Cicero Rodrigues, fotógrafo

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O Joaquim, no Globo, conta que o Cícero Rodrigues está lançando livro, de fotos com autores de novelas. Cícero é um dos talentos da turma que se formou na ECO-UFRJ em 1983 (um outro é o Ricardo Linhares, ele próprio novelista da Globo, mas o Joaquim não publicou foto dele) e é meu ex-colega de república, em Botafogo. Todos os dias, bebia metade de um litro de leite tipo C (isso existia naquela época) e deixava a outra metade apodrecer na pia da cozinha, que não tinha geladeira.

No fogão, ao lado, camadas de matéria orgânica acumulavam, como sambaquis, indícios dos hábitos alimentares dos ocupantes que nos antecederam na república, onde se entrava abrindo a porta por uma portinhola, já que ninguém tinha a chave da porta. Bons tempos que não voltam mais. Felizmente.

Cícero, como se vê na foto acima, subiu bastante na vida. Incorrigível bom-caráter, é também fotógrafo excepcional. Mas isso vocês podem ver no portfólio dele, aqui.


***

Com o Cícero, amigo querido, retomo o blogue, antes que meus estimados leitores me abandonem. Amanhã, já de volta das férias e numa pausa do plantão de fim de ano do Valor, capino o mato que cresceu aqui neste Sítio e abro de novo as porteiras. Isso é uma ameaça. Até!

2º clichê: Encontro o Cícero na Flip, em Paraty, e ele reclama com razão, por ter lido esse post. Como é que, ao falar justo do cara mais organizado e cuidadoso da república onde moramos, eu cito o fogão do qual ele nem chegava perto, e exagero (só um pouco) na história do leite?
Mas Cícero, argumento eu, para que servem os amigos, se não for para criar folclores em torno do passado em comum? Amecei inventar histórias escabrosas se ele não fizer o livro de fotogrfias que deve a todos os apreciadores da arte. Basta dar uma olhada no site dele para ver se não é um absurdo não aplicar o talento na feitura de uma obra que possamos levar para estante.

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Meu querido e incorrigível Sérgio Léo,

Com alegria e a ajuda do Google descobri que sou assunto de seu prestigioso blog. Fiquei sinceramente comovido com seus comentários e as lembranças de nossa juventude. Sua amizade e o convívio com os outros colegas da república da Rua Camuirano foram fundamentais para minha formação cultural e de uma visão do mundo que me orienta até hoje.
Nosso grupo de amigos e agregados, durante os anos da faculdade e ainda, alguns anos depois, foi um daqueles encontros mágicos em que cada um torna o outro melhor e o grupo resulta muito mais bem sucedido do que a soma dos talentos de seus indivíduos.

Mas antes que, para seu horror, eu comece a falar em sinergia, permita-me fazer um reparo a sua nota.

Embora minha condição financeira a época somente me permitisse consumir o leite de tipo C, sempre fui muito organizado e cuidadoso com a higiene. Em resumo, eu era pobre, porém, limpinho.

Era eu quem lavava a louça abandonada na pia pelos outros moradores e arrumava a bagunça. E a bagunça incluía pilhas de jornal velho e livros recolhidos em sebos por um jovem e brilhante jornalista chamado Sérgio Léo.

Um abraço,

Cicero Rodrigues

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