julho 2008 Archives

Saindo da tumba

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Falei AQUI sobre blogues, jornais e futuro, impressionado pelo veredito que os gringos botaram na cabeça do Fernando Rodrigues, de que os jornais estão com os dias contados. Nessa brincadeira, descobri até uma interessante análise do professor Idelber (perdão pelo pleonasmo; existe análise do Idelber que não seja interessante?), sobre blogues, ESSA AQUI.

Hoje, porém, acordei com um fantasma, que largava tinta pelo meu quarto e exalava um cheiro estranho (ele me explicou ser resultado do sol que tinha pego de manhã, enquanto, trancado no carro, esperava que eu acordasse). Era o espectro da mídia impressa, que, exultante, me estendia uma xerox do Jornalistas & Cia:

"Veja, veja", falou com sua voz gutural. "Isto é, digo, olhe isso aqui", corrigiu-se, apontando uma notinha no simpático periódico. Pensei, pelas palavras sussurradas em tom sensacionalista, que ele falava de revistas, mas não, era sobre os jornais que ele queria chamar atenção:

Os 30 maiores jornais do país filiados ao IVC, responsáveis por 83% da circulação total, cresceram em média 8,8% no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período de 2007. Os que mais avançaram foram os populares Aqui MG (128%), Super Notícia (67%), Daqui (58%) e Expresso da Informação (27%)...A Folha de S. paulo liderou o ranking geral de circulação, com 317 mil exemplares diários e crescimento de 5,9%, seguida pelo Extra (315.246, com queda de 0,2%), Super Notícia (301.362, alta de 67%), O Globo (281.823, alta de 2,4%), O Estado de S. Paulo (257.810, alta de 8,1%)...

Aqui MG? Expresso da Informação? Super Notícias? Que diabos são esses, pensava eu, esfregando os olhos remelentos. Mas a nota seguia, nas mãos trêmulas do ectoplasma emocionado, que amarelecia banhado pela luz matinal: a Zero Hora aumentou em 1,3% a circulação, o Diário Gaúcho, 10,4% e o Lance, 5,8%. É, os jornais crescem acima da taxa de crescimento da população adulta, o que só pode ter duas explicações: ou desocbriram uma maneira de usar jornal para traficar entorpecente ou está crescendo o público leitor desse antiquado objeto portador de notícias.

A turma quer jornal, não tem é dinheiro. Só espero que isso sirva de incentivo para nós, jornalistas, melhorarmos um pouco essa salsicha que andamos fazendo. Os bons (como os maus) momentos da reportagem pipocam todo dia, em várias páginas nesses jornais. Não há motivo para que eles não sejam a regra _ a não ser, talvez, a deterioração das condições de trabalho nos jornalões, com salários e tamanho das redações em queda.

Hirto, ao lado da minha cama, o fantasma dos jornais cobrava que eu escrevesse esse post. Amarrotando um sorriso, ensaiou até uma desforra tardia contra o Mark Twain: "como vê, Sergio Leo, as notícias sobre minha morte estavam bastante exageradas...."

Pé de pato, mangalô tres vezes.

E o Gil saiu

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Gilberto Gil foi um ministro bacana, criou pontos de cultura, sacolejou _ sem derrubar _ os esquemas de patrocínio cultural, incentivou o compartilhamento de conteúdo nos moldes da comunidade virtual, sem a obediência cega aos ditados das leis de direito autoral. E me trouxe lágrimas aos olhos.


Foi na Ilha de Goré, no Senegal, visita de Lula à África. Ele e a comitiva conheceram o entreposto de gente que funcionava como ponto de partida dos navios negreiros. É mantida como uma espécie de museu a construção onde armazenavam as pessoas a serem vendidas como escravos, principalmente ao Brasil. a foto acima é da "porta do nunca mais", por onde saíam os escravos para o além-mar; alguns nem chegavam ao porto, morriam no caminho.

As cores da construção são alegres, o astral pesadíssimo. Um guia conta a história de cada sala, a das mulheres, a dos homens, a das crianças (as meninas virgens valiam mais), o buraco embaixo da escada onde botavam para mofar os mais resistentes, o local onde engordavam como gado os mais combalidos. Na hora dos discursos, todos ainda meio escabriados com o peso da história no local, o Gil me canta à capela, seu belíssimo La lune de Goré . Quem não chorou discretamente na hora, ou era surdo, ou tem coração de pedra. A história está contada em livro, do Leonêncio e do Escolese .

(um dia conto aqui no Sítio no fim da viagem,quando conheci um senegalês que queria andar comigo de mãos dadas e ainda quis discutir a relação. mas fica para outra hora; contando junto com esse episódio comprometedor para minha cultivada imparcialidade jornalística, vão acabar pensando que milito no terceiro setor).

Mas o assunto era o Gil, e hoje lá estava o Baron, reporter fotográfico do Valor e, nas horas de devaneio, pauteiro deste humilde Sítio. Foi o único a notar que o Gil já estava pronto para dedilhar o violão com vontade, antes mesmo da despedida de ontem. Ó o tamanho da unha do ex-ministro.


O Baron viu, também, uma tiete aproveitando o momento com o dispositivo fotográfico de um Iphone. Opa, mas não é a Flora Gil? Pela lente do amor/ pela lente do amooooor. Ah, é belo o amor. Até quando vem da empresária.

Cumprindo o lema do Sítio

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Para o colunista do Wall Street Journal, é um mecanismo de busca que vasculha fotos como um crítico de arte que tenha perdido seus óculos bifocais: o programa é guiado por campos de cor, mais que formas e linhas. (não entendi muito bem a comparação; os críticos de arte do Wall Street Journal devem ter lá suas manias, e detestar certos teóricos . Mas vale a descrição: é um mecanismo de busca de imagens meio míope e hipermétrope ao mesmo tempo).


Como ferramenta de pesquisa, na verdade, está a séculos-luz do Google; mas é extraordinário como experiência estética e diversão (a seção do WSJ que traz essa notícia, aliás, chama-se Time Waster _ Desperdiçador de Tempo, se podemos traduzir mal assim).


É o Retrievr, software que permite ao usuário desenhar um esboço e buscar, a partir do desenho, imagens arquivadas no Flickr que tenham semelhança. Eu disse semelhança? Minhas experiências com o software, que descobri lá no Pedro Dória, pareceram mais testes de Rorschach, aqueles em que o sujeito vê borrões e diz que idéias eles inspiram em sua mente doentia. No caso, eu produzi os borrões; as maluquices ficaram por conta da máquina.


O Aaron Rutkoff, do WSJ, explica como funciona o troço: o programa arquiva esquemas simplificados das fotos, baseado em 120 características gerais como formas marcantes, blocos de cor e relações espaciais entre s áreas de cor. Esses esquemas são comaprados com os desenhos feitos pelos usuários, e o Retrievr sugere possíveis fotos relacionadas ao desenho.Os autores sugerem capturar o "esquema maior das coisas", dar atenção à colocação das cores, mais que aos detalhes, se você imagina mesmo encontrar alguma foto específica que esteja na base de dados do Flickr.


Por enquanto, é passatempo. Ou fonte de inspiração para artistas amantes do aleatório. Mas vale experimentar, AQUI.


Essas são fotos que vieram a partir de um mesmo esboço feito por mim:






Eu tinha desenhado um veleiro. Curioso que aquela árvore da ponta é igualzinha a uma que desenhei no meu primeiro psicotécnico para tirar carteira de motorista. Fui obrigado a fazer novo teste.

Esse programa é o mais cruel crítico de arte que já encontrei. Ou o psicanalista mais invasivo de quem já freqüentei o divã.

Santa alienação, Batman!

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Não existe o mal pelo mal, o mal sem explicação, a maldade gratuita. Tudo tem uma explicação sociológica, antropológica, psicológica, racional, até quando a ação maligna é, ela própria, aparentemente irracional, impulsiva, movida por paixões.

Não vi e não gostei do filme Batman (minto, adoro efeitos especiais; mas, como resisto isolado a essas massacrantes campanhas de marketing, só verei o filme na televisão, quando passar na sessão da tarde, em um ano). Como os bons livros, e mais rapidamente que eles, esses filmes de consumo ligeiro costumam ser dissecados em milhares de críticas e resenhas nos jornais, o que permite a um cinéfilo ranzinza como eu tecer considerações sobre o filme que não assisti.

E digo só uma coisa, do ponto de vista ideológico (já que, do estético, fica mais difícil em minha ignorância): temos aí mais uma peça na campanha hollywodiana para nos fazer crer que o mundo é assim porque é, e não poderia ser de outro jeito. Nesse caso batmaníaco, a mensagem é que os crimes e a violência não têm razão plausível, a não ser a mentalidade doentia dos criminosos.

Contra meus hábitos, até li o bem escrito artigo do Jabor, hoje, no Estadão. E ele cai nessa esparrela direitinho. Chega a comparar o Coringa com o Osama Bin Laden, ambos assassinos sem motivação aparente, diz ele. Por Alá.

Alguém em Hollywood deve acreditar nisso mesmo; outros, quem sabe, maquiavelicamente querem fazer com que todos creiam nisso. Enquanto as pessoas assistirem o aumento da violência à volta pensando ser algo inexplicável, mero reflexo da maldade que habita os corações humanos, continuaremos indo para o buraco, comendo pipoca alegremente, para sentir medo à saída do cinema.

O ponto do Molica

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Tenho um amigo escritor. Tenho vários amigos escritores, mas esse estudou comigo, era do cineclube da faculdade _ no tempo em que as faculdades tinham cineclube, e filmes eram proibidos mas passavam, meio na surdina, ver franceses herméticos era um ato revolucionário. Quando falei dele pela primeira vez, neste blogue (onde está esse texto? nem me lembro mais), fiquei com medo de estar sendo condescendente, a amizade sabe como é; mas eu tinha adorado o Notícias do Mirandão, do Fernando Molica.



Depois, soube que traduziram o livro até para o alemão, com críticas laudatórias na imprensa local. Até aí, pouca coisa, alemão anda aplaudindo histericamente até candidato democrata à presidência dos EUA. Mas soube, também, que o Ruy Guerra comprou os direitos do livro, para filmar a história, cáustica, de um grupo de esquerda decidido a fazer a revolução, que se alia aos traficantes, porque, afinal, se a idéia é convocar o povo às armas, esse povo já está até armado.



Ando bem acompanhado, então, como tiete do Molica. O livro foi a estréia dele na ficção (embora os amigos digam que algumas das matérias dele para a grande imprensa já poderiam receber a etiqueta, grande cascateiro, esse Molica); começa meio chatinho, com a paródia que faz dos discursos de militantes de esquerda, mas tem uma excelente desenvolvimento, intriga, suspense, uma descrição arrasadora da relação entre jornalista e fonte policial (coisa incrivelmente atual, nesses tempos protogênicos, embora no plano fedral a coisa seja bem diferente).



Lendo, hoje, o noticiário, passei a suspeitar que o Molica não inspira só cineasta. Não é que o José Rainha também andou misturando teoria revolucionária e conversas com os donos dos morros?

2º clichê _ Orelana, o repórter ranzinza que também foi meu colega de faculdade, põe nos eixos essa história do Zé Rainha (que, aliás, já irritou o marcus, nos comentários aí embaixo). Para ele, isso é mania dO Globo de provocar a histeria da classe média com os fantasmas de plantão. MST aliado ao tráfico é dose, lembra ele. "Aliança para quê? Para invadir a General Urquiza? Para tomar o Bracarense?". O tal do Nem, com quem o Zé Rainha se deixou fotografar, é um traficante de nada, logo será substituído por outro mané, garante Orelana. A verdade, Orelana, é que os traficantes começam, de fato, a interferir na vida política da favela, e, por extensão, do Rio. É a tendência natural. Se é o Nem ou o chefe dele, o Mastambém, é detalhe. Não dá para aceitar que as milícias se imponham sobre o tráfico e a polícia seja incapaz de fazer o mesmo _ sem recorrer aos métodos truculentos dos milicianos, claro. O livro do Molica, aliás, msotra uma das razões para isso.



Continuo recomendando o Notícias do Mirandão, um daqueles livros essenciais. E comecei neste fim de semana a ler "O Ponto de Partida", o livro mais recente do cara, que chegou a fazer até blogue para o lançamento, e depois sossegou o facho noutro blogue, AQUI.



Comprei o livro, capturado pelos primeiros parágrafos, despretensiosos, leves (só quem já tentou escrever assim sabe como é difícil), que traduzem com simplicidade o clima de redação de jornal, que abre caminho para a parte mais, como dizer, noir do romance:



Pode parecer engraçado, mas, naquela época, repórter não precisava escrever. Sério. O João Carniça era um que não conseguia juntar duas palavras. Mas apurava pacas, era complicado correr com ele, muito garoto novo penou, tomou furo do João. Ele, coitado, nem tentava escrever. Só que começou a chegar nas redações uma molecada de faculdade, uns cabeludos de livro debaixo do braço, de bolsa de couro, e, principalmente, umas menininhas de calças jeans, de camiseta, sem sutiã, umas gracinhas.


Todos sabiam escrever, iam pra máquina e disparavam, igual a metralhadora. E o João ficava cabreiro, meio envergonhado com aquela história de chegar da rua e ir direto até a mesa do seu redator, é, havia um redator que cuidava dele, um personal writer: não era todo mundo que conseguia transformar em matéria a apuração dele, aquelas anotações complicadas, rabiscadas num bloco seboso, meio nojento. Mas o João chegava, ia pra frente do redator e começava a contar a história. Engraçadíssimo, tinha gente que parava de trabalhar só pra ver. O João quase se perfilava diante do cara, punha os óculos de leitura, dava uma lambida no indicador, virava uma página do bloco e começava a recitar.


Ele tinha uma voz forte, assim meio de barítono; não ditava, declamava a ocorrência. O começo era quase sempre o mesmo: "Uma viatura comandada pelo sargento Fulano de Tal, da Polícia Militar..." Ou então: "Como decorrência" - ele adorava o "como decorrência"- "das investigações conduzidas pelo delegado Melquíades Peixoto, do 25º Distrito, a polícia logrou êxito ao prender o marginal Carlinhos do Cabuçu, que desde ontem deixou de se constituir em um perigo para a sociedade." O tal do delegado Peixoto era compadre do João, estava sempre naqueles ditados que ele fazia para o redator.



O sujeito ficava ali, ouvindo a lengalenga, e ia transformando aquilo em matéria, em texto publicável. Mas o João foi se chateando, se sentindo meio humilhado, era um dos poucos que não escreviam matéria. Ficava assim meio triste quando via aquelas mocinhas bonitas, novinhas, redigindo o próprio texto. E pediu pra começar a escrever. Conversou com o redator, tomou algumas lições, faça isso, aquilo, evite os adjetivos, não precisa dar sempre o nome do delegado, do sargento, do soldado, cuidado com as acusações. E, claro, não repita palavras, isso empobrece o texto, cansa o leitor. O João ouvia, anotava, arrumava aquelas coisas todas na cabeça. Ficou impressionado com aquela história de não repetir palavras: "Ah, é assim, é?" E num belo dia foi fazer uma matéria sobre o assassinato de um pescador, o cara, sei lá, morava em Niterói, parece que tinha sido esfaqueado pela mulher, um negócio desses. Tinha bebido demais, o de sempre.

(na foto, Molica anuncia ao críticos em Berlim que pretende lançar um segundo livro traduzido para o alemão)

Sobre blogues, jornais e fantasias

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Amigo de blogueiros excelentes e leitor de outros também indispensáveis, duvido que os blogues substituam o jornalismo empresarial, como muita gente acredita, e defende.

Basta uma olhada pelos blogues mais cotados. A maioria repercute e analisa notícias produzidas pela indústria da midia. A maioria de blogues que produz notícia própria é de jornalisats pagos por empresas. Ou vinculados a algum esquema empresarial, em grandes portais, de companhias de midia ou de telecomunicações.

Não estou dizendo que blogueiros não produzam informações de primeira mão. Também produzem, e muito, mas não é seu negócio principal. Até onde vejo, os blogues optaram consciente ou inconscientemente, por um papel complementar, de crítica da midia e das notícias veiculadas pela grande imprensa.

O Fernando Rodrigues voltou de Harvard defendendo que os jornais estão condenados. Que a Internet mudará tudo, e enterrará os dinossauros impressos que sujam nossas mãos. Ele me avacalhou quando falei que só haveria mudança de tecnologia, que as pessoas teriam jornais de polímero conectados à rede, com atualização de notícias em tempo real... "Isso é coisa de velho, como você e eu, ô Sergio Leo!", cortou ele. "A garotada vai ver notícias, mesmo, é por isso aqui", me disse, agitando o celular. Acabou a diagramação, a apresentação simultãnea de notícias arrumdas de acordo com os critérios da redação, garante o egresso do primerio mundo.

Sei não. mas não tenho opinião formada. Sei é que não acabarão as empresas produtoras de conteúdo, e que não acabará a a demanda por especialistas formados e treinados em captação de informações e apresentação delas sob a forma de reportagens. Aí podem até entrar blogueiros, mas numa condição especial, de comentaristas convidados, como hoje entram colunistas especializados nos jornais.

As chamadas hard news, essas serão apuradas e transmitidas por jornalistas (que eu defendo serem formados na Universidade, em cursos especializados como hoje, até para que aprendam que se pode fazer jornalismo diferente do que encontrarão ao entrarem nos jornais, rádios, tvs e portais de Internet)

Bom, na verdade eu achava isso, mas o Marcelo Soares me vem com essa história, que mostra como esse universo noticioso do futuro é bem mais complexo, e escapa às nossas previsões:

"Um estudo da Thomson Reuters aponta que notícias sobre índices financeiros e outros dados brutos podem vir a ser produzidas pelo computador, diz a Press Gazette. Isso vai desde o oferecimento de bancos de dados até a produção automática de textos a partir de números divulgados."

Estão criando programas para receber automaticamente dados brutos e produzir, com eles, textos jornalísticos. Eu já pensei em criar formulários noticiosos, para matérias repetitivas como os ados da balança comercial e balanço de pagamento, dados estíticos do IBGE sobre inflação ou emprego, e, quem sabe, até algumas noticias de política.

O reporter puxaria o formulário e teria o trabalho apenas de inserir os números, acrescentar nomes e optar entre as alternativas "subiu", "desceu", "aumentou", e informações do gênero. Pelo jeito, como diz a nota, AQUI, do Marcelo, estão levando isso a sério, e dispensando o repórter...

O negócio é que, nesse cipoal de informações, as pessoas vem buscando blogues e veículos jornalísticos à cata de mais do que os dados brutos, procuram análises, interpretações. Esse é o caminho dos jornais, penso eu.

E seu grande desafio: em uma sociedade cada vez mais mobilizada e conectada, com grupos de pressão ativos e coalizões políticas formadas na rede por pessoas com os mais diversos níveis de informação, o jornalista terá de ser aquele capaz de encontrar um "ponto ótimo" da informação, uma "verdade" que seria a interpretação passível de ser aceita como honesta pelos diversos agentes políticos.

Entre esses agentes eu incluo o blogueiro reconhecido como formador de opinião e o adolescente espinhento que acessa a Internet cheio de ideais, repleto de preconceitos (que ele pensa serem verdades não reconhecidas pela gente estúpida que encontra por aí), com uma visão maniqueísta do mundo.

E os órgãos de comunicação mal descobriram como ganhar dinheiro de verdade nesse mundo da informação eletrônica. Quem diz que tem certeza sobre o futuro dos jornais, dos blogues e da Internet está delirando, ou chuta desbragadamente, na certeza de que suas previsões logo serão esquecidas, e poderão ser ajustadas com a facilidade de quem troca um texto no portal da agência de notícias.

2º clichê: O Hernani Dimantas, sempre atento, já tinha sacado do baú um texto primoroso do Idelber Avelar (por isso gosto desse cara), que trata desse tema, o papel dos blogues entre os discursos contemporâneos. Eu disse trata do tema? Ele dá uma explicação definitiva.
Pelo menos por enquanto...

O acordo que está por vir

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Sou cá um entusiasta desse bestial acordo ortográfico da língua portuguesa. Muito gira mesmo. Gostava bem de ver meu amigo, o embaixador Francisco Seixas a escrever como eu, na mesma língua. Já até falei disso cá neste Sítio, alhures.

As diferenças entre o português de Portugal e o do Brasil criam armadilhas como as que existem no espanhol, onde palavras idênticas têm significados distintos. Já comentei aqui como, em espanhol, talher é cubierto; mas eles tem a palavra taller (que pode-se pronunciar como talher) com o significado de oficina; e têm oficina, que, para eles é o que chamamos de escritório. E escritório, em espanhol, é mesa. O que eles acham engraçado chamam de gracioso; se ouvem alguém falar a palavra engraçado, aliás, entendem como engrasado, gorduroso. Comida chique é esquisita e filhote de qualquer bicho é cachorro - cachorro mesmo, quase todo mundo sabe, é perro. Lama, para os hispanohablantes, é lodo. E lodo é... lama.

Mas, como eu falava no post que citei lá em cima, o português de Portugal _ que não mudará nesse aspecto com o novo acordo _ também prega lá suas peças. Para começo de conversa, se uma cachopa diz ao namorado que comprou uma cueca nova, quem deve usar o mimo é ela, não ele. Cueca, além-mar, é calcinha. (Eu disse que só ela deve usar? Peço perdão; use a cueca quem quiser. Este Sítio não está aqui para patrulhar ninguém).

Em Portugal, podem lhe oferecer pastilhas plásticas, e, antes que recuse com o argumento que não pensa em fazer reforma nas paredes de casa, bote as ditas-cujas na boca, porque é chiclete.

Se o brasileiro conquistador, após se desvencilhar das cuecas da moça, ouvir dela um pedido para não esquecer do durex, nem pense em amarrá-la com fita adesiva imaginando alguma tara sado-masoquista. Durex, se ainda não sabe, é preservativo. A bisnaga de pão, para o português é um cacete. Mas nada tem potencial de criar tanto problema quanto essa mania portuguesa de chamar injeção de pica, nádegas de cu e garoto de puto.

Esse pequeno dicionário português-português catei nesse sítio AQUI. Mas enrolei e quase não comento o assunto deste post. Acontece que, no embalo do acordo, e da aproximação dos países de língua portuguesa, o governo brasileiro quer criar uma Universidade Afro-Luso-Brasileira. Proposta já estranha, quando se vê a falta de recursos federais para as universidades já existentes, ela prevê a instalação da faculdade em Redenção, no Ceará, primeira cidade a abolir a escravidão.

Bacana prestigiar Redenção; bonito mesmo, mas é uma idéia que deixará alunos e professores a uma hora de distância da metrópole e do aeroporto mais próximos. O sujeito chega da África ou de Portugal, tem de descobrir que "paragem", em brasileiro é "ponto de ônibus", e tomar a estrada para se meter numa simpática cidadezinha que, suspeito, não tem cinema nem teatro e nem grandes livrarias. Tem botecos, muitos botecos. Dá o que pensar.

Mas cuidado. Em Portugal, "penso rápido" é band-aid.

Ali do lado

"Chávez es una persona de convicciones muy firmes, dispuesto a nadar contra la corriente para defenderlas. Tiene, a no dudarlo, algo de iluminado, convencido interiormente de su misión irrevocable sobre la tierra. Esto le infunde un tesón y una fuerza de voluntad sin límites, que sus adversarios califican de tozudez y terquedad. Pero esta fuerza interior le permite un ritmo endiablado de trabajo que agota y deja por el camino al más resistente de sus asesores cercanos."

Esse trecho é de uma descrição que pode surpreender os que pensam conhecer mais ou menos a política andina. Botei lá no Ralações Internacionais.

No valhacouto dos marmanjos

Fomos ao covil dos criminosos de colarinho branco e descobrimos por que é tão difícil acabar com essa turma. O registro das investigações, cedido gentilmente pelo delegado Protógenes, abaixo:


E pagaram alguém para isso

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O sujeito entra num escritório repleto de mesas vazias, carregando pastas e papéis. Estranha o vazio, até que um cara, obviamente de passagem, sai de trás de um dos computadores e informa que "o patrão comprou um Ford Fusion, e saiu de férias". O sujeito resmunga que ninguém contou nada para ele, larga pastas e papéis e se manda. Entra imagens do carro, e o slogan: Ford Fusion, quem tem fez por merecer".

Oliveira, que além de canalha é semiólogo, interpreta essa interesante peça publicitária, feita, quem sabe, por algum egresso do departamento de publicidade das Casas Bahia:

"A intenção é claramente mostrar que os executivos que andam de Ford Fusion são incompetentes, incapazes de motivar seus empregados. E trouxas: é só saírem de férias e o negócio deles fica às moscas".

A turma da Ford certamente fez alguma pequisa de campo e concluiu que esse é um mercado promissor. Gosto de propaganda assim, com conteúdo sociológico.

Criaram o Habeas Copus

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Os freqüentadores deste Sítio sabem que sou contra a lei seca, só porque não admito que, para prender os bêbados irresponsáveis, eu seja proibido de manter meu hábito de beber meia garrafa de vinho às sextas com minha mulher, em esquinas brasilienses como o Rayuela Bistrot. Oliveira, o canalha da redação, que se acostumou a levar as futuras namoradas para bebericar uma cervejinha, só para "azeitar a relação", como diz ele, também se queixa da nova lei.

A lei antiga já permitia prender os irresponsáveis. Era boa. E bastava botar na rua as blitzen que agora saíram dos quartéis. (Se bem que Barros, o neoliberal da redação vocifera ao meu lado contra a blitz no trãnsito. "Estado policial! Estado policial!", brada ele).

Bom, o negócio é que, antes mesmo que comece o previsível achaque policial aos bebedores sociais, os bêbados inventaram em Brasília a Corrente da Goró, ou coisa que o valha. Algo condenável, uma troca de mensagens por celular e e-mail alertando os bebuns sobre as blitzen na cidade. E, me informa o Ruy Baron, numa reação mais política, em Santa Catarina, acrescentaram essa nova figura no Direito pátrio, o habeas copus:

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina concedeu duas liminares que tratam sobre a nova legislação de trânsito no Brasil, a chamada "Lei Seca". Um grupo de 13 pessoas de Florianópolis obteve liminar em habeas corpus junto ao TJ para impedir a aplicação automática das penalidades previstas nos artigos 165 e 277 do Código de Trânsito Brasileiro – suspensão de carteira de habilitação, multade R$ 900,00 e apreensão de veículo – simplesmente por se negar a se submeter ao exame de alcoolemia, comumente realizado através do bafômetro.

A decisão foi tomada pelo desembargador Luiz Cézar Medeiros, com base em preceitos constitucionais. Ela não se aplicará, contudo, caso os motoristas forem flagrados em aparente estado de embriaguez, exteriorizado, por exemplo, a partir de andar cambaleante ou direção em zigue-zague. "É necessário ressaltar que a ilegalidade da exigência é verificada em casos em que o condutor do veículo não aparenta estar sob a influência de álcool", reforçou Medeiros, em seu despacho.

Em resumo, o magistrado deixa claro não considerar abuso a aplicação de tais medidas administrativas – independente da negativa do motorista em se submeterao bafômetro – quando a pessoa demonstrar estar claramente sob a influência de álcool. O que não pode, conclui, é tornar regra a penalização administrativa decondutores aptos à direção, tão somente pela negativa em se submeter aos referidos exames. "Nesses casos, não há necessidade nem obrigatoriedade porparte da autoridade de trânsito de aplicar as penas administrativas previstas no CTB", reitera.

No final desta tarde (23/07), em outra decisão sobre a mesma matéria, o desembargador substituto Paulo Henrique Moritz Martins da Silva concedeu, liminarmente, salvo conduto para que uma cidadã da Capital não seja tolhida da liberdade de ir, de vir, de ficar, de permanecer, por recusar-se aoteste de alcoolemia em diligência policial, sem que por isto seja penalizada automaticamente com base no Código de Trânsito Brasileiro.

O magistrado, contudo, faz o mesmo comentário aposto na liminar deferida pelo desembargador Medeiros: "observada a ressalva da direção anormal e perigosa, que coloque em risco a segurança viária". (Habeas Corpus n. 2008.041165-4 e n. 2008040712-9).

Será que só eu...

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... acredito que as Casas Bahia devem ter um departaemnto especializado, só para imaginar peças desagradáveis de propaganda na televisão?

... acho uma estupidez comprar a prestação com juros de mais de 1%, 2%, 4% ao mês??

... penso que a Gisele Bündchen é até bonitinha, mas faltam nádegas, e ela não está com essa bola toda?

... não vejo graça nenhuma na maioria dos programas humorísticos da TV?

... até posso me divertir às vezes asistindo futebol, mas penso que, como o sexo, só presta mesmo fazendo?

... vejo no aumento do noticiário sobre a prisão de corruptos um sinal de que o país está melhorando?

... acho babaquice essa mania de jornal paulista de chamar adolescente de teen?

... vejo que o Ferreira Gullar é genial mas está ficando caduco?

... tenho certeza de que esses programas de entrevistas ou debates na TV, com um entevistador sentado e um ou mais entrevistados ou debatedores, são, na verdade, programas de rádio?

... suspeito que os economistas acreditam no que acreditam só para não passar pela angústia de duividar do que aprenderam na escola?
... acredito que site deveria ser "sítio", link se chamar "atalho" e tag em português é referência?

... noto que a Mariana Ximenes é, na verdade, uma replicante?

... imagino que a homeopatia não se sustenta em bases científicas, mas que funciona, assim mesmo?
... defendo que deveria ser proibida a publicidade de qualquer remédio e processados os atores que recomendam tomar medicamentos para o fígado como forma de continuar se empanturrando de feijoada?

Previsível

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Estava na cara. O bem-sucedido discurso populista que homogeneiza tudo, cria heróis impolutos, atribui os problemas nacionais exclusivamente a vilões romanescos e oferece soluções fáceis para os complexos problemas do país não demora muito e mostra seus absurdos.

Semanas atrás, discuti com amigos e contestei uma onda que se formava, criticando o Judiciário por não impedir a candidatura de políticos com processos na Justiça. Numa democracia, o povo deve eleger quem quiser, e, se é desinformado, cabe às forças progressistas informar, convencer, politizar. Meu argumento: se cidadão questionado na Justiça for impedido de se candidatar, os partidos vão contratar advogados a peso de ouro, só para meter processo contra os concorrentes e inviabilizar candidaturas de oposição.

Aí veio a Associação de Magistrados Brasileiros e fez uma coisa, em tese, na direção do que eu defendia: uma lista para informar ao povo quem tem processo. E o povo que decida.

Só que a lista, aparentemente, traz embutido o problema que eu apontava: a instrumentalização da Justiça para servir de arma de campanha. Incluíram a Marta Suplicy na lista, e, pelo que dizem os aliados da líder nas pesquisas, aproveitaram para isso processo movido pela oposição, que nem passou na primeira instãncia:

Os partidos da coligação “Uma Nova Atitude para São Paulo” (PT-PCdoB-PDT-PSB-PRB-PTN) vêm a público manifestar seu mais profundo repúdio à decisão arbitrária, tendenciosa e leviana da Associação dos Magistrados Brasileiros de divulgar uma lista de candidatos que “respondem a ações penais de improbidade administrativa e eleitoral”, e que atinge, de forma injusta, a imagem de nossa candidata Marta Suplicy.
A lista, que transgride os preceitos mínimos da ética e do direito, faz referência a uma ação movida por oposicionistas contra a então prefeita, ainda sem julgamento em qualquer instância, e na qual Marta Suplicy já obteve uma liminar favorável do Tribunal de Justiça de São Paulo.


A nota é maior. Mas o debate é esse aí.


Sabia que o clima está ruim na Bolívia. Mas não imaginava que estivesse tanto, a ponto de ameaçar de morte do presidente Evo Morales. Curioso é que não vi ISTO em nenhum jornalão. Sobre o que o clima pode ter a ver com isso, AQUI. E sobre os estilhaçoes que sobraram para Chávez, AQUI.


E pensar que poderíamos estar, agora, discutindo a confusão na Bolivia sem Evo Morales...


Para quem se interessa por OMC e quer saber o que os nazistas andaram fazendo ao lado do Celso Amorim, escrevi sobre o tema lá no Ralações Internacionais.


Também andei falando sobre Venezuela, Brasil, Chavez, absorventes íntimos e goma de mascar, mas isso foi na minha coluna do Valor (na outrossim chamada imprensa burguesa), que os freqüentadores deste Sítio podem ler nesse atalho AQUI.

Ai Weiwei, um chinês para as massas

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Feita com janelas e pórticos de construções milenares chinesas, das dinastias Ming e Qing, "Template", uma obra do artista Ai Weiwei desabou quando era exibida na Documenta de Kassel, no ano passado. O artista, quando viu o resultado, mandou que deixassem daquele jeito, tinha ficado até melhor, segundo ele.
O Gilberto Scofield, repórter brilhante hoje correspondente dO Globo na China, tem olho aguçado para temas mal cobertos pela grande midia; hoje ele faz uma matéria interessante sobre um personagem mais ainda, esse Ai Weiwei, que tem até um blogue! Pena que em chinês (o blogue do artista, não a matéria do Scofield). Foi pelo blogue que Ai Weiwei convocou voluntários para outra obra dele, em que levou 1.001 chineses para a Documenta, para simplesmente permabularem pela Bienal mais famosa da Alemanha. Tem um site da oficina dele, a Fake (Falso), para quem fala inglês, AQUI.
Não achei link para a matéria do Globo, mas o Scofield fala dele no blogue do Globo também, AQUI. Na comparação mais freqüente com o Ai Weiwei, ligam o nome dele ao do Andy Warhol, que, aliás, o próprio Ai Weiwei diz ter sido uma tremenda descoberta, quando ele chegou a Nova York, no exílio. A ArtReview de maio trouxe o artista como matéria de capa e também diz que ele seria o Warhol chinês, mirando o fluxo contemporâneo com um misto de espanto e desdém. Mas a comparação é ruim.
Enquanto Warhol celebrava o emergente mundo do consumo de massa e, com aquele ar aparvalhado, metia a contemporaneidade no mundo da arte, como uma seringa com drogas, Weiwei trabalha com algo que se dissolvia nos EUA dos anos 60 e 70, e, na China, sobra: história densa, muita história.

Mais para a iconoclastia de Duchamp que para o conformismo travestido de rebeldia do Warhol. Não é à toa que o primeiro trabalho de enorme repercussão de Ai Weiwei, feito em 1995, foi "Deixando cair um vaso da dinastia Hang", performance registrada em três fotos, uma em que segura com cuidado um vaso de uns vinte séculos de existência, outra em que ele larga o vaso, que aparece a centímetros do solo, e outra com o vaso espatifado, o artista de olhar impassível mirando a câmera.


Não fez mais dano à milenar história e ao patrimônio chinês do que fizeram os ingleses quando dobraram o Império do Meio na Guerra do Ópio, nem do que os atuais burocratas chineses, em seus projetos de modernização da China. Os 1.001 portais das dinastias Ming e Qing que viraram ruína em Kassel, lembre-se, vieram de construções demolidas, na acelerada corrida chinesa para a modernidade. Em outro vaso Hang ele inscreveu o logotipo da Coca-Cola, mais ou menos como quem põe uma loja da Starbucks em plena Praça da Paz Celestial.


Ele usa, com freqüência, madeira de templos e outras construções chinesas demolidas, e os monta de acordo com técnicas tradicionais de marchetaria e carpintaria chinesa, sem pregos ou nada que não encaixes da madeira. Tem uma série famosa de fotos, em que aparece fazendo um gesto obsceno para construções como a Praça Tianamen, ou a Casa Branca. Tem trabalhos chocantes, como a série de vasos do período neolítico pintados com tinta epoxi. Algumas obras dele podem ser vistas AQUI. Weiwei é um monstro criador na arte chinesa, patrocina, com a excelente China Art Archives & Warehouse (CAAW), artistas locais e projetos sobre a arte do país.
A obra dele junta reflexões sobre o tradicional fazer artístico na China, o papel político do artista (no mais amplo sentido, como habitante da polis, da cidade), o valor do objeto artístico e do trabalho criador.


Ele é filho de um poeta que foi exilado pela Revolução Cultural, e posto para limpar latrinas, para aprender que intelectual em revolução tem mais é que botar a mão naquilo. Ninguém chegou a tentar traçar um paralelo entre a experiência do pequeno Weiwei, vendo o pai com a mão na bosta e a epifania que deve ter tido ao ver, em Nova York (para onde foi depois da "reabilitação" da família, nos novos tempos que se seguiram), o Urinol de Duchamp. Dou de graça essa sugestão para uma tese de mestrado. Mas a experiência de exilado marcou o cara.


Na matéria da ArtReview (a capa diz "Ai Weiwei, a verdade nua sobre o maior artista chinês"), o artista fala sobre a experiência de ostracismo, na China, com o pai condenado: "Você tem a sensação de pertencer a uma familia de criminosos, ser o inimigo de todo mundo. Mas, de repente, você percebe que não é tão ruim ser o inimigo _ não o inimigo, de fato, mas estar do lado de fora, fora da multidão, da massa". Sentir-se fora da massa, na China, deve ser mesmo uma bruta duma experiência.

Em tempos de Waterloo

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Tolstói escreveu Guerra e Paz (Война и мир, para os íntimos) em meados do século XIX, mas, provavelmente devido ao liberalismo sem freios dos anos que se seguiram, deve ter perdido metade da obra e tenta, agora, recuperá-la.




Ou isso ou existe explicação mais simples para o que o douto Juliano Basile descobriu no Cade, e me revelou, perplexo:




"O CADE vai julgar hoje a compra da Guerra, por Tolstói!!







Ministério da Justiça
CONSELHO ADMINISTRATIVO DE DEFESA ECONÔMICA – CADE
Gabinete do Conselheiro Luís Fernando Rigato Vasconcellos
Ato de Concentração 08012.005802/2008-44
Requerentes: Tolstoi Participações Ltda. e A. Guerra S.A. Implementos Rodoviários.
Advogados: Alexandre Henrique Del Nero Poletti, Maria Helena Tavares P. T. Soares, Guilherme Pereira das Neves e outros.
Relator: Conselheiro Luís Fernando Rigato Vasconcellos.






Adiaram a votação, ontem. A aristocracia russa nem consegue respirar direito.

Este Sítio é um blogue sem fins lucrativos, e faz questão que assim seja, até para evitar conflitos com o jornal que paga as contas deste que vos escreve _ já recusei convite$ lisonjeiros de amigos queridos por causa disso.

Mas às vezes a gente até pensa em mudar de filosofia; como quando se descobre que o Senado paga R$ 48 mil para botar um banner xexelento em um site na Paraíba. Quem me contou, e ouvi com algum atraso, foi meu querido Bicarato. Com quatro contratinhos desses, imposto pago, taxas recolhidas, daria para um sujeito sustentar a família sem deixar de bebericar o puro malte de cada dia.

Mas vejo que seria mais fácil se me mudasse para a doce Paraíba, de praias tentadoras. Não é que, segundo conta o Blogdealuguel, o senador Efraim Morais, paraibano só por coincidência, também assinou, pelo Senado, contratos com outro sítio de lá, para exibir o banner do Senado por módica quantia? Está lá o banner, meio borocochô, AQUI.

A história é tão interessante que o contrato reghistrado na página do Senado diz que o valor de R$ 48 mil é um pagamento anual, mas internautas pesquisaram na página anteriormente arquivada no Google, o chamado cache, e descobriram que alguém modificou a página original, que falava em contrato para pagamento de R$ 48 mil MENSAIS.

Descobriram também que essa história foi denunciada pela Folha em 2005 e, como agora, informaram que vão cancelar o contrato, coisa e tal. E o dinheiro continuou pingando na conta da empresa Era Digital Internet Graphics LTDA. Que, aliás por pura coincidência, é a detentora do registro do site efraimmorais.com.br, vejam só como o mundo é pequeno.

Já tem gente sugerindo pedir patrocínio ao generoso senador, lá na página dele no Senado, aonde se chega por AQUI.

Esse filão de propaganda pública em blogue regional promete. Nem precisa de licitação. Coisa para empreendedor mesmo; se a grana não fosse tão modesta, era bem capaz de o Eike Batista e o Daniel Dantas entrarem no ramo.

Tira o dedo daí, ministro!


Chega de Daniel Dantas. Ou melhor, depois volto ao assunto da ética jornalística. Mas merecemos uma pausa para falar do ministro do dedo verde, o inacreditável Carlos Minc. O homem está com a macaca. E é bom que o macaco fique de olho; abrigado naquele colete existe um erotômano de imaginação incandescente.


O fogo em cima do Dantas está tão pesado que as agências, pelo que parece, nem tiveram repórter para mandar à cerimônia em que o ministro Minc anunciou mudanças nas licenças ambientais. Mas a Reuters cobriu essa clareira, e registrou as palavras do ministro:


"Vamos assinar portarias para simplificar, unificar e agilizar procedimentos, para que os analistas tenham mais tempo de ir ao ponto G, que são os impactos ambientais."


"Faz sentido", comenta, na mesa ao lado, Oliveira, o canalha da redação. "Pelos relatos que tenho dos analistas que chegaram ao ponto G, não faltam impactos ambientais na região: abalos sísmicos, mudanças higrométricas, alterações morfológicas, o diabo".


E eu que contava com o ministro para a proteção da mata virgem!


Ah, a dificuldade de ouvir direito

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Agências Estado, Folha e Globo insistem no erro dos jornais impressos hoje, em dizer que Lula pediu para que o delegado Protógenes voltasse a comandar as investigações sobre Daniel Dantas, Naji Nahas et amici.


Diz a Folha:


Ontem, Lula cobrou de Protógenes a permanência na Operação Satiagraha e explicações sobre as insinuações de que foi pressionado a deixar a ação policial. Segundo o presidente, o delegado tem obrigação moral de continuar no caso. "Moralmente esse cidadão [Protógenes] tem de continuar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público. A não ser que ele não queira. O que não pode é passar insinuações", afirmou Lula


Diz o Estadão:


Lula chegou a pedir o retorno do delegado Protógenes Queiroz ao comando das investigações, e disse que ele deveria explicar publicamente a sua saída.

O apelo do presidente, no entanto, não foi suficiente para trazer o delegado ao comando do inquérito da Satiagraha.


O Globo faz pior, trancreve a fala do Lula dando a impressão de que ele queria mesmo a permanência do delegado:


Na quarta-feira (16), Lula disse que o delegado Protógenes Queiroz deveria continuar no comando das investigações da Operação Satiagraha. “Quem contou essa mentira que eles [os delegados] foram pressionados [para sair] eu espero que amanhã ou depois de amanhã divulgue [a verdade]. Primeiro, porque eu sou talvez o mais fervoroso defensor do trabalho da Polícia Federal, porque eu acho que ela é garantia para o combate à corrupção, ao narcotráfico e ao crime organizado neste País. Segundo, eu estranhei a notícia e já conversei com o ministro Tarso Genro [Justiça] e acho que esse delegado tem que ficar no caso”, disse Lula ao sair de cerimônia no Palácio do Planalto.


Será que não perceberam o trecho que grifei aí em cima, no texto da Folha, na fala do Lula? Faz toda a diferença. O Protógenes queria tempo para terminar o relatório sobre a Operação Satiagraha, e exigiram que ele terminasse o calhamaço até amanhã, para, em seguida, deixar o comando do caso. O que transforma a frase de Lula em: "moralmente, esse cidadão tem de continuar no caso até depois de amanhã". Ou, em linguagem mais direta: "Adeus, Protógenes, bom fim de semana, quando puder manda um cartão postal!".


Eu disse que o cara era craque. Mas não imaginava que ele driblaria tanta gente.

Extra! Extra!

Breve, neste Sítio, novas e impressionantes informações sobre o caso daniel dantas. Exclusivas!

Ops, não baixou o santo do Bob Fernandes aqui. Na verdade não tenho nada novo sobre isso não. Nem ele está com grande coisa, uma entrevista com o Ives Gandra, nosso inconstitucionalista de plantão. E a coisa está pegando fogo no jornal. Volto bem mais tarde, com coisa nova no Sítio. Uma discussão sobre ética jornalísticas, traficantes e trambiqueiros.

Mas antes, tenho de garantir a cerveja das crianças (é, elas abandonaram o leite, desde que completaram 18 anos. Mas não as deixo dirigir, podem ficar tranqüilos).

2ºclichê: o Bob está com grande coisa sim, mais detalhes da brigaiada dentro da Polícia Federal. AQUI.

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O nome dele é Thiago Botelho, jamais aparecerá em alguma gravação comprometedora com algum magnata do sistema financeiro, é meu amigo e autor do trabalho acima. Mas o que o traz aqui ao blogue é que ele é artista plástico, de Brasília, e acaba de montar o sítio dele. AQUI.

Numa época de craques gordos, o presidente Lula, além de mais magro que o Ronaldo, mostra que dribla com gosto no meio de campo. Acaba de aparecer na TV veemente, afirmando que o prtógenes não pode sair do inquérito.

Aí você estica o ouvido e o presidente diz: o Protógenes não pode sair enquanto não fizer o relatório.

Ora, já estava anunciado que o delegado redigiria seu relatório nesta sexta-feira, e, em seguida, sairia do caso. Ele e os auxiliares.

Se o presidente está mesmo indignado e acha que o delegado está fazendo jogo de cena, deveria mandar o ministro da Justiça escalar o Protógenes pelo menos até descobrirem o que há nos DVDs e CDs encontrados em um compartimento secreto na casa de Daniel Dantas. Qualquer outra cosia é catimba. Catimba de craque. Mas catimba.

Para entender o caso

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Um comentário lá no Idelber deu a indicação desse singelo trabalho, que tenta resumir um pouco o caso Dantas e o diabo na terra de Protógenes.

Tem mais lacunas que o inquérito do delegado e não é tão bom quanto o Protógenes em desvelar as estripulias do banqueiro. Mas, pelo esforço do resumo, os rapazes merecem uma boa nota. Nota escolar, digo.

Será um triste indício se o afastamento do delegado Protógenes significar o abafamento do caso Dantas. É uma investigação que merece ir até o fim, e ser expurgada das bobagens que, na paixão do caso, foram cometidas pelo delegado.


É difícil apurar crimes financeiros, e o delegado merece palmas por ter se enfronhado no tema, e, aparentemente, chegado a resultados impressionantes. A descoberta de discos embutidos em uma parede falsa na casa de Dantas mostra que a investigação está longe do fim, ao contrário do que tentou fazer crer o ministro da Justiça. Esses discos poderão preencher as lacunas que o delegado, no inquérito, tentou cobrir na base da dedução. E ele não se mostrou muito bom nessa tarefa.


Não comento a parte financeira, que escapa, como um especulador bem assessorado, à minha pobre compreensão. Mas no que li do relatório há problemas sérios, bem maiores que a recusa do delegado em se deixar subornar pelas regras da gramática. Não é um relato objetivo, científico, desapaixonado, friamente detetivesco.

É bom que o delegado seja ardoroso na briga grande que comprou. É ruim que esse ardor o cegue, e faça ouvir vozes do além, de vez em quando. Lança suspeitas sobre as consistências das acusações contra Dantas e grupo, e abre brechas para que o inquérito caia, na Justiça, só reforçando a impressão geral de que não adianta nada fazer qualquer coisa contra o poderosos.

Às vezes, pior que um inimigo é um aliado trapalhão, bem intencionado mas atabalhoado. Me desculpem os fãs do delegado, que até desperta minha simpatia pelo mérito da batalha. Mas a cada dia ele me parece mais o visionário Alonso Quijano (com tudo de bom que há na imagem do cavaleiro da triste figura) do que o habilidoso Protógenes grego, que traçava, obsessivo, linhas perfeitas e obras irrepreensíveis.

Há contei em algum lugar que há uma gravação, em que cupinchas de Dantas falam, alarmados, de um suposto aliado, o senador Heráclito Fortes, que estaria atacando inesperadamente os interesses do grupo, acusando Ideli Salvati de receber dinheiro do banqueiro. Os caras falam que Herácluito estaria agindo assim por estar acuado pelo partido, por uma certa Kátia, que tudo indica ser a senadora Kátia Abreu. Um sujeito diz que "ela" teria recebido R$ 1 milhão da OAS; o outro comenta que falou com o Heráclito que não poderiam ciompetir com a OAS. Está na cara que "ela" é a Katia Abreu, mas o inquérito conclui: "falam que Ideli Salvati teria recebido R$ 1 milhão da OAS".

O texto é recheado de ilações assim. Não são erros de sintaxe, são incapacidade de compreensão. Na parte referente aos jornalistas até acredito que, em alguns casos, eles podem ter motivos para suspeitas, mas os trechos transcritos não serviriam de prova em tribunal nenhum para as pesadas acusações levantadas pelos delegados; há até conversas banais, quem sabe só para dizer que o grupo tinha contatos com a imprensa (que surpresa, os caras estavam em quase tudo que era operação importante com empresas privatizadas).

A falta de gente com coragem para enfrentar interesses poderosos faz com que nem sempre os heróis sejam os que gostaríamos. Mas não adianta fechar os olhos para os defeitos dos nossos cavaleiros andantes. Isso não é campeonato de futebol.

Esse desespero das pessoas com a demissão do Protógenes é sinal de que estão atentas, mas também diz bem da alma brasileira, e de nossas raízes lusas. Além-mar eles têm um nome para isso, sebastianismo. A crença numa figura salvadora, redentora, que nos redimirá por seu heroísmo e abrirá um novo tempo de prosperidade e fé na humanidade. Aqui isso deu em Getúlio Vargas. Agora, deve ser a primeira vez que um policial também incorpora o fenômeno.

Chega! Basta!

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O Gilmar Mendes, que acaba de contar como sempre foi amigo e compadre do ministro Tarso Genro, ainda pode decidir hoje se libera ou não os amigos de dantas acusados de tentar subornar um delegado da Polícia Federal.

Mas o resultado disso vocês vão ver nos blogues de gente séria. Não agüento mais falar desse assunto. Me avisem quando começar o julgamento de Daniel Dantas.

O ator, claro. O outro está na cara que foi vítima de um enooorme mal entendido. se já não tivessem dado US$ 1 bilhão para ele, provavelmente estariam discutindo uma boa indenização ao coitado.
(a foto é dica do Hermenauta, em conluio com o Rafael Figueira)

Delegado Protógenes se afasta do comando da Operação Satiagraha

Segundo a PF, ele está concluindo um curso obrigatório para os agentes.Os outros dois delegados responsáveis pela investigação continuam no caso.

apostas abertas no Sítio para saber que curso é esse.

Transformaram em fla-flu a discussão sobre o caso Dantas. Para certa corrente de pensamento, quem não se alinha incondicionalmente ao lado do delegado Protógenes e do juiz De Sanctis está necessariamente ao lado do suspeito dono do Opportunity. Se for jornalista, então, ou é corporativo ou comprado mesmo.

Nunca gostei de torcida de futebol, detesto alinhamentos automáticos e compartilho um princípio marxista: me desfilio automáticamente do partido que me aceitar como filiado. Pior, sempre me sinto obrigado a desafinar os coros, e, nesse caso Dantas, até poque sou incompetente para lidar com polícia e com bandido, me restaram apenas observações marginais. Vamos a elas.

Aplaudo a coragem do delegado, por estar convencido da justeza de sua briga e mexer com um abissal esgoto da história brasileira. Torço pelo êxito da investigação do Protógenes. Condeno a maneira atabalhoada com que ele leva seus pleitos à Justiça, fazendo com o inquérito policial o que já vi fazerem na imprensa em matérias "investigativas" nas quais há mais de insinuação que de apuração.

O modelo é mais ou menos o seguinte: Fulano conhece cicrano; cicrano é ligado a beltrano, que participou de alguma coisa estranha em algum momento; logo, há indícios de que Fulano se aliou a Beltrano para fazer sacanagem. E não adianta o Fulano dizer que não se chama Manuel nem mora em Niterói.

A favor, muito a favor do delegado Protógenes, um fato insofismável: ele pegou Daniel Dantras com a mão na cumbuca. Tudo indica que houve mesmo uma quantidade incontável de artimanhas para esconder operações ilegais, e que para ir em frente o Dantas moveu um vasto leque de influências.

Ao contrário do que pensam amigos queridos meus, porém, não acho que seja implicância chamar a atenção para o peculiar texto do delegado, que é incapaz de reproduzir corretamente nomes de acusados, recheia-se de perorações messiânicas, e revela um grau de educação bastante deficiente. Claro, nem todo delegado é Rubem Fonseca, mas, não é desejo de fracasso dizer que os resultados da operação poem ser comprometidos pelo primarismo de certos raciocínios (o Naji Nahas soube com antecedência a mexida dos juros no Banco Central americano porque teve inside information do presidente do Banco Mundial [!], faça-me o favor; a chamada direita blogosférica estrá tendo orgasmos com esse troço).

Parte-se de uma ação correta, a investigação sobre fatos reais, preenche-se os buracos da investigação com um monte de insinuações e, depois, na Justiça, a coisa pode cair por terra. Aí culpa-se o Judiciário e o vingador mascarado continua bradando sua fome de justiça. Só espero que as dezenas de transcrições de diálogos entre os operadores do esquema sejam sólidos o suficiente para sustentar o inquérito, que, em muitos pontos, é um jogo de insinuações, sem fundamento.

No meio disso, como, claro, a imprensa é burguesa e comprada, pessoas que se dizem progressistas acham natural que a polícia queira invadir a casa de um jornalista para vasculhar e descobrir quem anda vazando informações sobre as operações da própria polícia _ para isso usando até o recurso de acusar a jornalista de algo que se sabe que ela não é, integrante da "organização criminosa".

É uma pena que uma mente brilhante como a de Luiz Gonzaga Beluzzo, colunista e, se não me engano, sócio da Carta Capital, se comunique com os mortais com um texto extremamente sofisticado, diferente de comentários maniqueístas que rodam pela rede. Se fosse mais claro, seria impactante. Porque compartilho com ele suas preocupações. Diz o Belluzzo, lá no Terra Magazine do Bob Fernandes (o mesmo que está detonando o Dantas, em boa hora):

"No capitalismo contemporâneo, a velocidade das transformações nos mercados financeiros e na estratégia das empresas supera em muito a capacidade de resposta do ordenamento jurídico. Para complicar o jogo das regras, as inovações quase sempre escapam à compreensão dos assim chamados operadores do direito. Nesse ambiente, diz Rossi, ficam esmaecidas as fronteiras entre o lícito e o ilícito, as denúncias de corrupção tornam-se endêmicas e os delitos do colarinho branco se multiplicam na esteira da overcriminalization.

A aliança entre o impulso da finança capitalista à violação das condições existentes (para o bem e para o mal) e a imprecisão dos limites da legalidade produzem, em certas esferas da sociedade, reações furiosas de "utilitarismo autoritário". Entregam-se ao cálculo das vantagens de se sacrificar a legalidade dos meios à bondade dos fins. O resultado final da avaliação invariavelmente manda às urtigas os princípios que regem o Estado de Direito, as garantias individuais e outras tapeações da democracia
. "

Resumo é o seguinte: com a sofisticação do capitalismo, ficou tão difícil pegar criminosos de colarinho branco que a patuléia começa a bradar por justiça a qualquer custo, que se danem as garantias individuais porque os fins justificam os meios. (tem gente dizendo que esse papo de "garantias individuais" só aparece quando tem rico no meio, porque as garantias dos pobres já são desrespeitadas há muito tempo. Interessante raciocínio, defende estender a todos a barbárie que impera contra os desprivilegiados) O resto do texto do Belluzzo, AQUI.

Mais um motivo para becape seguro

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"Minhas fotos!"
Me senti como o cara que, vendo o ataque as torres gêmeas em Nova York, lembra que deixou na gaveta do escritório, lá em cima, as fotos das férias, com os negativos (ou o chip da máquina, tanto faz). Quando um grande evento não nos alcança, não é raro que um detalhe insignifcante, bem próximo da gente, acabe roubando nosso interesse.

Estava lendo o farto material do delegado Protógenes, que o Pedro Dória me contou estar todo lá no Consultor Jurídico, em matéria do Tognoli e ainda estou perplexo com o envolvimento da repórter Andrea Michael, da Folha, na investigação da polícia. Pelo visto, eles têm horas e horas de gravação, e milhares de e-mails. E fazem acusações pesadas contra a moça, sem uma vírgula decente que sustente a fúria contra ela.

O que têm contra a Andrea é um comentário infeliz dela, falando com um assessor do Dantas (outros repórteres tinham o telefone do Dantas, falavam com ele; a Andrea procura o que qualquer repórter procuraria, o tal Humberto Braz, ponte para o sujeito, para as boas coisas e as coisas ruins). A Andrea, no telefonema, diz que tem uma matéria de encomenda para o Dantas. Não diz que atendeu a uma encomenda dele, nem cobra dinheiro. Pede em troca informação para uma matéria que está fazendo.

Os termos usados pela repórter são dignos de repreensão. Não são surpresa, já vi coisa pior feita por jornalista querendo parecer próximo à fonte. Condenável, muito; mas não criminoso. Não conheço a Andrea o suficiente para fazer juízo de valor; digo apenas que o que há no inquérito é insuficiente para dizer que ela faz parte de "organização criminosa". Pior, os fatos relatados pelo delegado mostram o contrário.

O caso contra a Andréa é a matéria que ela escreveu, vazando a existência da operação contra Dantas; matéria usada pelo Dantas como argumento para pedir habeas corpus preventivo.

Ela seguramente não obteve a informação do próprio Dantas. Pelo texto do Protógenes, ela deve ter fontes na própria PF, e, segundo o delegado, ao escrever uma matéria sobre a investigação em curso, alertou o bando de Dantas, que teria tido oportunidade de mover documentos, e esconder informações comprometedoras. Isso é o que diz o delegado Protógenes, no mesmo texto em que pede autorização para invadir a casa da Andréa e confiscar computadores e todo material de midia que estiver por lá, arombando cofre, se for necessário.

Ora, se o bando de Dantas foi alertado pela matéria da Andrea, como ela faz parte do grupo criminoso, delegado? Seu pedido parece uma vendeta, vingança pelos transtornos que teve com o trabalho da imprensa.

Se queria intimidar jornalista, tenho certeza que conseguiu. Eu, por exemplo, que encerrei minha carreira de crimes na infãncia, quando roubava bolinha de futebol de botão no supermercado, prometo ficar longe de qualquer suspeito; só preciso descobrir uma maneira de ser repórter em Brasília sem falar com político, gente do governo ou investidor do mercado financeiro.

A contradição do delegado não escapou ao juiz de Sanctis, que negou ao delegado sua incursão ao apartamento da repórter.

No relatório do delegado, basta um repórter ter acesso a alguém da quadrilha para parecer suspeito. Não são necessários diálogos frequentes, comprometedores; conversas ambíguas já são suficientes para uma interpretação do polícia que as faz parecer comprometedoras.

Falar disso é complicado: para a blogosfera, jornalista defendendo jornalista só pode ser corporativismo. Se é corporativismo defender o direito do repórter de falar com qualquer um, para apurar matérias, e publicar notícias sem pedir permissão a autoridade, então sou corporativista.

E dou graças a Deus (em quem não acredito, aliás) por não ter feito matéria recentemente com ninguém suspeito. Vai que eu tivesse dito alguma bobagem e os homens aparecem lá em casa catando tudo que puder conter algum dado comprometedor.

Não tenho guardadas imagens que comprometam mais do que minha reputação de fotógrafo. Mas logo agora, quando acabei de fazer back up das fotografias das férias dos últimos anos, perder tudo para investigadores que nem saberão apreciar minha habilidade com o contra-luz é uma perspectiva apavorante.

*****

O lado bom do messianismo do delegado é o de lhe dar coragem para cutucar intocáveis. O lado ruim é o risco de confundir vontade com voluntarismo, e ver em toda crítica uma manifestação do demônio.

Investimentos colaterais

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É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.
Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.


Não sei bem o que o presidente do Supremo andou fazendo, para que a turma desencavasse até esse texto do Dalmo Dallari, que li, na íntegra, lá no Hermenauta.

Pode até ser que o delegado Protógenes nem tenha plantado uma escuta no gabinete do ministro Gilmar Mendes, mas que estão querendo grampear o presidente do Supremo, isso estão. Quem me conta é a Lelex, que dá até o sítio para isso. Isso, no caso é o impeachment do homem. AQUI.

Em matéria de envolvimento de juiz, Roberto Dávila, velho homem de imprensa, é que mostrou c omo é craque. Eu não sabia, só no fim de semana descobri que ele, como se diz no jargão da imprensa, cavou uma exclusiva.

É uma brasa, mora

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"É um jeito de matá-los", respondeu o candidato republciano, John McCain, quando comentaram para ele que os EUA, apesar da briga com o Irã, aumentou em 10% as exportações de cigarros para os iranianos.

Oliveira, o canalha da redação, imediatamente tornou-se fã do republicano. "É dos meus: perde a compostura mas não perde a piada", comentou. Os antitabagistas do Sítio até gostaram do meanismo mental que leva o candidato a associar imediatamente cigarro com seu principal efeito (letal) na vida do cidadão. Mas a rapidez da resposta parece ter mais a ver com outro mecanismo na mente, alguma obsessão em relação ao Irã, mais do que em relação à indústria do fumo. E isso, amiguinhos, não é um biom sinal.

Como dizia o Homem de Marlboro, falecido de câncer há algum tempo, onde tem fumaça...

Não, não é nenhuma ex-refém companheira de Ingrid Bettancourt em processo de resgate pelas Forças Armadas Colombianas. Os fardados são Carabineiros chilenos e a moça é Monserrat Morilles, stripper que vinha fazendo performances-relâmpago no metrô de Santiago, tirando a roupa em vagões sem crianças (não chegava a tirar tudo, me parece) e dançando o "baile del cano" (pole-dance, para os noveleiros). Tudo para trazer, segundo ela, um pouco de alegria e liberdade aos chilenos, que, como se sabe, são muioto caretas.
Foi presa, claro. Como diria o Daniel Dantas, a polícia não suporta ver ninguém rindo, contente, nesse mundo...

Veríssimas palavras

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Chega a ser ridículo copiar num blogue de consumo suntuário, para poucos, como este Sítio, um texto divulgado na grande imprensa e veiculado num blogue de grande calado como o do Noblat. Mas é que movo uma campanha pelo reconhecimento do Veríssimo como o maior filósofo brasileiro na ativa (coisa que sua fama de humorista impede que os contemporâneos reconheçam).

E quero sentir o gostinho de cometer, eu também um crimezinho. Daí, sem autorização do autor ou de quem quer que seja, copio abaixo, só para remeter ao original, AQUI:

"O Ladrão de Galinha se considera o anti-Daniel Dantas. É seu oposto em tudo. Seu crime é sempre claro e indiscutível: ele rouba galinhas. É flagrado e preso e pronto. Nada mais insofismável.
Já os “crimes” do Daniel Dantas, ou as suspeitas de crimes pelas quais ele agora foi preso, pertencem ao mundo crepuscular do empreendimento capitalista, onde as regras e os costumes, e a fronteira entre a falcatrua e o bom negócio, se diluem. Quer dizer, nada mais sofismável. Há anos que Daniel Dantas opera nesse lusco-fusco moral, e nem nas críticas que recebe pode-se definir o que seja inveja ou estratégia inimiga e o que seja indignação genuina. Por isso o extremo oposto a roubar galinhas não é o assassinato em série, ou outro crime tão enorme que absolva o Ladrão de Galinha pelo contraste. É o crime indefinido, o que impede o flagrante e dribla a justiça pela indefinição, ou compra a definição favorável."


Só um filósofo atento para aproveitar o momento e comentar como a fronteira entre o crime e o livre exercício do espírito empreendedor depende, às vezes, apenas da qualidade de seu advogado. Qualquer afinidade com o comentário do Oliveira sobre evasão de divisas, registrado aqui dias atrás, é mera telepatia.

A chuva e a lei seca

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Já dizia o Delfim: bem apanhando, os números contam qualquer história. O Globo, que apóia a Lei Seca, começa a fazer ginástica para defender a tese. Diz hoje que caiu o número de feridos em hospitais (se mantiverem as blitzes no trânsito e perderem a mania de atirar primeiro e perguntar depois, os policiais do Rio vão conseguir quedas ainda maiores, e isso nada tem a ver com a proibição do chopinho). Mas o jornal teve de noticiar que, nas duas semanas seguintes à Lei Seca, AUMENTARAM os acidentes nas estradas (e nas estradas, a lei até proíbe venda de bebidas até a quem não dirige). A solução é dizer que, nesses casos, o culpado é a chuva.

Ora, e por que nãoa tribuir à chuva _ e consequente redução de carros na rua _ a queda de hospitalizações na cidade? Porque estamos em campanha meu caro, e os fatos são mero pretexto para defendermos uma tese.

O Noblat corta a matéria do Globo exatamente no ponto em que ela contaria que, após a Lei seca, aunmentou o número de acidentes nas estradas. A história toda está AQUI.

Danou-se

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Logo todo mundo vai estar falando numa pesquisa que a UnB deve ter interesse em estar divulgando, com cujas conclusões eu jamais estarei concordando.

É sobre essa história AQUI.

E podem estar comentando à vontade.

Onde esse mundo vai estar parando? Cruz credo.

A verdade sobre Protógenes

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Um artista, de habilidade invejável, obcecado e tão dedicado que sempre teve dificuldade em considerar acabado qualquer trabalho. Esse é o Protógenes, segundo quem conviveu com ele. Um de seus admiradores foi o pintor Apeles, por exemplo, que muitos consideram o responsável pela fama de Protógenes entre seus contemporâneos.

Apeles era, para a pintura da Grécia antiga, o que Daniel Dantas era até pouco tempo para o mundo da escroqueria financeira internacional, um gênio, um mágico em seu campo de atuação, de fazer passarinho bicar uva pintada. E Apeles espalhou pelas revistas de fofocas da época que estava comprando obras do Protogenes para vender como suas, dele, Apeles. As ações do Protógenes subiram como uma Beatriz Milhazes de chinelos e toga.

Numa visita ao Protogenes, sem encontrá-lo em casa, Apeles, de sacanagem, pintou um longo traço muito reto e finíssimo, num painel em branco que aguardava a mão do mestre. Ao voltar para casa e ver o traço, Protogenes logo viu que o bam-bam-bam da pintura grega havia estado na área. E pintou outro traço, mais fino, logo acima do risco do gênio. Apeles voltou (não tinham muita coisa como distração naquela época, esses gregos), e pintou um traço ainda mais fino, porque mais reto seria impossível. Protógenes pediu pinico; Apeles, mais uma vez, tinha matado a pau _ no caso, a traço. O quadro foi exibido por muito tempo no palácio do rei Augusto, linhas fininhas, troço delicado de matar de inveja a Mira Schendel, até ser destruído por um incêndio quatro anos depois de Cristo.

Quem conta a historinha dos traços é Plínio, velho homem de imprensa grega, morto no Vesúvio pela mesma curiosidade que matou o gato. O Protogenes, diz Plínio, o velho fofoqueiro, pintava umas quatro camadas de tinta sobre o quadro, de modo a que sempre houvesse uma cor novinha sob a que ia se gastando, com o tempo. Neurastênico como todo bom artista. Perfeccionista, ficava anos ensebando com uma encomenda.

Tudo isso diz muito pouco sobre Protógenes, o novo, que acaba de detonar o Daniel Dantas, o Nagi Nahas e outros colaterais. Salvo que tem um pai com o gosto de fazer dos filhos uma referência à cultura clássica, mesmo que à custa de muuito sofrimento na infância. Faço idéia de quanto nosso policial não sofreu na mão dos crueis coleguinhas de primário.

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Um velho atrasador de jornal amigo meu tinha pai doutor em física, também amante das coisas clássicas. Amante também de uma senhorinha na Zona Norte do Rio. Ele tentou fazer com que a mulher oficial botasse nos filhos nomes de sábios gregos, como Anaximandro, Praxiteles e tal, mas a mãe do meu amigo, professora universitária, rejeitou corajosamente essas incursões eruditas na onomástica familiar. Anos depois, já separada do marido, lhe bate à porta uma senhoria dizendo ser também ex-mulher do mesmo, e lhe pedindo ajuda. Dona de bom coração, acolheu a moça, e teve a certeza de que era a amante do finado, quando foi apresentada aos filhos, um deles o Anaximandro, meses mais velho que seu caçula.

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Manchete no blog do Josias diz que Dantas usava a própria mulher como laranja. Não encontrei referência a essa posição no meu exemplar de cabeceira do Kama Sutra. De qualquer maneira, a dona deve estar um bagaço, a essa altura.

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Ontem eu contava a perseguição da PF contra a repórter que deu o furo da investigação Satiagraha. O Bob Fernandes, nadando de braçada com as fontes que garimpou na PF, confirma minha tese de luta intestina entre os meganhas. E fala de estranhas ações na própria PF para sabotar o Protógenes. O que me responde também à pergunta sobre o nome esdrúxulo da operação, que sugere uma resistência pacífica para chegar aos resultados que teve. Essa novela ainda terá cenas de sangue, suor e lágrimas, muitas lágrimas.

Operação Sarahyba, digo Sayonara

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A gente trabalha do lado da pessoa, e nem percebe suas filiações ideológicas, veja só. Foi necessário acontecer essa tal operação Satiagraha para eu descobrir que Oliveira, o canalha da redação, é um neoliberal. Acontece que ele ficou revoltado com o motivo que levou à prisão o Daniel Dantas.

"É chocante! Evasão de divisas!! Isso lá é crime?", bradava o Oliveira, pasmo, em frente à TV. "Se é crime, não deveria ser; é como o adultério!", filosofou.

Neoliberal e progressista, num certo sentido, Oliveira pensa que não deve haver travas do Estado ao fluxo de capitais, nem ao de desejos, pelo que entendi da indignação dele.
Já eu estou é intrigado com o nome da operação, que, por si só, dá matéria de jornal. Satiagraha, explicam, era o lema de Gandhi e significa "resistência pacífica a serviço da ética e da verdade moral".

Contra o que a PF teve de resistir pacificamente para pegar o Daniel Dantas?
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Estava até maravilhado com a diligência da polícia, que, toda semana, traz uma nova operação, com prisão de político, empresário ou algum outro malandro federal, estadual ou municipal. Estou sensibilizado, e a ação da polícia me diz que está mais difícil ser corrupto ou usar o dinheiro para tornar maleável a interpretação das leis. Esse país tem jeito, diz o otimista que vive do lado esquerdo de meu osso esterno.
Mas a polícia é tão eficiente, que, com a Operação Sagatiba também me mostra que nunca é bom botar toda a confiança em um sujeito armado. No embalo da Operação, tentaram (sem sucesso, por enquanto) uma pequena vendeta, e pediram a prisão e devassa da jornalista que havia dado um furo de reportagem, antecipando a ação dos meganhas.
Foi o bravo e competente Cláudio Tognolli quem contou o caso. AQUI.

Alá seja louvado

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Stewart Pinto de Carvalho, 34 anos, estava tão seguro de não ter feito besteira que aceitou até usar o bafômetro, ao ser caputrado por uma das milhares de blitzes que os policiais brasileiros só descobriram agora ser possível fazer para reprimir abusos. Para azar dele, estava com 0,42 mg de álcool. Não aparentava estar alcoolizado. certamente não estava. Mas, como há uma nova norma draconiana, sustentatada por sofismas e apoiada por pessoas bem-intencionadas que não se dão conta da violência que é essa nova Lei Seca, foi preso, teve o carro apreendido, pagará quase R$ 1 mil de multa.

Os jornais relatam que caiu o índice de acidentes. Mas claro. Com blitzes na rua como nunca antes, não seria necessário mudar a lei para reprimir os abusos. A lei anterior já proibia as pessoas de dirigirem com mais de 0,6 mg no sangue, o que, de fato, é um índice que altera os reflexos a um ponto perigoso. Esse pessoal seria preso antes, se a polícia não tivesse descoberto só agora o perigo de dirigir alcoolizado.

O que não se vê em lugar nenhum é uma explicação sobre por quê a polícia só foi às ruas reprimir o álcool no volante quando se criou uma lei que pune até o Stewart Pinto de Carvalho, que deve ter tomado seu chopinho habitual no começo da noite e voltava para casa dirigindo com responsabilidade, sem ameaçar ninguém.

É uma mudança de lei que se sustenta à base de barbeiragens intelectuais: seus defensores dizem que as operações vão reduzir os acidentes (reduziriam, com a lei anterior, do mesmo jeito, sem prender inocentes); argumentam que é melhor proibir logo tudo, porque tem gente que não se controla na bebida (quem não se controlava na bebida já seria reprimido pela lei anterior, que não transformava inocentes responsáveis em criminosos).

Agora, a notícia é só da prisão do Stewart e outros pobres coitados. Logo, começaremos a saber, pelos amigos, dos achaques de policiais que aproveitaram para extrair uma graninha dos cidadãos que se recusam a mudar hábitos inocentes.

Há quem não ache inocente beber uma taça de vinho. Opinião pessoal. Há também quem ache que as mulheres deveriam vestir burcas, pelo bem da coletividade.

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Fez sucesso hoje, no Valor, meu relato sobre o Lula, o Chavez e os barquinhos do Bush, segundo vejo na lista das matérias mais acessadas no sítio do jornal:


Dia
Navios americanos preocupam Lula e Chávez
Gol reduz velocidade de vôo e compra combustível em Minas Gerais e Rio
Agrenco desencadeia "efeito BDR" na bolsa
Cães e gatos passam da classe D para a C e setor fatura US$ 1 bilhão a mais
Na lista, apenas três indicações são bancos
Etanol do Brasil pode ser vítima de "armadilha ecológica" da UE
Fé nos balanços
Desindustrialização é parcial e restrita a três setores, mostra estudo
Blue Chip
Lei amplia benefício fiscal para empresas de serviços de saúde
Semana
Navios americanos preocupam Lula e Chávez
Ibmec-SP e FGV investem em dupla graduação
Gol reduz velocidade de vôo e compra combustível em Minas Gerais e Rio
Perda de valor dos bancos é global; Bradesco e Itaú mantêm posições
Agrenco desencadeia "efeito BDR" na bolsa
Cães e gatos passam da classe D para a C e setor fatura US$ 1 bilhão a mais
Na lista, apenas três indicações são bancos
Agrenco vale mais na Bovespa do que Dreyfus pagará
Rabobank reforça operações no Brasil
Etanol do Brasil pode ser vítima de "armadilha ecológica" da UE
Mês
Navios americanos preocupam Lula e Chávez
Gol reduz velocidade de vôo e compra combustível em Minas Gerais e Rio
Agrenco desencadeia "efeito BDR" na bolsa
Cães e gatos passam da classe D para a C e setor fatura US$ 1 bilhão a mais
Na lista, apenas três indicações são bancos
Companhias de TI passam a liderar ranking de fusões
Etanol do Brasil pode ser vítima de "armadilha ecológica" da UE
Fé nos balanços
Desindustrialização é parcial e restrita a três setores, mostra estudo
Standard Bank traz mais US$ 120 mi e contrata 60

Se é assim, acho que os frequentadores deste Sítio gostarao de ler a história, em que, por falta de espa:


Navios americanos preocupam Lula e Chávez
Sergio Leo



A decisão do governo dos Estados Unidos de reativar a Quarta Frota, com navios de guerra e aviões para patrulhar o Atlântico Sul preocupa o governo brasileiro, revelou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista a jornalistas sul-americanos, após o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, classificar a decisão americana de "ameaça" e acusar os EUA de planejarem o controle dos rios sul-americanos e dos recursos naturais da região.
"Agora descobrimos petróleo em toda a costa marítima brasileira, a 300 km da costa e queremos que os EUA expliquem qual a lógica dessa Quarta Frota, se vivemos em numa região totalmente pacífica", comentou Lula. "Nossa única guerra é contra a pobreza e a fome. Se fosse frota de navios de alimentos, de sementes, seria até razoável", ironizou o mandatário brasileiro. Ele informou que, antes mesmo de saber que Chávez mencionaria o assunto na reunião do Mercosul, havia pedido ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para pedir explicações à secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. "O ministro Amorim saberá obter uma resposta da Condoleezza", disse Lula, em tom amistoso.
A Quarta Frota foi criada na Segunda Guerra para enfrentar ameaças de submarinos alemães contra navios mercantes na região e está desativada desde 1950. Neste ano, o governo George W. Bush anunciou sua reativação, a pretexto de apoiar o combate ao terrorismo e ações humanitárias. Chávez, após enaltecer o "Mercosul político", comentou que uma das obrigações dos chefes de Estado da região seria exigir explicações dos EUA, que nomearam para comandar a frota um oficial com experiência em área de conflito, como o Vietnã.
Chávez, como de costume, deu o tom político a um encontro dominado por questões econômicas e comerciais. Propôs ainda aos governos do Mercosul criar um grupo para discutir a aliança das empresas petrolíferas da região, entre elas a Petrobras e a venezuelana PDVSA para formar uma única companhia, a Petrosul, e anunciou sua decisão de formar uma "estratégia petroalimentária", destinando US$ 1, de cada barril de petróleo vendido por mais de US$ 100, para formar um fundo destinado a programas estatais de fornecimento de alimentos na região.
As propostas de Chávez não geraram debate, em uma cúpula realizada em tom amistoso, mas que, segundo se queixou o ministro Amorim, deixou para o fim do ano o que o governo brasileiro considera a principal tarefa de consolidação do Mercosul neste ano: o fim das distorções na cobrança da Tarifa Externa Comum, que levam mercadorias importadas a pagar mais de uma vez o imposto de importação, ao ingressar por um dos países do bloco e passar para o território de um outro sócio.
Um dos instrumentos para eliminar a dupla cobrança é a criação de um regulamento único para as alfândegas, que não foi possível porque, contra a vontade dos parceiros de Mercosul, a Argentina insiste em incluir dispositivos que legitimem a aplicação de impostos de exportação, e o Brasil quer acrescentar dispositivos que favorecem a Zona Franca de Manaus.


Até agora, o debate sobre esse negócio estava mais restrito às publicacoes de esquerda. Para alguns analistas, nos EUA, seria uma açao preventiva contra o Chávez. Mas, como revelou LUla, o governo rbasileiro está mais preocupado cçmesmo com o risco de aproveitar pouco os momentos de Lula como Rei do Petróleo, Xeque da América do Sul. Mais sobre a Quarta Frota aqui e aqui.

Vamos ao que interessa

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Nem programa de integração produtiva, nem imigração na Europa, nem rodada Doha da OMC, o que os leitores deste Sítio querem saber, claro, é o que a cúpula do Mercosul decidiu afinal, sobre a resolução dos técnicos a respeito dos preservativos de látex no Mercosul, evidentemente.

Bom, passou, oficialmente, sem reparos. O uso de camisinhas no Brasil, na Argentina, no Uruguai e no Praguai agora tem a dignidade de um ato comunitário, harmônico, uma verdadeira celebração da unidade sul-americana.

É, sem dúvida, a decisão de maior penetração no seio da sociedade jamais tomada no âmbito do Mercosul.

Só um detalhe _ e que detalhe _ vem incomodando os especialistas; o comprimento mínimo para o produto determinado pelo regulamento para preservativos masculinos de látex de borracha é de dezesseis centímetros. Nada menos. Alguns diplomatras mais sensíveis consideram isso uma sabotagem insidiosa da Argentina contra as comemorações do ano Brasil-Japão. Não me explicaram ainda o porquê.



sitio do sergio leo

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