Governo cria uma meta. Mas não é o objetivo.

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A maneira mais fácil de diferenciar economistas ortodoxos e heterodoxos na equipe econômica de Lula é falar em meta de inflação. Quem fizer sinal da cruz, ajoelhar e rezar em voz alta é ortodoxo. Quem fizer sinal da cruz e empunhar um crucifixo dizendo "vade retro! vade retro!" é heterodoxo. Pode ser que ninguém faça uma coisa ou outra, afinal os economistas do governo não são lá muito católicos.

Para quem também não reza por esse catecismo, basta saber que quanto maior a meta de inflação, menor a necessidade de aumentar os juros para desestimular o consumo e impedir ou frear as altas de preços. O problema da redução do consumo é que, com ela, cai a atividade econômica, a geração de empregos e a moral do governo. Daí que os heterodoxos queriam deixar a meta como está, em 4,5% ao ano; e os ortodoxos pretendiam baixá-la para 4%.

Acabam de anunciar a decisão do Conselho Monetário Nacional sobre o momentoso assunto. Não foi salomônica, mas mantegonica: a meta vai ficar em 4,5%, mas o Banco Central vai continuar manobrando a política monetária para baixar a inflação para 4%.

Parece maluquice: o governo fixou uma meta de inflação, mas o Banco Central, encarregado de zelar por ela, vai ter uma meta diferente. As coisas do cerrado são assim, parecem tortas à primeira vista, mas, de perto dá para ver que são tortas mesmo.

Este Sítio está aqui para isso mesmo, tirar as ervas daninhas que grudam no entendimento das gentes e esclarecer aos visitantes as particularidades da fauna que encontramos por aqui, que podem provocar alguma confusão nos menos habituados. No caso da meta de inflação, a explicação é simples, e trago ela desembrulhada para nossos frequentadores:

1) O governo fixou uma meta, mas o Banco Central vai tentar fazer com que a inflação seja diferente, menor que essa meta;

2) se o Banco Central falhar, a inflação será maior, e poderá ficar na meta do governo;

3) Portanto, a meta do governo é fazer com que o BC fracasse. Simples, assim.

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Poder de síntese é tudo.

Prezado Marcus (acima),Não é só poder de síntese. É que efetivamente o Governo Lula deu todo um novo significado também a tese e antítese, e àquele papo todo de Hegel e Marx na faculdade nos anos 80 (lembra-se disso alguém?), a tal conciliação dos contrários na dialética hegeliana que o marxismo supostamente pusera de cabeça para baixo (ou o inverso, nunca entendi muito aquilo, embora o improbalíssimamente futuramente riquíssimo Lavareda tenha sido meu professor de Ciência Política).Enfim, o Governo Lula descobriu como fazer duas coisas simultaneamente contraditórias ao menos parecerem compatíveis. Inigualável. Que filósofos....Além do que, se sabe, os "nossos" economistas "ortodoxos" somente se contentarão com uma boa deflação, como no começo dos anos 1930, combinada com juros básicos de 12% ao ano, para gáudio dos "banqueiros" a quem prestam "consultoria".E Sergio,Você andou relendo "Balas de Estalo" do notório Bruxo do Cosme Velho? Agora você está quase lá, não sou muito de elogios. Paciência, fico constrangido quando tenho de fazê-los verdadeiros (fingidos, é mais fácil) e esses o são, digo, verdadeiros. E, a propósito, não me rebaixarei a tecer comentários sobre posts com fotos de modelos israelenses semi-nuas, colocadas com único fito de atrair adolescentes incautos e assim à sorrelfa aumentar o tráfego desse blog. Pura trapaçazinha digna do Governo Lula.Abraços,Joaquim.

A meta é de 3% se tudo for bem (céu de brigadeiro na economia internacional). Se houver alguma turbulência, é 4,5%. Essa é a minha leitura, não sei se correta.

LeoNão sou de ficar rasgando seda, mas a conclusão é SEN-SA-CI-O-NAL.[]'SEne

Obrigado, Marcus, Joaquim, Ene, se vocês não fossem amigos, eu até acreditaria que tenho futuro como blogueiro...Teoricamente, seria por aí, Patrick; mas para acomodar choques já existe uma banda de variação para a meta. Na verdade, a turbulência que se tentou administrar foi a existente entre o Banco Central e o MInistério da Fazenda.

Falar em síntese, o que acham da manchete do O Globo sobre o mesmo assunto hoje: "O alvo é mais embaixo". Acertaram na mosca, hein?



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