Jornalismo comparado

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O Alon, que já até trabalhou no governo Lula, é jornalista sério, inteligente e respeitável, como mostra ao desmontar a farsa do tal dossiê do palácio do Planalto, com perguntinhas simples e bem formuladas, AQUI.

São perguntas objetivas, jornalísticas, e não respondidas até agora pelo Planalto. Como:

Se o banco de dados do Palácio do Planalto é só administrativo, por que o governo não afirmou desde o início que as planilhas impressas sobre despesas de Fernando Henrique Cardoso foram produzidas ilegalmente a partir desse banco e não chamou na mesma hora a Polícia Federal?

Se melhorar a eficiência gerencial é o objetivo do banco de dados de informações sobre despesas com suprimento de fundos na Presidência da República, por que alimentá-lo com gastos de um governo que já terminou? Que tipo de medida administrativa pode ser adotada para aumentar a eficiência de um governo que já se foi?

Vale a pena ler a lista toda. Quando Dilma responder a essas perguntas, se responder decentemente, coisa que duvido, quem sabe eu até conseguirei entender a campanha contra essa notícia movida pelo Luiz Nassif.

Ah, é irrelevante, uma questão menor, não deveria ser o foco da cobertura? Concordo que há destaque excessivo, que há muito debate político importante fora das páginas dos jornais. Mas, nas democracias consolidadas, mentiras públcias de governantes, uso da máquina do Estado para atender a objetivos partidários do governo, constrangimentos políticos de candidatos públicos à sucessão presidencial são sempre notícia, e das grandes. Interessam a todo mundo, incomodam a alguns.

Me espanta que isso não seja reconhecido por gente da qualidade do Nassif (aliás, não entendo por que não consultou as fontes que deve ter no Palácio do Planalto, para ver que aderiu a teorias conspiratórias absolutamente furadas lá no blogue dele).


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Está na Folha, hoje, e não é conspiração de midia: o Valdo Cruz e o Gustavo Patu fizeram as contas de mostram que o anunciado "corte" de R$ 20 bilhões no orçamento foi praticamente anulado por outras duas decisões do governo: a de aumentar em R$ 3 bilhões a receita prevista para o orçamento (dinheiro logo destinado ao superávit do orçamento) e aumentar em R$16 bilhões a previsão de despesas obrigatórias (algumas não tão obrigatórias assim, já que são verba para investimento, do PAC, decisão do governo).

Na minha escola, isso se chamava remanejamento, não corte de verbas. O governo cancelou despesas que os parlamentares tinham definido, com emendas ao orçamento, e direcionou a verba para outras prioridades. Mágica do titio Mantega, que conseguiu fazer o truque encher os olhos de muita gente.

A medida pode até ser justificada, com o argumento de que estão se cortando despesas de custeio para aumentar as de investimento. Mas nem tudo que foi cortado é custeio, e nem tudo que aumentou de despesa é para investimentos. Com o governo confortavelmente usando meias verdades para agerir a economia, fica difícil travar um debate sério, como o propposto pelo Beluzzo, economista dos menos ortodoxos, que recomendou maior controle nas contas públicas...

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Jornalismo se faz desconfiando. Jornalista tem de desconfiar do que querem que ele escreva, e do que ele mesmo pensa em escrever. Quem acha que tem uma causa a defender uma bandeira a carregar acaba tropeçando na bandeira e traindo a principal causa, a busca da verdade dos fatos. Por isso há bons jornalistas de direita e de esquerda. Há princípios éticos que não têm lado.

19 comentários

A primeira pergunta é fácil de responder: como é que você pode afirmar ou deixar de afirmar algo que você não conhece? Essa pergunta só passou a ser "respondível" depois que o Noblat publicou o conteúdo do dossiê no seu blogue.

Não Patrick, você está enganado. A veja tinha publicado trechos, se n~çao me engano, e a Folha, antes de p8ublicar a ma´téria deles, levou até a Casa Civil o material, e o confrontou com o pessoal designado para responder em nome de Dilma. Daí saiu aquela matéria apontando a erenice como responsável pelo dossiê, como reconheceu publicamnete a própria Dilma (que, aliás, reconheceu que a Folha agiu corretamente com eles, ao consultá-los e mostrar o material antes da publicação). O pessoal está tão contaminado pelo mito da conspiração de midia que não consegue reconhecer quando há gente fazendo jornalismo, como fizeram na Folha. Para sua informação e dos freqüentadores do Sítio, devo acrescentar que minha mulher, Marta Salomon, trabalhou nesse caso, embora eu não tenha detalhes proque somos casados em regime de separação de notícias.

Não é teoria da conspiração, eu mesmo já fiz esse comentário no seu blogue. É apenas a constatação a partir de uma análise imparcial do histórico do veículo de informação. Como costuma dizer Howard Zinn, os governos mentem até que se prove o contrário. Se a imprensa tomou o mesmo rumo, problema dela. A Folha vai ter que ralar muito nos próximos anos para recuperar alguma credibilidade.

E aí Sergio, Seu filho estuda na UnB, se não me engano você também estudou (ou ainda estuda?) na UnB, sei que está acostumado a cobrir assuntos grandiosos de política internacional, mas eu gostaria de saber sua opinião sobre os recentes acontecimentos da Universidade. Sobre as denúncias de corrupção do reitor, a ocupação da reitoria pelos estudantes.Faço, ainda, um convite a visitar a reitoria e ver como realmente estão acontecendo as coisas. Hoje é dia de assembleia geral, que deve estar começando agora. Para mais informações este é o blog do movimento: http://ocupaçãounb.blogspot.com

Só faltou você dizer, afinal, qual foi a "mentira pública" do governo. Eu não vi nenhuma até agora, e estou acompanhando o caso com atenção.

No governo tucano, Patrrick, como v. bem sabe, acusavam a Folha de petista. Não vou defender o jornal; como toda publicação comete seus erros, alguns sérios. Mas no que acompanho desta cobertura do tal dossiê, os acertos têm sido maiores que os erros. Não vejo risco de credibilidade, apenas descontentamento de quem acredita nas _várias e diferentes _ versões do governo para o epsiódio. Gabriel, falarei do assunto Unb, cobraste bem. Mas não quero só dar palpite, pretendo pesquisar melhor esse tema. Marcus, a mentira, e eles, governo, sabem muito bem qual é, foi dizer que os dados compostos no tal dossiê são um mero trabalho administrativo. É uma ação política, que sai da esfera das atribuições de Estado para entrar no campo da guerra política, e num terreno minado e condenável, o do uso de informaç~~oes administrativas, sigilosas, do estado, para municiar aliados políticos. Não sejamos cínicos, todo governo faz isso em algum grau. Mas não podemos aceitar, e um sinal de democracia consoldiada é a reação dos cidadãos e da imprensa contra abusos, quando são flagrados. Se não, cira-se um clima generalizado de tolerância com o erro, com o abuso, que é mortal para a sociedade. Se o governoa dmitisse que fez uma ação política, teríamos um debate aberto, uma discussão franca, em que o eleitor poderia até admitir o que foi feito. Da forma como está sendo feito, estão querendo enganar as pessoas; e o papel da midia é buscar a verdade. Conceitozinho fluido e tramposo, mas uma referência, indispensável. Qualquer outra é perigosa para a qualidade do trabalho jornalístico.É um bom debate. O Sítio recebe com gosto as opiniõpes em contrário.

Você está certo Sérgio, eu estou delirando. A Folha é um jornal sério e imparcial, que notícia com igual equilíbrio os problemas no uso dos cartões corporativos das diversas esferas da República (SP: saques em "cash" de 100 mil reais são tratados com tanta relevância quanto uma tapioca), que notícia os desastres públicos em igual proporção (queda do avião da TAM: "gostaria de ver a manchete: governo matou 200 pessoas", versus buraco do metrô e queda do viaduto), e os problemas estruturais da nação (apagão elétrico e aéreo x problemas do trânsito na cidade onde o jornal é editado). Equilíbrio e imparcialidade em seu estado puro.

Meu caro, eu disse que não estou aqui defendendo um jornal, mas um tema, e a cobertura feita desse tema, contra a tese de que a notícia só se explica por interesses escusos da midia burguesa. No caso do tal dossiê, estou com o que o Alon comentou lá no blogue dele. Quero ter um governo transparente, que responda por seus atos, sem tergiversar. Nesse episódio, o Planalto agiu mal. E isso vai ficando claro. Esperemos os resultados da investigação da Polícia federal.

Bom, o site que lhe mandei tem mais moções de apoio, para conferir legitimidade ao movimento, mas alguns textos interessantes, sugiro que pesquise pelos titulos no indice à direita da página. Na Assembléia anterior à ocupação, que contou com a participação de centenas de alunos, foram reivindicados os seguintes pontos, que agora são pontos de pauta da ocupação:1 - Saída imediata do Reitor e Vice-reitor.2 - Dissolução do Conselho diretor.ü Convocação imediata de eleições diretas e paritárias para reitor.3 - Pela paridade nas eleições para todos os cargos eletivos da universidade e na composição de todas as instâncias deliberativas da UnB.4 - Convocação congresso estatuinte paritário.5 - Abertura das contas de todas as fundações da UnB.6 - Que os bens adquiridos para o apartamento funcional do reitor sejam leiloados e os recursos investidos na Casa do Estudante.7 - Abertura imediata de concurso público para professores e técnicosadministrativos para suprir o déficit atual do quadro da universidade.8 - Contra o corte de bolsas permanência feito pela reitoria.9 - Que as bolsas permanência sejam transformadas em bolsas de pesquisa eextensão e que subam para o valor do salário mínimo.10 - Que todos os estágios oferecidos pela FUB sejam exclusivos paraalunos da UnB,salvo os de pesquisa.11 - Pela construção imediata de um Restaurante Universitário no campus dePlanaltina.12 - Garantia da construção de novos prédios de moradia estudantil.13 - Garantia da reforma da casa do Estudante respeitando condições dignasde moradia durante a reforma.14 - Pela ampliação dos horários de circulação do transporte internogratuito da UnB,e que este faca o trajeto ate a rodoviária.15 - Pelo Passe Livre estudantil.16 - Criação de uma linha de ônibus que integre os campi da UnB.17 - Pela construção imediata de novos prédios nos campi Ceilândia, Gama e prioritariamente Planaltina.18 - Pela reforma e melhoria das instalações físicas dos campi da UnB.Para que a mobilização não seja reduzida a uma manifestação contra a corrupção da atual administração. Uma das principais reinvidicações é, na verdade, a eleição paritaria para reitor, além da formação de uma estatuinte, também paritária para a Universidade. Hoje vale a razão 70% para a administração, 15%para servidores e 15%para estudantes em qualquer eleição da reitoria, e na participação nos conselhos.

Leo, tenho que discordar em 5 aspectos, também em busca da verdade factual.1) A oposição questionou a qualidade e quantidade de gastos das despesas presidenciais. É natural que a Casa Civil faça um levantamento de uma série histórica para comparar períodos e padrões de gastos, até para ver se o governo atual está realmente cometendo extravagâncias, se comparados ao anterior. Eu faria, você faria, qualquer um que estivesse ali faria este levantamento. É o normal a fazer, até para se justificar. Erenice admitiu isso, Dilma admitiu isso, e chamou de bancos de dados.Daí a afirmar que é um dossiê para chantagear a oposição, é um teste de hipóteses por conta da Folha e da Veja (e seu). E quer queira quer não, a ministra Dilma tem o benefício da dúvida a seu favor.2) A Folha, Veja e demais jornais sequer abordam um ângulo da questão: se Álvaro Dias quebrou ou não decoro. Não foi o mesmo tratamento dispensado a Renan, nem a José Roberto Arruda (para citar um caso bastante semelhante de um Senador que apenas viu uma listagem ilegal). Isso demonstra um noticiário bastante parcial, ainda dentro do tema dossiê.3) Chantagem é quando você tem informações que se reveladas incriminam o outro e não você. Qual o sentido que chantagear usando informações sigilosas que se reveladas incriminam o chantageador e não o outro? Eu gostaria que jornalistas envolvidos no tema usassem este raciocínio óbvio que enfraquece a tese de chantagem, nem que fosse para contestá-lo com argumentos convincentes.4) Você jura que acredita que se fosse montado um dossiê contra FHC pelo PT, o que seria publicado seriam estas singelezas que saíram? Não daria pelo menos para desconfiar de sua própria tese de dossiê para chantagear a oposição?5) A Folha e outros sentenciaram a Ministra como culpada por motivações políticas para fazer tal levantamento de foram sigilosa dentro da Casa Civil. Me lembrou do tempo da ditadura quando quem tivesse livros ou escritos e estudos, mesmo em sua residencia particular, que "constrangesse" o regime era acusado de "subversivo". Ontem era o Estado quem acusava, hoje é a imprensa e a oposição quem está acusando Dilma de ter atividades "subversivas" contra a oposição, por uma coisa que ela fez dentro de suas atribuições funcionais, e não tornou pública.É por isso que expressões como partido da imprensa golpista cai como uma luva quando testa-se esse tipo de hipóteses em redações.Abraços

Sérgio,As perguntas do Alon são boas...mas as do J Augusto também são. Não é a imprensa que é golpista, é a oposição. PDSB e DEM estão completamente sem poder, o povo todo do lado do presidente, sem um nome para disputar as próximas eleições e vendo que o governo do PT pode levar um terceiro mandato fácil. Estão desesperados e estão usando a imprensa para tentar desmontar o "poder do pt". Eu nem gosto disso, acho uma m.... que o Brasil fique assim tão rendido a um só partido. Mas...a imprensa está ajudando essa oposição fraca - muito fraca...pelo amor de deus, - repercutindo como se fosse essencial, fatos que são apenas briga entre eles. Enquanto isso, temas importantes, como esse que vc levantou sobre os gastos e os cortes de orçamento, ficam só em notinhas.E quando a gente fala em imprensa precisa ficar claro que são os donos dos jornais, não os pobres assalariados que correm atras de notícia. Os donos da imprensa hoje mandam, como nunca antes nesse país, na cabeça dos coleguinhas. É impressionante!

" Prestes a ser votada - com fortes chances de aprovação - no Congresso, a proposta da Receita Federal que altera a tributação sobre a importação de 11 produtos causa constrangimentos ao governo. "Ok, o leitor deve ser poupado do jargão mercosulino (Nomenclatura Comum do Mercosul e expressões tais). Mas falar em 11 produtos passa uma imagem equivocada: a medida é muito mais ampla que isso, abrangendo 11categorias de produtos, as quais compreendem nada menos que 2.175 produtos (mais de 20% do total de produtos da NCM). Não teria custado muito baixar a NCM do site do MDIC e fazer a soma (http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1206446377.zip).---"O Brasil se comprometeu na OMC a não aplicar tarifa superior a 35% para nenhum produto"De novo o mesmo erro daquela sua outra matéria? Ou vc explica que 35% é a tarifa máxima para produtos industrializados ou dá o percentual correto, que é 55%.---" "O importante é ter o mecanismo (a tarifa); os problemas podemos resolver caso a caso, na regulamentação", argumenta o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel. Não dá pra resolver os problemas caso a caso: o Acordo sobre Valoração Aduaneira (Art. 7.2.b), do qual o Brasil é signatário, proíbe fixar duas alíquotas distintas (digamos, ad valorem e ad rem) e escolher em cada caso aquela que for mais alta. Seria interessante ter perguntado ao presidente da ABIT como ele pretende superar esse problema.Também teria sido interessante perguntar ao presidente da ABIT qual a relevância da medida para o setor têxtil, uma vez que a TEC de vestuários já está em 35%. Ou ele defende abertamente que o Brasil perfure o teto consolidado ou reconhece que a medida será inócua.---"Os EUA, a Argentina e outros países usam esse tipo de tarifa. Enquanto isso não se define na OMC, temos de cuidar da nossa vida." A tarifa específica, defende, é a forma mais eficiente de evitar importação com preço subfaturado. "Os EUA usam esse tipo de tarifa porque resguardaram essa possibilidade no acordo da Rodada Uruguai. Estão dentro da lei, portanto. Já a Argentina, que à época não tomou o mesmo cuidado, foi condenada posteriormente na OMC por aplicar tarifas ad rem em nível superior às sua consolidações. Nenhum dos dois casos, portanto, serve como exemplo para o Brasil.

j augusto, aiaiai, já comento suas observações. quero só responder logo ao Barnabé, que fala de uma matéria minha publicda hoje no Valor. Meu caro, tens razão, eu havia escrito originalmente "tipos de produto"; a matéria ficou grande, não me lembro se eu mesmo cortei ou foi na edição, depois confiro. Os produtos a que me refiro no texto são industriais; daí usei abtarfia máxima. Eu perguntei ao Pimentel sobre esse detalhe; ele me lembrou que a alíquota para confecções é de33% (não 35%), e, para outros produtos, é menor. Mas sua observação é válida: a menos que o país decida romper os compromissos com a OMC, essa medida é inócua para grande número de mercadorias. Você notou bem os problemas na argumentação do Pimentel. Me dava a impressão que isso ficaria evidente no texto. Em breve o valor publica um artigo sobre esses detalhes jurídicos. grande abraço. A matéria a que o barnabé se refere está aqui:http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=442543

Caros j augusto e aiaiai, interesssantes as questões que vocês levantam. Mas não me lembro de ter lido na Folha, nem eu falei sobre "chantagem". Só a veja falou disso, e sobre isso não comentei, já há quem esteja, na blogosfera, apontando as falhas da revista. Foi montada uma base de dados, dossiê , coleção de informações.Essa base de dados, contrariamente ao que se esperaria de um levantamento administrativo, para comparação de dados, foi feita num programa à parte, fora dos tradicionais mecanismos de controle no Planalto. Aparentemente, dados sigilosos foram repassados ao Congresso. Isso é notícia. O Planalto deu várias versões para o episódio. Isso é notícia. Ele está na esfera da Casa Civil, comandada pela pessoa que Lula apontava como sua futura sucessora. Isso é notícia. Os casos de Arruda e Renan são muito diferentes do de Álvaro Dias; consulte um especialista em regimento, e verá que Dias não divulgou dados que teria a obrigação de manter em sigilo (ao contrário de Arruda). Há informações de fontes do Planalto, não publicadas porque não há como provar, de que havia um comportamento estranho por parte de alguns dos responsáveis pela coleta de dados (não é notícia, mas ajuda a avaliar as informações coletadas pelos repórteres). A imprensa não tem feito uma boa cobertura do governo Lula e mostra um certo viés de simpatia pelos tucanos. isso não é notícia, mas explica a má vontade de muitos leitores para com a cobertura, vendo, às vezes, chifre em cabeça de cavalo e cedendo à manipulação de forças políticas interessadas em fugir da notícia.

Léo,Desculpe insistir em discordar. Vou tentar acrescentar para não ser repetitivo.Você não usou o termo "chantagear a oposição", mas usou "uso da máquina do Estado para atender a objetivos partidários do governo", que chega na metade do caminho.O Kennedy Alencar da Folha chegou a falar em Dilmagate. Watergate foi o governo espionando sede de partido da oposição. O tal "dossiê" é documento do Estado brasileiro manipulado por autoridades constituídas para isso, são coisas completamente diferentes.Tudo o que você disse que é notícia, é notícia sim. Mas as questões que eu levantei deveriam ser levantadas junto com a notícia.Lembra do dossiê Cayman? Era notícia e foi noticiado. Mas com viés correto. Com a devida desconfiança, sem pré-julgar os acusados no documento, que depois comprovou-se falso.A ministra disse estar fazendo um Banco de Dados, ela não mentiu. Disse estar levantando dados para estar à disposição da CPI se assim fosse determinado. Não estava mentindo. E nesta afirmação dela cabe muita coisa.A ministra disse que não fez dossiê nenhum contra a oposição. Pode ser perfeitamente verdade. Porque o noticiário nunca reconheceu isso?O que a Ministra não afirmou textualmente (e não tem necessariamente que afirmar), e não mentiu, é que pode ter acontecido a HIPÓTESE de que tenha pedido um levantamento de informações sobre os gastos da presidência da República no governo passado. Pode até ter pedido com ênfase em gastos "exóticos" como afirma o jornal, que seria perfeitamente normal. Como eu disse está dentro das atribuições dela, pois seria normal compará-los aos do governo atual para ver padrões, até para saber se há abusos no governo atual.Isso ainda não está informatizado no SUPRIM. O encarregado de tal levantamento poderia fazê-lo anotando em papel manuscrito, ou usando uma planilha, já que dispõe de um notebook. Não existe necessariamente nenhum dossiê nisto. Ainda que tenha vindo da casa civil a planilha, o faro do jornalista deveria ver que o próprio conteúdo das planilhas apresentadas nos jornais seria um rascunho, em formato e conteúdo completamente impróprio para ser apresentado como um dossiê. Podeia até ser um embrião de um dossiê (hipótese novamente), mas não um dossiê.As explicações de Dilma sobre o TCU, etc, fazem parte do jogo político, como todos sabem, só que não interessa à oposição admitir. Ela pode ter comunicado mal, mas dizer que está simplesmente mentindo é um pouco demais. Ela estava apenas atravessando o campo minado, tentando não pisar em nenhuma bomba. Para você ter uma idéia, se ela mostra outra versão das informações sigilosas para contradizer ou confirmar a Folha, pronto! Teria caído na armadilha. Aí ela é quem teria vazado informações sigilosas, para deleite da oposição.Isso explica em grande parte o comportamento estranho de funcionários da Casa Civil, do Planalto.Eu acho que o Nassif está fazendo um contraponto, se muito light, indispensável ao equilíbrio na cobertura do caso.

A oposição está desesperada com o crescimento da aprovação popular do Lula. Isso é notícia! Eu não sou petista nem lulista, sempre votei em quem achava que representaria melhor os meus pensamentos em cada momento. E, agora, tenho que reconhecer que a grande maioria da população quer PT de novo. Isso desespera a oposição. E até a mim. Eu gostaria de ver uma mudança, acho saudável para a democracia que haja mudança no poder, mas com essa oposição que está ai, não vai dar.O DEM ficou mais de 50 anos no poder (com nomes variados) e agora se vê completamente perdido. Metade dos seus se aliaram ao "inimigo" PT e eles não conseguem chegar a um acordo com o outro inimigo do PT, que seria o PSDB.O PSDB, que era um partido excelente para os padrões da democracia brasileira, está sendo comandado por um histérico - Arthur Virgílio.Agora, temos outra notícia, dessa vez patética - a instalação de uma natimorta segunda cpi dos cartões corporativos.Não devia ter existido nem a primeira. Só fizeram porque acharam que iam conseguir atingir a dilma.Ai, totalmente contra a minha vontade, tenho que concordar com a Ideli, só queriam chamar a dilma lá para queimar ela como opção de candidata a presidente em 2010. Não deu certo.E o povo, caro sérgio, tá nem entendendo o que se passa. Tá adorando ver o lula lá na holanda falando que os pobres estão comendo mais!

Léo, só para completar:Se Dilma (ou mesmo Lula) é candidata a presidente teria sentido fazer dossiê contra Serra ou Aécio, não contra FHC.Se fosse intenção de fato fazer tal planilha para constranger a oposição, porque não vazar a foto de uma nota fiscal constrangedora de uma vez (falou-se até em órgão genital masculino de borracha), em vez de uma tela de computador?FHC e seus assessores do Planalto sabiam o que gastou. Para constranger a oposição bastaria fazer o que fez a CPMI à luz do dia, determinar que as contas fossem analisadas desde 98.Não há qualquer necessidade de materializar em uma planilha o que FHC sabe que gastou para constrangê-lo. Não faz o menor sentido.A tese de dossiê para ser usado para constranger é muito fraca. O raciocínio não fecha.

Vim aqui pra comentar mas J Augusto já destacou os aspectos que pretendia sublinhar:"uso da máquina do Estado para atender a objetivos partidários do governo"Quer dizer, você não concorda, Sérgio, que tudo que é inconfessável nesse episódio exige, como pressuposto, que a elaboração do banco de dados tenha o propósito de "coagir, chantagear, ou representar interesses partidários"? Portanto, se não há nenhum uso indevido das informações coligidas e mantidas em sigilo até o espisódio -- o que resta para condenar? As intenções de usá-las no interesse do governo, é isso?

O PiG despirocou de vez: agora mistura o caso Isabella com Dilma e Lula.



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