Ecuador, desaquecimento e o futuro

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Hoje, na CBN, Míriam Leitão e o Sardenberg se queixavam do frio em São Paulo. Queriam o quê? Evidente que o desaquecimento econômico começaria por lá. E que esperem o começo de 2009, aí vamos ver o que é uma fria de verdade.

O UBS manda um relatório sobre as perspectivas do mercado de commodities (você sabe: soja, petróleo, aço, essas coisas que a gente exporta para os ricos para comprar de volta mercadorias sofisticadas). Um terço do que o Brasil vende para fora é de commodities. Não vou reproduzir o texto aqui, mas a foto que acompanha as análises dos especialistas. Não precisa de mais nada para sentir o cenário que estão pintando:

carro commoditties.JPG

Um país que depende fundamentalmente de exportações de commodities é o Equador, e ele está encrencado. Sobrou até para o Brasil..

O Equador vende frutas, petróleo, bens primários basicamente. E tem a economia dolarizada, o que significa que quando o dólar se valoriza em relação às moedas do resto da América do Sul e da Europa, os custos de produção do Equador também aumentam, quando medidos por essas moedas. O país perde competitividade.

Já ameaçado pela valorização do dólar e pela queda nos preços das commodities, o Equador tem, ainda, uma perda enorme com a recessão na Europa, porque os imigrantes equatorianos, que enviam alguns milhões de dólares mensalmente aos parentes no pís, deixam de fazer essas remessas. É menos dólar ainda para entrar no Equador e ajudar a pagar as contas.

Ai o Rafael Correa decide distrair as atenções para a brutal crise econômcia que se avzinha, usando uma ferramente comum, lá nos Andes: o inimigo externo. Pegou a Odebrecht para Judas, e o Brasil, de lambuja. É possível _ até provável _ que haja muita irregularidade nas obras que a construtora faz no país, mas o mínimo que se faz entre países aliados é combinar o jogo, trocar figurinhas, avisar quando vem canelada. O Correa nem se deu ao trabalho.

Vai levar tunda. A Bolívia, depois de caneladas seguidas, agora paparica o governo brasileiro para ver se consegue investimentos e compradores que compensem a queda de recursos e a perda do mercado dos Estados Unidos. Os bolivianos têm um trunfo, alimentam São Paulo de gás. O Equador, nem fronteira com o Brasil tem.

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Mas não pode agir passivamente (vergonha explícita!!) como no caso da Bolívia. Não precisa baixar o nível, basta não mostrar os dentes e valer-se dos recursos legais disponíveis. Demora, mas resolve a coisa legalmente. Canelada e calote não cabe mais a um país como o Brasil!

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