro.



Diz o site do Terra: "Em entrevista ao jornal The Jerusalem Post antes da realização das fotos, o responsável por mídia e relações públicas no consulado em Nova York, David Saranga, disse que o objetivo da publicação das fotos era atrair a atenção de homens jovens, com idades entre 18 e 35 anos. "


Como é? Atrair a atenção da macharada com a informação de que há gostosas lânguidas e novinhas nas Forças Armadas? O cartaz de convocação para o serviço militar deve ter por lá o lema do Ministério do Turismo aqui: "Você, que acaba de completar 18 anos: relaxa e goza!".


Essa liberalidade toda só vale se você não for palestino, claro.

***

(continua valendo meu pedido aos leitores abaixo. façam-me o favor)

É plágio, mas por uma boa causa.

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(Essa eu copiei, figura e texto, integralmente do Hermenauta:)

Após anos e anos de dedicados estudos, a equipe jornalística de O Hermenauta descobriu um dos mais bem guardados segredos da política internacional.
O ex-ministro José Dirceu, ex-clandestino e mestre dos disfarces, na verdade é Al Gore, quem sabe maquiado.
Existem abundantes provas disso além da semelhança física. Uma delas, talvez a mais importante, é que os dois nunca foram vistos juntos. A segunda é que ambos guardam verdades inconvenientes. E a terceira é que nenhum dos dois jamais será presidente (se um deles fosse presidente e o outro não, estaria criado um paradoxo capaz de derrubar o edifício da Lógica).

Mortadela intestinal


Dentre os imeios não solicitados que recebo, o da Unicamp é dos raros que leio sempre, com prazer. Fazem com que me lembre que jornalismo pode ser feito na base das notícias positivas, que alegram a alma da gente; falam das descobertas, inciativas, criações da universidade. Ainda hei de aproveitar alguns como matéria para o Valor.


Por enquanto, passo a compartilhar com os freqüentadores deste Sítio, que se dividem entre os intuitivos geniais, os altamente intelectualizados e os europeus que batem todos os dias aqui atrás do post que fiz um dia sobre a Monica Veloso do Itamar Franco, aquela que se exibiu sem calcinha, sem danos colaterais para a carreira do então presidente. Bons tempos aqueles, mas passemos às novidades da Unicamp:


Seleciono, do último e-mail, a notícia de que os paulistas inventaram a mortadela boa para o intestino. Calma, que ela continua a ser acolhida por via oral, como indica a abertura da matéria:


Depois da versão defumada e com adição de pimentão ou pistache, vem aí a mortadela com propriedades funcionais. A perspectiva para o surgimento do novo produto foi aberta por uma pesquisa desenvolvida para a tese de doutoramento de Andréa Carla da Silva Barretto, apresentada na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp. Pela primeira vez no Brasil, ela produziu um embutido com reduzido teor de gordura simultaneamente enriquecido com fibras.


O resto está AQUI.


Em breve, a paulistada inventa a polenta emagrecedora, ou a polpeta com propriedades de resatruação capilar. Nada como juntar a fome com a vontade de comer.
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(Prossegue num post mais abaixo, minha pesquisa sobre política externa argentina. Comentem lá!!!)

Da série Anúncios da CBN - Sentra

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Minha rádio favorita. Um anúncio da Nissan me revela que teremos de conviver com um novo automóvel na praça batizado de Sentra. Difícil encontrar nome mais bizarro, ainda que pudesse ser pior.
Poderia ser Deitra.

Ainda acho que atrairia mais compradores se o chamassem Levantra.






O clímax nos aeroportos

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Há frases infelizes que marcam um político para o resto da carreira, e, a essa altura, a ministra Marta Suplicy deve ter percebido que estava com o transponder desligado quando disse que os passageiros retidos como gado nos aeroportos devem "relaxar e gozar". Ela pediu desculpas, mas é tarde demais. Agora, relaxa e goza, ministra, porque o troféu Cindacta de insensibilidade aeroportuária já está na mão. Mas nem tudo está perdido, trago aqui minha colaboração para alegrar os passageiros seviciados nessa suruba aeroviária.

A excitação com a resposta da Suplicy me fez lembrar a campanha lançada aqui no Sítio, durante a crise da Varig, o "adote uma aeromoça", que o hermenauta bem ilustrou com a foto da bonequinha aí acima. Sugiro agora a confecção de uma versão masculina, e o aluguel da dupla, nos saguões da Infraero, para aqueles que resolverem levar a sério a sugestão sexológica.

Já que está todo mundo praguejando mesmo, as salas para celebrações ecumênicas poderiam mudar de destinação, e ganhar divisórias e instalações para que a paciência violentada dos usuários de aeroportos pudesse dar lugar a sessões de relaxamento e gôzo, conforme a fantasia do freguês. Prevejo bonequinhos também no modelo "controlador de vôo" e "ministro da Defesa", para uso passivo ou ativo, conforme o humor do passageiro. Não, não vai ter versão "ministra do Turismo". Aí já seria sacanagem.

Pedido aos leitores

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Pedir participação de meus 300 leitores é uma tarefa ingrata, a timidez mitológica dos freqüentadores deste Sítio me deixa magras as caixas de comentários, mas vá lá:

Vou participar, em breve, de um seminário sobre política externa, em que falarei sobre a imagem da política externa argentina na opinião pública brasileira. Quando terminava o textinho sobre o qual falarei (depois conto aqui no Sítio), me veio a curiosidade: e qual a opinião sobre a política externa argentina dos passantes aqui?

Não se acanhem, contem até se ficaram surpreendidos ao saber que a Argentina tem uma política externa.

O senador que faltava no debate


Por falar em craque, de todos os comentários que ouvi sobre a reforma política, gostei mais do texto do Maurício Sanmtoro, jornalista, cientista político e crítico cultural, bom nisso tudo. Ele chamou ao debate o senador Palpatine, (Democratas-Piauí), que tem muito a dizer sobre o assunto, AQUI.

Tamancadas do Geneton

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O Geneton Moraes Neto, o repórter mais brilhante que a tv já acolheu (logo depois vem meu amigo Fernando Molica, mas ele é mais tímido) juntou-se com um bando de craques e fez um blogue, o Sopa de Tamanco (deve ter uma explicação para o nome; não pesquisei). E, como joalheiro que sabe o valor das pedras que lapida, republica um história ótima de seu sítio antigo, uma entrevista com o Jacinto de Thormes, o homem que teve de explicar à Rainha da Inglaterra o que era "bicha", saudação da torcida para o juiz Armando Marques (tolinho, não devia saber que homossexualismo é um velho esporte bretão). AQUI.

Idéias para camiseta I

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Em português não fica tão bom. Mas numa lojinha em Toronto, quase comprei (não tinha meu tamanho) uma camiseta que dizia:

"The voices in my head tell me they don't like you"

Combina primorosamente com cabelos estilo moicano.

Tinha uma pedra no meio do meu Reino

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Vejo nos jornais tentativas epistemológicas de explicar o fracasso de público da adaptação do romance de Ariano Suasuna, A Pedra do Reino. Logo vão culpar o povo, dizer que a patuléia não entende coisa complexa...


Bom, eu, que adoro o Suassuna, tentei ver a minisérie. E tinha um probleminha, além da dramaturgia farsesca, mais apropriada para um palco de teatro que para a telinha na sala da gente. NÃO DAVA PARA ENTENDER O QUE OS CARAS ESTAVAM FALANDO!!!! Os diálogos eram incompreensíveis, ditos entredentes, sussurados às vezes, quase cuspidos. Devem ter agradado sobremaneira ao diretor. Mas o telespectador ficava lá, pedindo uma legenda, para saber o que, entre caretas e micagens, aquele pessoal pintado estava dizendo.


Que falta faz um Guel Arraes...

Porque valeu a pena ter aprendido (mal) francês


Delacroix, insatisfeito porque não conseguia o tom certo de dourado que pretendia para seu "Julgamento de Mario Faliero", decidiu pegar um carro e ir ao Louvre. Como naquela época (1825) não havia carros, teve de pegar um tilburí mesmo; ou um cabrolé, a história é confusa a esse respeito. Ao chegar perto do veículo, porém, percebeu que o dito-cujo era amarelo, de um amarelo que não conseguia nas suas pinturas; e logo percebeu que a cor era destacada pelo contraste com as sombras em volta, de um belo violeta. nem precisou ir ao Louvre, sacou ali uma teoria da cor que chegou aos olhos de Van Gogh, de uns impressionistas, de uma turma que fez dele objeto de adoração.

Essa é uma das histórias desse excelente site que descobri AQUI.

Mas a história está também na coleção "Os Grandes Artistas" da Nova Cultural (suspeito que seja a mesma que os jornais andam publicando, não conferi), e que uma dona plagiou descaradamente, AQUI, em português.
Este Sítio também é cultura. Continuem ligados.

Relaxamento no Senado

O senador é brilhante., mas apenas quando as luzes do plenário iluminam aquela parte do crânio em que já não tem cabelos. É um parlamentar de destaque; ao passar por alguma porta, seu respeitável ventre surge sempre primeiro, como que destacado do restante do corpo, do qual o umbigo distancia-se alguns bons centímetros. Dizem, ele até namorou a irmã da Mônica Veloso, a "gestante" tão generosamente amparada pelo presidente do Senado.

Como este Sítio não é lugar de fazer insinuações contra ninguém, rejeito o boato acima, e conto a história sem nomes, até porque o jornalista que me contou não a confirmaria, não iria ele transpor para o mundo dos blogues um relatozinho feito à volta da fogueira em uma festa junina num condomínio de Brasília.

Já sabia eu que o senador tem muitas namoradas. Charme natural, que ele administra com avareza: fica com as moças por exatos dois meses e vinte e nove dias, após os quais as descarta com algum presente, antes que o namoro configure relação estável, para os ditames _ e pensões _ da lei. Agora, entre goles de quentão, fiquei sabendo que ele tem uma explicação para o sucesso com o sexo oposto, apesar de sua beleza pouco ortodoxa.

"Eu tenho aparelhos, muitos aparelhos; sempre que viajo trago um novo", explicou o senador, dizem que revirando os olhinhos (nisso não acredito, nunca vi ninguém revirar olhinhos, como jamais houve mulher que empalidecesse da maneira que desecrevem os romances). Após a revelação, excitado como uma Marta Suplicy em saguão de aeroporto lotado, o senador explicou que as namoradas enlouquecem com sua criatividade mecatrônica. "É meu segredinho", garantiu. E saiu, rebolativo, o movimento dos glúteos ressaltado pela grossa carteira e talão de cheques no bolso de trás da calça.

Dias depois, o jornalista amigo meu encontra, no Salão Azul do Congresso, o senador Magno Malta (ou teria sido outro?), que vinha se queixando de dores terríveis na perna. Conversam algum tempo, e o senador (esse outro), saca do bolso um aparelhinho, com o qual passa a massagear a parte de trás do joelho. "Foi presente do senador ***", explica. "Um santo remédio". Meu amigo, de olhos arregalados (ninguém revira os olhos, mas, nessas circunstâncias arregalá-los é coisa normal), conta que só lhe veio a idéia de dar um conselho ao sujeito alegre, que, com ar aliviado, massageava a perna, ali no salão do Senado:

"Senador, se o senhor soubesse por onde deve ter andado isso, não estaria falando em santidade".

Confesso, errei. Acho.

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Confesso que andei copiando imagens adoidado, na Internet, para agradar aos olhos dos frequentadores deste Sítio (algumas poucas vezes posso me orgulhar de ter produzido as minhas próprias, como na bela foto que minha modéstia não impede de elogiar, neste post AQUI - a chamada "porta do nunca mais", por onde escravos eram embarcados da Ilha de Goré, no Senegal, para o Brasil, uma imagem de que a luz no fim do tubnel nem sempre é lá uma boa cosia). Mas, como dizia, tenho me apropriado de trabalho intelectual de outrem, embora sempre que possa eu ponha a origem e autoria das ditas imagens.


Descobri, porém, que uma das maneiras encotnradas por mim para apontar a origem das imagens é algo execrado pelos internautas experientes, que chamam a coisa de hotlinking _ botar no sítio um arquivo que, na verdade, está hospedado alhures.


Descobri vendo um post do Idelber, pronta e inteligentemente repercutido pelo Rafael Galvão. Eu via lá no editor do Blogger um campo para botar o endereço da imagem, e, ignorante como costuma ser minha essência, achava que estava sendo bacana, permitindo ao leitor identificar a origem da imagem, como se fosse uma citação acadêmica. Estava é me apropriando do dinheiro pago pelos autores originais da imagem pelo tráfego em seus próprios blogues (não me peçam para explicar, não tenho idéia de como se dá isso).


Eu sempre pensei que o que eu fazia aumentava o tráfego do sitio original, e que isso seria boa coisa. Uma das poucas vantagens da ignorância é que ela não aumenta com o tempo.


Evitava legendas, por achar que ficavam feias no texto (aprenderei a editar a página, um dia). Agora vou ter de catar imagem por imagem, e acabar com esse tal de rotelínquim que andei cometendo impunemente.
(a propósito, a imagem que ilustra esse texto foi realizada por algum técnico de radiografia brasiliense, a pedido da minha dentista, e tem como modelo o autor da intervenção gráfica que alterou substancialmente suas características originais. Já usei a original, aliás, em algum post passado, depois encontro o link).

Não voto no Cristo, diabos!

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"Campanha, que campanha? Estou preocupado é com aqueles garotos cheirando cola ali perto da Candelária"!





O Sergio Augusto me convenceu : votar no Cristo como sétima maravilha do mundo é aderir à filosofia da ministra sexólogoturística, e defender o ideal do orgasmo múltiplo durante a violação.


O que diz o xará sobre o candidato à maravilha, "entregue às baratas pela prefeitura carioca":




"Pobre Cristo. Do jeito como andam as coisas por lá, seu lugar justo talvez seja entre as sete maiores armadilhas turísticas do mundo. Deu azar o Redentor de ficar no alto de um morro. E logo de um morro do Rio. Resultado: as favelas vicejam que nem capim nas suas encostas. Com o crescimento descontrolado de três delas (Ascurra, Cerro-Corá, Guararapes), o mais vistoso cartão-postal da cidade poderá em breve estar dominado pelo tráfico. Vans sem credenciais, taxistas irregulares, flanelinhas que cobram R$ 20 por um espaço que não lhes pertence e guias extorsionários já o dominam, à vista de PMs e guardas municipais que não movem uma palha."




Foi generoso, o xará. Os guardas movem mais que uma palhinha, sim, aquela palha com marca d'água da Casa da Moeda, que os bandalhas usam para umidificar a mão dos fiscais. Acho que o Sérgio inspirou-se na bela sacada do Globo, que faz campanha, sim, mas não esquece o jornalismo. Nessa matéria AQUI, o jornal mostra que só milagre transforma a visita ao Cristo em uma maravilha. Parece até coisa do capeta.




Um de meus bons leitores me advertiu que o voto no Cristo funcionaria, pelo menos, como um esforço para trazer turistas à Cidade Maravilhosa, gerar renda, animar a cidade. O que o Sérgio Augusto nos lembra é que, com o voto, corremos o risco de processo por cumplicidade, em algum tribunal internacional. Chamar os incautos para o Cristo é mais ou menos como o alcoviteiro que leva os incautos para levar um suadouro.




Afasta de mim esse cálice, vade retro, sacanas.

Menos um pensante na face da terra.

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Anos 80, eu fazia uma pesquisa para a Funarte, e o Tales Faria me emprestou um livro (que mantenho até hoje: ele acabou cedendo a obra, por usucapião). Era uma tradução espanhola, El Pensamiento Visual, de Rudolph Arnheim. Foi meu guru, por muito tempo; é leitura obrigatória nos cursos de arte. Quem quiser uma boa chave para apreciar a arte abstrata (mas não só ela) tem de ler, além dos trabalhos do Kandinski e do Paul Klee, o excelente Arte e Percepção Visual, do dito-cujo.




Os críticos o desancam por achar que ele é empirista demais para a vã filosofia. Como conta o New York Times, aqui, nos últimos anos ele se dedicava a repsonder a questão: "percepção e pensamento são coisas diferentes?"



Arnheim um dos papas da Gestalt e da psicologia aplicada à arte, achava que não, que o ato de perceber o mundo era pensar; que pensar é sentir o mundo circundante. Discussão tão velha quanto os pré-socráticos, para a qual Arnheim levou contribuições maravilhosas, sensíveis, exaustivas.



Ele morreu nesta semana. E, se não tivesse visto a matéria no Times, eu, que amo o sujeito, teria passado batido. Tinha 102 anos.



Em compensação, estou cheio de informações sobre a São Paulo Fashion Week, e a terceira versão do Shrek, para a qual a Disney teve de dispensar a dublagem do falecido Bussunda, que Deus o tenha em bom lugar.



Sofreria muito, o jornalismo cultural brasileiro, sem a genial invenção dos press releases.

Penetra habitual em reuniões de chefes de Estado, descobri que basta fazer uma cara de autoridade, evitar o olho dos seguranças, e qualquer um passa por diplomata (bom, não pode estar de mochila usando cabelo moicano); atravessa bailando a maioria dos assim chamados rígidos sistemas de segurança. Essa papagaiada toda nos aeroportos, com tabus nas bagagens, revistas humilhantes e esperas infindáveis na imigração, só serve para atazanar a vida dos mortais e para que os incompetentes encarregados da segurança dêem aos chefes a impressão de estarem trabalhando. Nazistas frustrados, todos.

No aeroporto de Heathrow, Londres, a babaquice já é conhecida. Se você estiver com duas maletas, não te deixam passar. Se enfiar uma na outra, como fiz, ao voltar da Índia, com a mochila onde eu carregava o lap top, entulhada na minha mala de terno, aí pode. Imbecilidade é o nome da coisa. Algumas companhias aéreas aqui, dependendo do panaca que estiver atendendo, fazem esse tipo de restrição.

Posso me gabar de ter ingressado na perigosa lista do terrorismo internacional: menti desbragadamente quando me perguntaram se tinha algo líquido ou pastoso na minha bagagem, e entrei em território aeroportuário britânico carregando clandestinamente uma letal bisnaga de desodorante Axe, um perigosíssimo tubo de pasta de dente Sensodyne e, ameaça das ameças, uma meio usada bisnaga de creme após barba da Occitane (sim, sou um metrosexual. mas perigosíssimo).

Isso tudo porque eu estava desembarcando de um avião da British Airways proveniente da Índia, para, sem sair do saguão das conexões, embarcar em outro avião da mesma companhia em direção a São Paulo. Por quê minhas duas bagagens não eram perigosas ao aterrissar e tornavam-se um sério risco à segurança da Grã-Bretanha ao decolar, ninguém me explica.

Usuários de aeroportos de todo o mundo, uni-vos!!! Querem consolidar no Brasil a palhaçada de nos obrigar a por artigos de higiene em saquinhos transparentes, e descartar garrafinhas de água e quetais. Se não reagirmos logo, daqui a pouco qualquer policial da esquina vai se sentir no direito de humilhar o cidadão da favela, só porque é pobre e suspeito.

Já estão fazendo isso? Eu não disse? Eu não disse?

Mas tem coisa pior. Eu podia, como minha amiga Eliane Cantanhede, estar de viagem em Israel. Tinha ouvido a história, escandalizado. Mas foi pelo Luiz, do Ceará, que eu vi que ela já estava na blogosfera.

Do jeito que vai a coisa, em breve substituirão os cintos de segurança por camisas de força.

Sabe como é, pelo bem de todos.

Pegaram o Cristo para Cristo

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Pobres cariocas, no desespero para salvar das balas perdidas o amor próprio esfrangalhado pelos maus tratos ao Rio de Janeiro. Essa campanha pelo Cristo Redentor, que me perdoem, é uma das maiores babaquices que já vi na cidade. Não é à toa que o César Maia é o prefeito da cidade; ela adora um factóide.




Francamente, maravilha mundial é a cidade do Rio de Janeiro, vista lá de longe, do Cristo, por quem tiver escapado do assalto na subida do Corcovado. O Cristo, mesmo, de estilo indefinido, gigantesco monumento contra a multiculturalidade nativa, é uma estátua de pouca graça. Maravilha mundial? Atributos por atributos, como falei pro Ancelmo, preferiria votar na Juliana Paes. Coisa maravilhosa, lá ao pé do cristo, é a vista do Corcovado.




Não conheço cidade mais bonita, e mantenho a esperança de que, um dia, poderei voltar a caminhar pelas ruas escuras de Ipanema sem ver um asaltante em cada sombra. Se consertaram Chicago, por que não vão consertar o Rio? Um dia ela será uma cidade, assim, como o Rio da novela do meu amigo Ricardo Linhares com o cara que ajuda ele a escrever os roteiros, um tal de Gilberto Braga, acho.


(aliás, não tenho coragem de dizer a ele que não assito novela: você que assitem podem me dizer se ele manteve a promessa de mencionar uma tal D. Edith, nos diálogos da turma de Copacabana? Novela sobre Copacabana sem citar minha avó _ que Deus a tenha em bom lugar, diria ela _ não fala da a Copacabana em que morei).




Ruy Castro me lavou a alma, no que eu pensava ser só ranhetice de carioca emigrado para o Planalto. O Tales, outro carioca planaltino também leu, e copiou lá no blog dele, mas como o link me pareceu meio esquisito, copio aqui também a diatribe do Ruy, que assino embaixo:



O factóide dos desocupados 1. Quem inventou de selecionar as sete novas maravilhas do mundo é um César Maia sem prefeitura. Mais uma enquete internacional movimenta a internet. Um canadense nascido na Suíça, chamado Bernard Weber, inventou de selecionar as sete novas maravilhas do mundo. Qual o problema das sete já existentes? Foram esquecidas pela petizada, descobriu Weber ao conversar com uma professora primária.


2. Esquecidas porque, à exceção da grande pirâmide de Queops, o tempo não as preservou até nossos dias. Passam pelo teste de reavaliação organizado por Bernard Weber, um César Maia sem prefeitura, mas com uma fundação (New Seven Wonders) e um sítio na internet, especialmente criados para o que dificilmente deixará de ser o factóide internacional do ano. A julgar pelo perfil traçado por Roberto Kaz na revista Piauí, Weber não é apenas um desocupado a serviço de milhões de desocupados, mas um tremendo picareta.




3. Seus argumentos para a atualização das sete maravilhas oscilam entre a falácia e a demagogia. Assanhadíssimos com a possibilidade, ainda remota, de o Cristo Redentor terminar entre as sete primeiras colocadas, milhares de brasileiros invadiram o sítio New Seven Wonders com seus cartões de crédito na mão e uma metafórica venda chauvinista nos olhos. Não é menor o frisson na mídia impressa do Rio.


O Tales não copiou, mas o Ruy prossegue, comentando que a maioria dos votantes nem sequer conhece as concorrentes a maravilha, algumas, de fato, maravilhosas. Tivessem posto em cima do Corcovado uma gigantesca rosquinha Colombo e a cena ainda seria impressionante, um troço feito por mãos humanas encimando uma das maiores belezas naturais já vista pelos olhos do gentio. Maravilha o Corcovado, maravilha o Pão de Açúcar, a Lagoa, aquela cidade que, vista de cima, é um rendado de praias bordando os pés das montanhas em torno.



E vêm, os cariocas, com malandragens para elevar artificialmente a cotação do Cristo, na votação do tal site. Mutreta pura. Querem que o Cristo ganhe a competição na base do doping.


Que pecado, sô, como diria meu tio Aguinaldo, carioca de Juiz de Fora.

Um aspecto diferencia brutalmente a Índia do Brasil: o pragmatismo dos governantes, e da inteligentsia local. Tanto o primeiro-ministro, Manmohan Singh, quanto o vice-diretor da Comissão de Planejamento (lá, planejamento é levado a sério), Singh Ahluwalya, são gente transitada pelo FMI e Banco Mundial, falantes do tal Consenso de Washington . Perguntei a eles o que explicava o tremendo sucesso da Índia, país com uma colosal multidão de miseráveis, apagões diários, déficit público altíssimo, controle estatal, montes de pecados para a sapiência convencional. Embatucavam. Um segredo, me disseram, é que a Ìndia fez o que devia gradualmente, de acordo com as conveniências do país; mantém até hoje, por exemplo, controle sobre a entrada de dinheiro especulativo vindo do exterior. E investiu, lá atrás, em educação.

Não foi para agradar ás agências de classificação de risco, que, como comentou para mim um empresário brasileiro, tiveram de correr atrás e dar à Índia o que negam até hoje o Brasil: classificação de "grau de investimento", aval necessário para que os fundos de pensão americanos possam derramar seu dinheirinho em papéis do governo.

Não dá para acreditar que o Brasil não está em melhores condições que a Índia para aproveitar a onda de crescimento mundial, no dia em que os economistas do governo voltarem a acreditar em planejamento, e na criação de condições autônomas de crescimento econômico, sem aprofundar a dependência do capital externo.

Infelizmente, a onda já está passando, corremos o risco de ficar encalhados nas rochas.

Entre no carro, ligue o motor, vire o controle de temperatura do ar condicionado para o máximo do aquecimento, ponha o ventilador na máxima velocidade e você poderá sentir a relaxante brisa indiana, o ventinho de 45 graus que experimentei em Nova Déli.

No trânsito quase sem semáforos, os carros entram rapidamente nos entroncamentos, e é um milagre que não haja colisões freqüentes. Opa, falei rápido demais, o taxi a minha frente, com a Sônia Bridi, o Paulo Zero e a embaixatriz, a Isabel Raupp acaba de levar uma trombada. Os caras saem, falam algo naquela linguagem ininteligível (pode ser sânscrito, pode ser inglês, vai saber), um deles dá um sorriso resignado, e vão embora.

Reparando bem, quase todo carro em Nova Déli tem algum amassadinho.

Milagre é não morrer gente nesses triciclos motorizados que parecem mini-Kombis. Me antecipei de novo: no jornal, notícia sobre um dos motoristas nessas latas ambulantes, que morreu abalroado por um ônibus. Milagre mesmo, é o sucesso da Índia. Nos jornais, uma das explicações; estudantes de sucesso têm destaque na midia que só descerebrados do Big Brother ganham na imprensa brasileira. Deve ser triste viver num país que prestigia a inteligência.

A Índia das previsões triunfalistas, a gigante do outsorcing que apavora os empregados no setor de serviços do primeiro mundo, está escondida num país que me faz lembrar a Fortaleza dos anos 70. Sem praia com jagada e bem, bem mais quente. Tenho de voltar em março, me dizem. A idéia é boa, se me indicarem restaurantes onde sirvam pimenta na comida e não comida na pimenta como os que encontrei nessa viagem.

A pobreza é agressiva, os pedintes quase esmurram o vidro do táxi, enquanto eu, rico habitande da minúscula parte do globo que ganha mais de US$ 30 mil anuais, olho com cara de parvo.

São quase 800 milhões, dos 1,2 bilhão de indianos, os que vivem com menos de US$ 2 por dia. Com uma população dessas, a classe média consumidora indiana ainda é mais que um Brasil inteiro. Daí o entusiasmo dos investidores, que não se importam em ir para um país com altíssimo déficit público, controle de câmbio e de importações, falta crônica de energia elétrica e água potável, e, pecado dos pecados, planejamento central.

O brioche da ministra

Mas, na volta, já pensando na vida brasiliense que me aguarda, o que me irrita profundamente é a infra-estrutura do aeroporto de Guarulhos. Um dos maiores do país, e não tem um lugar onde se possa tomar cafezinho decente e pagar com cartão depois que o infeliz atravessa uma quilométrica fila e entra no saláo de embarque. Botecos vagabundos, sem ao menos o charme dos botecos vagabundos dignos do nome.

Lembrei dos botequins quando li nossa ex-prefeita, ministra do Turismo e fantasma nos sonhos da sucessão do Lula dizer aos turistas incomodados com o caos nos aeroportos nacionais que "relaxem e gozem".

Não dava para ela dizer que comam brioches. Não tem coisa decente para comer nessas espeluncas dos salões de embarque nos aeroportos de Sampa. Mas para relaxar e gozar, ministra, vai ter de mudar o padrão das massagistas que oferecemn serviços lá no saguão.

Me larga Piovani!

No hotel onde eu estava, na Índia, a notícia que arrepiou a comitiva prersidencial não foi sobre as lambarizadas do irmão de Lula , mas a revelação de que estava lá, também, hospedada com a namorada, uma tal de Angelina Jolie. Um dia, vi passar uma moça de longos cabelos vermelhos, cabeção, lábios grossos e poucas nádegas. Esse último detalhe me convecenu: não, não devia ser ela. Quem sabe a namorada, que eu nem sabia existir. Fica para a próxima, Angelina.

No Brasil, quem me persegue é a Luana Piovani. A caminho do jornal, ouço na CBN uma entrevista sobre a peça que ela vai trazer a Brasília. Voz esquisita, a dela. Tinha de ter algum defeito, além da cabeça oca, afinal. No jornal, uma nota sobre a moça ter encontrado um namorado na Bahia. E, no on line, Caetano, finalmente, confessa que fez, sim, uma música para a menina, apesar de não ter tido nada com ela.

Francamente, Caê, que papelão.

Pausa indiana

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A poucos dias de voltar da Índia, estou em dívida com os passantes deste Sítio, perdão. É que descobri o motivo simples da carividência dos gurus indianos: eles vêem à frente porque, pelo fuso horário, Nova Deli está oito horas e meia adiante do Brasil. Estou no futuro, e, neste momento, enquanto boa parte de vocês no Brasil, almoça enforcando uma sexta-feira, eu me esgoelo, à noite, batendo umas mal traçadas sobre a economia indiana, para o Valor. Prevejo mais uns dois dias sem postar neste Sítio mal cuidado.

A sociedade indiana é uma sociedade de castas, e descobri, durante a visita do Lula, a razão pela qual os miseráveis aqui se contentam com a magra porção que esse sistema lhes destinou. Hábito. Por exemplo, depois que o Lula foi embora, descobri o luxo que é dormir seis horas, três a mais do que a média a que fomos submetidos, os repórteres, durante a visita de nosso presidente. Acordar no horário local, acompanhar tudo e escrever até o começo da tarde no horário do Brasil foi a prática; fazer três refeições por dia uma utopia; creio que há coisas mais tranquilas para se fazer por aqui. Treinar para faquir, por exemplo.

O hotel, em compensação, dispõe de massagem ayurvédica, para os hóspedes, de até duas horas. Custa cem dólares e é ministrada por dois indianos musculosos. Resolvi aderir ao gandhismo, e suportar estoicamente os sacrificios, sem esse luxo elitista.

Depois conto alguma coisa decente. Passei por aqui só para dar uma aparada na grama, e lembrar da Índia, agora que a turma aí só pensa em escândalos e no amor de Hugo Chávez com nosso presidente. Namasté.



sitio do sergio leo

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