
Uma alarido histérico de buzinas estrila nos tímpanos, quase ao mesmo tempo em que me abraça o bafo quente da tarde. Cheguei em Nova Déli, e o inacreditável trânsito indiano dá as caras logo à saída do aeroporto.
Dias depois, eu encontrei, na revista Outlook, indiana, uma descrição do tráfego na Índia, que só quem experimentou pode apreciar, pela exatidão do texto. O artigo comentava que, nas ruas de Nova Déli, você deve manter a esquerda, a menos que venha um carro em sua direção, nessa mão (algo muito comum), que, nesse caso, o obrigará a ir para a direita (teoricamente a contra-mão), onde, se você encontrar também alguém vindo em rota de colisão, é recomendável tentar algum caminho pelo meio ou pelos lados. Se você não tem uma idéia de muito clara de como se comportar, saiba que o cara dirigindo em sua direção não está em situação muito melhor. A não ser pelo fato de que ele acredita em reencarnação.
Dias depois, eu encontrei, na revista Outlook, indiana, uma descrição do tráfego na Índia, que só quem experimentou pode apreciar, pela exatidão do texto. O artigo comentava que, nas ruas de Nova Déli, você deve manter a esquerda, a menos que venha um carro em sua direção, nessa mão (algo muito comum), que, nesse caso, o obrigará a ir para a direita (teoricamente a contra-mão), onde, se você encontrar também alguém vindo em rota de colisão, é recomendável tentar algum caminho pelo meio ou pelos lados. Se você não tem uma idéia de muito clara de como se comportar, saiba que o cara dirigindo em sua direção não está em situação muito melhor. A não ser pelo fato de que ele acredita em reencarnação.
Já falei aqui sobre o ridículo dos cronistas de crise, que insistem em ver todo mundo no "olho do furacão", como se esse olho fosse o lugar mais movimentado do mundo. Não é, pelo contrário, é a região de menos vento e pressão, no centro do tornado, de onde se vê tudo rodopiando à volta. Me senti no olho do furacão, visitando a Índia a convite do India Brand Equity Foudation, um instituto da confederação das indústrias deles. Lia nos jornais o derretimento das bolsas, análises preocupadas, histórias de como a Europa começava a tomar à frente dos EUA na tentativa de segurar a brutal rceessão que vem aí, e, nas conversas com autoridades, empresários, jornalistas, só ouvia comentários tranquilizadores, de como as reservas de US$ 300 bilhões dos indianos os botam a salvo da crise, de como por fazerem tudo errado na cartilha ortodoxa (controle de capital, bancos estatais, economia relativamente fechada) não sofreriam como os outros.
Fui a Mumbai, e fiz uma entrevista no banco ICICI, o maior do setor privado na Índia, e falei
com uma senhora nervosa, tensa, que minimizou minhas perguntas sobre os boatos de que o banco dela estava em dificuldades, com corrida aos caixas e coisa e tal. O Marcelo Ninio, da Folha, comigo, dizia : o clima está estranho, o pessoal está esquisito. Depois de saírmos de lá fui ver na Internet que, naquele dia, a boataria comeu solta; as ações do banco caíram uns 20% naquela mesma manhã em que a senhora que entrevistamos, vice-presidente para assuntos com investidores e o público, devia estar amaldiçoando o dia em que tiopou botar na agenda uma entrevista com uns jornaloistas do terceiro mundo. Naquele dia, a cara da moça não saiu da tv, garantindo que o banco não quebraria. Não quebrou até hoje, mas teve muita gente esvaziando conta à toa: o banco aumentou o lucro mesmo com as operações que tinha com o Lehman Brothers _ e que desataram a boataria.
com uma senhora nervosa, tensa, que minimizou minhas perguntas sobre os boatos de que o banco dela estava em dificuldades, com corrida aos caixas e coisa e tal. O Marcelo Ninio, da Folha, comigo, dizia : o clima está estranho, o pessoal está esquisito. Depois de saírmos de lá fui ver na Internet que, naquele dia, a boataria comeu solta; as ações do banco caíram uns 20% naquela mesma manhã em que a senhora que entrevistamos, vice-presidente para assuntos com investidores e o público, devia estar amaldiçoando o dia em que tiopou botar na agenda uma entrevista com uns jornaloistas do terceiro mundo. Naquele dia, a cara da moça não saiu da tv, garantindo que o banco não quebraria. Não quebrou até hoje, mas teve muita gente esvaziando conta à toa: o banco aumentou o lucro mesmo com as operações que tinha com o Lehman Brothers _ e que desataram a boataria.No caminho, um rapazinho triste vende livros. Exibe um para o Marcelo Ninio, que tira a foto. Paulo Coelho. Estou no olho do furacão, mas tenho uma sensação estranha, de beira do apocalipse.

Adorei a postagem !Coloquei chamada e publiquei trechos no Animot.
Maravilha, meu caro.Sempre que leio sobre a Índia sinto uma identificação muito forte com relação às mudanças que o país está vivendo. Parece que vejo por lá situações semelhantes àquelas que meus pais e avós experimentaram. Abraços
Fantástico post. E não adianta, Deus é Paulo Coelho, ambos onipresentes.
Que bacana a sua viagem! Adorei a foto do menino vendendo o livro do Paulo Coelho. Incrivel como ele e' sucesso no mundo inteiro com aqueles livros sofriveis. E ai', voces nao compraram o livro para ajudar o garoto?
. Se você não tem uma idéia de muito clara de como se comportar, saiba que o cara dirigindo em sua direção não está em situação muito melhor. A não ser pelo fato de que ele acredita em reencarnação.Se o texto só falasse disso, já teria valido a pena lê-lo. Impossível conter o riso!Abs