outubro 2007 Archives

Oi Evo, ó nós aqui outra vez

| 2 comentários

(da minha coluna, no valor:)
A Petrobras vai voltar a investir em exploração de gás na Bolívia e deve operar o campo de Itaú, hoje sob responsabilidade da francesa Total, garante o assessor especial da presidência da República, Marco Aurélio Garcia. A decisão é uma reviravolta na posição da empresa que, até recentemente, escaldada pela instabilidade política boliviana, afirmava estar disposta apenas a investir o necessário para manter suas atividades já existentes, nos campos de San Antônio e San Alberto. Como tudo que se refere às relações entre Brasil e Bolívia, o tema está, é claro, em negociação.
"A Petrobras vai operar os campos da Total", acredita Garcia. "O governo boliviano está disposto a dar todas as garantias necessárias para isso".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende "bater o martelo" sobre a volta dos investimentos de peso da Petrobras na Bolívia durante o encontro que terá no fim de novembro, em La Paz, com o presidente boliviano, Evo Morales, informou Garcia. Uma fonte que acompanha a negociação para marcar a data do encontro revela que o governo brasileiro ainda não acertou o dia da reunião porque, antes, quer ter garantias de que não haverá surpresas desagradáveis para Lula durante a visita.
Fontes próximas à empresa afirmam que a decisão final dependerá de negociações também entre a Petrobras e a Total. Na semana passada, o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, teve uma reunião com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e o ministro de Minas e Energia, Nélson Hubner, que irão a La Paz em, 5 de novembro para continuar as conversas. O governo boliviano sonha anunciar, em 15 de dezembro os acordos de investimento das companhias estrangeiras.
A agenda de discussão é secreta, embora Villegas já tenha revelado que conta com a volta dos investimentos da Petrobras, mas há pelo menos um outro tema delicado: o governo boliviano pediu ajuda ao Brasil e à Petrobras com a distribuição de óleo diesel, que entrou em colapso, depois que Morales retomou da estatal brasileira as refinarias de combustível do país.
Lula vai se reunir com Morales em novembro
Na sexta-feira, uma manifestação de bolivianos irados protestava, em frente às refinarias, contra o desabastecimento do combustível. Lula já garantiu o apoio a Morales, na regularização da distribuição de diesel.
A Petrobras, depois da maneira agressiva como foi tratada durante a nacionalização das reservas de gás da Bolívia, tirou das gavetas os planos alternativos, como o maior empenho na exploração de reservas de gás no Brasil e investimentos em infra-estrutura para importar até 27 milhões de metros cúbicos diários de gás natural liquefeito (GNL), a partir de maio de 2008. A aposta do governo no crescimento da economia reforça os argumentos dos que defendem, no governo, aumentar a exploração do gás boliviano.
"Se há risco, é para eles", afirma Marco Aurélio Garcia, insinuando o que é uma convicção na diplomacia brasileira: a ameaça da Petrobras de suspender planos de investimento na Bolívia mostrou que os bolivianos dependem fortemente da disposição dos investidores, para atender os compromissos de fornecimento de gás já contratados, enquanto o Brasil tem alternativas de abastecimento (desde que os bolivianos não rompam os contratos de forma impulsiva, negando o gás já contratado).
Garcia argumenta que interessa ao Brasil aumentar a importação de gás boliviano desde que haja garantias de fornecimento e respeito aos investimentos da Petrobras. "Certamente é preciso ter presente que os investimentos só darão resultado num tempo mais prolongado", avisa.
Em La Paz, observadores internacionais apontam o forte impacto que teria o anúncio de um acordo entre o governo Morales e a estatal brasileira para aumento de investimentos no país: todas as outras companhias petroleiras suspenderam decisões, para assistir ao que acontecerá com a brasileira, que deverá estabelecer uma espécie de marco para proteção aos investimentos no setor.
Presidente fraco em um país instável e profundamente dividido, Evo Morales é um político intuitivo, sempre se debatendo por apoio. Mostrou não ser um parceiro muito confiável e até hostil a temas de destaque na agenda de Lula - como na campanha movida pelo boliviano contra o programa de biocombustível defendido pelo brasileiro.
Com o recuo da Petrobras claramente influenciado pelos cálculos geopolíticos de Lula, o presidente brasileiro poderá ganhar cacife para cobrar do vizinho maior lealdade no jogo diplomático continental. Ou poderá frustrar-se mais uma vez, ao custo de lanhar o capital político acumulado com o excelente desempenho da economia. Lula parece acreditar que vale a pena o risco.

Indústria de base descuida da retaguarda

| 5 comentários


Oliveira, o canalha da redação, está indignado com o protesto dos aposentados da Petrobrás, da foto do site Terra, aí em cima. Não é possível que, numa empresa tão grande, com um plano de previdência tão generoso, não encontrem nem uma aposentadazinha com uma derrière razoável.


_ Ainda bem que a Petrobras vive de petróleo e gás. Se o negócio dela fosse bunda, pela amostra já teria ido a falência _ critica o Oliveira, esse desbocado.

Lula, o paladino do empresariado

Quem lê alguns jornais hoje pode até pensar que os cem grandes empresários que visitaram Lula ontem reclamaram pacas da carga de impostos do país. Eles até pediram a reforma tributária. Mas o Lula falou que não era mais com ele, e, tirando uma ou outra insinuação, os jornalistas quase tinham que espremer os big bosses que saíam do Planalto para que eles se queixassem uma coisinha do nosso mandatário.

Cheguei a ouvir gente da Fiesp falando que não dá para acabar com a CPMF. Coisa de doido. Os otimistas poderiam dizer que ninguém resiste ao carisma do presidente (e também ouvi empresário de peso dizwendo que o cara é muito melhor que o governo dele, liderzão e tal). Os pessimistas poderão dizer que é isso que temos no empresariado nacional: todo mundo tem uma tetinha guardada em alguma repartição pública, não vai se arriscar a comprar briga com o Homem, e logo na casa dele.

Esterei sendo chapa branca?, me perguntava ao escrever que Lula conseguiu o que queria: chamou às pressas (teve gente recebendo convite na segunda-feira, para estar na quarta-feira em Brasília) a nata do empresariado nacional, e, à exceção de um ou outro faltoso, foi todo mundo, e saiu todo mundo elogiando o governo. Para quem reclamava que só ouvia elogio de empresário quando estava em viagenm fora do país, foi um êxito completo.

Na porta do Planalto, o repórter da Globo perguntava sobre o encontro, e cada empresário em frente da câmera se desdobrava em salamaleques para o Lula. Para ter alguma pincelada de crítica, o repórter tinha de perguntar: "mas o que o senhor acha que ainda precisa ser feito?". Aí saía alguma reclamaçãozinha, meio tímida.

Há razões, claro, para que os emprsários apóiem o governo. Apesar dos problemas na gestão do setor público, a economia cresce, os investimentos sobem, a inflação está sob controle e há uma miríade de programas de governo em áreas tão diveras quanto ciência e tecnologia, educação e saúde que têm resultados sensíveis. Mas esse apoio dos emrpesários manifestado no Palácio não é exatamente uma aliança; além dos já amigos do presidente, como Maurílio Biagi Filho, Sérgio Andrade e outros, o Lula que não conte com a turma para fazer pressão sobre o Congresso, ou para sustentar uma campanha.

Por via das dúvidas, recomendo à oposição evitar o cafezinho do Planalto. Estão botando alguma coisa nele que altera o comportamento da moçada. E é coisa forte.

Os trampos da elite

| 1 comentário

Dorothy Stang, de 78 anos, brigava pela reforma agrária e pela Amazônia, foi assassinada a mando de fazendeiros e o pistoleiro que a matou agora alega... legítima defesa.

Faz todo o sentido. Se houvesse mais Dorothys Stangs no mundo, estaria seriamente ameaçada a vida mansa desses pistoleiros e dos plutocratas que a quiseram morta.


Já houve tempo em que marido traído escapava da prisão alegando "legítima defesa da honra", depois de matar a esposa serelepe. Agora bandido fala em legítima defesa contra freira septuagenária. O pistoleiro se deu mal nos tribunais; mas só radicalizou a moda em certas intelectualidades brasileiras, que, ameaçadas em suas certezas de manual, partiram para o ataque como a melhor defesa _ e a mais legítima _ do mundo que estão vendo desmanchar-se pelas suas telas de cristal líquido.


****


Por falar em justiça e lógica, quero prestar aqui minha homenagem ao Reinaldo Azevedo, que é, hoje, uma referência nacional. Não há dia em que eu não esbarre em algum blogue apontando textos do reinaldo, comentando as idéias do reinaldo, o homem é um monstro intelectual, em todos os sentidos. Os comentários blogueiros mais interessantes, curiosamente, costumam ser os que mostram as imbecilidades que o reinaldo diz, apoiado em sua invejável memória para as leituras apressadas que faz.


O último que li foi o divertido Catatau , que pegou o Reinaldo abusando do velho Kant, e deu-lhe uma carraspana de alta filosofia.

O debate rondou pela questão do imperativo categórico, coisa simples, de boteco, que está na raiz da filosofia moral do alemão. Algo que os amantes do Capitão Nascimento deveriam ter em mente, quando defendem, como a Veja, que "polícia trate bandido como bandido", isto é, com tortura e desprezo pelos mais elementares direitos humanos.

É simples: se estendida a toda a sociedade, a solução Capitão Nascimento tornaria esse mundo um inferno incapaz de abrigar vida decente. Por isso, contraria a ética, e a moral. Mas ainda tem gente que acha possível dar carteirinha de torturador a policial e imaginar que só os pobres sentirão a mão pesada do justiceiro.

Pegue o primeiro livro aí

| 11 comentários


Esse pessoal da blogosfera tem uma diversão contagiante, que chamam de meme, e que no século passado a gente conhecia como corrente mesmo. Brincadeira da comunidade virtual, que não engorda e faz bem à mente, como a última, que vi atrasado lá no Hermenauta, e anda se espalhando blogues afora.

Trata-se de um jogo simples: pegue o livro mais próximo, não vale escolher. Vá à página 161, e leia a quinta frase. Reproduza, claro, a dita cuja, em seu blogue, e passe a idéia para mais cinco blogues.

O engraçado é que o livro que o hermenauta tinha na casa dele era o programa de governo do Fernando Henrique Cardoso. Um tarado, o Hermê. A frase, claro, era um horror.

Este Sítio, sempre subversivo, como não foi chamado para a coisa, pede aos leitores que contribuam com a interatividade que um dia marcará a página que você lê agora. Vamos lá, estique o braço, abra o livro que está vendo na página 161 e reproduza nos comentários, abaixo, a quinta frase que encontrar. O resultado, após o centésimo comentário, será publicado em edição independente, com direitos autorais cedidos para uma ONG que cuide de criancinhas, ou de blogues de jornalistas sem audiência.

Ah, em casa estava mais próxima da minha mão a Antologia Ilustrada de Filosofia, do Ubaldo Nicola, e, na página 161, travei relações com o simpático Nicolau de Cusa (Cusa de quem? perguntarão alguns leitores), cuja obra nos bons e velhnos tempos medievais tratou do elogio da douta ignorância".

Não, ele não estava falando do programa de governo do Fernando Henrique Cardoso, nem da última ata do Copom. Vamos à quinta frase:
"O homem é como um caçador sempre em busca de uma presa em fuga, porque a sua mente, se de um lado pode conceber Deus como perfeição absoluta, de outro, é totalmente incapaz de preencher com conteúdos positivos essa idéia de perfeição". Pense sobre isso.


Ao pé da letra a quinta frase seria apenas "o homem é como um caçador sempre em busca de uma presa em fuga", admito. Isso daria uma certa conotação erótica à filosofia do Nicolau, capaz de fazer o pobre frade rodopiar seus resquícios na catacumba. Na verdade, se optássemos pela quinta frase, e não a quinta oração, o que eu reproduziria aqui, na verdade seria a sentença: "ver item 56", o que, convenhamos, parece coisa do Código Da Vinci.


Quintas frases, por favor, caros freqüentadores deste humilde Sítio.

imposto sindical

| 3 comentários

O Paulo Pereira da Silva, Paulinho da Força Sindical, anunciou que vai botar nos postes de todas as cidades os nomes dos parlamentares que votarem contra o imposto sindical.

Bom mesmo. Acho que a idéia do Paulinho é atacar os caras, mas espero que o efeito seja o oposto. Melhor propaganda eleitoral não há. Já se candidata ao voto do cidadão, o político que ajudar a derrubar essa aberração cobrada dos trabalhadores para sustentar sindicatos incapazes de andar pelas próprias pernas.

Nada como a companhia de artistas

| 3 comentários


Filha de fotógrafa, artista e desgner, a Gabriela nos acompanhou a Inhotim (ver dois posts abaixo) e desandou a fazer umas fotografias que ficaram muito melhores que qualquer uma que tirei por lá. Se ainda não convenci os frequentadores deste Sítio a conhecer o lugar, sugiro uma passada pelo blogue da Gabi, AQUI.

A moça, ainda por cima, é designer de moda, das mais talentosas.

O Mengele que ganhou o Nobel

| 3 comentários

Isso acontece muito: um sujeito é especialista, digamos, em dinâmica das partículas e, pelo respeito conquistado em seu campo de especialidade, dispara a bostejar asneiras sobre temas nos quais não tem a mínima competência. O bostejador da vez é James Watson, biólogo que destrinchou a estrutura do DNA, e que levantou os olhos do microscópio para falar de inteligência, antropologia, sociologia: os negros têm inteligência menor que os brancos, diz ele.

Quem sabe, o cientista de olhos azuis até brande testes de Q.I. para apoiar suas hipóteses. Testes elaborados em um determinado contexto socio-cultural, que não se aplicariam a pessoas de outras culturas. Assim como um sujeito branco, ocidental, teria enorme dificuldade de atender a certas exigências cognitivas que são fichinha para um oriental, por exemplo.

A comunidade científica se encarregou de apontar a falta de senso da afirmação do cientista racista, como bem mostra a imprensa nacional.

O Reinaldo Azevedo, que, como cito dois posts abaixo, andou defendendo esparadrapo na boa de rapper por defender teses movediças sobre pobreza e crinimalidade, tenm agora a obrigação de pedir censura ao velhinho estapafúrdio. Mas a discussão é boa. O Mengele Watson, se viesse expor suas teses racistas no Brasil, estaria sujeito à prisão, pela lei brasileira?

O Sítio do Nhô Tim

| 4 comentários




Nos jornais há um negócio chamado "gancho" jornalístico, aparentemente desconhecido pela maioria das assessorias de imprensa, que pode ser definido como o pretexto necessário para que o jornal publique determinada informação, naquele momento.
Hoje, por exemplo, é um raro momento na imprensa brasileira para publicar alguma coisa sobre Burkina Faso, simplesmente porque o presidente Lula está por lá. Já uma bela reportagem sobre a vida cultural do Sri Lanka não tem a mínima chance de cavar seu espacozinho nas concorridas páginas dos jornais. Uma matéria sobre alguma jornalista de cacho com algum político ganharia mais chance de impressão do que a notícia de que meu amigo poeta Nicolas Behr está lançando um livro, o Laranja Seleta.
Aí entra o blogue, que tem a vantagem de publicar o que der na telha do blogueiro. Nem preciso de gancho, por exemplo, para escrever sobre Inhotim, o centro cultural criado por um senhor endinheirado e de bom gosto, dono de uma invejável coleção de obras de arte que inclui até uma artista, a esposa do sujeito, Adriana Varejão.
Passei lá no fim de semana, e valeu cada quilômetro de estrada para chegar ao local, a 700 km de Brasília, 60 km de Belo Horizonte. Obras fundamentais do Cildo Meireles, em espaços especialmente construídos para elas. Uma ambientação cenográfica para um dos trabalhos do Ernesto Neto. Um mergulho prazeiroso na arte contemporânea, que lá é cercada por algumas dezenas de hectares tratados com um projeto paisagístico fenomenal _ um tal de Burle Marx assina parte da coisa. Minha favorita é a obra de Janet Cardiff, uma daquelas em que qualquer descrição é insuficiente para dar conta da experiência direta do trabalho. Imagine se pudesse acompanhar (calado, claro) um coro medieval, ouvindo uma a uma as vozes, ou em conjunto, como se estivesse com o ouvido a centímetros de cada pessoa, enquanto entoam um moteto para a rainha Elizabeth, a do século XVI. É de fazer da alma pedacinho.
Centenas de mineiros se abancam para lá, com crianças, que crescerão acostumadas com as bizarrices da pesquisa artística da nossa época, e, quem sabe, não rejeitarão como os pais as escolhas inusitadas dos artistas, e as soluções originais para os problemas plásticos contemporâneos. Belo troço.
E o restaurante, ainda por cima, tem ótima comida.

Começo a ficar com medo

| 18 comentários

Na capa da Veja, leio que o sucesso do filme Tropa de Elite se dá porque finalmente, alguém "trata bandido como bandido". Meu amigo Bode Orelana, analista político de plantão, me garante que o filme é bom, e que desnuda a engrenagem hedionda capaz de fabricar torturadores de boas intenções. Leio na Folha um rapper defender a tese imbecil de que o crime é um mecanismo de justiça social, e o Reinaldo Azevedo, em vez de desmontar o argumento, dizer, babando pelo canto da boca, que a democracia pede a supressão sumária de vozes como essa.

Se, contra todos os prognósticos á esquerda e à direita, a economia não estivesse tão bem, a essa altura haveria gente organizando uma Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

Bom, até tentaram. mas parece que o pessoal ficou cansado e preferiu reclamar no restaurante.

*****

2º clichê: certas coisas surpreendem a gente. Há dois dias venho acompanhando e noto que este post aí acima é, de longe, o recordista em comentários. Nunca antes nesse país, um texto deste Sítio gerou tanto debate, e tanta gente cometnando. Mas, claro, não aqui. Lá no blogue do Pedro Doria, lenda viva da blogsfera, que citou este Sítio, AQUI.

Devo confessar que não vi, nem verei o Tropa de Elite, a não ser por acidente. Explico por quê, lá na caixa de comentários do também lendário Milton Ribeiro. E fico esperando um filme sobre violência no Brasil que, como este, levante boas questões e fuja à explicação fácil da criminalidade como resultado da pobreza e injustiça, mas não esconda os efeitos que a brutalidade da violência policial provoca sobre pessoas inocentes, vítimas de erros de julgamento de agentes do Estado mal preparados e mal formados.

Não gosto de filme que trabalha cenas de violência como catarse, pretexto para o gozo. Quem sabe, alguns editores de Veja e leitores do Reinaldo Azevedo um dia ficarão surpresos ao descobrir que o poder sem limite a um agente policial não deixa apenas os bandidos indefesos, mas qualquer cidadão. Reccorrendo a um velho clichê, o problema das ditaduras é o guardinha da esquina, já dizia Pedro Aleixo, velho golpista e liberal.


######

As porteiras deste Sítio, repentinamente, saíram dos gonzos, com tantos visitantes que chegaram até aqui pelo site www.estudantes.com.br. Moçada, algum de vocês pode me explicar o que está acontecendo?Estou fazendo parte de algum teste, grupo de discussão, linchamento público?Voltem sempre!

Sobre caça e caçadores

Eram dois diretores do Banco Central, caçando na floresta, para esquecer as pressões inflacionárias e os riscos de colapso nos mercados mundiais. Um deles, subitamente, engasga, começa a tremer e cai duro no chão, de olhos esbugalhados e, aparentemente, sem respirar. O outro, apavorado, liga para o serviço médico do BC.
_ Estou com um amigo aqui, parece que morreu, o que faço? O que faço?
_ Calma _ diz a voz do outro lado da linha. _ Podemos ajudá-lo. Primeiro precisamos ter certeza se ele está mesmo morto.
Após um pequeno silêncio no telefone, ouve-se um tiro. E o caçador diretor do BC volta ao aparelho:
_ Pronto, e agora?


***
O original não é novo, como conta o marmota, neste post AQUI. Mas fiz uma adpataçãozinha, proque não consegui evitar de opensar na política monetária quando ouvi a história pela primeira vez.




O mais divertido no post com a fotos da Monica Veloso, no Blogue do Noblat, são os comentários. Tem gente que elogia a comunicatividade da moça. Outros ficam indignados em ver esse tipo de imagem num blogue jornalístico. Ora, como podem reprovar o faro do Noblat para a notícia nua e crua?

Tem um engraçadinho, suspeito que o Oliveira, o canalha da redação, que se identificou como "Senador", e fez o seguinte comentário: "O problema é o preço". Pobre moça incompreendida. AQUI.

Um mundo de luz fria

| 11 comentários


Depois do desodorante English Lavender e do Ovomaltine e o chocolate Diamante Negro originais, e , as corporações multinacionais tramam outro golpe contra meu passado; este, agora, de repercussões globais. Querem acabar com a lâmpada incandescente. Aquela tradicional, fácil de trocar, quente e gastadora de energia.




"O mercado de lâmpadas incandescentes está em declínio no mundo inteiro, por isso a GE optou por fechar algumas fábricas", explica o diretor de Relações Institucionais da GE, Newton Galvão. "Em países como a Austrália e o Canadá, essas lâmpadas foram proibidas, por gastarem muito mais energia. Especialistas dizem que em 15 anos não haverá mais este tipo de lâmpada no mundo." Cerca de 40% das lâmpadas incandescentes da GE consumidas no Brasil eram produzidas no Rio de Janeiro. Os 60% restantes vinham de fábricas estrangeiras. "Agora, elas virão 100% de fora, de fábricas mais modernas nos EUA, Hungria e China", afirmou Galvão.


Em quinze anos não haverá esse tipo de lâmpada no mundo????? O exagero é evidente, mas, por via das dúvidas, é bom começar os estoques.


A verdade é que as lâmpadas ameaçadas de extinção são com poucas mudanças, semelhantes às inventadas pelo Thomas Edison, no século passado. Imagino, com pavor, uma cidade iluminada só por lâmpadas fluorescentes, que deixam a pele das pessoas azulada, e matam as cores. Quem tiver dinheiro sempre terá a opção das lâmpadas halógenas, mais quentes, que, suspeito, consomem também um a quantidade colossal de energia. Mas quem já não sabia trocar as lâmpadas tradicionais vai ter problemas com as lâmpadas queimadas do futuro.


E aquela lampadazinha acima das cabeças de personagens de histórias em quadrinhos para representar boas idéias passará às novas gerações como um hieróglifo ininteligível.

Tapioquice

Na página 2 do Valor de hoje, Cláudio Haddad mete o pau nos planos do governo, com o argumento de que fracassou a política de articulação entre grandes empresas e o Estado para eleição de "campeões"; e defende que a foco governamental deve ser aguçar o espírito animal dos empresários, e criar um ambiente competitivo, capaz de fomentar a inovação e o investimento. Já na página 15, o Márcio Pochmann, inexplicavelmente não identificado como presidente do Ipea que é, diz que a privatização e o ideário neoliberal foram incapazes de motivar investimentos e ampliação da indústria nacional e que não geraram crescimento, muito pelo contrário; daí ser fundamental a atuação forte do Estado até com novas estatais em setores estratégicos.

É por isso que adoro trabalhar nesse jornal. Vi boas idéias e falácias nos dois artigos, mas comentarei depois, porque um valor mais alto se alevanta. E, inflizmente, não cabia no Valor.

É a matéria de hoje, na Folha, "Menino de três anos passa 12 dias perdido na floresta amazônica".

Diz a Kátia Brasil:

"Um menino de três anos passou 12 dias perdido na floresta amazônica, em uma área de mata densa, árvores altas e habitada por animais como onças, porcos-do-mato e capivaras. Foi achado por um caçador, que diz tê-lo encontrado sentado em um tronco de árvore, cantando".

O Estadão, que correu atrás da história, também conta:

LIEGE ALBUQUERQUE - Agencia Estado

MANAUS - Um garoto de três anos ficou perdido por 12 dias na selva e, encontrado na quarta-feira, 3, diz não lembrar de nada que aconteceu no período. N.O.L. foi encontrado por um caçador, a 780 quilômetros de Manaus, cantando uma canção de ninar.

Segundo a mãe do menino, Evanise de Oliveira Lima, ele está internado em um hospital do município de Caruari e só pede para voltar para casa."Ele está muito magro e muito machucado, mas deve receber alta ainda hoje ou amanhã", disse Evanise na entrevista. Segundo ela, o caçador que encontrou o filho, Raimundo Silva, contou que ele cantava uma música quando foi encontrado debaixo de uma árvore.

"O caçador disse que ele cantava uma música que inventei para meus quatro filhos, que fala que estou fazendo tapioca".Ainda segundo relato da mãe, o garoto teria saído atrás do pai que havia saído para trabalhar na roça, no dia 15 de setembro. "Nessa mata perto de casa tem onça, gavião, cobra, mas o anjo da guarda e Deus protegem meu filho".


Lendo a matéria da Folha, suspeito que alguém encontrou o garoto e o alimentou por esses dias. Mas isso não importa. Lendo as mazelas apontadas pelo Pochmann e pelo Haddad, à esquerda e à direita, o que eu queria mesmo era aprender a musiquinha da tapioca.

Bendita musiquinha.

************

2º clichê: Está explicado: o Pochmann não foi identificado como presidente do Ipea porque, na edição, por um daqueles lapsos normais no sufoco do fechamento, foi cortada por engano a parte do texto em que era citado o atual cargo dele. Nisso que dá manter a ferro e fogo a independência entre este Sítio e o jornal onde trabalho. A explicação que faltou aqui poderia vir de um telefonema meu à redação.

O interessante é que descobri que a asessoria do Ipea lê este blogue, que honra. Agora só falta eles perderem menos tempo neste Sítio de notícias irrelevantes e levarem ao homem meu pedido de entrevista, que deve estar largado em alguma gaveta.

Esse divertido clube da blogosfera

| 5 comentários

O acaso me faz esbarrar com nomes de queridos amigos da blogosfera, num aviso de que o trabalho, além de levar meu tempo à toa na Internet, tem me feito abandonar a visita regular a sítios imperdíveis. No Itamaraty, finalmente encontrei a coletânea de ensaios sobre a América do Sul, na qual está premiado meu amigo e professor Maurício Santoro. Presente do nunca devdiamente louvado Ricardo Neiva, o porta-voz camarada. Grande sujeito.

No blogue dele, o Santoro está com uma bela resenha de um documentário sobre Cuba, AQUI.

Como ele, também ganhou um prêmio do Itamaraty o camarada Idelber Avelar, que conheci pessoalmente, aliás, quando veio a Brasília receber o laurel, por um trabalho sobre o Machado de Assis. O engraçado é que, agora à noite, estava a Marta rindo por causa do idelber, ou melhor, por causa do Alan Pauls, de quem ela está lendo "O Passado", onde, lá pelas tantas, há uma passagem em que o personagem principal vai a um Congresso e pega um crachá de um suejito que havia faltado. O nome do sujeito faltante é o dele mesmo, Idelber Avelar. PO causa do crachá, o personagem de Alan Pauls reclama que passem a assediá-lo, falando com ele em português.

Como divido com a Marta a exploração de certas searas da literatura (e o cavalheirismo recomenda que as damas sigam à frente), ainda não cheguei ao Pauls e estou no, já lido por ela, "Detetives Selvagens", do chileno Roberto Bolaño. É espetacular, e recomendo, mas como não pertenço ao time dos picaretas resenhistas de livro meio lido, sugiro apenas que embarquem na leitura. Não caiam na babaquice, comum hoje em dia, de falar mal do realismo mágico latino-americano e desconfiem de que usar o Bolaño como contraponto aos papas latino-americanos do passado recente.

É um romance urbano, há quem o compare, com ressalvas, com o gênero beat , ou diga que é um belo quebra-cabeça repleto de referências literárias. Eu, escarrapachado em minha igonorância de apreciador de um bom texto, digo apenas que, até agora, mergulhei num livraço. Com atrasod e alguns anos, mas quem liga?

Tem futuro, esse Bolaño.

Já morreu? Para você, leitor ingrato; está bem vivinho em minha cabeceira. Até agora, porém, não citou nenhum blogueiro brasileiro. Devo ter pulado alguma página.

Dá-lhe Cristina


Saiu repleta de elogios, de Brasília, a futura presidente da Argentina _ segundo garantem as pesquisas _ Cristina Kirchner. Eu cá comigo tenho desconfianças em relação a pessoas que fogem de responder a perguntas de repórteres, e depois saem reclamando da imprensa; mas jornalista é raça braba mesmo, não dê confiança a essa cáfila, Cristina.


A Kirchner, além de alguns cacoetes discursivos (encaixa um "fundamentalmente" a cada três frases, essas coisas), tem uma capacidade fenomenal, que até hoje pensei ter encontrado apenas no saudoso Fernando Henrique Cardoso. Quando se ouve o discurso, ele faz sentido, parece articulado, e até interessante. Quando se transcreve a gravação do dito-cujo, há frases que ficam soltas no ar, parágrafos que brigam entre si como habitantes da faixa de Gaza, pensamentos inconclusos, exuberância de apostos e uma saborosa embromação.


Dirão meus bons amigos da Embaixada Argentina que exagero. É maldade, claro; tente você fazer um discurso em frente ao PIB brasileiro, como fez a candidata hoje, para ver o que sai. Pero escuchemos juntos, entonces:


"Creio sinceramente, que, neste mundo que se avizinha, neste ciclo econômico em que o mundo demanda grande quantidade de alimentos, nós, aqui na América Latina, Brasil e Argentina, nessa associação estratégica que temos há tanto tempo, que, creio que, talvez, como nunca, nessa presidência de Lula e Kirchner tenha havido tão fina sintonia entre os países, e creio que temos de aprofundar essa sintonia".


E segue a futura presidenta:


"Estamos ante uma oportunidade histórica, ambos os países, de qualificar essa associação estratégica. Por vários motivos: em princípio porque somos uma zona que, como grande produtora de alimentos, além disso, não tão densamente povoada como outras zonas; o que não só nos coloca em uma pole position como, além disso se vê mais qualificada pela ausência de conflitos étnicos, religiosos, enfrentamentos entre países (enterradas as hipóteses velhas, tontas de conflito entre ambos os países), creio que estamos ante um momento histórico, econômico _ e também político, porque não dizê-lo, com grandes zonas de conflitividades em outras partes _ o que nos coloca em uma situação de privilégios, e devemos aproveitar; mas, para isso precisamos sustentar essa projeção com caráter estratégico em matéria energética."


E eu que imaginava que sofria o tradutor do Lula, nos discursos de improviso do homem. A cabine de tradução vai ser um local divertido de se ver, nas futuras reuniões do Mercosul.

Sai Bruna Surfistinha, entra Monica Veloso

| 4 comentários


É a mais nova celebridade catapultada pela cama, no cenário nacional. Disse ontem que escreverá um livro, o que deve ter animado o mercado de ghost writers de Brasília. A Veloso é _ digo, era _ um dos exemplares, cada vez mais raros, de talking head tupiniquim, aquele tipo de pessoa com boa dicção e bela face que ilustra e lê matérias jornalísticas escritas por alguma outra pessoa.
Suspeito que sua maior proximidade com fontes de informação, em Brasília, foi adquirida em uma das badaladas festas do Moreno, na capital; mas não foi notícia o que ela extraiu de lá. Ela diz que escreverá um livro "autobiográfico" contando sua relação com Brasília, mas que outros políticos não devem ficar preocupados.


Não mesmo. Ao que me consta, o outro político com quem ela teve relações era um promissor baiano que tinha até planos de chegar à Presidência, mas foi traído pelo coração, e está morto, a salvo de preocupações, aborrecimentos ou, sei lá, chantagem. Quem dizem que se relacionou com outros políticos, bem vivos, e teria boa autobiografia também a contar é a irmã dela.

Trabalhei na Globo, mais ou menos na mesma época em que a moça, até que alguém da direção, no Rio percebeu que não era o aparelho de tv que estava com defeito, e a minha imagem era aquela mesmo que estava aparecendo no vídeo. Deixei o show business e voltei à seara impressa, mas foi divertido enquanto durou.
Mal consigo me lembrar da moça na redação da tv, acho que trabalhávamos em horários diferentes; entrava muda, dizia o que encontrava escrito, e saía calada. Não parecia ter seios tão grandes quanto os que exibe hoje, na revista masculina em que posa, mas isso é assunto para o senado, este aqui é um Sítio sério.
Quem estiver interessado no tema já pode recorrer ao tio Google. A essa altura a Internet está cheia de reproduções pirateadas da revista, em que a rapariga aparece na capa, em pose de quem foi flagrada por câmera oculta no tampo do vaso sanitário.

| 6 comentários

Chove em Brasília, pondo fim a uma seca que já incomodava mais que a péssima qualidade dos parlamentares da base governista. Nuvens carregadas devem tomar o lugar desse céu azul avassalador, que se mostra em 360 graus pela cidade e dá à capital uma sensação de amplitude rara de se encontrar em outras metrópoles.

Mas agora pode, depois que emplaquei essa foto aí de cima na coluna do Ancelmo, neste sábado. Grande Ancelmo, nem sabe o que representa publicar uma foto, nO Globo, para este blogueiro que, ao sair da faculdade, pegou uma bolsa de pesquisa da Funarte, com um trabalho sobre...a fotografia em O Globo.

Bom, como acontece até com os melhores seguidores do Henri Cartier Bresson, os editores da coluna cortaram a foto, tiraram boa parte do céu que agora mostro sem censura aos freqüentadores deste Sítio, e as margens do ipê rosa que exibe seus ramos impudicos, fundindo-se sem-vergonha à catedral do Niemeyer. Mas o Ancelmo sabe o que faz. O Ruy Baron também achava que eu devia cortar a foto. E tirar esse céu aí de cima? Nanananinha, digo eu.
E pensar que, no dia seguinte, o que o Ancelmo publicou na coluna foi o bundão do senador, digo, as volumosas nádegas da jornalista que ganhou fama dando prole a um Senador da República. Santa Madona Calipígia, batman.
Sou mais minha fotozinha inocente.



sitio do sergio leo

últimos comentários

Add to Technorati Favorites