Café literomusical, sem música

Já contei aqui a vez em que, cobrindo alguma patuscada do Mercosul, no Paraguai, me espantei num café com a quantidade de escritores sul-americanos de quem eu nunca tinha ouvido falar. Como mais latino-americanos continuam escrevendo (para quem? para quem?), essa lista só cresce, desde então, saudando com risinhos sardonicos as tentativas de vencer minha ignorância literária (sempre quis usar um riso sardonico em um texto, desde que li a expressão, num pocket book dos anos 70, tradução portuguesa; tratava guarda de "tira" ou, melhor, de "chuí").

É hoje, uma literatura universal, cosmopolita sem ser alienada, avessa a rótulos e a fôrmas. Os modelos estão também no primeiro mundo, mas não só:

"Mientras los escritores europeos o norteamericanos suelen leer sólo literatura de sus propios países, en América Latina se puede encontrar a mexicanos que leen a Kawabata, argentinos que apuestan por Janet Malcolm, colombianos que siguen a Conrad, peruanos aficionados a Modiano, puertorriqueños fanáticos de Ngugi Wa Thiongo, guatemaltecos fervorosos de Vila-Matas, chilenos obsesionados con Clarice Lispector". Lecturas universales combinadas con las de sus paisanos clásicos, como José Eustasio Rivera, Alejo Carpentier, Jorge Luis Borges, Juan Carlos Onetti, Juan Rulfo, Rómulo Gallegos, Mario Vargas Llosa, Julio Cortázar, Carlos Fuentes, Augusto Roa Bastos o Gabriel García Márquez.

Casi todos han renunciado al afán totalizador de construir novelas o proyectos literarios que explicaban una época y que ha caracterizado a la literatura latinoamericana, asegura el escritor peruano Diego Tréllez (El círculo de los escritores asesinos), que publicará en verano una antología con autores de la última generación. Los nuevos narradores describen mundos más cercanos, íntimos. Hacen de lo particular y singular lo universal. El amor, la soledad, el desconcierto, la muerte, la inmigración, el éxito, la envidia, las repercusiones del 11-S, los nuevos miedos, el desamparo, las ilusiones, las dudas o las diferentes formas de violencia que van moldeando el mundo. "

Esse é um artigo do Babelia, suplemento literário do El País e socorro de muito blogueiro sem assunto, que comenta para onde vai essa literatura latino-americana, que, para meu alívio, deixou de lado a mania idiota e deseprada de falar mal de Garcia Marquez e outros monstros da hispanoliteratura (assim como esteve em moda, tempos atrás, entre pobres de espírito, falar mal de Machado de Assis, inveja é uma merda).



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