McCartney no cavaco

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Paul Mccartney Playing Something On The Ukulele via Noolmusic.com

Sabe aquela coisa de ter muito primo? Pois é. Minha família consegue listar a ascendência até o primeiro portuga foragido que desembarcou numa caravela aportada na muy gloriosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. E é um dos primos dessa extensa árvore genealógica, dum galho já distante do atracamento da caravela, que me manda esse vídeo do Paul McCartney tocando.. cavaquinho.

Eu vi o troço, e mandei uma mensagem reclamando. Por Santa Teresinha! Está na cara que o sujeito toca um ukelele; ele fala no vídeo que vai tocar um ukelele.

Ah, mas para isso existe família grande. O Kid, primo também, me explica que, embora uma coisa seja uma coisa e outra coisa outra coisa, às vezes uma coisa pode ter sido outra coisa.

Esse abaixo é o e-mail do Kid, que já tem meu respeito em cultura musical por ter colaborado com este Sítio, num tempo em que ele se situava em outras paragens (do que falo está nesse link AQUI, lá embaixo, no dia 14/10/2004)):

Compondo e cantando, o Paul é realmente dez. Mas no cavaco, ele não entraria em qualquer das rodas de choro que
são feitas por aqui.
Quando estava na American Chamber, apareceu-me um empresário havaiano que queria exportar pamonhas que ele
produzia, envolvidas em folha de bananeira e amarrada com tiras da folha. Disse-lhe que aquilo aqui não era
novidade.
Bom de papo, fomos almoçar e ele me falou da forte influência portuguesa na cultura havaiana: idioma,
culinária, hábitos, etc. Entre outras coisas, contou-me que o ukekele, instrumento nacional deles, era uma
evolução do cavaquinho que os portugueses levaram para o arquipélago. E disse ainda que o cavaquinho chegou lá
depois de passar pelo Brasil. Portugas de uma leva de imigrantes que chegou ao Recife não gostaram do lugar e
reemigraram para o Havaí! Levando o cavaco, naturalmente.

Fui ao Google pra ver se confirmava essa história mas, a passagem pelo Brasil, não consta lá. Nelson Rodrigues
dizia que "se os fatos não conferem com a minha versão, pior para os fatos". Parodiando, digo que: se a versão
do Google não confere com meus "fatos", pior para a versão.

Se este Sítio não fosse um blogue, mas um jornal, eu pesquisaria para checar. Como sou blogueiro, apelo para a assessoria wiki de uma amiga no Havaí. Aí, Lucia Malla, aproveita que está aí em seu novo apartamento havaiano e me conta: isso do Kid é cascata ou verdade?

É Kid, se estivéssemos veraneando lá em Carapebus, onde esatremos eu e Guiga no Carnaval, eu engolia sua erudição calado. Mas você não contava com ESSA.

Antes que a Lucia dê seu pitaco, tem o seguinte, esse negócio dá um debate danado. AQUI.

12 comentários

Sergio, o papo família detonado com o envio do video pelo outro Luis, o com S, e a polêmica cavaquinho x ukelele garantiu alguma diversão na sexta à noite, filha dormindo, latidos de cães na pacata rua do Grajaú. O debate intenso encobriu um pouco o brilho do Eric Clapton no referido video estraçalhando na guitarra em um tributo ao amigo/rival. Agora, a legenda do video, seguindo a opinião musical abalizada do Kid, que, modestamente, é meu padrinho, não devia ser Paul Mc Cartney playing nothing? Porque a performance no instrumento de corda (não quero tomar partido), ressalvadas as boas intenções, francamente...
Abs, Batuta.

A polêmica realmente é boa... Mas eu estou com o Kid, pior pros fatos e pro google, eu sempre acredito nele, no Kid, é claro.

E, ressalva, onde estaremos eu, Guiga e Natalia no Carnaval ;- )

Bjs
Nat

p.s.: Estou dando uma atualizada (colocando umas paródias novas com as músicas originais pra ouvir acompanhando a letra) no O Praiano OnLine e por favor, vê se desta vez não só promete, mas escreva algo pro Praiano 2009, tá?

É uma família de melômanos, críticos severos. Pombas, batuta, o cara é o Paul McCartney!
Fico pensando o que diziam quando eu guardava a clarineta e dava as costas. No carnaval, vou evitar até o pandeiro.

Aaaaaaaa, mas vou "ter" que escrever um post pra te responder. :P

Vamos ver se neste fim de semana sai.

Nada de evitar pandeiro, tá doido? Pandeiro, bongô, bandolin, banjo e o que mais vier... A graça em sermos críticos é termos sempre quem criticar e quem nos criticar também. É um ciclo que precisa ser alimentado, Serginho ;- )

Queridos,
Não resisto e entro na conversa, altamente esclarecedora, sobre música e colonização lusa no Brasil e no mundo.
Pra começar os trabalhos da minha parte, Kid agora também virou Kid Cavaquinho?
Para mim sempre será o primo ilustre e querido com quem troco e-mails sobre vivências inglesas, agora também serão musicais e portuguesas?
Com relação ao vídeo em tela, da canção que George Harrison compôs para minha xará, a Boyd, e magistralmente, concordo, interpretada por Eric que mais tarde também fez para ela, Layla e Wonderful Tonight (mulher de sorte, não?) acho lamentável a falta de simancômetro do Paul (aquele ukelele é triste...),mas adorei toda a informação sobre a origem do instrumento. E em que pese minha paixão por Eric Clapton tocando e cantando qualquer coisa, vou ser mais um voto a favor da alimentação do ciclo criativo dos melômanos familiares diletantes exercitando todos os campos da música e das letras também. Esconder clarinetas jamais, ou pianos, violões e violinos. Sem falar dos bandolins e cavaquinhos que, na minha experiência de cantora, por exemplo, têm sido ótimos acompanhadores de modinhas inglesas medievais, belos fados e chorinhos de Pixinguinha. Sem polêmica.
beijos a todos

Aí, Serginho,

Sua amiga Lúcia do Havaí aceita suborno? Estou preocupado com o comentário dela. Espero que ela seja mais amistosa do que "mala". Perdão por esse trocadilho, que ela já deve estar careca de ouvir.
Entre amigos e parentes (muitos cabem nas duas categorias) sou acoimado (aguardava ansioso uma oportunidade de usar esse verbo) de "sacador". E não estão falando de vôlei ou tênis. Mas "mitômano" é pesado, né-não?
Acontece que, com o advento do Google+Wiki, tive meu espaço de sacação bastante reduzido: tem sempre um octelho (penta é pouco pra essa gente) que vai lá, consulta e me esfrega a correção, ou pior, o desmentido, no nariz.
É humilhante.

Mas foi uma carícia no ego (quem preferir pode ler aqui "beijo no coração") receber o apoio da Nat e da Pat. O Luiz Henrique, a.k.a. Afí não conta porque afilhado é pra essas horas.

Kid, ou Pad do Afí

Afi ou Batuta, esse cara é um tremendo puxa-saco isso é o que ele é. A Lucia é Malla mas aguenta os malas que repetem o trocadilho, caro Kid Ukelele. ((-; E só você para trazer à minha caixa de comentários a Nat e a Patrícia (Xixa, para os íntimos do sítio), figuras ilustres da constelação familiar. Mais um pouco a gente consegue aqui até a prima (sua irmã, digo)Gilda!

Essa mania de "sacador" ou chutador é coisa de família. Tem gente que faz isso até em blogue...

Oi Turma,
Acabo de ler e adorei a postagem no blog da Lucia. Nada como começar o domingo, sem horário de verão, lendo um texto dos "bens": bem informado e bem humorado.
Aproveito para informar que, por motivos de absoluta necessidade de enfim terminar minha faxina de virada de ano - coisas do feng shui - não estarei na Praia no Carnaval e certamente perderei ótimos papos. That's life, mas teremos outras chances lá e cá de papear.
beijocas às comunidades nacional e internacional.

Depois de ler o post da Lucia, cheguei a conclusão que o Ukulele e o Cavaquinho são que nem a gente... Diferentes, mas com alguma coisa em comum, as origens...

Saudações, Sergio,

primeira visita minha, motivada pelos posts políticos. Porém, é neste post aqui que eu queria deixar um comentário.

Primeiro, com relação à relação du ukulelê (não resisto à oxítona; qualquer palavra que termine com lelê é mais interessante que qualquer outra que termine com lele) com o cavaco. A versão da história é boa, e eu compro, mesmo que seja mentira. Mas há que se ter cuidado com essa tendência universalizante da música brasileira: outro dia, me disseram que o cajón, instrumento de percussão típico do Flamenco, tinha sido criado por um baiano. Depois disso, não duvido de mais nada, mas coincidentemente passei a acreditar em muito pouca coisa também.

Segundo, o Paul tocando cavacolelê, numa homenagem, concerto que o Eric Clapton armou quando da morte do George. Então, seus primos deviam dar um desconto para o Macca. É que o George curtia, além de cítaras e tablas, o raio do ukulelê. E pena que ele não deve ter conhecido o Hamilton de Hollanda, para largar o Havaí e cair no cavaco: http://www.youtube.com/watch?v=gLi1iPbaoeI

Um abraço

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