janeiro 2009 Archives

SABADOS - 31 DE JANEIRO DE 2009

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S2020077.JPGFoto: Sergio Leo - "esperando Lula na ilha de Goré"

Vejo na televisão o sociólogo Boaventura Souza Santos, que só aparece por aqui em tempos de Fórum Social Mundial, a dizer que se os alegres participantes lá dos debates em Belém não desobrirem saídas para a crise, ela virá do Fórum Economico MUndial, em Davos, onde os ricos e influentes do mundo choram as pitangas com a crise.

Numa coisa tem razão o gajo: a crise, gerada pela estúpida retirada de todos os freios do capitalismo financeiro, foi comemorada por muita gente de esquerda como sinal do fim do capitalismo, mas já tem liberais dizendo que a culpa por tudo foi do Estado, que, como sempre, foi ineficiente. Religião, de fato, não se discute.

A força da grana que ergue e destrói coisas belas deu um banho nos sonhos dos alternativos em matéria de internet. A página do Fórum Social é de uma pobreza criativa e informativa que a faz parecer mural de secretaria de escola. Sugiro que, no ano que vem, juntem com o Fórum o pessoal do Campus Party, quem sabe ajuda. Já o World Economic Forum tem um portal de notícias de matar de inveja a BBC. Só em inglês, claro, e não conta tudo.

A imprensa não colabora muito: no noticiário das TVs e jornais, as idéias, propostas e análises saem da cobertura do fórum de Davos; de Belém só sai matéria de comportamento, oba oba, coisas superficiais, na maior parte. A culpa não é só dos jornalistas burgueses: falta um pouco mais de noção de informação relevante por parte dos organizadores do FSM, como se vê na burocrática seção de "notícias" do site do FSM.

Por isso, até trazemos, nesta edição de Sabado, uma seção com bons atalhos dedicados aos temas desses fóruns. Mas abrimos a edição com uma imagem que vale mais que mil palavras, ou que o ditado "nada como um dia depois do outro".


Saúde

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Encontrei a foto no Hermenauta, que, em um de seus momentos Oliveira, canalha de redação, chegou a sugerir que a Ingrid Betancourt é a propaganda viva das maravilhas do spa das FARC.

Com isso não se brinca, Hemenauta. mas é verdade que a ex-sequestrada agora frequenta páginas antes insuspeitadas, como a da Caras da Colômbia, que tirou essa fotografia lançando boatos de um novo namorado para a ex-senadora e refém mais ilustre dos guerrilheiros colombianos.

Pegou mal, o cara da foto é o primo Francisco, parente e quase sobrinho da moça.

Mas o Hermê tem uma ponta de razão. Como, felizmente, salvou-se muito bem de um inferno de anos, dona Betancourt é, com todo o respeito, a demonstração de que as FARC fariam melhor em enterrar de vez as acusações de ligação com o narcotráfico, depôr as armas e abrir um grande resort nas selvas para socialites em risco. Essas já estão acostumadas a sofrer com regimes da moda, nas academias da vida. .

Humor


cardapio.JPG


Essa é uma das páginas do cardápio do Almirante para o Banquete de Platão, livro que considero uma das obras-primas da literatura gay ocidental. Maior fiolosofia.
(Advertência: contém palavras de baixo calão, linguajar e imagens indignos dos estábulos de Áugias mesmo). O resto dos pratos, AQUI.


Marketing

Eu jurava que tinha sido algum jogador, mas reza o folclore nacional que foi Vicente Matheus, o ex-presidente do Corinthians, inventor da faca de dois legumes, quem, num programa de rádio, fez o famoso agradecimento "à Antártica, pelas Brahmas que nos mandou".

Apesar deste Sítio ignorar soberanamente excrescências da indústria cultural como reality shows e ex-modelos apresentadoras de TV, temos os blogues para comunicar quando acontece nessas zonas de vazio cerebral alguma coisa digna de nota. E os 3 Little Nerds contam, e provam com vídeo, o dia em que o telefone ultra-moderno da Ericsson teve seu momento de Antártica, nas mãos dos cabeça-oca do BBB. AQUI.

Economia

Forum de Davos ou de Belém? Me conta o Renato, lá do Pará, que o F. Blanco compara os dois, e mostra como os poderosos adquiriram até o discurso dos alternativos.

"... pelo que observei, o que não falta em Davos é gente querendo falar mal dos bancos e do mercado financeiro internacional. Uma destas estrelas é Nouriel Roubini, que está num vídeo da Bloomberg que de tão acessado não dava para assistir (amanhã eu o publico). Mas o brilhante Nicolas Taleb, autor do best-seller The Black Swan, os esculhamba com requintes de crueldade neste vídeo, também da Bloomberg.

Entre outras pérolas, ele diz que "Como eu sou trader de opções, posso dizer: se eu não entendo direito como as opções funcionam, os reguladores do FED entendem muito menos" e "deveriam proibir quaisquer derivativos mais complexos do que as opções tradicionais". E outra: "Nós ficamos reféns dos bancos". Ou que tal: "Os bancos americanos deveriam ser nacionalizados e o governo deveria dizer como eles deveriam operar". Para terminar: "Chega de privatizar lucros e socializar prejuízos".

O resto, AQUI.


Faça você mesmo

Devo ao Hermenauta também a descoberta do sítio das Gambiarras, que traz dezenas de sugestões para tios habilidosos _ algumas só para nerds militantes _ e também tem soluções simples como essa aqui, sobre o que fazer quando você precisa de um alfinete de segurança, daqueles de fraldas, e tudo o que tem é um clipe. Ora, faz-se assim:


Make Safty Pin From A Paperclip! - video powered by Metacafe

É, em algum lugar devem ensinar como se faz um alicate a partir de grampos de cabelo ou coisa parecida.

Política

Tales Faria, meu compadre e editor do JB, segue no seu BlogdosBlogs o verdadeiro fenômeno político, Henrique Meirelles, presidente do BC em fase de mudar de casca para candidato a governador ou coisa que o valha, que bateu um recorde na semana passada. AQUI.

Ele também fala com graça da chatíssima disputa pela presidência do Senado. AQUI.


Jornalismo

O Rolf Kuntz, editorialista do estadão, com todo mau humor que o posto permite, tradutor, no Brasil, de John Maynard Keynes, é um conservador, e a prova de que ser conservador não é antônimo de ser inteligente. No Observatório da Imprensa, ele faz uma análise imarcial e bem completa da cobertura da imprensa sobre o recente reforço no caixa do BNDES. Aula do prof. Kuntz para quem quer fazer textos de jornalismo comparado. AQUI

IPVA, correntes e o boicote à Petrobras

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barata1.jpg

Tive uma professora de arte eletrônica na UnB que, ao falar da evolução das técnicas,defendia que o ser humano poderia chegar ao próximo século com polegares maiores, já que o famoso dedinho opositor vem sendo sobreutilizado para digitar os palmtops, celulares, blackberries e iphones da vida.

A tese ficou um pouco prejudicada quando um aluno lembrou que essa idéia de que o uso modificava as espécies era a tese de Lamarck até que um tal de Charles Darwin mostrou que era uma imensa bobagem.

Pós-Lamarck ou Darwin, ainda está para aparecer o cientista que me explicará a razão de um estranho efeito da Internet sobre o ser humano: algumas pessoas racionais, bastante inteligentes, ao receber uma mensagem propondo alguma tese estapafúrdia e sugerindo que ela seja passada adiante, simplesmente clicam o atalho na tela que enviará a idéia maluca a um número incalculável de vítimas de sua lista de correio eletrônico.

No espaço de meia hora, nesta sexta, recebi duas dessas correntes-lixo, de pessoas que amo. Um é antigo, e mostra a sobrevivência dos spam mesmo nas condições mais adversas de credibilidade. O e-mail é aquele que sugere um boicote aos postos da Petrobras porque a estatal planeja aumentar a gasolina para R$ 3,00.

No passado, eu respondia aos amigos que caíam nesse trote que o e-mail só poderia ser uma conspiração de algum espírito de porco ou funcionário de multinacional do petróleo. Por que punir a Petrobras, só ela, e não todas as distribuidoras?

E quem, diabos, assegurava que a informação era verdadeira quando TODOS, mas todos os colunistas conservadores de economia (amigos meus, inteligentes), ao contrário, metiam o pau na Petrobras e acusavam o governo de populismo contra os acionistas, porque ela vinha se recusando a aumentar o preço dos combustíveis na bomba, no auge da bolha especulativa com os preços do petróleo??

Bom, agora volta esse e-mail lixo. Num momento em que os preços do petróleo caíram para quase um quarto do valor em que estavam quando a corrente começou!!! (!!). A Petrobras discute não aumento mas a conveniencia de reduzir o preços dos derivados! As pessoas, mesmo inteligentes, nem leem o e-mail ou os jornais. É pau no governo? Na Petrobras? Bola para frente.

O pior é que, na maior parte das vezes, quem manda o e-mail faz isso porque gosta de você, e porque acredita que está ajudando a fazer um mundo melhor. O autor do spam é um manipulador cruel, transforma suas vítimas em extensões de seu sadismo.

Outra corrente, essa aparentemente nova, é a do IPVA. Um Power Point (o inventor do Power Point deve assar num inferno cheio de internautas bem intencionados) começa acusando Lula de pretender privatizar as estradas nacionais, cita o artigo da Constituição que garante o direito de ir e vir e, num slide seguinte, convoca a população a entrar em cruzada cívica contra o IPVA. Ou seja, uma campanha santa contra o Lula, e em Brasília, para acabar com um imposto ... estadual (!!!)

A Cesare o que é de cesare II

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Ó, anotem o que vou dizer sobre esse abstruso e extemporâneo caso Cesare Battisti.

Vai acabar em pizza.


Na segunda-feira volto ao assunto. Aqui neste mesmo post.

Motosserra

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O ministro do Planejamento anunciou um corte de R$ 37 bilhões que pegou de jeito o ministério do Carlos Minc. Pelo que apuramos neste Sítio, vão até mudar o nome do ministério.

De Meio Ambiente, parece que passará a 1/4.

Sossega o facho, Niemeyer!!

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O genial Oscar Nemeyer é, cada vez mais, um dos maiores escultores do Brasil. E o pior dos arquitetos. Ou urbanistas, o que nunca foi.

Suas mais recentes obras em Brasília foram o Museu, que não tem lugar para guardar acervo nem portas para deixar entrar obras de grandes dimensões, e a Biblioteca, que aproveita mal a enorme luminosidade de Brasília (como a maioria dos prédios da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes), e exige um gasto absurdo em ar condicionado, em tempos de preocupação com a energia sustentável.

praca da soberbamania.jpg

Agora o centenário criador quer plantar nos jardins bolados por Lucio Costa um espinho esquisito, que ele chama de praça _ como a maioria das praças de Niemeyer, uma vasta extensão inóspita, sem sombras ou árvores, e com poucos lugares para as pessoas assentarem o traseiro. Oliveira, o canalha da redação, diz que o projeto já é uma unanimidade: "O IPHAN acha uma bosta e o ministério público diz que pode dar merda", lembra ele. Perdão, leitores, pela mania do crápula, de só falar em termos técnicos..

O Élio Gaspari, citando uma pesquisadora da UnB, já falou sobre o absurdo do projeto, e aproveitou para desancar outra bobagem de Niemeyer, um artigo que li espantado nO Globo, recentemente, em defesa do "injustiçado" Joseph Stálin, guia do povo russo em direção aos Gulags.

Sempre um gênio, Niemeyer, pelo jeito, tenta dar mais uma contribuição heróica à arquitetura brasileira: acabar com a fama de sábio infalível que o país dá a Oscar Niemeyer. Que ele faz besteira, já sabiam todos os presidentes que moraram no Alvorada, obrigados a sentir cheiro de peixe no banheiro e em todo o prédio, sempre que se fritava algum surubim na cozinha do palácio.

No caso do trambolho monumental que ele pretende erigir exatamente ao lado de onde já instalou uma de suas praças de concreto, com o Museu e a Biblioteca, a reação como se vê AQUI, é de nojo absoluto. Escultura fálica de proporções ciclópicas, a nova idéia de jerico só pode despertar nos brasilienses a reação que ouvi do Oliveira:

_Ô Niemeyer, enfia esse troço em qualquer lugar, mas longe de Brasília, pô!,

A Vitrolinha do Oliveira I

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Oliveira, o canalha da redação, é um saudosista, conservador, até recentemente achava que Google era nome de pastilha de hortelã. Não entendeu quando eu disse que o Ricardo Cabral, um bom leitor do blogue, sugeriu que eu desse a ele uma coluna neste Sítio. Blogue, diz o Oliveira, é coisa de quem não foi criado direito.

Mas, generoso, para mostrar que é um sentimental, ele me franqueou sua discoteca invejável, com estupendos discos de 78 rpm (para quem nasceu depois de 1970, explico: rpm são rotações por minuto, coisa do tempo em que a música do itunes era ouvida em discos de material plástico, com ranhuras que faziam vibrar umas agulhas... hum, deixa pra lá).

Meu filho, que faz engenharia mecatrônica na UnB ficou maravilhado ao ver a peça de tecnologia onde o Oliveira derrama sua melomania, um aparelho capaz de reproduzir sons sem eletricidade!!! E é com esse estupendo da engenharia mecânico-sonora que inauguro a nova seção deste Sítio, com uma preferida do Oliveira:

Para os que acessam este Sítio por computadores onde a rede bloqueia acesso ao You Tube, é possível ouvir a vitrolinha do Oliveira pelo Google Vídeo, um arquivo mais pesadinho:

No inacreditável Instituto Cultural Inhotim, a uma hora de carro de Belo Horizonte, logo uma das primeria galerias traz um trabalho de Janet Cardiff.O visitante se vê em uma sala branca, com painéis brancos, apenas dois bancos de madeira, e, paralelas às paredes, fileiras de pequenos alto-falantes negros, sobre pedestais negros.

Visualmente, é o que há no trabalho de Cardiff, Forty Part Motet, uma das peças mais empolgantes da extraordinária coleção de arte contemporânea montada pelo empresário. É a reprodução de um moteto, em homenagem a uma rainha, gravado em uma antiga igreja medieval. Cada membro do coro teve sua voz gravada individualmente, e reproduzida separadamente em cada alto-falante.

É a pura reprodução do canto, mas os alto-falantes funcionam como tótens substitutos de seres reais, que respiram, solfejam, rateiam, cantam divinamente.A sensação, a experiência da obra não é traduzível em palavras, nem sequer enm vídeos, como este aqui:

É uma obra que chama o espectador a participar de sua narração. Um ouvinte-participante que caminha pelos alto-falantes sente como se estivesse invisível, num coro, capaz de colocar-se em frenet a cada pessoa, cada voz, ouvir o começo de vozes infantis que vacilam, mas que, no conjunto, soam celestiais. Pode-se ouvir apenas uma voz, com o coro ao fundo, ou todas, de longe. O moteto, um estilo medieval que se define pela independência e sintonia de vozes cantando textos diferentes, tem nessa sala sem atrativos visuais, uma tradução comovente.

É coisa de chorar, não confie na imagem e no som do You Tube.

SABADOS - 24 DE JANEIRO DE 2009

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rADICALISMOS"Radicalismos"- xilogravura. Sergio Leo

Um diplomata com quem assisti pela TV a posse de BaraCk H. Obama, comentou, no fim do discurso dele, que havia faltado emoção, que o texto era bom, mas só correto, sem empolgação, uma laundry list, lista de lavanderia das peças sujas deixadas por George Bush a serem tratadas na base de detergente e alvejante (se é que posso me permitir esse trocadilho involuntário).

Cercado de expectativas, Obama tocou nos pontos certos, e já se sabe de partida que não terá como entregar todas as encomendas que esperam dele. Mas bem que ele podia ser um pouco mais criativo em alguns pontos, como reclama o Paul Krugman, AQUI. É bom saber que não foi só neste Sítio que o discurso foi ouvido com a impressão de que a euforia com o novo presidente dos EUA não vai durar muito.,

Nesta edição de Sabados, como publicação alternativa que somos, deixamos de lado o novo estadista mundial, já destrinchado nas revistas da semana, e partimos para outra. Avisados pelo Flávio Prada de que o mundo já era (ver abaixo), demos uma guinada no mapa e dedicamos duas de nossas seções ao Chile. Ou melhor, incluimos uma dica chilena do Maurício Santoro e também abrimos a revista com um chileno universal, que agora faz um sucesso danado nos EUA mas não tem como voltar de lá americanizado porque está morto.

Morreu para vocês, filhos ingratos, porque o Roberto Bolaño é saudado todo dia neste Sítio, onde ainda causa vívidas impressões.


Literatura

Como dizemos no editorial, Bolãno é figurinha fácil nesta nossa casa editora. Acabei no fim do ano de ler o 2666, livro póstumo que será traduzido e publicado no Brasil só em 2010, e que, recentemente vertido ao inglês, faz um sucesso danado nos EUA. A Marta anda às voltas com Un Gaucho Insufrible, livro de contos que, para mim, revela Bolaño como o "As Armas Secretas" traduz a excelência do Cortázar. O conto que dá nome ao livro é, para mim, como poderia ser um Don Quixote escrito por Borges.

O Giba Pereira, que tem um blog simpático sobre literatura, ganhou ainda mais minha simpatia traduzindo uma parte do mais novo artigo da New Yorker sobre o Bolaño (os caras tratam muito bem o sujeito, não é a primeira vez). Uma vergonha que até os gringos já possam ler o 2666 na língua deles e ainda estejamos esperando a tradução. É fascinante a técnica do chileno, que parte de uma espécie de romance de mistério com protagonistas improváveis, especialistas em literatura, combatentes na guerra dos seminários acadêmicos, e termina com um herói sem qualidades, o escritor Beno von Archimboldi, cuja história, em certo momento, faz lembrar o desligamento existencialista do Billy Pilgrim, personagem de Kurt Vonnegut (caramba, fui longe demais com essa).

Bom, isso é o que diz a New Yorker sobre o 2666 do Bolaño, sobre o qual ainda vou voltar a falar: BOLANO.jpg

O que li até agora de 2666 me parece distanciado, menos íntimo, quase clínico, por todo o calor e toda a violência presentes ali e os rompantes de poesia em queda-livre.

Não significa um livro sem paixão. De fato, apesar do que escrevi acima, concordo com um de nossos leitores, Wendy Breuer, que chamou o livro de 'cri de coeur' [grito do coração] - parece possuído por uma fúria gelada, que levou outro leitor, Mauro Javier Cardenas, a chamar a literatura de Bolaño de 'fúria no destino dos infelizes'. A angústia é palpável. Mas simplesmente não me parece algo íntimo e pessoal.

Do resto, o Giba traduz uma partezinha e deixa o atalho para quem lê em inglês, AQUI.

O duro mesmo é seguir a dica do Zé Mário (Mário, que Mário? Esse AQUI) e descobrir que um sujeito fez até um blogue dedicado ao Bolaño, e iniciou uma lista de discussão para debater o 2666 (!!). Mas em inglês (!!!!!!).
O Blogue é esse AQUI. E a lista, a pleno vapor, corre AQUI.

Humor (ou não?)

O mundo acabou. É, eu sei, você não notou nada, nem eu. Mas o Flávio Prada explicou o porquê. E eu não sabia.

AQUI.

Alta Cultura

É o velho Almirante, trazendo para as massas o biscoito fino que fabrica. Epa, esse é do Idelber. É o velho Almirante, dando uma bolacha no populacho, com uma ópera, logo aqui, no domingão. O Domingaff do Falstaff:

falsatff.jpg

Todo o libreto, AQUI.

Economia

E qual seria o papel do BNDES no futuro próximo? Para quem continua "autista" e ainda não entendeu o que está acontecendo na Economia Mundial - em que só a atuação conjunta do "Grande Governo" e do "Grande Banco", ou o trabalho da dupla Tesouro/Banco Central, além da volta da regulamentação oficial, dará chances de debelar a maior cri-se do capitalismo desde os anos 1970 -, diríamos que só a atuação do BNDES como o "Grande Banco" - já que, no Brasil, o Banco Central, preso à cartilha liberal, que todos os grandes BCs Mundiais rasgaram, nessa recente crise, continua com sua postura independente -, em conjunto com o Tesouro, pode promover o desenvolvimento e levar a Economia ao pleno emprego.

Isso é o que dizia, já em agosto, o pessoal do blogue "Círculo do Desenvolvimento", uma reunião de economistas com argumentos contra o que o Bresser Pereira chama de "saber convencional da economia patria. Tem no grupo muita gente do próprio BNDES, o que dá uma pista de debates que correm por lá.

O resto do artigo, AQUI.

Políticas públicas

O Maurício Santoro, em fase de transição para burocrata pensante, E comenta sobre uma influência insuspeitada por quem conhece pouco da história do continente, num post que merecia desdobramentos. Quem sabe, ele faz outro, em breve, desenvolvendo o tema:

No imaginário político brasileiro, o Chile ficou associado à idéia de liberalização da economia. O aspecto é verdadeiro no que diz respeito ao comércio exterior, mas é curioso como a experiência chilena continua a ser uma referência importantíssima para a América Latina no que diz respeito ao planejamento governamental.

O resto, AQUI.

Efemérides

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É, neste 25 de janeiro, um importante aniversário. O do dono deste Sítio. Tão importante que todos os anos a cidade de São Paulo inteira para para (êta reforma ortográfica do capeta) saudar a vinda ao mundo deste carioca naturalizado brasiliense que um dia (quem sabe um dia) ainda justificará a nobre linhagem dos Leo e a dos Almeida Pereira.

Em retribuição a esse carinho incondicional dos paulistas, deixo o atalho para um blogue interessante dedicado à cidade. AQUI.

As alegrias que o Google me dá

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Esse é o título de um post recorrente do Rafael Galvão, que já tive vontade de imitar muitas vezes, tamanhas são as surpresas que o Google me traz, quando confiro que tipo de assunto traz a este Sítio seus sempre bem vindos frequentadores.

Resisti até hoje, ao plágio, mas vejo que, se meu Sítio não tem mais que seus 300 leitores habituais, é por pura incompetência minha mesmo. No dia em que eu deixar de dar prioridade ao Valor e encarar este alternativo blogue como opção para chegar às massas, as portas estarão todas abertas, isso me diz tio Google.

Por que outro motivo ele me põe entre os principais resultados para quem busca informações sobre "musas do Jazz"?

Ou pior. Já estava habituado aos europeus tarados que, até hoje, me encontram quando buscam alguma novidade sobre a famosa vadia Lilian Ramos. Mas agora, descubro que o venerando tio Gooogle encaminhou alguém a este Sítio de família porque este alguém procurava por "ver mulheres que pagaram calcinha". E ainda me colocam na frente de um sítio de contos eróticos!!!!. Que demônios devem ser "mulheres que pagam calcinha"? Não dei ao Google o gosto de clicar por ali.

Ma, que coisa, penso eu. E concluo: se este sítio continua um marginal na blogolândia, por falta de apoio do Google é que não é.

Ainda acabo aceitando o conselho do Oliveira, o canalha da redação, e abrindo uma seção fixa sobre maneiras bizarras de não perpetuar a raça, brincando. Não vai ter para ninguém.

Eu não tenho LInux; e tenho medo

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Lembram do post que fiz sobre o "Deu no New York Times?". Pois é, agora deu no NYT mesmo, uma notícia apavorante:marte19b.jpg

Uma nova praga digital atingiu a Internet, infectando milhões de computadores pessoais e de empresas, naquele que parece ser o primeiro passo de um ataque que consiste de vários estágios. Os principais especialistas mundiais em segurança de computadores não sabem ainda quem programou a infecção, ou qual será o próximo estágio.

Nas últimas semanas, um worm (um software malicioso) assolou redes de computadores corporativas, educacionais e públicas por todo o mundo. Conhecido como Conficker ou Downadup, ele dissemina-se através de uma recentemente descoberta vulnerabilidade do Microsoft Windows, ao adivinhar senhas de rede e ainda através de acessórios portáteis como chaves USB.

Os especialistas afirmam que esta é a pior infecção desde que o worm Slammer explodiu na Internet em janeiro de 2003. O novo worm pode ter infectado até nove milhões de computadores em todo o mundo.

Worms como o Conficker não só ricocheteiam pela Internet à velocidade da luz, mas também organizam os computadores infectados em sistemas unificados chamados botnets, que podem, a seguir, aceitar as instruções e programações dos seus proprietários clandestinos. "Quem estiver procurando um Pearl Harbor digital, saiba que neste momento os navios japoneses surgiram no horizonte e estão vindo na nossa direção", diz Rick Wesson, diretor-executivo da Support Intelligence, uma firma de consultoria especializada em segurança de computadores, com sede em São Francisco.

O resto está AQUI.

BNDES e os mesmos

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Todo mundo concorda num ponto: ninguém previu essa crise, da maneira como ela vem se desdobrando. Com exceção, talvez, do Roubini. E especialmente os economistas ortodoxos, as agências de classificação de risco, os colunistas e analistas liberais dançaram nessa. O manual não serviu.

Agora, no mundo todo os governantes soltam um dinheiro para enfrentar a incerteza do investidores e consumidores, e o governo brasileiro anuncia que botará R$ 100 bilhões à disposição do BNDES, para eliminar qualquer dúvida sobre a existência de crédito para garantir investimentos. E os mesmos que foram surpreendidos pela crise criticam a medida usando... o manual.

Duas receitas de almanaque são particularmente irritantes, pela cegueira ideológica e pela matraquice acaciana das sugestões. Hoje, na Míriam Leitão, por exemplo, o José Márcio Camargo diz que está errado botar dinheiro para emprestar às empresas e que todo mundo sabe que a melhor saída é reduzir impostos e custos trabalhistas.

Ou seja, em vez de garantir financiamento a projetos de investimento que se comprometam a gerar emprego, ele acha que reduzindo o imposto pago pelas empresas isso vai criar renda e emprego. Como aconteceu quando o Bush cortou imposto dos ricos, eu acho que essa idéia do Zé Márcio só iria garantir às empresas margens de lucro maiores, com pequena redução de preços ao consumidor e efeito pífio sobre emprego. Mas o economista é ele, claro.

O Zé Márcio diz, também, que o BNDES, em vez de apoiar grandes empresas , que têm capacidade de captar dinheiro no mercado, deveria estar concentrado nas pequenas e médias empresas.

O que ele não diz é que o mercado de capitais está brabo, e não está fácil pegar dinheiro emprestado. E que as pequenas e médias empresas mais bem sucedidas no Brasil, em grande parte, são fornecedoras das grandes. Não adianta elas terem crédito para produzir se não têm demanda dos grandes complexos industriais para os quais são fornecedoras. Embraer, Braskem, Petrobras, as montadoras de automóveis, todas têm, ligadas a elas, uma fieira de empresas menores que dependem dos investimentos das grandes para gerar renda e emprego. Mas essa parte do manual não faz sucesso entre os conservadores.

É por essas e outras que até os argentinos já superaram preconceitos históricos e dizem que gostariam de votar no homem para presidente. Não precisa chegar a esses exageros. Bastava que os economistas pátrios tirassem os olhos dos livros-texto ultrapassados, guardassem os dogmas na gaveta, e mirassem um pouco a realidade em volta.

No aeroporto, o atraso do atraso

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Eu aqui interessado no o BNDES, o Oriente Médio e a encrenca na Bolívia, e Oliveira, o canalha da redação, me aparece com uma cópia de matéria tirada da internet (quem disse que o computador iria acabar com o consumo de papel?):

Companhias aéreas terão de avisar clientes sobre atraso 2 horas antes

Em São Paulo
As companhias aéreas que operam nos aeroportos brasileiros terão de informar os passageiros sobre atraso ou cancelamento de voos com no mínimo 2 horas de antecedência em relação ao embarque, determinou a 6.ª Vara Federal da 3ª Região (São Paulo).

A resolução, publicada segunda-feira no "Diário do Judiciário" - com validade imediata -, partiu de uma ação civil proposta pela Fundação Procon-SP, representada pela Procuradoria Geral do Estado, e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). As companhias que infringirem o prazo terão de pagar multa de R$ 10 mil por atraso registrado.

O governo já não fiscaliza direito nem as próprias promessas, agora vai ter de multar até empresa que atrasou por alguma mudança brusca de tempo, aponta o Oliveira. Ele tem certeza de que, com esse prazo de duas horas, a bem intencionada decisão do Procon não vai resistir aos caprichos da meteorologia.

"Agora danou-se. Além do atraso, as companhias aéreas vão atrasar na comunicação do atraso", diz o crápula, que prevê a aterrissagem de uma frota de processos de consumidores na Justiça.

Eu, que uma vez fui obrigado a onze horas de ônibus de Nova York a Toronto por causa de um cancelamento da American Airlines, discordo dele. E vou passar a torcer pelo atraso dos meus próximos vôos, já gastando por conta parte dos meus R$ 10 mil nas lojinhas da Infraero.

A Cesare o que é de Cesare

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Embalado em minhas capacidades divinatórias (veja o post abaixo), arrisco dois palpites: 1) essa confusão a respeito do italiano cesare battisti ainda vai gerar muita agitação na Itália, quase tanto quanto uma ópera bufa; e 2) não vai resultar em patavina; quando muito vai virar tema constante das autoridades italianas em visita ao Brasil, como, por muito tempo, a presença do bandido boa praça Ronald Biggs poluiu a agenda entre brasileiros e ingleses.

(2º clichê: não acho que o governo deveria ter mantido Battisti no país. mas também não considero errada a decisão de Tarso Genro, que é política. Até a Veja, em sua retórica torta, concedeu a ele o benefício da dúvida. MInha convicção de que o assunto é político e não se abordam as questões éticas nele envolvidas quando vejo que as publicações que criticam o Brasil pela decisão de Batiisti nunca fizeram o mesmo em relação aos terroristas venezuelanos da CIA que mataram centenas de cubanos em atentado terrosita para "libertar" o país. Estão até hoje vivendo, livres, nos EUA, que nega os pedidos de deportação feitos pela Venezuela. Ah, sim, claro, esqueci que a Venezuela é uma ditadura sanguinária e a Itália um modelo de democracia impoluta com policiais acima de qualquer suspeita.)

Como comentou o Luiz Carlos Azedo, é difícil entender o que está em jogo, se não se conhece a história do terrorismo italiano na década de 70, tema de excelente coluna do Contardo Calligaris hoje, na Folha.

Mas indispensável, mesmo, é a coluna da editora de Opinião do Valor, a Maria Inês Nassif, hoje, no jornal:

Já que não ganho na mega-sena...

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Ia botar um post para dizer que em poucos minutos sairia o resultado do Copom, e pedir aos leitores que torcessem por mim no bolão que fizemos na redação do valor. Nem deu tampo; o prestimoso repórter Alex Ribeiro já ligou e informou que o Copom cortou 1ponto percentual na taxa de juros.

Ganhamos, eu e o Raymundo Costa( correção: numa versão anterior deste post, tinha posto no Raymundo o sobrenome de nosso querido canalha da redação, o Oliveira, Nada mais diferente, o Raymundo, que é, claro, é repórter de política, por isso confiou no Copom).

Me rendeu R$ 17,50 essa decisão, sem contar a valorização de meus títulos no Tesouro Direto.

Oliveira, o canalha da redação, apostou que o corte seria só de 0,25 pontos. "Que se dane a economia, eu quero é maximizar os lucros", resmungou Oliveira, que sempre aposta em azarão.

Continuamos, no Brasil, com os juros reais mais altos do mundo. E três diretores do BC votaram em corte de apenas 0,75 pontos. O Oliveira quer marcar um chope com eles, para chorar as pitangas.Mas já avisa que está sem grana.

Obama, e aí?

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Emocionante a posse do primeiro homem negro a chegar à Presidência dos Estados Unidos. Assisti tudo, até a saída dele do Capitólio, mas tive de aguentar os comentários impertinentes do Oliveira, o canalha da redação, que quase teve um troço quando a chegada do homem foi anunciada à multidão como "Barak H. Obama". H. de Hussein.

"Mas tem um padre falando no começo, um abençoando no final? E se ele fosse muçulmano, haveria um mujahedin cantando lá nauela praçona?", me pergunta o Oliveira.

"No dia em que os EUA elegerem um muçulmano presidente acho que não vai ter nenhum problema em ter um mujahedin no Capitólio, e, quem sabe, em pedir ao pessoal para se ajoelhar em direção a Meca, em vez de se levantar para ouvir a benção", arrisquei eu.

"Mas vem cá", continou o canalha. "o cara tem de jurar por Deus para ser presidente. Se o cara for de outra religião que considere isso heresia, não pode assumir o posto?"

Sei lá Oliveira. A democracia é um regime com muitas incertezas.Se o Idelber está apoiando o homem com tanto entusiasmo, deve saber o que vem por aí; é capaz de o sucessor ter permissão até para chamar um guru indiano à cerimônia, se for o caso.

"Nessa quase você pisa na bola; já ia falar pai de santo e ficou com medo de parecer politicamente incorreto, né?", insistiu o cínico.

Vai implicar com outro, Oliveira. Mais que a carga religiosa na cerimônia da demcoracia americana, o que me chamou a atenção foi a forma como o Obama se referiu aos países do mundo.

Depois da bela frase sobre como o mundo mudou e os Estados Unidos terão de mudar também, ele dividiu seus interlocutores em cinco categorias:
1)os muçulmanos, com quem os EUA buscarão respeito mútuo;
2)os que odeiam os EUA, e terão de se preocupar mais em governar que em brigar;
3)os que têm corruptos, aos quais os EUA darão a mão para sairem do lado errado da História, se deixarem de manter punhos cerrados;
4)os pobres, que terão ajuda; e
5)os que, como os EUA, vivem em relativa riqueza e terão de ajudar a melhorar a distribuição de renda do mundo.

Não descobri até agora em qual da divisões do mundo de Obama o Brasil pode se encaixar. Desconfio que a comemroada experiência de Obama com o terceiro mundo esteja muito influenciada pela visão das ruas semc alçamento da Indonésia.

"Ainda bem que ele falou em apoiar programas de energia renovável. Se o Lula quiser fazer uma visitinha à Casa Branca é melhor separar um galãozinho de etanol", concorda o Oliveira, ao lado, balançando a cabeça.

Arte contemporânea, um alvo perturbador

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CildoMeirellesBrazil.jpg "Espelho cego", Cildo Meireles

Ponha uma orquestra na rua mesmo e faça com que ela toque algum trecho de música erudita contemporânea. Brasileira, que seja. Como essa aqui, por exemplo:

Social Organization - the discovery of music

Ninguém, nem o mais affonsoromanodesantanna dos reacionários, vai ter coragem de dizer que isso não é música. Pode dizer que não é o tipo de música de que gosta, que não "entende", que não tocaria isso em casa. Mas não se arriscará a por em questão, jamais, a competência do compositor como músico.

Já nas chamadas artes plásticas, as "finas artes", como diz Oliveira, o canalha da redação, imitando Oscar Wilde, uma mirada de dois segundos basta para o julgamento definitivo.

Ou para o choque irremediável, acompanhado de incredulidade: "mas isso é arte?".

Uma parcela assustadora das pessoas inteligentes, no século XXI, no mundo dos vídeos de celular e do photoshop, ainda está aprisionada pelo encanto da artesania.

Artista, para a maioria, é a pessoa que consegue desenhar um retrato "perfeito" do tio Aguinaldo. Não importa se os humanos já exploraram desde a pré-história quase todas as possibilidades de retratar o tio Aguinaldo usando um suporte bidimensional e a aplicação de pigmentos puros ou diluídos, sobre ele.

Pigmentos sobre o suporte, não sobre o tio Aguinaldo. Ou, quem sabe, nele também, pobre tio.

SABADOS - 17 JANEIRO 2009

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S2021043.JPG Foto:Sergio Leo-No JazzStandard, 2007

Essa edição sai com atraso, e com uma das suas seções já lidas pelos leitores frequentes deste Sítio. Velho troglodita da blogosfera, eu programei a revista para ser publicada hoje cedo, mas me enrolei, e saí para uma tarde inesquecível com o maior crítico de jazz do Brasil, Luis Orlando Carneiro,que me presenteou com dois de seus desenhos e umas dezenas de discos repetidos.

Ouvimos Paul Motion, um impressionista do jazz (como descreve o Luis O.), que eu conheci no Village Vanguard em setembro. Ele me apresentou também o Enrico Rava, que só dá para definir em inglês, remarkable.. E uma das novas musas do jazz, Anat Cohen, que esteve no Festival de Jazz de Ouro Preto, que, neste ano, não dá para perder.

Aí, com uns goles de Ballantine's a mais nas idéias, vejo que o Sítio de precipitou e divulgou a seção aí embaixo sobre o Santoro antes do resto. Não faz mal, aqui segue a revista inteira, para quem não passou pelo Sítio ou passou e voltou. Inté.

Religião

O impagável Alex Castro, que ainda vai escrever sobre racismo nesta revista, com todas as opiniões dele de que discordo pelo maniqueísmo, acertou a mão ao falar sobre um tema incendiário. Ateu sem vergonha, ele encara as pessoas-que-acreditam com o interesse descompromissado de uma adolescente boa praça. Entre os textos memoráveis que andou republicando no Liberal Libertário Libertino, está esse:

Do ponto de vista externo, não há diferença alguma entre alguém que acredita em um negrinho de uma perna só que mora no redemoinho, em um biscoito de farinha que vira o corpo de alguém que morreu há dois mil anos, ou que a posição do planeta Netuno influencia nossas vidas. Um judeu ortodoxo não poderia se imaginar mais diferente do que um matuto que acredita no curupira mas católicos e wiccans, holísticos e macumbeiros, astrólogos e cientólogos, são todos igualmente pessoas-que-acreditam-em-coisas.

Alguém que só bebe cerveja não poderia ser mais diferente do que alguém que só bebe absinto, mas, do ponto de vista de um abstêmio, sinceramente, é tudo a mesma coisa.

Na prática, aliás, a diferença entre uma pessoa-que-acredita-em-coisas e um ateu é mínima: a pessoa-que-acredita-em-coisas acha que todas as crenças estão erradas, menos uma, e o ateu acha que essa também.

Alex ferverá eternamente no inferno dos bons escritores. Um canalha de irritar o Oliveira, que detesta gente assim, espontânea. O resto do enorme texto que merece ser lido está AQUI.

História

O Maurício Santoro conta a história do português picareta que enganou o país inteiro, e muita gente no resto da Europa, imprimiu alguns bilhões em dinheiro falsificado e ajudou a provocar uma crise que facilitou a chegada do fascismo de Salazar ao poder. Mirabolante.

Conta o Maurício:

Alves Reis havia prosperado em Angola, onde se apresentou com um diploma falso de engenharia por Oxford. Inteligente e habilidoso, ganhou reputação e estima na África, trabalhando em ferrovias, projetos de exploração mineral e agrícola. De volta à Europa, negócios malsucedidos acabaram por levá-lo à prisão e às dificuldades financeiras. Foi então que pensou num plano mirabolante. As máquinas da casa de moeda de Portugal haviam quebrado durante a I Guerra Mundial e não foram substituídas. A impressão das notas de dinheiro passou a ser feita por uma empresa privada britânica. Alves Reis decidiu forjar documentos oficiais portugueses e solicitar à firma uma enorme quantidade de dinheiro, como se fosse o governo do país.

A resenha da história toda está AQUI.

Blogosfera

O Marcos Matamoros, cuja identidade secreta descobri com a ajuda de velhos amigos caguetes do SNI e que ainda tem o bom gosto de trabalhar no mesmo jornal que eu, fala da ameaça televisiva que paira sobre todas as castas do mundo dos blogues. AQUI.

Fotografia

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Foi a noticia da semana para quem se interessa por novas midias. Foi no acidente incrível do avião que pousou no rio Hudson, lançando um novo herói no mundo das celebridades. Incontáveis jornais publicaram um foto distribuída pela AP mas tirada por um sujeito com seu Iphone e divulgada em primeira mão no Twitter. Rivalizando com a disseminação de relatos blogueiros da Palestina, esse é mais um fascinante exemplo do jornalismo cidadão do século XXI, publicado nas primeiras páginas mundo afora.

O Tiago Dória faz um post excelente da história, AQUI.

Nostalgia

O Tiago Dória fez hora-extra nesta edição, merecida. É o único blogueiro que conheço a prestar a devida homenagem a uma figura que vai deixar saudades.

George Bush.

AQUI

Filistinismo

Essa seção substitui, nesta edição, as de Literatura e de Humor. É o Marconi Leal, falando desde a biblioteca lá dele:

Tenho um amigo que começa O Jogo da Amarelinha na página três, pula para o prefácio, lê as orelhas, vai à quarta capa e daí por diante. Segundo ele, a parte mais bela e comovente da obra é a frase ao final: "Composto e impresso nas oficinas da Nova Fronteira S/A"

***

O problema da edição de bolso de Guerra e Paz é que para carregá-la você precisa colocar o bolso dentro de um carrinho de mão.

O resto, AQUI.

Política

O Luis Favre publica a carta dos petistas que coontestam os outros petistas que compararam o que acontece na faixa de Gaza ao Holocausto. Oque me incomoda é que quem mais eu vejo falar no Holocausto quando o assunto é Faixa de Gaza são colunisats simpáticos à causa sionista, como a Cora Rónai, o Zevi Ghivelder e, não por coincidência, outros descendentes do povo eleito.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Por isso acho que o artigo mais sensato escrito em português por alguém de ascendência. judaica até agora é o do Arnaldo Bloch, no Globo de hoje. Mas como o assunto dessa seção é o PT, e não Gaza, os leitores que me perdoem, mas o link que dou não é da Cora nem do Bloch, mas o do Favre, AQUI.

Aquele Assunto

Até um esquerdista amigo meu que conheceu o Idelber Avelar por meu intermédio está recomendando que eu o leia, em nossa discussão sobre o que acontece na faixa de Gaza. Idelber é escancaradamente parcial, porque argumenta honestamente que não há um outro lado nessa questão. Discordo dele e acho que o Pedro Dória tem conseguido fazer um trabalho mais jornalístico nesse tema, sem ceder às simpatias dele, Dória, por Israel.

Mas o Idelber não é jornalista, é militante. Dos bons. Tanto que nem abre mais comentários no blog, enquanto estiver nesa guerra santa. E faz um bom trabalho ao expressar sua indignação com o massacre na Palestina. AQUI.

Deu no New York Times

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Tangacartaz.jpg

Se buscarem no Google pelo título desse post, vão encontrar seguramente o livro vagabundo do cabotino Larry Rother, que, após uma razoável temporada como correspondente, fez fama nacional com umacascata vergonhosa sobre a fictícia preocupação brasileira com o real hábito presidencial de adoçar a vida de vez em quando com um conhecido subproduto da cana de açúcar. Mas o título foi usado pioneiramente pelo Henfil, num filme pavoroso que acaba de passar na TV Brasil.

Foi em 1988, e os 300 leitores deste Sítio, hoje em dia reduzidos a 200, hão de perdoar a incursão no território familiar do proprietário, isto é, eu mesmo, para permitir uma menção paralela: boa parte do filme foi rodada em Quissamã!!!!!

(Disclosure: este também cabotino blogueiro tem família originada no Norte fluminense, mais exatamente numa região antes distrito de Macaé, hoje o próspero município quissamense, que os royalties de petróleo o abençoem por muito tempo. O prefeito de lá é primo, irmão do cunhado do blogueiro, que se orgulha da boa administração da dinheirama do petróleo na cidade. Há poucos dias, o prefeito reuniu os secretário para anunciar um corte de 25% no orçamento, preparando-se para os tempos de vacas magras, com a recessão mundial). Tão lá no filme a fazenda Mandiquera, a Machadinha, quase chorei. Ainda volto a falar delas, quando os primos lançarem seus novos programas turísticos na região.

O filme, em si, é horrendo, e é uma mostra deliciosa do clima da época. ganhou, aliás, prêmios a beça (ou a bessa, vai lá Bicarato). É uma múmia, como as tirinhas do Zeferino que O Globo republcia hoje em dia. Como toda múmia, tem encantos. O elenco, só ele, vale a doce tortura de assistir o filme, que também tem o Henfil num dos papéis, no ano anterior ao que ele morreu de Aids, hemofílico que era numa década complicada. Nem por isso ele deixa de fazer piada com a doença.

É a história de uma ilha, a de Tonga, em que o único jornal permitido é o New York Times, um único exemplar, mandado pelo sobrinho do ditador (o Henfil) ao tirano (Ítalo Rossi) todo dia. Ele lê o jornal na privada, ao som de Wagner, e os líderes de esquerda, ao som da Internacional, tentam interpretar a fumaça do jornal incinerado após a leitura para saber o que passa na ilha. O povo, no fim toma o poder, mas isso é o de menos. O filme todo é uma revolução: o estômago se revolve com um filme tão ruim. E adorável. Deve ter sido um fracasso, no Brasil já pós-ditadura.

Estão lá os saudosos Zózimo Bulbul, e Lutero Luis, a Elke Maravilha numa época em que era gostosa, o Flávio Migliaccio, o Ítalo Rossi, a Cristina Pereira O Roberto Blat, gente que só quem tem mais de 30 tem idéia de quem seja. Um tremendo elenco, mas o melhor é a cena da entrevista para os correspondentes estrangeiros, com o Daniel Filho e o Jaguar de jornalistas. Antológica. Vale pelo bizarro, não pelo cinema da coisa.

Enfim, desculpem os frequentadores deste Sítio que nem conhecem Qussimã nem o Henfil nem essa turma que citei. Esse filme terrível me deixou nostálgico.

Bons tempos aqueles.

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Quase engasguei com essa:

Pessoas que bebem muito café têm mais chances de sofrer alucinações, de acordo com um estudo britânico divulgado nesta quarta-feira. Uma equipe da Universidade de Durham (Inglaterra) analisou o comportamento de 200 estudantes e concluiu que pessoas que consomem mais de sete xícaras de café instantâneo por dia têm três vezes mais probabilidade de ouvir vozes, ver coisas que não existem ou acreditar que estão sentindo a presença de pessoas que já morreram.

Para os pesquisadores, isso pode ocorrer pelo fato de a cafeína aumentar os efeitos fisiológicos do stress, aumentando a produção do hormônio cortisol, que em altas concentrações pode fazer com que a pessoas escutem vozes não existentes.

Mas então era isso? Quer dizer que essas vozes não são reais??

A menos que essa notícia não passe de alucinação, pode ler o resto AQUI.

Lula, sapato e luva

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foto do Jefferson Bernardes, da AE.

Li gente reclamando do gesto do presidente Lula, ameaçando jogar sapato nos jornalistas que o acompanhavam numa feira de calçados.

Em matéria de sapatada em jornalista, me incomoda muito mais certa parcela da esquerda que leva a sério o Paulo Henrique Amorim, estrela caída da TV Globo, quando ele fala em "midia golpista", botando num mesmo saco o que ele sabe ser o mundo complexo e contraditório da notícia.

Acostumado com a informalidade bem-humorada do presidente, que, em viagens passadas, já me surpreendeu com tapinhas na barriga e saudou minhas perguntas com caretas mal-humoradas (não necessariamente nessa ordem) fiquei muito mais impressionado com outra ação do Lula nesse evento de moda. Depois da ameaça sapatal, ele explicou que quis apenas evitar que jogassem algum calçado nele. "Eu me precavi"., explicou.

Uma temeridade, esse "precavi".Conheço muita gente em redação que, diante do desafio de conjugar o verbo precaver no pretérito perfeito é capaz de desistir da tarefa, deixar a cautela de lado e enfrentar o mundo desprevenido.

Me toquei do desembaraço linguístico do mandatário hoje, ao ler o professor Pasquale na Folha, respondendo a vários leitores que estranharam a conjugação corretíssima de Lula.

É por isso que o homem reclama que ler jornal dá azia nele. Joga um "precavi" na testa do povo, assim, na lata, e o pessoal só repara que ele não pronuncia os "s" no fim dos plurais. O cara tem a língua presa, caramba.

Musica palestina

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Peguei no Argenpress..

Arte é transcendência.

Ah, esse aí embaixo não é música palestina. É o Woody Allen. Apenas um dos maravilhosos exemplares do povo judeu.

Longe de Gaza, uma história do Peru

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Enquanto a indignação pátria se volta, justamente, contra o massacre na Palestina, sobra pouca gente para prestar atenção para as ameaças aos direitos humanos pelas redondezas. Um jornalista peruano acaba de publicar reportagem sobre 13 figuras da esquera no país que são investigadas porque seus nomes foram encontrados no comptuador do chefão assassinado das Farc, Raul Reyes. Consequência da reportagem? Incluíram o nome do repórter no inquérito policial e nesta quarta-feira, hoje, ele presta depoimento, acusado de ligações com a guerrilha terrorista.

"Eles querem me silenciar. (...) Eles querem que eu pare de denunciar abusos policiais. Eles querem saber como eu obtive os documentos sobre a investigação. Eu não vou revelar as minhas fontes. Inicialmente ele estavam investigando 13 líderes de esquerda. Agora eu sou o 14º, mesmo sem ter tido o meu nome incluído nesse computador", disse o jornalista à Repórteres Sem Fronteiras

A história está lá no Comunique-se. Ou melhor, AQUI.. (quando o Comunique-se vai aprender a botar links decentes para os artigos do sítio lá deles? Esse é para imprimir a notícia)

A plástica da Dilma

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Essa imprensa, sempre afobada, correu para mostrrar a foto da ministra Dilma após a plástica. Mas nem esperaram o fim da série de intervenções cirúrgicas, que este Sítio traz para vocês em primeira mão:

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Um Defeito de Cor.

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Oliveira, eterno canalha da redação que agroa descubro alimentar o preconceito contra uma injustiçada minoria, vem me contar ás gargalhadas o que viu no programa Saia Justa, onde brilha minha amiga Mônica Waldvogel. "Você sabe, aquele programa com aquelas moças interessantes que não são tão moças assim", me diz ele.

O Oliveira me conta que citaram, no fim de semana, um livro que já comentei aqui do "Um Defeito de Cor", da Ana Maria Gonçalves, trabalho fascinante. Nele, uma personagem mulher e negra percorre a história brasileira, sempre próxima aos protagonistas tradicionais, e, nesse percurso, a Ana trata a contribuição africana para a cultura do Brasil com requintes de estilo. As estratégias de integração da população escravizada do Brasil colonial são contadas em forma de romance deliciosamente temperado por uma profunda pequisa histórica, sem maniqueísmos militantes.

"Para com essa literatice! Também sou fã da Ana, que além de gente fina, ótima escritora, é bonita a pampa", me interrompeu o Oliveira. "Mas eu queria ver a cara dela ouvindo a resenha da Maitê", completou, com uma gargalhada de maluco em semáforo.

O livro foi citado pela Maitê, neste fim de semana, entre as indicações literárias do Saia Justa. Me conta o Oliveira que ela, além de parecer ter acreditado que a personagem do Defeito de Cor existiu realmente, descreveu a obra mais ou menos nos seguintes termos, que ele citou de memória: "o livro fala de uma mulher que participou da história do Brasil, enfrentou tudo e todos, e saiu vencedora. Ela sempre estava de alto astral, mostra que se pode superar os obstáculos, tem uma energia!!!".

"Essa história de energia é chocante", avacalhou o Oliveira. "A loura conseguiu fazer do Defeito de Cor um livro de auto-ajuda!"

Argumentei que, sob esse ponto de vista, ter conseguido devorar as quase mil páginas da premiada história contada pela Ana é um feito espetacular.

"É, cada leitor faz do que lê um livro diferente", concordou o Oliveira. Mas não largou do belo pé da Maitê: "Pena eu ter perdido a resenha da loura sobre Dom Casmurro, aquela história do marido que desconfiava da mulher porque os olhos deduravam que ela era uma bêbada".

É por isso que o Lula não lê jornal. As redações estão cheias de gente implicante assim, como o Oliveira. Não tem sal de fruta que dê jeito.

Medida da crise

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Oliveira, o canalha da redação, me aponta uma materiazinha quase escondida nO Globo de hoje: um caminhão frigorífico tombou na estrada e arrebentou-se. espalhando carne e maconha pela estrada.

É, escondida no chassi havia uma carga de maconha que se derramou, com o fil~e, pelo acostamento. Oliveira está maravilhado, e me lê um trechinho da matéria dO Globo:

"A carga vinha para Itaperuna, no Norte fluminense. Parte dela foi saqueada, mas as pessaos levaram mais maconha do que carne"

_ Pensa bem, Sergio Leo, enquanto a turma estiver mais preocupada em fazer a cabeça que em encher a barriga, não dá para acreditar na crise!"

Tem alguma lógica, o bizarro raciocínio do Oliveira.

SABADOS

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O explorador gay das histórias em quadrinhos, os compositores que aparecem na Playboy, o turismo sexual, tudo que é tipo de assunto capaz de atrair os leitores de fim de semana para uma revista blogosófica que tem sido incapaz de manter a regularidade eu busquei nesse número de Sabados.

Publicado após uma vergonhosa interrupção, primeiro pelas férias, depois pela reentrada na atmosfera jornalística da capital federal, este número traz uma seleção carinhosamente preparada para tentar me redimir com você, leitor(a), com excertos da inteligência alheia descaradamente roubados para este Sítio.

Bom proveito.

Terceiro setor
tintingay.jpg

Um jornalista do Times, homossexual, acaba de listar uma série de razões para garantir que octogenário Tintin é gay. Para começar, trata as raras mulheres de suas histórias com nojo mal disfarçado e vive com um marinheiro mais velho. A história, com as outras razões para se acreditar na opção sexual do personagem, contada por um jornal portugues está AQUI

Sou do tempo do Para Ler o Pato Donald, polêmico panfleto do Ariel Dorfmann e do Armand Mattelart nos mal-sucedidos tempos de Salvador Allende, quando um personagem que vivia com "sobrinhos", como todos os de Disney, era suspeito de adesão ao imperailsimo, e não de pertencer ao clube de assinantes da G magazine.

Também sou do tempo em que o jornal Luta & Prazer defendia a tese de que nosso corpo nos pertence. Isso deve valer para que é de carne e osso e para figuras com corpo bidimensional, luvas no lugar das mãos e olhos de tramanho improvável, acho eu. O que cada um faz com o seu, dentro da lei, não interessa a ninguém, a não ser aos eventuais parceiros.

O mais divertido, porém, é que o assunto, eu não sabia, é uma febre, com discussões acaloradas na Internet. Tio Google é quem conta.

Na lista, um fórum de discussão de fãs do Tintin reúne revoltados contra a patrulha na vida sexual do ídolo lá deles. Um sujeito lembra que um grupo religioso nos EUA quis banir o Bob Esponja alegando ser o peronagem claramente homossexual. "O cara não é homo nem hetero, ele é uma esponja, caramba", argumenta o tintinmaníaco. Bem lembrado. Felizes sejam os equinodermas.

Culinária

O Cristiano recomenda um doce de leite. Me faz lembrar que sempre me diziam que o melhor doce de leite do mundoe ra o do Uruguai. E um dia, voltando de uma viagem em Montevidéu, haviam sobrado uns dinheirinhos locais e os gastei num potinho do famoso doce.

Para mim, vaca é tudo igual, leite é tudo a mesam coisa, duvidava que fosse mesmo me maravilhar com o dulce de leche uruguayo. Não pude comprovar: na alfândega, o sujeito da vigilância sanitária apreendeu o potinho. Comentei, escabriado, na saída do aeroporto, com um diplomata que eu vi pasar pela vigilância com uma mala cheia de potes de doce de leite, a produção bovina de um ano inteiro, pelos meus cálculos. O diplomata riu de mim:

"Se você ligar para o cara da vigilância, agora, vai ouvir, como resposta: "chhhhleep, doce de leite? que (gulp) doce de leite'?"

Da próxima, derramo o doce no lixo mas não dou esse gostinho ao filhodamãe. Fico com a dica do Cristiano, AQUI.

HUMOR

O cara já publica até na Playboy e e é a coisa mais inteligente vi nos últimos meses na blogosfera humorística _ onde é deprimente o sucesso das piadas escatologicas e textos adolescentes. Espero que não me processem por reproduzir aqui uma das tiras do excelente Wagner & Beethoven:

elise1.jpg

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Cultura

Esta última semana es Enrique Vila-Matas quien sella mis ojos cada noche. Me gusta muchísimo su libro, inclasificable. (A mí me recuerda a otra novela de autoficción, "Automoribundia" de Ramón Gómez de la Serna).

Afortunadamente se escriben y se publican bastantes libros inclasificables, debería existir ya un género que los clasificara como tales, es decir, "inclasificable", un género, como la ciencia ficción, la novela rosa o la histórica.
Leo el libro de Vila-Matas como una novela, una muy buena novela donde su narrador nos proporciona información exhaustiva sobre el protagonista, que casualmente es él mismo. No le conozco personalmente, ni entra en mis planes conocerle, prefiero leerle e impregnarme de su literatura.

Cuando el autor se convierte en sujeto del libro prefiero conocer el libro, y no a la persona que lo sustenta, porque la ficción no debe mezclarse con la realidad. No sé si me entienden.

Para quem pensava que só o Caetano Veloso derramava seu frescor sobre a blogosfera, esse o Pedro Almodóvar, que descobri ter um blogue (nada regular) pelas mãos da Carla Rodrigues. Para os fãs, como eu, é leitura obrigatória, AQUI.


Política

Um belo artigo sobre a~guerra na Faixa de Gaza, do Pedro Doria.

A indignação de parte a parte é importante. E compreensível. Mas há vários sinais ocorrendo em Gaza que boa parte da cobertura jornalística não está pegando.

Por que, por exemplo, o Hizbolá não está atacando Israel do Líbano?

Por que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que por muito menos já ameaçou Israel das piores formas, anda tão ameno em seus discursos das últimas semanas? (Diz que o Hamas está ficando mais forte e não passa disso.)

Precisamos compreender o Hamas: de onde vem, e o que é hoje.

Israel informa que está atacando o Hamas, em Gaza, neste momento. As vítimas, no entanto, são palestinos. Morrem às centenas. Alguns - muitos - não têm qualquer ligação com o Hamas. Mas como declaradamente o ataque é ao Hamas, aqueles que tomam as dores das vítimas defendem o Hamas; e aqueles cujo coração bate por Israel sugerem que quase todos os mortos são do grupo.

Continua AQUI, e é indispensável ler também o relato em que o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter conta como Israel foi quem rompeu o frágil cessar-fogo na região, no Idelber Avelar, AQUI.

Economia

Foi muito precipitado dizer que o derretimento econômico com a crise internacional representa o fim do capitalismo. Até porque não há alternativa à vista. Mas foi, claramente, o fim do capitalismo como vinha sendo desenhado desde o fim dos anos 90, com a crença fundamentalista na capacidade de auto-regulação dos mercados, na virtude da liberalização dos mercados de câmbio, e na privatização a qualquer custo.

Uma das heróinas liberais vitimadas pela crise ainda não foi pranteada por aqui, no Brasil. E é a defesa instransigente da privatização da Previdência, como aponta o Paul Krugmann. Baseado no que acointeceu na previdênciza italiana, ele sacaneia os planos mal-sucedidos de Bush de privatizar a Social Security americana. Inflezimente só em inglês, AQUI.


Jornalismo

Quando crescer, quero ser como Lourival Sant'Anna. Ou, pelo menos, ter a capacidade de organização do sujeito, que organizou em blogue suas excelentes reportagens pelo mundo afora. É meio filistino ao falar de arte contemporânea, mas, no resto, é uma aula. AQUI.

Turismo

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O Hermenauta critica a Advocacia geral da União por uma revista que, mais uma vez, vende o Rio como paraíso da bandalha. Mas não aponta o motivo legítimo para um processo contra a publicação: ela sugere que o turista pode comer à vontade as comidinhas servidas pelos camelôs, com exceção dos camarões que estragam rapidamente sob o sol. Só por essa dica, merece apreensão pela Saúde Pùblica. Tremenda sabotagem contra o turismo brasileiro. O post do hermê é esse AQUI.

A última de Gaza

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Prometi aos companheiros do Sítio não mencionar mais esse assunto por enquanto, mas, entre os mil e-mails lixo que encontro todo dia ao abrir minha caixa postal, Oliveira, o canalha da redação, me apontou um de grande utilidade.

Segundo o crápula, o anúncio desmente as acusações que não há preocupação em Israel com os palestinos encurralados nas próprias residências pelo bombardeio feroz sobre toda a faixa de Gaza:


hebraicoemcasa.gif


"Se as primeiras lições forem sobre como gritar, em hebraico: 'não atire, pelo amor de Deus! Só tem crianças e mulheres nessa creche!' o curso vai bombar lá no Oriente Médio", garante o Oliveira.

Ainda Gaza

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Como lembra o Leonardo, nos comentários do post aí embaixo, dos seis soldados israelenses mortos até agora, quatro perderam a vida como resultado de artilharia israelense. Antes do hediondo bombardeio a uma escola da ONU, já estava difícil sustentar a tese de que o ataque a Gaza é guiado cirurgicamente contra os terroristas do Hamas, não contra a população palestina.

"Isso só aconteceu porque os covardes do Hamas agora estão usando os pobres soldados israelenses como escudo humano", ironiza Oliveira, o canalha da redação.

O Oliveira, aliás, decidiu agora só ler sobre temas amenos, que não escandalizam ninguém nem animam posts irados de blogueiros, como os acontecimentos em Darfur, no Sudão.

****

Enquanto isso, numa mostra da vitalidade do capitalismo democrático, o crescente preconceito contra os árabes começa a dar dinheiro. Para alguns árabes. AQUI.

*****
2º clichê: entre as muitas gentes sensatas que escrevem sobre a guerra de Gaza, sugiro lerem o que escreve o mestre e gestor Maurício Santoro, AQUI, e acompanharem o que vem escrevendo o doutor (com Lattes e tudo) Celso, AQUI.. Bom proveito.

Pisando enojado na faixa de Gaza

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É um terreno minado, causa mais danos colaterais que as diabólicas balas de fósforo do exército israelense, mas, nesses tempos modernos, um blogueiro, especialmente um dedicado a assuntos internacionais, não tem como ficar à parte nessa discussão sobre o tema.

Ando pensando em umas mudanças no blogue, por isso tenho tido dificuldade em postar aqui, perdão leitores. No Valor, dei minha parca contribuição para o entendimento do conflito. Busquei o Itamaraty e o Planalto para informar aos leitores como o governo brasileiro está tratando do caso, e fizeram algum sucesso, pelo visto, a declaração feita a mim pelo Marco Aurélio Garcia, de que Israel pratica "terrorismo de Estado" com essa invasão à Faixa de Gaza.

Ou, como reusmiu O Globo, com base na minha matéria de véspera:

A ofensiva de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza, que já dura 11 dias, é "terrorismo de Estado" e se segue a um histórico de descumprimento de resoluções da ONU contra o país no que se refere à questão palestina, afirmou em entrevista ao "Valor" o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, elevando o tom da reação brasileira ao ataque de Israel ao grupo radical islâmico. Garcia diz que a crítica ao governo israelense não deve ser vista como oposição a Israel, país que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer visitar este ano.

- Israel é intocável, mas o governo de Israel não pode permitir que isso seja uma justificativa para qualquer tipo de ação - afirmou Garcia, que acrescentou não querer favorecer nenhum dos lados no conflito, mas buscar uma alternativa aceitável para a paz na região, destacando que o governo brasileiro tem sido enfático em condenar as ações terroristas contra o Estado de Israel e o anti-sionismo.

Mais moderado, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou a perda de vidas humanas e o uso " desproporcional " de força na ofensiva israelense contra os palestinos. Em conversa telefônica na segunda-feira com a ministra de Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, Amorim defendeu a um cessar-fogo imediato e sugeriu o envio de uma missão observadora

Meu querido amigo Idelber Avelar, sabedor da radicalidade com que trata o assunto e seu ódio contra a política torta do governo israelense, nem abre comentários para seus posts sobre o tema, em que sobram mísseis para a categoria do que ele chama de "jornalistazinhos". Pedro Dória, um jornalistazão que honestamente abre aos leitores sua ligações afetivas com Israel, tenta, a partir daí, construir um relato sóbrio e, na medida do possível, imparcial, sobre o tema.

Nessa discussão, é complicada a situação de quem opina, como já disse algum blogue por aí: ou você é a favor de terroristas islâmicos e anti-sionista ou é um filossionista cego ao massacre de inocentes palestinos. Eu, que me refugiei neste Sítio para não tratar tão a sério das coisas sérias que me dão dor de cabeça no jornal, cheguei a pensar em dar ao Oliveira, o canalha da redação, a tarefa de comentar o caso. Mas desisti quando conversei com o crápula sobre o assunto:



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