Já falei disso aqui, mas estou impressionado como o que pensei como uma piada virou verdade em poucos dias. Nesse caso da suíça que não se sabe se foi ou não atacada por skinheads, quem já anda levando estiletada é o pobre do Celso Amorim. Fica difícil não defender o Itamaraty nessa, os caras apanham se não fizerem e apanham se fizerem. Não há um termo como xenofobia para descrever o ódio cego à política externa brasileira; mas que é um caso de preconceito se firmando por aí, não tem dúvida.
Recapitulemos, ou melhor, recapitulo aqui o episódio que assisti, após a visita do ministro de Relações do Uruguai. Amrim foi deixar o visitante na saída do palácio do tamaraty, sob pedidos do reportariado para que voltasse à sala de briefings, para continuar a entrevista que havia dado com o uruguaio. Amorim voltou,m dirigiu-se à escada que dá acesso ao gabinete, e foi aborado por repórteres de tv e rádio. "Ministro, o senhor tem de falar, o senhor tem de dar entrevista".
Com uma careta de desagrado, Amorim foi à sala de briefings,. Nem chegou no microfone do pódio de entrevistas. Com ar de enfado, foi cercado por jornalistas de rádio e tv, e esperou que terminase um entrevero entre cinegrafistas e radialistas.. Está lá, gravado: ele começou um discurso genérico, para dizer que o governo brasileiro estava tomando providências.
Em ocasiões anteriores, de incidentes com brasileiros no exterior, o Itamaraty foi acusado de não dar a atenção devida; o Amorim já tem pele grossa, de ser alfinetado por isso. Aliás, no dia seguinte, o indefectível Reinaldo Azevedo já brandia o tacape contra o governo brasileiro:
"não basta uma simples reação de repúdio. O governo brasileiro, de fato, precisará fazer mais, deixando claro que o empenho dos suíços em encontrar os culpados passa a ser fundamental na relação entre os dois países."
Amorim chegou a irritar-se com a insistência dos repórteres. Tentou pelo menos duas vezes acabar com a entrevista, dizendo que não havia nada a dizer enquanto não terminassem as investigações.
À primeira "É xenofobia?" ele respondeu que a polícia estava investigando, que o governo pediu explicações, queria saber dos culpados. Perguntaram umas três vezes a ele se era ou não xenofobia. E indagaram se o governo iria acionar a Comsisão de Direitos Humanos _ ao que ele respondeu que era prematuro, que esperava seriedade da investigação policial.
"Não podemos fazer nenhum pré-julgamento, mas há uma aparência evidente de xenofobia, o que é uma coisa preocupante", disse ele, após a inistência dos repórteres. E quando insisitiam em saber sobre a ONU: "Não adianta aventar hipótese agora porque não sei qual a direção que as investigações vão tomar. É preciso que as autoridades suíças façam a investigação. Temos confiança de que farão, temos confiança de que manterão a transparência e temos confiança de que haverá punição adequada porque creio que a Suíça não tem interesse em manter uma imagem negativa",
Já espectador de episíodios semelhantes, saí do Itamaraty imaginando que o Amorim ia levar pedra por não ter sido enfático o suficiente na condenação dos agressores da moça.
No dia seguinte, os jornais traziam o Amorim em manchetes de página falandode "xenofobia". E, quando a história começou a se revelar mais complicada do que à primeira vista, em todo canto começou a pipocar crítica contra a "precipitação" do Itamaraty. Até atribuiram a ele a referência à Comissão de Direitos Humanos, que saiu dos repórteres e ele se recusou obstinadamente em confirmar.
Estou defendendo o Amorim? Não. Estou condenando um factóide que me atrapalha a discussão quando esse pessoal do governo vem com a tese estúpida de conspiração da midia. Episódios como esse dão argumentos para que autoridades digam que são cobrados por coisas que não disseram e atos que não praticaram. Antes que mais algum amigo meu saia por aí repetindo uma interpretação equivocada, que pelo menos saibam como foi esse negócio.
Já os comentaristas do blogue do Reinaldo não tiveram nenhuma dificuldade em esquecer o post do mestre cobrando mais do governo, e, espumando pelo canto dos lábios, está lá, rosnando contra a "precipitação" do ministro. Aquele que Reinaldo já criticava por não por em questão a relação bilateral Brasil-Suíça por causa da moça com a perna riscada em estilo neonazista.

O que você chama de "preconceito" eu chamo de "interesse em criticar, sempre, qualquer coisa que venha do governo".
Sleo,
Infelizmente, esse caso que vc acompanhou ao vivo é apenas mais um erro entre tantos que a imprensa brasileria tem cometido por querer criticar o governo de qualquer jeito. É por isso que o idelber e outros blogueiros reclamam do jornalismo que se faz no brasil: é sensacionalista e tendencioso. Tem raras exceções, como você e outros gatos pingados.
Marcus, acho saudável a imprensa ser crítica a qualquer governo. O problema é quando essa crítica é burra, apriorística... Bom, é disso que você está falando.
Aiaiai, não sou exceção, pelo contrário. Minha experiência é a de encontrar gente dedicada, interessada. O problema é que os erros aparecem mais, saltam aos olhos. E isso não é o jornalismo do Brasil, é assim em qualquer lugar, pelo menos nos jornais que li pelo mundo. Comparados ao que se publica no continente acho que nem estamos tão mal. Mas v. me dá a idéia de fazer um post exclusivamente sobre essa prática, que leva as pessoas a considerarem o jornalismo sensacionalista e tendencioso. Como sempre, aprendo mais com essa caixa de comentários que os comentaristas com os posts que os motivaram...
Aí Sérgio,
tem conspiração da mídia sim. Talvez você não faça parte dela, por isso não sabe.
Acho que o problema é o termo "mídia", que é completamente incorreto. Coloquemos assim: há uma conspiração da Folha de São Paulo para favorecer o PSDB - desde sempre; há uma conspiração das organizações Globo contra qualquer político de esquerda (Brizola e Lula especialmente) - desde sempre; há uma conspiração do grupo da editora Abril contra o governo Lula - desde que ele existe.
Se você puder apanhar estes três grupos e chamar isso de "mídia", há conspiração sim.
O caso da Suíça se compara também às exigências de que o Brasil bombardeasse a Bolívia e o Equador por conta de problemas de empresas brasileiras em explorar as riquezas destes países (uso a palavra "explorar" com duplo sentido mesmo).
Talvez seria mais correto dizer que cada órgão de imprensa segue seu próprio programa político-ideológico. Também há muita opção à esquerda, não isenta de seus próprios complôs (me lembro de cara da Caros Amigos, talvez possa ser incluído alguma coisa da Carta Capital e do Le Monde Diplomatique Brasil ou da Forum).
Acho que o fundamental é favorecer uma maior capacidade crítica dos leitores. Há que se processar o que lê, e não comprar gato por lebre...
Complementando um pouco o pensamento do André: o que a grande mídia ainda não percebeu é que o seu poder de fogo está minguando. Suas posições tendenciosas são desconstruídas na internet, seus colunistas são desmentidos diariamente e a sua credibilidade, que deveria ser defendida com unhas e dentes, vai sendo corroída por grampos sem áudio, metrôs que afundam sem que os governos sejam cobrados, perseguições a delegados da polícia federal, favorecimento ao Daniel Dantas, entrevistas indignadas de senadores com 40 anos de carreira etc etc etc.
Considerando as falas do Ministro, conforme foram postadas acima, quero crer que apesar de ter recebido algumas provocações, como é o caso da insinuação de xenofobia, o Sr. Amorim se posiciona de modo bastante comedido quando pede que aguardemos a conclusão das investigações por parte das autoridades suiças. Além disso, transmite às tais autoridades a expectativa do seu ministério de que tudo seja apurado com toal transparência e que confia que haverá punição adequada aos verdadeiros culpados. Quando diz que "há uma aparência evidente de xenofobia" quero acreditar que tal preocupação do Ministro tenha sido transmitida oficialmente pelo embaixador do Brasil na Suiça à quem de direito, também no sentido de deixar claro que o governo brasileiro estará atento ao desenrolar das investigações. Para finalizar, entendo que toda essa discussão que estamos fazendo tem um aspecto extremamente positivo que é o de manter a pressão da sociedade sobre nossos governantes, regiamente pagos para nos representar!
O Brasil tem o direito de criticar quem quiser. Nossa opinião é soberana e esses países do dito 1º Mundo tem que acatá-la.
Bla Bla Bla. O caso da tal Brasileira na Suiça expõe a maneira sentimentaloide e impulsiva que esse povo complexado ( o brasileiro e vc "jornalista") exerga o mundo. Sempre como sendo vitimizados.
A policia Suiça não se pronunciou ao inicio das investigações pq nada tinha a dizer, nada tinha a dizer pq não tinha ainda algo concreto a afirmar já que as investigações naquele momento não eram conclusivas.
É um grande embaraço o que fez a porcaria da imprensa Brasileira ( vc que é a favor da obrigação de diploma para ser jornalista deve mesmo querer isso para que outras pessoas que não a possuem não possam revelar o grande picareta que tu es bem como boa parte de seus colegas que colocam o complexo de vira-lata que junta todos numa mesma ação que resulta NUMA PALHAÇADA de gente sentimentaloide que não consegue viver por conta propria e que precisa pedir emprestimo a um Hermenauta da vida que por sua vez vive dos tributros dos Brasileiros, incluindo aqueles brasileiros imigrantes na Suiça que tiveram seu filme queimado por essa fraude enorme que RETARDADOS como vc logo tranformaram num jogo de coitadice entre uma suposta vitima dos "ricos" contra os tais pobres do terceiro mundo.
Alias Sergio leo vc já pagou seu emprestimo ao Hermenauta? Pergunto pq a fonte do salario do cara vem dos contribuintes, incluindo os tais pobres do terceiro mundo, bem como as remesas de imigrantes brasileiros a seus parentes no Brasil, Esse país com sua imprensa de terceira categora e jornalistas idem.
Alexandre = troll hipocrita
E ja' que voce gosta tanto de mencionar o Hermenauta, Alexandre, quando voce vai processar o cara por ter dito que voce, que reclama tanto contra as malfeitorias do Estado, andou ganhando dinheiro com contrato com o Estado?
Aviso de amigo: acelere o processo, pois para o povareu, quem cala consente...
Acho que vc tem razão. Não é um fenômeno brasileiro e não é de hoje e não é a regra entre os jornalistas. Mas, já que vc se propoe a tratar mais do tema, dou mais uma sugestão para uma linha de raciocínio: acho que a mídia (considerando mídia como os donos dos veículos ou dos interessses dos veículos) tem sempre suas preferências - hoje parece ser a preferência de atacar o governo lula e defender o PSDB. Por isso, quando surge um assunto que pode render um bom ataque, o assunto vai logo para as manchetes, no caso, o ministro das relações exteriores fazendo um ataque a outro país. Sabendo disso e querendo sempre dar maior relevância às suas matérias, os coleguinhas puxam o assunto até conseguir uma informação que dê uma base - mínima que seja - a uma matéria que agrade os interesses do momento e que vá render uma boa primeira página. Daí, o crescimento do sensacionalismo. Ou seja, esses "erros" são resultado de fatores presentes na imprensa desde sempre (Balzac já falava disso): o interesse dos donos dos veículos e a vaidade dos jornalistas.
Aiaiai, a cobertura de impensa, a princípio, seguiu um sentimento geral de indignação, e a reprodução da frase do Amorim não tinha o propósito de falar mal do governo, pelo contrário. O problema que aponto é a tendência a enfatizar frases de efeito, informações bombásticas, em lugar de análises mais ponderadas. Às vezes o ritmo violento de produção de notícia força isso: às vezes é a falta de treino, preparo ou atenção dos jornalistas.
Há uma tentação de ser crítico ao governo, sim, e não acho isso ruim a princípio. Muita gente novinha que acompanha a Internet não sabe, mas durante um bom tempo no governo FHC a Folha era acusada de ser petista.
Quem me dera que o funcionalismo público fosse feito todo por gente competente, inteligente, crítica, séria e dedicada como o Hermê. Esses liberais de botequim não entendem nem a teoria liberal, que não elimina totalmente o estado da jogada. Aliás, a prática liberal não elimina mesmo o Estado da jogada, como vemos agora que a ineficiencia do setor financeiro privado leva uma multidão nos EUA a defender... estatização dos bancos(!)
Temos que criticar sim já crescemos e tem atitudes sem respeito
a responsabilidade por seus atos é exclusiva do individuo.
E outra coisa seria não estamos sendo bem recebidos andamos passando por situações constrangedoras.
Depois de tantas chega esta ai sui-generis.NL
Importante post, irei reproduzi-lo no blog. É preciso relatar o fato como ele se deu, em relação a esta grande figura pública que é o Celso Amorim.
Só faço uma ressalva em relação à mídia corporativa: não é isenta, muito menos imparcial - porque isso não existe! O problema da mídia corporativa, no Brasil, é que ela se autoproclama isenta e imparcial. E estamos carecas de saber que a escolha da pauta, a escolha das palavras e a escolha da imagem está amparada na ideologia do dono do impresso ou do concessionário de radiodifusão.
A imparcialidade é um atributo a ser perseguido pelo jornalismo sério, cidadão. É a responsável pela objetividade do texto, pelo relato fiel do fato, não da versão do fato, tal qual fizeste neste próprio texto e apontaste no texto que saiu na TV!
E negar a conspiração da mídia corporativa, que tem lado [neoliberal], é escamotear a luta de classes que, em suma, traduz-se pela i) demonização de governos com recortes populares e progressistas e ii) blindagem daqueles governos que representam a ideologia do capital [este que está com ambas as pernas quebradas e insiste em se manter hegemônico].
Abraço!
Existem jornalistas isentos? Até onde sei, para ser jornalista o sujeito tem que ter diploma. E os diplomados no Brasil são em sua imensa maioria de fora do "povo", em suma, são parte integrante daquilo que se chamava na cartilha marxista de burguesia. Logo, assumindo que existe luta de classes (ao contrário do que prega a direita) dá para dizer que jornalistas são isentos?
Um abraço!
Quando estourou o caso do Senador Larry Craig, em que um jornal de Boise(O Idaho Statesman) seguiu os procedimentos jornalisticos corretos(Meses antes do escândalo estourar,o jornal havia colhido depoimentos de homens que haviam dito ter feito sexo com o senador, mas decidira esperar outros fatos que confirmassem a história, o que ocorreria meses depois num aeroporto de Minneapolis), eu escrevi que um c* de mundo como Idaho tinha imprensa de verdade, mas nenhum centro civilizado do Brasil tinha. Isso tudo só reforça minha convicção.
O pior é que pelas fotos não é díficil notar a farsa. Não só há o truque batido das letras riscadas, como não há os hematomas que fazer esses riscos a força exigiria....
Sérgio
O que você nos relata, por ter sido testemunha, comprova que a Liberdade de Imprensa vem sendo usada criminosamente pelas empresas de comunicação para seu projeto político.
Há jornalistas honestos - como você - é claro! Mas estão mentindo sobre o Ministro Amorim com qual objetivo ?
A Liberdade de Imprensa é um direito NOSSO, dos cidadãos. E a Liberdade de Imprensa que NOS pertence, é apropiada por alguns empresários para corromper a Democracia.
Tenha certeza de que há um projeto político de direita para assumir o Executivo.E deste projeto fazem parte a Folha, Veja, Globo e Estadão.
Quero o meu direito de cidadão respeitado. Quero o meu direito à informação, previsto na Constituição. Quero uma Lei de Imprensa para preservar nossos direitos e a nossa Democracia.
De modo geral, a imprensa manipula as informações e, consequentemente, corrompe a Democracia, como você pôde comprovar pessoalmente neste caso.
O Perfil
Nos vasos somos filhos de alguém
Herdeiros em corpo e alma deste trio indissolúvel
No berço do mundo somos amplamente servidos em tudo há o necessário
A beleza envolvida neste nascimento traduz aquela essência da divindade na luz o dia na treva à noite na união a plenitude.Isto me esquecendo do avesso
A perfeição as nossas mãos
Neste movimento incessante move a alma dos amantes
Após o gozo o repouso
Movimenta mesmo parado ou mesmo não pára
Da união o rebento á principio a fascinação isto quando a realidade o permite... Ai!í Essa realidade como inferno em próprio céu é tudo muito enredada o cume a montanha os caminhos o mundo
Viver o essencial aquele substrato de pura emoção
Da conjugação toda verbal já observastes?
NL