Barbosa, nosso homem da editoria jurídica, ficou chocado com o site do Supremo Tribunal, na seção de notícias. Ao pesquisar as atividades da douta corte, deparou-se-lhe a seguinte manchete:
Presidente do STF recebe membro da Suprema Corte inglesa
A reportagem conta que a presidente Ellen Gracie foi anfitriã do magistrado britânico Lord Robert Carnwath e a esposa, que flanavam, de férias, pelo Brasil. Não indica em que momento teria havido a entrega do membro, nem se se trataria de um membro superior ou inferior; ou o que a magistratura brasileira poderá fazer com um legítimo membro extraído da alta corte britânica. Mas é uma coisa bárbara, assim mesmo.
dezembro 2007 Archives

"A mulher é feia, um mané disse até que parece o Sylvester Stalone; o cara tem pés inchados, mas os quadros são bonitos, vai dizer. Artista é isso, coisa fina, mano. Afanei porque já foi o tempo em que, pra mostrar quem manda, bastava ter uma loura e carro tunado. Hoje em dia qualquer gerente de boca tem isso aí. Obra do Picasso e do Portinari, doutor, só eu tenho, e atrás da mesa, para quem chega ver logo. E foi barato, umas pedrinhas pros caras, trabalho moleza, pô. Nem roubar velha em caixa eletrônico é tão fácil, três minutos para pegar e levar os quadros, meu irmãozinho!"
_ O senhor sabia que essa é a última obra da fase azul do Picasso, e que não tem preço?
"Que não tem preço eu sei, se não fosse eu roubar ninguém comprava ela, né cumpadi? Agora que você falou eu reparei que ela é azuladona mesmo. Deve ser frio. O Picasso é francês, lá neva sabia?"
_ Picasso era catalão, e o azul não tem nada a ver com o frio.
"Catalão, francês, tudo a mesma coisa, devia nevar lá na casa dele. Por acaso Portinari é nome de brasileiro? E o cara era brasileiro, pô, não importa o nome, ou de onde era".
_ Por que você escolheu esses dois quadros?
"Ô rapá, Portinari e Picasso, queria o quê? Até eu que não entendo blicas de arte moderna, sei que os caras são pinta grossa. O tamanho é justinho para a parede aqui do meu centro de operações. Eu devia aumentar o preço do bagulho, sabia? É de grife, meu irmão, pode dizer que é da sucursal do Museu. Quando eu cansar desses aí, dou para alguém da boca, e busco uns outros num museu do Rio. A coisa lá é mais fácil ainda, já teve gente roubando de dúzia, e saindo de Kombi"
_ Como você sabia que seria tão fácil?
"Rapaz, saber eu não sabia não. Mas antes de armar o lance eu andei lendo as notícias sobre esse mundo da arte lá em São Paulo, a Bienal, essas coisas. E contei com a confusão na mente da galera, tá ligado? Bateu a idéia de que, se alguém saísse do Masp gritando 'pega ladrão! pega ladrão!' iam pensar que era algum bate-boca na reunião dos bacanas da diretoria."
Quem acompanha este Sítio sabe que seu responspavel não entende patavina de futebol, não acompanha e fica deprimido com narração de jogo no rádio do domingo (na verdade, quem acompanha este Sítio talvez nunca tenha visto nada disso aqui, mas agora fica sabendo). Não faz cinco anos que descobrimos aqui em que posição joga um zagueiro.
O freqüentador deete Sítio critica-se o mau jornalismo, e defende-se a melhoria da qualidade da imprensa. E, se há uma coisa que não ajuda a melhorar a imprensa ou o país, é a censura prévia, como, parece, a Justiça às vezes considera um instrumento saudável. É uma tarefa delicada, coibir abusos da imprensa, sem fazer com que as punições se transformem em arma de coerção ao direito constitucional de bem informar.
Pelas mãos da Justiça, portanto, comparece neste Sítio o excelente Juca Kfouri , o mais novo alvo da má interpretação0 da Justiça sobre o que é impedir abusos na midia. Vi essa história lá no Biajoni, mas depois li no Pedro Dória, de quem, com preguiça, copio o post, desavergonhadamente:
""O deputado estadual tucano Fernando Capez obteve da juíza Tonia Yuka Kôroko uma liminar que determina que estou proibido de ‘ofender’ sua excelência.
Ora, até as pedras sabem que ninguém pode ofender ninguém e eu jamais o ofendi, apenas o critiquei, como continuarei a fazer, sempre que couber.
Mas a juíza Kôroko estipulou uma multa de R$ 50 mil por ‘ofensa’ que eu venha a cometer. […]
Recorri ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas o desembagador Luiz Antônio de Godoy negou meu pedido para que a liminar fosse cassada.
Argumentou que sou experiente o suficiente para não ofender o deputado. […]
A juíza Kôroko, por exemplo, pode achar que dizer que Capez, quando Promotor de Justiça, fracassou no combate da violência das torcidas e mesmo assim se elegeu deputado graças à notoriedade que alcançou, seja uma ofensa.
Quando não é ofensa, é apenas verdade.
Como é verdade que o curso de Direito que ele dirigiu teve aprovação abaixo da média tanto no Provão do Ministério da Educação quanto na OAB.
E a juíza Kôroko pode achar que tal notícia é ofensiva ao deputado.
Juca Kfouri, experimentando com os efeitos da imposição de censura prévia a seu blog.
""
Certa manhã, em maio de 2004, quando o artista Steve Kurtz abriu os olhos, após um sono inquieto, descobriu que sua mulher estava morta. Chamou a polícia, pelo 911, e inaugurou um pesadelo. Os policiais encontraram um laboratório com culturas de bactéria (o artista e a mulher trabalhavam com um projeto que seria exibido naquele mês, sobre alimentos transgênicos) e avisaram ao FBI, que apreendeu vários pertences do casal e passou a perseguir o sujeito.
Constatou-se que a mulher havia morrido de ataque cardíaco, e que as bactérias era de uso comum em laboratórios de escola secundária, mas o FMI não larga o pé do homem, e o processa por fraude em correspondência ou coisa parecida. Depois de anos de pressão, parece que conseguiu que o professor que enviou as bactérias ao artista, pelo correio, deponha contra ele (o professor está muito doente,e não agüenta mais o pesadelo imposto pelo FBI). Pelo Patriot Act, baixado por Bush depois do 11 de setembro, o artista pode pegar até 20 anos de prisão, se culpado. A história virou documentário, que teve repercussão pífia nos EUA, e a história continua como conta a Art in America, AQUI.
Aliás, o filme passou pelo Rio, neste ano. Não me lembro de ter visto matéria sobre isso em algum caderno cultural; quem sabe foi derrubada para dar lugar a alguma história sobre a Sandy e o Júnior. Há campanhas no mundo todo pelo cara.
Esse é o mundo de quem empacota seus medos e os entrega à polícia, com carta branca e regras frouxas, para perseguir os criminosos. Como o alienista do Machado de Assis, que via maluco em todo canto, a polícia é paga para encontrar culpados, nem que, às vezes, tenha de fabricá-los.
O que você diria se fosse uma moça casada e seu marido reivindicasse uma alteração no contrato de casamento para pedir em namoro a Juliana Knust? É mais ou menos a sensação que os diplomatas brasileiros devem ter ao ouvir o Uruguai, pela tricentésima vez, pedindo mudança no Mercosul para poder firmar acordo de livre comércio com os Estados Unidos. A Juliana dificilmente olharia para seu marido, não é mesmo? Muito menos os americanos estão muito interessados em baixar as tarifas de importação para a carne, os vinhos e os tecidos urugaios.
Estivesse eu no vetusto Itamaraty, perguntaria aos uruguaios: que Estados Unidos, compañero? Aquele país que, no ano que vem, será governado por um presidente fraco em fim de mandato, que não consegue sequer aprovar no Congresso o acordo já firmado com seu aliado de fé na região, a Colômbia? Os Estados Unidos que têm forte chance de ter como presidente um democrata, partido com dois candidatos, Hillary Clinton e Barak Obama, contrários ao acordo com os colombianos?
O que o Uruguai faz é chantagem, e está lá no seu direito, quando a alfândega brasileira inventa moda para barrar água mineral uruguaia e a Argentina bloqueia pontes porque não quer investimentos em fárbicas de celulose no vizinho. Seria uma grande desmoralização para os atuais governos brasileiro e argentino, que tanto anunciam a integração sul-americana, assistir à saída do Uruguai do Mercosul. Seria também uma tarefa bem complicada ao uruguai convencer algum futuro parceiro num acordo comercial a fazer concessões importantes para ganhar acesso ao espetacular mercado consumidor uruguaio.
***
A propósito da Hillary, que não apenas se opõe, ela bloqueia mesmo o acordo no Congresso, o Robert Haussman, ex-Banco Mundial, escreve coisas interessantes no blogue do Dani Rodrik, economista imperdível para quem acompanha comércio internacional. Para que lê em inglês, AQUI.
(É divertidíssimo acompanhar esse debate nos EUA: os democratas alegam que o bloqueio ao acordo com a Colômbia se deve apenas ao desrespeito aos direitos humanos no país. Há quem acredite. Mas nunca vi uma campanha dos democratas pelo respeito aos direitos humanos na Arábia Saudita, uma conhecida ditadura familiar.)

Com inexplicáveis problemas técnicos (nunca havia visto a luz do estúdio apagar-se enquanto a locutora ainda apresentava a matéria que viria em seguida) e um certo amadorismo visual, até que vai razoavelmente bem a TV Pùblica. Ontem à noite, entre as reportagens apareciam enquates de rua sobre a greve de fome do bispo Cappio, com distribuição equilibrada entre os que a apóiam e os que a condenam. Tema relevante, destaque no noticiário, imparcialidade.
O aproveitamento do material das outras regiões também é uma boa idéia, embora a produção ainda seja meio mambembe, textos meio pesados, falta um cursinho de tv para esse pessoal. Mas o que meus amigos Franklin Martins, Teresa Cruvinel e Helena Chagas precisam fazer urgentemente é um index proibitorum excomungando definitivamente os lugares comuns no texto da moçada. Pelos Santos Bouvard e Pécouchét, o que é aquilo? Ontem, em duas matérias diferentes, havia repórter falando em "jovens da terceira idade"; um outro, ao descrever um açude, castigou um "oásis em pleno sertão". Manda o pessoal ler um pouco de Guimarães Rosa, Helena!
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Por falar em TV Pùblica, enquanto contribuímos para prestigiar a programação com traço de audiência, descobrimos invenções inigualáveis na midia nacional. Agora meus programas preferidos são os apresentados na Rádio Brasília, onde os ouvintes têm o privilégio de, todos os sábados, escutar uma hora de jazz apresentada por Luis Orlando Carneiro, o melhor crítico de jazz do país (publica, ainda, colunas magistrais na Gazeta Mercantil e no JB). Com toda a deferência ao meu guru musical, que faz um programa invejável, internacional, adoro ouvir na rádio os programas do Mário Garófalo.
Foi uma figura, o Garófalo, sujeito que, entrevistando Getúlio Vargas, ao vivo, arrancou do ditador um elogio às Casas Gebara, patrocinadora da rádio em que ele trabalhava, e que passou a repetir a intervalos regulares a propaganda involuntária do Homem. O Garófalo, que não fala inglês, transforma os nomes das músicas em expressões cabalísticas misteriosíssimas, e traz ainda uma inovação insuperável em matéria de locução: partiu há anos deste vale de lágrimas*, e apesar de não estar mais entre nós** segue apresentando programas.
Mesmo ao lado do Criador, graças aos milhares de programas gravados, o Garófalo continua apresentando o "Rádio Baile", a "Vesperal Lírica" e as sessões de "música orquestrada", indiferente à morte, essa indesejável.
Grande Garófalo. Inimitável, esteja onde estiver.
*Não deixe os repórteres usarem essa, Helena!
**Nem essa, hein?

Não falei do Uruguai nervoso para firmar um acordo cde comércio com os EUA de qualquer jeito, nem do escândalo da mala de Chávez e Cristina Kirchner, mas um artigo que publiquei há algumas semanas no Valor poderia retratar bem o que é a reunião de presidentes do Mercosul, que começa hoje. Para quem se interessa pelo tema, sugiro uma passada na sucursal séria deste Sítio, meu blogue Ralações Internacionais, AQUI.
Entusiasmado com o feito tecnológico que me permitiu botar um vídeo caseiro aí em baixo, gravei a apresentação de minha marcha-frevo e do samba enredo vencedor na disputa para o enredo do bloco Nós que nos amamos tanto. Mas o google video, por algum motivo, fica ruminando lá meu arquivo e não o grava de jeito nenhum. Mais adiante, quem sabe, ajeito isso, até porque este Sítio tem planos de avançar no terreno da vídeoprodução. A TV é o povo, como diz meu amigo Franklin Martins.
Como se nota no parágrafo acima, fui fragorosamente derrotado em minha estréia na ala dos compositores, antecipada na postagem abaixo. Já intuí que isso aconteceria, quando vi que minha torcida organizada era composta apenas pela Marta e o Miguel, e nem estava tão organizada assim. Ambos eram solidariedade pura, e ainda arrebanhei uns elogios (o grande Alon Feuerwerker, por exemplo, disse que a marcha era boa, mas que havia recebido um mensalão para votar num concorrente; que fazer). Mas duas andorinhas não fazem um Carnaval e, além deles, poucos votos caíram para o meu "Relaxa e goza", que tinha tudo para se tornar um sucesso popular, mas não foi adotado pelo povo, esse ingrato. Eu, Marta e Miguel descobrimos, pelo menos, que o filé do Monumental é um dos mais saborosos de Brasília. Bela pedida.
O problema é que faltou traquejo ao compositor estreante. Com meu afinado ouvido, até percebi que o a bateria abafava a voz dos cantores, o que prejudicaria a compreensão da delicada carpintaria poética da minha marchinha-frevo; mas o sujeito no controle da mesa de som rejeitou com indiferença previdenciária meus gritos para elevar o microfone de voz. Minhas tentativas de ensaiar a melodia com os integrantes da banda também foram duramente rechaçadas pelo mestre de bateria, que me mandou passar o som fora do bar com meu parceiro Dilton do Cavaco _ a essa altura ocupado botando melodia no samba dos setoristas do Planalto, que compareceram em peso. Não empolguei a multidão, e a madrinha da bateria ainda me fez a desfeita de sentar quando comecei a entoar meus lás maiores, em total descompasso com os ritmistas e obrigado a me abaixar para berrar a música no ouvido do Dilton do Cavaco, num esforço patético de lembrar a ele a melodia que haviámos composto com o malemolente Claudinho Vagareza.
Vi muita gente balançando ao som da marchinha, mas continuaram balançando depois que ela parou. Era mais efeito do etanol consumível que das ondas musicais. Os garçons no boteco são um perigo, treinados para não deixar tulipa vazia na frente do freguês.
Ganharam os profissionais, com um divertido samba-enredo que relaciona o "Relaxa de Goza" ao caos aéreo e fala da ministra _ a quem eu jamais mencionaria a essa altura da história; não vou fazer essa desfeita com o companheiro blogueiro Luis Favre. Samba vitorioso do onipresente Claudinho Vagareza e do mestre da bateria, aquele que não me deixou ensaiar com o pessoal. Eu até trouxe para casa a letra vencedora_ vai que um dos freqüentadores do Sítio quer sair no bloco _ mas não sei onde meti, entre a confusão de papéis cá na redação do Sítio. Não devia ter bebido tanta caipirinha.
Não desisti, porém, sou brasileiro e insistente. Com pequenas adaptações, já vi que a marchinha pode servir também para o Pacotão. Meu medo é que eles também descubram que, como bom folião brasiliense, vou passar Carnaval no Rio de Janeiro.

O Enrique Vila-Matas, escritor acolhido na biblioteca lá de casa, fez um artigo sobre o papel que resta aos intelectuais nessa contemporaneidade malvada, e fala em duas opções: recolher-se ao silêncio doméstico, com os amigos e livros mais queridos, ou aderir à frivolidade geral. Lembra o Enrique que também há uma terceira opção, que ele parece preferir, a defendida pelo velho Erasmo de Roterdã, em seu elogio à loucura. É a de não levar a sério essa canalhice imperante, e, pelo humor e ironia, defender as cores da bandeira do pensamento, se é que me entendem.
J
á dizia Paulo Coelho, ridendo castigat mores, é avacalhando que a gente pega o touro na unha. Por isso atendi à convocação do Ilimar, quando ele pediu concorrentes para o tema do bloco comandado por ele em Brasília, o Nós que nos amamos tanto. O bloco, que herdou do Pacotão a vocação para tradição candanga, faz concentração no bar Monumental, de onde parte para a esquina (sim senhores, Brasília tem esquina sim, quem diz o contrário quer só difamar a capital), faz uma voltinha no balão (rotunda, como queiram), e volta ao bar. Impossível ser mais jornalísticamente carnavalesco.
Bom, aí compareci com minhas mal-traçadas, ontem à noite no Monumental, onde conheci meus parceiros de infância, o Dinho do Cavaco e o Claudinho Vagareza. Lapidamos minha marcha-frevo que disputará a honra de embalar os foliões, e que trago para os freqüentadores deste Sítio, convocando os de Brasília a comparecer no sábado, a partir das duas da tarde, para, se for o caso, sufragar a obra, no escrutínio que advirá.
Pena que o celular não grava coisa que preste, senão vocês poderiam ouvir na íntegra a bela melodia criada na hora pelos meus parceiros de fé. É muito melhor que a letra, posso garantir. NUM FURO DE RPORTAGEM E INÉDITA PROEZA TÉCNICA, CONSEGUI PASAR DO CELULAR PARA A REDE O RARO VÍDEO DA CRIAÇÃO DA MARCHJINHA. PARA VOCÊS, PRIVILEGIADOS FREQÜENTADORES DESTE SÍTIO:
Vamos à marcha-frevo do trepidante (dizem que por delirium tremens) Nós que nos amamos tanto (se eleito for, evidentemente). Que me perdoem por minha marchinha fiscalista os bons freqüentadores deste Sítio com amores pelo governo, mas, como dizia Erasmo, o tremendão de Roterdã, não existe humor a favor. (Ah, o tema "Relaxa e Goza" é imposição dos cartolas do bloco):
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Relaxa e goza
goza e relaxa
O Lula está todo prosa
não bobeia que ele encaixa <............REFRÃO
Nós que nos amamos tanto,
esse bloco ou vai ou racha
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Não existe caos aéreo nem amante de Renan
Se o caso é muito sério, deixa a crise pra amanhã
O hospital está lotado e a escola está inchada
o aluno é reprovado, a saúde, estropiada
É raquítico o Estado, minha base é que é faminta,
pede emprego pro cunhado, quer vaguinha pra mais trinta
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Relaxa e goza/goza e relaxa....
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Liberando o orçamento eu me ajeito no Congresso
Deputado é investimento, gasto público é progresso
Essa midia é golpista só gosta da oposição
mas o povo nem faz vista, paga imposto 'inda acha bão
Meus trinta e sete ministro são uma celebridade
Nem sei como administro, mas não perco a majestade
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Relaxa e goza
goza e relaxa
o Lula está todo prosa
não bobeia que ele encaixa
Nós que nos amamos tanto,
esse bloco ou vai ou racha
.
É isso aí, convoco os eleitores. Quem achou grande, saiba que a primeira versão era mais extensa, mas mostrei ao Orelana, meu consultor com azia, e ele avisou que eu estava compondo uma marchinha, não uma Ópera. "Parece até o Hino Nacional", resmungou o Orelana. E eu encurtei o bicho.
Lembra do PFL? Virou o Demo, e encapetou o Senado. Sem candidato à sucessão de Lula, com disposição de briga e eficiência, cavou o túmulo da CPMF e ainda garantiu a sobrevivência da DRU, a Desvinculação de Receitas da União _ um dispostivo que permite ao governo tirar verba da saúde, educação e ciência e tecnologia, e pagar despesas indispensáveis, como os juros da dívida. Estavam os dois juntos, e, na votação de ontem, separaram as votações.
Como diz um amigo meu do PSOL (que se alinhou com tucanos e demos, para derrubar a CPMF e a DRU, e deu votos relevantes só para o fim do imposto): agradaram a Fiesp, com o fim da CPMF, e a Febraban, com a extinção da DRU. Triste, para o governo, será ver cofnirmada a tese do Paulo Skaff: com o crescimento da economia e melhoria da arrecadação, o impacto da perda da CPMF promete ser bem menor do que o apocalipse ameaçado pelas autoridades.
Contam-me na redação que o Palocci negociou, ainda na Câmara, para amainar a CPMF, reduzindo a alíquota (em boa hora), dos absurdos 0,38% para os ainda escorchantes 0,20%, e com medidas para reduzir no decorrer do tempo. O Mantega, ministro da Fazenda, implodiu o acordo, com o argumento de que, no senado, viriam mais exigências. Quem não negocia, toma. E o governo tomou.
O negócio é que a CPMF só tem uma razão de ser, a de controlar a movimentação financeira e vigiar a sonegação; para isso não precisa ser alta, uns 0,02% bastam. Se é um imposto regulatório, não deve ser relevante para a arrecadação; e a saúde deve se bancar com recursos ordinários do orçamento.
Nessa história o Brasil parece o Paraguai, que apóia 40% do orçamento do país no imposto de importação, teoricamente um imposto sem fins arrecadatórios, útil para proteger os produtores internos. Quando se fala em baixar imposto de importação no paraguai, para aumentar a competitividade do país, com máquinas e insumos importados mais baratos, o governo paraguaio pula miudinho. Que descanse em paz a CPMF, com uma estaca fincada no coração; e se quiserem ressuscitá-la, espero campanha da Fiesp para reduzí-la a 0,01%.
Já a Saúde, vai bem, obrigado.
_________________ Foto Sergio Leo
O Senado escolheu hoje seu novo presidente, que não era o preferido de Lula. Nem, suspeito, de ninguém, a não ser dos senadores que o elegeram mesmo. Casa de cabra macho.

Boa notícia, do Joaquim Ferreira dos Santos, nO Globo: o Ricardo Linhares e o Gilberto Braga vão escrever uma minissérie sobre o Tom Jobim. Além de ter tido o bom gosto de ter sido meu colega de faculdade, o Linhares, que conheci como Ricardo Godinho na ECO-UFRJ, é craque, aposto nele.
Péssima notícia: diz o querido Linhares que vão chamar o Fábio Assunção para o papel de Tom Jobim. Deve ser regra na Globo: depois de avacalharem a Chiquinha Gonzaga com a insuportável Regina Duarte, vão esculhambar o pobre Tom, com um dos maiores canastrões da novela brasileira.
Pesquisa da CNI que constatou a popularidade impermeável do governo Lula também mostra que 69% da população desaprova a política de impostos. O que significa que há 31% achando muito bom. Quase um terço da população está contente com o pagamento de tributos, portanto. Nunca antes nesse país vi coisa parecida.
O Datasítio investigou a fundo e constatou que desses, 10% está em instituições psiquiátricas, 10% sonegam e os outros 11% são espírito de porco mesmo. Brasileiro é fogo, tudo por uma piada.
Os deputados acreditam ter compensado a emissão de gases estufa que fizeram nos últimos dois anos, como descobri por esta matéria da agência Cãmara:
Câmara é primeiro Parlamento carbono neutro do mundo
Salu Parente
Chinaglia (D): "Com as crianças, estamos plantando a preocupação com o meio ambiente."
Mogi das Cruzes (SP) - A Câmara iniciou hoje o plantio de 12 mil árvores nativas da Mata Atlântica na região de Mogi das Cruzes, em São Paulo. O plantio, que transforma a Câmara no primeiro Parlamento "carbono neutro" do mundo, vai servir para compensar os gases de efeito estufa emitidos pela Casa nos últimos dois anos.
Como calcularam a emissão de gases pelos parlamentares é coisa que não imagino, e prefiro não saber. Ia fazer gracinha com a iniciativa, e sugerir que um pequeno corte os quase R$ 2 milhões gastos com passagens aéreas por suas excelências faria mais bem ao meio ambiente que as maçarandubas plantadas em Mogi das Cruzes. Mas vi que um dos maiores usuários de passagens é o Dr. Rosinha, cara sério, empenhado _ainda quem sem muito êxito _ em pôr de pé o combalido Mercosul.
Sugiro, de qualquer jeito, uma triagenzinha dos deputados que gastam querosene de avião pelos ares mundiais pagos pelo contribuinte. Suspeito que vão descobrir que está faltando plantar mais mudinhas.
A idéia é boa, porém. Se cada deputado tivesse de fazer alguma coisa para compensar o mal que fazem ao meio ambiente _ social, político, econômico _ tem parlamentar opor aí que não largaria a mão da enxada. Por falta de sugestão melhor, poderíamos estabelecer o plantio de uma árvore para cada deslize, por exemplo. O pessoal que vive com as mãos na lama, teria de metê-la na terra também. Aqueles que criam projetos sem pé nem cabeça, consumindio tempo, papel e a paciência dos cidadãos, seriam obrigados a, pelo menos durante o pnatio, manter os pés no chão.
Além de criar uma Cãmara mais que neutra em carbono (carbono-positiva? carbono-negativa?), facilitarioa a vida do eleitor. Antes de dirigir-se a urna, bastaria conferir a mão do candidato. O menos calejado levaria o voto.

Recebo visitas esporádicas neste blogue, encaminhadas pelo tio Google, de pessoas em busca de resposta para a seguinte questão existencial: "nicole kidman pelada". A doce Nicole é uma das minhas atrizes favoritas, até quando sofre em algum filme porcaria, como um tal A Pele, que mistura a história da fascinante fotótgafa Diane Arbus com uma melosa e kitsch versão de A bela e a Fera. Foi ao falar dessa versão hedionda que comentei sem pretensão sobre a peladice da moça, o que me vale leitores frustrados até hoje. Queriam foto, na certa. Tarados.
Maior sucesso faz a Lilian Ramos, de quem falei há um bom tempo e que atrai uma italianada doida para cá, também conduzida pelas melífluas mãos do Google. Ningém parece muito interesado em saber o que tenho a dizer sobre Merleau Ponty, ou Ortega y Gasset, uma pena. Que me desculpem os filósofos, mas o sexo ainda é a mola do mundo.
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Falar em sexo e filosofia, lembrei de um comentário que botei lá no Biscoito Fino e que talvez estimule os freqüentadores deste Sítio à leitura de uma obra sempre atual: O Banquete, de Platão, do qual só conehcia as partes poupadas pela censura que não ousa dizer seu nome.
O Idelber dá a idéia de contarem lá qual livro foi marcante, para os leitores dele.
Entre os que escolhi está o Banquete, clássico homofilosófico com o revelador subtítulo Apolodoro e um companheiro, em que senhores sapientes enchem a cara e disputam para ver quem fala mais bonito sobre o amor, o bom, o belo, tragédia e comédia. O concurso é um pretexto para traçarem profundas investigações filosóficas que degriongola em uma trama paralela, de gregos serelepes também em disputa, mas pelas atenções de um mancebo com o sugestivo nome de Agatão.
Apelo à tradução da LGE Editora, que pirateou o texto de alguém e nem lhe deu o crédito, para contar logo aos curiosos como termina a segunda trama:
"Eis aí", comentou Alcibíades, "a cena de costume: com Sócrates presente, é inmpossível a um outro conquistar os belos! Ainda agora, como se ele soube facilmente encontrar uma palavra persuasiva, com o que este belo se vai pôr ao seu lado".
Agatão, de fato, vai deitar-se ao lado de Sócrates que, porém, parece ser chegado a um amor assim mais platônico, como já havia descoberto Alcibíades, que conta coisas do arco da velha Grécia numa noite que passou na cama com o barbudo. Em festa de grego bêbado, filósofo não tem dono, e ninguém paga o pathos.
Então, como eu disse ao idelber, e imitando o Álvaro Maia Peres, que tinha um programa imperdível de literatura da TV Educativa, sugiro a leitura do Banquete:
Muito citado e pouco lido, esse livro é uma fascinante demonstração de como se pode fazer literatura gay sem cair no culturalismo, falando de questões universais compartilhadas por todos, mesmo quando tratadas por praticantes do amor entre iguais.
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A moça que abre esse post é uma das fotos do Dada Petrole, do premiado projeto Moderatrix Cariri, como podem ver. Não sabem quem é o Dada Petrole nem o que é o Modreatrix cariri? Nem eu sabia, até que recebi um e-mail, de alguém com endereço eletrônico do BNB, o Banco do Nordeste do Brasil. (Na adolescência, fiz concurso para auxiliar de escriturário do BNB, ganhando uma pequena fortuna para meus 14 anos, e passei, mas a família mudou-se do Ceará de volta ao Rio e lá se foi uma perspectiva de carreira brilhante. Quem sabe, eu poderia estar hoje no Banco Central, aumentando juros enquanto me aguardaria um salário nababesco em alguma instituição financeira, ao sair do serviço público.)
Mas leiamos o Dada Petrole:
Meu projeto "Moderatrix Cariri" foi condecorado como um dos melhores
trabalhos de design dos países de lingua alemã do ano de 2007. Esse
prêmio é o Oscar do Design entre os países de lingua alemã (Alemanha,
Suíça e Áustria). Meu trabalho foi o único premiado em fotografia entre
os 619 concorrentes na minha categoria (no geral 2.000) e
ficou ao lado de grandes outros trabalhos em diversas mídias. A
fotografia e a concepção do "Moderatrix cariri" foram nomeados e
condecorados...Melhor não podia ser!
Tenho o prazer de lhes passar essa informação, pois essa vitória não é so
minha, é do Cariri, do Ceará e do nosso Brasil.
Viva o Cariri vitorioso, pois. Mas não precisava fazer isso com o Padim Ciço. Deixou o santo vesgo, caramba.
Os argentinos quase acabaram com o plantio de trigo no Brasil; agora devem acabar com a fabricação de farinha. É o que os economistas chamam de vantagem comparativa. E o que vai fazer algum cearense, logo, logo, aparecer com um pão de macaxeira.
Como um chavista crítico de Chavez analisaria a derrota do venezuelano no referendo da Constituição que daria a ele ~possibildiade de reeleições ilimitadas? Assim:
As brigas que Chávez comprou, algumas delas bem difíceis, também contribuíram. Criticar a Igreja Católica, às vésperas do referendo, foi muito danoso à sua imagem; todos sabem que a Igreja venezuelana é golpista, conservadora, mas chamar os bispos na TV de “vagabundos” provoca sentimentos no povo que são complicados. Ele começou a brigar com aqueles que, toda semana, estão no púlpito falando diretamente com seus fiéis.
A não-renovação da RCTV - que embora em mérito Chávez tenha sido corretíssimo ao não permitir a continuação das transmissões pela emissora - foi uma decisão tomada de maneira pouco pedagógica para a população. O presidente tinha a prerrogativa legal para não renovar a concessão, mas não foi feito um grande debate nacional sobre a democratização das comunicações, não foi criado um método para tornar tal fato uma questão de formação política, que informasse à população o que é um monopólio, a razão pela qual não deveria ser renovada a concessão da RCTV e qual a razão pela qual a rede não poderia participar de um golpe de Estado e continuar impune.
Fazer isso por um decreto é incômodo – como explicar para a população que ela não terá mais a sua novela? Além disso, a emissora colocada no ar é de muito baixa qualidade, é uma emissora oficial no pior sentido da palavra.
Mais AQUI.
Maurilio Biagi Filho está comprando avião novo. Um jatinho; estava de olho em outro mas o sócio dele na usina que tem em El Salvador falou, durante o almoço, barbaridades do modelo, muito desconfortável. Ao vê-lo no almoço para o presidente salvadorenho (que visitará usina em Sampa, com o próprio Maurílio, hoje) Lula lançou a candidatura:
_ Você vai ser o novo presidente do Corinthians!
Maurílio riu, voltou à mesa, e comentou baixinho ao meu lado: "se eu não fosse sãopaulino...".
E eu que não entendo nada de futebol e vôo baixo há três anos com o mesmo carro, fico me perguntando que faço em certos almoços do Itamaraty. Meu companheiro de mesa, pelo menos, era um bom papo.

Eu, que não confio em médico nem em padre, não me espantei com a notícia de hoje na Agência Estado:
SOROCABA, SP - Acusada de ser falsa médica, Adriana Fattori Tomet Giuberti, de 32 anos, foi presa na noite de segunda-feira por agentes da Polícia Civil, quando chegava para dar plantão num hospital da Unimed na zona leste de São Paulo. De acordo com a polícia, Adriana consultava as anotações de uma "cola" para atender os pacientes nos hospitais em que atuava na capital paulista e no interior do Estado.
Mesmo assim, receitou uma dosagem de remédios dez vezes maior que a recomendada para uma criança de Angatuba, a 210 quilômetros da capital. A dose era tão excessiva que a balconista da farmácia se negou a aplicar o medicamento. Adriana é acusada também de recorrer a terceiros, por telefone, durante o atendimento.
Durante cerca de quatro anos, ela percorreu o Brasil "exercendo" a Medicina. Adriana atendeu pacientes na suposta especialidade, a Pediatria, até mesmo em estabelecimentos de saúde de prestígio do interior e da capital. De acordo com o delegado titular de Angatuba, Hélio Rolim da Silva, a partir de 2003, quando teria obtido um diploma de Medicina em Cochabamba, na Bolívia, a acusada trabalhou em postos de saúde e hospitais de Minas Gerais e do Nordeste.
Quando foi presa, estava prestes a viajar ao Pará, contratada por uma grande clínica médica, diz o Estadão. Pense nisso, na próxima vez em que entregar a receita recebido pelo médico simpático credenciado em seu plano de saúde. Se tem dúvidas, leia só mais um trecho da matéria do Estadão:
O delegado acredita que pode haver uma quadrilha intermediando o trabalho de falsos médicos no Brasil. "Vou pedir ajuda à polícia especializada para a investigação."
A poucos dias da visita de Lula a Bolívia, um vídeo pode ajudar a comitiva a não esquecer que a bandeira do país é verde, vermelha, e, especialmente, amarela.
(Fico imaginando de a Ana maria Braga vê esse vídeo, que idéias não pode ter para o Sete de Setembro)
É preciso saber o que é um poncho vermelho (poncho rojo) para entender como isso é visto lá nas terras do Evo Morales. Ainda não consegui decidir se esse troço é mais um exemplo de como o patriotismo pode ser o mais doloroso tiro no pé de um povo, ou se é uma demonstração de como a elite da Bolívia não poupa nem os símbolos do país no esforço de sacanear a indiada.
Era a reunião da ONU sobre clima, em Joanesburgo, o então presidente Fernando Henrique Cardoso saía da uma reunião onde havia sido criado o grupo dos países megadiversos (durou pouco; se não está extinto é que nem a ararinha azul, poucos vêem, e uma vez por século). Acabava de darentrevista a nós, brasileiros e alguns estrangeiros enquanto andava no saláo do auditório quando foi interceptado por uma equipe da RAI, a estatal de tv italiana. Perguntaram em italiano facilzinho, e ele danou-se a falar, juntando um neologismo aqui, uma palavrinha da língua de Dante ali, palavras latinas universais, respondeu a umas três perguntas, recebeu agradecimentos sinceros da equipe de TV, e virou-se para a assessora de imprensa, Ana Tavares, que assistia a tudo sorrindo, ao lado:
_ Olha só, já estou dando entrevista até em italiano!
Lembro dessa cena sempre que vejo o FHC serelepe como anda ultimamente. O cara deve se desembaraçar até em tcheco, fala até língua que não conhece, e acho que, por isso, deve sentir uma pena danada porque é o Lula monoglota, e não ele, quem está no Planalto nesses tempos de sucesso internacional do Brasil.
Mas lembrei dessa história hoje, por outro otivo, uma série que o Tamanco anda publicando, de bastidores de entrevistas feitas pelo nunca suficientemente louvado Geneton de Moraes Neto _ que lança livro novo por esses dias. Queria ter material para fazer coisa semelhante, mas é até covardia. Um exemplo das cenas de entrevista do geneton, que ficaram de fora na edição:
"ALLEN,WOODY
A máquina de relações públicas da distribuidora encarregada de lançar um filme de Woody Allen oferece uma entrevista exclusiva com o ator e diretor, na suíte de um hotel plantado às margens do Hyde Park, em Londres. Tento ser britanicamente pontual: chego na hora. A assessora me leva para uma ante-sala. Vai embora. Um minuto depois, chega o astro. É igual ao que se vê no cinema: tímido, esfrega as mãos enquanto fala, olha para o chão, solta tiradas geniais. É pálido como um boneco de cera. Pergunto se ele admira algum brasileiro. Tenho certeza de que Woody Allen – fanático por esportes – vai citar Pelé ou Romário ou Ronaldinho. Quebro a cara. Allen se declara apaixonado por Machado de Assis. Ganhou de presente uma versão inglesa de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Lá pelas tantas, diz que precisa fazer um filme atrás do outro, para não olhar para a “nuvem negra” que paira vinte e quatro horas sobre seus ombros – a morte. Tento consolá-lo. Digo que os filmes que ele faz serão estudados daqui a 50 anos, nas cinematecas. Woody Allen responde que não quer a imortalidade no futuro. “Quero agora, já, no meu apartamento”. Infelizmente, não posso ajudar."
Tem mais AQUI.
Chávez é um político autoritário, não há dúvida disso; e tem pretensões expansionistas para seu projeto bolivariano, issio ele mesmo anuncia. Tem pouco apreço pela propriedade privada, e métodos pouco democrátivcos de administração, além de incentivar a ação direta de militantes para imposição de suas idéias. Mas, apesar de tudo isso, tem respeitado certas regras do jogo, é um político de alguma inteligência, com noção do que significa recursos de poder. Tentou, dentro das regras, ampliar o poder que tem. Dançou feio neste fim de semana. Reclamou, com a verborragia que lhe é habitual, e acatou o resultado do referendo que jogou no lixo a tentativa dele de ter reeleições indefinidamente no país.
Por tudo isso, os promotores da campanha para convencer o país de que a Venezuela vivia sob uma ditadura teriam de rever suas afirmações, e reconhecer que o panorama na Venezuela de Chávez é mais complexo do que indicavam as análises histéricas e maniqueístas vendidas na imprensa brasileira. Chávez pode até ter vocação, mas NÃO É um ditador.
Mais AQUI.
Nunca foi tão fácil criar num blogue, depois que aprendemos a enfiar vídeos do You Tube. Quem precisa de Fantástico? Para conluir nossa programção de hoje, convoco a Marina Abramovic para comentaras últimas opiniões do Afonso Romano de Santanna sobre a arte contemporânea (ou seria do Arnaldo Jabor? Não me lembro mais). Fala a Abramovic:
Os mais velhos deveriam ser poupados disso. Meu consultor para assuntos de You Tube, Miguel Leo, por coincidência meu filho, me revela a mais recente coqueluche no que promete ser a TV do século XXI. É um vídeo de 7 segundos, e se propaga mundo afora como gás metano em ambiente fechado. Se eu tivesse cursado antropologia, em vez de comunicação e relações internacionais, teria mais a dizer sobre o assunto. Como não o fiz, não tenho, e deixo a análise para os freqüentadores deste Sítio.
A coisa que faz sucesso é essa aqui:
E o êxito dessa criação se mede, como sói acontecer no You Tube, pelos vídeos em resposta, como esse aqui:
Ou essse aqui:
E a coisa promete:
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Alguém algum dia há de me explicar isso. E eu que tentava entender por que hoje, no dia em que o governo anuncia o começo das transmissões da TV digital, o texto nO Globo do Agamenon Mendes Pedreira é a o primeiro exemplo de humor a favor do governo que vejo naquela página, e as charges eletrônicas do Chico Caruso no Fantástico são uma tentativa esquista de fazer piada com esquetes do Lula pedindo a aprovação da CPMF. Sem criticar a CPMF!
Esse mundo está perdido.
Um dia eu queria ser capaz de fazer uma coisa assim.
Roubado lá no Idéiaforte.
Hugo Chávez tem uma característica interessante, de coverter todo brasileiro com acvesso a jornais, blogues ou mesas de boteco em experto analista internacional, com opiniões sólidas sobre a América do Sul, a Venezuela e o Brasil, que, em geral, se resumem à idéia da política externa no continente como uma espécie de jogo de futebol, em que Lula e Chávez disputam a bola, e o venezuelano é um jogador catimbeiro e desleal, enquanto Lula um otário sem noção exata de como atuar na partida.
Como toda metáfora futebolística, essa idéia é torta, rasa e equivocada, mas faz um sucesso danado. Há uma histeria sobre o Chávez, e uma animosidade alimentada por notícias enviesadas que parecem narração de jogo feita por chefe de torcida organizada. Por isso fico quase eufórico quando vejo um texto bem escrito e noticioso sobre o assunto. Um artigo do Lourival Sant'anna, no Estadão de hoje, confirma minha tese de que não é preciso exagerar, nem torcer os fatos, para apontr os defeitos de Chávez. O que ele faz com sobriedade, e, para alívio de quem ainda acredita ser ´possível fazer jornalismo no país, com informação (ninguém é perfeito, falta ao material do Lourival manifestações de chavistas, com pontos de vista contrário; mas que, como eu, já tentou entrevistar pessoas no centralizado governo Chávez, sabe como essa tarefa é, na maioria das vezes, missão praticamente impossível, imagino que particularmente para um repórter do Estadão):
"O especialista em energia Elie Habalián é contundente no seu diagnóstico. “A equação petróleo-poder dá a Hugo Chávez uma projeção que jamais um governante teve na América Latina”, diz Habalián, que assessora o general Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa e hoje o principal adversário político de Chávez. “Ela o faz nadar como um peixe na água.”
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Para manter essa máquina em movimento, é vital para o presidente que o preço do barril de petróleo não caia significativamente. Assim, além do cumprimento das cotas da Opep, Chávez tem interesse na manutenção das tensões no Oriente Médio, observam os analistas. Esse seria um dos motivos pelos quais ele se alia ao Irã, do presidente Mahmud Ahmadinejad, adversário dos Estados Unidos na região. A Rússia, outra exportadora de petróleo e gás, cujo presidente Vladimir Putin também tem tido conflitos com os EUA, é outro governante cotejado por Chávez. “Mas nem Putin nem Ahmadinejad querem realmente que o petróleo se mantenha no atual nível, porque sabem que isso pode conduzir o mundo a uma recessão, o que seria o fim deles”, ressalva Habalián. “Chávez não tem limites. É um aventureiro.”
No campo regional, o Brasil, com sua economia relativamente grande e até algum petróleo e gás, e o México, que detém 2% do petróleo do mundo, são os únicos países que podem conter o expansionismo de Chávez, diz Habalián. E parecem estar fazendo precisamente isso. “Sabemos que a confrontação verdadeira e muito silenciosa é entre o Brasil e Chávez”, afirma ele. “O Brasil ergueu um muro contra Chávez”, diz o analista político Alberto Garrido. "
Segue, AQUI.
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E, para chateação dos que consideram toda imprensa parte da midia golpista, a cobertura do Globo, à frentre a insuperável Janaína Figueiredo está muito boa. Nesse link AQUI, do clipping do Itamaraty (já que o Globo fecha asportas para não-assinantes) , as matérias estão mais abaixo. Recomendo a matéria do Galhardo, sobre a Bolívia, também.

