Falei AQUI sobre blogues, jornais e futuro, impressionado pelo veredito que os gringos botaram na cabeça do Fernando Rodrigues, de que os jornais estão com os dias contados. Nessa brincadeira, descobri até uma interessante análise do professor Idelber (perdão pelo pleonasmo; existe análise do Idelber que não seja interessante?), sobre blogues, ESSA AQUI.
Hoje, porém, acordei com um fantasma, que largava tinta pelo meu quarto e exalava um cheiro estranho (ele me explicou ser resultado do sol que tinha pego de manhã, enquanto, trancado no carro, esperava que eu acordasse). Era o espectro da mídia impressa, que, exultante, me estendia uma xerox do Jornalistas & Cia:
"Veja, veja", falou com sua voz gutural. "Isto é, digo, olhe isso aqui", corrigiu-se, apontando uma notinha no simpático periódico. Pensei, pelas palavras sussurradas em tom sensacionalista, que ele falava de revistas, mas não, era sobre os jornais que ele queria chamar atenção:
Os 30 maiores jornais do país filiados ao IVC, responsáveis por 83% da circulação total, cresceram em média 8,8% no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período de 2007. Os que mais avançaram foram os populares Aqui MG (128%), Super Notícia (67%), Daqui (58%) e Expresso da Informação (27%)...A Folha de S. paulo liderou o ranking geral de circulação, com 317 mil exemplares diários e crescimento de 5,9%, seguida pelo Extra (315.246, com queda de 0,2%), Super Notícia (301.362, alta de 67%), O Globo (281.823, alta de 2,4%), O Estado de S. Paulo (257.810, alta de 8,1%)...
Aqui MG? Expresso da Informação? Super Notícias? Que diabos são esses, pensava eu, esfregando os olhos remelentos. Mas a nota seguia, nas mãos trêmulas do ectoplasma emocionado, que amarelecia banhado pela luz matinal: a Zero Hora aumentou em 1,3% a circulação, o Diário Gaúcho, 10,4% e o Lance, 5,8%. É, os jornais crescem acima da taxa de crescimento da população adulta, o que só pode ter duas explicações: ou desocbriram uma maneira de usar jornal para traficar entorpecente ou está crescendo o público leitor desse antiquado objeto portador de notícias.
A turma quer jornal, não tem é dinheiro. Só espero que isso sirva de incentivo para nós, jornalistas, melhorarmos um pouco essa salsicha que andamos fazendo. Os bons (como os maus) momentos da reportagem pipocam todo dia, em várias páginas nesses jornais. Não há motivo para que eles não sejam a regra _ a não ser, talvez, a deterioração das condições de trabalho nos jornalões, com salários e tamanho das redações em queda.
Hirto, ao lado da minha cama, o fantasma dos jornais cobrava que eu escrevesse esse post. Amarrotando um sorriso, ensaiou até uma desforra tardia contra o Mark Twain: "como vê, Sergio Leo, as notícias sobre minha morte estavam bastante exageradas...."
Pé de pato, mangalô tres vezes.

A princípio é uma boa notícia. E seria interessante comparar esse crescimento com outras mídias noticiosas (grandes portais, tevê, rádio, alto-falante na praça...) para ver se isso é crescimento mesmo ou se é apenas uma recuperação (pequena) da demanda reprimida pela anterior situação de achatamento da renda da classe média. Outra cousa: Os jornais que mais cresceram são, perdoe o crime, "blogues impressos". Matérias curtas, sem análise, superficiais e que apelam para fotos imensas e conteúdo popularesco. Os grandes jornais tiveram crescimento marginal, podendo dizer que permaneceram estáveis (óquei, o otimista pode dizer: 'pelo menos não caíram...). Então este seu título não é lá muito condizente com a 'objetividade jornalistica'...
Seis por cento na Folha, oito no Estadão, quase três no Globo... todos com mais de 200 mil leitores diários (não falam aí das edições de fim de semana).Crescimento marginal, Thiago?
Meu comentário não tem nada a ver com o tema do post. Desculpe, mas não achei outro lugar para me comunicar com você. Assisti ontem ao Diálogo Brasil, com sua participação, e achei que o "fracasso" da rodada de Doha não é nem um "fracasso" definitivo, nem é uma perda irremediável. Hoje li várias opiniões na Web, desde os jornalões ao blog do Nassif, e parece haver um consensco de que o ministro Amorim se saiu muito mal, que falta ao Itamaraty (e ao governo) visão "estratégica", no mínimo em comércio internacional, que é um desastre total, ninguém se lembra do momento político pré-eleitoral dos Estados Unidos e da candidatura do representante da Índia, aspecto realçados no programa de ontem. Confesso que não entendo mais nada. E olho que procuro ler para entender. Se você pudesse resumir o debate de ontem talvez eu e outros leitores (se for o caso) pudéssemos começar a pensar com nossas cabeças. Ou a coisa é confusa assim mesmo, e só o tempo dirá para onde o processo tende?
Sim cavalheiros, boa notícia. Mas precisa de maior investigação. Que tal ver o número dos jornalões há 10 anos? Garanto que vão ter uma surpresa. Houve uma queda abrupta e agora há uma recuperação, porque...novemente a culpa é dos pobres ...tem gente que sempre quis ler jornal mas não podia pagar e agora pode. O fato dos jornais mais populares terem crescido mais já mostra isso, mas se vcs pegarem os números históricos dos jornalões vão perceber a queda que ainda não foi totalmente recuperada.Não acho que jornal, revista etc, vão sumir ou morrer, mas que já não estão com essa bola toda, não estão mesmo.Tem que haver uma mudança de estratégia, não sei qual, mas tem que haver. O estadão deu uma boa mudada e ganhou pontos.Fico aguardando a investigação sobre os números históricos para confirmar ou não a minha humilde impressão.mudando de assunto: cadê o post sobre a rodada de doha???? agora vc só fala disso na televisão?
Caríssima Vera,obrigado pela paciência de assistir ao programa àquela hora da noite. Foi duro, cassei a palavra de um monte de gente e nem eu nem os outros debatedores conseguimos chegar perto de esgotar o tema. É um equívoco brutal achar que Amorim foi mal. Há uma espécie de partido de oposição ao Itamaraty que se regozija nessas horas, mas não dizem qual a akternativa; ou melhor apontam alternativas inexistentes, contando com a igonorância do leitor _ ou manifestando a própria. Leia os jornais estrangeiros e verá que o ministro foi um dos mais elogiados, numa negociação que tinha tudo para fracassarmesmo, como fracassou; mas que valia a pena a tentativa de salvar.Vou escrever sobre isso na coluna do Valor, que publico na segunda-feira. Estou incomodado com o grau de desinformação de certos comentaristas, que, parece, nãos e deram ao trabalho nem de ler o noticiário de Genebra direito. Seguirei sua sugestão e da aiaiai, e postarei aqui a coluna. Na segunda-feira, se não me demitem...
Aiaiai, este blogue seria só para assuntos irrelevantes; ou para meus comentários irrelevantes sobre problemas importantes... E, pelas bobagens que tenho lido e ouvido, começo a pensar, cabotinamente, que o que tenho a dizer sobre a OMC não é nada irrelevante. Tem tanta coisa envovlida, e são tantos os tiros na água que alguns críticos vem dando que me cansa pensar em escrever sobre o tema. Como o blogue é só para coisas que consigo comentar em minmutos, fico adiando. Mas vem aí uma série de comentários´sobre a rodda Doha, na semana que vem. É uma ameaça.
Sérgio Leo, sem querer lhe pautar - trata-se somente de uma sugestão! No seu artigo apresente números. Fica mais fácil de se entender.Exemplo 1 - Os EUA queriam uma redução da tarifa de importação para até 12%. A Argentina queria 16%. O Brasil aceitou 14%. (Esta teria sido a traição do Amorim contra a Argentina).Exemplo 2 - Os EUA queriam que a salvaguarda fosse acionada quando o volume de importação média superasse os 40% da média dos 3 anos. A Índia queria 10%. E esta teria sido a divergência fatal.Observe que usei o verbo no "futuro do pretérito" (você afirma sem afirmar coisa alguma - uma desgraça), porque não tenho certeza sobre a fidedignidade dessas informações.Esses números permitem que possamos avaliar com melhor fundamento.É uma sugestão...
Eu entendo...na vida real vc rala escrevendo sobre coisas que todo mundo acha "importante", o lance aqui é só espalhar idéias. perfeito, acho que é isso mesmo. Continue falando de coisas irrelevantes. desculpe a insistencia, é que eu acho vc uma pessoa muito bem informada sobre esse assunto e ponderada...não entrou na guerra anti amorim. O cara faz um monte de besteira, mas muitas vezes acerta...Mas não precisa trazer esse assunto árido para cá...a gente te lê no valor sobre isso. Por mim, tá combinado. E valeu pela atenção.
A insistência é a alma do Sítio, aiaiai; se não fosse por ela, o capim estarioa crescendo em volta. Continue sugerindo posts, são muito bem vindas suas sugestões.
Entrar nos detalhes pode tornar a coisa chatra, anôpnimo, mas vou tentar seguir sua sugestão. Neste fim de semana adiantarei alguma coisa. Deixo comentários da coluna para segunda, porque o assunto é vasto...
Pô, Sérgio, analisar só os dados de um ano não vale. E quantos % disso é efetivamente crescimento e não recuperação das perdas dos últimos anos anos? Será que é absurdo considerar que esse "aumento" não é apenas uma volta de leitores perdidos anteriormente por causa da crise econômica? Sei que não vale muito, mas pelo que analiso a minha volta são poucos os 'novos' leitores que os diários conquistam. O que é uma pena. Só com o aumento de leitores será possível o surgimento de outras publicações com visões diferentes (leio o estadão e a folha e são tão iguais!) para dar pluralidade ao debate no país. Sabe, eu sou uma anomalia no meu meio (universitário, da intelligentsia uspiana) que ainda tem por hábito sujar as mãos com tinta de jornal diariamente. A maioria ali se informa só por blogues ou pelas notícias mais imediatas dos grandes portais. Talvez o jornal impresso de hoje tenha uma resistência que, assim como o CD, permita sua sobrevivência por mais algum tempo. Mas sou dos que acreditam que eles deixaram de ter grande importância no futuro. Assim como o rádio, por exemplo.
Estamos crescendo já há algum tempo, Thiago. E se houve perda de leitores por causa de crise econômica, é mais uma rgumento para defender a tese de que as novas tecnologias não sepultaram o jornal, nem ameaçam levá-lo à cova tão cedo...Se serve de comparação, no meu tempo de estudante na UFRJ também era assim, eu e uns poucos líamos jornal regularmente e a maioria _ naquela época não havia Internet _ sabia das coisas pela TV ou rádio mesmo. E o pior é que eu estudava numa Escola de Comunicação...(-;
De minha parte, obrigada pela promessa do artigo no Valor e pelo futuro post. É que não sou assinante do Valor e só compro quando sei de algo muito especial.Achei excelente aquela edição do programa da TV Brasil. Percebi, aliás foi dito explicitamente, que o assunto tinha sido apenas tocado. Mas foi o mais esclarecedor que li/ouvi sobre o assunto. Vera Pereira
Leo, eu também acho que o Jornal (em papel) vai decair, e esse crescimento é pontual, reflexo da melhoria do poder aquisitivo das famílias.Acabar não acaba tão cedo, porque sempre haverá o leitor da segunda-feira, que mesmo tendo assistido o jogo, quer ver o que diz o caderno de esportes, a caminho do trabalho, no metrô... Até o dia em que o celular prover à ele essas informações com dignidade e custo baixo.A leitura no trabalho e em casa já é mais na Internet, sobretudo para a nova geração.