Tive um sonho estranho.
Chegava no jornal, e meu querido amigo Henrik Jonsson havia sido espancado pelo Oliveira, o canalha da redação. Eu encontrava o crápula comendo pão de queijo no boteco do seu Carlos, na portaria da redação, exigia explicações para a violência e ele me explicava que isso era retaliação pela maneira calhorda com que os suíços estão tratando o caso da brasileira atacada por neonazistas no metrô, perto de Zurique.
"Mas Oliveira", dizia eu, "o Henrik, casado com brasileira, amante do país, ainda por cima é sueco!!"
"Sueco, suíço, é tudo ango-saxão!", me respondia o patife, palitando os dentes.
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2º Clichê. Eu estava pensando se escreveria algo mais sobre isso, mas o comentário do Marcos Messer aí embaixo me convenceu.
Eu estava na entrevista coletiva em que o Celso Amorim falou sobre o caso da moça. Ele, cuidadoso, dizendo que estava tomando providências para investigar e ter respostas sobre o caso. O reportariado insistindo, querendo que ele falasse sobre xenofobia. Ele cauteloso, incomodado pela insistência dos jornalistas, evitando declarações enfáticas, dizendo que não falaria mais do que tinha falado.
E o pessoal querendo que dissesse se era ou não xenofobia. Acabou dando uma declaração sobre xenofobia, disse que os indícios apontavam para isso, coisa e tal, mas que aguardava o resultado das investigações.Eu saí pensando que ele tinha sido pouco enfático, ia acabar levando pau por não ter condenado veementemente a atitude suíça.
Mas, no dia seguinte, nas primeiras páginas dos jornais: "Amorim acusa Suíça de xenofobia". O Globo fala até que vai ter queixa na Comissão de Direitos Humanos na ONU, coisa que o Amorim se recusou a confirmar.
Aí, vendo as notícias de que o caso é estranho, que há até quem suspeite de farsa, pensei cá comigo: do jeito que a coisa vai, se o noticiário vira e a moça de vítima passa a culpada de fraude, vão jogar pedra é no Amorim, vão acusá-lo de ter se precipitado, de ideologia contra os ricos, todo esse besteirol de quem não consegue apontar erros concretos na política externa.
Nem precisou. Do jeito que exageraram as declarações do ministro, pelo que vejo aqui mesmo no Sítio, já tem leitor achando isso.

Caso estranho, com gente esquisita. Por foto, os cortes parecem ainda mais leves do que os daquela gordinha que queria ganhar sozinha a eleição para o McCain.
O pessoal do Itamaraty e o Lula já andaram falando demais, pode acabar pegando mais mal que o caso Batistti. (Teve um que chegou perto, muito perto, de dizer que era um novo holocausto.)
Nessa eu vou pela linha tarso de ralações exteriores.
Digo que aproveitemos que é neutra e invadamos logo a Suiça.
Continuo achando que temos que invadir. Tô com o Oliveira, sueco ou suiça, ou inocente, não importa: são todos imperialistas neutros anglo-saxões.
Com o cumbativo cumandante Tarso à frente, inundemos a Suiça de travecos!
Peraí, companheiro, os travecos estamos guardando para nossa intervenção decisiva no conflito palestino-israelense. Sossega o facho você aí. Como dizia a saudosa dona Edith, minha vó querida, que meu amigo Ricardo Linhares transformou até em personagem de novela, olha a saliência. Olha a saliência.
Edição da Globo, sabe como é? ;)
Infelizmente não deixei claro no meu comentário, mas queria dizer que provavelmente iriam fazer um spin com as falas deles. Ou seja, o que você mesmo disse no update.