"Quando Freud encontra o Nélson" S Leo - óleo sobre tela e colagem
Inauguro hoje, minha revista semanal com colaboradores compulsórios, como só a blogosfera permite fazer ( já descobri que pertenço ao quadro de blogueiros de revistas que nunca me consultaram. com muito prazer).
Começo com a seção Cultura, do professor Idelber, e seus "Três relatos de Arguedas, Borges e Rosa":
O antropólogo índio peruano José María Arguedas, o refinado bilíngüe argentino Jorge Luis Borges e o erudito poliglota matuto João Guimarães Rosa são autores de três relatos que retrataram de forma curiosa a figura do homem , pensaram de forma insólita a masculinidade. Apesar de sempre tê-los lecionado, hoje pela primeira vez conduzo um seminário sobre os três textos em conjunto. O efeito é revelador.
Arguedas era falante nativo de quechua, bilíngüe em espanhol só depois de moleque no colégio. Formado em antropologia, pioneiro em pesquisas antropológicas sobre as culturas andinas do Peru, ele vive a estranha cisão de ser ao mesmo tempo sujeito e objeto do que estuda. Vivia com a imagem da mulher gigantesca, invariavelmente índia, e mais sensual quanto mais sobredimensionada na memória. A mulher em Arguedas é uma espécie de Tia Anastácia bugre, hiper-sexualizada, ante a qual o garoto, assombrado, sucumbe no teste de macheza. Mas Arguedas vive um drama que é todo particular seu, diferente de outros escritores homens que trabalham essa imagem da iniciação adolescente com a mulher enorme sobre-erotizada. Essa fêmea é, quase sempre, em Arguedas, estuprada.
Arguedas era falante nativo de quechua, bilíngüe em espanhol só depois de moleque no colégio. Formado em antropologia, pioneiro em pesquisas antropológicas sobre as culturas andinas do Peru, ele vive a estranha cisão de ser ao mesmo tempo sujeito e objeto do que estuda. Vivia com a imagem da mulher gigantesca, invariavelmente índia, e mais sensual quanto mais sobredimensionada na memória. A mulher em Arguedas é uma espécie de Tia Anastácia bugre, hiper-sexualizada, ante a qual o garoto, assombrado, sucumbe no teste de macheza. Mas Arguedas vive um drama que é todo particular seu, diferente de outros escritores homens que trabalham essa imagem da iniciação adolescente com a mulher enorme sobre-erotizada. Essa fêmea é, quase sempre, em Arguedas, estuprada.
Continua, AQUI.
Seguimos com o Humor do Almirante, e seu stand up do Machado.
(...) Quer dizer que em setembro agora faz um século que eu morri? Bem que estranhei o silêncio prolongado: achei que estava era faltando assunto na última reunião da Academia Brasileira de Letras (risos). Aliás, falando na Academia, depois que aquele cirurgião plástico e aquele político maranhense se elegeram lá é que fui ver que meus primeiros sonetos não foram a coisa mais execrável que já criei (risos). Pensando bem, essa é a melhor maneira de um mulato ingressar numa academia sem recorrer ao sistema de cotas: fundando uma! (risos) E não, não procede a tese de que escrevi Memórias Póstumas de Brás Cubas para inaugurar o realismo brasileiro. Na verdade foi laboratório para poder tentar o circuito de stand-up comedy cem anos depois de morto (risos). É que eu tenho que defender uns caraminguás, ora: o que vocês fariam se sua obra caísse no domínio público? (risos) E já estou pressentindo um ou outro aí na platéia impaciente para saber se afinal de contas aquela minha mais famosa personagem foi fiel ou não. Não vejo o porquê do mistério:
continua, AQUI
Em seguida, o Mau Humor, do Hermê, esse implicante:
Tio Rei tem hoje um post lastimando o “fim do mundo unipolar”. Para ele o ressurgimento de um mundo multipolar não parece ser grande coisa:
“Nunca consegui saber o que as democracias ocidentais perderiam de importante com a possibilidade do tal mundo unipolar, que provocava tantos sustos. Mas sei o que estamos ganhando com o atual multipolaridade: um Irã que continua a desenvolver o seu programa nuclear, protegido por Rússia e China; uma Venezuela que caminha para a ditadura explícita buscando ancorar-se nos russos, e, o mais grave de tudo: a aceitação tácita, também entre nós, de que a democracia é só uma das escolhas entre outros sistemas aceitáveis e eficientes. E já há quem desconfie se é mesmo a melhor escolha, agora que se sabe que economia de mercado com ditadura é bem mais fácil de ser manejada.“
Hããããã…esse é o trecho do “draft” do plano do Hank Paulson que foi devidamente ridicularizado a ponto de ser batizado “Authorization To Use Financial Force” blogoseira afora:
“Nunca consegui saber o que as democracias ocidentais perderiam de importante com a possibilidade do tal mundo unipolar, que provocava tantos sustos. Mas sei o que estamos ganhando com o atual multipolaridade: um Irã que continua a desenvolver o seu programa nuclear, protegido por Rússia e China; uma Venezuela que caminha para a ditadura explícita buscando ancorar-se nos russos, e, o mais grave de tudo: a aceitação tácita, também entre nós, de que a democracia é só uma das escolhas entre outros sistemas aceitáveis e eficientes. E já há quem desconfie se é mesmo a melhor escolha, agora que se sabe que economia de mercado com ditadura é bem mais fácil de ser manejada.“
Hããããã…esse é o trecho do “draft” do plano do Hank Paulson que foi devidamente ridicularizado a ponto de ser batizado “Authorization To Use Financial Force” blogoseira afora:
Desnecessário dizer, continua. AQUI.
Em Política Internacional, temos o mestre Maurício Santoro, falando de Equador:
O conflito envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht e o governo do Equador é bastante ilustrativo do novo cenário com que se depara a política externa brasileira na América do Sul, num momento em que as empresas do país se expandem pela região.
Os grandes produtores de hidrocarbonetos na América do Sul (Bolívia, Venezuela e, em menor escala, Equador) obtiveram recursos econômicos que lhes estimularam a ter políticas externas autonomistas, que com certa freqüência levam a conflitos com empresas estrangeiras. No caso específico do Equador, o governo Correa entrou em confronto com diversas empresas nos últimos meses: expulsou a petroleira americana Occidental e forçou firmas de telecomunicação do México e da Espanha a refazer contratos.
O Santoro vale continuar a leitura, AQUI.
A seção Radar dedico ao Tiagón, com a seguinte dica:
está no ar a mais nova empreitada do escritor, tradutor, doutor e agitador Fábio Fernandes: terra incognita, a revista. a ponte a resgatar da invisibilidade a produção nacional (e internacional, sim) de ficção científica.
Detalhes, AQUI
Na seção Virtual, deixo o Bicarato copiar a Lelex Iabel:
uma lição de pensamento não é uma colagem de instantâneos, mas um filme, cujo enredo reintroduz personagens e ambientes, sob focos diversos e em diferentes etapas da evolução,
Estão falando de metareciclagem, seja lá o que for isso, AQUI
E a revista encerra esse número com Literatura, do excelente Milton Ribeiro:
O negão Inácio tinha nos chamado no seu quarto. Todos fizeram cortes nos dedos. Nem vi direito onde ele guardou o sangue do nosso time porque ele saiu na corrida para o levar ainda vivo para um Pai de Santo lá de Bagé. No dia seguinte, podíamos sair da segunda divisão se ganhássemos do Ipiranga de Erechim – casualmente meu ex-time – no Estrela d`Alva. No quarto, enquanto dava meu sangue, tremia e lágrimas de arrependimento me vinham aos olhos. Foda. Os companheiros me abraçaram, pensando que eu estava emocionado com a demonstração de união que estávamos fazendo. Que nada, eu estava apavorado mesmo, porque, desde o dia anterior, era o traíra do grupo.
Segue, AQUI.
E o melhor de tudo, estão trabalhando sem receber um centavo. Melhores colaboradores não há, essa revista vai longe.

Hoje em dia, quem quiser escrever, só trabalhando de graça mesmo...
E eu ainda agradeço. Pois é uma honra figurar por aqui.Abraço.
Olhe, eu vim aqui pronto para agradecer efusivamente a citação, até que dei de cara com esse Nelson Rodrigues pelado. Broxei. :)
Se fosse vestido ainda servia, Hermê? Só a cara é do velho Nélson. O corpo é uma versão de uma tela do Lucien Freud, sobrinho do Sigmund, meu caro. Com quem você deveria conversar sobre sse seu problema em relação ao corpo (((-;
Mestre, a minha parte pode ser em cerveja, ok? Aí a gente tenta explicar melhor a MetaRec...=^)
----- Original Message ----- From: Lele To: Undisclosed-Recipient:; Sent: Friday, September 26, 2008 4:23 PMSubject: metareciclagem? o que é isso?um "clipezinho" no youtube, apresenta algumas pessoas da rede metareciclagem eM suas funções andanças. http://br.youtube.com/watch?v=TCZYwjOO0JM "uma lição de pensamento não é uma colagem de instantâneos , mas um filme, cujo enredo reintroduz personagens e ambientes, sob focos diversos e em diferentes etapas da evolução, que só se detém com a morte do pensador para aquela sobrevida conosco, permitindo repensar o todo, remontar a película, criar seqüências, substituir angulações - em suma tratar o legado, não como capital haver diluído nos upcs da caderneta de poupança, dogmática, porém reinvestido, para que dinamize outras empresas e gere um desenvolvimento real, no intuito de melhor partilha. Esta metáfora "capitalista" não deve ser tomada literalmente, e sim como referencia a um patrimônio democrático, popular e socializado, cujos frutos se destinam à prosperidade e bem estar de todos; e não me refiro a operações de open market e, sim, a elementos gestionários e intelectuais, da contracultura, com base libertadora e projeção doutrinária, segundo a práxis mais avançada e contínua. (palavras do mestre Lyra Filho) autoralidades fotos: lele, latuff, carlos vilela, marialu, brazileiro, hudson, ruizuso imagem pessoas em : barcamp, fsm, sub3, metareciclagemmúsica: los hermanos METARECICLAGEM, O QUE É ISSO? http://rede.metareciclagem.org/