julho 2007 Archives
O que está acontecendo com o jornalismo? Financistas inescrupulosos têm tomado o lugar das antigas famílias que controlavam os jornais, e sua busca de lucro a todo custo leva à redução das redações, queda na qualidade das reportagens, eliminação de correspondentes, um verdadeiro apagão noticioso para a sociedade. Estou falando, claro, do cenário nos Estados Unidos, ou pelo menos o que é pintado na resenha de Russell Baker, na New York Review of Books, sobre dois livros que tratam do cénário da midia impressa nos Estados Unidos.
"Journalism was being whittled away by a Wall Street theory that profits can be maximized by minimizing the product.", diz ele, e eu traduzo: o jornalismo está indo para as cucuias, levado pela teoria do mercado pela qual lucros devem ser maximizados minimizando o produto.
É meus caros, ainda bem que isso não acontece por aqui. Lá nos EUA, de onde copiamos o modelo de jornalismo que se pratica nessas terras, parece que estão usando nos jornais o mesmo truque do fabricante de biscoito que encurtou a embalagem e manteve o preço.
A resenha lembra que a profecia sobre a substituição dos jornais pela Internet não sobrevive à constatação de que a maior parte das notícias veiculadas pela grande rede é produzida pelas velhas empresas jornalísticas (e, digo eu, não dão lucro, como sabemos nas rredações pelo preço que pagam os jornais por suas versões on line, e se vê no recente passamento do No Mínimo.
Fala, porém, dos blogues. Não dá muita trela, mas elogia o papel dos blogueiros como vigilantes da midia, conferindo informações e checando fatos. No Brasil, a maioria ainda faz dos blogues uma versão informatizada das colunas de jornal, recheadas, principalmente, de opinião. Um dos rros que vejo checando e fiscalizando é o Hermenauta _ ainda que, ultimamente, ele tenha optado pelo trabalho fácil de achar inconsistências no blogue bilioso do Reinaldo Azevedo.
Os jornalistas era caras que despertavam simpatia no filmes americanos, caras trabalhadores e glamurosamente interpretados por gente como James Stewart, Humphrey Bogart, Cary Grant, Robert Redford, e Dustin Hoffman, lembra, soluçoso, o resenhista do NYRB. Hoje em dia, jornalistas são vendidos nos filmes como seres desprezveis; possivelmente mais desprezíveis do que são na realidade.
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Os conservadores estadunidenses fizeram até livro para provar a conspiração da midia (que, para eles, lá, era de esquerda, passando insidiosamente mensagens comunistas e anti-patrióticas). Quem sabe isso ajudou a midia americana a moscar na Guerra do Iraque. Os jornalistas estão ajoelhados batendo a cabeça no chão até hoje por isso. Para esse entorpecimento da imprensa no pré-guerra, contribuiu o medo de ficar contra a corrente (Hillary Clinton votou pela guerra, lembre-se).
Quando vejo aqui as campanhas de acusação à "conspiração da midia", sustentadas, é claro, pela histeria anti-governo de certas empresas jornalísticas, tenho pena de que não haja no Brasil uma indústria editorial tão forte quanto nos EUA, para discutir aonde vai nos levar esse enfraquecimento dos meios de comunicação, a sobreposição dos interesses financeiros sobre princípios jornalísticos e a dificuldade crescente da sociedade para encontrar alternativas sem demonizar o jornalismo.
(A resenha do NY Review of Books, infelizmente em inglês, está AQUI.)
Felipe Belisario Warmus, mais conhecido pelo codinome de Luis Favre, é o que, no movimento estudantil, se costumava chamar de capa preta, ideólogo dos bastidores. É também marido da Marta Suplicy, e há quem não o perdoe por isso. Ele mantém um blogue, onde faz, principalmente, reproduções de material da imprensa mundial, num clipping particular, que, às vezes, destaca temas bem interessantes. Num dos últimos, comenta a matéria da Veja, que aponta o piloto (e, de trivela, a TAM e a Airbus) como principais responsáveis pela tragédia de 200 mortos em Congonhas, AQUI.
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Favre, quem sabe escaldado, comenta mas nem tripudia sobre o furo da Veja, que, afinal, mostra como estavam equivocados os que viram no governo o principal culpado do acidente. Não era.
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Imagine que a Anac não estivesse nas mãos de gente comprometida mais com os interesses das empresas que com os da sociedade. Que o Planalto não fosse um exemplo de incompetência gerencial no setor. Que o ministério da defesa tivesse alguma autoridade. A Infraero fosse um órgão técnico e não um butim de apadrinhados políticos. Que não tivessem apressado a conclusão da pista principal de Congonhas para atender à ganância das empresas, e o aeroporto estivesse com os pranteados groovings, as ranhuras para dar aderência à pista. Imagine que não há caos aéreo.
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A catástrofe teria acontecido, mesmo assim? Teria.
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E se décadas de incúria de governos diversos não tivessem deixado a cidade encostar em Congonhas, deixando pouco espaço de fuga para o aeroporto, em emergências? E se as empress não trabalhassem no limite da esponsabilidade, e encostassem, para reparos, aeronaves com problemas como o do reverso no Airbus acidentado? E se a Airbus tivesse alertado decentemente para o perigo já revelado em aviões com o reverso travado?.
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Talvez os passageiros do Airbus acidentado e os passantes nas redondezas tivessem sofrido um susto danado, e estivessem hoje vivos, contando a aventura.
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Aqueles que demonizam o Marco Aurélio Garcia pelo infeliz gesto obsceno do assessor presidencial, ao descobrir que, afinal, o governo não era tão culpado assim quanto pintavam têm a obrigação de voltar seus ataques histéricos também para os que, antes de qualquer apuração, saíram atribuindo a responsabilidade pelo acidente à conhecida incompetência do Planalto. Reação política por reação política, esta última é tão alheia à desgraça das vítimas quanto o top top top do dirigente do PT.
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O governo errou muito nesse caos aéreo, mas, aparentemente, nesse acidente, só o jogo pesado da política (ou a ingenuidade das massas manobradas) pode atribuir a Lula a responsabilidade.
Joshua Bell é um virtuose mundial no violino, seu instrumento um Stradivarius de alguns milhões de dólares, e o Washington Post o levou a uma estação do metrô da capital americana, para tocar, por mais de quarenta minutos, de graça, dias depois de ter dado um concerto na cidade com ingressos cobrados a valores de três dígitos. Era para provocar ajuntamento, comoção popular, alguma reação notável? Por pouco não passou desapercebido. Um e outro passante deu-se ao luxo de parar. Crianças, logo puxadas pelos pais apressados, foram as principais interessadas.
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Tinha visto uma referência a esse troço, no Estadão, acho; mas agora a Piauí traduziu a matéria do Post, e mostra AQUI. Até com link para o áudio do violino do sujeito.
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Ia filosofar sobre o tema. A necessidade de sanção oficial para a valorização social das obras de arte. A cegueira e surdez provocada pelo pragmatismo da vida contemporânea, que impede as pessoas de susufruirem o que têm em volta, quando não se sentem capazes de atribuir a essas coisas um valor de mercado, ou alguma utilidade imediata. A necessidade de uma cabeça aberta às experiências inclassificáveis para usufruir música clássica hoje em dia.
Mas não tenho tempo. Tenho de sair correndo; e hoje em dia, ainda por cima, é preciso andar com cuidado. Arrisca tropeçar em algum desocupado tocando algum instrumento no caminho para a Esplanada dos Ministérios.
Muito bacana a reportagem do New York Times que O Globo reproduz hoje, sobre a briga entre Lula e Chávez pelo Banco do Sul. . Serviu também para descobrir que a turma lá não lê o Valor, e nem deu pitaco para a coluna em que dei a mesma informação, com mais detalhes, há exatamente uma semana. Bom, o NYT traz um "especialista" dizendo que o Brasil demonstrou "conservdorismo" ao não embarcar na viagem de Chávez.
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Já que não sou lido no maior jornal carioca, que pelo menos meus estimados freqüentadores deste Sítio me prestigiem. Segue a coluna, para quem se interessar, e para avaliar a afirmação do "especialista" americano citado pelo Globo/NYT:
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O próximo embate entre o presidente venezuelano Hugo Chávez e o Brasil já tem assunto: o polêmico Banco do Sul. Entre governos de países vizinhos que participam da discussão de bastidores para a formação do novo banco, fica cada dia mais clara a profunda divergência de concepção entre Caracas e Brasília, que pode estourar, a qualquer momento, em alguma das manifestações da agressiva retórica de Chávez.
Em agosto, no Rio de Janeiro, a convite do ministro Guido Mantega, os ministros dos países envolvidos na discussão tentarão resolver o impasse a que se chegou nas discussões técnicas. Participam da discussão para formação do Banco do Sul, além do Brasil, todos os países de língua espanhola da América do Sul, à exceção do Chile, que acompanha as reuniões como observador, e da Colômbia. A depender do clima da reunião no Rio, talvez seja mais fácil ao Brasil preparar o desembarque do projeto Banco do Sul da maneira mais amistosa possível, para evitar as turbulências retóricas de Chávez.
As divergências são muitas e algumas parecem insuperáveis. É "ponto de honra" para os venezuelanos estabelecer em Caracas a sede da nova instituição, compromisso já assumido com o governo venezuelano pelos presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e da Bolívia, Evo Morales, os primeiros a aderir à proposta de Chávez. O Brasil defendeu que o tema seja posto em debate, que se estabeleçam critérios técnicos para situar a sede do banco, de preferência em um país pequeno, como o Paraguai.
Os venezuelanos também já insinuaram que querem admitir sócios de outras regiões e expandir as operações da instituição financeira a países da América Central e Caribe - onde estão parceiros de Chávez na Alternativa Bolivariana para os Povos da Nossa América (a Alba), Cuba e Nicarágua. O Brasil insiste que o Banco do Sul, por definição, deve se concentrar em atender aos países do continente sul-americano. Continua AQUI.
Judô é um grande esporte e também um troço feio de se assistir. Aquela pegação, um agarramento canhestro, puxões e engalfinhamentos sem nenhuma coreografia, o desalinhamento progressivo dos lutadores... Se as mulheres não usassem nada por baixo do quimono, os espectadores teriam, pelo menos, um strip tease progressivo, algum interessante elemento de tensão. Para as mulheres, poderiam obrigar o caras a usarem shortinho apertado, talvez. Mas é um esporte nada bonito de se ver.
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Ainda assim é admirável, para quem o pratica, o que só confirma minha tese de que sexo e esporte foram feitos para se praticar, não para ficar assistindo (muito menos gritando e berrando para estimular os envolvidos a melhorar o desempenho. No esporte, como no sexo, ainda acho que o ideal é intimidade e concentração. Há quem pense diferente, eu até respeito, só peço que não me convidem para a festinha).
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O judô me ensinou lições importantes, como a humildade. No século passado, cheguei à faixa verde, um dos primeiros da turma; e participei de um campeonato, no Clube Nàutico, no Ceará. Para ganhar a medalha, faltava apenas uma luta, com um garoto da mesma academia, freguês habitual dos seiseis (era assim que se chamavam? ou sunsuns, sei lá) das sextas-feiras. Eu, tranqüilão, e o garoto a meu lado, ajoelhado à beira do tatame, rezando, tenso, muito tenso. Fomos chamados à luta: em pouco tempo eu estava no chão e a medalha, garantida para o peito do moleque. Santo forte desgraçado, o dele. Nunca subestime o adversário, descobri naquele dia.
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Pena que eu tenha memória de passarinho. Se tivesse aprendido a lição, não teria, anos depois, no Rio, perdido miseravelmente a eleição para o centro acadêmico da Escola de Comunicação da UFRJ. O adversário, que não rezava, mas preferiu fazer campanha puxando fumo religiosamente nos corredores da faculdade, era um sujeito conhecido pelo nome de Bussunda. Grande Bussunda. Acho que foi por isso que larguei a política estudantil, como já tinha abandonado o judô, ainda no Ceará. Sou bom perdedor, mas também consigo perceber quando, definitivamente, não dou para o esporte.
Que Fantátisco, nada. O Maurício Santoro está no Paraguai, e, como sempre, faz belos relatos, ao descrever sua estadia no vizinho desconhecido. Vale a pena ler, AQUI.
Para os freqüentadores deste Sítio, o verdadeiro flagrante de um auxiliar do presidente da República em um gesto que é um escárnio às vítimas do acidente da TAM.
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(ao fundo, a bandinha da Aeronáutica executa o clássico tema marcial "Tô nem aí")
- ¡Mire esta vaca, Serafín! Musa inspiradora de miles de composiciones escolares... ¡Y ahora es acusada de traficante de colesterol por el naturismo apátrida! Nos da su leche, su carne, su cuero. ¡Lo quiero ver a usté haciéndose una campera de zapayitos!
- Ahura hay fertilización asistida. Vea el caso de la señora del viejo Aredes. Quedó embarazada. En el pueblo se comenta que al viejo lo ayudaron.
- ¿Puede una persona disaparecer de a pedazos? Porque a la Eulogia le desapareció la cintura.
- ¿No andará mal de la vista, don Inodoro?

Nunca vi ninguém festejar com cara amarrada, nem demonstrar felicidade com o rosto vincado e os lábios cerrados, para baixo. Era essa a expressão de Marco Aurélio Garcia ao fazer o gesto obsceno popularizado pelo Fradim do Henfil, quando viu, no Jornal Nacional, a notícia de que um defeito no avião da TAM pode ter sido o responsável pelo maior acidente aéreo da história do país.
A notícia, claro, não tira o peso das costas do governo, que autorizou uma movimentação de aviões em Congonhas superior ao que seria sensato, por pressão das empresas aéreas. Já se diz que aquele tipo de avião não deveria estar voando numa pista tão curta, tão sem escapatória em caso de acidente. Ainda mais cercada de prédios e gente por todo lado.
Mas há uma razão para o gesto trapalhão do assessor de Lula. A revelação de que já havia há dias um defeito na aeronave (que não foi enviada para conserto porque, afinal, é época de férias, e as empresas precisam faturar) torna as coisas mais complexas. O acidente não se explica só pela incúria do governo, nem a falta de ranhuras na pista de Congonhas pode ser agora apontada como a causa da tragédia. Sem saber que eram filmados, os assessores palacianos ensaiam um "toma!" na oposição que já se regozijava (em silêncio, porque ninguém é bobo e sabe como não se deve explorar publicamente a desgraça alheia) com o noticiário que culpabilizava quase exclusivamente o governo pelo desastre.
Um exemplo do viés político da cobertura é a ênfase na cobrança pela ausência de Lula, após o acidente. Não aparece ninguém com uma visão diferente. Eu, por exemplo, acho que um sujeito que acaba de ser vaiado no Maracanã deveria pensar duas vezes antes de mostrar a cara num momento em que estão identificando a tragédia com o apagão aéreo provocado pela incompetência governamental.
Marco Aurélio Garcia já me ajudou em reportagens com informações on the record sobre política externa, não raramente reclamando da imprensa burguesa a qual pertenço, sempre com franqueza e honestidade _ franqueza e honestidade que já lhe renderam problemas por falar o que pensava, opiniões polêmicas, comparitlhadas por pouca gente fora do círculo das esquerdas e das chefias do PT. Cumpriu seu papel de funcionário público (poderia, sem descumprí-lo, deixar de atender meus telefonemas, e já o fez), e cumpro meu papel de jornalista ao checar sempre o que ouço dele, e ao respeitá-lo como interlocutor.
Ele cometeu um erro político, sem saber que estava em uma verdadeira vitrine, sua janela no Palácio do Planalto, por onde já o vi trabalhando trocentas vezes, altas horas da noite, quando eu passava pela avenida em frente, a caminho de casa. Em bom português, fez uma cagada, somando um gesto obescno a uma notícia sobre a tragédia que comove o país, expondo o cálculo político por trás da desgraça. Claro que todo político está fazendo esse tipo de cálculo hoje; mas não publicamente, porque para vitrine só se aceita expressão de luto.Daí a dizer que estava "comemorando", ou que "demonstrava felicidade", como li em jornais hoje, é algo que a oposição pode explorar, legitimamente; mas não um jornalista.
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Leio nos jornais que dezenas de pessoas, por casusa do desastre, fogem dos aeroportos e preferem ir de rodovia, do Rio a São Paulo. Isso só não pode ser chamado de estupidez se me provarem que as estradas nacionais são mais seguras que andar de avião.
Eu, se fosse do governo, estaria conferindo as verbas retidas no ministério dos Transportes, e os relatórios sobre os pontos negros das rodovias no país.
O acidente da TAM serviu para lembrarem que as causas do caos aéreo continuam; mas também mostrou que o jornalismo continua sendo vitimado pela pressa nas conclusões, o chamado jornalismo dedutivo. Tem jornal hoje que quase botou foto-montagem do Lula derrubando o avião. Mas o JN acaba de revelar algo que se suspeitava: o sistema de frenagem do avião da TAM pode ter dado xabu, e as deficiências na pista de Congonhas entraram na história como o sujeito da piada, que não se chamava Manoel nem morava em Niterói.
Me conta um velho conhecedor das manhas da aviação que o comandante Bolonha, presidente da TAM, revelou, em entrevista coletiva que o avião da TAM operava com o "reverso inoperante" _ ou seja, estava desligado, provavelmente quebrado, sistema que inverte o fluxo da turbina, para ajudar a frear o avião. Quem viu o vídeo do avião pousando, pode constatar que o bicho estava rápido demais, e não derrapando ou tentando parar.
O governo apanha ha dois dias, como se fosse culpado direto pelo acidente. Exagero. Mas, claro, sempre se pode, com razão, acusar o Planalto de não prestar a devida atenção ao caos aéreo, tratado à base da pacotinhos emergenciais para atender a alguma gritaria.
Como não era o presidente Lula quem estava no comando da aeronave, o Planalto pode ouvir suspiros de alívio. Não se sabe ainda o que causou a tragédia, mas pode ter sido defeito na aeronave ou imperícia do piloto, também.
Bom, sempre pode sobrar para a Aeronáutica, que vai ser acusada de deixar voando um avião com um equipamento quebrado. Para discurso contra o governo, sempre haverá um bom pretexto.
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Só para lembrar:
O Fokker da TAM que caiu em 1996 matando 99 pessoasfoi abatido por mau funcionamento do reverso.
No caos aéreo do Natal, uams das razões apontadas foi a inesperada parada de seis (ou cinco?) aeronaves da TAM, para manutenção.
O diretor da TAM em entrevista ao JN admitiu que um vôo anterior dessa aeronave pode ter tido problemas para parar _ atribuídos pelo piloto à pista escorregadia.
A forte demanda por pasagens aéreas no Brasil aumentou barbaramente a ocupação das aeronaves (não foi coincidência estar lotado o avião que caiu nesta semana) e as empresas, que tiveram prejuízos com as perturbações nos aeroportos, mais que compensaram isso com o enorme aproveitamento de seus vôos. Parar avião para manutenção é dinheiro fora de caixa.
Se Deus quisesse que o homem voasse, obrigaria as companhias aéreas a informar aos passageiros os problemas das aeronaves em que estão embarcando.
Nem foguete, no Brasil, pousa direito. AQUI.
Como lembrava o Ruy Baron, cá na redação, não há acidente aéreo com uma causa só. É sempre uma confluência de erros. Erros, nesse ramo, ocorrem com mais freqüência do que imaginamos, e nem sempre são divulgados.
Nesse acidente da TAM, o Hermenauta vem fazendo um excelente acompanhamento blogueiro do episódio, e pescou no terra uma hipótese curiosa sobre o que pode ter acontecido, uma espécie de desentendimento entre o homem e a máquina, AQUI. O fato é que as câmeras de Congonhas mostram uma inusitada aceleração do avião, após o pouso no lugar correto da pista. Ou o piloto tentou arremeter e fez alguma trapalhada, ou tentou e o computador não entendeu a ordem. Isso numa pista escorregadia, plantada no meio de um aglomerado de prédios.
Só as pressões das empresas _ e a complacente disposição em aceitá-la por parte dos autoridades (algumas, há vários governos, regularmente premiadas com passagens de cortesia) _ explicam a manutenção, em Congonhas, de tamanho tráfego aéreo. E, aparentemente, foram essas pressões que levaram à abertura, para pousos e decolagens, de uma pista cujas obras tardariam ainda pelo menos 40 dias para serem finalizadas.
Fomos eu, minha mulher e meu filho ver "Fabricando Tom Zé". Quando digo fomos, é porque só estávamos nós, no cine Academia, entre as dezenas de cadeiras vazias. Me lembrei de uma vez, no século passado, quando eu e a Marta fomos ver um espetáculo do Jards Macalé, perto da Praça Tiradentes, e ouvimos do próprio, no palco mal separado das mesas do Instituto dos Arquitetos, que não haveria show por falta de público. Perguntei onde poderia comprar um CD dele, e, naquela época, segundo me contou, não tinha CD gravado.
Em favor dos brasilienses, diga-se que era segunda-feira à noite, de julho, e a última sessão. Acho que até estariam vazias algumas cadeiras de Harry Potter.
Pois perderam os que não foram. O filme é espetacular, um ritmo excelente, e, como diz alguém, acho que o Kid Vinil (!), em algum momento: Tom Zé é o verdadeiro punk brasileiro. Aliás, punk é o cacete, como diria ele, talvez usando palavra mais contundente. É um Macunaíma sem preguiça. Como bom brasileiro, um dos momentos altos é o samba Angélica, em que ele cria uma melodia romântica com os nomes de logradouros de São Paulo. Fazer romance de logradouro não é para qualquer um não.
O homem é um saci, um babalaô, um fenômeno, dessas figuras fabricadas com rapadura que temos aqui, como o Hermeto Paschoal, e, pena, é preciso ver como fazem sucesso lá fora para ter a perfeita noção de quanta porcaria nos empulham nas rádios atoladas em jabaculê.
David Byrne, que redescobriu Tom Zé para os botocudos que o haviam esquecido, parece personagem de sátira de documentário, novaiorquiníssmo e blasé, de óculos escuros, cabelos inacreditavelmente penteados (especialmente em constraste com a carapinha iconoclasta do herói do documentário), NY ao fundo. E a transbordante genialidade de Tom Zé, inclusive algumas de suas idossincrasias (que levaram meu filho a comentar: "o cara é fantástico, mas pessoalmente deve ser um chato"), está tudo lá. O que ele faz com agogô e esmeril para uma platéia européia em delírio já vale a entrada.
E, de brinde, descobri, vendo o filme, um caso de identidade secreta, troço totalmente nada a ver com o Tom Zé (ou não, como diria Gilberto Gil _ que, com Caetano, faz o papel de vilão arrependido no filme). Eu estava reparando no Kid Vinil, alguma coisa muito familiar nele, que já tinha visto em outras circunstâncias, quando me veio a iluminação: Kid Vinil e Celso Lafer são a mesma pessoa!!!
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O sisudo professor da USP pensa que passaria desapercebido pintando o cavanhaque de cor de cenoura. Tolinho, a dicção entregou o disfarce. A voz e o jeito de falar são inconfundíveis.
Só não descobri até agora se é o Kid Vinil que bota peruca para falar de Relações Internacionais, ou o Lafer que põe uma careca postiça para tocar guitarra e pontificar sobre música pop..
Sempre me pareceu uma bobagem essa rivalidade entre brasileiros e argentinos, que tem lá suas raízes na história mas é de uma pobreza de espírito irritante. Quase tão irritante quando um bando de argentinos em Florianópilis ia dizer eu, mas me contenho. Oliveira, o canalha da redação, costuma dizer que argentinos são como paulistas: individualmente são pessoas maravilhosas, o problema é quando junta muito.
Sentiu o que digo? Argentino e brasileiro é como carioca e paulista, cearense e pernambucano, gaúcho e catarina; algo assim como yin e yang, as duas faces da moeda. Podem reclamar à vontade; não vão se livrar deles tão cedo. A vantagem disso tudo é o filão inesgotável desa rivalidade como razão para piada, ainda que algumas sejam execráveis.
Como todo preconceito, esse contra os argentinos é tão ridículo quanto passear pela sala de cueca e meia preta; é coisa que até se pode fazer, mas não é recomendável em família de bom gosto. E a maior prova disso vem em um dia como hoje, quando deveria ser obrigatória em território nacional a comemoração do aniversário (75 anos) de um dos mais fenomenais cidadãos da Bacia do Prata, o Quino, de matar de inveja muito humorista brasileiro. Inveja se já não admirassem o cara.
Que tenga um bueno cumpleaños.
Gostaria de ilustrar esse post com alguma charge, mas é assusador o aviso de direitos autorais no sítio dele (onde, aliás, penei para encontrar imagens da Mafalda, sua criação mais conhecida). Não quero entrar na lista negra do sujeito, e, sabe como é, nunca se sabe como um argentino poderia reagir...
Oliveira, o canalha da redação, não agüenta mais ouvir falar de Pan; já estava perguntando quando acaba a competição e ficou pasmo quando viu, hoje, na tv, que ela ainda nem começou. Deu gargalhadas ao ver a interpretação deprê do Hino Nacional cantada pela Elza Soares (deve ser homenagem póstuma ao garrincha", comentou), achou a coreografia dos bailarinos uma pobreza ("esses aí quem são? O corpo de baile do Raul Gil?", perguntou) e gargalhou ao ver o Arnaldo Antunes puxando samba ("é um carnaval pós-moderno", deve ser).
Ele jura que o refrão do insosso tema do Pan foi composto pelo Zeca Pagodinho:
_ Olha lá, estão cantando: "via a cervejinha, viva a cervejinha, viva a cervejinha, está no ar"! Esse Pagodinho...
Esse "está no ar" deve ser para tripudiar do governo, que ameaçou proibir propaganda de cerveja no horário de criança acordada e, até agora, não conseguiu, argumentou o canalha, que adora a criatividade dos publicitários das cervejarias, para quem a única forma de vender cerveja é mostrar alguma gostosona de umbigo de fora e bochechas opulentas. Mas alguém que pretava atenção derrubou a tese etílica para o tema do Pan:
_ Não é "cervejinha", é "essa energia", Oliveira.
_ Ah, então deve ser patrocínio da Petrobrás. Mas ficou muito brega, essa Petrobras, como sempre, desperdiçando verba de publicidade. Deviam ter chamado o Joãozinho Trinta.
Um mal-humorado, esse Oliveira.
2º clichê: Olha como esse Oliveira não entende de Pan: a coreografia da Débora Colker para a abertura foi um coisa das mais lindas. Bacana também os atletas levando a tocha; mas o Oliveira não desiste: "cadê a Leila do vôlei? Por que ela não está com a tocha? Ninguém acende um fogo olímpico como ela!".
Comoela. Ainda por cima, um cacófato.
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E o pobre Lula, mostrou ter ficado chateado com as retumbantes vaias com que o saudaram na abertura do Pan, mas é coisa pouca perto de outra faceta da hospitalidade carioca, noticiada pelo G1:
Foi recuperado nesta sexta-feira (13) um automóvel Vectra preto que fazia parte da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro. O carro, que seria utilizado para a visita presidencial em razão da abertura do Pan, não pertence à Presidência, mas foi alugado para a comitiva.
O Vectra foi roubado na noite de quinta (12) em Marechal Hermes, na zona norte do Rio. O capitão do Exército que o conduzia foi rendido por dois homens armados quando esperava um outro oficial numa rua do bairro do subúrbio. O registro foi feito pelos oficiais na delegacia local ainda na noite de quinta. Nesta sexta, os criminosos que estavam com o carro tentaram usar o veículo para roubar outro carro, dessa vez um Fox prata, na Via Light em Mesquita, na Baixada Fluminense.
Como a motorista do carro reagiu à abordagem dos bandidos colidindo com o Vectra, eles fugiram do local depois que a porta do motorista foi danificada na batida e um pneu estourou. O carro abandonado foi recuperado por policiais militares e levado para a delegacia de Mesquita (53º DP). No carro foram encontrados documentos dos oficiais assaltados.
O curioso do caso é a motorista anônima, que "reagiu à abordagem dos bandidos colidindo com o Vectra" (!!!!). Pelo jeito, o Detran do Rio dá lições de direção defensiva com instrutores do Mossad. Ou o jack bauer fez uns free-lancers, na passagem pelo Brasil.
Nunca antes na história tanta autoridade americana visitou o país como agora, no segundo reinado de Lula, o impermeável. Nicholas Burns, subsecretário de Estado, babujou elogios ao presidente, ao país, à ciência brasileira, ao Pan, uma coleção de afagos escandalosa. Se tivesse chegado uma semana antes, provavelmente anunciaria o voto no Cristo para Maravilha mundial. EUA e Brasil podem não estar em lua de mel, mas a Casa Branca e o Planalto fazem questão de gemer bem alto, para deixar claro que, por amor ou interesse, o casamento vai mais firme que o de Bill e Hillary Clinton.
Até no comércio, onde costuma haver cotoveladas, o clima é temperado, sem nuvens. Onde o Estadão achou que Burns tinha exigido a expulsão de Chávez do Mercosul para negociar um acordo de livre comércio eu ouvi outra coisa: ele meteu o pau no Chávez, mas reconheceu que a pedra no meio do caminho da Alca, para o Mercosul, foram os absurdos subsídios americanos à agricultura, que distorcem os preços e ofertas no comércio. E quer encontrar algum jeito de fazer alguma coisa em comércio com o Brasil, o que der.
O que me chamou mesmo a atenção foi uma ausência. Esteve aqui o ministro do Tesouro, esteve o Burns e seu sub, o Thomas Shannon; está agora o ministro da Saúde. E não ouvi, até agora, nem uma insinuaçãozinha sobre como é feio quebrar patente de remédio.
Quando o Brasil deu licença compulsória para fabricação de um remédio contra a Aids, houve quem previsse o fogo do inferno para o país, exclusão da comunidade internacional, castigo com vara de marmelo, joelho no milho, o horror. Mas o governo dos EUA, que leva muito a sério essa questão de direito de propriedade intelectual, aparentemente vê no Brasil uma importãncia geopolítica muito superior aos arranhões que pode provocar na indústria farmacêutica; algo que os advogados auto-nomeados da indústtria de remédios aqui não perceberam.
Quanto às péssimas conseqüências para o país da política de medicamentos, com retaliações da indústria farmacêutica internacional, quem pode falar disso é o laboratório Abbott, fabricante de outro remédio anti-aids muito usado, o Kaletra. Como castigo pela decisão populista do Brasil, o Abbott anunciou que vai reduzir o preço do Kaletra, em 30%, para os brasileiros. Deve ser para mostrar ao Lula quem manda.
"Hoje não vejo nada mais estúpido que a esquerda. Sofre uma espécie de tentação maligna que é a fragmentação. Uns enfrentando aos outros, por grupos, por partidos, por opções. Vivem em meio à confusão, porque estão conscientes de que o poder se lhes escapou. Há uma tentação autoritária em muitos. Dos ideais não resta nada."
Cáspite, amiguinhos, este, acreditem ou não, é o José Saramago, em entrevista capturada pelo excelente blogue Tordesilhas, AQUI. Deve ter se sentado em algum cravo perdido em alguma reunião de velhos comunistas portugueses.
Enquanto isso, meu professor favorito de literatura faz um relato saboroso da Flip, quando eu achava que não agüentava mais ouvir falar da feira. O último da série está AQUI.
e tudo o que vemos é uma enganosa representação de algo muito mais verdadeiro, puro, real, a Idéia? Pois é, vendo essas fotos, a gente imagina o que diria o grego se algum gênio da época tivesse inventado a fotografia, com prata contrabandeada de Éfeso e ovos de galinha da Tessalônica. Não há nada menos revelador da pintura desses artistas do que as imagens fotográficas dos dito-cujos. 
O Brasil está bem confortável num ranking que compara 40 países, de acordo com a força da marca-país; embora esteja muito abaixo de nações como boa parte das as européias e os Estados Unidos, está à frente de Índia, China, Rússia e de latinos como Argentina e México. Quem conta isso é o Andrés Openheimer, o colunista americano que mais conhece de América Latina (com opiniões que desagradam a boa parte da esquerda, esclareça-se; o cara chama o Hugo Chávez de presidente narcisita-leninista da Venezuela _ é preciso admitir que é bem-humorado).
O Brasil é o país que mais subiu no ranking, mas fica bem mais embaixo quando se trata da importancia da marca Brasil para produtos e serviços vendidos pelo país. A brazuquice vende bem nossa alegria, o turismo (mesmo sem maravilhas falsamente fabricadas), nossa malemolência, enfim, o que nos deixa muito bem posicionados em matéria de competição por marcas. O especialista responsável pelo ranking, enbtrevistado pelo Openheimmer, diz que o Brasil funcionaria espetacularmente como referência mundial para artigos esportivos, música e moda. Falta explicarem para o Gerdau, o Maurício Botelho ou o Régis Agnelli.
O artigo do Oppenheimmer está AQUI, ou, para quem prefere em inglês, AQUI.
O estudo, o tal, AQUI.


Uma das experiências mais odiosas para um repórter é ver que alguém sacou antes a matéria que se preparava para escrever. Por isso, odeio, hoje, profundamente, o Ronaldo D´Ercole e o Fábio Lino, dO Globo, por ter de parabenizá-los pela reportagem que mostra um fato pouco lembrado na relaçao Brasil-Venezuela: enquanto Chávez faz palhaçada, empresários brasileiro vêm ganhando, lá, muito, muito dinheiro:
A despeito das recentes desavenças entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, as empresas brasileiras nunca exportaram tanto para a Venezuela. Ano passado, foram US$3,565 bilhões, valor 685,2% superior aos US$454,4 milhões de 1996. A participação da Venezuela na pauta total de exportações brasileiras chegou a 2,59%, contra 0,95% 11 anos antes.
O país já ocupa a décima posição no ranking dos principais destinos das exportações do Brasil. Mesmo com os riscos políticos que rondam o país, a Venezuela também tem atraído investimentos de um número crescente de empresas brasileiras.
Há duas semanas, a Gerdau comprou a Siderúrgica Zuliana (Sizuca), terceira maior produtora de aços da Venezuela, por US$92,5 milhões. A Braskem está em fase final de negociação de uma joint venture com a PQVEN, a estatal petroquímica venezuelana, para a construção de duas unidades, por US$2,9 bilhões.
- A Venezuela tem uma economia em expansão e demanda interna crescente, assim como grande disponibilidade de energia, sucata e minério - afirmou o diretor-presidente da Gerdau, André Gerdau Johannpeter.
O resto, AQUI.
Este Sítio será administrado à distância, nestes dias, enquanto participo desse negócio AQUI. Me pedem para falar da política externa argentina, na visao da opiniao pública brasileira, o que me dá a oportunidade de blogar de Buenos Aires e usar um teclado com símbolos interessantes, como ñ e ¿.
Voltado como está para a própria política interna, que, no caso dele, passa até pela cama, mas de maneira mais sensata do que acontece no Senado brasileiro, Kirchner faz com que muita gente se pergunte se a Argentina tem uma política externa.
Evidentemente, tem, ainda que, ao me preparar para o seminário, eu tenha conversado com os editores de grandes jornais do país e nenhum consiga lembrar-se do nome do ministro de Relacoes Exteriores do país. Confesso, também nao conseguia me lembrar do Jorge Taiana.
A República brasileira comecou, aliás, apanhando ao tentar agradar os hermanos. Também, o ministro da época, Quintino Bocaiúva, que depois acabaria como subúrbio no Rio de Janeiro, quis resolver o maior problema de fronteira que havia com os argentinos dividindo o território questionado salomonicamente, meio a meio. Deu encrenca: a soluçao daria à Argentina boa parte do que é hoje o Paraná.
Se a grita dos jornais, políticos e opiniao pública nao tivesse feito o governo voltar atrás, é possível que o Requiao hoje fosse argentino. Já pensou?













