"Radicalismos"- xilogravura. Sergio Leo
Um diplomata com quem assisti pela TV a posse de BaraCk H. Obama, comentou, no fim do discurso dele, que havia faltado emoção, que o texto era bom, mas só correto, sem empolgação, uma laundry list, lista de lavanderia das peças sujas deixadas por George Bush a serem tratadas na base de detergente e alvejante (se é que posso me permitir esse trocadilho involuntário).
Cercado de expectativas, Obama tocou nos pontos certos, e já se sabe de partida que não terá como entregar todas as encomendas que esperam dele. Mas bem que ele podia ser um pouco mais criativo em alguns pontos, como reclama o Paul Krugman, AQUI. É bom saber que não foi só neste Sítio que o discurso foi ouvido com a impressão de que a euforia com o novo presidente dos EUA não vai durar muito.,
Nesta edição de Sabados, como publicação alternativa que somos, deixamos de lado o novo estadista mundial, já destrinchado nas revistas da semana, e partimos para outra. Avisados pelo Flávio Prada de que o mundo já era (ver abaixo), demos uma guinada no mapa e dedicamos duas de nossas seções ao Chile. Ou melhor, incluimos uma dica chilena do Maurício Santoro e também abrimos a revista com um chileno universal, que agora faz um sucesso danado nos EUA mas não tem como voltar de lá americanizado porque está morto.
Morreu para vocês, filhos ingratos, porque o Roberto Bolaño é saudado todo dia neste Sítio, onde ainda causa vívidas impressões.
Literatura
Como dizemos no editorial, Bolãno é figurinha fácil nesta nossa casa editora. Acabei no fim do ano de ler o 2666, livro póstumo que será traduzido e publicado no Brasil só em 2010, e que, recentemente vertido ao inglês, faz um sucesso danado nos EUA. A Marta anda às voltas com Un Gaucho Insufrible, livro de contos que, para mim, revela Bolaño como o "As Armas Secretas" traduz a excelência do Cortázar. O conto que dá nome ao livro é, para mim, como poderia ser um Don Quixote escrito por Borges.
O Giba Pereira, que tem um blog simpático sobre literatura, ganhou ainda mais minha simpatia traduzindo uma parte do mais novo artigo da New Yorker sobre o Bolaño (os caras tratam muito bem o sujeito, não é a primeira vez). Uma vergonha que até os gringos já possam ler o 2666 na língua deles e ainda estejamos esperando a tradução. É fascinante a técnica do chileno, que parte de uma espécie de romance de mistério com protagonistas improváveis, especialistas em literatura, combatentes na guerra dos seminários acadêmicos, e termina com um herói sem qualidades, o escritor Beno von Archimboldi, cuja história, em certo momento, faz lembrar o desligamento existencialista do Billy Pilgrim, personagem de Kurt Vonnegut (caramba, fui longe demais com essa).
Bom, isso é o que diz a New Yorker sobre o 2666 do Bolaño, sobre o qual ainda vou voltar a falar: 
O que li até agora de 2666 me parece distanciado, menos íntimo, quase clínico, por todo o calor e toda a violência presentes ali e os rompantes de poesia em queda-livre.
Não significa um livro sem paixão. De fato, apesar do que escrevi acima, concordo com um de nossos leitores, Wendy Breuer, que chamou o livro de 'cri de coeur' [grito do coração] - parece possuído por uma fúria gelada, que levou outro leitor, Mauro Javier Cardenas, a chamar a literatura de Bolaño de 'fúria no destino dos infelizes'. A angústia é palpável. Mas simplesmente não me parece algo íntimo e pessoal.
Do resto, o Giba traduz uma partezinha e deixa o atalho para quem lê em inglês, AQUI.
O duro mesmo é seguir a dica do Zé Mário (Mário, que Mário? Esse AQUI) e descobrir que um sujeito fez até um blogue dedicado ao Bolaño, e iniciou uma lista de discussão para debater o 2666 (!!). Mas em inglês (!!!!!!).
O Blogue é esse AQUI. E a lista, a pleno vapor, corre AQUI.
Humor (ou não?)
O mundo acabou. É, eu sei, você não notou nada, nem eu. Mas o Flávio Prada explicou o porquê. E eu não sabia.
Alta Cultura
É o velho Almirante, trazendo para as massas o biscoito fino que fabrica. Epa, esse é do Idelber. É o velho Almirante, dando uma bolacha no populacho, com uma ópera, logo aqui, no domingão. O Domingaff do Falstaff:

Todo o libreto, AQUI.
Economia
E qual seria o papel do BNDES no futuro próximo? Para quem continua "autista" e ainda não entendeu o que está acontecendo na Economia Mundial - em que só a atuação conjunta do "Grande Governo" e do "Grande Banco", ou o trabalho da dupla Tesouro/Banco Central, além da volta da regulamentação oficial, dará chances de debelar a maior cri-se do capitalismo desde os anos 1970 -, diríamos que só a atuação do BNDES como o "Grande Banco" - já que, no Brasil, o Banco Central, preso à cartilha liberal, que todos os grandes BCs Mundiais rasgaram, nessa recente crise, continua com sua postura independente -, em conjunto com o Tesouro, pode promover o desenvolvimento e levar a Economia ao pleno emprego.
Isso é o que dizia, já em agosto, o pessoal do blogue "Círculo do Desenvolvimento", uma reunião de economistas com argumentos contra o que o Bresser Pereira chama de "saber convencional da economia patria. Tem no grupo muita gente do próprio BNDES, o que dá uma pista de debates que correm por lá.
O resto do artigo, AQUI.
Políticas públicas
O Maurício Santoro, em fase de transição para burocrata pensante, E comenta sobre uma influência insuspeitada por quem conhece pouco da história do continente, num post que merecia desdobramentos. Quem sabe, ele faz outro, em breve, desenvolvendo o tema:
No imaginário político brasileiro, o Chile ficou associado à idéia de liberalização da economia. O aspecto é verdadeiro no que diz respeito ao comércio exterior, mas é curioso como a experiência chilena continua a ser uma referência importantíssima para a América Latina no que diz respeito ao planejamento governamental.
O resto, AQUI.
Efemérides
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É, neste 25 de janeiro, um importante aniversário. O do dono deste Sítio. Tão importante que todos os anos a cidade de São Paulo inteira para para (êta reforma ortográfica do capeta) saudar a vinda ao mundo deste carioca naturalizado brasiliense que um dia (quem sabe um dia) ainda justificará a nobre linhagem dos Leo e a dos Almeida Pereira.
Em retribuição a esse carinho incondicional dos paulistas, deixo o atalho para um blogue interessante dedicado à cidade. AQUI.

iaaau, riquíssimo post, a ser sorvido aos poucos e sem moderação!
Parabéns, Sérgio.
Sobre o Bola, além de esperar até 2010 para ler o 2666, o leitorado brasileiro vai ter que morrer numa grana alta. se o detetives sai por quase 60 dinheiros, o 2666 vai fácil custar uns 120.
Felicidades, Sérgio.
Ô, xente, 25 de janeiro sempre foi para mim também uma efeméride: é o dia do meu aniversário. Somos irmãos de zodíaco. Felicidades para nós.
Obrigado Bruno, Luiz, Thiago e Vera. Somos também integrantes da seleta família Pereira, Vera. Parabéns pra nós.
E eu aqui no Rio sempre pego carona nas comemoraçõs do aniversário do Tom Jobim, também em 25 de janeiro. Companhias ilustres, hein?