novembro 2007 Archives



Sugestão do meu filho, Miguel Almadinejad Leo, meu consultor para o You Tube. Para quem entende inglês, sugiro buscar no You Tube a versão original. Os caras das legendas não têm o mínimo senso de timing.

De olho na bítácora dele

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Ele, como muitos de língua espanhola, chama o próprio blogue de Bitácora, palavra que, além de designar a caixa onde se guarda a bússola, nos navios, é também Diário de Bordo. Tudo a ver com blogue, portanto. Em português, seria bitácula.



Ele, o da bitácora, é periodista e blogueiro com seus 77 anos (olha aí seu Rogério, nunca é tarde para entrar no clube). Chama-se Juan Gelman, poeta, e acaba de ganhar o mais importante prêmio literário lá da língua dele.



Ao entrar na tal bitácora, o que se encontra, de cara, são artigos e notas do blogueiro. A poesia está num cantinho, um link ao lado dos posts. O alvo preferido dos artigos e posts do Gelman é muito pouco inspirador de odes às musas: chama-se George Bush. Logo agora, que o presidente americano marca um ponto com o lançamento de negociações de paz entre israelenses e palestinos, aparece mais uma voz premiada a criticar a indefensável política intervencionista americana, para lembrar em entrevistas pelo mundo o desastre da invasão no Iraque.



Gelman, que ganhou o prêmio pela poesia, e não pelo esquerdismo, escreve coisas como essa:



Llena de signos y de árboles,

ella cruza la noche como un fuego o un río,

asciende en el silencio y la memoria,

es infinita como un hecho,

la existo, la conduzco, yo soy su certidumbre.



O cabra é bom. A bitácora dele está AQUI.

E quero ver o Alon Ferveowerker implicar de novo porque chamo minha bitácula de Sítio.

Demorou




O grande Heráclito (não o Heráclito Fortes, o Heráclito que era grande de verdade, no sentido moral) mesmo chamado de "o obscuro", legou à humanidade uma frase de significado inequívoco: não se entra duas vezes no mesmo rio. Toda criança de primário sabe que ele se referia ao fluir da vida, à transitoriedade das coisas e gentes, ao devir. Coisa que qualquer paulista intui, ao olhar o Tietê; ali não se entra nem uma vez, quanto mais duas.

O Rio de Janeiro, como diria um criativo repórter de segundo caderno, não foge à regra. A cada vez em que se entra é um Rio diferente. Isso, claro, se você não for interceptado por alguma bala perdida, porque aí é que você não tem como entrar duas vezes em lugar nenhum. Nem sai.

Atravessado esse nariz de cera, marca registrada este Sítio, conto para você, leitor obstinado, a novidade, que me passou o Tiagón: criaram uma versão do WAR para o Rio de Janeiro, coisa, como diz o mesmo Tiagón, que estava quicando para ser inventada. O criador é um designer genial, e dedicado. Ele explica com clareza as regras do jogo:

"As Regras do jogo se mantiveram inalteradas, e constituem os mesmos princípios morais comercializados em lojas infantis: matar, destruir, conquistar e aniquilar seus amigos.
War in Rio é amizade."

Mas o resto é impagável. Está AQUI.
****
2º cliche: Nisso que dá não ler jornal popular. Deu a história do War in Rio ontem, no Extra, do Rio. E está hilária a discussão na cidade, com as autoridades em brados contra o jogo. Não perceberam que a idéia genial do Fabio Lopez não se transformou em produto nenhum. Parabéns ao cara.
O Antonio Biscaia, numa demonstração de que é pautado pela imprensa, declarou até que o Ministério Público deveria tomar providencias contra a a comercialização do War in Rio. Deveria pedir urgência, antes que o Papai Noel compre o brinquedo, pobre velhinho inocente.

Do guaraná à cerveja, evolução natural

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Já falei aqui neste Sítio do grupo Superflex, grupo de artistas dinamarqueses, demonstração cabal de que não há catecismos invioláveis na arte contemporânea. Mas tenho de brindar de novo à turma.

O artista conceitual de raiz, aquele que veio dos morros da alta intelectualidade, defende que a arte deve fugir do expressionismo, das confusões do mundo, e se concentrar em falar dela própria, da arte, suas linguagens e estratégias. Uma coisa meio complicada, como se vê. O Superflex, mesmo com carteirinha de arte conceitual, bota as mãos na lama, e faz uma coisa que pode ser muito bem confundida com pura militãncia política.
Mas fazem bem, e com sabor. Na Bienal, trouxeram o Guaranápower, que lhes rende uma briguinha particular com o quase monopólio guaranífero daqui. Agora atacam de cerveja, mas deixo o tema para um denso conhecedor do assunto, o etilírico Paulo Bicarato, que falou deles antes de mim:

"Já havia comentado sobre isso há algum tempo, mas eis que agora ela chega *oficialmente* ao Brasil. Tá na Folha de hoje.
A Free Beer surgiu em 2004, numa parceria com estudantes da Universidade de Copenhague. "Buscamos transferir os princípios do software livre para algo físico, e a cerveja se tornou um bom exemplo", conta Nielsen. "Por isso, a Free Beer tem sido comparada ao Linux [sistema operacional gratuito] e à Wikipedia", diz o artista.Quem quiser produzir e comercializar a Free Beer pode baixar do site
http://www.freebeer.org/ a logomarca da cerveja, de forma gratuita.Cervejemos, copoanheiros =^) "


O Bica, claro, puxa a coisa para o softaree livre, a praia dele. É por aí, e mais além. O Superflex faz um combate aguerrido aos abusos da propriedade intelectual. Diz que nunca na história tanto conhecimento foi monopolizado por tão poucos, graças à legislação de direitos de autor e quejandos. Uma discussão boa, não sei se arte ou batalha política. Deve ser arte, porque eles a fazem com cerveja, e, pelo que dizem, saborosa.

As armas de Chávez, veja só

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Boa a reportagem de Veja, nesta semana, sobre o que querem os militares brasileiros. de um excelente repórter, o André Petry. Gosto da boa reportagem porque nos permite ver a realidade para além das opiniões dos editores. Lendo os dados bem apurados do Petry, por exemplo, saí com forte impressão de que todo o discurso dos milicos sobre uma suposta corrida armamentista na Venezuela são lobby para comprar mais armas no Brasil.

Já ouvi, de general de quatro estrelas, que há um detalhe logístico importante e tranquilizador em relação a Chávez e à imaginada ameaça dele contra o Brasil. Em uma hora, um avião-caça na fronteira com o Brasil alcança Caracas, e pode fazer um bom estrago na capital venezuelana antes de ser intrerceptado. Em uma hora, um avião venezuelano que invada o Brasil chjega, no máximo, a Manaus. Onde está o parque industrial da Zona Franca que, hoje, é um dos principais fornecediores de celulares e equipamentos domésticos à Venezuela. Mas a matéria da Veja tem coisa bem mais interessante.

Dois quadrinhos, feitos pela revista para dizer que o Brasil está ficando para trás em matéria de Forças Armadas, poderiam ilustrar subversivamente o material da própria Veja sobre a Venezuela. Eles mostram que em percentual do PIB gasto em despesas militares, a Venezuela está abaixo até dos brasileiros (que tem PIB muito maior), só acima da Argentina, numa lista de sete países sul-americanos. Derramam uma parcela maior de seu PIB em despesas militares o Equador (3,9%), o Chile (3,5%), a Colômbia (3,3%), a Bolívia (! 2,2%). O Brasil gasta 1,8% e a perigosa Venezuela, 1,7%.

O detalhe é que o PIB da Colômbia é quase o dobro da Venezuela, e os dois nunca se deram muito bem. Mas ninguém fala da corrida armamentista do Uribe, que, é bem verdade, é obrigado a gastar uma fortuna para combater grupos armados ligados ao nrcotráfico. O Chile também tem um PIB maior que o da Venezuela. Ou seja, se alguém está puxando para cima os gastos com armas no continente, esse alguém não é o Chávez, segundo informa a Veja (que, apesar disso, escreve um box alarmado com a corrida armamentista "provocada" pelo venezuelano).

Há outro quadrinho interessante, que classifica os países de acordo com a quantidade e qualidade dos equipamentos militares e o tamanho do contingente militar. Nesse ranking, a Venezuela vem em quarto lugar, um pouco acima da Colômbia e abaixo, bem abaixo, do Brasil, do Peru (!), do Chile e da Argentina. Chile e Peru, segundo o gráfico da Veja, vêm ganhando pontos, aumentando sua clasificação no ranking, enquanto o Brasil perde. O efetivo militar de que dispõe Chávez é de menos da metade do disponível no Chile, e bem menor que o da Colômbia.

Interessante apuração, a da revista. Aguardo com ansiedade a reportagem de Veja sobre a absurda corrida armamentista provocada no continente pela chilena Michelle Bachelet.

A ameaça que vem do Norte



Multinacionais do grande país do Norte, beneficiadas pelo seu enorme mercado e sua competitividade ameaçam impor preços de bens de primeira necessidade... no Uruguai. O grande país do Norte é, claro, o Brasil, e as multinacionais, no caso, são os frigoríficos brasileiros, que andam conquistando o mundo com a voracidade de gaúcho barrado em churrasco. Quem fala do caso, hoje é o jornal uruguaio El Observador, AQUI.

Essa história toca em uma as fragilidades (outra) do mercosul, a falta de um acordo decente de proteção contra concorrência desleal, regras para um CADE regional. Seria o substituto necessário aos mecanismos de defesa comercial (anti-dumping, salvaguardas) dentro do bloco.
Mas quem quer discutir isso? Melhor esperar que as empresas multinacionais dos países do bloco (brasileiras, na maioria), comecem a sofrer sanções dos governos locais, para podermos todos reagir com os brados nacionalistas de enorme utilidade nas campanhas eleitorais no continente.

E, de brejo em brejo, o Mercosul vai virando vaca.

Já, na Argentina, a imprensa local mostra a inveja do desenvolvimento brasileiro, assunto que deu o que escrever na blogosfera, como bem comenta o Maurício Santoro, no imperdível Todos os Fogos, AQUI.
Uma amostra do que diz o Santoro, sempre excelente:
"No fim dos anos 1950 o PIB do Brasil era apenas levemente superior ao da Argentina. Hoje, é cerca de quatro vezes maior. O crescimento da economia brasileira foi acelerado e constante, enquanto a Argentina seguiu um ciclo instável de stop-and-go, muito motivado por suas repetidas crises políticas. Afinal, foram 6 golpes militares entre 1930 e 1976, fora diversas insurreições mal-sucedidadas, guerrilhas, a guerra das Malvinas e a quase-guerra com o Chile. Não há prosperidade que resista. Alguns falam do "milagre do sudesenvolvimento argentino" e a maioria trata com nostalgia da era de ouro do início do século XX, quando a renda per capita do país era mais alta do que a da Espanha ou a da Itália. O célebre economista sueco Gunnar Myrdal chegou a dizer que só existiam quatro tipos de países: desenvolvidos, em desenvolvimento, Japão e Argentina."


"Senhor, o senhor está intervindo na obra, e para isso tem de ter a tinta"

Era um dos seguranças do CCBB de São Paulo, às minhas costas, enquanto eu, seguindo instruções da Yoko Ono, escritas na parede da exposição, acrescentava "cores para São Paulo" em uma das duas telas exibidas no local, e repletas de pichações dos visitantes/colaboradores da obra interativa.

O problema e razão da intervenção do segurança é que eu não estava seguindo exatamente o planejado pelos burocratas do CCBB. Quando cheguei perto da tal obra, não vi tinta disponível nenhuma, mas reparei que, no piso emborrachado haviam caído gotas do guache usado na tela. Foram essas bolinhas de guache que eu passei a retirar do chão com um cartão, e umidificando-as levemente, acrescentar ao trabalho proposto pela Yoko. Para desespero do segurança.

"Não há tinta, o senhor tem de esperar o arte-educador para intervir na obra"

"O senhor conhece a artista?", perguntei, candidamente, sem me voltar, concentrado na colocação de bolas coloridas no meu primeiro trabalho em colaboração com a ex-mulher de John Lennon e mais uma pá de gente que passou por Sampa nesses dias. "Conheço, claro", me respondeu o sujeito. "Não parece".

"O senhor não pode fazer isso, vou chamar o arte-educador", insistiu o sujeito, pronunciando essa última palavra como quem diz "vou chamar a polícia". Acho uma ótima idéia, concordei, e comentei que ele parecia precisar mais de um arte-educador do que eu.

O sujeito sacou um rádio daqueles ruidosos e convocou a sétima cavalaria, digo, o arte-educador, que certamente estaria treinado para lidar com perigosos meliantes capazes de, provocados pela sugestão de uma artista, criar, como ela sugeria. Infelizmente, não pude esperar pelo disciplinador, muita coisa ainda para ver. Quem estiver por Sampa e puder dar uma olhada para evr se minhas bolinhas continuam por lá, agradeço. Suspeito que devem ter caído, para umidificar o guache eu usei saliva.

Humm, acho que foi isso que provocou a segurança. Mas para saber disso eu teria de ter esperado pelo arte-educador.

*******



Bem que o Contardo Calligaris comentou lá na Folha que, nos velhos tempos, subiria na escada criada pela Yoko, com uma lente de aumento pebndurada no último degrau, que o observador deveria pegar para ler a palavra escrita no teto, PAZ. Foi o que o Lennon fez, e se encantou com a japa, coisa perigosa isso. O Calligaris lamenta que a obra, hoje, tenha barreiras para impedir que seja tocada, coisa parecida com o que fazem com os bichos da Lygia Clark, criados para serem manuseados e, hoje, exibidos em redomas, cadáveres de bichos, da obra da Lygia.

Até que, no caso da Lygia, as coisas vêm melhorando. Na última vez em que estiove no Rio, no MAM, havia reproduções das obras, como as máscaras sensoriais que as pessoas podiam vestir, e experimentar as alterações perceptivas para as quais elas foram criadas. Os trabalhos da Lygia, a partir de determinada época, só existiam se usados, vestidos, manuseados. Não foram criados para peças de museu, e, aos poucos, curadores e colecionadores começam a aceitar isso.

Mas não em São Paulo. Na Estação Pinacoteca, tive contato com o mais refinado esforço para podar a apreciação de uma obra de arte não imitado por nenhum museu das dezenas que conheci mundo afora. Em frente a um Bicho da Lygia, como é hábito meu e de muita gente, saquei o bloquinho de anotações e comecei a fazer um esboço do bicho.


"Senhor, é proibido fazer desenhos".

Essa era a segurança da Pinacoteca. Eu entenderia a preocupação da moça, se eu estivesse desenhando NO bicho. Mas eram minhas mal traçadas linhas, em meu bloquinho puído.

"O que????" perguntei, sem crer. "Moça, não estou fotografando, estou desenhando".

"Não pode, é que essa é uma coleção particular".

Na estação Pinacoteca, quando há exposição de coleções particulares, quem quiser fazer um croquis do que está vendo, como ajuda à memória, como forma de melhor entender a obra, não pode???? É uma das normas mais estúpidas que já vi, e disse isso à coordenadora do exército de castradores que contratam para dar segurança ao local. Ela me explicou que desenhar, pode, mas a Pinacoteca precisa saber para quê. tem de ir à direção, preencher formulários, assinar documentos, pegar um crachá e aí sim, fazer rabiscos à vontade. Quem mandou gostar de desenhar? Desenhar é para artista. Público tem que olhar, isso enquanto não encontram um jeito de estragar esse prazer também.

Em grandes museus até fazem exigências, mas para que artistas possam levar cavaletes, tintas, pincéis e iscambaus, e ocupar por um bom tempo algum canto no espaço da exposição. Eu estava no imenso salão vazio da Estação Pinacoteca, afastado decentemente a obra em questão. Quem sabe criam esse tipo de estúpida burocracia para dar o que fazer aos seguranças, o público de arte de hoje em dia anda educado demais, os coitados ficam lá, inchando as varizes.

É irônico que a burocracia esterilizante tenha encarnado comigo justo ao tentar desenhar uma obra da Lygia Clark, figura genial e torta, que nunca se deixou prender pelos castradores sanguessugas que rastejam nas sombras do mundo da arte.

Claro que, á saída, vi, no catálogo da exposição, uma foto da mesma obra, que reproduzi com a máquina digital. A mesma, aliás, que tio Google emprestou cá para este Sítio, aí em cima.

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São excelentes as exposições da Pinacoteca, que em boa hora foi restaurada e virou o que é em São Paulo. Agora só têm de dedetizar o prédio, para acabar com os parasitas. Estou falando dos burocratas que se apoderaram da instituição, claro. Capazes de usar bem o dinheiro que a Pinacoteca recebe, em boas exposições. mas não têm neurônios o suficiente para entender que, numa exposição desas, também os funcionários têm de receber um mínimo de formação, para entender o que é arte hoje em dia, e compreender como se deve apreciá-la.
Suspeito que o pessoal lá recebe o mesmo pacote de treinamento dos guardas municipais de cemitério. Pode olhar, mas não toque nas lápides, por favor. É o máximo que aprendem.
Exagero? Minutos depois, saio da estação Pinacoteca e, metros adiante, vou à Pinacoteca propriamente dita. Na entrada, uma polêmica obra da Laura Vinci, Warm White, um conjunto de bacias de mármores, com água e aquecedores ligados por tubos de plástico e cobre. Um casal, com dois filhos, abora uma moça uniformizada, ao lado da peça:
"Qual é a mensagem, que significa isso?"
A segurança, segura como indica o nome, explica que não tem mensagem não, nem significado nenhum.
"É arte contemporânea. Antes a arte tinha mensagem, mas agora é assim, ao léu"
Oliveira, o canalha da redação, adorou, e insiste que, no fundo, a moça acabava de resumir genialmente o colossal conjunto de discursos e polêmicas sobre a arte contemporânea. Mas estou convencido de que o problema dela é a falta de algum arte-educador. Pobres freqüentadores da Pinacoteca que queiram sinceramente, mais referências para entender que diabo de arte anda se fazendo hoje em dia.
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A propósito, a edição de novembro da Art News, uma das mais incensadas publicações de arte, fez uma enqquete entre críticos e curadores para saber que artistas serão ainda lembrados e destacados em 2112. Para os ufanistas, informo que o Brasil está lá, e é um dos latino-americanos mais citados, representado pela Lygia e pelo Hélio Oticica. E a Yoko Ono aparece em pelo menos quatro das listas. Para amargura da turma que ainda acha que ela é só a ex-mulher do John Lennon.





Dilema

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Ainda nem consegui tempo para botar aqui no Sítio as aventuras que eu e Marta tivemos com a arte contemporânea em São Paulo, cidade onde, em alguns lugares, arte-educador é chamado pelos seguranças para prevenir qualquer surto de criatividade (logo conto essa). E, convocado pelo grande embaixador Rodrigo Baena Soares (dirão que ele não é embaixador ainda; eu respondo que logo o Itamaraty corrigirá esse lapso), dei uma palestra no Instituto Rio Branco, onde fui comunicado que este Sítio já consta em tese por lá.


O drama é que, aos poucos, nos últimos tempos, o blogue foi se desviando, derrapando fora da linha da política externa, e até dos bastidores da notícia, como já teve, e se arrisca a ter feições diferentes, muito diferentes da glória que a posteridade acadêmica lhe promete com a tese do Baena. Coisas da blogosfera; é uma das vantagens, poder mudar o perfil da publicação ao sabor dos ventos. Mas...


Isso me obriga a medidas drásticas. Em breve comunico aqui aos freqüentadores deste Sítio a criação de um novo blogue-irmão, onde passarei a tratar exclusivamente desses assuntos mais sérios a que o Baena me obriga. Aguardem. E logo, logo, as aventuras do dono deste Sítio no fascinante mundo da arte contemporânea em São Paulo, com direito a Yoko Ono e momentos de tensão.

Pausa para o feriado

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O Alex castro está prester a cometer um livro sobre uma brasileira metida que labuta no primeiro mundo como empregada. E pede casos para lhe avivarem a fagulha criativa. Como não resisto a esse ambiente colaborativo da Internet (o Idelber, sempre mestre, criou até a wikitradução, em que internautas o ajudam a melhor verter ao português versos da alta literatura), vamos a ele:


1. Você conhece casos de humilhações e/ou constrangimentos, contínuos ou esporádicos, sofridos por expatriados brasileiros?

2. Você conhece brasileiros que tiveram empregadas domésticas no exterior? De que modo são (ou não) diferentes das empregadas no Brasil? Houve conflitos ou problemas?

3. Em relação a serviços domésticos em suas próprias casas, você conhece brasileiros(as) no exterior que tiveram que fazer tarefas que nunca faziam, ou teriam feito, no Brasil? Como foi essa adaptação?

4. Em relação a serviços remunerados, você conhece brasileiros(as) no exterior que tiveram que realizar trabalhos que nunca tinham, ou teriam, feito no Brasil? Como foi essa adaptação?


Respostas para o escriba, AQUI.

Ou é a futura presidente da venezuela, a ser preparada para assumir o posto após a aposentadoria do comandante, ou é montagem (quem anda divulgando esse troço na rede é a oposição, claro), ou é o Anticristo, em pessoa, de boininha vermelha. Pé de pato mangalô três vezes.
www.Tu.tv

Por que passei a gostar da Yoko Ono

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O Jabor é um grande cara. Deve ter uns 1,90, pelo que me lembro de vê-lo passar pela redação da Globo em Brasília, sorridente, simpaticão. Não deveria me provocar aquela agonia que sinto quando ouço a deitação de regra que ele despeja na CBN, e me obriga, às primeiras palavras, trocar imediatamente de estação. Também não leio as colunas dele nO Globo, me fazem lebrar as aparições na tv, nos anos 90, em que ele repetia, como mantra: "o país precisa fazer as reformas, as reformas", e eu tinha a certeza de que nem ele nem os telespectadores faziam a mínima idéia de que diabo de reformas ele estaria falando.


O Jabor é um pouco como aquele cunhado bem-sucedido, que ninguém na família sabe por que chegou onde chegou, e que, às vezes, todos são obrigados a admitir que deu uma dentro. Mas, no fundo, prefeririam que tivesse faltado à festa, deixa a gente meio de ressaca. É um retrato bem executado da nossa alegre irresponsabilidade na mesa de bar, nossa arrogância etílica, com todas nossas soluções de todos problemas que os imbecis da humanidade não conseguem ver, ou entender.


Em resumo, o jabor é uma besta. E eu jamais teria coragem de dizer isso na frente dele, pelo tamanho, claro, e pela simpatia: o cara, pessoalmente tem um charme danado, parece até humilde. Grande cara, o Jabor. Se não começar a fazer discurso e bradar por reformas deve ser uma companhia divertida na noite em Ipanema.


Nem ia falar dele; quando não se têm o que falar de bem de uma pessoa, melhor calar a boca que arranjar de graça mais um inimigo na vida. Embora o Jabor sempre possa dizer, como Oscar Wilde (ou foi o Mark Twain, ou a Tônia Carrero, sei lá), que provavelmente me desprezaria, se tomasse conhecimento de minha existência. Esqueça o Jabor. O negócio é que ele dedicou uma coluna hoje à Yoko Ono, e eu já estava pensando em escrever sobre a japa, que entrevistei há algum tempo quando trouxeram uma big exposição dela aqui para Brasília.


(Bela exposição, aquela. Alguns trabalhos interativos, como aquele em que as pessoas podiam pregar cravos em uma imensa cruz de madeira, lances poéticos, omo as gaiolas de desejos, uma tradição japonesa, objetos instigantes, como a instalação toda em branco, de peças pela metade. Interesante o trabalho da velha senhora, que também foi uma graça na entrevista, naquele seu decadente jeito zen-manhattan).


Jabor, vestindo o fraque do marido lá da Marina Colassanti, (qual é mesmo o nome dele?), sobe em seu caixote de malandro descolado e intelectualizado para desancar a arte da Yoko Ono, que ele mostra não entender direito, porque, no fundo, sempre a viu pelos óculos do John Lennon, a pobre bruxa. Cita a Daniela Thomas, a mesma que montou uma exposição em que pôs todos os quadros deitados virados para o teto, num desrespeito total ao trabalho dos artistas*. "Agora entendo porque sempre quis matar a Yoko, desde criancinha", disse a Thomas, depois de ver a performance da anciã, numa boutade feliz. Jabor faz dele a piadinha dela. Pau na Yoko que ela merece.


Ele reclama da falta de relevância do trabalho da Yoko. Poderia falar o mesmo de boa parte da arte conceitual contemporânea, que não conhece. Qual a importância da Alison Knowles, que chamava as pessoas para fazer salada, e essa era sua performance; e, ainda por cima, nunca bebeu chope no Leblon? Se a Alison ao menos tivesse casado com o Paul McCartney... Jabor, provavelmente não tem idéia de quem foram os criadores do Fluxus, deve achar que Nam June Paik é o novo secretário-geral da ONU, e George Maciunas algum desconhecido poeta do Leste europeu. Não faltam críticos de arte no Brasil, mas, como no futebol, em que todo mundo pode dar seu pitaco, nessa entrou o Jabor. Grande cara. E já estou eu aqui falando dele. Quero falar é da Yoko.


Yoko, em São Paulo fez umas performances, constrangedoras como soem ser quase todas as performances contemporâneas (e quem já viu alguns dos vídeos da Marina Abramovic sabe bem do que estou falando). E, ao ler as críticas, fiquei com pena de não ter assistido. Bateria palmas.


Foram dezenas dessas celebridades com prazo de validade que povoam o noticiário: apresentadores de tv, atrizes e modelos, pseudo-intelectuais da indústria cultural, gostosas e testicocéfalos. Uns decididos a gostar do que quer que vissem, afinal era a Yoko Ono lá no palco. Outros, quem sabe, esperando uma epifania, um Cirque de Soleil da arte conceitual, em que a japa do Lennon, após uma profusão de efeitos cibernéticos alucinantes, faria piruetas calistênicas enquanto transmitiria a todos uma iluminadora visão lacaniana do profundo impasse civilizatório em que está atolado o século XXI.


Yoko Ono não fez nada disso. Falo do que não vi, mas imagino o desconforto com que teria visto. Ela atravessou engatinhando o palco, coberta não lembro com o quê, ensaiou uns passos de samba capenga, fez umas micagens. Nada, imagino, muito diferente do que fazia na swinging London dos anos 60, mas algo muito diferente, porém: não era mais a artista relativamente desconhecida que, com um grupo de malucos do Fluxus, investia contra a autoridade dos museus e academias.


Era a anti-musa, a celebridade, a Yoko Ono do edifício Dakota, que se enroscou no corpo magro do John Lennon e só por isso enchia aquela sala de espetáculo. Fez com que socialites microcerebradas saíssem da sala buscando justificativas para gostar do que viram, e os intelectuais deixassem a cena horrorizados com a falta de pudor artístico da japa, que, afinal, não fez por onde justificar o furor de midia em torno dela. Em meu confortável ofício de crítico do que não vi, posso atestar que ISSO é arte.


Grande Yoko. Pena que perdi o evento. Deviam dar a ela uma coluna no Globo.
* (Na verdade quem montou a tal exposição com os quadros no chão foi a Bia Lessa, olha o que o Jabor me faz escrever. Dá no mesmo, essas cenógrafas são muito parecidas).

Ases inomináveis

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Diz o Estadão que esse o novo capacete da Força Aérea Britânica, que permite ao piloto ver através da fuselagem, e acertar até mosquito na ponta do chifre do capeta. (Bom o estadão não fala em capeta, mas se falasse diria isso).


Bacana, mas não entendi uma coisinha: por que, ao desenharem a traquitana, buscaram como inspiração a cabeça do Pateta?

A rica boca de Chávez.

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Estava nas manchetes do fim de semana, e nas televisões: Chávez diz pra Lula que o brasileiro é um magnata do petróleom, que devem criar a Petroamazônia e vender óleo aos pobres mais barato aos países pobres. Estava de sacanagem, claro, mas foi o Lula quem teve de lembrar aos repórteres que o Chávez já falou antes em criar uma Petrosur e que não se dá o petróleo que não se tem, que acaba de ser descoberto e levará alguns anos para ser explorado.


Qualquer dia desses, se Chávez falar "bom dia" numa tarde nublada, vão publicar que ele tentou controlar a meteorologia.


Ainda não descobri se levam o Chávez a sério demais, ou se estão apenas avacalhando com ele. Ele faz por onde. Mas fico com pena dos leitores.

Esperança nunca é ruim

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Neste fim de semana prometo aos valorosos feqüentadores deste Sítio retomar as postagens diárias, e contar algumas histórias interessantes de minha passagem pela tranqüila cidade de Bogotá, onde me senti seguro como não mais me sinto ao passear em Ipanema. Enquanto isso, comemoro a sexta-feira com vocês reproduzindo a foto do Guto Kuerten aí em cima, chupada do G1, para mostrar que ainda há hérois nesse mundo cheio de bandidos. Trata-se do pequeno Riquelme Wesley, que compensa o espírito-de-porco dos pais (onde já se viu dar um nome desses a uma criatura) com a irresponsável intrepidez dos grandes homens.
Já que peguei a foto, pego também a notícia, mas dou AQUI o link do original:
Um menino de 5 anos, vestido de homem-aranha, resgatou um bebê de 1 e 10 meses de uma casa em chamas em Palmeira, Santa Catarina, na tarde de quinta-feira (8). O soldado do Corpo de Bombeiros Giovanni da Cunha disse ao G1 que Riquelme Wesley dos Santos brincava em um pátio em frente à casa dos vizinhos, quando o incêndio começou. A mãe do bebê, Lucilene dos Santos, afirmou aos bombeiros que tentou entrar na casa para resgatar a filha, Andrielle, mas não conseguiu.
Segundo os bombeiros, Riquelme gritou que era o homem-aranha, entrou correndo na casa, pegou Andrielle e conseguiu levá-la para fora antes que o berço onde estava fosse atingido pelas chamas.

De acordo com Cunha, que realizou a perícia no imóvel na manhã desta sexta-feira (9), o incêndio destruiu 80% da residência e a causa provável foi um curto-circuito.

Grande Riquelme. Mas vê se não faz isso de novo, hein garoto. Cade os pais dessa criança, gente de Deus.

Esse Evo incorrigível

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Opinião é fundamental, mas quando é opinião fundamentada. Por isso gosto muito de certos colunistas do Estadão com quem não concordo.

Mas a implicância do Estadão com seus alvos ideológicos chega a ser anedótica: hoje tem editorial criticando o Evo Morales (antecedido por manchete de página sobre o assunto) porque o boliviano está abusando da nossa paciência. Imagine, ele disse que, se a Petrobras quiser investir no país... tem de respeitar as normas bolivianas(!!!!).

Com esse insulto à honra nacional, até eu me enfezei. Passei Kaol na velha garrucha de meu avô Ignácio, legítimo descendente do Duque de Caxias que se assenta nas raízes de minha árvore genealógica, e comprei passagem para Guajará Mirim, de onde pretendo passar de barca para Guayará Merín e iniciar a vendeta contra o agresivo mandatário boliviano.

Esse negócio de respeitar norma de país subdesenvolvido é coisa de comunista. A sorte do Evo é que a passagem que comprei era da BRA.

Para não ser implicante, eu também, numa coisa eu e o estadão estamos de acordo: se o Evo Morales respeitar as normas bolivianas, as coisas ficarão bem mais fáceis. Para todo mundo.

Chávez, esse peligroso

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Maximiliano é um sujeito com cara de garoto, mas barba de cubano, jeito de consipirador, e de grande prestígio no governo de Hugo Chávez. Andou zanzando pelo Brasil; eu o vi em Manaus, na viagem de Chávez para encontrar-se com Lula. É o que, em meu tempo de Universidade, os militantes de esquerda chamavam de capa-preta; o mais novo personagem na paranóia que vê em Chávez o todo-poderoso revolucionário das Américas. A mais recente histeria denuncia a formação de grupos bolivarianos no Brasil, sob orientação do jovem Max, que já teria formado uns 20 desses grupos.

Bom, matéria do Correio Braziliense que detonou a história, conta que esses círculos bolivarianos têm, no mínimo 3 pessoas, e no máximo 12; quando se passa de doze estimula-se a formação de um novo grupo.

Ou seja, na hipótese mais generosa, temos 204 malucos no país vestindo camisas vermelhas e boininha de soldado venezuelano, bradando seu apoio do comandante Chávez.

Deve haver mais velhinhos brizolistas frequentando botecos no Rio e lamentando a morte do velho caudilho do que membros dessa perigosa ameaça chavista que atormenta a zélite. Mas a propaganda está lhes prestando um bom serviço. Se forem como a saudosa Libelu, organização trotskista onde se formaram muito membro do atual governo Lula, o componente feminino desses círculos bolivarianos deve ser da melhor qualidade. Bela opção de lazer para a juventude desgarrada.



sitio do sergio leo

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