Tapioquice

Na página 2 do Valor de hoje, Cláudio Haddad mete o pau nos planos do governo, com o argumento de que fracassou a política de articulação entre grandes empresas e o Estado para eleição de "campeões"; e defende que a foco governamental deve ser aguçar o espírito animal dos empresários, e criar um ambiente competitivo, capaz de fomentar a inovação e o investimento. Já na página 15, o Márcio Pochmann, inexplicavelmente não identificado como presidente do Ipea que é, diz que a privatização e o ideário neoliberal foram incapazes de motivar investimentos e ampliação da indústria nacional e que não geraram crescimento, muito pelo contrário; daí ser fundamental a atuação forte do Estado até com novas estatais em setores estratégicos.

É por isso que adoro trabalhar nesse jornal. Vi boas idéias e falácias nos dois artigos, mas comentarei depois, porque um valor mais alto se alevanta. E, inflizmente, não cabia no Valor.

É a matéria de hoje, na Folha, "Menino de três anos passa 12 dias perdido na floresta amazônica".

Diz a Kátia Brasil:

"Um menino de três anos passou 12 dias perdido na floresta amazônica, em uma área de mata densa, árvores altas e habitada por animais como onças, porcos-do-mato e capivaras. Foi achado por um caçador, que diz tê-lo encontrado sentado em um tronco de árvore, cantando".

O Estadão, que correu atrás da história, também conta:

LIEGE ALBUQUERQUE - Agencia Estado

MANAUS - Um garoto de três anos ficou perdido por 12 dias na selva e, encontrado na quarta-feira, 3, diz não lembrar de nada que aconteceu no período. N.O.L. foi encontrado por um caçador, a 780 quilômetros de Manaus, cantando uma canção de ninar.

Segundo a mãe do menino, Evanise de Oliveira Lima, ele está internado em um hospital do município de Caruari e só pede para voltar para casa."Ele está muito magro e muito machucado, mas deve receber alta ainda hoje ou amanhã", disse Evanise na entrevista. Segundo ela, o caçador que encontrou o filho, Raimundo Silva, contou que ele cantava uma música quando foi encontrado debaixo de uma árvore.

"O caçador disse que ele cantava uma música que inventei para meus quatro filhos, que fala que estou fazendo tapioca".Ainda segundo relato da mãe, o garoto teria saído atrás do pai que havia saído para trabalhar na roça, no dia 15 de setembro. "Nessa mata perto de casa tem onça, gavião, cobra, mas o anjo da guarda e Deus protegem meu filho".


Lendo a matéria da Folha, suspeito que alguém encontrou o garoto e o alimentou por esses dias. Mas isso não importa. Lendo as mazelas apontadas pelo Pochmann e pelo Haddad, à esquerda e à direita, o que eu queria mesmo era aprender a musiquinha da tapioca.

Bendita musiquinha.

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2º clichê: Está explicado: o Pochmann não foi identificado como presidente do Ipea porque, na edição, por um daqueles lapsos normais no sufoco do fechamento, foi cortada por engano a parte do texto em que era citado o atual cargo dele. Nisso que dá manter a ferro e fogo a independência entre este Sítio e o jornal onde trabalho. A explicação que faltou aqui poderia vir de um telefonema meu à redação.

O interessante é que descobri que a asessoria do Ipea lê este blogue, que honra. Agora só falta eles perderem menos tempo neste Sítio de notícias irrelevantes e levarem ao homem meu pedido de entrevista, que deve estar largado em alguma gaveta.



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