janeiro 2008 Archives

O espólio de Lygia contra-ataca

| 6 comentários

Já falei muito mal, neste Sítio, dos herdeiros de Lygia Clark, que controlam o acesso e exibição de obras da artista, como se ela, durante a vida, tivesse produzido peças museológicas destinadas a pedestais e ao comércio. Lygia é uma das maiores artistas que o país já teve, e uma influência sempre em mutação sobre novas gerações de artistas _ além de ser uma das artistas brasileiras mais valorizadas ano exterior, by the way.

Mais de ano e meio após meu post irado sobre o tema, alguma coisa mudou. A Associação "O Mundo de Lygia Clark deixou de ser apenas uma espécie de cartório de certificação (e proibição de exibições e publicações) da obra de Lygia, e tem feito coisas bacanas. Melhoraram o sítio deles, fizeram uma série de reproduções, em plástico, dos Bichos e puseram à venda, editaram mais obras sobre ela, entre elas um livrinho espetacular, com dvd, do documentário "O Mundo de Lygia Clark", estão até editando uma newsletter, fazendo auto-propaganda (legítima) e falando da obra da moça.

Mas continuam desrespeitando a verdadeira herança artística da Lygia, que não confeccionava meros objetos, mas conceitos revolucionários na arte, capazes de superlotar suas aulas na Sorbonne e preservar sua atualidade. Lygia dizia que a arte deveria ser traduzida em experiências, e, no fim da vida, fabricava seus objetos relacionais com sacos plásticos, pedras, coisas banais, que pdoeriam ser copiadas por qualquer um, como ela própria estimulava a fazer. Sua criação era a vivência da obra, não um olhar passivo de um espectador oprimido, mostrava ela.

Seus "Bichos", que foram transformados em objetos de luxo, vendidos a mais de US$ 60 mil a peça, foram concebidos por ela para serem manipulados. Eles não existem como obra enquanto o observador-participante não os manipula, explicava ela. Nada mais distante do que fazem hoje os possuidores desse espólio, que enjaulam as peças em redomas invioláveis.

Na Pinacoteca, não deixavam nem desenhar o bicho, numa exposição recente. Às vezes, exibidores mais conscienciosos criam réplicas oferecidas a quem aparecer. Em exposição recente sobre a arte dos anos 70, no MAM do Rio, fizeram até algo admirável, réplicas das máscaras sensoriais de Lygia, que podiam ser vestidas e usadas exposição adentro. Quem precisa de alucinógenos com coisas assim?

Neste ano, fazem 20 anos que morreu Lygia Clark. Mas não imaginem encontrar alguma referência a isso no site da Associação "O Mundo de Lygia Clark", nem na newsletter publicada por eles, que tem yuma entrevista com um marchand (seriíssimo, aliás, e de excelente trabalho) falando do mercado de arte, uma nota sobre providencias museológicas para restauração de fotos e coisas do gênero. Não há no site informações biográficas detalhadas sobre a artista, muito menos textos sobre suas obras e conceitos, só promessas, que, espero, serão cumpridas em breve. Afinal, o site e a newsletter falam de um projeto, para o qual captaram dinheiro de uma telefônica, de lançamento do Projeto Lygia Clark on line, que deve ter começado em 15 de janeiro.

Vamos aguardar. Mas andam ativos lá na associação, como vi nas mensagens malcriadas que deixaram hoje de manhã neste humilde sítio não lucrativo. Como são comentários informativos, e reagem a um post publicado em setembro de 2006 (!), republico aqui, para conhecimento dos frequentadores. Antes tarde que nunca:

O Mundo de Lygia Clark said...
Somos uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada em 2001, sem qualquer patrocínio (grifo meu), tendo suas despesas custeadas pelos herdeiros de Lygia, pois os direitos autorais que são de propriedade dos mesmos, estão sendo doados com a finalidade de organizar a obra da artista com o objetivo de atender aos inúmeros pesquisadores que nos procuram anualmente para estudar a obra de Lygia, reconhecida ainda pela crítica mundial como "Uma Artista do Futuro".Achamos que Sergio Leo burla a Lei dos Direitos Autorais quando, veicula na internet imagens da obra de Lygia Clark sem autorização, bem deve ser um péssimo jornalista, pois não se informa realmente da situação antes de publicar asneiras.
10:05 AM
O Mundo de Lygia Clark said...
Com relação a não certioficação de autenticidade de uma obra Casulo, de propriedade de Armando Matos, a Associaçõ Cultural "O Mundo de Lygia Clark" a pedido de colecionadores e marchants sérios, museus e instituições tem como um dos seus objetivos a certificação de autenticidade de obras da artista Lygia Clark uma vez, a existência de uma imensa quantidade de obras falsificadas pos mortem. Esclarecemos ainda que está certificação é inteiramente gratuita também sendo custiada pelo recebimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei, que é repassado pelos herdeiros de Lygia Clark à Associação Cultural. Este trabalho de certificação já conhecido mundialmente está sendo feito pelas anotações do próprio punho da artista enquanto viva. A próxima vez que Sérgio Leo se interessar pela verdade estamos à disposição do mesmo.


Não posso garantir que os comentários sejam, de fato, da associação; chego a desconfiar que não, devido ao "custiadas", o "pos mortem" e a vírgula separando sujeito e predicado. Mas estou interessadíssimo, e à disposição da Associação, para quem, desde já, comovido com a falta de recursos do grupo, dôo todo o dinheiro que eu auferir neste Sítio não-lucrativo e pessoal com o uso indevido de referências à Lygia.

As fotos que cheguei a publicar eu tirei há tempos, depois que a simpática Fátima Pombo reclamou por e-mail dizendo ser ela a autora das imagens não creditadas que podem ser encontradas às catadupas com o tio Google. Não me consta que a associação dos filhos da Lygia pague algum direito autoral aos verdadeiros autores das fotos da artista.

Não entendi, porém, como interpretar a frase grifada acima, "sem patrocínio", se a newsletter editada pela Associação fala que seu projeto "Lygia Clark on Line" tem patrocínio da Oi. E dizem que a certificação é gratuita, desde que se paguem os direitos autorais. Intrigante.

Tive de recorrer à Wikipedia para saber os dias de nascimento e de morte de Lygia Clark, ignorados no material do sítio construído até agora pela associação dos filhos. Mudará, e muito, minha opinião negativa sobre a associação, se eu souber de iniciativa por parte deles para aproveitar o dia 25 de abril e, rememorando a artista no dia em que ela deixou de viver, criar eventos pelo país para levar o trabalho de Lygia aonde ele pertence, ao povo. se precisarem de alguma ajuda, estou aí.

| 2 comentários

"Da minha parte continuo me espantando com os conservadores anaeróbicos que acham que o direito à vida começa na concepção e acaba no nascimento."

Coisas inteligentes que leio na net. Tenho de parar de citar esse cara, mas, que fazer, ele é muito bom. AQUI.

Intriga e batatinhas em Timor Leste

| 3 comentários


"Falam português; podem ser portugueses ou brasileiros. vamos segui-los!"


Eram dois rapazes do Timor Leste, enviados à Indonésia em um momento de distensão da ditadura Suharto, que, antes simplesmente isolava os timorenses do mundo. Agora, estudantes podiam cursar a Universidade, desde que em áreas como agronomia, ou veterinária. Direito, Ciências Sociais, Engenharia, Economia ainda eram tabu para pretendentes timorenses ao ensino superior.


Os dois, universitários, pois, estavam em um supermercado, quando ouviram vozes numa língua familiar, na língua do colonizador que havia se tornado língua da resistência. O português, por uma das ironias que são privilégio da História, havia se tornado fator de unidade nacional, elemento citado com orgulho pelos timorenses para argumentar que seu povo não e sujeitaria a ser satélite da anglófona Austrália, e era diferente dos que habitavam o arquipélago da Indonésia, sujeitos a uma eficiente ditadura, do agrado dos Estados Unidos e Europa e cruel como só os viventes na ditadura sabiam ser possível.


Os dois conspiradores timorenses descobriram, pela língua, dois turistas de língua portuguesa, e os seguiram, até um restaurante, onde, após algum tempo de vigilância, decidiram apelar aos irmãos de idioma para fazer chegar seu apelo ao mundo. Não sabiam que os turistas eram brasileiros vivendo em Portugal (circunstância que seria preciosa, como descobriram mais tarde).


Estavam em 1989, ano da queda do muro de Berlim, símbolo do fim da Guerra Fria que acobertou o expansionismo de Suharto, invasor de Timor Leste em 1975, ano da queda do fascismo em Portugal.


O problema dos insurgentes de Timor, país com uma patética população de uns 600 mil habitantes, era tornar conhecida a reivindicação de independência do povo timorense. Ao abordarem a dupla de falantes de português, foram saudados com entusiasmo; brasileiros, integrantes de um grupo artístico de relativo sucesso chamado "Os Batatinhas", eles ficaram encantados em ser abordados na língua materna, ainda que seus interlocutores falassem com alguma dificuldade. Um deles, como muitos em Timor, havia aprendido português na escola secundária e relegado a língua ao mesmo porão cinzento onde costumamos largar os conhecimentos impostos e inúteis. Era a língua da resistência, sim, mas, como os insurgentes, sofria um bocado para ter direito a um lugar seu, naquele canto da Ásia.


Com ligeira relutância e muita solidariedade, Os Batatinhas gravaram, com equipamento de turista, os manifestos de 14 insurgentes timorenses, inclusive os dois que os haviam abordado no supermercado. Um deles pedia armas para a guerra contra a Indonésia. Outros falavam da repressão e das esperanças em Timor. Ao voltarem a Portugal, Os Batatinhas entregaram a fita na RTP, a brava tv estatal portuguesa, e desencadearam uma saraivada de reportagens sobre os irmãos de língua portuguesa que ambicionavam a independência no Sudeste Asiático. Tenho dúvidas sobre o que aconteceria com esse vídeo se chegasse a alguma tv comercial brasileira. Sei que muito possivelmente não despertaria a repercussão que causou em Portugal.


A diáspora timorense passou a se articular. A Embaixada do Brasil na Indonésia se tornou ponto seguro para os conspiradores. Dez anos depois, Timor era um país livre, motivo até de um belo documentário da eterna escrava Isaura, a minha, a sua, a nossa Lucélia Santos.


Suharto, por coincidência morreu na mesma semana em que os timorenses fizeram brindes emocionados com Lula.


"Não sei como se chamavam Os Batatinhas, sei que um era João, o outro Fonseca", me disse, nessa quarta-feira, o hoje assessor de assuntos internacionais da preidência do Timor, José Turquel de Jesus, insurgente que, em 1989, pedia armas, no vídeo dos Batatinhas. Ele me disse que tentou encontrá-los, anos depois, mas sem sucesso. A poucos metros, à mesa com Lula e o presidente timorense, José Ramos Horta, estava a Lucélia, com quem eu puxei uma conversa simpática e de tiete, ao chegar para o convescote. Simpaticíssima. Budista da linha tibetana.


Pouco tempo depois, acabava o almoço, e nem pude contar à Lucélia, que continua uma gracinha, do grande tema de um novo filme que ela poderia tramar, com a história que o doutor Turquel de Jesus me contou enquanto eu brigava com o chã de dentro que o Itamaraty comprou em licitação como filé minhon. O almoço acabava, os repórteres convidados assanhavam-se, que remédio: parti com a tropa para cenas de jornalismo explícito com o Lula.


As melhores matérias são as que não temos condição de escrever. Um dia alguém há de fazer livro sobre os conspiradores de Timor. A Lucélia, quem sabe, pode dar uma dica de como transformá-lo em filme; pode ser até que reencontrem os Batatinhas.
p.s. esse texto foi corrigido, para abrigar as oportunas críticas feitos por leitores do blogue Timor online, onde, generosos, reproduziram o texto, e, constrangidos, nem me avisaram das batatadas que eu havia escrito. Obrigado ao H correia e ao anônimo que apontaram os erros.

Mistério de Capa e mala

| 2 comentários


A matéria é do New York Times, mas quem deu destaque a ela aqui foi o nunca suficientemente louvado Caderno 2 do Estadão: acharam "a mala mexicana", três maletas bem danificadas com milhares de negativos do lendário fotógrafo Robert Capa, autor da foto aí acima; e também trabalhos da mulher de Capa, a também excelente fotógrafa Gerda Taro.


Randy Kennedy, o repórter que assina a matéria, diz que os negativos, quem sabe, resolverão definitivamente a dúvida sobre a veracidade da foto do "Soldado Caindo", que, nos anos 70, foi acusada de ser uma armação do fotógrafo, por outro fotógrafo de guerra conhecido de Capa, o sul-africano O.D. Gallagher, correspondente do London Daily Express durante a Guerra Civil Espanhola, onde o soldado acima encontrou uma via expressa para a sala de estar do Criador.


A acusação de cascateiro contra Capa foi posta em letra de forma pelos escritor Phillip Knightley num livro de 1975 sobre os correspondentes de guerra e seu trabalho como propagandistas e/ou mitificadores. Mas quem conta isso tudo é o Richard Whelan, neste blogue para amantes da fotografia, AQUI, em que ele defende a veracidade da fotografia do Capa, com fartos argumentos e outras imagens do mito.


O Kennedy reproduzido no Estadão parece não conhecer esses argumentos em defesa de Capa. mas, à parte esse pecado, contou com charme a descoberta dos negativos:


"Para o pequeno grupo de especialistas em fotografia ciente de sua existência, ela era simplesmente ''''a mala mexicana''''. E, no panteão dos tesouros culturais modernos perdidos, o objeto possuía a mesma aura mítica dos primeiros manuscritos de Hemingway, que sumiram de uma estação de trem em 1922. A mala - na verdade, um conjunto de três frágeis valises de papelão - continha milhares de negativos de fotos que Robert Capa, um dos pioneiros da fotografia da guerra moderna, fez durante a Guerra Civil Espanhola antes de fugir para os Estados Unidos em 1939, deixando para trás o conteúdo de sua câmara escura em Paris.


Capa supôs que o trabalho fora perdido na invasão nazista - e continuou pensando assim até 1954, quando morreu no Vietnã. Em 1995, no entanto, começou a circular a notícia de que os negativos haviam de algum modo sobrevivido, depois de fazer uma viagem digna de um romance de John le Carré: de Paris a Marselha e então para a Cidade do México, nas mãos de um general e diplomata mexicano que servira sob Pancho Villa.E foi lá que eles permaneceram escondidos por mais de meio século, até o mês passado - quando fizeram mais uma viagem, provavelmente a última, até o Centro Internacional de Fotografia em Manhattan, fundado pelo irmão de Robert Capa, Cornell. Depois de anos de negociações discretas e intermitentes sobre o lar adequado dos negativos, sua posse legal foi transferida recentemente para o patrimônio de Capa por descendentes do general, entre eles um cineasta mexicano que viu o material pela primeira vez nos anos 90 e logo percebeu a importância histórica do que sua família tinha em mãos.

'''Este é realmente o Santo Graal da obra de Capa'''', disse Brian Wallis, principal curador do centro.""


O resto do texto indica que ainda ouviremos falar muito dessa mala mexicana, que vai virar até documentário. AQUI. A Folha publicou material da France Press. Fraquinho, fraquinho. O Globo, sempre batendo continencia à indústria cultural, pegou outra matéria do Times, sobre um ator shakespeariano que andou fazendo seriados de ficlção científica e agora voltou aos palcos. Fica difícil criticar o Globo, o cara é Patrick Stewart, que faz o capital Picard, do Jornada nas Estrelas. Se eu falar mal, é capaz de os fãs mandarem um esquadrão para me fritar em raios laser.

Momento Mundo Animal

| 3 comentários



Não sei se desencantado com a capacidade diarréica de alguns cérebros na blogosfera, o Hermenauta deixou de lado, brevemente, os textos que desmascaram as bobagens escritas por aí e mergulhou no intrigante mundo das baleias.





Assim como nossos cachorros podem muito bem nos considerar meio estúpidos, pela nossa incapacidade de reencontrar ossos enterrados pelo jardim ou sentir uma fêmea no cio pelo cheiro que deixa na sala, quem sabe podemos estar subestimando os mamíferos de cérebros extraordinariamente maiores que os nossos.



"Podem me chamar Ishmael..." Com direito a citação da famosa frase de Moby Dick, o Hermê, ( infelizmente, não se dá ao trabalho de traduzir os excelentes textos em inglês que cata na rede) , fala de um artista californiano que traduz sons em imagens, e descobriu que as baleias azuis produzem sons com inusitada capacidade de serem transcritos em imagens cada vez mais nítidas de acordo com a modulação em que são reproduzidos (ou algo semelhante).

O principal centro de pesquisa sobre o cérebro dos mamíferos marinhos são as Forças Armadas dos EUA, que fazem pesquisas com golfinhos sabe-se lá com que intenções. Pelo menos não poderão convocá-los para o Iraque, ou o Irã.

Mas o Hermê me convenceu. Se as baleias tivessem braços, podem crer, já teriam tomado alguma atitude.

Cerco aos guerrilheiros nas FARC? Condoleeza Rice, Álvaro uribe e Hugo Chávez num menàge a trois? Perigo de guerra entre vizinhos nos Andes? Falo disso lá no Ralações Internacionais. AQUI.

Patinando no perigoso terreno da galhofa

| 1 comentário

Por que uma agente de polícia argentina poria alguns mililitros de silicone nos seios? A resposta mais fácil é: porque várias argentinas _ e brasileiras _ fazem o mesmo. Outra resposta possível é: sexto sentido. Vai que, um dia, algum trapalhão ligado a financiamento escuso de campanha lhe aparece pela frente...


A moça acima chama-se Maria del Luján Telpuk, era polícia, mas sua vocação, mesmo era para estrelar um Big Brother da vida. Hugo Chávez seria a última pessoa do mundo a proporcionar isso à moça. Mas, quem sabe, algum outro importante venezuelano...

O que dizem disso as agências de notícias? Dizem isso aqui:

Agente do escândalo da mala na Argentina sairá na Playboy
REUTERS

BUENOS AIRES - A policial argentina María del Luján Telpuk, que descobriu uma mala com 800 mil dólares que um venezuelano tentava infiltrar no país, supostamente para ajudar na campanha presidencial de Cristina Kirchner, será capa da revista Playboy. "Fiz as fotos, já está tudo acertado, sou a capa de fevereiro", disse Telpuk ao site do jornal Clarín. O caso aconteceu em agosto, na chegada de um vôo fretado por uma companhia estatal argentina. "Era uma valise média, meio ovalzinha. O que eu via na tela da máquina que eu operava eram seis retângulos perfeitos, como livros vistos de cima. Quando abro, a vejo cheia até em cima de cédulas, não estavam ocultos sob nada, tapados com nada", contou.


O resto, AQUI

"Depois da entrevista com Musharraf, eu necessitava desesperadamente de uma bebida _ o que era auspicioso, já que o próximo compromisso da agenda era uma degustação de vinhos. Davos parecia meio embaraçada pelo meu evento favorito ... a degustação estava escondida sob o título ligeiramente não-informativo "tradição versus inovação". Era preciso ler as letras pequenas para constatar que se tratava de um a confrontação gigante entre cabernets do Novo Mundo e de Bordeaux".


Botei coisa nova lá no Ralações Internacionais.

O dos portugueses é maior

| 5 comentários


Esse post seria sobre outra coisa, e começaria provocado por um amigo na redação que empacou ao ouvir a gravação de uma entrevista. "Pior que transcrição de entrevista em inglês", comentou ele, que, como eu, sofre torturas com sotaques e dicções de entrevistados anglo-saxônicos. Fui ouvir e não era um problema de audição, mas de geração.

O entrevistado dizia, num dado momento, que não iria fazer qualquer coisa "por dá cá aquela palha". Meu amigo, dez anos mais novo, nunca tinha ouvido a expressão, e continuou meio sem entender, até que expliquei. Faz tempo que não ouço mesmo esse troço, certas expressões somem do nosso vocabulário por dá cá aquela palha. Do nada, por nada.
Pensando bem, é bem esdrúxula mesmo. Curioso, amante das etimologias, fui perguntar ao tio Google qual a origem da expressão, que parece remeter a cigarros caipiras, montes de feno, coisa rural qualquer.

Podia ser também o ponto culminante de alguma história bem-humorada, como as que deram origem a "amigo da onça", ou "senta que o leão é manso", ou referência histórica como o "agora Inês é morta". Mas não. Achei um sítio português bestiall (no sentido luso, de sinistro, cara), que falava da expressão, mas não explicava grande coisa. Enrolava, mesmo, recurso útil e freqüente de quem se mete com etimologia.

Fiquei sem saber que demônios deram origem ao "por dá cá aquela palha", que ainda acho ter nascido de alguma obscura historieta da idade média. Mas, em compensação, no mesmo sítio, descobri, com algum atraso, que, em Portugal, como no resto da Europa, os bilhões valem mais.

Há duas maneiras de contar milhões, uma a mais prática, dos países anglo-saxões e outros, como o Brasil, e a dos europeus, portugueses junto, e muitos países americanos de língua espanhola. Descobri isso entrevistando hermanos: o bilhão deles equivale a um milhão de milhões. É nosso trilhão. Nosso bilhão, lá, eles rebaixam a mil milhões.

Num mundo em que já existe companhia chinesa cotada a um trilhão (dos nossos) em Bolsas, com economias que passaram de trilhões, apesar da recessão que se avizinha, é bom ter isso em mente ao ler o noticiário em língua estrangeira. Ou, especialmente, ao ler páginas em português, na net, porque pode ser algum luso metendo zeros onde nós não pomos.
E ainda falam em unificar a língua neste ano. Isso ainda vai dar milhões de malentendidos. Ou trilhões, sei lá.


Papo-aranha sobre a danação geral


É cedo, muito cedo para dizer, mas são fortes as chances de que tenha começado a recessão nos Estados Unidos, e um pega para capar entre os consumidores americanos, que, segundo a Merril Lynch, verão desvalorizar-se em até 30% suas ações e imóveis; o tombo nas bolsas asiáticas pode ser um sinal de que também disparou a desconfiança entre os investidores que sustentaram, nos últimos meses, uma verdadeira bolha exuberante nos mercados de ações e de imóveis na China; e o impacto dessas duas pororocas deve provocar queda internacional nos preços das commoditties (mercadorias produzidas em grandes quantidades, sem diferenciação de um fabricante para outro), como o petróleo.

Negócio é o seguinte: quem vive de exportar essas tal commoditties (como nossa pátria amada, e a de nosso amigo Hugo Chávez, por exemplo), está arriscado, muito arriscado, a se ver, mais cedo ou mais tarde, em palpos de aranha. E, desgraça das desgraças, ninguém que eu conheça tem a menor idéia do que seja um palpo de aranha.

Isso é o mais aterrorizante, essa angústica do desconhecido...


(antes que meus cultos leitores me socorram, fui ao Aurélio e ele me informou que palpos são aqueles apêndices nos aracnídeos usados para segurar a presa enquanto se lhes enfiam as quelíceras, o que faz todo o sentido, já desconfiávamos, claro. E dê graças a Deus, você por não saber o que é quelícera. Só lhe digo que não queira ver uma frente a frente).

2º clichê:
pelo bem da boa informação aos freqüentadores deste Sítio, me sinto obrigado a reparar que os especialistas não acreditam em um desabamento nas cotações da comoditties; a cotação do petróleo, cujos preços vinham disparando para acima dos US$ 100 o barril, deve cair, mas ninguém acredita em queda para baixo de uns US$ 75... mas alguns governos que vêm aumentando as importações em progressão geométrica contando com as receitas crescentes de exportações terão de tomar cuidado com as aranhas que aparecerem no horizonte.

Bruxaria

O Estadão cita o El País e informa que foi criada uma espécie de You Tube literário, com vídeos de escritores e suas obras. Troço interessante, mas incorreto (custava uma conferida no site?). É um sítio comercial, que, na versão inglesa, cobra 450 libras (libras, não dólares, grana maior que a maioria dos prêmios de concursos literários por essas bandas) para gravar depoimentos dos escritores. Veicular depoimentos gravados fica pela bagatela de 150 libras. No site dizem que trabalham principalmente com autores renomados e seus agentes. Nem tanto, há um bando de desconhecidos na lista. Mas, por esse preço, duvido que haja algum blogueiro sem editora por trás. OU pela frentem, se quiserem evitar termos meio equívocos.

O sítio tem versão estadunidense, inglesa e espanhola, ainda que essa última seja meio mandrake, nem sempre abre. Entre os autores mais vistos no site inglês, tem um brasileiro. Viva nóis, dirão vocês. Mas, antes, confiram quem é o indigitado. AQUI.

A idéia não é má, o freqüentador da blogaláxia e da Internet, de um modo geral, é um leitor, e interessado. Um You Tube para escritores, hein? Só escritores abrogados em blogues forneceriam uma programação de meses. Imagino o clipe do irado Biajoni, que já faz livro com jeito de roteiro de filme, impossível de largar antes do fim, tem até trilha sonora...

Não conheço jornalista sério que, às vezes, não lamente ter se tornado um especialista em linguagem, um trabalhador do genérico, como o são que labutam na imprensa; que sabe se tivessem estudado mais, se aplicado mais, se especializado em alguma coisa, quem sabe.

Um biólogo, por exemplo, pode aproveitar a descoberta de uma nova espécie para fazeer uma homenagem ímpar a pessaos que admira. Como fez o cientista Ariovaldo Antonio Giaretta, que, admirador da dupla sertaneja Pena Branca e Xavantinho, botou o nome deles na designação científica de uma nova perereca que descobriu nas veredas de Uberlândia. Conta o G1:

"Que trem doido, sô!". O comentário não poderia ser mais legitimamente caipira, mas o espanto do cantor sertanejo Pena Branca é justificado. A frase foi sua primeira reação ao saber que uma nova espécie de anfíbio, uma pequena rã descoberta em Uberlândia, terra natal do músico, tinha ganhado um nome científico em sua homenagem. A Ischnocnema penaxavantinho, com apenas 2 cm de comprimento, foi descrita por uma equipe de cientistas coordenada por um fã de Pena Branca e de seu parceiro e irmão Xavantinho, que morreu em 1999. " O resto é uma história comovente, AQUI.

O falecido Xavantinho não ficou entre nós para aproveitar da fama que deve advir da perereca recém-revelada. Mas o Pena Branca, apesar da idade avançada, há de tirar algum proveito da bichinha perseguida pelos cientistas.

Covardia merece nota

| 8 comentários


Anotem e divulguem esses nomes: Fernando Mattos Roiz Júnior e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro. Os dois, e mais um menor de idade, são os covardes que saíram pelo Rio de Janeiro esvaziando extintores em prostitutas e travestis, o que quase cega uma desas pessoas. Cheguei a confundir neste post os sujeitos com outros moleques, aqueles que espancaram uma empregada em um ponto de ônibus e se defenderam dizendo que a confundiram com uma prostituta (a moça tem seqüelas até hoje). Era outros covardes; a quem leu a primeira versão do post peço desculpas pelo meu engano. O pai de um deles, retratados na foto acima, argumentou que estavam apenas brincando que não fizeram nada de mais.

O promotor do Ministério Público, estranhamente decidido a defender os interesses dos réus, e não da sociedade, pediu, e o juiz Joaquim Domingos de Almeida Neto, do 9º Juizado Especial Criminal, concordou em dar, censura aos jornais cariocas, que estão proibidos de publicar os nomes dos agressores, já condenados. Muito menos fotografá-los cumprindo medida punitiva, trabalhando como garis.

É perigoso isso, a perigosa tendência do Judiciário de assumir a função de censor no país.


segundo clichê: reescrevi o post depois de ver referências do Idelber Avelar à história, em que ele também trouxe o link de onde copiei a foto acima, do blogue Vejo Tudo e Não Morro. Respeito quem acha que a exposição dos caras é linchamento, mas discordo, como discordo da censura judiciária. Exibí-los é fazer uma coisa comum em cidades pequenas, e na velha Grécia, a execração pública de quem merece repúdio da sociedade, nesse caso, quem acha que só deve tratar como gente quem pertence ao mesmo grupo social.

Desbravando a selva virtual

| 2 comentários


Isolada em algum ponto remoto da Amazônia (não me perguntem o que está fazendo, somos casados em regime de separação de notícias), a Marta me liga para pedir uma ajuda, já que está sem Internet: quer saber a área da cidade de São Paulo. E é aí que obtenho mais um bom argumento em meu eterno debate com o Alex Ribeiro, o cético do terceiro milênio, que desdenha da Wikipedia por seu formato não-científico.

Pela Wikipedia, baseada no IBGE, a área da cidade de São Paulo é de 1.524 km². Cético também eu, sempre cauteloso, consulto a prefeitura de São Paulo, guiado pelas mãos do santo tio Google. E a prefeitura me informa que não, a área de São Paulo é de 1.509 km².

É uma diferencinha de nada, especialmente para o que a Marta deve estar necessitando, seguramente vai comparar alguma dimensão amazônica com a cidade da garoa. Mas, e se esses 15 km² forem essenciais para quem perguntou ao tio Google a mesma questão que eu? Afinal, me garante a Wikipedia que 15 km² é o tamanho exato da graciosa comuna de Bicinicco, em Udine, Itália, e cabem nela quase dois mil italianos. Isso não pode terminar em pizza. Como saber quem tem razão, se a multidão anônima que alimenta a Wikipedia ou a burocracia paulista?

Ora, dirão vocês, o governo, qualquer governo, sempre está errado, e nós o povo, expresso ciberneticamente nessa maravilha wikipédica, teremos sempre a última palavra! Mas jornalismo não é assim, há que se evitar partidarismos, já basta a longa discussão que venho travando com amigos de esquerda porque botei o termo "narcoguerrilha" para definir a Farc, aqui, neste Sítio.

Nesse caso, companheiros, só o governo tem a resposta a essa questão, aguardada por minha mulher jogada pelo jornalismo em algum confim da floresta tropical. Ora, se ambos dão como fonte o IBGE, é ao IBGE que devo perguntar, sem intermediários. Para isso serve o tio Google; é como um ancião muito bem informado, de quem a idade embaralhou memórias, tornou as lembranças contraditórias, misturou fatos com impressões ou opiniões. É uma excelente assessoria para se encontrar fontes legítimas, desde que se tenha o cuidado de fazê-lo. Vamos ao IBGE, pois.

E o escolhido é... claro, a Wikipedia!!!! Em algum momento do passado a prefeitura deve ter estado correta, mas não soube acompanhar os acontecimentos. O poder público não tem idéia do tamanho do problema que tem em mãos. Assim se passa.

Bom, dirão vocês, vai ver São Paulo encoheu, e a prefeitura, mais próxima, adiantou-se ao IBGE, que traz um certo atraso devido ao ritmo das coletas de dados... Mas, esperem, o que temos aqui? Pela grande rede de computadores um site ou outro inventou que São Paulo tem ... 1.528 km² (!). De onde tiraram esses quatro quilômetros quadrados a mais? Território do tráfico, à margem do estado? Grilagem de terras? Expansão do território provocada pelo aquecimento global?

Será São Paulo uma cidade elástica, que estica e encolhe ao sabor das gentes? E eu pensava que era a Marta quem estava embrenhada numa selva traiçoeira...


*****

Para não pensarem que o proprietário deste Sítio é um crente incondicional da Wikipedia (é um adorador incondicional, isso é outra coisa), uma olhadinha na página de discussão incluída no verbete da enciclopédia virtual dá uma ideiazinha de como não é mole criar uma fonte de consulta confiável a partir da colaboração anônima dos maluicos que freqüentamos a Internet: AQUI.

E, sim, se é verdade que as FARC são uma narcoguerrilha, tenho de concordar que o estado colombiano também está atravessado pelos interesses do tráfico e da lavagem de dinheiro. Por uma questão de justiça. Mas não estou disposto a dedicar o Sítio a discutir a diferença entre as duas coisas. Não botei botox, mas Cansei.

The people united will never be defeated


Os velhos Marxs, Karl e Groucho, assistem deliciados o que alguém já definiu como a luta entre capital e trabalho do século XXI, da Nova Era, do mundo movido pela produção intelectual. Por enquanto, só a cegueira dos jornalistas e economistas tradicionais explica que a greve dos roteiristas nos Estados Unidos seja assunto dos cadernos culturais, apenas. É uma das notícias econômicas mais importantes dessa virada de ano, que ameaça impor prejuízos milionários em um dois setores mais dinâmicos e importantes do PIB americano.

Uma coisa que ninguém explica por aqui, e não precisa explicar nos EUA, é como ninguém fura uma greve dessas, por que criadores renomados, estrelas de talk shows, não mandam os roteiristas para as cucuias e escrevem eles mesmos seus scripts, contratam algum talentoso escritos das centenas de universidades com cursos de creative writing nos Estados Unidos...

Um motivo é que os contratos milionários dos David Letterman da vida os desobrigam de inventar as piadas que dirão em público. O outro é que lá, na pátrica do liberalismo, sindicato forte manda de verdade, e a grande midia não se aventura a chamar de atraso e corporativismo a briga legítima pelos direitos do trabalho.

A história, dizia um sábio roteirista, se repete como farsa. Mas pode se repetir como comédia, drama, show de entrevistas, depende de quem se encarrega de escrever o roteiro.

Febricitantes

| 3 comentários

O governo Lula comete muitos erros, tantos que não seria necessário inventar novos, basta apontar os existentes. Mas, como boa parte dos erros não se encaixa da cartilha preto-no-branco ou branco-no-preto de quem quer meter o pau no homem, há certas agendas ocultas que ganham um destaque danado, tresloucadas, para esborrachar-se no vazio, com o tempo, como se esborracham de vez em quando aqueles carros de Fórmula Um pilotados por sujeitos de pouco cérebro e voz afinada pelo fritar dos testículos no calor do cockpit.

Quer um exemplo? O risco de apagão. Até agora, apenas um especialista sério, o Jerson Kelman, avisou que é pequena a probabilidade, mas séria a possibilidade de que, sem chuvas em boa quantidade, lá para 2009 a gente tenha problema no abastecimento de energia. Como engenheiro seríissimo que é, o Kelman só adverte que há tempo para tomar medidas preventivas, e parar, por exemplo, de dar incentivo fiscal para carro a gás no Rio de Janeiro, um jeito populista e suicida de derranarr dinheiro público. Ou deter a sanha de lucro da Petrobras que vende gás já comprometido com as termelétricas.

Da maneira como o assunto começa a ser tratado por aí, porém, parece que já sofremos o apagão que faz os argentinos suarem lá em Buenos Aires. E não suam frio não. Hoje, quando ouvi na CBN um ouvinte do Heródoto Barbeiro dizer que o FHC não foi o único a fazer um apagão, porque o Lula também está promovendo um, vi o rabinho bifurcado da agenda oculta.

Ora, no governo passado eu cobri um apagão gerado em plena desaceleração da economia, saído do nada como relâmpago em céu azul. Agora há uma complicada situação entre Petrobras, Termelétricas, Bolívia e crescimento econômico, que promete riscos no abastecimento por causa de algo positivo, o aumento inusitado da atividade econômica. Mas esse troço é chato, o governo Lula tem lá sua dose de falta de senso ao lidar com ot ema (além de tratar o MInistério das Minas e Energia como prebdena para aliado político)e quero falar de outra coisa.

É da febre amarela. Vivemos em país tropical, onde cresce a campanha pela preservação do habitat natural; surgiram casos de febre amarela silvestre, de pessoas que passaram pela selva sem tomar a precauções exigidas. O governo Lula faz besteira na área de saúde, mas atribuir ao setor público a morte de macaquinhos fulminados por mosquito é levar um pouco longe o ardor oposicionista.

Como sempre, o Hermenauta atazana o irresponsável que resolve falar levianamente de um assunto desses. "Primeiro porque as mortes havidas até agora não parecem caracterizar realmente um surto de febre amarela urbana. Segundo, porque é meio complicado culpar um governo que produziu menos óbitos do que o que lhe antecedeu. Terceiro, finalmente, porque como vimos há um trade-off entre as estratégias de combate à febre amarela, e qualquer uma delas produzirá um certo número de vítimas."

Para entender esse tal trade-off e outras coisas divertidas, vale clicar AQUI.

Se a moda pega...

| 4 comentários




Nova moda no You Tube, a Obama Girl (no mundo de carne e osso, a "atriz e modelo" Amber Lee). O sujeito pode até perder, mas ela, com certeza ganha um contrato milionário com a Playboy (que estou dizendo? ela já posou para a Playboy. E para a Hustler, revistinha bem mais barra pesada, by the way).

Obama Girl é uma mocinha bamboleante e, como dizia Aldous Huxley, extremamente pneumática, faz campanha por Obama e enfrenta inimigas saídas de uma seção do Pedro Dória, aquele que gosta de uma coisa errada.

"Obama girl returns for Yowa é hilariante.


Mas a resposta bate todos os critérios de curta trash:



E, insuperável, stunning, como diria o Aldo Rebelo de porre, é o vídeo indicado pela Nat, a partir do qual descobri o resto, o bizarro "I Got a Crush on Obama", Difícil dizer se foi feito por aliados ou inimigos do cara. Como reagiu o primeiro comentarista do vídeo: "Holly shit, is this real?". Nada é real no mundo da política-espetáculo, babe.

Vai ser duro encarar 2010, com os vídeos sertanejos do PT, o forró do Ciro Gomes e a funkeira do José Serra. Ou do Aécio, dá no mesmo; a diferença é que se for ele o candidato, é capaz de participar da filmagem.

Oba oba com Obama

| 1 comentário


O novo queridinho da midia, Barak Obama, estrela democrata das primárias eleitoriais nos Estados Unidos defende que os EUA comecem, já em março,a retirar as tropas do Iraque, e parem com as práticas escusas de "embarcar prisioneiros no escuro da noite para serem torturados em países distantes, deter milhares sem acusações ou julgamento, manter uma rede de prisões clandestinas fora do alcance da lei".

Deu na Foreign Affairs. Mais, AQUI.

E o Idelber (vi no Pedro Dória), traduz tudo em míudos, AQUI.

Vade retro, capeta!

| 3 comentários

Rave aqui no Sítio, neste fim de semana. Em nossa campanha pelo fim do uso de drogas ilegais, como forma gandhiana de dar nossa contribuição à luta contra o tráfico, o componente alucinógeno fica por conta desse videozinho abaixo, do You Tube. Para quem não tem familiaridade com a língua de Shakespeare e Britney Spears, a letreiro inicial manda ampliar a imagem para ocupar a tela toda, olhar fixamente no centro da imagem (por menos de dois minutos) e olhar para outra coisa qualquer (tente o rosto de alguém) quando aparecer a ordem "look away".

Manda ficha:

Política não é isso



O governo fez um acordo em que prometeu não aumentar imposto. Veio o ano novo e aumentaram-se impostos; e o ministro da Fazenda, juntando tapa à cusparada, diz que a promessa valia, mas para aumento de impostos no ano passado.Os jornalistas, com razão, apontaram a falta de respeito com a palavra dada. Mas não se contou a história toda. É terrível viver num país em que não se cumpre acordo firmado entre políticos.

Depois tem gente que se assusta quando descobre que, para fazer congressista meter o dedo no placar de votações é preciso primeiro dar uma molhadinha na mão do cara.

Cortes e frame-fucking com a Julianne Moore

| 7 comentários


Poucas torturas do mundo civilizado se comparam ao esforço de encaixar uma reportagem no espaço limitado das publicações impressas. Jornal não estica e a paciência do leitor é curta, o que nos obriga a comprimir em escassas linhas material que, algumas vezes, preencheria com folga páginas do periódico. Bom remédio para a tagarelice, mas vai fazer isso com horário apertado, na bagunça de uma redação, constatando, mas uma vez, que seu bloco de anotações tem garatujas incompreensíveis...

Triste mesmo é quando seu texto parece ter chegado àquele equilíbrio perfeito, com todas as informações indispensáveis, os poucos adjetivos necessários, a história bem explicada... e estão sobrando quinze linhas, você tem de cortá-las de qualquer maneira.

Descobri que os jornalistas temos isso comum com os cineastas, como conta o Fernando Meirelles, em um blog onde conta as atribulações da montagem do Blindness, o filme estrelado pela Julianne Moore e baseado no Ensaios sobre a Cegueira, do Saramago. Do livro não gostei muito, é o que considero menos Saramago de todos, sem a densidade dos textos do português, onde o leitor dedicado mergulha e se impregna da história. Mas tem um enredo que impressiona, deve dar um filme marcante.

E tem a Julianne Moore... ah, a Julianne Moore. O Meirelles concorda, e revela que, quando encontrava alguma coisa mal feita no copião do filme... bom, deixa o Fernando falar:

"Aprendi também que ficar pondo e tirando fotogramas aqui e ali, (frame-fucking, como chamam os americanos) nunca vai resolver o problema de uma cena mal resolvida anteriormente. Há também uma infinidade de truques de montagem para deixar ao menos digno o que foi mal feito na filmagem, mas às vezes uma cena parece mesmo condenada ao fracasso e pode comprometer o filme todo, essa é sempre uma constatação dolorosa quando acontece. E sempre acontece. Por sorte, neste filme estamos livres deste mal, aqui podemos sempre contar com um último recurso que funciona como uma espécie de colete-salva-vidas. Infalível:
Tudo na cena está ruim? Corta para um close da Julianne Moore. "


O texto todo é um acepipe de fim de ano para os cinéfilos. Achei por intermédio da M.J., AQUI.

E descobri outro motivo para minha dificudlade em fechar certos textos. Falta a Julianne Moore na redação.


*****

Já que falamos de cinema, o Barbosa, repórter jurídico da redação, começou uns brados indignados ao lado contra uma notícia; pensava que o Supremo Tribunal reinaugurava a censura, e logo contra o neo-realismo italiano. Mas não era nada contra o Vitorio de Sica, apenas de um caso de "supressão de instância":

Negado habeas corpus para ladrões de bicicleta
Ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal, indeferiu, em 28 de dezembro último, o Habeas Corpus (HC 92920), com pedido de liminar requerido pela Defensoria Pública da União contra decisão do Superior Tribunal de Justiça de arquivar recurso em favor de M.S. e CTV para que seja reconhecida a prescrição do crime.
O HC contesta decisão da Quinta Turma do STJ, que indeferiu pedido de suspensão de ação penal contra os acusados. A Defensoria, ao impetrar o HC no STF, pede a aplicação do princípio da insignificância ao caso “concernente à tentativa de furto de uma bicicleta avaliada em R$ 100 (cem reais) e que foram devolvidos em espécie à vítima. A liminar pedia a liberdade dos acusados e a anulação do processo criminal.
“Não vislumbro a presença dos requisitos necessários para a concessão da tutela pleiteada”, proferiu a ministra. “Verifico que a matéria de fundo posta na inicial não foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça, de modo que a sua análise, neste momento, pelo Supremo Tribunal Federal, configuraria supressão de instância.” Em seguida, encaminhou o processo para a Procuradoria-Geral da República, para que opine sobre o mérito do pedido.

FARCacuadas

Terminou mal o ano para Hugo Chavez _ para não falar no Marco Aurélio Garcia, obrigado a passar o reveillon num fim de mundo colombiano, e na companhia de Néstor Kirchner e Oliver Stone. Depois de chamar meio mundo para a cidadezica de Villavicencio, e garantir que, em pouco tempo, três reféns seriam libertados pelas FARC, Chávez teve de dispensar a moçada e, como noiva abandonada no altar, avisar à turma que não, daquela vez não haveria festa.

A pedido do grande José Augusto, deixo de início de ano um comentariozinho sobre o embrulho que estragou o reveillon de muita gente, especialmente dos parentes de sequestrados da Farc, que esperavam o início de uma distensão entre a guerrilha colombiana e o governo do país. A coisa continua AQUI.



sitio do sergio leo

últimos comentários

Add to Technorati Favorites