Taiwan, aquele pequeno ponto na Terra para onde está apontada certa quantidade de mísseis da China, costuma ganhar aliados no mundo, abrindo a copiosa carteira de dinheiro. Foi assim que firmou um acordo com o Paraguai, que provoca tremendo constrangimento no Mercosul nas relações com os chineses. De vez em quando alguma autoridade visita os paraguaios, e não sai de lá sem deixar alguns trocados, e promessas de mais, à frente.
Lembrei do país, não sei por quê, ao ler que, na reunião do Mercosul, em Assunção, os paraguaios vetaram a proposta do governo brasileiro, de aumentar para 35% o imposto de importação para têxteis e calçados. A proposta já estava complicada, para conseguir apoio da Argentina foi preciso concordar em aumentar também o imposto para confecções, porque os argentinos estão morrendo de medo da concorrência das roupas que vêm da China... e de Taiwan.
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O Mercosul cresceu rapidamente, na década de 90, porque os empresários viram na derrubada de barreira comerciais com os vizinhos uma bela oportunidade comercial e de investimentos. E aproveitaram. Os vizinhos continuam atrativos, o comércio com eles continua crescendo, e a atração de investimentos de fora, para montadoras de automóveis, por exemplo, fica muito facilitada quado se apresenta não só o grande mercado brasileiro, mas o mercado ampliado _ em em ampliação _ do Mercosul.
O problema é que os sócios começam a chutar as canelas dos empresários brasileiros; e algumas autoridades também.
Infelizmente, não vai ser com mostras culturais bolivarianas que vai se garantir a integração dos países na América do Sul. É verdade que, para cada empresários que fala mal da política externa há pelo menos dois que estão ganhando muito dinheiro com a aproximação a outros países que ela propicia. Mas não dá para desprezar a irritação cada vez maior do setor privado no Brasil com nossos vecinos. Já basta o Boca júniors ganhando campeonato americano.

Sergio,Fazendo história hipotética (se etc., há toda uma escola de historiadores ingleses dedicados a isso), eu sempre me perguntei se não teria sido melhor ter aceitado as propostas argentinas de 1870 ao final da Guerra do Paraguai (que, se diga foi a nós imposta e que vencemos a dura penas tendo que, graças à rematada e obstinada loucura de Solano Lopez, o megalómano iniciador de tudo, matar 95% da população masculina daquele país - ver "Maldita Guerra", de Francisco Doratioto, Cia. das Letras, 2002, ou para resumir isso http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020804/sup_pen_040802_29.htm ) e simplesmente ter feito a partição do Paraguai com os Argentinos, extinguindo um país que, na verdade, somente serve de "valhacouto" (esta é exatamente a palavra) e existe para nos atrapalhar. Por outro lado sem o Paraguai jamais teríamos Itaipu, já que a Argentina nunca faria o projeto conosco.Abraços,Joaquim Dantas.
Sergio et allii,Link completo e correto para as excelentes entrevista e resenha:http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020804/sup_pen_040802_29.htmAliás, em segunda reflexão, talvez a diplomaciana imperial tenha estado certa e a não partição do Paraguai nos tenha evitado a guerra prevista que nunca houve, qual seja, a terceira e muito mais séria guerra contra a Argentina (a da Cisplatina - 1825-1828 - e a de derrubada de Rosas - 1851 - apesar de importantes não foram graves). Que acham?Abraços,Joaquim Dantas.
O uruguai seria mais feliz e nós nos divertiríamos mais com as idiosincrasias dos gaúchos se eles continuassem província Cisplatina; o Paraguai não deveria ter sido destruído como foi; mas, já que o foi, deveria ter sido dividido mesmo, que nos pouparia um monte de trabalho. E uma guerra com a Argentina talvez fosse boa coisa. A falta de guerras no passado talvez seja o que prejudicou nossas artes, nossa literatura, nossa política. Se tivessemos brigado melhor antes, quem sabe poderíamos fazer as pazes mais facilmente agora, como França e Alemanha.