Para afogar os liberais

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Muita gente, por motivos ideológicos, não gosta desta senhora, mas eu, que escolho muito bem meus inimigos, só lembro das lições de profissionalismo que já tive trabalhando ao lado dela, e, apesar de discordar com freqüência da moça, e me irritar mesmo com alguns comentários dela em matéria de política externa, devo dizer que a respeito muito; a mulher é uma máquina: séria a ponto de ser insuportável, de madrugada já está na televisão, durante o dia faz rádio, tv, blogue e jornal e viaja como piloto de linha aérea. Pois hoje ela faz o seguinte comentário sobre a nova tropeçada da economia nos Estados Unidos, onde um grande banco faliu e foi amparado pela apavorada mão do Banco central deles lá:

O Fed deu dinheiro para pagar os rombos do Bear Stearns e empurrou um outro banco, o JPMorgan, para comprar o que restou de bom do Bear. Mas o que restou foi menos de 10%. O BC entrou com dinheiro do contribuinte para salvar o banco e Henry Paulson participou ativamente das negociações. Aquela história de economia de mercado se regulando sozinha, com o mercado resolvendo tudo, foi simplesmente arquivado pelos americanos. O que os Estados Unidos fizeram foi um intervencionismo na economia.

O resto do comentário da Míriam está aqui. Está cada vez mais difícil encontrar um país que acredite em suas próprias recomendações a respeito do livre mercado e da redução do Estado.

Seria muito dura a vida dos liberais, muito dura, não fossem alguns deles escandalosamente bem remunerados. No Brasil, claro, tem quem ainda acredite na propaganda dessa turma, de graça.

Dureza mesmo será a vida do Banco Central americano. Os tubarões do mercado, como os aquáticos, não podem sentir o gosto de sangue, que alucinam. E quem anda bracejando desesperadamente neste mar, agora é o Lehman Brothers. Que Iemanjá e Santa Edwiges os protejam.

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Sérgio, bom mesmo é ouvir os comentarista da Bolsa de Valores dizerem: " O risco-país disparou". Tente advinhar quem calcula isso!

Você está sendo muito ocruel, Sérgio. O que está acontecendo com os liberais é apenas uma recaída temporária. É preciso compreender que, diante de prementes dificuldades, os liberais tenham essas recaídas ideológicas para salvar seus negócios...Na próxima fase de bonança eles estarão de volta ao seu leito ideológico natural, esbravejando contra os gastos sociais, defendendo a redução do papel do estado e a não intervenção na economia pelo menos até a próxima crise... E assim caminha a humanidade.

os liberais são uns meninos bobos que ameaçam à mãe que vão sair de casa; um dia saem, mas voltam na manhã seguinte porque num güentam o tranco.

Mestre, ousei rascunhar algo há algum tempo. Pode mandar pedradas:http://alfarrabio.org/index.php?itemid=2781

Sergio Leo, Sergio Leo... Você é um jornalista tão legal... Não precisa de infantilidades como essa de caricaturar a posição dos teus adversários para construir um ataque. Isso parece coisa do... deixa pra lá.

Josenildo, que é isso, este Sítio não quer atacar ninguém, só quer mostrar que faz graça também. E, de quebra, mostrar para alguns amigos, que não compartilham de minha amizade com a Míriam, que jornalista, quando é sério, pode até desagradar ou cometer erros, mas não se compromete com escolas de pensamento ou com grupos.

Lendo seu blog, confirmo que jornalista é mesmo um sujeito que entende muito pouco de uma porção de assuntos. Nota-se pelos seus comentários sobre economia e política externa. Não há nada anti-liberal em intervir em uma crise financeira; ou, melhor dizendo, muitos liberais defenderiam isso. A estabilidade do sistema é um bem público, meu caro. Disso nem o Miltom Friedman discordaria.

Caro "jacob", como dizia um velho liberal, defenderei até a morte seu direito de defender suas opiniões, ainda que com isso eu leve algumas pedradas de sua mão. Mereço, pelas besteiras que escrevo neste Sítio. Mas, se seus conhecimentos de liberalismo vêm da leitura desse "Miltom Friedman", te recomendo cautela. É uma falsificação, quem sabe chinesa. O bom e velho Milton Friedman, com "n", que deus o tenha em bom lugar, morreu no ano passado de ataque cardíaco, quem sabe por ver o que fizeram com a economia dos EUA, mas, antes, disse que queria ser lembrado por avisar que ninguém gasta o dinheiro dos outros melhor que o seu próprio. Os contribuintes que tiveram seu dinheiro derramado para salvar o Bear Stearns devem concordar com isso.

Há uma caricatura do credo econômico liberal em seu argumento. Claro, liberais-libertários estilo Hayek não estariam de acordo com operação desse tipo. Mas boa parte daqueles economistas que confiam na bagagem teórica da economia concordariam que se deve evitar um colapso do sistema financeiro (e não, isso não quer dizer, necessariamente, que os sócios do Bear Stearns saem com o seu dinheiro intacto graças aos contribuintes americanos).

Pegou o espírito da coisa, caro "jacob"; boa parte dos que conhecem economia reconhecem que o Estado é mais relevante do que fazem crer as cassandras liberais, e que a mão do mercado, deixada por conta própria, pode fazer besteiras sem tamanho e ameaçar a estabilidade econômica. Falta só esse pessoal que entende de economia estudar um pouco sociologia, antropologia, psicologia, para descobrir que, além de ser temerário limitar a explicação e a administração das relações humanas à racionalidade econômica, muitas das mazelas sociais que enfrentamos hoje tem entre suas causas a aplicação cega dos dogmas econômicos.O que você entende como caricatura do credo liberal, caro, é um recurso irônico para mostrar que nem tudo tem explicações tão simples quanto os mantras liberais anti-Estado repetidos acriticamente blogosfera afora. Como, por exemplo, a defesa incondicional da privatização da previdência, sobre a qual até gostaria de ouvir seu relato, aí, do Chile.



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