O Brasil e os EUA

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Fonte da imagem: AQUI.

Vou pedir perdão aos frequentadores do Sitio e arriscar uma versão de minha lavra para uns discursos que li ontem. O Hermenauta, que tem o péssimo hábito de reproduzir textos em inglês, sem tradução, traduziria melhor, mas ele cultiva essa mania de querer só leitor poliglota. Para estes, reproduzo as versões originais.

Interessantes, os discursos da audiência de ontem na Comissão de Assuntos Externos da câmara de deputados lá dos gringos, sobre os EUA e a América Latina:

Do Ray Halser, PH.D. da poderosa Heritage Foundation, um centro de pesquisas conservador dos EUA:

The opportunity to forge a more extensive association and even a partnership with Brazil presently exists. Strengthening trade ties would be a good place to start. Under social democrat President Luiz Inácio "Lula" da Silva, Brazil has emerged as a regional powerhouse, competently leading international peacekeeping efforts in Haiti and acting as a "grown-up" restraining influence on a power-hungry, anti-U.S. Hugo Chávez.

(Existe hoje a chance de forjar uma associação mais extensa, e mesmo uma parceira, com o Brasil. Fortalecer laços comerciais seria um bom ponto de partida. Sob o social-democrata Luiz Inácio Lula da Silva, Brasil emergiu como uma potência regional, competentemente liderando esforços de paz no Haiti e atuando como um "adulto", contendo a influência de um Hugo Chávez anti-EUA, sedento de poder.)

Ainda o sujeito da Heritage Foundation:

Lula and his economic team have implemented prudent fiscal and monetary policies, attracting private investment and achieving robust economic while alleviating poverty. As an incentive to encourage Brazilians to enter negotiations with the U.S. for a free trade agreement, Congress should immediately permit duty-free imports of Brazilian cane-based ethanol, offsetting the revenue loss by ending price supports for the wasteful U.S. corn ethanol program, which costs more to produce in relation to the energy it delivers all while harming the environment. Ending federal mandates, in turn, will help a strong U.S. ally, President Felipe Calderon of Mexico, where ethanol-fueled corn prices havehigher (and politically costly) prices for corn tortillas, a Mexican dietary staple..
(vou reduzir, na tradução: ele elogia a política econômica do Lula e sugere o fimd as tarifas sobre etanol de cana como forma de facilitar negociações comerciais com o Brasil _ e, de quebra, facilitar a vida dos plantadores de milho mexicanos, assolados pelos subsídios americanos ao etanol de milho nos EUA.)

Também falou na audiência o vice-presidente do Conselho das Américas, um outro centro de pesquisas e análises respeitado nos EUA, Eric Farnsworth. É um cara novo, mas ouvido a pampa nos EUAS sobre assuntos relacionados com o quintal deles, nós.

Finding a path forward to increase supply of traditional and non-traditional energy, encourage conservation, and build a coordinated regional approach to global climate change would be a significant contribution to the hemispheric agenda, as well as to our own daily lives.
Second, the emerging US-Brazil relationship is one that should be prioritized. Several steps could quickly be pursued, among them inviting Brazil to join the G8, but in any event Brazil is a nation that cannot be taken for granted, either in the hemispheric or the global context. In particular, Brazil's emerging superpower profile on traditional and non-traditional energy and environmental issues, along with its active and constructive participation in the global nuclear non-proliferation regime, point to prospects for heightened cooperation on energy and global climate change issues. Trade and investment policy and international peacekeeping operations, among others, are also areas where cooperation should continue to be pursued.

( Também resumindo: Depois de falar sobre a prioridade à energia renovável, diz que a segunda prioridade deve ser dada à emergente relação com o Brasil, que merece ser cortejado. Superpotência emergente, é como ele chama o país)

O que disse a Cynthia McClintock, Ph.D, professora de Ciência Política e Assuntos Externos da George Washington University? O seguinte:

Overall, the last five years were good ones for the region: economic growth was robust, poverty levels declined, and democracy deepened. These trends were particularly evident in Brazil; also, as Latin America's largest country with new oil discoveries to boot, it became Latin America's foremost leader and, as a BRIC country (with Russia, India, and China), a major global player as well.

(Essa se limita a citar o crescimento econômico robusto, o aprofundamento da democracia e a queda dos níveis de pobreza na região, tendências "particularmente evidentes no Brasil". Prevê que, como é o maior país latino-americano e o terá petróleo do préssal ninguém segura essa nação).

Finalmente, discursou o Sergio Bendixen presidente de uma consultoria em Miami, a Bendixen and Associates, que listou as priopridades dos EUA para os países da região:

After Mexico, Brazil is the most important country to our foreign policy, economy and climate change initiatives. Begin laying the ground work for a strong hemispheric relationship with this country. Initiate policies designed to counteract the Chinese influence by creating progressive investment protocols. Form alliances with Brazil building on their growing influence and presence in global markets especially in the areas of energy, the environment and agriculture.
Daily violence is a growing concern in spite of several years of surprising prosperity during Lula's presidency. Cooperation with US and Brazilian security agencies can help stem the tide of rising crime within and outside Brazil's borders.

(Depois do México, Brasil é o país mais importante para nossas iniciativas d epolítica externa, econômicas e sobre mudanças climáticas. Começar criando condições para uma forte relação hemisférica com esse país. Iniciar opolíticas para contrarrestar a influência chinesa criando acordos modernos de investimento. Formar alianças com o Brasil baseadas em sua crescente influências e presença em mercados globais, especialmente nas áreas de energia, meio-ambiente e agricultura.
No segundo parágrafo ele sugere que o problema da criminalidade no Brasil pode gerar programas de cooperação com agências de sgurança americanas)

Essa "crescente influência" a que os especialistas se refreem deve se referir aos programas que o Brasil vem fazendo na África, América do Sul e América Central, e ao ativismo da diplomacia brasileira nas organizações multialterais, que uns e outros por aqui chamam de mania terceiro-mundista do Itamaraty.

Esse pessoal não lê jornal brasileiro. Pelo jeito não sabe que, como insistem experientes especialistas em relações internacionais ouvidos regularmente em nossa imprensa, o governo Lula é anti-americano e avesso a qualquer aproximação com Washington. Não sei de onde eles tiraram que o governo braileiro é um aliado tão confiável.

Gringo não entende mesmo nada de Brasil. Vai ver foram eles quem a pesquisa Census/CNT andou ouvindo, para montar suas pesquisas de resultados inacreditáveis,.

9 comentários

Só para ser um pouquinho pedante: acho que o 'restrain' era mais no sentido de 'conter', restringir passa a idéia de se estar retirando a influência, ao invés de não se deixar ganhá-la. ;)

Aliás, Mimami (intencional ou não) ficou hilário - de qualquer jeito que se leia/interprete!

Agora, só espero que não mandem o DEA para cá.

É, Marcos, pior que fazer tradução às pressas é escrever correndo sem reler tudo depois. Anotadas e incorporadas suas correções, merci beaucoup.

NUma próxima escreveo MIami com m no meio de novo, para divertir os outros leitores...

abração.

Certeza que o Hermenauta não traduz porque sabe que só vai ter chato como eu comentando a tradução e não o assunto. ;)

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Por que eu tenho a impressão que se retirarem as barreiras ao etanol vai ser melhor para eles do que para nós?

Grande texto, como habitual.

Deve ter articulista de certas revistas sofismando à beça para provar que os EUA não têm nenhuma noção da realicade, pois ainda não perceberam que abrir manter essas boas relações com o Brasil é o primeiro passo para o Foro de São Paulo colocar os pés na "América"...

Eu ia justamente dizer que o Olavón deve estar babado até os pés depois dessa...

Rapaz, é um alívio ler um negócio desses, pelo menos nem todo mundo está maluco.

Não so o Olavo mais meia duzia de anaerobicos como diz o Herme.

"A amazônia é das América...". Ou não.
.
off: a cor dos links me atrapalha para distinguí-los do texto. Preciso de um ofta ou é de propósito mesmo?
O Hermenauta por 'poliglotice' e vc por 'vision accuracy'?ahahah
gde abraço

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