setembro 2007 Archives

Conversem com ele, coitado.

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Lula acaba de aparecer na GloboNews, e garante: não houve nenhuma pressão de nenhum senador para ganhar cargos no governo. Portanto, a derrota fragorosa em uma votação no Senado não pode ter sido recado do PMDB para o Planalto.

Mas será possível que nem ISSO contaram para ele????????

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Lula saía do almoço com o presidente do Cazaquistão; só não fez nenhuma piadinha com o Borat porque não lhe falaram ainda do sujeito, nem do filme.

Sobrou para o Mangabeira, que perdeu o ministério. Ainda bem que o dele é para o longo prazo. Ou, como disse o Colin Brayton, o ex-futuro ministro do futuro é futuro de novo.
Explica essa pro presidente.

Aos inimigos, a lei

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Centro Empresarial Norte, hoje, após o almoço. Estão falando muito em impunidade em Brasília, é verdade. Mas o Detran era uma repartição séria na capital...

As elites e a tropa

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Estava lendo o Reinaldo Azeredo, e, como sempre, apavorando-me com o volume de rancor que a turma evacua na caixa de comentários lá dele, quando chega O Globo na redação, e me sinto confortado pela excelente discussão levantada pelo jornal dos Marinho. Tropa de Elite é ou não um filme facista?

É o tipo de filme que não vi nem verei; leio os artigos para não ficar fora do debate, mas tenho outras idéias sobre como representar a violência no cinema (Dogville é meu preferido, a violência sem glamour, apesar da Nicole Kidmann, ai Nicole). Quando me vejo em frente à tela, com meus filhos ao lado, sou o pai mala, sempre alertando para essa doentia maneira hollywoodiana de ver o mundo, ou pelo sexo despersonalizado ou a violência catártica e sensualizada. O sexo como instrumento de poder e a violência como norma na solução de conflitos, essa é a sociedade da doutrina visual contemporâena. Não é um mundo muito divertido na vida real.

O velho Freud já dizia, entre baforadas do charuto cancerígeno que lhe furou a bochecha, que a alma das gentes oscila entre o impulso de sexo e o de destruição, Eros e Tanathos, ambos escalados e maquiados sempre de forma pervertida e irresistível em boa parte da cinematografia contemporânea (Kill Bill é o arquétipo disso, nunca consegui ver mais de cinco minutos do filme, ainda que lá tenha a Uma Thurman, ah Uma).

Meus filhos, pelo jeito, concordam comigo e foi meu caçula quem, depois de ver a cópia pirata do Tropa de Elite, em casa de amigos, me contou, na cozinha, o que achou do filme: "é, pai, parece que o cinema nacional aprendeu com os americanos, essa coisa de apelar para a violência para chamar público".

Ele sabe que "Tropa" é mais que isso; traz, por exemplo, uma discussão interessante sobre o círculo que envolve tráfico, estado e classe média, tem uma mensagem com a qual concordo plenamente: já se foi o tempo em que a droga era coisa de descolado e porta para novas percepções; hoje é uma indústria, e fonte de renda principal da criminalidade, contra a qual a classe média limpinha protesta depois de curtir seu barato no conforto doméstico (quem me ensinou isso foi meu falecido amigo Tim Lopes. Vai encarar?).

Como não vi e não gostei, deixo para o João Paulo Cuenca concluir esse comentário. Ele viu cópia autorizada, com convidados vip, lá no Rio de Janeiro:

"O problema começa quando esse monstro disforme chamado opinião pública faz uma leitura do filme que corrobora esses métodos e valores. E aí, “Tropa de elite” pode perigosamente entrar para a história como o filme da geração “Cansei”. O público torce pelo herói torturador e mata com ele, tortura com ele, em repetidas cenas à la Abu Ghraib – ou “Guantanamo no Rio de Janeiro”, como disse meu amigo Daniel Alarcón. As celebridades enfiadas em black-tie aplaudem cada porrada, num frisson de adrenalina, e todos se convertem instantaneamente em perfumados torturadores de gabinete."

Vale tudo

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(na foto acima, furo de reportagem deste Sítio, as insidiosas mãos do Império tentam segurar a inexorável entrada do chavismo no Mercosul)



Chávez disse que viu a "mão do Império" no atraso da aprovação da entrada da Venezuela no Mercosul. Como é o Congresso quem aprova essa entrada, o Estadão, num momento arquetípico de jornalismo interpretativo, tascou em manchete: "Chávez acusa Congresso de submissão aos EUA".




O engraçado é que Chávez não citou o Congresso (só disse que não poderia fixar prazo para "ninguém"), nem falou em submissão. O jornal poderia até dizer que Chávez insinuou ligação entre o Congresso e o Império (sabe-se lá onde ele viu pousar a mão do dito-cujo). Mas botar na boca do bolivariano palavras que ele não usou, dando a entender que foram ditas, hummm, acho que me ensinaram alguma coisa sobre isso na faculdade de jornalismo.




O venezuelano falou, sim, da "direita", e do Império, seu demônio favorito. Em maio, quando ficou de mal com o Senado, não teve dúvida de acusar o Congresso, aí sim, de "papagaio" dos EUA. Uma coisa é brigar com grupos políticos no país, outra é fazer acusações a uma instituição nacional. Ver a mão de alguém numa manobra política não é sinônimo de "submissão" a esse alguém. Chávez não esconde seu ódio à "direita" brasileira; mas tinha enfiado no saco as críticas ao Congresso, e não as tirou na entrevista que deu em Manaus.


Na minha modesta opinião de jornalista da midia conspiratória, acho que o Estadão foi um pouco além do jornalismo, e produziu uma bela peça de panfletarismo político. Chávez, a essa altura, deve estar dizendo que essa foi a "mão do império" na imprensa. Eu diria que foi apenas a falta de noção atual sobre os limites entre o relato jornalístico e a militância política. Afinal, o Chávez já falou mal do Congresso antes, e todos sabemos quem ele é, não é mesmo?

O Chávez irrita, eu sei. Mas, se a moda pega, as manchetes interpretativas vão acabar dispensando o fato. É o jornalismo do "está na cara que...", que dispensa cuidados com as palavras e atos concretos, em troca de uma bela manchete. Dá um ibope danado. E faz perder leitor à pampa, também. Ninguém perdoa quando descobre que leu no jornal alguma coisa que não aconteceu, mas que o jornalista determinou ser a única interpretação possível para os fatos.

Mas, como diz o filósofo Alex Ribeiro, lá do Valor, quando se tem de ficar explicando muito alguma coisa, a discussão já está perdida. Nessa, o Chávez e quem for seu aliado já perderam.

Minha dúvida é só uma: me pergunto com freqüência se Chávez não busca apenas uma desculpa para voltar atrás nessa entrada precipitada no Mercosul. Porque, se a Venezuela chavista será um estorvo para as discussões internacionais do Mercosul, como acredito, associar-se ao Mercosul também criaria sérios constrangimentos à ação política de Chávez _ e os empresários lá estão mais apavorados que os daqui, com essa aliança. Mas isso é complicar muito o raciocínio, e debate político no Brasil não abriga isso. Obrigaria o pessoal a abandonar o maniqueísmo, e muito raciocínio só atrapalha na hora de dar título a notícia de jornal.
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Segundo clichê: Na mosca! Ontem, numa fala recorde de oito horas no rádio, sobrou para a imprensa brasileira, que Chávez acusou de manipular notícias para pôr o Brasil contra ele. O mais curioso é que, depois de jurar que não se referia ao Congresso brasileiro, Chávez mencinou "parlamentares" brasileiros, que jogariam no time do Império (não falou em time, claro, isso é livre interpretação minha).
Para ser coerente com a manchete de sexta, o estadão teria de botar um título do tipo: Chávez não para de bater no Congresso. Mas acho que se envergonharam, se tocaram que, no caso, não vale a metonímia. Parlamentar é uma coisa, Congresso é outra, ainda que possam se confundir em alguns casos.
Outro tema interessante que a imrpensa trata com uma superficialidade de apresentadora de programa infantil é a história de que o Brasil oferece o território nacional para Chávez mediar a negociação entre o governo da Colômbia e as Farc. Mas disso eu falo noutro dia. Ou vocês leem no maurício, AQUI.

Diretcho de Manaus

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Foram 18 minutos, eu frente a frente com Hugo Chávez, no que seria uma excelente entrevista exclusiva não fosse pelos outros quinhentos repórteres, repórteres fotográficos e cinegrafistas à volta, acotovelando-se com seguranças, levando caneladas bolivarianas e tal. Depois conto da entrevista, que, à essa altura, já está nas agências (difícil algo original nessas viagens de presidente). Simpaticíssimo o presidente venezuelano, mesmo quando mente deslavadamente ao dizer que todas as discussões técnicas para entrada da Venezuela no Mercosul já foram resolvidas, o que resta é a pressão do Império contra essa aliança sul-americana.

Se não conversarem hoje com a Venezuela, os demais países do continente logo estarão batendo à porta de Miraflores, pedindo petróleo e gás, como fez a Europa com o russo Putin, vaticina Chávez. Ao entrar no hotel, eu já marcado pelos seguranças, quase me arrancam a patadas de perto do líder bolivariano.

Me conta um repórter com cresidencia em Caracas que, há três dias, não consegue comprar leite; que há falta de grande número de gêneros alimentícios, mas que há frango, muito frango. Da Sadia, claro. Importações que são demonstração, segundo Chávez, da vontade política de integração em relação ao Brasil. E eu que achava que era resultado da passagem do Luiz Fernando Furlan pelo ministério encarregado do comércio exterior.
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Falar nas agências, uma segunda edição: nesses tumultos, o empurra-empurra é grande, anota-se mal, ouve-se pior e acabam saindo coisas truncadas. Por exemplo, chegou a sair em agência que Putin teria dito a Chávez que os sul-americanos ainda seriam obrigados a batrer na porta de Chávez atrás de energia. Mais ou menos. Putin, disse Chávez, lembrou que a Europa, por pressão dos EUA e da direita européia, abortou as primeiras tentativas de um gasoduto da Rússia ao Ocidente, e, depois, acabaram tendo de bater a porta de Moscou, em busca de energia. Eu perguntei se ele estava dizendo que os sul-americanos teriam de bater à porta da Venezuela, e Chávez, afirmativo: "se não, ficarão sem luz".

Ah, certas estatísticas

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Responder a questionários de pesquisa de opinião é questão de solidariedade: a moça que me telefona pedindo uns minutos costuma me provocar o mesmo aborrecimento que minhas fontes devem sentir quando telefono com perguntas inconvenientes. Participo de enquete, dou minha opinião sincera, mas preferiria estar naquela parcela da humanidade que não crê em pesquisas de opinião porque nunca nenhum pesquisador lhe pediu uma opinião que fosse.

Uma dessas moças me pediu 40 minutos, para uma pesquisa de imagem das empresas de certo país. A postos eu, de um lado da linha, ela do outro. Começamos... começa o desastre.

_ Você recebeu nosso e-mail?

_Que e-mail?

_ Mandamos um e-mail com os nomes das empresas a que se refer a pesquisa.
(Se fosse teste, eu já estaria reprovado, suspiro. E explico as regras de sobreviv~encia na selva dos junk mails)

_ Olha, você me desculpe, devo ter apagado sem ler; se não trazia remetente conhecido nem assunto claramente explicado, entrou para o mesmo limbo para onde mando o lixo que cai na minha caixa de mensagens todo dia.

_ Mas você não recebeu nosso e-mail?

_ Devo ter recebido, sei lá, me desculpe. Mas é que recebo até mensagens dos produtos kosher da Elege, convites de nigerainos para assumir uma herança perdida, notícias de parlamentares que nunca vi no noticiário, insinuações sobre minha anatomia... Se não me dizem claramente quem mandou a mensagem e se o assunto é algum de meu interesse, apago mesmo, perdão.

_ Ah, é uma pena, era para facilitar a pesquisa _ disse a moça, sem disfarçar a reprovação por minha falta de educação com os bandalhas do correio eletrônico. Condescendente, leu para mim uma lista das tais empresas, umas quinze: um banco, uma companhia de aviação, firmas de infra-estrutura, e outras que não imagino nem o que fazem em território nacional.

_ Vou fazer agora as perguntas, e você me dará uma nota, de 1 a 10, conforme a importância, posso começar?
Podia.

_ Transparência.

_(Ora, não serei eu quem vai fazer o país que encomendou a pesquisa pensar que brasileiro acha
transpar~encia uma coisa irrelevante) Dez.

_ E as empresas do país ***, como se classificam em matéria de transpar~encia?

_ (Essa me pegou, como vou saber da transparência de emrpesas que nem conheço? E eu que nunca pretei atenção da transparência dessa maldita companhia de aviação, que nunca teve avião caído por essas bandas...) Ah, voc~e me desculpe, passo.

_ Como assim?

_ Não sei que nota dar.

_ Bom, e como classifica a qualidade dos produtos, importante, poucop importante, muito importante?

_ Hummmm (se eu der dez para tudo vou ficar parecendo a Márcia de Windsor, que essa moça nem deve saber quem foi. Vamos moderar nas notas) Oito.

_ E para as empresas do país ****?

_ (Sei lá minha filha! Como vou saber se nunca usei produto de nenhuma delas!) Passo.

_ Mas, de 1 a 10, que classificação você dá? Dê uma média...

_ Moça, cada empresa aí tem características distintas; você está botando no mesmo balaio a Gisele Bundchen, a Hebe Camargo e a Beatriz Millhazes, como quer que eu tire uma média de personalidades tão diferentes?

_ Mas com base nas empreass que você conhece, não dá para dizer um número?


Foi longa a conversa. Até que, humilhado, fugi da raia. Desisti, quase chorando, pedi desculpas, me desobriguei da pesquisa. Mas mantive alto meu padrão ético. Não menti à moça, embora suspeite que muita gente, em meu lugar, sairia chutando número, só para não frustrar a coitadinha.

Como efeito colateral, nunca mais vou acreditar em pesquisa sobre imagem de empresa. Deveriam fazer uma enquete para avaliar a imagem dessas pesquisas.

E la vaca va...

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Enquanto por aqui, vê-se das janelas do Planalto o Senado placidamente virando vaca, lá na Índia, inauguraram há um mês a primeira churrascaria. Nada mais é sagrado nesse mundo, nem as vacas indianas... Bom, dizem que a carne vem do Cone Sul.


Descobri isso ao receber o último post, com uma bela história de amor entre um dos poetas mais adorados na Índia e uma moça argentina, no blogue do simpátuico Visvanathan, ex-cônsul indiano no Brasil, diplomata louco por salsa, e uma paixão inexplicável por Roberta Miranda.

Quem não deve não teme

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Na década de 80 do século passado, um certo ministro, com história de mandos e desmandos na Receita, era muito amigo de um diretor de jornal de Brasília, até que começou uma temporada de fritura dele, ministro. O jornal publicava as histórias, claro, e o ministro, irritadíssimo, um dia ligou para o amigo diretor:
_ Mas fulano, você não é meu amigo? Como pode publicar uma coisa dessas...
_ Mas ministro, o senhor sabe que notícia é notícia, e a verdade é que estão fritando o senhor lá no Planalto...
_ Isso é mentira! _ disse o ministro, que cairia, meses depois. E, em tom mais brando, perguntou, ao jornalista: _ Escuta aqui, ô fulano, você nunca teve problema com a receita Federal não, né?
_ Não ministro, nunca.
_ Pois é, um dia pode ter...


Me lembrei dessa história, a propósito de nada quando lia as notícias de hoje.

O tempora, o mores

Os noivos estavam a caminho da igreja quando morrem num acidente de automóvel. Chegando no céu, a noiva protesta: - Puxa, São Pedro, logo hoje que a gente ia casar, acontece uma dessas...
- Assim é a vida, digo, a morte. - Objecta o guardião do paraíso.
- Mas será que não dá para o senhor quebrar um galho e fazer o nosso casamento aqui?
- Espera aí, deixa eu ver o que posso fazer.
Duas horas depois, ele volta trazendo um padre à tiracolo:
- Ok! Trouxe um padre para fazer o casamento de vocês. Mas tem uma condição...
- Qual?
- Aqui não tem divórcio! O casamento vai ter de ser por toda a eternidade...
- Puxa, mas toda a eternidade é muito tempo! - reclama o noivo - E se o nosso casamento não der certo?
- Azar o de vocês! Para achar um padre aqui no céu já foi um custo, imagina um advogado!

O trânsito de causídicos por Brasília também me fez lembrar dessa piada, contada pelo Alex, que, como indica a ortografia, é português, de Portugal. Ele, aliás, tem um blog só sobre anedotas históricas da história portuguesa (nossa, portanto). Anedotas verídicas, com estripulias da Dona Carlota Joaquina, bastidores jesuíticos e histórias da família real. Bestiais, muito gira mesmo. AQUI.

Enquanto isso, o Senado continua uma pândega.

Ouvido no Salão Azul, próximo a um segurança armado com cassetete elérico:

_Vocês querem transparência? Esperem, na Playboy, o peignoir que a Mônica Veloso ganhou do Renan...

É trilili no trololó

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Se os senadores acreditasssem que os deputados são gente séria e honesta, e se esses senadores não quisessem a presença desses deputados no plenário do Senado, o que eles fariam? Acho que, ao ver os deputados indevidamente no plenário, pediriam para que eles saíssem, educadamente. E, se os deputados acreditassem na honestidade e seriedade dos senadores, o que fariam? Lavrariam seu protesto, e sairiam, educadamente.






Nós não.



O Oliveira chega à minha mesa, esbaforido, com uma cópia recém-saída da impressora (quem disse que a informática iria economizar papel?):


_ Rapaz! Olha isso, olha só a agenda do Lula!

Boto o olho na programação que eu já conhecia (vai me obrigar a ir a Manaus, na semana que vem):

20 de setembro - Amazonas
14 h - Manaus
Almoço com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez
21 de setembro - Acre
10 h - Xapuri - Inauguração da Fábrica de Preservativos Masculinos
São Gabriel da Cachoeira
16 h - Lançamento do PAC Social Povos Indígenas




_ E daí? _ pergunto. E o Oliveira, de olhos rútilos:

_Não viu aí? O homem vai inaugurar a fábrica de camisinha com borracha nacional, lá do Acre! Esquece Manaus, você tem de ir é ouvir o homem em Xapuri. Faltou inspiração no discurso do caju; mas nesse aí, se prepare: vai ser um pronunciamento histórico!

(a foto acima é do meu amigo e craque Ed ferreira, do Estadão)




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Dessa escaparei. O que ele vai fazer em Manaus foi assunto da minha coluna do Valor de ontem, e, me desculpe o Oliveira, mas isso vai ser mais importante:

Fiel à tese de que, com Hugo Chávez, é melhor estar perto do que distante, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a iniciativa de telefonar ao mandatário venezuelano, há poucas semanas, e convidá-lo para uma conversa, no Brasil. Lula queria fazer o encontro com Chávez no lançamento das obras de terraplanagem da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, na semana passada. Chávez alegou problemas de agenda, mas aceitou encontrar-se com Lula, depois. Será no dia 20, em Manaus.

A refinaria Abreu e Lima é a mesma que teve a pedra fundamental assentada por Lula e Chávez, há dois anos. Desde então, arrastaram-se as negociações entre PDVSA e Petrobras, em meio a desconfianças crescentes nas duas estatais e a medidas nacionalizantes de Chávez, que afetaram ativos da brasileira em território venezuelano. A disputa em torno da refinaria parece, porém, mais comercial que política. Como os venezuelanos limitam a 40% a participação da Petrobras no campo de Carabobo, na Venezuela, os brasileiros querem condições "simétricas", e, portanto, 60% da futura refinaria no Brasil. Está aí o principal impasse nas negociações, já que a PDVSA quer dividir meio a meio o empreendimento em Pernambuco.



O resto, AQUI.

Se bem que... estou ansioso para ouvir o discurso da camisinha de borracha acreana. Produto legitimamente nacional, que, mais uma vez, fará o primeiro mundo curvar-se ante o Brasil. Ops, já estou eu, querendo me antecipar ao discurso do presidente.

Hora extra, só para quem pode

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Lembram da juíza Monica Labuto, ameaçada de processo porque, indignada com o horário burocrático do Fórum, decidiu continuar trabalhando na rua? Ameaçada, o quê; já está sob processo. E pode ser punida por fazer coisa que juiz não deve: trabalhar além do exigido para atender à população.

Quem sabe, no tribunal da juíza Labuto, prefeririam que ela fosse como a meritíssima Olga, que acaba de ser promovida...


É, a Justiça é cega. E, às vezes, muito burra.



Tiros na vida real

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Pelo que me conta o Wilson Tosta, foi um sucesso a estréia do trem-bala no Rio de Janeiro. Mas nada é perfeito. Pela foto da Márcia Foleto, dO Globo, aí em cima, que ganhou a primeira página de todos os jornais, até em São Paulo, parece que o vagão leito é muuuito desconfortável.

Os tiros do cinema

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Da próxima vez em que assistir a um tiroteio no cinema, com balas ricocheteando por todo canto e faíscas saltitando na tela, saiba que a munição de pistolas, fuzis e quejandos é feita de chumbo ou cobre, e que esses metais não produzem faísca, nem quando alvejam paredes de aço.



Ah, e carro, ao contrário do que mostram as novelas e os blockbusters do cinemão (e até do cineminha) não explodem ao tocar o solo (como há precipícios em novelas e filmes, já repararam?). A mecânica dos automóveis, aliada à física dos líquidos combustíveis, simplesmente torna esse tipo de acidente uma enorme improbabilidade. Pense nisso quando se deparar com algum acidente automobilísitico, antes de entrar em pànico, e se arriscar a provocar uma lesão irremediável no acidentado que você tentou tirar de qualquer jeito do local da colisão.



Humm, e a mania de Holliwood e dos seriados de fazer as pessoas atravessarem janelas de vidro como se fossem papel? Qualquer um que atravesse uma placa de vidro descobrirá que umad as pripriedades desse material e fragmentar-se em milhares de pequenas lãminas, que tornam uma ficção irrealizável aquelas cenas de gente passando por vidraças quebradas sem mostrar nem um arranhão.



Essas são só as bobagens genéricas comuns aos enredos televisivos e cinematográficos. Estão listadas num sítio dedicado às cenas que insultam de forma mais estúpida os princípios básicos da física. Os responspaveis se deram à pachorra de classificar filmes de acordo com a capacidade de criar ficções sem violentar leis da física ensinadas até no segundo grau.



Jamais verei seriados da mesma maneira. Devo essa ao Hermenauta, eterno espírito de porco, que, não contente em desnudar as idiotices com que o reinaldo azevedo costuma brindar seus mal-informados leitores, agora, pelo jeito, buscou aliados para implicar com a diversão da gente.

Pelo hábito, o óbvio babujante

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Desta vez o Copom decidiu reduzir o ritmo da queda dos juros de forma unânime. Tem a ver com o fato de que os preços no atacado estão subvindo a um ritmo acima do esperado, o que pode estragar a alegria de ver os índices de preços ao consumidor sempre menores que as expectativas do mercado. Tem a bver também com as incertezas, pelo fato de os compradores de casas nos Estados Unidos deixarem de pagar as hipotecas e nós sempre pagarmos. O pato. E tem a ver com o fato de que, na dúvida, o Banco Central só saber fazer uma coisa: subir as taxas de juros.

Os analistas da redação me garantem que de uma importãncia tremenda foi a unanimidade dos diretores, um sinal e tanto. Quem sabe, faltou um Nélson Rodrigues no BC, ou na redação, para desmoralizar esse negócio de ser unânime. Contam-me que o Alan Grinspun dava tanta importãncia à unanimidade nas decisões que, mesmo quando tinha certeza do resultado das reuniões, caitutava o voto "buscando membro a membro" do FED, o Banco Central lá deles.

Sei não, esse negócio de buscar membro a membro não me parece coisa de gente que se dê ao respeito.

Ah, essa terrível miopia

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Como os freqüentadores deste Sítio devem saber, sou alto míope (10 graus em cada vista, se querem exatidão) e, como sabe minha família, meio surdo, entre outras deficiências cerebrais.

Por isso, às vezes, faço uma leitura muito precária dos jornais. Por exemplo, leio hoje na Folha a confirmação de uma notícia de agosto, que a Bolívia cortou o fornecimento de gás a Cuiabá e decidiu cortar o gás que manda à Argentina, para garantir o suprimento do combustível a São Paulo. Eu, quatro olhos sempre, vejo na notícia a informação de que o Evo Morales, retratado costumeiramente como aquele-índio-sacana-com-a-pátria-verde-amarela, decidiu, então, vender menos a Corumbá e à Argentina, que lhe pagam mais, para honrar o contrato com o Brasil, vendendo, a menor preço, o gás para São Paulo.

O Evo, para não sacanear São Paulo, deixou de vender gás mais caro aos argentinos e mato-grossenses. E isso nem está escrito no jornal, caramba! Preciso mudar de óculos, essa miopia ainda vai me causar problema.

Dilema ideológico

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Quem se comove com o drama do petista ético às voltas com o mensalão, poderia aliviar-se com outro conflito moral, revelado hoje na Comissão de Relações Exteriores da Camara. Era do eputado Fernando Gabeira, que alertou para o aumento das pressões, na Europa, contra as exportações de carne brasileira. Ele até se dispôs a ajudar a enfrentar esse lobby contra as vendas do Brasil, mas disse que jamais poderia estar à frente da reação, por um motivo singelo.

"Sou vegetariano", explicou Gabeira. O deputado Vieira da Cunha entendeu o problema, e assumiu a tarefa: "pois eu fico com essa, com prazer; sou gaúcho".

Ops, acho que o Gabeira, um dos mais bem informados parlamentares brasileiros, não prestou atenção a outro lado do espeto. AQUI. E, para quem é assinante dO Globo, AQUI.

Vigie seu voto

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Ia, no post abaixo, comentar que o Lord Mayor deveria evitar o Congresso, enquanto estivesse pela cidade com seu colar e jóia de trocentos diamantes. Mas me pareceu aquela gracinha fácil, afinal nem todo parlamentar tem prontuário em vez de currículo.

E o Congresso em Foco, que não é de piadinha, me conta o seguinte, hoje:

Em lua-de-mel com a opinião pública por ter determinado a abertura de processo contra os 40 acusados de participarem do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem pela frente a árdua tarefa de examinar cerca de 200 procedimentos judiciais envolvendo congressistas.
Um em cada seis parlamentares da atual legislatura está sob investigação na mais alta corte do país, responsável por encaminhar e julgar questões criminais e administrativas relacionadas a integrantes do Legislativo federal. Dos 513 deputados e 81 senadores que estão no exercício do mandato, 105 são alvo de algum tipo de investigação no Supremo.


O Congresso em Foco dá até a lista, por crime, por partido e por estado. Dos partidos mais conhecidos, quem está mais sujo é o PMDB; um em quatro pemedebistas tem pelo menos um processo na costas. O PC do B e o PSol vão bem, de ficha limpa. Mas o PP extrapola: 35% da bancada está sob investigação. O PT tem 7,5% da bancada sob suspeita, e o PV também tem 7%, mas nesse caso é maldade da estatística, só um deputado está encrencado.

Esses números são o que que me faz evitar abraços e me obriga a manter a mão no bolso, segurando a carteira, quando cumprimento algum congressista desconhecido, lá no salão verde.

Pelo menos, os cem processados são apenas um terço dos trezentos picaretas que, segundo contou Lula, existiam no Congresso. Nunca antes nesse país tivemos presidente tão exagerado.

O prefeito de London e a voz do povo

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"Vem aí o lord mér", me avisou Karine, a simpática assessora de imprensa da embaixada britânica. "Lord o quê?", estranhei eu. Lord Mayor de Londres, o prefeito da City londrina, ou, em português castiço, o lobista do mercado financeiro de Londres, na tentativa de convencer o mundo que Nova York já era e o especulador descolado de hoje deve operar mesmo na velha City, perto da qual Caetano queimou a mufa (eu disse a mufa) gravando o Transa, e Hélio Oiticica foi tão de vanguarda que demoraram três décadas para o mundo se curvar à sua genialidade.

Veio lord Mayor, John Stuttard, a Brasília, e descobri que o homem, ainda por cima, é Alderman, está lá no cartão de visita dele. Parece primeiro nome, Aldemar, por que não, ainda que Aldemar João seja um nome esquisito, até para um britânico. Alderman, como faz suspeitar o nome com cheiro de saxão antigo, é uma espécie de vereador lá na terra deles.


O lord é mais que um representante de assembléia legislativa de província, é um sacerdote da seita dos ganhadores de dinheiro de Londres. Esteve por aqui, amabilíssimo como todo diplomata britânico, com aquele ar de David Niven e um assessor de imprensa hilariante. Expliquei ao assessor que, quando falo inglês com meu sotaque de nativo do Bornéu, as cinzas de Shakespeare se retorcem em agonia no túmulo, e o sujeito desandou a interpretar o bardo, por uns bons minutos.


O único que consigo entender recitando Shakespeare é o Keneth Branagh, mas a música, ah, a música! Quase bati palmas; esse Shakespeare tem o maior futuro. Enquanto esperávamos pelo Lord, o assessor me mostrou o medalhão _ o que quer que seja o nome daquele troço _ que, desde a Idade Média, é ostentado ao pescoço pelo Lord Mayor da vez. O bagulho tem quase 300 diamantes incrustados, negócio de deixar socialiate à beira do orgasmo.


"Quer tocar?", ofereceu, gentil, como quem deixa o botocudo experimentar o crucifixo que lhe trará a civilização. Quis, claro, e quase botei no pescoço; não é todo dia que se manuseia uma jóia de nove séculos, com pedras lapidadas do tamanho de uma pupila e que já pousou até no pescoço de sir Thomas More (antes de cortarem de lá a cabeça do filósofo, claro). Pesadinha; se o Lord Mayor fosse obrigado a usá-la pelo dia todo acabaria corcunda (o que é sempre melhor que ser guilhotinado, mas, enfim).


Aí chegou o Lord Mayor, entrevistei e tal. A matéria, que não cabe no lema deste blogue (notícias irrelevantes para é dono de seu tempo, reparou?), está AQUI. Dela, neste Sítio, só conto que a conversa com o lord me fez perceber o valor de nossa sabedoria popular. Pois, ao falar que o Brasil ainda precisa investir mais em infra-estrutura (ah, o bravo esforço britânico de defender as parceiras público-privadas), Lord Mayor John Stuttard comenta que, pelo menos, em matéria de aeroporto, estamos muito bem. Não é que, antes de pegar no batente, ele passeou de férias por Olinda, e ficou impressionado com o aeroporto lá em Pernambuco? "Melhor que Heathrow", garantiu-me, desdenhando o aeroporto de Londres.


É, caros freqüentadores deste Sítio. Pude constatar in loco e com sotaque, que a Infraero, em matéria de infra-estrutura aeroportuária, fez um verdadeiro trabalho para inglês ver.

E a OMC, hein?

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Dei uns pitacos, para quem ainda se interessa pelo tema, na coluna do Valor, nesta segunda:

Preparando-se para uma semana agitada, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, telefonou, de Genebra, na sexta-feira, para Brasília. Mas boa parte de sua conversa com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tratou de assunto diferente das delicadas negociações da chamada Rodada Doha, de liberalização comercial e derrubada de subsídios que distorcem o mercado internacional. Lamy insistiu para que Amorim participe da conferência " Mobilizando Ajuda para o Comércio " , que a OMC promoverá em Lima, na próxima semana.

Lamy argumenta que o Brasil é " peça-chave " no esforço da OMC para dar assessoria a países menores em matéria de comércio internacional.

O resto, AQUI.

O problema é o gerente.

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Como pode acontecer até nas melhores estatais, há problemas no setor de gás, provocados pela incompetência dos executivos, indicados por forças políticas. A empresa está deixando de receber o preço que acertou com os fornecedores porque foi incapaz de enviar a tempo documentos necessários. Vendeu mais gás do que foi capaz de fornecer, e agora, por não mandar o prometido, deixou de receber pelo menos uns uS$ 100 milhões.

E, ainda por cima, como o governo não controla o contrabando, falta diesel para o consumo interno e o combustível, assim como o GLP subsidiado com dinheiro público, vem sendo vendido em países vizinhos.

Petrobras? Não, essa vem lucrando como nunca; não contei aí embaixo dos elogios do Wall Street Journal?. Estamos falando da YPFB. Bolívia, do companheiro Evo. E arrisca uma parte dessa conta ser entregue à estatal brsileira, como conta o El Deber, AQUI.

Em poucos dias _ avisarei _ este Sítio estará completando três anos de existência, que comemorarei distribuindo brindes valiosos aos leitores e comentaristas mais fiéis (atenção Joaquim, Dourivan, Patrick, Zéalfredo, Marcus, Cláudio!!), doando uma passagem à Europa ao autor da melhor dica de post e realizando uma festa para a qual financiarei a viagem de todos os leitores que assim o desejarem. Isso tudo se ganhar neste sábado, na mega-sena, parece óbvio.

Neste tempo todo, graças à Leila, que me convidou para participar de um grupo de discussão na Internet, descobri um time de bons escritores e pessoas interessantes que, por algum defeito genético ou vício de personalidade, também se dedicam a alimentar a rede mundial de virtualidades com textos e idéias, em blogues próprios. O grupo sobrevive, com comentários esporádicos, muitos sobre futebol, assunto que escapa ao meu parco conhecimento; e teve algumas muitas dissidências, depois que uns fizeram comentários que desagradaram a outros e alguns manifestaram a vontade de ver interlocutores, de preferência, em alguma galáxia distante ou descansando em um poço de cal virgem. Me mantive amigo de todos, espero, ainda que nem todos façam contato.

Com essa estreía, fui, aos poucos, conhecendo outros e outros, num universo que, calculo, deve ter uns trezentos habitantes, e alguns tantos mitos e gurus, os quais não conheci integralmente _ todo dia descubro um novo. É um clube divertido, um microcosmo, para usar o clichê (até um blogue sobre lugares comuns, o saudoso homem-chavão, eu já freqüentei. Foi assassinado por um colapso no servidor, que Bill Gates reze por sua alma).

É um mundo com códigos próprios, regras de conduta de tarar qualquer antropólogo, e problemas de atazanar algum paranóico que os freqüente, como é meu caso. Uma das curiosas peculiaridades dessa macacada é fazer seleções e distribuir prêmios em seu raio de alcance. Nada mais justo; eu que já tive amigos em juri de prêmio jornalístico (e até já fiz parte de um, conferido pela CNI, juro que sem politicagem) tenho certeza de que os prêmios da blogosfera estão uns muito bons degraus acima, na escada da ética.

Entonces, fiquei alegre, mas resisti, modesto, quando, pela primeira vez, ganhei um galardão, do Bicarato e da Elenara, que me conferiram a comenda do blog com tomates. Quer dizer que meu Sítio tem cojones, tomate em espanhol; é um prêmio a blogues que respeitam direitos humanos, defendem boas causas, enfim, os dois gostaram daqui. Pelo que sou muito grato, porque, de vez em quando, atormentado pelo jornal e sem espaço vago na caixa craniana para idéias a pôr neste Sítio, vou pescar lá no blogue deles.

O Renato, do excelente Tordesilhas, também me agraciou com o Thinking Blog Awards. Mas, para fazer a dança da chuva, sorrindo e me jactando dos prêmios, eu teria de indicar outros blogues, e, aí, não consegui fazer nenhuma lista com menos de quinze indicações, maldita indecisão. Puxa gente, "dedico esses títulos à mamãe, que tantos sacrifícios fez ... apogeu ... com o auxílio de vocês". Essas coisas.

Aí, quando eu já me sentia redimido por todos os traumas da infância e adolescência (as crianças da década de setenta tinham preconceitos inacreditáveis contra garotos de óculos com lentes verdes fundo-de-garrafa), vem outro blogueiro de longo curso, o Marmota, e, depois de informar que um desocupado instaurou o dia 31 de agosto como o Dia dos Blogs, aproveita a efeméride para sugerir a leitura deste Sítio, e de outros melhores. Após enxugar as lágrimas ('guardarei, para sempre..." , essas coisas), não me resta outra coisa a fazer, senão fechar os olhos e sortear, na minha lista de favoritos, alguns que, ao lado dos já lincados acima, merecem uma visitinha, neste dia de frio e luz (excluo, propositalmente, certas celebridades da blogosfera como o Hermenauta, que, a essa altura, já devem ter sido citado trocentas vezes.

Todos os fogos o fogo - Nome estranho de inspiração literária do blogue do Maurício Santoro, jornalista e cientista político que conhece bem a América do Sul e é resenhista de mão cheia e um texto invejável.

Virgula-imagem - Entre os diversos blogues de arte e artistas, esse é um dos que vale o clique.

Helena&Tales - O nome do blogue não é esse, mas esses dois jornalistas fazem uma crônica interessante de Brasília, com posts originais.

Milton Ribeiro - Leiam o post dele sobre daltonismo e me digam se não voltarão mais vezes.

Bereteando _ Porque é divertido. precisa mais?

O Marmota chama a atenção para o perfil, aí ao lado, culpa do Pedro Dória que, no saudoso Nomínimo, fez um post apontando como um pecado de blogueiro a criação de blogues sem perfil do autor. Obedeci, mas até hoje não descobri como ocultar o texto para que seja lido só pelos mais curiosos. O mesmo ciurídeo blogueiro elogia meus comentaristas que, diz ele _ e eu endosso _ mantém o bom nível das conversas aqui no Sítio, que, afinal, é de família. Obrigado a todos, e deixo a caixa de comentários livres para outas indicações de blogues a serem visitados com atraso, nesse dia seguinte ao dia que seria o dia certo



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