Esse Evo incorrigível

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Opinião é fundamental, mas quando é opinião fundamentada. Por isso gosto muito de certos colunistas do Estadão com quem não concordo.

Mas a implicância do Estadão com seus alvos ideológicos chega a ser anedótica: hoje tem editorial criticando o Evo Morales (antecedido por manchete de página sobre o assunto) porque o boliviano está abusando da nossa paciência. Imagine, ele disse que, se a Petrobras quiser investir no país... tem de respeitar as normas bolivianas(!!!!).

Com esse insulto à honra nacional, até eu me enfezei. Passei Kaol na velha garrucha de meu avô Ignácio, legítimo descendente do Duque de Caxias que se assenta nas raízes de minha árvore genealógica, e comprei passagem para Guajará Mirim, de onde pretendo passar de barca para Guayará Merín e iniciar a vendeta contra o agresivo mandatário boliviano.

Esse negócio de respeitar norma de país subdesenvolvido é coisa de comunista. A sorte do Evo é que a passagem que comprei era da BRA.

Para não ser implicante, eu também, numa coisa eu e o estadão estamos de acordo: se o Evo Morales respeitar as normas bolivianas, as coisas ficarão bem mais fáceis. Para todo mundo.

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Também eu, meu caro SérgioTenho uma garruchinha no armárioE embora quase sexagenárioPosso me oferecer como voluntário... Estou muito indignadoO homem só cria confusãoPenso que é hora de marcharContra aquele indio abusadoE aplicar-lhe uma lição...Convido os idosos leitores do EstadãoPara participar dessa nobre missão...

Caro José Orairbem vindo e à sua garruchaquem sabe é você quem puxaoutros bravos que há de virum bando de destemidostodos juntos, reunidospelos brados do Estadãocobrar do Evo Moralessolução dos nossos malessoja, gás de botijão,e até uma índia levar, no berro,(sabe comé, ninguém é de ferro).

Eu, aqui do RS, terra de Plácido de castro, libertador do Acre, também vou me candidatar. Como não recebi nenhuma garrucha de herança do meu avô, acho que terei que pegar uma faca na cozinha, de preferência a maior, mas acho que com uma faca ficarei na retaguarda dos voluntários (opa!...). Já temos o Acre, vamos pegar o resto.

Muito pouco armamentoE quase nenhuma muniçãoSinto um grande desalentoNos leitores do EstadãoQue fizeram ouvidos moucosE julgando que talvez sejamos loucosNão nos deram atenção...Ou talvez tenham dificuldadeDe passar das palavras à ação!Eu realmente estava dispostoA marchar com muito gostoPra resolver na valentiaO que não resolveu a diplomaciaLutando com muita garraE recuperando o gás na marra!

Meu comandante Orair,de coragem, destemidonão ousemos desistirsegue assim, sempre aguerrido!Só de um troço tenho medo,a faca do Zé Alfredoque, à nossa retaguardanum azar nos rasga a farda.Somos três, mas tão distanteseu, zé, e tu, Orairque nessas terras gigantesmal nos fizemos ouvir.Chamamos a soldadalhamas quedamo-nos, dispersos.Até, no calor da batalhaquebramos o pé de alguns versosmas quem se importa com a métricaante façanha assim, tétrica,de a Bolívia demolir?Ferozes tomar La Pazroubar ouro, mirra e gáso gasoduto invadir!Vamos, sós, caro Orair,cumprir a tarefa previstaSe o Estadão não quer virdemita o editorialistaque muito covardementeinvestiu-se com ar guerreiroe em vez do sangue valentemal derramou o tinteiro.

Argh!Com uma poesia dessas, quem precisa de garrucha?Ay Dios mio!



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