A festa acabou

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O título é o do artigo do Bresser Pereira, na Folha hoje, que vale a pena ler, para quem se interessa em entender o que se passa agora nesse balouçante emrcado financeiro internacional. O Bresser tem ficado à esquerda de muito petista coroado, e é uma voz corajosa contra o que ele mesmo chama de saber convencional, os dogmas de manual dos economistas de plantão.

Começa assim, o artigo:

A crise financeira desencadeada há três semanas marca o fim de um extraordinário ciclo de expansão da economia mundial, iniciado em 2003. Não se trata de um mero soluço do sistema financeiro internacional, mas de uma crise mais profunda, que afetará o lado real da economia. Sua causa imediata foi a especulação de famílias e principalmente de agentes financeiros com títulos imobiliários que começou em 2000, quando uma taxa de juros muito baixa e a elevação constante dos preços dos imóveis deram oportunidade para um processo retroalimentado de endividamento cada vez mais arriscado.

O pano de fundo em que se desenrola a crise é dado pelo desequilíbrio da economia norte-americana como um todo, expresso em déficit público e déficit em conta corrente -um desequilíbrio que nasceu de dois movimentos perversos conjugados: a partir de 2003, os Estados Unidos lançaram-se em uma guerra sem inimigos a serem derrotados nem territórios a serem ocupados, a não ser aqueles inimigos e aqueles territórios criados pela potencia imperial, ao mesmo tempo em que, obedecendo a uma ideologia ultraliberal, reduziam os impostos sobre os ricos.

O quadro mais geral dessa crise é o de um capitalismo desregulado baseado nas finanças -um capitalismo no qual o poder financeiro aumentou sem parar nos últimos 30 anos, com a criação de um sem-número de agentes financeiros entre os poupadores e os bancos, principalmente os fundos de hedge e as empresas de "capital equity", e com a adoção por todos os agentes de uma série de "inovações" financeiras que deram origem a dois mercados novos, o de opções e o de futuros, e permitiram uma brutal alavancagem financeira

Continua AQUI.

2 comentários

Sergio,Sim, a festa acabou ou, pelo menos, o whisky, ainda tem alguma cerveja e bastante refrigerante. Mas aquela embriaguez desbragada não dá para manter. E o Brasil, como sempre, representa aquele papel de "johnny-comes-lately". O cara que, sempre retardatário, quando se apresenta para a farra ou para a piada, o melhor ou mais divertido já passou ou ele não compreendeu. É a nosso sina desde o fim da Segunda Guerra Mundial pelo menos (venho de ler, o excelente perfil biográfico de Getúlio Vargas, por Bóris Fausto, da coleção Perfis Brasileiros da Companhia das Letras, imodestamente recomendo a obra e a coleção para todos). Abraços,Joaquim.

Esse não é aquele do plano Bresser?sei.que autoridade ...



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