
É o trocadilho é infame, mas a imagem, divina. Nisso que dá freqüentar essa blogoselva.

É o trocadilho é infame, mas a imagem, divina. Nisso que dá freqüentar essa blogoselva.
"Há uma década, Petrobras era tão retardatária na indústria que mereceu um apelido: Petrossauro. Os trabalhadores eram 25% menos produtivos que a média da indústria, e o Brasil precisava importar quase metade do seu petróleo. Hoje, a Petrobras tem mais reservas de petróleo que a Chevron Corp, custos menores de prospecção que a Exxon Mobil Corp, e é listada na Bolsa de Valores de Nova York - com um valor de mercado de cerca de US$ 130 bilhões.
Várias razões explicam o sucesso da Petrobras: tecnologia de prospecção em águas profundas, conselho diretor independente e atratividade para jovens profissionais de talento. "Desde sua fundação, em 1950, a Petrobras tem sido um imã para brasileiros talentosos, muitos motivados pelo patriotismo de trabalhar para uma companhia que simboliza o nacionalismo brasileiro. O que mudou nos anos 1990 foi a estrutura corporativa.
Para tornar a Petrobras mais competitiva e transparente, o governo estabeleceu um conselho de diretores independente e emitiu ações em Nova York. Aboliu ainda o monopólio da Petrobras de perfurar em território brasileiro."
Isso é o estadão, citando a BBC, que reproduziu material do Wall Street Journal (publicado, aliás, no Valor de hoje. Pena que só para assinantes). Matéria derramada em carícias sobre o sucesso da Petrobrás, e sem privatização, não sei como pode.
Eu não sou contrário à desestatização da telefonia, mas sempre me parece que muito do que se atribui à privatização (a oferta explosiva de telefones, os lucros das empresas, a sofisticação dos produtos) foi, na verdade, resultado do avanço tencológico no setor, com o aperfeiçoamento da transmissão de dados, por cabo ótimo e via celular. Antes era difícil e caro ter assinatura, argumentam os privatistas _ ora, antes também era impossível carregar um telefone operante no bolso, e se hoje todo porteiro de prédio tem um portátil desses, isso nada tem a ver com a privatização no Brasil.
Leio, na continuação da matéria do WSJ, outras razões plausíveis para a competitividade da Petrobras (não me venham falar que é porque trabalha com petróleo; conheçam a petroleira do México primeiro, e depois conversamos). É a concorrência, e a continuidade dos investimentos em tecnologia, com apoio nas Universidades (públicas, diga-se de passagem).
Mas, como se sabe, esse Wall Street Journal é um jornal atrasado e esquerdista. Desenvolvimentista, mesmo. Esses petroestatistas devem ter ado uma grana pros caras.
Brasília tem fama de que é uma cidade onde jornalistas esbarram nas fontes de informação, o tempo todo. Isso depende, claro, de onde você anda, e quando. Para esbarrar em deputado numa segunda-feira, por exemplo, só saindo da cidade. E nem sempre se encontra quem se quer; não é fácil a vida de repórter brasiliense. Você corre o risco de ir ao Piantella para tentar alguma fofoca palaciana e passar boa parte da noite alugado por um senador obscuro com bafo de uísque que, por azar, sentou-se a seu lado, na mesa onde você foi parar, convidado pelo Delfim Netto. Da última vez em que estive lá, acabei a noite numa mesa de jornalistas que disputavam, de voz enrolada, quem tinha ganho mais prêmios Esso. Fiz questão de dizer que não ganhei nenhum, e usei o argumento para me dispensar de pagar a conta.
Uma coisa é certa: em Brasília, as paredes, além de terem ouvidos, têm dos de mercador, que ouvem até pensamento. Isso vale para algumas cidades do entorno, como descobriu, há alguns anos, o Zequinha Sarney, que, em Pirenópolis, discutiu por celular a sina da irmã, Roseane, bombardeada em campanha eleitoral pela descoberta de uma mala de dinheiro. Os vítupérios de Zequinha contra o cunhado Murad foram ouvidos pelo repórter Ricardo Allan, hospedado no bangalô ao lado. Virou matéria no Valor, graças às anotações feitas pelo Allan na contracapa do "Para Além do bem e do Mal", do Nietzche, que o repórter lia, na ocasião. Foram, provavelmente, as anotações mais originais já apostas na obra o alemão.
Logo nessa cidade de intrigas, os ministros Ricardo Lewandowski e Carmem Lucia andaram trocando impressões por e-mail, na frente de alguns fotógrafos. Claro, a conversa virou notícia. Mas, com o destemor dos bravos e dos suicidas, o mesmo Lewandowski me vai ao Piantella e passa a falar no celular (sempre um celular), perto de mesas ocupadas. Trata-se de uma vocação irrefreável para o reality show; evidentemente, numa das mesas, havia uma repórter, que o ouviu reclamando da traição dos companheiros de tribunal; afinal, disse o magistrado,a tendência, no Supremo, era "amaciar para Dirceu", no julgamento do mensalão.
Oliveira, o canalha da redação, é também um otimista, e vê nesse impulso para a transparência um sinal da inequívoca honestidade do juiz. "Se fosse bandido, do jeito que dá bandeira, já teria se denunciado há muito tempo", sentenciou Oliveira. "O ministro é boquirroto, mas é sério", garante o canalha, velho freqüentador do Piantella, onde se sente em casa e conhece bem o prontuário dos companheiros de birita.
Mas, canalha é sempre canalha, e só o Oliveira reparou, na invejável reportagem da Vera Magalhães, a repórter que ouviu o Lewandowski: "rapaz, você notou? Ela registrou que ele estava acompanhado, mas nem se arriscou a dizer se era a companhia era homem ou mulher." Benevolência da moça, que já tinha a notícia mais importante, e, afinal, trabalha para a coluna política, e não a social, da Folha, analisa o Oliveira. "Do jeito que o causídico se entrega, melhor optar pela discrição mesmo".
O título é o do artigo do Bresser Pereira, na Folha hoje, que vale a pena ler, para quem se interessa em entender o que se passa agora nesse balouçante emrcado financeiro internacional. O Bresser tem ficado à esquerda de muito petista coroado, e é uma voz corajosa contra o que ele mesmo chama de saber convencional, os dogmas de manual dos economistas de plantão.
Começa assim, o artigo:
A crise financeira desencadeada há três semanas marca o fim de um extraordinário ciclo de expansão da economia mundial, iniciado em 2003. Não se trata de um mero soluço do sistema financeiro internacional, mas de uma crise mais profunda, que afetará o lado real da economia. Sua causa imediata foi a especulação de famílias e principalmente de agentes financeiros com títulos imobiliários que começou em 2000, quando uma taxa de juros muito baixa e a elevação constante dos preços dos imóveis deram oportunidade para um processo retroalimentado de endividamento cada vez mais arriscado.
O pano de fundo em que se desenrola a crise é dado pelo desequilíbrio da economia norte-americana como um todo, expresso em déficit público e déficit em conta corrente -um desequilíbrio que nasceu de dois movimentos perversos conjugados: a partir de 2003, os Estados Unidos lançaram-se em uma guerra sem inimigos a serem derrotados nem territórios a serem ocupados, a não ser aqueles inimigos e aqueles territórios criados pela potencia imperial, ao mesmo tempo em que, obedecendo a uma ideologia ultraliberal, reduziam os impostos sobre os ricos.
O quadro mais geral dessa crise é o de um capitalismo desregulado baseado nas finanças -um capitalismo no qual o poder financeiro aumentou sem parar nos últimos 30 anos, com a criação de um sem-número de agentes financeiros entre os poupadores e os bancos, principalmente os fundos de hedge e as empresas de "capital equity", e com a adoção por todos os agentes de uma série de "inovações" financeiras que deram origem a dois mercados novos, o de opções e o de futuros, e permitiram uma brutal alavancagem financeira
Continua AQUI.
Está na hora de saber inglês neste Sítio. Para ler até o fim a extensa reportagem do New York Times, que mostra como a poluição e o desperdívio de água e recursos naturais se tornaram a verdadeira ameaça ao espetacular crescimento da China. Dizem os jornalistas JOSEPH KAHN e JIM YARDLEY:
Poluição tornou o câncer a principal causa de morte na China, segundo o Ministério da Saúde. A poluição ambiental no ar, apenas, é acusada de centenas de milhares de mortes anualmente. cerca de 500 milhões de pessoas não têm acesso a água potável.
As cidades chinesas geralmente parecem envolvidas em uma mortalha de cinza tóximo. Somente 1% dos 560 milhões de habitantes das cidades respiram ar considerado seguro por padrões europeus. Pequim está buscando freneticamente uma fórmula mágica, um deus ex-machina meteorológico para limpar seus céus até as Olimpíadas de 2008.
Alertas ambientais que seriam considerados catastróficos em outros países podem parecer lugar comum na China: cidades industriais onde pessoas raramente vêem o sol; crianças mortas ou doentes por conmtaminação de chumbo ou outros tipos de poluição local; um litoral tão assolado por marés de algas vermelhas que grandes seções do oceano não sustentam vida marinha.
China está engasgando com seu próprio sucesso. A economia está numa corrida histórica, com sucessões de taxas de dois dígitos de crescimento. Mas o crescimento deriva, mais que em qualquer tempo no passado recente, de uma estonteante expansão de indútrias pesadas e urbanização que requerem colossal fornecimento de energia, quase toda gerada a carvão, a fonte mais diretamente disponível _ e a mais suja.
Os jornalistas contam que essa agressão ao ambiente é uma caracter´pistica de toda potência em vias de industrialização. Mas que, no caso da paquidérmica China, os efeitos também são mastodônticos, como nunca na História. Os líderes chineses estão atentos ao problema, e tentam enfrentá-lo, mas essas tentativas atolam na a estrutura burocrática, e no próprio sistema criado para garantir o crescimento.
Tem mais, muito mais, AQUI. Esse New York Times é uma delícia de imprensa burguesa.
Ai ai ai, lá vou eu de nvo, pensei, quando me vi planejando o sábado para ter tempo de passar por algum guichê de loteria. US$ 30 milhões, parece, é o prêmio desta semana. Como a sensação é de dejà vu aptoveito e republico aqui um post que botei neste mesmo Sítio, há quase um ano e um mês.
O truque sujo da Mega-sena
Com R$ 1,50, apostamos em seis números. Se sorteados, nos tornamos milionários instantaneamente. As chances de isso acontecer são uma em cinquenta milhões. Ou como calcula o matemático José Dutra Sobrinho, nessa matéria do AOL, é cinquenta vezes mais provável que, antes, um raio nos rache a cabeça.
Tempos atrás, quando alguém ganhava, começava do zero a acumulação do prêmio, e, por desprezo à quantia ainda mixuruca, os mais ambiciosos podiam passar um tempo fora do jogo. Agora sempre se deixam alguns reais, às vezes milhões; para quem joga sempre os mesmos números, como eu, é uma ordem para não sair da roleta.Assim, eu e mais inúmeros otários otimistas depositamos nossas merrecas, regularmente, nos guichês da Loteria Federal.
Tremenda invenção do governo.
É o imposto sobre a esperança.
Eu, Lula, o Fábio Assunção e o Roger Agnelli somos brasileiros, mas duvido que qualquer dos outros dois quisesse trocar de lugar comigo. Por saber dessa injusta assimetria de brasilidades, desconfio de toda manchete que fala em "brasileiras" ou "brasileiros" como se fôssemos uma espécie de comunidade de biscoitinhos Piraquê, todos iguaizinhas, da mesam crocãncia e sabor.
(não, não comecei ainda o merchandising neste Sítio. nem o hemenauta deixaria).
Desconfiei, portanto, apesar de levar a grife competentíssima do Fabiano Maisonave, da matéria da Folha, hoje, sobre "Empresas brasileiras têm atrito com Morales". Desconfiei nada, achei coisa de quem mistura feijão com chocolate Ferrero Rocher (não, já disse, não estou fazendo merchandising, é só um inventário metafórico dos sabores da adolescência). Os bolivianos estão encrencando, sim, com a Petrobras, a Queiroz Galvão e a termelétrica de Cuiabá.
A Petrobras, porque Evo Morales cobrou, brabo, investimentos de todas as petroleiras, e a brasileira foi a úinica a dizer dizer, na cara, para ele esperar sentadinho, quem sabe na boca do poço mais próximo, porque investimento mesmo não sai dos cofres da empresa tão cedo para lá.
A Galvão Queiroz porque fez uma lambança federal, com obras de estradas que deixariam com ciúmes o buraco do metrô de São Paulo, pela má qualidade. Os bolivianos querem o dinheiro de volta, e um pé no traseiro dos executivos da empresa. A matéria da Folha não lembra isso.
A termelétrica porque precisa do gás boliviano e, nesse caso, o Evo Morales está sacaneando mesmo.
Como se vê, ao se falar que Evo Morales ataca as brasileiras, parece que o índio boliviano está de birra com a honra nacional, minha, do Lula, do Fábio Assunção e do Roger Agnelli. Ele pode até estar, mas não por causa dessas empresas, cada uma diferente da outra como nossas agendas e contas bancárias, a minha, a do Lula, a do Rogfer e a do Fábio.
Mas a moda pode pegar. Vale tudo para pensar em motivos de dar um tapa na cabeça do Evo. Estou até cabreiro por que, até agora, não consideraram um ataque ao Brasil a derrubada e morte de um brasileiro, no começo da semana, pelas Forças Armadas Bolivianas. Ele estava pilotando um avião paraguaio atopetado de cocaína, mas está na cara que isso foi só um pretexto do governo boliviano para ofender o Brasil. E o Lula não faz nada.

A confiança cega nos especialistas é uma praga social; as pessoas passam a descrer na própria capacidade de julgar o que é ruim ou bom, e, mesmo desconfiadas, poem fortunas nas mãos dos auto-denominados experts, na esperança de que os certos sejam eles, mesmo quando se desconfia que estejam fazendo meleca. Na publicidade é triste, porque a ingenuidade dos que pagam muito para receber lixo fica aparente e se repete, repete, repete, para garantir que o mico não vai passar incógnito.
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Eu ficava irritado ao ver a propaganda do Valor, em que um sujeito lia o jornal no restaurante, e, à saída, dava o exemplar para pagar a conta. sempre achei que a mensagem na peça era: o leitor do Valor vive no mundo da lua, não sabe diferenciar entre dinheiro e jornal usado. Felizmente, os leitores não pensaram assim, e o jornal vai muitíssimo bem obrigado. Mas imagino sempre o ar de superioridade do diretor de criação, que inventou a peça achando-se inteligentíssimo, e, tenho certeza, poderia inventar algo que realmente pudesse ser visto sem ambiguidades,e, de fato, vendesse o produto.
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Agora é com o Estadão. Discordo de muitas das opiniões do jornal, acho que comete erros de cobertura, como todos periódicos, e, ainda por cima, eles têm o péssimo hábito de usar minhas colunas sem mencionar a fonte (dia desses, escreveram em editorial: "Fala-se que o México pensa em uma negociação de livre comércio com o Brasil..." e o único que havia falado isso era o Sergio Leo, na coluna do Valor). Mas o Estadão é leitura obrigatória; além de ser o melhor caderno cultural da imprensa, tem alguns dos melhores jornalistas, e faz uma cobertura extensiva, muito bem feita, de economia.
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Mas veio algum diretor genial de criação e fez uma execrável peça de publicidade, em que, para enfatizar a qualidade do site do jornal, jogou lama em todas as outras páginas de Internet que abastecem com conteúdo essa imensa e heterogênea rede de informações. Resultado: centenas de blogueiros tomaram a peça como insulto, ofensa braba, e começaram uma violenta campanha contra o jornal, como se vê nesse combativo blogue AQUI.
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O divertido é que um executivo da agência publicitária autora da infeliz campanha tenta defender os anúncios, com argumentos que me fazem lembrar amigos meus da Veja, conversando no dia seguinte com o político em que tinham descido a marreta na edição da semana: "veja bem, a intenção não foi te atacar, você até saiu bem na história...".
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Conseguiram incomodar até os gurus da blogosfera, como o Inagaki, cáspite. Outro blogueiro tradicional, o marmota, deu a resposta mais elegante, até com histórico do Estadão na rede. Meus amigos blogueiros me desculpem, vou continuar lendo o Estadão, jornal onde já trabalhei e de onde tenho boas lembranças. Mas queimaram aí um belo público leitor potencial. Se um dia tiver de contratar uma agência de publicidade, não passarei nem perto dessa tal Talent. Tremenda casca de banana, essa que jogaram no cliente.

Há jornalista de economia que não se preocupa em escrever para gente. E fala em swap reverso, subprime, derivativos, trade offs, ativos fungíveis, superavit disso ou daquilo, como se estivesse descrevendo pão com manteiga. Outros acreditam que há, de fato, essa abstração conhecida nas redações como "o leitor", um ser de inteligência razoável e um conhecimento genérico das coisas, interessado em assuntos que estejam fora de sua especialidade. Escrever para essa figura mitológica dá um trabalho danado.
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Não falo nem da tradução desses termos abstrusos com que os economistas recobtrem saus banalidades para evitar palpites da patuléia. O problema, para o dia-a-dia do repórter interessado, é a sinonímia. Encontrar sinônimos para as palavras que ocupam, monotematicamente, o noticiário. Quantos sinônimos você encontra para superávit, por exemplo? Em uma matéria de vinte parágrafos, você gasta todos nos primeiros quatro. E toca a repetir vocábulo, um horror estilístico.
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Agora que, com as bolsas despencando e o dólar disparando, a crise mostra suas bochechas risonhas, os repórteres espanam seus dicionários de sinônimos, porque vão faltar adjetivos para descrever o que vem por aí.
Agora que o temor começa a sombrear as redações, adianto o trabalho para os que ainda não têm esse instrumento indispensável, e, com a ajuda do meu encardido Francisco Fernandes (Editora Globo, 1953, grande aquisição de sebo), dou uma mãozinha aos redatores mais pessimistas. A começar opor uma palavra que já não agüento mais ver escrita nas páginas:
Turbulência _ Inquietação, perturbação, desordem, agitação, alvorôto (esse últimom é bom, hein? "Alvorôto em Wall Street derruba mercados em todo mundo". Ainda hei de emplacar essa no Valor).
Crise - (essa fico devendo, não tem no dicionário do Francisco. Ah, como eram bons os anos 50!)
Tombo (para as Bolsas de Valores) - Queda, baque, cambalhota, derubada, desabamento.
Pânico - Medo, susto, terror, pavor.
Engraçado, há poucos sinônimos para acompanhar as próximas reportagens sobre o que nos espera no mercado financeiro. Ou o Francisco será mais útil aos otimistas, ou preciso desempoeirar os outros dicoonários de sinônimo que deixo em casa.
Bacana essa iniciativa da OAB de chamar a população para protestar pelo cansaço contra as falhas do setor público. Só não entendo por que os doutos advogados não cansaram até hoje da ineficiência do Judiciário, e da falta de atenção ao cidadão. Para colaborar com os militantes causídicos, sugrio uma passeata em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em defesa da juíza Mônica Labuto, que, como já indicava o nome, parece não ter medo de trabalho. Quem é a juíza? Ah, os jornais não deram muito destaque à notícia aqui:
14/08/2007 - 23h28
Juíza que despachou na calçada pode ser punida pelo Tribunal de Justiça
Mônica Labuto queria trabalhar até mais tarde e transformou calçada em gabinete.Irritado com a atitude da juíza, o Tribunal de Justiça pediu o afastamento dela.
Do G1, com informações do 'Jornal da Globo'
A juíza Mônica Labuto havia feito um pedido ao Tribunal de Justiça (TJ-RJ) para que o Fórum de Madureira, no subúrbio do Rio de Janeiro, ficasse aberto depois das 21 horas, já que queria acompanhar o trabalho da Vara da Infância e da Adolescência em uma blitz em casas noturnas da região. No entanto, ao saber que este havia sido negado por causa da falta de segurança no prédio, resolveu transformar, no último dia (11), a calçada em gabinete. E realizou os despachos ali mesmo, no meio da rua.
Enquanto isso, a juíza trabalha no fórum normalmente. Se for decidido pelo seu afastamento, ela pode ficar até dois anos em casa, sem trabalhar, porém recebendo o salário, já que a decisão ainda caberia recurso.
“Ela desobedeceu uma ordem de superior hierárquico no campo administrativo. O que ela fez foi expor o poder a vexame porque não é possível que uma juíza de direito vá para a rua numa mesa emprestada ou de quem quer que seja fazer um proselitismo totalmente fora de propósito”, disse o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador José Carlos Murta Ribeiro.
Quer saber? Cansei de gente como esse senhor Murta Ribeiro.
Você está ao fim de uma conversa com uma moça, de assessoria de imprensa, que nunca viu; o que lhe passaria pela cabeça ao ouvir, em uma acalentadora voz de contralto:
"Pode ficar tranqüilo; eu te posiciono".
Recebo o seguinte e-mail, de remetentes que não conheço:
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Paulo e Lauro Raful convidam você e seus amigos para participar desse novo diálogo sobre o Amor.
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Comentários de Paulo e Lauro Raful
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Local: Rua Augusta, 2192 - Piso Superior
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Só posso desejar muita felicidade ao Paulo e ao Lauro, e à sua missão de espalhar amor pela terra _ ao que parece, por uma módica quantia. Mas tenho de me desculpar com a velha frase do Sergio Augusto: vocês me perdoem mas sou hetrerossexual convicto, embora teoricamente os bissexuais tirem do sexo maior proveito.
Segundo best-seller na China, o Alvin Toffler só perde para Mao Tse Tung em vendas de livros por lá; esteve no Brasil e falou com o nunca suficientemente elogiado Pedro Dória, que conta a conversa com um texto primoroso. Abre a entrevista logo com uma afirmação polêmica, a de que, ao contrário do que dizia Milton Friedmann, há almoço grátis, sim, e estamos nessa era.
A constatação de Toffler é complexa, e, talvez por ter entendio o sentido dela, o Pedro reproduziu os argumentos dele de maneira bem genérica, no jornal e no blogue que montou depois do falecimento da Nomínimo. A leitura ligeira, por parte de uns leitores do blogue gerou a maior discussão lá, em parte pelo exemplo infleiz de Toffler, ao falar do caixa eletrônico dos bancos como um exemplo de serviço prestado sem remuneração.
Toffler, que inaugurou a futurologia com ambições científicas nos anos 70, argumenta que, nesse mundo informatizado, é possível prestar e obter serviços sem que essa prestação esteja diretamente ligada ao preço do serviço prestado _ ainda que tenha valor, pelos benefícios ao usuário. É uma tese interessante, e merece um pouco mais de reflexão do que parece haver entre os comentaristas/críticos lá no blogue do Dória. O fato é que há emrpesas investindo pesado em sevriços de Internet, sem saber ainda como tirar dinheiro disso _ o fiasco do second Life está aí para servir de exemplo.
Mas o que gostei mesmo da matéria do pedro foi o texto. A maneira como ele conta a conversa com o sujeito, descreve a forma como Toffler, casado há décadas com uma colega de estudos, Heidi, sempre fala no plural "nós" (não o plural majestático dos políticos com sonhos de monarca, mas o de um casal que se funde na criação, assim como o Christo e Jeanne Claude, ou os britânicos Gilbert and George).
Bacana a entrevista. Que, aliás, pode-se ler na Internet sem pagar nada ao pedro, AQUI.
Meu apresentador de rádio preferido (embora discorde em gênero, número e grau quando ele fala de polúitica externa) faz um belo artigo hoje, no estadão, sobre essa crise financeira que assombra o mundo. Indica que haverá pressões para aumento dos juros internacionais, por causa disso, mas deixa a imrpessão de que seria precitpiação se, por isso, o BC brasileiro aumentar os juros aqui:
A crise financeira mundial é grave mas falta saber o tamanho
Quem está com crédito podre? E quanto é? Há créditos podres no mercado financeiro internacional. Isso significa que bancos e investidores não vão receber de volta dinheiro que emprestaram e/ou investiram.
A origem desses créditos podres é singela: bancos e agentes imobiliários nos EUA emprestaram largas somas, inclusive para mutuários de ficha duvidosa, o pessoal do subprime, e muitos não estão pagando. Calcula-se que um em cada cinco mutuários esteja ou atrasando prestações ou não pagando.
Críticos dizem: eis uma consequência da farra do dinheiro abundante e barato, um produto da era de Alan Greenspan, o "maestro" que presidiu o Federal Reserve, Fed, o banco central dos EUA, e o mundo, por duas décadas.
Não é simples assim. Houve, nos anos 90, uma política norte-americana de estimular a compra da casa própria, um setor que sabidamente é um dos motores da economia. Foram tomadas diversas medidas que ampliaram o crédito e reduziram os juros.
Os americanos foram às compras e - quer saber? - funcionou. O setor decolou, alavancou a economia norte-americana e, pois, a mundial, e foi a salvação no final dos anos 90 e início dos anos 2000.
O resto do artigo está AQUI.
É fácil! Só ganhar na loteria, como, aparentemente, acabou de acontecer comigo! Mas, como prova de que bens materiais não me cativam, ofereço aos leitores deste Sítio a oportunidade de solicitar, em meu lugar, o prêmio lotérico que ganhei, repentinamente.
As instruções estão neste e-mail, que acabo de rceeber. (É, para ficar milionário, é preciso aprender inglês):
UK NATIONAL LOTTERY:Ref: UK/9420X2/68 Dear Winner, We are pleased to inform you of the final announcement of the UK National Lottery Online Promo Programme held on Saturday 7th of AUGUST 2007. The draw was done electronically with several email addresses provided to this office by webmail providers to enhance the utilization of the internet. Your email address attached to Reference Number UK/9420X2/68 was picked as one of the ten winning email addresses.This has qualified you to claim the total cash prize of £750,000.00 in cash. To file for your claims and due remittance of funds contact Richard McDavis via Email; uknl.claimsdept_2007@hotmail.comYours TrulyAnne Wright(Online Coordinator).
Sacaram, então, né? É só mandar o e-mail para o Richard McDavis e pedir as 750 mil libras, mais de R$ 2 milhõezinhos, fáfil, fácil. Esse maravilhoso mundo da Internet é mesmo fascinante. Dia desses era um sul-africano me oferecendo para compartilhar com ele uma fortuna esquecida em algum banco por lá. Mas não aceiteri, porque não pego dinheiro que não me pertence. Deve ter me confundido com algum senador.
Às voltas com a década de 70, para uma matéria especial, a Cláudia Safatle vem se assutando ao ler sobre fatos que cobriu como repórter (eu tive a noção de que era um homem do século passado quando descobri que meus filhos estudavam no colégio sobre acontecimentos que relatei para jornais).
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Ela me conta que foi para a porta do ministério do Exército, ou sei lá de que prédio público, quando Geisel demitiu o general Sylvio Frota, em um dos passos mais importantes para a futura abertura política que nos daria Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula nos manetes da pátria. "E eu nem tinha idéia da importãncia daquela demissão", comenta a Cláudia (também pudera; pelas minhas contas ela devia ter uns onze anos, na época).
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Comigo também já foi assim. Na reunião presidencial de Las Leñas, em 1992, em que a porra-louquice de Menem e Collor contribuiu decisivamente para acelerar a derrubada de barreiras comerciais no Mercosul, eu e o resto da cáfila de repórteres estávamos mais interessados em descobrir quem pagava a compra das calcinhas da Rosane Collor usando dinheiro público. O Collor caiu, pouco depois, e o que esxcrevemos de Las Leñas não teve a menor importância nisso. Deixamos de apurar e escrever os bastidores de uma das mais importantes reuniões do Cone Sul, na década.
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Somos mesmo, nós jornalistas, testemunhas da história. O problema é que, às vezes, nos distraímos com a movimentação no lado errado dos acontecimentos.
Imagine que uma grande empreiteira dos Estados Unidos ganhe uma licitação para obras no Brasil. Um dos túneis feitos por ela desmorone antes mesmo de inaugurado. E a estrada começe a rachar logo após a construção. Se o governo ameaçar retaliações à construtora ele estará sendo anti-americano ou defendendo os legítimos interesses do país?
E se as principais empreiteiras no país tivessem nacionalidade norte-americana, seriam compreensíveis umas palavras malcriadas contra esses gringos irresponsáveis?
Ainda bem que isso não aconteceu por aqui. Quem anda tendo problemas com as próprias obras é uma brasileira, a Queiroz Galvão, e lá na Bolívia, onde as principais empreiteiras são...brasileiras.
Se começar a ouvir notícias sobre mais um ataque de Evo Morales ao Brasil, por causa de obras de empresas brasileiras, cuidado. O alvo não é bem o Brasil. Nem nada que a gente possa considerar interesse nacional...