setembro 2008 Archives

Consciência liberal

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As emendas democratas ao pacote de salvamento do sistema financeiro nos EUA tinham incríveis semelhanças com as sugestões de um dos economistas mais lúcidos na análise dessa crise, Paul Krugman. Ele hoje reproduz um gráfico que mostra como o Banco Central americano, o FED, vem se apoiando num terreno cada vez mais movediço.

Está AQUI: antes, o patrimônio (ativos) do FED era, basicamente, de títulos do tesouro americano _ os mesmos que compõem boa parte das reservas internacionais do Brasil. Agora, à medida que a crise se complica, o FED vem acumulando uma quantidade absurda de papéis ligados a mecanismos nada confiáveis de socorro de liquidez ao setor privado.

Ao contrário do que acontece aqui embaixo do Equador, o aumento da farra nas contas públicas do Tesouro dos EUA deixa os bancos animados, porque reduz o risco de recessão. E o dólar, como sempre que estou prestes a tirar férias e comprei passagem pros EUA, continua subindo. Um dia faço um gráfico para mostrara correlação entre a cotação da moeda americana e as malditas vezes em que resolvo visitar o país do George Bush e do Woody Allen.



P.S. Quem anda traduzindo os artigos do Krugman no Globo, Deus do céu? Dia desses, cometeram aquele erro crasso de traduzir compreehensive (abrangente) por compreensivo, ao falar do pacote de salvamento dos bancos. Hoje, botam o pobre Krugman dizendo que um dos principais assessores econômicos de McCain agiu para "prevenir" a vigilância sobre os derivativos financeiros que provocaram a crise no mercado americano. Ele escreveu prevent, no sentido de impedir, obstar.

Ainda não sei se a traição às idéias do Krugman é reflexo de desconhecimento do inglês ou, pior, do português.

Relações de vizinhança

Da minha coluna de ontem, no Valor:

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, em viagem pela China, ficou longe da polêmica provocada pela intervenção do amigo presidente do Equador, Rafael Correa, nas obras da Odebrecht em solo equatoriano, alegando irregularidades. Amanhã, Chávez, Correa e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontram em Manaus. Passado o referendo realizado ontem no Equador, no qual estava em jogo a aprovação da nova Constituição defendida pelo presidente, Correa já acena com uma conciliação. Chegou a anunciar, sábado, que a Odebrecht aceitou um acordo (a empresa não confirma).

De Chávez, espera-se em Brasília que jogue ao lado de Lula, de quem ouvirá em Manaus o anúncio de medidas de apoio ao programa de industrialização venezuelano. O boliviano Evo Morales deve participar do encontro. No fim de semana, Morales, agora em briga com os EUA, disse que sabe para quem a Bolívia venderá as mercadorias que acabam de ser excluídas do sistema de preferências tarifárias do governo americano. Sua salvação, anunciou, será o Brasil do amigo Lula.


Hoje, no jornal, eu detalho um pouco resultados dessa aproximação "ideológica" com Chávez, que anima os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos:

BRASÍLIA - O projeto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para criação de indústrias estatais, recebe hoje medidas concretas de apoio do governo brasileiro, que espera fornecer ao país vizinho máquinas e equipamentos fabricados no Brasil. Após o encontro que terá com Chávez, em Manaus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve acompanhar a cerimônia em que o venezuelano receberá os pré-projetos para construção de sete tipos de fábricas em território venezuelana, com tecnologia desenvolvida no Brasil. Empresas brasileiras esperam firmar contratos milionários com o governo Chávez.

" Os contratos estão prontos e espero que sejam assinados, embora sempre haja conversas de última hora " , disse, ao Valor, o diretor-executivo de Mercados da Associação Brasileira a Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mário Mugnaini. As empresas Tropical Food e Siminox deverão fornecer equipamentos para indústrias de suco de laranja e de goiaba, a Bronzinox fechou negociações para equipar uma indústria de beneficiamento de pescados, e a Indústria de Máquinas Moreno negocia, ainda, o fornecimento para uma fábrica de latas destinadas à indústria alimentícia.

continua, AQUI.

2º clichê: A reunião ocorreu, fizeram um acerto de bastidores com o equatoriano que, discretamente, vai recuar. Mas o mais interessante: Chávez elogiou Lula, a Odebrecht e o BNDES, ameaçado de calote por Correa e, segundo o venezuelano, uma grande ajuda à América do Sul. Se falasse o contrário, haveria manchete em jornal falando do fracasso da política externa de Lula. Como jogou ao lado do brasileiro, ganhou pouco destaque; Oliveira, o canalha da redação, diz que ele precisa de uma assessoria melhor de relações públicas...

(melhor não atribuir os elogios à Odebrecht à política externa. A menos que seja a política externa da Odebrecht, hoje unha e carne com o governo venezuelano, êita eficiência).

Salve-se quem puder

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O pessoal em Wall Street não leu a penúltima edição da veja e entrou em pânico. Para se ter uma idéia de como estão mal na foto, olha a chamada que a agência Estado acaba de botar no sítio lá deles:

Wall St despenca com medo de rejeição pela Câmera

A Câmera, o microfone, as impressoras, todos estão rejeitando mesmo a farra dos mestres do Universo que botaram no buraco a economia americana.

Enquanto isso, a aprovação do Lula anda em 80% (!!!!!), o que o encoraja a falar o que lhe vem à cabeça sobre economia. E para quem acha que Lula andou se precipitando, uma notícia mostra como já conseguiu extrair alguma coisa das camadas do pré-sal exploradas pela petrobrás:

Otimismo do pré-sal reforça boa avaliação de Lula--CNI/Ibope

O negócio é que o mercado, esse monstro de mil cabeças muitas mãos e pouco cérebro, acha que os europeus não conseguirão salvar seus bancos, que já começam a sentir a ressaca do porre financeiro dos EUA _ que também não conseguiu apoio político para o presente aos banqueiros que rendeu aquela capa já histórica da Veja, aqui embaixo.

Isso tudo no aniversário de cem anos da morte de Machdo de Assis. Vingança do defunto, que não engoliu até hoje, lá do Purgatório*, a tentativa do Gustavo Franco de botá-lo no time dos que agora arrancam cabelos em Wall Street.


*ele era ateu e anti-clerical, lembrem-se.

Retirada estratégica

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Na semana passada, tínhamos sido salvos pelo Tio Sam, segundo a veja. Nesta, a revista nos informa que "o pesadelo não acabou", e até fala na capa sobre "a falência das previsões", mas nem comenta a comemoração precipitada da edição anterior. Se a Carta Capital tivesse um sítio melhorzinho, com reprodução decente da capa desta semana, daria para mostrar bem o que fizeram com essa casca de banana que a veja jogou para si mesma.











SABADOS

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"Quando Freud encontra o Nélson" S Leo - óleo sobre tela e colagem


Inauguro hoje, minha revista semanal com colaboradores compulsórios, como só a blogosfera permite fazer ( já descobri que pertenço ao quadro de blogueiros de revistas que nunca me consultaram. com muito prazer).


Começo com a seção Cultura, do professor Idelber, e seus "Três relatos de Arguedas, Borges e Rosa":


O antropólogo índio peruano José María Arguedas, o refinado bilíngüe argentino Jorge Luis Borges e o erudito poliglota matuto João Guimarães Rosa são autores de três relatos que retrataram de forma curiosa a figura do homem , pensaram de forma insólita a masculinidade. Apesar de sempre tê-los lecionado, hoje pela primeira vez conduzo um seminário sobre os três textos em conjunto. O efeito é revelador.
Arguedas era falante nativo de quechua, bilíngüe em espanhol só depois de moleque no colégio. Formado em antropologia, pioneiro em pesquisas antropológicas sobre as culturas andinas do Peru, ele vive a estranha cisão de ser ao mesmo tempo sujeito e objeto do que estuda. Vivia com a imagem da mulher gigantesca, invariavelmente índia, e mais sensual quanto mais sobredimensionada na memória. A mulher em Arguedas é uma espécie de Tia Anastácia bugre, hiper-sexualizada, ante a qual o garoto, assombrado, sucumbe no teste de macheza. Mas Arguedas vive um drama que é todo particular seu, diferente de outros escritores homens que trabalham essa imagem da iniciação adolescente com a mulher enorme sobre-erotizada. Essa fêmea é, quase sempre, em Arguedas, estuprada.


Continua, AQUI.


Seguimos com o Humor do Almirante, e seu stand up do Machado.


(...) Quer dizer que em setembro agora faz um século que eu morri? Bem que estranhei o silêncio prolongado: achei que estava era faltando assunto na última reunião da Academia Brasileira de Letras (risos). Aliás, falando na Academia, depois que aquele cirurgião plástico e aquele político maranhense se elegeram lá é que fui ver que meus primeiros sonetos não foram a coisa mais execrável que já criei (risos). Pensando bem, essa é a melhor maneira de um mulato ingressar numa academia sem recorrer ao sistema de cotas: fundando uma! (risos) E não, não procede a tese de que escrevi Memórias Póstumas de Brás Cubas para inaugurar o realismo brasileiro. Na verdade foi laboratório para poder tentar o circuito de stand-up comedy cem anos depois de morto (risos). É que eu tenho que defender uns caraminguás, ora: o que vocês fariam se sua obra caísse no domínio público? (risos) E já estou pressentindo um ou outro aí na platéia impaciente para saber se afinal de contas aquela minha mais famosa personagem foi fiel ou não. Não vejo o porquê do mistério:

continua, AQUI


Em seguida, o Mau Humor, do Hermê, esse implicante:


Tio Rei tem hoje um post lastimando o “fim do mundo unipolar”. Para ele o ressurgimento de um mundo multipolar não parece ser grande coisa:
“Nunca consegui saber o que as democracias ocidentais perderiam de importante com a possibilidade do tal mundo unipolar, que provocava tantos sustos. Mas sei o que estamos ganhando com o atual multipolaridade: um Irã que continua a desenvolver o seu programa nuclear, protegido por Rússia e China; uma Venezuela que caminha para a ditadura explícita buscando ancorar-se nos russos, e, o mais grave de tudo: a aceitação tácita, também entre nós, de que a democracia é só uma das escolhas entre outros sistemas aceitáveis e eficientes. E já há quem desconfie se é mesmo a melhor escolha, agora que se sabe que economia de mercado com ditadura é bem mais fácil de ser manejada.“
Hããããã…esse é o trecho do “draft” do plano do Hank Paulson que foi devidamente ridicularizado a ponto de ser batizado “
Authorization To Use Financial Force” blogoseira afora:


Desnecessário dizer, continua. AQUI.


Em Política Internacional, temos o mestre Maurício Santoro, falando de Equador:


O conflito envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht e o governo do Equador é bastante ilustrativo do novo cenário com que se depara a política externa brasileira na América do Sul, num momento em que as empresas do país se expandem pela região.


Os grandes produtores de hidrocarbonetos na América do Sul (Bolívia, Venezuela e, em menor escala, Equador) obtiveram recursos econômicos que lhes estimularam a ter políticas externas autonomistas, que com certa freqüência levam a conflitos com empresas estrangeiras. No caso específico do Equador, o governo Correa entrou em confronto com diversas empresas nos últimos meses: expulsou a petroleira americana Occidental e forçou firmas de telecomunicação do México e da Espanha a refazer contratos.


O Santoro vale continuar a leitura, AQUI.


A seção Radar dedico ao Tiagón, com a seguinte dica:


está no ar a mais nova empreitada do escritor, tradutor, doutor e agitador Fábio Fernandes: terra incognita, a revista. a ponte a resgatar da invisibilidade a produção nacional (e internacional, sim) de ficção científica.


Detalhes, AQUI


Na seção Virtual, deixo o Bicarato copiar a Lelex Iabel:


uma lição de pensamento não é uma colagem de instantâneos, mas um filme, cujo enredo reintroduz personagens e ambientes, sob focos diversos e em diferentes etapas da evolução,


Estão falando de metareciclagem, seja lá o que for isso, AQUI


E a revista encerra esse número com Literatura, do excelente Milton Ribeiro:


O negão Inácio tinha nos chamado no seu quarto. Todos fizeram cortes nos dedos. Nem vi direito onde ele guardou o sangue do nosso time porque ele saiu na corrida para o levar ainda vivo para um Pai de Santo lá de Bagé. No dia seguinte, podíamos sair da segunda divisão se ganhássemos do Ipiranga de Erechim – casualmente meu ex-time – no Estrela d`Alva. No quarto, enquanto dava meu sangue, tremia e lágrimas de arrependimento me vinham aos olhos. Foda. Os companheiros me abraçaram, pensando que eu estava emocionado com a demonstração de união que estávamos fazendo. Que nada, eu estava apavorado mesmo, porque, desde o dia anterior, era o traíra do grupo.


Segue, AQUI.


E o melhor de tudo, estão trabalhando sem receber um centavo. Melhores colaboradores não há, essa revista vai longe.

A capital do Equador é sempre Quito

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Saudades da infância cearense, quando a gente cantava a frasezinha acima, que, em cearês dá um cacófato delicioso...

E virou moda botar Exército em instalação de empresa brasileira no exterior. A fama das secretárias brasileiras ouriça as casernas, a verdade é essa. O resto é pretexto.

A Folha informa ( e a imprensa do Equador já reproduz) que um dos engenheiros atacados por Rafael Correa estava no Equador "promovido", depois de ser o responsável pela obra do metrô de São Paulo que virou cratera, em 2007. Quem me mostra a notícia é Oliveira, o canalha da redação, indignado:

"Eu já estava enrolado na bandeira do Brasil, procurando um adesivo da Odebrecht para botar no peito e me acorrentar aos portões da embaixada equatoriana", chraminga o crápula. "Isso desmoraliza minha ação política!!"

Expliquei pacientemente ao Oliveira que, mesmo se a Odebrecht andou fazendo besteira nas obras lá do Equador, o presidente do país tem milhares de mecanismos legais para cobrar as responsabilidades da empresa, sem intervir em outras obras da companhia nem transformar o assunto em bandeira de campanha eleitoral, ameaçando calote no BNDES, tirando direitos constitucionais de cidadãos brasileiros (jnclusive do engenheiro pé-frio).

Correa politizou a briga com a Odebrecht, porque no domingo votarão a constituição que ele quer ver em vigor no Equador. Não dá para deixar passar isso barato.

A questão, porém, é: que fazer? O Brasil, contra toda a histeria dos editoriais pátrios, vêm se impondo como o país mais sério e moderado do continente, com ações responsáveis e pacificadoras, como referência para todos os governos da região. Tem, também, superávits comerciais signifcativos com todos os países vizinhos, à exceção da Bolívia, de quem compra um gás complicado mas baratinho.

O estilo político da vizinhança inclui o uso de assuntos externos para desviar a atenção de problemas internos, a vitimização e acusações de imperialismo. Somos os novos imperialistas do subcontinente, já controlamos quase toda a siderurgia da Colômbia, a soja do Paraguai, boa parte dos frigoríficos da Argentina... e não temos porta-aviões nem o poder econômico dos Estados Unidos.

Entrar no bate-boca público com a vizinhança é desmoralizar uma reputação ganha a custo. O Chávez não vê problema em acusar um governante de bandido num dia e abraçá-lo chamando de irmãozinho no dia seguinte. Não parece uma boa política de relações públcias a ser seguida. E o ressentimento latente contra a crescente influência brasileira exige mais cuidado nas reações às provocações andinas e platinas. (Aliás, coisa notável, o Chávez nem deu um pio nessa história com o Equador, aliado de fé. Nessas horas, ninguém fala da política externa do Lula).

Espero que, a essa altura, gente do governo brasileiro esteja atarefada nos bastidores mandando do Correa calar a boca. Os maiores prejudicados com esse tipo de bravata são os equatorianos mesmo. Espero também que a próxima semana mostre uma mudança de ventos em relação ao caso Odebrecht. Mas, para que isso aconteça, espero também que o engenheiro Fábio Gandolfo seja só um distraído azaradíssimo.

Ora, até comentaristas de credo liberal estão dizendo agora que essa crise financeira mundial derrubou o mito de que os mercados são capazes de se auto-regular. ngando deles. O mercado mostrou bem que é capaz, sim, de fazer ajustes em si mesmo.

O negócio é que esses ajustes sempre têm um custo, mais forte quanto maior a falha. Com freqüência essa regulação vem na forma de desemprego, perda de renda, dificuldades e sofrimento para quem não freqüenta as páginas de Caras. Desta vez, os erros pegaram esse pessoal e mais alguéns. A conta do ajuste não ia isentar ninguém.

Aí, nessas horas, chamam o Estado para redistribuir a renda. De todos os contribuintes para salvar a todos, sem descuidar dos ricos. A receita tradicional, de deixar o povo arcar sem ajuda com os custos não é solução nesse caso.

Violência, carências educacionais, má formação de professores, poluição e tráfico de drogas aumentam em conseqüencia das falhas do Estado, e dos ajustes (juros altos, por exemplo) feitos na máquina pública por conta também das falhas do mercado. Criam custos que não aparecem nas planilhas tradicionais, por isso não despertam tanta atenção dos comentaristas de economia, que, nesses casos, ou chamam tudo isso de "externalidades" ou receitam os poderes curativos do mercado.

É, o mercado ajusta as coisas, basta dar um prazo, e aceitar os custos. Pena que, como dizia um economista muito atual, a longo prazo estaremos todos mortos.

País desenvolvido é isso aí.

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Como a costureira que assistiu ao pronunciamento do Bush e ficou impressionada com a má qualidade das costuras do terno do presidente, eu fiquei fascinado, no depoimento do Henry Paulson e do Ben Bernanke ao Congresso americano com um detalhe marginal: a sabatina dos caras encarregados de tirar os EUA do buraco durou uma hora e meia.

Uma hora e meia!!! Nesse período, os deputados disseram o que tinham de dizer e ouviram alguma coisa do que tinham de ouvir. Cobraram um teto para os bônus dos executivos arrogantes que botaram o sistema financeiro dos EUA de joelhos (eu caho que é caso de prisão e não de bônus, mas isso ainda vamos ver como fica); exigiram que o governo dos EUA ficassem com uma parte dos bancos que salvarem, para depois ver se rende alguma coisa ao contribuinte que pagará a conta; garantiram supervisão do parlamento sobre um programa que o secretário de Tesouro dos EUA queria transformar em cheque em branco. Por aí foi.

Um troço desses aqui no Brasil, no Congresso, demandaria uma hora e meia só para começar a sessão. Teríamos discursos indignados e gongóricos de vinte minutos, comentários apopléticos e vazios, arrufos entre oposição e governo, incontáveis comentários desinformados, perguntas fora de próposito...

Eu já disse até em coluna de jornal que é uma babaquice esse lugar comum de que político é tudo ladrão etc e tal. Mas o grau de desinformação e leviandade da politicalha nas comissões do Congresso é de matar de vergonha. E os caras vão se revezando, um sai para comer, o outro chega, quem está como jornalista ou depoente numa sessão dessas morre de fome, raiva ou tédio por aqui.

Se fosse no Brasil a sabatina do Paulson e do Bernanke, os caras estariam no Congresso até hoje. Com o risco de não sair nem metade das notícias que saíram de lá. Os jornalistas, como sempre que há essas sessões com emissários do governo, sofrendo em salas lotadas para ter algo o que escrever antes do fechamento do jornal.

O que consola meu despeito é que agora quem tem de trabalhar em fim de semana para cobrir pacote econômico são os coleguinhas lá de riba do Rio Grande.

País desenvolvido é isso aí.

Como a costureira que assistiu ao pronunciamento do Bush e ficou impressionada com a má qualidade das costuras do terno do presidente, eu fiquei fascinado, no depoimento do Henry Paulson e do Ben Bernanke ao Congresso americano com um detalhe marginal: a sabatina dos caras encarregados de tirar os EUA do buraco durou uma hora e meia.

Uma hora e meia!!! Nesse período, os deputados disseram o que tinham de dizer e ouviram alguma coisa do que tinham de ouvir. Cobraram um teto para os bônus dos executivos arrogantes que botaram o sistema financeiro dos EUA de joelhos (eu caho que é caso de prisão e não de bônus, mas isso ainda vamos ver como fica); exigiram que o governo dos EUA ficassem com uma parte dos bancos que salvarem, para depois ver se rende alguma coisa ao contribuinte que pagará a conta; garantiram supervisão do parlamento sobre um programa que o secretário de Tesouro dos EUA queria transformar em cheque em branco. Por aí foi.

Um troço desses aqui no Brasil, no Congresso, demandaria uma hora e meia só para começar a sessão. Teríamos discursos indignados e gongóricos de vinte minutos, comentários apopléticos e vazios, arrufos entre oposição e governo, incontáveis comentários desinformados, perguntas fora de próposito...

Eu já disse até em coluna de jornal que é uma babaquice esse lugar comum de que político é tudo ladrão etc e tal. Mas o grau de desinformação e leviandade da politicalha nas comissões do Congresso é de matar de vergonha. E os caras vão se revezando, um sai para comer, o outro chega, quem está como jornalista ou depoente numa sessão dessas morre de fome, raiva ou tédio por aqui.

Se fosse no Brasil a sabatina do Paulson e do Bernanke, os caras estariam no Congresso até hoje. Com o risco de não sair nem metade das notícias que saíram de lá. Os jornalistas, como sempre que há essas sessões com emissários do governo, sofrendo em salas lotadas para ter algo o que escrever antes do fechamento do jornal.

O que consola meu despeito é que agora quem tem de trabalhar em fim de semana para cobrir pacote econômico são os coleguinhas lá de riba do Rio Grande.

Dedos sangrando e lixo tóxico

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Podem dizer o que disserem dela, mas já foi minha chefe, já trabalhei com ela, vi de perto como é trabalhadora, obsessiva, séria, honesta, ninguém fala mal da Miriam Leitão perto de mim.

O que não quer dizer que não possam criticar o que escreve. Hoje, depois de uma série de artigos falando da desmoralização do fundamentalismo de mercado, a Miriam deve ter levado alguma bronca das fontes, ou sentiu dor na consciência liberal, fala em dinossauros querendo a volta do Estado, e diz nem vem que não tem, no Brasil a coisa é diferente, coisa e tal.

É não, tia Miriam. Violência urbana como a que se vê no Rio, miséria extrema como a que ainda existe, devastação de recursos naturais, desemprego, no país ainda é falta de Estado, como ficou claro pelo vigor que a Bolsa Família deu ao consumo de massa no Brasil. Sem BNDES, numa hora dessas, o país contaria com quem, com a Goldman Sachs?
Claro, Miriam está certíssima quando diz que há de se tomar cuidado com os piratas do estatismo, doidos por qualquer pretexto para criar uma boquinha empresarial nos cofres do governo.

O Hermê vem fazendo uma boa coleção de artigos sobre essa crise que vem pondo o mercado de joelhos, mas abro uma brecha na minha decisão de só tratar esse assunto cinzento na minha maneira irresponsável, para reproduzir uma parte do artigo do Albert Edwards, da Societè Generale, panfletado há pouco perto aqui do Sítio e traduzido livremente por mim mesmo (o tema é o pacote de socorro anunciado pelo governo Bush aos bancos, que transferirá ao governo as dívidas do pessoal inadimplente que vêm apodrecendo os cofres da banqueirada):

"O plano de socorro dos EUA pode ser analisado de maneira simples. Como o Tesouro dos EUA pretende comprar com desconto o lixo tóxico (traduzo: créditos podres, empréstimos malfeitos feitos pelos bancos), esse processo vai criar uma dolorosa descoberta sobre preços, nos bancos que não foram bem sucedidos em leiloar esse créditos. Portando, será mais inteligente para os bancos manter o lixo debaixo das páginas dos balanços. Este socorro não vai recapitalizar os bancos. Se a idéia é que o simples ato de tirar o lixo dos balanços vai restaurar confiança, eles podem sempre, a qualquer momento, reduzir a zero os valores registrados na contabilidade!

O que os investidores têm de mirar agora é a recessão atual, que o pacote de salvamento não pode prevenir. O aperto no crédito vai claramente resultar em falências pessoais e empresariais, muito superiores aos das últimas duas recessões. Isso, por sua vez, vai desencadear um segundo tsunami de erosão de capital para bancos que, em muitos casos, se mantém solventes segurando-se pelas ensanguentadas pontas dos próprios dedos. "

O Edwards não está sozinho, para muita gente boa o capeta ainda não mostrou o rabo inteiro. Mas a Veja, essa peralta, apressou-se a decretar o fim da crise, e mandou às ruas uma edição a ser lembrada como uma das maiores demonstrações de confiança na sapi~encia bovina do mercado de que já foi capaz a imprensa latino-americana. Intoxicados, quem sabe, por uma overdose de Wall Street Journal, eles acreditam em coisa em que nem os Estados Unidos acreditam, cruz credo.

Delícias da caixa postal

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Recebo este singelo release da Univali, que aponta uma candidatura braisleira imbatível para o prêmio Ignóbel:

Ratos preferem caixas pretas

Pesquisa demonstra que ratos optam por permanecer em caixas pretas ao invés das brancas e transparentes usadas normalmente em biotérios

Itajaí/SC - Pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), divulgaram estudo em que demonstram que ratos e camundongos apresentam alto índice de preferência por caixas de alojamento pretas, ao invés das brancas ou transparentes, usadas normalmente na manutenção dos animais em laboratório.

A pesquisa surgiu por encomenda de um fabricante de materiais para laboratórios que já utilizava as caixas para serpentes e pretendia lançar o produto no mercado com a nova finalidade. As caixas foram testadas com um sistema de comunicação que permitia a passagem dos animais. O tempo de permanência em cada uma das caixas foi registrado e os resultados preliminares mostraram uma significativa preferência de ratos pelas caixas de cor preta. No inicio dos trabalhos foram testados, também, caixas verdes, mas essas logo foram rejeitadas e descartadas da pesquisa.

“Não há dúvida de que eles (camundongos e ratos), preferem as caixas pretas. Caso esta cor de caixa não inviabilize o experimento, esta condição deve ser oferecida ao animal devido ao aumento de seu bem-estar”, afirma Marcel Frajblat, professor da Univali e presidente Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (Cobea), entidade que divulga a ciência em animais de laboratório.

Oliveira, o canalha da redação, me garante que os próximos releases da Univali serão sobre a pesquisa que constatou a preferência de gatos por almofadas e de minhocas por ambientes lamacentos. Parece que tentaram usar as caixas verdes num experimento com cabras, mas elas foram todas comidas (as caixas, não as cabras). Poucas coisas são tão maravilhosas como a curiosidade científica.

Durou pouco

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A imprensa comtinua atribuindo à Lei Seca o que é função da maiotr fiscalização no trânsito: a queda de acidentes. Foi a fiscalização relaxar e os índices já começaram a subir, sem que se tenha notícia de aumento ou queda no consumod e bebidas nos bares.

É esperar agora começarem as notícias sobre achaques aos cidadãos que bebem socialmente e dirigem sem ameaçar ninguém.

(dia desses, após beber uma cervejinha, fui parado em uma blitz. como a PM de Brasília não é corrupta e eu dirigia, como sempre, sem fazer loucura, não me pediram para usar o bafômetro. Escapei de uma tremenda dor de cabeça. Mas não de ter o carro recolhido ao depósito. Malditas prestações do IPVA, a gente acaba sempre esquecendo as últimas).

Viva Machado

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Em uma semana, serão cem anos de Brasil sem Machado de Assis. Mas nunca ele esteve tão presente. Não teve filhos, mas deixou ao mundo o legado do gênio. E não podia prever, claro, que como parte das comemorações seria sacaneado com uma caricatura feita pelo Sergio Leo. Mas vai ter coisa pior, por enquanto está no lucro.

Recomendo, enquanto a semana não acaba, uma viajada pelo sítio do Joaquim, na Academia Brasileira de Letras. Pena não ter atalho para as obras disponíveis da Internet. Mas para essas coisas existe nosso humilde Sítio, com essa porta AQUI.
2º clichê: essa correria me faz dizer besteira no Sítio. Como repara o Thiago, nos comentários, é claro que o sítio do Joca Machado tem um caminho para as obras digitalizadas dele. AQUI. Livros a mancheias.
(clique na figura para ampliar)

Polemica paraguaia

Alguém aí lembra da histeria logo após a eleição do Fernando Lugo no Paraguai, gente dizendo que iria acontecer lá a mesma coisa que na Bolívia, onde militares cercaram usinas da Petrobras, coisa e tal? Pois é, era uma análise mais falsificada que certos uísques importados do passado.

Lugo esteve em Brasília; no fim do encontro, deram coletiva os ministros de Relações Exteriores dos dois paísese; o apraguaio, Hamed, abriu a boca, na maior parte das vezes, para dizer que endossava o que dizia o Celso Amorim. E, ao voltar a Assunção, deu uma entrevista, da qual até negou permptoriamenter que O Paraguai vá recorrer a tribunais internacionais, caso o Brasil não reveja o tratado de Itaipu.

Lugo é negociador, da escola da Igreja Católica, não se formou no terreno belicoso do sindicalismo boliviano. Interessa ao Brasil ajudar o cara a levar o Paraguai para o caminho dos páises normais. E ele parece ter consciência disso. Cercado pelas forças políticas conservadoras, não fárá muito sem ajuda de Lula; e, com Lula, pode fazer a diferença no país vizinho.

As coisas vão andando bem com o Paraguai, apesar de todo o ressentimento dos paraguaios com Itaipu e o que consideram desleixo do Brasil com eles. Talvez por isso, os editorialisats e colunistas de sempre não andam falando muitoo do assunto..

Vamos combinar uma coisa?

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Se você for jornalista e escrever sobre a crise no mercado financeiro, promete não usar a expressão "no olho do furacão"?

Até porque, pelo que me lembro, é no olho do furacão onde menos coisa acontece. Troço chato mesmo, a menos que você esteja olhando em volta.

O total de bônus da dívida argentina que entrou em moratória em 2005, ora que coincidência, foi de US$ 81,5 bilhões. Os argentinos pagaram só parte disso, e estão até hoje condenados por mau comportamento, sem crédito na praça.

A AIG, gigante dos seguros, acaba de rebeer uma mãozinha do contribuinte americano, de cujo bolso o governo George Bush sacou, quem diria, US$ 85 bilhões, para evitar uma quebradeira geral. No problem, é assim que tem de funcionar o capitalismo, evitar o "risco sistêmico", coisa e tal.

Como nos anos 30, está comprovado que o regime de livre mercado é a melhor fórmula para a economia, auto-regulável mesmo, incentivos, correções, essa patuscada toda.

Oitenta e cinco bilhões. Como disse a Miriam Leitão, hoje no Bom Dia, são duas Bolívias. Ela já está falando até no Império. Mais um pouco e vai ter gente buscando seguro em ações da PDVSA.

O jeito é dançar



Esse é meu amigo eduardo Feijó, e seu "Rap da Cerebruda". Um dos preferidos do Oliveira, o canalha romântico da redação.

Nosas revistas serão mais fofinhas



Mesmo quem não entende inglês poderá notar, neste vídeo do You Tube, que a eletrônica finalmente chegou às revistas, por enquanto sob a forma de telinhas engraçadinhas, e publicidade (quem bancou a brincadeira) de carros simulando movimento.

O mais novo número da Esquire tem, embutida na capa, uma traquitana eletrõnica que permite conteúdo virtual, só o começo do que pode vir por aí. O Fernando Rodrigues insiste comigo que esse tipo de coisa é brinquedo para dinossauros como eu, e que nossos filhos verão tudo pela tela do computador _ ou da geladeira, sei lá.

Eu digo que o computador ou a geladeira serão usados para leitura cotidiana quando se puder lê-los naquelas horas em que qualquer um se vê impossibilitado fisologicamente de sair do assento. Essa Esquire fofinha mostra que, quando inventarem esse computador, ele será uma revista. Ou também uma revista.

O vídeo, roubei do Hermenauta, que, aliás, vem pescando excelentes artigfos sobre a crise americana.

Conosco ninguém podosco

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Essa quem me contou foi Oliveira, o canalha da redação, por isso até desconfiei; mas o presidente anda tão eufórico com o bom desempenho da economia brasileira e o estrelato do Henrique Meireles que chego até a prensar se não é verdade.
O negócio é que ele estava lá, ajudando a apartar o arranca rabo na Bolívia, quando vieram lhe contar das últimas rachaduras no sistema financeiro mundial. Lula, rindo como quem despacaha a sogra de férias, desdenhou:

_ Vamos fazer desse Lehman uma limonada!!!!

Não sei o que é pior, o trocadilho ou o humor do Oliveira, a favor .

Estarei lá, hoje à noite

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Uma vela para a Bolívia

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Do embaixador Rubens Ricupero, na Folha deste domingo:

No início dos anos de 1980, a ditadura de Garcia Meza e de Arce Gómez ("arcesino" para os bolivianos) entregara o país à sanha de quadrilha de narcotraficantes. O subsecretário de Assuntos Interamericanos dos EUA, o falecido embaixador Thomas Enders, tinha vindo a Buenos Aires e Brasília a fim de persuadir os dois maiores vizinhos da Bolívia a fazerem "alguma coisa" a respeito.
Como o equivalente de Enders no Itamaraty, assisti à audiência que o visitante teve com o chanceler Saraiva Guerreiro. Foi um diálogo de surdos. O americano insistia em que não deveríamos "tolerar", como se voltou a dizer agora, a situação em La Paz. Não dizia claramente o que esperava de nossa parte, mas deixava entender que era alguma ação "musculosa". Depois de explicar uma ou duas vezes por que não cogitávamos de nos afastar do princípio de não-ingerência, o ministro cansou e ficou silencioso.
Desconcertado, o visitante exclamou em tom veemente não poder crer que fôssemos indiferentes à desgraça boliviana: "Não haveria nada, absolutamente nada, que pudéssemos fazer pela Bolívia?". Abrindo os olhos semicerrados e depois de um profundo suspiro, o embaixador Guerreiro desfechou: "Mr. Enders, do you believe in God?" ("O senhor crê em Deus?"). Ante a balbuciante resposta afirmativa, o ministro prosseguiu: "Vamos então fazer uma oração pela Bolívia!" ("Let's pray for Bolivia!").
Não era sarcasmo ou insensibilidade. O ministro Guerreiro possui duas virtudes escassas nos atuais aprendizes de feiticeiros: é um sábio e conhece a Bolívia, onde serviu como jovem diplomata na época da violenta revolução dos mineiros do início dos 1950. Sabe que não se pode salvar alguém contra sua própria vontade.

mais AQUI.

Gol contra


Tenho ceretza de que alguém, a essa altura, já fez essa piada, bem ruinzinha. Mas, só para o caso de algum desavisado passar aqui pelo Sítio, reproduzo o comentário do Oliveira, o canalha da reação, a propósito dos eventos bolivianos que tiraram o fôlego do país nos últimos dias.


_ Não entendo a estranheza do povo com esse empate vergonhoso da selação brasileira com a Bolívia _ resmungava o crápula, aqui ao lado _ os bolivianos foram desleais: antes da partida, cortaram o gás do adversário, sem respeitar as regras!

É fogo

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. . "Ih, rapaz, sabia que esse Evo Morales ainda ia me botar numa fria!"




Da minha coluna no Valor, dia 1º de setembro:

Entre os raciocínios tortos que impedem o país de discutir seriamente um projeto brasileiro para o continente sul-americano está o argumento de que é absurdo preocupar-se com a pobreza da Bolívia ou do Paraguai, quando há tantos pobres no Piauí, ou na periferia de São Paulo. Esse tipo de raciocínio não leva em conta que a insatisfação dos pobres piauienses e paulistas, e suas conseqüências para a criminalidade e para a política, podem ser tratados pelas instituições do Brasil mesmo. No Paraguai e na Bolívia, as crises estão fora do alcance do Estado brasileiro, e nem por isso deixam de nos afetar. O que acontece, hoje, na Bolívia, merece atenção, e muita.

Lula, o preparador técnico

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No Globo, o Renato Mauricio Prado, e, no Estadão, o Tutty Vasques, garantem: a vitória da Seleção, que transformou Dunga em Cinderela, teve o dedo do Lula.


Os dois dizem a mesma coisa: o presidente mexeu com os brios da moçada ao falar que os caras estão endinheirados e, por isso, afrouxaram que nem gato gordo.


Desta vez, a referência a Lula no desempenho da seleção até parece fazer sentido _ diferentemente de outros comentários infelizes de colunistas pouco esportivos.


Eu, que já me sentia marciano em Copa do Mundo, incapaz de aderir ao delírio geral, descubro que, sem ler as páginas de esportes, não consigo mais cobrir política em Brasília. Vou acabar na terceira divisão.

Tem boi na linha

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A menos que os meninos da Folha tenham enlouquecido, o que duvido, está faltando curso de inglês na Abin, que insiste em dizer que comprou maletas para flagrar grampos, mas não equipamentos de escuta.
Vamos aos nomes das traquitanas adquiridas pela Agência Brasileira de Inteligência:

1)Stealth LPX Global Intelligence Surveillance System CDMA & GSM Passive/Active Interceptors Internet & Email Interceptor.

2) X600 Through Wall Listening System.

O grifo é meu. O primeiro dispensa tradução; sobre o segundo, basta saber que, em português, seria Sistema de Escuta Através de Paredes. Mais claro que isso, só se as geringonças se chamassem Escuteitor Clandestine de Conversation Tabajara e Fofoqueitor Semlimiteition Ajax.

Nisso que dá essa mania de não ler o manual do eletrodoméstico.
*****
2º Clichê: Enquanto isso, como bem lembra o Marcos, nos comentários aí embaixo, o Daniel Dantas e seus advogados vão bem, obrigado.
Eles precisam apenas de um equipamento de baixa tecnologia, a chicana, para safar, dia a dia, o banqueiro das malfeitas operações dos bem intencionados policiais bons de midia e ruins de Direito. Como se viu nesta semana, AQUI, em matéria da Folha, tão detestada pelos fás do Protógenes _ aquele delegado que voltou à escola e fez minguarem com isso as reportagens investigativas sobre o caso.

O enterro dos liberais

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Da minha coluna, no Valor, hoje:


Analistas como Martin Wolff, do "Financial Times", já registraram, no início do ano, a morte do sonho liberal de um capitalismo global regido pelo livre mercado. Faltava um documento oficial para decretar o óbito. Essa certidão acaba de ser lavrada - pela mais heterodoxa das organizações econômicas multilaterais, a Unctad, sigla em inglês da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento.


Críticas como a da Unctad contra o sonho liberal alimentam-se do socorro desesperado do governo dos EUA a bancos e às instituições hipotecárias Fanny Mae e Freddy Mac; da nascente recessão na Europa que se debate entre combater a inflação ou baixar juros; e da emergência das economia asiáticas fortemente impregnadas pelas digitais do Estado.


Os economistas da ONU tiraram do limbo peritos de linha heterodoxa, como o neokeynesiano Nicholas Kaldor, para decretar o que chamam de "fracasso do modelo neoclássico", predominante no Ocidente.


"Embora a maioria dos economistas concorde que os pressupostos do modelo neoclássico estão longe da realidade, este modelo continua a servir de base para as prescrições de política econômica", acusa a agência da ONU, no seu recém-lançado Informe de Comércio e Desenvolvimento 2008. O documento combate prescrições do modelo neoclássico que considera baseadas em premissas equivocadas e potencialmente danosas. (segue, AQUI).



Quando saiu o relatório, eu já havia me detido noutro ponto dele, interessante _ para quem se interessa por temas econômicos, claro:


Em lugar de medidas para atrair investimentos e empréstimos estrangeiros, os governos dos países em desenvolvimento devem estimular o crédito do sistema bancário e fazer com que as empresas reinvistam os lucros e dividendos obtidos no próprio país, defende a Unctad, a agência das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento. O relatório anual da Unctad alerta para o risco de contágio, nos países em desenvolvimento, da crise financeira dos países desenvolvidos e desaconselha a adoção de políticas monetárias apertadas nos países ricos, que vêm sofrendo desaceleração econômica. (o resto, AQUI).


Mas estou ficando velho e minha capacidade de síntese anda avariada. Vale a pena folhear o relatório, que, infelizmente só está disponível em espanhol ou inglês, AQUI.

Desafiando o TRE

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Indignado com as regras draconianas dos tribunais eleitorais para campanhas na Internet, este Sítio dá uma força para a escolhida de Oliveira, o canalha da redação, nestas eleições que vêm aí. Uma batalhadora, trabalhadora autônoma, uma candidata de vasto currículo, experiência executiva, contato direto com o povo, e, suspeito, mãe de alguns políticos nacionais.

Estado policial é isso aí

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Num vergonhoso troca-troca com o fugitivo* Idelber Avelar, pego dele a dica de como um país verdadeiramente democrático deve lidar com a oposição: em Minneapolis, nos Estados Unidos, local da convenção republicana que oficializou a candidatura de John McCain e Miss Palin, a polícia invadiu casa de possíveis manifestantes, prendeu gente e ameaçou, usando até or egulamento de incêndio como pretexto para intimidar garotos que planejavam protestos contra a guerra e os partidários de George Bush.

"É, esse negócio de escuta telefônica é coisa para subdesenvolvido", comenta, impressionado, Oliveira, o canalha da redação.

Para quem lê inglês, AQUI.


* Ele foge o furacão Gustav, bem entendido,. O cara mora em Nova Orleans.

Em tempos de teatro do absurdo...

"Quando comecei no teatro, adotei o estilo do teatro de marionetes. Teatro para mim tem de ser simplificado e grotesco".

Esse é o Ionesco, com quem concordo. E de quem encontrei esse vídeo aqui, seguindo uma dica da caixa de comentários do Idelber.


Cuidado com a culatra aê, moça.

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A mãe é contrária à educação sexual nas escolas, e se recusa a aceitar métodos de prevenção conra a gravidez. O resultado, previsível, é uma filha de 17 anos grávida (e gente se perguntando se o rapaz não se enquadra na legislação anti-abuso de menor do Alasca). Devemos mais essa ao John McCain: poucos americanos fizeram tanto para demonstrar publicamente como é estúpida a forma de pensar de certa parte da malta conservadora.


Pobre da moça, que, pela ambição política da mãe, virou alvo dos papparazzi e revistas de fofocas. Pobre do pai da criança, que recebeu uma dura punição por sua falta de cuidado. Será o adolescente mais vigiado da cena norte-americana. Ele que nem se arrisque a uma despedida de solteiro.
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(p.s.: o link acima, que fala da foto do post, estava errado, já corrigi, perdão leitores.)
2º clichê: O Idelber me avisa que, no Alasca, depois dos 16, o sexo está liebrado. Esqueceram só de avisar à senhora Palin, que podia ter dado alguma orientação à filha. Ela devia saber que só evitar investidas de jogadores de futebol americano não adianta; os caras são treinados para atravessar as barreiras mais aguerridas, imagine se contarem com a benevolência do adversário.

Madeleine extemporânea

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Mirando as fotos do recém-grampeado senador Demóstenes Torres, um velho fio solto soltou faísca na memória, e voltei ao tempo em que filava revistas numa banquinha na esquina de casa, lá em Fortaleza. O senador é uma versão envilecida, digo envelhecida do Pinduca!


São essas coisas que só vêm a cabeça de quem tem mais de 40 anos. Mas quem diria que um garotinho tão puro iria acabar no DEM de Goiás...

Metralhadora giratória e suas casualidades

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Quis o destino ou um editor sacana que a coluna de conhecido bufão da imprensa saísse ao lado da matéria da Veja sobre um brucutu personagem de novela que maltrata a mulher. E bem ao lado da foto, com o brutamontes e a mulher que aceita sem reparos a violência cotidiana do marido, o colunista escreve o que deve considerar uma divertida piadinha, a ser repetida ao som de pedrinhas de gelo no úisque bebericado com os amigos durante o churrasco de fim de semana:

"...(John McCain) realizou o sonho secreto de todos os homens casados do planeta e despachou sua mulher, Cindy, para a zona de guerra".

Todos os homens casados de que planeta, cara pálida? Pegue o canhão com quem casou e vá se queixar ao ministério da Defesa.

(No churrasco com os amigos, a piada deve ser acompanhada de um tapa no traseiro da esposa, que interromperá o serviço de mesa para dar um risinho e comentar algo do gênero "ah, esse Dioguinho não tem jeito mesmo!" É muito divertida a vida dessa classe média intelectualizada)



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