Isso acontece muito: um sujeito é especialista, digamos, em dinâmica das partículas e, pelo respeito conquistado em seu campo de especialidade, dispara a bostejar asneiras sobre temas nos quais não tem a mínima competência. O bostejador da vez é James Watson, biólogo que destrinchou a estrutura do DNA, e que levantou os olhos do microscópio para falar de inteligência, antropologia, sociologia: os negros têm inteligência menor que os brancos, diz ele.
Quem sabe, o cientista de olhos azuis até brande testes de Q.I. para apoiar suas hipóteses. Testes elaborados em um determinado contexto socio-cultural, que não se aplicariam a pessoas de outras culturas. Assim como um sujeito branco, ocidental, teria enorme dificuldade de atender a certas exigências cognitivas que são fichinha para um oriental, por exemplo.
A comunidade científica se encarregou de apontar a falta de senso da afirmação do cientista racista, como bem mostra a imprensa nacional.
O Reinaldo Azevedo, que, como cito dois posts abaixo, andou defendendo esparadrapo na boa de rapper por defender teses movediças sobre pobreza e crinimalidade, tenm agora a obrigação de pedir censura ao velhinho estapafúrdio. Mas a discussão é boa. O Mengele Watson, se viesse expor suas teses racistas no Brasil, estaria sujeito à prisão, pela lei brasileira?

Eu sou paranóico ou existe um certo esforço em andamento para tentar montar teses que digam que o caos social em que o planeta está mergulhado é justo e correto? Como escreveu o Loïc Wacquant, será que estamo rumando em direção a uma ditadura sobre os pobres?Você conhece o trabalho, igualmente racista, do Charles Murray (ex-secretário do governo Reagan) chamado "The Bell Curve"?
Você não está paranóico, está chapado, ora. Vivemos no melhor dos mundos possíveis, mas tem gente que não se convence disso!!!
- Será que eu sou um completo idiota?- Elementar, meu caro Watson ...