"Certa vez tive de levar a Machado de Assis uma carta de meu pai demitindo-se do lugar de consultor técnico do ministro da Viação. O engenheiro deixava o seu cargo por solidariedade com um amigo, injustamente atingido num caso escandaloso da administração. Levei essa carta danado da vida. Fui todo o caminho pensando que Machado de Assis havia de formular a respeito do ato de meu pai uma filosofiazinha desagradável. E eu só de imaginar nisso tinha vontade de bater em Machado de Assis.
Em suma eu achava, e ainda hoje acho, que Machado de Assis era um monstro. Um monstro que não fazia mal a ninguém, que nunca haveria de fazer mal a ninguém, mas não obstante um monstro."
Manoel Bandeira, como disse um biógrafo, conheceu Machado de Assis e sobreviveu a Graciliano Ramos. Adolescente, engasgou ao recitar uma estrofe do Lusíadas para o bruxo _ o "grande esquizóide", define Bandeira. E, me conta o Alex Ribeiro, a Piauí publica, agora, um inédito do poeta, contando encontros com o bruxo e falando de outras literariedades, como a crítica ao amigo Oswald de Andrade, de um tempo em que os críticos literários não tinham medo de desancar os amigos...
Assim como um bando de escritores hispano-americanos (alguns bons, até) decidiu, tempos atrás, que falar mal do Garcia Marques era de bom tom, para se diferenciar no mercado, ensaiaram-se no Brasil umas pedradas no Machado, que caíram no vazio, pelo ridículo. Bandeira desanca o mestre, mas a pessoa, não o monstro literário. Como este Sítio ainda não comemorou os cem anos de Machado fica aí esse link, como.
Em suma eu achava, e ainda hoje acho, que Machado de Assis era um monstro. Um monstro que não fazia mal a ninguém, que nunca haveria de fazer mal a ninguém, mas não obstante um monstro."
Manoel Bandeira, como disse um biógrafo, conheceu Machado de Assis e sobreviveu a Graciliano Ramos. Adolescente, engasgou ao recitar uma estrofe do Lusíadas para o bruxo _ o "grande esquizóide", define Bandeira. E, me conta o Alex Ribeiro, a Piauí publica, agora, um inédito do poeta, contando encontros com o bruxo e falando de outras literariedades, como a crítica ao amigo Oswald de Andrade, de um tempo em que os críticos literários não tinham medo de desancar os amigos...
Assim como um bando de escritores hispano-americanos (alguns bons, até) decidiu, tempos atrás, que falar mal do Garcia Marques era de bom tom, para se diferenciar no mercado, ensaiaram-se no Brasil umas pedradas no Machado, que caíram no vazio, pelo ridículo. Bandeira desanca o mestre, mas a pessoa, não o monstro literário. Como este Sítio ainda não comemorou os cem anos de Machado fica aí esse link, como.

