Anos 80, eu fazia uma pesquisa para a Funarte, e o Tales Faria me emprestou um livro (que mantenho até hoje: ele acabou cedendo a obra, por usucapião). Era uma tradução espanhola, El Pensamiento Visual, de Rudolph Arnheim. Foi meu guru, por muito tempo; é leitura obrigatória nos cursos de arte. Quem quiser uma boa chave para apreciar a arte abstrata (mas não só ela) tem de ler, além dos trabalhos do Kandinski e do Paul Klee, o excelente Arte e Percepção Visual, do dito-cujo.
Os críticos o desancam por achar que ele é empirista demais para a vã filosofia. Como conta o New York Times, aqui, nos últimos anos ele se dedicava a repsonder a questão: "percepção e pensamento são coisas diferentes?"
Arnheim um dos papas da Gestalt e da psicologia aplicada à arte, achava que não, que o ato de perceber o mundo era pensar; que pensar é sentir o mundo circundante. Discussão tão velha quanto os pré-socráticos, para a qual Arnheim levou contribuições maravilhosas, sensíveis, exaustivas.
Ele morreu nesta semana. E, se não tivesse visto a matéria no Times, eu, que amo o sujeito, teria passado batido. Tinha 102 anos.
Em compensação, estou cheio de informações sobre a São Paulo Fashion Week, e a terceira versão do Shrek, para a qual a Disney teve de dispensar a dublagem do falecido Bussunda, que Deus o tenha em bom lugar.
Sofreria muito, o jornalismo cultural brasileiro, sem a genial invenção dos press releases.


Faço minhas as suas palavras, mestre. Mas, about press releases, confira a pérola:http://www.alfarrabio.org/index.php?itemid=2531Abraçãos :-)
Hoje, o melhor caderno cultural é o do Estado de S. Paulo. É um dos poucos que não tem só a agenda da indústria cultural. O resto, na maior parte do tempo, é tudo igual. Uma vergonha, saudades do Caderno B dos anos 70, do suplemento literário do Estadão, da Ilustrada nos bons tempos.